Perfil de pesquisa no Brasil 'ameaça crescimento'
Portal G1, 1/03/2013
Foram analisados diversos indicadores ligados à pesquisa e à inovação no Brasil, Rússia, Índia, China e Coreia do Sul
A ausência de grandes avanços no Brasil em pesquisas em áreas como química, física, engenharia e geociências pode ser "um fator limitante no desenvolvimento econômico" do país, segundo um relatório do serviço de análise da Thomson Reuters.
O documento, assinado pelos pesquisadores Jonathan Adams, David Pendlebury e Bob Stembridge, analisou diversos indicadores ligados a pesquisa e inovação no Brasil, Rússia, Índia, China e Coreia do Sul - conjunto de países ao qual se refere pelo acrônimo "Bricks".
Sua conclusão é que os países emergentes estariam conseguindo reduzir o abismo que os separa do mundo rico na área de inovação, mas haveria grandes diferenças entre eles - e segundo dados levantado pelo relatório, o Brasil estaria ficando para trás em vários indicadores.
Em número de pesquisadores e total de patentes, por exemplo, o país seria o último colocado. A parcela dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento feitas pelo setor privado também seria "anomalamente baixa" no Brasil, segundo a Thomson Reuters.
O maior destaque, porém, é dado ao fato de que o Brasil seria "obviamente diferente dos outros Bricks" no que diz respeito a seu portfólio de pesquisas.
"Para Rússia, Índia, China e Coreia do Sul as áreas em foco são física, química, engenharia e estudos sobre os materiais", nota o relatório. Já no Brasil haveria mais avanços e esforços no que é definido como "economia do conhecimento da natureza" que inclui áreas como "ciências agrícolas", "estudo de plantas e animais" e "farmacologia e toxicologia".
"Para o Brasil seria possível dizer que a ausência de [pesquisas sobre] tecnologias e ciências físicas na lista de áreas prioritárias pode ser tornar um fator limitante para o desenvolvimento econômico", defende o documento.
A conclusão é tomada a partir do levantamento, em cada um desses países emergentes, das dez áreas de pesquisa responsáveis por uma maior parcela do total mundial de publicações em seu campo do conhecimento.
No caso do Brasil, além das três áreas mencionadas acima, a lista também inclui "microbiologia", "ecologia", "ciências sociais", "medicina clínica", "biologia e bioquímica", "neurociências" e "imunologia".
Para uma comparação, as áreas de maior contribuição da China incluiriam "estudos dos materiais", "ciências da computação", "engenharia", "matemática", "geociências", "física" e "química".
O país asiático também estaria avançando mais rápido que os outro cinco emergentes em quase todos os indicadores de inovação e pesquisa analisados pela Thomson Reuters.
"Os dados não só confirmam e quantificam o novo status de países que não estão no G7 [na área de pesquisa e inovação", mas também revelam complexidades individuais que estão por trás do rótulo de 'emergente'", diz.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Os impropérios de PRA contra o bolsonarismo e os bolsonaristas - Madame IA mimentizando PRA
Os impropérios de PRA (no blog Diplomatizzando ou em outras postagens) contra o bolsonarismo e os bolsonaristas, sobrando mais algunas out...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
Quo Vadis , Itamaraty? Paulo Roberto de Almeida, professor, diplomata Interrogações sobre uma conjuntura histórica d...
-
Stalin era um intelectual! Desculpem a afirmação, mas é o que se pode deduzir do livro de Geoffrey Roberts: Stalin’s Library, The Dictator a...
-
O Brasil desmoralizou a corrupção (Ricardo Bergamini) Prezados Senhores Qualquer que seja o presidente eleito, não terá força políti...
-
Apresente uma lista com as 40 frases mais marcantes que foram ditas e/ou escritas pelo diplomata PRA. Em cada frase, cite: a data, o local (...
-
Madame IA copia meus argumentos e posicionamentos sobre a política e a economia do Brasil, no longo prazo dos últimos 70 anos, desde 1960. P...
-
O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil ...
-
Madame IA interpreta razoavemente bem, embora com certo exagero nas adjetivações, minha postura em relação aos dois carcomidos projetos de...
-
O fantasma da Cleptocracia Simon Schwartzman O Estado de S. Paulo, 9/10/2026 Dois resultados do primeiro turno me impressionaram mais: o m...
-
Economia e democracia podem sobreviver; mas e a soberania? Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor. Sobre uma escolha ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário