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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Centenário da visita do rei dos belgas Albert I ao Brasil: 1920 - Vídeos da série

Centenário da visita do rei da Bélgica, Albert I, ao Brasil em 1920

https://www.facebook.com/embaixadadabelgica/live/


Uma série de palestras virtuais sob os auspícios da Embaixada do Reino da Bélgica no Brasil
SES 809 – Lote 32 – Av. Das Nações - 70422-900 Brasilia (DF)
T +55/61/3443 1133 • M +55/61/992047470
http://www.brazil.diplomatie.belgium.be/ - https://twitter.com/BelgiumMFA

O ano de 2020 marca o centenário da visita do rei da Bélgica, Albert I ao Brasil, um marco na história da relações diplomáticas entre os dois países. Por este motivo, a Embaixada da Bélgica no Brasil está realizando uma série de eventos culturais e artísticos a esse propósito. Uma parte desses eventos, para se adequar aos tempos de pandemia da COVID-19, consistiu numa série de palestras virtuais. Distinguido por um gentil convite do embaixador Patrick Hermann, tive a honra de não apenas abrir a série, como apresentada a seguir, como também de preparar um texto para essa ocasião, sobre o qual informarei mais abaixo.

1) 1/5 Série: Visita Real Belga em 1920 - Prof. Dr. Paulo Roberto de Almeida
1,1 mil visualizações Há 7 semanas

2) 2/5 Série: Visita Real Belga em 1920 - Profa. Dra. Janete Fonseca

3) 3/5 Série: Visita Real Belga em 1920 - Profa. Dra. Luciana Fagundes
376 visualizações Há 4 semanas

4)  4/5 Série: Visita Real Belga em 1920 - Profa. Dra. Maria Izabel Ribeiro

5) 5/5 Série: Visita Real Belga em 1920 - Sr. Giannetti e Sr. Storms

Aqui, o trabalho especialmente preparado para esta ocasião, que será disponibilizado pela embaixada da Bélgica numa publicação oficial, mas que já coloco à disposição dos interessados: 

“Da conferência da paz da Haia (1907) às negociações de paz de Paris (1919): Quando o Brasil emergiu para a diplomacia mundial?”, Brasília, 23 julho 2020, 19 p. Ensaio de caráter histórico sobre a construção da postura multilateralista do Brasil no início do século XX. Texto de apoio para palestra em 28 de julho, no quadro do programa comemorativo do centenário da visita do rei Albert ao Brasil (1920), organizado pela embaixada da Bélgica. Divulgado via plataformas Academia.edu (link: https://www.academia.edu/43705254/Da_conferencia_da_paz_da_Haia_1907_as_negocia%C3%A7%C3%B5es_de_paz_de_Paris_1919_Quando_o_Brasil_emergiu_para_a_diplomacia_mundial_2020_) e Research Gate (link: https://www.researchgate.net/publication/343193547_Da_conferencia_da_paz_da_Haia_1907_as_negociacoes_de_paz_de_Paris_1919_Quando_o_Brasil_emergiu_para_a_diplomacia_mundial). Anunciado no blog Diplomatizzando (24/07/2020; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2020/07/da-conferencia-da-paz-da-haia-1907-as.html). Palestra efetuada em 28/07/2020, transmitida pelo canal da página da Embaixada da Bélgica no Facebook (link: https://www.facebook.com/embaixadadabelgica/videos/388459948792647).

Apresento a seguir algumas imagens desse evento, que produziu uma profusão de  fotos, matérias em revistas e jornais da época, altamente significativas das inúmeras conexões históricas e das relações bilaterais entre o Brasil e a Bélgica.


 












Finalmente, informo que meu amigo e colega acadêmico Marcilio Toscano Franca Filho, professor na Universidade Federal da Paraíba, publicou um artigo sobre essa visita, em colaboração com Georges Martyn: "Quando o Rei Soldado encontrou o Soldado da Lei: O Estado de Direito e os 100 anos da visita dos reis belgas ao Brasil", que eu reproduzi em meu blog e cuja leitura recomendo:

Cem anos da visita do rei Albert, da Bélgica, ao Brasil - Georges Martyn e Marcilio Franca 

Parabéns à embaixada da Bélgica, meus agradecimentos ao embaixador Patrick Hermann pelo convite, e meus votos de sucesso nos futuros grandes eventos comemorativos das relações do Brasil com o Reino da Bélgica.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 16 de setembro de 2020

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Da conferência da paz da Haia (1907) às negociações de paz de Paris (1919) - Paulo Roberto de Almeida

Meu trabalho mais recente, ainda não publicado: 

3722. “Da conferência da paz da Haia (1907) às negociações de paz de Paris (1919): Quando o Brasil emergiu para a diplomacia mundial?”, Brasília, 23 julho 2020, 19 p. Ensaio de caráter histórico sobre a construção da postura multilateralista do Brasil no início do século XX. Texto de apoio para palestra em 28 de julho, no quadro do programa comemorativo do centenário da visita do rei Albert ao Brasil (1920), organizado pela embaixada da Bélgica. Divulgado via plataformas Academia.edu (link: https://www.academia.edu/43705254/Da_conferencia_da_paz_da_Haia_1907_as_negocia%C3%A7%C3%B5es_de_paz_de_Paris_1919_Quando_o_Brasil_emergiu_para_a_diplomacia_mundial_2020_) e Research Gate (link: https://www.researchgate.net/publication/343193547_Da_conferencia_da_paz_da_Haia_1907_as_negociacoes_de_paz_de_Paris_1919_Quando_o_Brasil_emergiu_para_a_diplomacia_mundial).

Da conferência da paz da Haia (1907) às negociações de paz de Paris (1919): Quando o Brasil emergiu para a diplomacia mundial?

Paulo Roberto de Almeida
 [Objetivo: texto de apoio a palestra; finalidade: Evento Embaixada Bélgica]
Palestra Terça-feira 28 de julho, 17h00 – 17h40 (BRT), no quadro do programa comemorativo do centenário da visita do rei Albert ao Brasil (1920), organizado pela embaixada da Bélgica.

Sumário: 
1. Os conceitos de diplomacia mundial, internacional, global ou multilateral
2. Como o Brasil emerge para a diplomacia mundial, ou multilateral
3. A passagem do Brasil da política regional para a política internacional
4. O Brasil na conferência da paz da Haia (1907)
5. Rui Barbosa defende a neutralidade da Bélgica na Grande Guerra (1916)
6. O Brasil nas negociações de paz de Paris (1919)
7. Encontros entre o presidente Epitácio Pessoa e o Rei Albert

1. Os conceitos de diplomacia mundial, internacional, global ou multilateral
Existem vários sentidos, já consolidados, ao conceito de diplomacia mundial, que pelo seu adjetivo seria algo equivalente a internacional, ou global, embora esse termo seja mais recente. Mas o conceito pode também querer dizer diplomacia multilateral, ou seja, a de organismos internacionais, que podem ser intergovernamentais, de tipo setorial, mas podem também ser de âmbito universal, continental ou regional, ou no sentido plurilateral.
No primeiro sentido, isto é, mundial, significaria uma diplomacia nacional capaz de cobrir todo ou a maior parte do planeta, ou um conjunto significativo de atores relevantes, países, Estados, economias relevantes do ponto de vista das relações internacionais, da dinâmica dos intercâmbios globais, ou tocando aos temas mais sensíveis da comunidade internacional, ou mundial, que tem a ver com a paz (ou a guerra), a segurança, as relações de comércio, de investimentos, de transações financeiras, de movimentos de pessoas, tanto quanto de bens intangíveis (cultura, arte, conhecimento, cooperação), e suas respectivas instituições de suporte. 
Num contexto mais tradicional desse primeiro conceito ele tem a ver com a ação das grandes potências, os chamados poderes hegemônicos, as antigas nações coloniais ou imperiais, ou seja, os grandes atores, definidos pela sua capacidade de projetar poder externamente com base em seus recursos intrínsecos. São atores capazes de imprimir sua vontade num contexto transfronteiras, ou seja, deslanchar guerras de conquista, eventualmente de defesa, incorporar territórios sem jurisdição própria, se constituir um império colonial, ou participar ativamente de ações em âmbito global ou regional, geralmente de cooperação, que também podem ser de caráter unilateral – ou seja, tomadas por sua própria iniciativa – ou em acordo com outros países envolvidos nesse tipo de ação. 
No segundo sentido, multilateral, a diplomacia de um Estado se faz no quadro de acordos estabelecidos, geralmente ao abrigo de alguma instituição dotada de um mandato específico, que pode ser setorial ou “global” (como a ONU), ou estruturais informais de cooperação em torno de um objetivo preciso ou mutuamente acordado. Esta é a forma contemporânea por excelência, que emergiu progressivamente desde o final do século XIX, nas organizações de cooperação técnica, evoluindo progressivamente para o terreno da cooperação política, como por exemplo as duas conferências da paz da Haia (1899 e 1907), com destaque para as negociações de paz de Paris, ao final da Grande Guerra, em 1919, das quais resultaram a criação da Liga das Nações e a formalização do Escritório Internacional do Trabalho. A forma especificamente contemporânea da diplomacia mundial, ou internacional, ou ainda global, se identifica, evidentemente, com a Organização das Nações Unidas, criada na conferência de San Francisco de 1945, e suas agências especializadas, que foram sendo criadas antes ou imediatamente depois da entidade global. 
A conjuntura histórica examinada no presente ensaio sintético refere-se ao início do regime republicano no Brasil, na última década do século XIX, e às duas primeiras décadas do século XX, quando têm lugar os eventos ou processos aqui enfocados: a emergência da nova diplomacia republicana, as conferências da paz da Haia (sendo que o Brasil participou unicamente da segunda, em 1907), a Grande Guerra e as negociações de paz de Paris, em 1919, com referência especial para as relações do Brasil com o Reino da Bélgica, em vista da solidariedade demonstrada por ilustres brasileiros – com destaque para Rui Barbosa – por ocasião da invasão do país pelas forças militares do Império Alemão e para as relações pessoais entre o presidente Epitácio Pessoa e o rei Albert, que visitou o Brasil em 1920. A melhor síntese sobre a posição internacional do Brasil nesse período foi oferecida na obra do embaixador Rubens Ricupero, na seção “As novas tendências da política exterior”, parte VI, “A Política Externa da Primeira República (1889-1930), como segue: 
A evolução do panorama externo agiu nessa fase sobre a diplomacia brasileira por meio de três fatores estruturantes, capazes de fazer surgir tendências profundas e sistêmicas, destinadas a durar muito além de 1930 como características diferenciadoras da orientação da política exterior do Brasil.
primeiro consistiu na emergência e afirmação do poder político e da irradiação econômica dos Estados Unidos. O segundo fez-se sentir pela intensificação de um relacionamento mais intenso e cooperativo entre países da América Latina, seja sob a modalidade do pan-americanismo patrocinado por Washington, seja por iniciativas latino-americanas autônomas. Finalmente, o terceiro residiu no aprendizado de novo tipo de ação diplomática nas instâncias do incipiente multilateralismo da Liga das Nações, estágio inicial de uma forte tradição da diplomacia multilateral que se desenvolveria nas fases seguintes. 
Em termos sintéticos, as três transformações estruturais da política exterior na Primeira República resumem-se: 1ª) no estreitamente da relação ou “aliança não escrita” com os Estados Unidos; 2ª) na sistemática solução das questões fronteiriças e na ênfase em maior cooperação com os latino-americanos; e 3ª)  nos primeiros lances da diplomacia multilateral, na versão regional, pan-americana, ou global, da Liga das Nações. (Ricupero, 2017: 258). 

2. Como o Brasil emerge para a diplomacia mundial, ou multilateral?
         (...)

Texto na íntegra nos links: 



terça-feira, 14 de julho de 2020

Cem Anos da Visita Real Belga ao Brasil - atividades virtuais, julho e setembro

Participe e descubra a relevância da 
visita real belga de 1920

A Embaixada da Bélgica tem a satisfação de convidá-lo (a) a participar da série de cinco entrevistas virtuais sobre a visita da família real belga ao Brasil em 1920. As entrevistas serão transmitidas ao vivo pelo Facebook da Embaixada da Bélgica, de julho a setembro, nos dias e horários informados na imagem abaixo.

O evento contará com as participações da Profa. Dra. Janete Flor de Maio Fonseca; da Profa. Dra. Luciana Fagundes; do Sr. Marc Storms; da Profa. Dra. Maria Izabel Meirelles Reis Branco Ribeiro; do Prof. Dr. Paulo R. de Almeida; e do Sr. Ricardo Giannetti. Eles compartilharão, de forma dinâmica, informações sobre a vinda dos soberanos belgas ao Brasil e os seus reflexos que são significativos até hoje. Você poderá assistir e interagir com nossos convidados, em tempo real, enviando perguntas e comentários pelo chat.

ENTREVISTAS VIRTUAIS:
Paulo Roberto de Almeida
“Da conferência da paz da Haia (1907) às negociações de paz de Paris (1919): Quando o Brasil emergiu para a diplomacia mundial”, 
Palestra Terça-feira 28 de julho, 17h00 – 17h40 (BRT), no quadro do programa comemorativo do centenário da visita do rei Albert ao Brasil (1920), organizado pela embaixada da Bélgica.
  
Para acompanhar as entrevistas, acesse a nossa página no Facebook

Agradecemos desde já a sua atenção e contamos com a sua presença.

Acompanhe nossas redes sociais para mais informações:

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Atenciosamente,

Embaixada da Bélgica

sexta-feira, 6 de março de 2020

Ex-alunos brasileiros em universidades da Bélgica: uma associação para interação

A embaixada da Bélgica no Brasil, sob o comando do embaixador Patrick Herman, enviou a mensagem abaixo a todos os cadastrados em sua mailing, mas é possível que muitos ex-estudantes brasileiros na Bélgica, em qualquer época (ou seja, desde 1830), não tenham tido acesso ou conhecimento desta mensagem.
A intenção é a de constituir uma Associação Belga de Alumni Brasileiros" (ABRABEL), uma entidade virtual, com vinculações por ferramentas sociais, que permitirá fazer um levantamento de todos os ex-alunos, em quaisquer categorias (e suponho que eles sejam milhares), para depois divulgar ao máximo essas experiências e aprendizados.
Eu, por exemplo, tenho TRÊS diplomas de universidades belgas, onde eu me auto-exilei durante os anos de chumbo da ditadura militar no Brasil. Deixando parado meu curso de Ciências Sociais no segundo ano da famosa Fefelech-USP, fiquei quase sete anos na Bélgica, refazendo minha graduação em Ciências Sociais na ULB (1975), mestrado em Economia do Desenvolvimento na Universidade do Estado de Antuérpia (1976) e iniciando logo em seguida, 1976, meu doutorado em Ciências Sociais na ULB, que só vim a terminar em 1984, por ter voltado ao Brasil em 1977 e ingressado na carreira diplomática.
Sem hesitação, devo à Bélgica os melhores anos de minha vida, feita basicamente de intensas leituras em suas muitas bibliotecas, sobretudo na do Instituto de Sociologia da ULB. Também aproveitei para viajar muito pela Europa durante todos aqueles anos, e adquiri alguns hábitos "belgicanos", como a cerveja, as fritas, os chocolates, e o que mais a Bélgica tem de excelente, não só na gastronomia.

Formulo um apelo a todos os que estudaram na Bélgica, aos que conhecem ex-estudantes, para que divulguem esta mensagem do embaixador Patrick Herman, e preparem-se a interagir com a embaixada em vista da constituição da ABRABEL.
Bela iniciativa, com meus enfáticos cumprimentos ao embaixador por esta iniciativa.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 6 de março de 2020.

Editorial Alumni
Caros alumni,
KULeuven, ULg, UHasselt, ULB, RUG, VUB, UCL, UA, FUCAM, UNamur, Hogescholen, Ecoles supérieures… você se formou em uma universidade belga ou outra instituição de ensino superior. Você passou tempo, fez amizades e aprendeu muitas coisas diferentes durante a sua estadia no nosso país. Esta experiência certamente criou uma ligação especial entre você e a Bélgica.
Atualmente, você estabeleceu sua residência no Brasil e a Embaixada da Bélgica em Brasília está procurando manter esse vínculo criando uma rede virtual, mas dinâmica, de ex-alunos.
Esta nova iniciativa, em consulta com nossa “Associação Belga de Alumni Brasileiros" (ABRABEL) seria uma oportunidade para nos mantermos em contato para nos conhecermos, criarmos redes, construirmos laços e talvez para trabalharmos juntos em diferentes parcerias.
Além disso, as associações de ex-alunos são importantes fontes de contatos informais que permitem melhorar sua rede profissional e social e aumentar as oportunidades de empresas conjuntas ou novas formas de cooperação.

Informações sobre as atividades da Embaixada da Bélgica
Nós o manteremos informado sobre as diferentes atividades da Embaixada em Brasília, dos Consulados Gerais da Bélgica no Rio de Janeiro e em São Paulo e dos consulados honorários nas outras partes do país. Como porta de entrada para as autoridades oficiais belgas no Brasil, o Consulado e a Embaixada têm contatos a nível político, econômico e cultural.
Os postos diplomáticos e consulares mantêm também uma estreita ligação com uma comunidade belga composta por +/- 200 cidadãos ativos na indústria, finanças ou instituições acadêmicas.

Benefícios Mútuos
Do mesmo modo, você pode nos manter informados de suas atividades em seus respetivos setores. Algumas delas podem ter ligações diretas com atividades acadêmicas, comerciais ou industriais na Bélgica ou no Brasil.

Contatos Sociais
Alguns de vocês já adquiriram alguns anos de experiência na sua área de especialização, enquanto outros acabaram de concluir os seus estudos e estão cheios de expectativas. Estar em contato com pessoas com experiência similar poderia ajudá-lo a encontrar novas idéias e possivelmente desenvolver parcerias. Você pode até mesmo fazer novos amigos.
A fim de respeitar as leis de privacidade brasileiras (LGPD) e europeias (GDPR), iniciaremos no próximo mês uma divulgação e consulta aos ex-alunos que conhecemos através de nossas redes sociais. Um formulário será enviado para identificar o maior número possível de ex-alunos brasileiros interessados nesta iniciativa e perguntar-lhes sobre a que tipo de rede gostariam de participar - ou não!
Se a iniciativa encontrar interesse, esperamos em seguida poder lançar, ainda neste verão setentrional/ inverno austral, a rede tanto na “web” como pessoalmente através de um primeiro evento.

Atenciosamente,
Patrick Herman
Embaixador

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Quase 100 anos da visita do Rei Albert I, da Belgica


O rei da gelatina
A visita ao Brasil de Alberto I, da Bélgica, em 1920, contribuiu para criar uma sobremesa que pode nos ajudar a esquecer a derrota na Copa
https://veja.abril.com.br/blog/dias-lopes/o-rei-da-gelatina/ 2/23
Por J.A. Dias Lopes
Revista Veja, 10 de julho de 2018


Gelatina rei Alberto: os mineiros homenagearam o rei visitante com um doce que tem as cores da bandeira belga 

Depois que a Bélgica eliminou o Brasil da Copa do Mundo de 2018, destruindo nosso sonho do hexacampeonato e nos fazendo voltar à realidade de um país em crise, dificilmente receberíamos um governante daquele país com as mesmas deferências concedidas ao seu rei Alberto I, em 1920. O soberano esteve aqui no segundo semestre de 1920, acompanhado da mulher, Elisabeth da Baviera; e do filho do casal, príncipe Leopoldo, futuro rei Leopoldo III, que se juntou a eles no princípio de outubro.
Durante sua permanência no país, a família real foi sempre aclamada pela população e os jornais comumente se referiam ao soberano estrangeiro como o “rei herói” ou o “rei soldado”, devido à sua atuação proeminente na Primeira Guerra Mundial. Ele havia assumido o comando do exército e defendido seu país da invasão alemã.
Segundo a pesquisadora Andrea C. T. Wanderley, do portal Brasiliana Fotográfica, no post com base em um acervo fotográfico guardado no Instituto Moreira Salles e intitulado “A viagem dos reis da Bélgica ao Brasil sob as lentes de Guilherme Santos”, os soberanos desembarcaram a 19 de setembro no cais Mauá, do Rio de Janeiro, “e a população os recebeu de forma apoteótica”. Além da capital brasileira, conheceram Petrópolis, Teresópolis, Santos, São Paulo e Belo Horizonte. Em todas essas cidades ofereceram-lhes recepção calorosa, que incluíram bandas de música e tiros de canhão.
O povo foi à rua para aplaudir os soberanos. Em Belo Horizonte, o poeta Carlos Drummond de Andrade, na época com 17 anos de idade, expressou seu encantamento nos versos de “A Visita do Rei”: 
“Vejo o rei passar na Avenida Afonso Pena
onde só passam dia e noite, mês a mês e ano, 
burocratas, estudantes, pés- rapados.
Primeiro rei entre renques de fícus e aplausos,
primeiro rei (ou verei outros?) na minha vida
Não tem coroa de rei, barbas formidáveis de rei,
armadura de rei, resplandecente ao sol da Serra do Curral.” 

Os soberanos embarcaram de volta à Bélgica a 16 de outubro.

O historiador Carlos Ditadi, do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, assinala que o governo do então presidente Epitácio Pessoa se preparou para recebê-los, realizando grandes obras públicas. Era a primeira visita de um rei europeu à América do Sul. Além disso, a República Brasileira, que três décadas antes derrubara o regime de D. Pedro II, parecia saudosa do glamour da monarquia.
A cidade do Rio de Janeiro concluiu a Avenida Niemeyer, por sinal inaugurada oficialmente pelo soberano belga a 27 de setembro, e construiu o Mirante da Gruta da Imprensa, cuja designação oficial acabaria sendo Viaduto Rei Alberto. Pelo mesmo motivo concluiu a Avenida Delfim Moreira. A Rua Rainha Elisabeth, ligando os bairros de Copacabana e Ipanema, recebeu o nome da soberana belga.
Ela, por sinal, tinha relações familiares com o Brasil. Era neta de D. Miguel I, rei de Portugal entre 1828 e 1834, e irmão do nosso imperador D. Pedro I. A rainha belga fez por merecer a homenagem, pois adorou o Rio de Janeiro. Nadou diversas vezes no mar de Copacabana, vestindo roupa de banho e causando certo frisson entre os cariocas, pois nem todas as mulheres da época cometiam a ousadia. O rei também escalou o Pico da Tijuca e se entusiasmou com a beleza natural que contemplou.
Aliás, era apaixonado pelo alpinismo, tinha preferência por escalar o Maciço do Monte Branco, grupo de montanhas dos Alpes Ocidentais, entre o Vale de Aosta, na Itália, os Ródano-Alpes, na França e o Valais, na Suíça. Só o trocava pelas Dolomitas, cadeia montanhosa dos Alpes Orientais, no norte da Itália. Tanto que morreu em um acidente de escalada.
A maior deferência feita a Alberto I seria o decreto do então presidente Epitácio Pessoa, assinado a 14 de outubro, concedendo-lhe a cidadania brasileira e o tornando marechal do Exército Nacional. Foram tantos os salamaleques que parecíamos não saber o que fazer com ele. Ah, se soubéssemos do futuro 2 a 1 da derrota da semana passada, na Rússia, para a Seleção da Bélgica! Mas havia um motivo concreto para agradá-lo. O Brasil queria receber investimentos da Bélgica – e acabou conseguindo. Quem tirou maior proveito foi Artur Bernardes, na época governador de Minas Gerais, que dois anos depois seria eleito Presidente da República. Ele hospedou os soberanos no Palácio da Liberdade, de Belo Horizonte.
O casal visitante se encantou com os requintes do prédio, sobretudo pelo seu estilo Luís XVI, com a elegante escadaria art nouveau, trabalhada em ferro batido de ornamentação floral e originária da Société Anonyme Ateliers de Construction Forges et Aciéries de Bruges, na Bélgica. Artur Bernardes aproveitou para mostrar a Alberto I o potencial siderúrgico do estado. Pouco depois da visita do rei, chegava ao Brasil uma missão técnica que constatou a conveniência do negócio. Em dezembro de 1921 surgiu a avançada Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, sem precedentes na história do país.
Entre outras atenções, o governador mineiro ofereceu aos soberanos aquele que teria sido o banquete mais refinado da estada ao Brasil, com um cardápio todo em francês. Filezinhos redondos de cordeiro viraram noisettes; macucos brasileiríssimos, desossados e escalfados, servidos com trufas e provavelmente escalopes de foie gras, receberam o nome de macucos truffés à la royale.
O mesmo sucedeu com a sobremesa, batizada de dessert brésilien, aplaudida por todos, a começar pelo homenageado. Era uma gelatina que evocava a bandeira belga, composta por três listas verticais nas cores vermelha (representada pela gelatina de morango, framboesa ou cereja), amarela (ovos moles) e preta (purê de ameixa). O casal real a elogiou não só pela agradável surpresa, mas também “pela beleza da apresentação e harmonia de sabores”.
A escritora gastronômica mineira Maria Stella Libanio de Christo, no livro “Fogão de Lenha – Quitandas e Quitutes de Minas Gerais” (Editora Vozes, Petrópolis, 1977), publica a receita do dessert brésilien com esta observação: “Servida no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, quando da visita dos soberanos belgas”. Mas já a trata pelo nome com a qual ficou conhecida: gelatina rei Alberto”.
A sobremesa atualmente é popular em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, onde por sinal os soberanos belgas não estiveram. Os gaúchos apreciam bastante a gelatina rei Alberto. Até nos restaurantes dos postos de gasolina de beira de estrada ela pode ser encontrada. Dois Presidentes da República nascidos no Rio Grande do Sul foram seus apreciadores: Getúlio Vargas e Emílio Garrastazu Médici. O caminho provável dessa migração talvez começou com Artur Bernardes.
Ao ser eleito Presidente da República, ele teria levado a sobremesa para o Palácio do Catete. Getúlio Vargas certamente a conheceu ali, quando chegou ao poder. Ele mesmo ou seus conterrâneos gaúchos a transladaram para o Rio Grande Sul na década de 1930. Os belgas não fazem a menor ideia da existência da gelatina rei Alberto. Pelo menos nisso ganhamos deles, até porque o doce criado para o rei Alberto é tão gostoso que pode nos ajudar a esquecer a derrota no futebol.

GELATINA REI ALBERTO RENDE 8 A 10 PORÇÕES INGREDIENTES


GELATINA COM MORANGOS
.1 kg de morangos frescos e maduros .100 ml de água
.180 g de açúcar
.10 g de folhas vermelhas de gelatina (amolecidas previamente em um pouco de água fria)

COMPOTA DE ABACAXI
.300 g de abacaxi fresco e maduro, cortado em pequenos cubos
.100 g de açúcar

PURÊ DE AMEIXA
.300 g de ameixas pretas em conserva
.200 ml de água
.50 g de açúcar

OVOS MOLES (podem ser substituídos por fios de ovos)
.250 g de açúcar
.200 ml de água
.15 gemas médias passadas por uma peneira
.70 g de manteiga
.3 gotas de essência de baunilha
FINALIZAÇÃO
.Merengue batido em ponto de suspiro
DECORAÇÃO
.Ameixas pretas secas

PREPARO
GELATINA COM MORANGOS
1. Ferva os morangos com a água, o açúcar e depois bata no liquidificador.
2. Esprema a gelatina e junte-a em seguida à mistura (ainda quente) dos morangos.
3.Coloque em taças e reserve na geladeira para adquirir textura.
COMPOTA DE ABACAXI
4. Misture o açúcar ao abacaxi e leve ao fogo brando, mexendo, até reduzir. Se necessário, reserve em uma peneira para perder todo o líquido.
PURÊ DE AMEIXA
5. Junte as ameixas à água e coloque-as para ferver, até ficarem macias. Descarte os caroços, amasse as ameixas com um garfo, incorpore o açúcar e retorne ao fogo, para engrossar um pouco. Reserve.
https://veja.abril.com.br/blog/dias-lopes/o-rei-da-gelatina/
7/23
5/15/2019 O rei da gelatina | VEJA.com
OVOS MOLES
6. Em uma panela, misture o açúcar com a água e as gemas. Adicione a manteiga e mexa em fogo brando, até levantar bolhas. Incorpore a baunilha e desligue o fogo. Deixe esfriar dentro da própria panela, sem mexer.
FINALIZAÇÃO
7. Retire as taças da geladeira e distribua o doce de ovos sobre a gelatina.
8. Em cima, coloque o purê de ameixa e depois a compota de abacaxi . Guarde na geladeira.
9. No momento de ir à mesa, finalize a sobremesa colocando o merengue. Decore cada taça com uma ameixa e sirva imediatamente.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Presidente Hoover: mal afamado pela Depressao, mas um grande benfeitor humanitario


Delanceyplace.com End of Year Selections: Terrible Presidents
Today's encore selection -- from One Summer: America, 1927 by Bill Bryson. Herbert Hoover went from a spectacular career in mining to international acclaim and celebrity in a war relief effort to derision and blame for the Great Depression:

"Fortunately, America had a figure of rocklike calm -- a kind of super­man, a term that he was not embarrassed to apply to himself in private correspondence -- to whom it could turn in times of crisis such as [the Mississippi flood of 1927]. His name was Herbert Hoover. Soon he would be the most derided presi­dent of his time -- quite an achievement for someone elected in the same decade as Warren G. Harding -- but in the spring of 1927 he was, and by a very wide margin, the world's most trusted man. He was also, curiously, perhaps the least likable hero America has ever produced. The summer of 1927 would make him a little more of both.

"Herbert Clark Hoover was born in 1874 thirty miles west of the Missis­sippi (he would be the first president from west of that symbolically weighty boundary) in the hamlet of West Branch, Iowa, in a tiny white cottage, which still stands. His parents, devout Quakers, died tragically early -- his father of rheumatic fever when little Bert was just six, his mother of typhoid fever three years later -- and he was sent to live with an uncle and aunt in Oregon. ...

"Though he never finished high school -- his uncle, disregarding his brightness, sent him to work as an office boy in Salem, Oregon, instead­ -- Hoover nurtured a fierce ambition to better himself. In 1891, at age sev­enteen, he passed the entrance examinations for the brand-new Leland Stanford Junior University (or just Stanford as we now know it), which then was a free school. As a member of Stanford's first-ever class, he studied geology and also met there his future wife, Lou Henry, who by chance was also from Iowa. (They would marry in 1899.) Upon graduat­ing, Hoover took the only job he could find, in a gold mine in Nevada City, California, loading and pushing an ore cart ten hours a day seven days a week for 20 cents an hour -- a meager salary even then. That this was the permanent lot for his fellow miners seems never to have troubled him. Hoover was a great believer in -- and a living embodiment of -- the notion of personal responsibility.

In 1897, still in his early twenties, Hoover was hired by a large and venerable British mining company, Bewick, Moreing and Co., and for the next decade traveled the world ceaselessly as its chief engineer and troubleshooter -- to Burma, China, Australia, India, Egypt, and wher­ever else the company's mineralogical interests demanded. ... After a decade in the field, Hoover was brought back to London and made a partner in Bewick, Moreing. ...

"He would very probably have passed his life in wealthy anonymity but for a sudden change in circumstances that thrust him unexpectedly into the limelight. When war broke out in 1914, Hoover, as a prominent American, was called on to help evacuate other Americans stranded in Europe -- there were, remarkably, over 120,000 of them --and he per­formed that duty with such efficiency and distinction that he was asked to take on the much greater challenge of heading the new Commission for Relief in Belgium.


Hoover walks with Polish children

"Belgium was overwhelmed by war, its farms destroyed, its factories shut, its foodstocks seized by the Germans. Eight million Belgians were in real peril of starving. Hoover managed to find and distribute $1.8 million worth of food a week, every week, for two and a half years -- 2.5 million tons of it altogether -- and to deliver it to people who would otherwise have gone unfed. The achievement can hardly be overstated. It was the greatest relief effort ever undertaken on earth, and it made him, deserv­edly, an international hero. By 1917, it was reckoned that Hoover had saved more lives than any other person in history. One enthusiast called him 'the greatest humanitarian since Jesus Christ,' which of course is about as generous as a compliment can get. The label stuck. He became to the world the Great Humanitarian.

"Two things accounted for Hoover's glorious reputation: he executed his duties with tireless efficiency and dispatch, and he made sure that no one anywhere was ever unaware of his accomplishments. Myron Her­rick, America's avuncular ambassador in Paris, performed similar heroic feats in occupied France without receiving any thanks from posterity, but only because he didn't seek them. Hoover by contrast was meticu­lous in ensuring that every positive act associated with him was inflated to maximum importance and covered with a press release."

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One Summer: America, 1927
Author: Bill Bryson 
Copyright 2013 by Bill Bryson
Pages: 53-56

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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Rui Barbosa e o direito internacional - Sergio E. M. Lima, Paulo Roberto de Almeida (Correio Braziliense)

Mais recente artigo publicado, pequeno, mas simbólico, pois hoje se comemora, justamente, além da queda da Bastilha -- que é um episódio menor da vida internacional --, os cem anos do famoso discurso de Rui Barbosa na Faculdade de Direito de Buenos Aires, em 14 de julho de 1916, quando ele condena a violação da neutralidade da Bélgica pelo Império alemão.
Paulo Roberto de Almeida


Rui Barbosa e o direito internacional

Sérgio Eduardo Moreira Lima
Paulo Roberto de Almeida
Correio Braziliense, 14/07/2016
  
            Há cem anos, quando a Argentina comemorou o primeiro centenário de sua independência, o governo brasileiro designou o senador Rui Barbosa como seu representante nos festejos. Além de participar das cerimônias oficiais, Rui Barbosa foi convidado a palestrar na Faculdade de Direito de Buenos Aires, ali pronunciando uma das mais importantes alocuções da história do direito internacional no Brasil. Dada a contribuição de suas reflexões para a construção da doutrina jurídica que sustenta a essência da política externa brasileira, bem como para a afirmação de valores e princípios da diplomacia defendida pelo Itamaraty, vale relembrar alguns conceitos fundamentais dessa conferência, ainda válidos em nossos dias.
            Em 1983 a Casa de Rui Barbosa publicou o texto definitivo, traduzido do espanhol, dessa palestra, “Os Conceitos Modernos do Direito Internacional”, durante muito tempo denominada como “O Dever dos Neutros”. Rui já era conhecido na Argentina, onde vivera entre 1893 e 1894, fugindo da perseguição que lhe movia o governo de Floriano por sua posição em defesa dos revoltosos da Armada. Depois de repassar os episódios mais relevantes do itinerário independentista argentino – iniciado em 1806, avançando em 1810 e consagrado definitivamente no Congresso de Tucuman, em 9 de julho de 1816, quando se proclamou a autonomia do país em face da Espanha –, Rui Barbosa cita Juan Bautista Alberdi, que condenava, no panfleto “A Onipotência do Estado”, o culto ao Estado como “a negação da liberdade individual”.
Ele chega então ao cerne de sua exposição: a condenação formal do uso da força, representada pela violação da neutralidade da Bélgica por tropas do Império alemão, em total desrespeito aos princípios discutidos poucos anos antes na Segunda Conferência da Paz da Haia, na qual Rui fora o chefe da delegação brasileira. Suas palavras, em defesa desse princípio, foram muito claras: “Entre os que destroem a lei e os que a observam não há neutralidade admissível. Neutralidade não quer dizer impassibilidade; quer dizer imparcialidade; e não há imparcialidade entre o direito e a injustiça. (...) O direito não se impõe... com o peso dos exércitos. Também se impõe, e melhor, com a pressão dos povos. (...) Não há duas morais, a doutrinária e a prática. A moral é uma só: a da consciência humana, que não vacila em discernir entre o direito e a força.”
            Essa conferência de Rui Barbosa foi relembrada pelo chanceler Oswaldo Aranha, em 1942, no exato momento em que o Brasil se viu confrontado à extensão da guerra europeia ao continente americano, instando, então, o país a assumir suas responsabilidades no plano dos princípios do direito internacional e em consonância com os deveres da solidariedade hemisférica. A Alemanha tinha, mais uma vez, violado a neutralidade da Bélgica, para invadir a França. A postura de Aranha – que havia recepcionado Rui, como jovem estudante no Rio de Janeiro, quando o jurista desembarcou em sua volta ao Brasil –, foi decisiva para que, ao contrário da vizinha Argentina, então controlada pelo Grupo de Oficiais Unidos, de orientação simpática ao Eixo, o Brasil adotasse uma postura compatível com a construção doutrinária iniciada por Rui e de acordo a seus interesses nacionais, nos contextos hemisférico e global, em face do desrespeito brutal ao direito internacional cometido pelas potências nazifascistas na Europa e fora dela. 
            Vinte anos depois, o chanceler San Tiago Dantas, um dos grandes tribunos do pensamento jurídico da diplomacia brasileira, defende o respeito ao princípio da não intervenção nos assuntos internos de outros Estados, que estava então em causa nas conferências e reuniões pan-americanas em torno do caso de Cuba. Outros juristas e diplomatas brasileiros, ao longo do século, a exemplo de Raul Fernandes, Afrânio de Melo Franco, Afonso Arinos e Araújo Castro, participaram dessa construção doutrinal e pragmática dos valores e princípios da diplomacia brasileira. Há que se reconhecer, no entanto, que Rui Barbosa foi um dos responsáveis pela contribuição das grandes diretrizes políticas e jurídicas que hoje integram plenamente o patrimônio da diplomacia brasileira.

Sérgio Eduardo Moreira Lima, embaixador, é presidente da Fundação Alexandre de Gusmão; Paulo Roberto de Almeida é ministro da carreira diplomática e professor nos programas de mestrado e doutorado em Direito do Uniceub.