Sobre sucessões e não sucessões em diferentes regimes
Paulo Roberto de Almeida
Numa democracia, as urnas decidem quem sai, quem fica, com limites à reeleição; numa ditadura tudo depende da vontade do ditador do momento.
Stalin morreu no posto de dirigente máximo. Putin pretende ultrapassá-lo e ir até a morte, e isso pela via eleitoral, pois elimina, literalmente, qualquer concorrente. Xi Jinping deveria ter cedido o lugar ao final do segundo mandato; não creio que se afaste ao final do terceiro, em 2027 (ele manobrou para mudar as regras informais criadas por Deng).
Trump foi democraticamente eleito para um segundo mandato e agora tenta obter um terceiro. Não conseguirá.
Bolsonaro, nosso candidato patético a ditador, não conseguiu continuar pela via eleitoral e tentou pela via das armas. Também não conseguiu, e está sendo democraticamente processado pela tentativa de subverter o processo.
Estas são as diferenças.
Nós e os americanos podemos eleger imbecis, como foi o caso, e até tentar reelegê-los; mas as urnas ainda prevalecem sobre as armas e a violência, por mais juízes trapalhões que possamos ter. Nas ditaduras, urnas e juízes são apenas um detalhe, e líderes prepotentes podem levar os países a guerras.
Nenhum país consegue evitar que uma maioria de idiotas eleja um idiota maior, mas esperto o suficiente para enganar os primeiros. Nas democracias (mesmo relativas) existe prazo de validade.
Já é um consolo. Não acham?
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 22/02/2025
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