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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Livro celebra 120 anos de Afonso Arinos de Melo Franco - Júlia Costa (Correio Braziliense)

 Livro celebra 120 anos de Afonso Arinos de Melo Franco

Coletânea celebra a produção intelectual de Afonso Arinos, que foi senador, deputado federal, diplomata e membro da ABL

Livro celebra 120 anos de Afonso Arinos de Melo Franco -  (crédito: Divulgação)
Correio Braziliense, 17/05/2026 07:00 / atualizado em 18/05/2026 12:55 

https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2026/05/7420627-livro-celebra-120-anos-de-afonso-arinos-de-melo-franco.html#google_vignette

Para celebrar a produção intelectual e o aniversário de 120 anos do ex-senador, deputado federal e diplomata Afonso Arinos de Melo Franco, o jornalista Rogério Faria Tavares e o professor Arno Wehling, membro da Academia Brasileira de Letras, organizaram a coletânea Nos 120 anos de Afonso Arinos de Melo Franco. Dividido em 17 ensaios, escritos por estudiosos e contemporâneos de Arinos, o livro passa pelas diferentes áreas de atuação do intelectual. 

Durante a carreira política, Afonso Arinos foi deputado federal por Minas Gerais e senador pelo Rio de Janeiro. Entre os feitos do político, Rogério Faria Tavares destaca a Lei Afonso Arinos, de 1951, que transformou a discriminação de caráter étnico-racial em infração criminal. "É considerada um marco divisor de águas na história do antirracismo no Brasil. Isso foi muito importante. Por essa proposta, Afonso Arinos recebeu várias ameaças de morte e trotes e foi muito ofendido por conta da sua defesa do antirracismo", diz Tavares.

Como chanceler do governo de Jânio Quadros, em 1961, foi um dos elaboradores da Política Externa Independente, marco da diplomacia brasileira. "Até 1960, a política externa brasileira se alinhava muito aos interesses norte-americanos, afinal, nós vivíamos no tempo da Guerra Fria", explica Tavares. "Arinos enuncia a Política Externa Independente, que o Brasil agora se alinha sobretudo aos seus próprios interesses nacionais, que são aqueles que guiam as ações do Brasil na sociedade internacional." 

Arinos defendeu a maior aproximação entre o Brasil e os países africanos, asiáticos e latino-americanos e foi ainda o primeiro chanceler brasileiro a visitar o continente africano. Após sair do Itamaraty, foi chefe da delegação brasileira na Assembleia Geral das Nações Unidas e professor da UERJ e UFRJ. 

A produção intelectual de Arinos passa ainda pelo direito constitucional, ciência política e crítica literária. Para o livro, os organizadores elencaram as áreas de atuação de Arinos e convidaram autores que pudessem escrever sobre cada uma dessas facetas. "Formamos um grupo muito qualificado de autores que conviveram com Afonso Arinos e que puderam dar depoimentos pessoais, como José Sarney, Bernardo Cabral, Joaquim Falcão e seu neto Cesario Mello Franco", diz Tavares. "Encontramos autores contemporâneos como Christian Lynch, Airton Cerqueira Leite Seelaender e Luiz Feldman que são da geração jovem, mas que têm uma grande condição de analisar o que Afonso Arinos fez."

Tavares exalta o legado do intelectual como defensor da educação, cultura e escrita. "Um homem que defendia o poder das ideias, dos pensamentos e a importância de que todo cidadão tenha acesso à cultura, ao conhecimento, à educação, aos estudos e ao ensino. Ele foi um intelectual na política, um homem de reflexão, mas também de ação", afirma. 

Como político, lutou contra o autoritarismo e o fanatismo. "Ele teve adversários políticos de quem discordava e até de forma veemente, como Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas. Mas a situação de ter adversários políticos jamais fez com que ele elevasse esses adversários à condição de inimigos", afirma. "E esta é uma lição que Afonso Arinos deixa para nós. É possível discordar e divergir, isso faz parte do jogo político e democrático, mas não é necessário berrar, gritar, ofender, insultar ninguém."

*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel


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