Um pequeno aviso às nossas elites
(se de verdade elas existem):
Militares e grandes capitalistas da Alemanha apoiaram Hitler, entre 1933 e 1935, porque ele prometia livrá-la dos famigerados comunistas.
A pretexto desse empreendimento “saneador”, os nazistas se instalaram em todos os órgãos do Estado.
Quando se tentou reagir, já era tarde: eles conseguiram destruir todas as instituições muito antes de que começassem a empreender qualquer aventura militar, a partir de 1938.
Para atingir seus objetivos, depois de eliminar os seus comunistas “nacionais”, os nazistas fizeram inclusive uma aliança com os comunistas verdadeiros, Stalin e a URSS, o que os habilitou a destruir as democracias ocidentais, antes de voltar as armas contra os aliados circunstanciais.
Os militares da gloriosa Wehrmacht tiveram de prestar fidelidade não ao Estado Alemão, já convertido em III Reich, mas a Hitler pessoalmente, o que os levou a continuar uma guerra insana, já perdida a partir do inverno de 1942-43, até o final, levando a Alemanha e o seu povo à maior catástrofe de sua história.
O Brasil ainda está na Alemanha de 1933-34, quando se começa a “limpar o terreno”, a afastar os não aderentes à causa final e a instalar em seus lugares aqueles mais fieis ao líder, os sabujamente servis.
Um bando de fanáticos nas ruas aplaude as trocas, tratando como traidores e comunistas, queimando as efígies de quem os apoiou no momento da subida ao poder.
Servidores do Estado passam a ser apoiadores do governo, por oportunismo ou por simples instinto de sobrevivência.
Depois é muito tarde para reagir.
O Brasil, repito, ainda está na fase das substituições...
Muitos vão achar que eu estou exagerando: “imaginem, que ridículo, o capitão não é capaz desses exageros, inclusive porque é um estúpido...”
Pois é, Hitler também era um caporal ridículo, embora psicopata...
Depois, não digam que eu não avisei.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 27/07/2020
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Nova Ordem Global Multipolar? - Paulo Roberto de Almeida
Nova Ordem Global Multipolar? Paulo Roberto de Almeida A tal proposta de uma “nova ordem global multipolar” nada mais é que uma fraude comp...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
Personagens Bíblicos / História do Profeta Samuel: Quem foi Samuel na Bíblia? https://estiloadoracao.com/historia-do-profeta-samuel/ Histó...
-
What Does China Want? Free David C. Kang , Jackie S. H. Wong , Zenobia T. Chan Author and Article Information Op International Secu...
-
H-Diplo/ISSF Policy Series 2021-36: Globalization and U.S. Foreign Relations after Trump by George Fujii H- Diplo | ISSF Policy Series...
-
Minha publicação mais recente: 1325. “ Historiografia das relações internacionais do Brasil”, Revista do Instituto His...
-
Já chegamos ao último grau do fanatismo político? Talvez ainda não! Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor. Nota sobre a deforma...
-
Autobiografia de um fora-da-lei, 1: a trajetória do Estado brasileiro Por Paulo Roberto de Almeida Revista ...
-
H-Diplo Roundtable XXI-13 on Worldmaking after Empire: The Rise and Fall of Self-Determination by George Fujii H-Diplo Roundtable XX...
-
Meu amigo Airton Dirceu Lemmertz submete meus ataques a Madame IA (Gemini IA) ao exame e resposta da própria, que continua tergiversando so...
-
Como grandes impérios entram em crise, depois desaparecem... - Paulo Roberto de Almeida, + Madame IAComo grandes impérios entram em crise, depois desaparecem... Se compulsarmos alguns dos volumes da grande obra, desde os anos 1930 até o p...
Um comentário:
Querido Embaixador,
Após compartilhar massivamente seu texto no Whatsapp(infelizmente não tanto quanto os robôs do Bolsonaro são capazes), eis que minha namorada indagou-me sobre a data assinada ao fim do texto. "Ele veio do futuro?"
Abraço!
Postar um comentário