O jornal O Globo, em sua edição desta segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011 (O Mundo, p. 23), traz entrevistas com um dos mais famosos militantes democráticos do Egito, levado ao exílio pela repressão do regime de Hosni Mubarak, o sociólogo (atualmente nos EUA) Saad Eddin Ibrahim, que falou com a correspondente do jornal em NY, Fernanda Godoy.
Entre suas declarações registradas sobre a crise no Egito, encontram-se esta duas últimas perguntas e respostas dadas pelo dissidente democrata:
"Espero que Obama não seja enganado"
Entrevista: Saad Eddin Ibrahim
Fernanda Godoy
O Globo, 7/02/2011
O senhor acha que outros países, como o Brasil, deveriam se engajar nesse processo de negociação?
IBRAHIM: Espero que sim. Sou muito crítico de três países: Brasil, África do Sul e Índia. Esses três países nos desapontaram, faltaram conosco.
Por que o senhor diz isso?
IBRAHIM: Porque esses são países do Terceiro Mundo. Se eles tivessem tomado uma posição em defesa da democracia no Egito, teria sido recebido de outra maneira. Todas as vezes que os EUA ou a Europa falavam em democracia, os representantes do regime gritavam: 'Imperialismo!', 'Colonialismo!!'. Mas se a Índia, o Brasil ou a África do Sul tivessem ficado do nosso lado, como nós fizemos quando eles lutavam contra o apartheid ou a ditadura militar brasileira, se esses países, que são democracias emergentes, sem aspirações colonialistas, tivessem se colocado do lado da democracia, teriam ajudado muito. O governo não poderia dizer que estávamos convidando a uma intervenção.
=========
Sem comentários...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
"Debate" Paulo Roberto de Almeida vs Delfim Netto - Valor Econômico
O jornal Valor Econômico desta segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011, traz, na seção "Cartas de Leitores" (p. A13), a carta que encaminhei ao jornal uma semana atrás, exatamente no dia 1/02.2011, comentando um artigo do economista e professor Delfim Neto no mesmo dia.
O "articulista" Delfim Netto responde, e transcrevo aqui abaixo os dois textos:
Desenvolvimento
"O artigo "O desenvolvimento é mais embaixo", de Antonio Delfim Netto, publicado no Valor de 01/02, página A2, constitui notável inversão de fatores causais, relativamente aos fatores de indução ou de aceleração desse processo. Ao "explicar" essa "história de mercado", que só funcionaria adequadamente se fosse bem organizado pelo Estado, o articulista se refere ao caso da Inglaterra e da Holanda, mas diz que no caso da China, supostamente bem dotada em fatores de produção, a elevação da produtividade só se deu quando se teve "um Estado indutor" que respeitasse e dignificasse a atividade do setor privado; libertasse o 'espírito animal' dos empresários e garantisse que cada um poderia apropriar-se dos benefícios de sua iniciativa."
Não lhe ocorre que a história pode e deve ser lida completamente ao contrário: se o Estado (comunista) chinês não tivesse proibido tudo isso, o processo de desenvolvimento na China poderia ter vindo muito antes, sem esses entraves criados pelo Estado.
Em resumo, as três condições do ex-deputado devem ser lidas completamente ao contrário: "se um Estado 'normal' (não indutor), não tivesse proibido as atividades do setor privado, se ele não tivesse extirpado os capitalistas do país, se ele não tivesse proibido a propriedade privada..."
Paulo Roberto de Almeida (e-mail)
Resposta do articulista Delfim Netto:
"Interessantes as observações do professor de Economia Política, Paulo Roberto de Almeida, do Uniceub. Certamente não devo ter explicado bem e o ilustre professor obviamente não poderia entender o papel do Estado-indutor numa economia de mercado e, principalmente, as diferenças entre o seu funcionamento e o que acontece na China que, apesar das reformas de Deng, ainda não pode ser considerada como uma economia de mercado, propriamente".
==========
Retomo (PRA):
Bem, não vou mesmo debater neste curto espaço com o "ilustre Professor", como ele me chamou.
Gostaria apenas de deixar registrado que não estávamos falando da "economia chinesa", tal como ela funciona sob a mão protetora e muito visível do Estado comunista, mas sim do processo de desenvolvimento genericamente, que Delfim Netto entende ser melhor conduzido quando o Estado produz aquelas maravilhas em favor do setor privado.
Continua não lhe ocorrendo que o buraco é realmente mais embaixo, e que se o Estado não tivesse se metido a fazer todos aqueles entraves, ele não precisaria funcionar depois como "indutor".
Ou seja, se o Estado não tivesse aprisionado antes os "espíritos animais" dos capitalistas, ele não o precisaria libertar depois, como uma espécie de favor dessa maravilha que se chama Estado-indutor.
Delfim Netto, como bom amigo do Estado -- e por isso o PT gosta tanto dele, agora -- não consegue conceber uma economia de mercado sem esse papel relevante atribuído ao Estado. Ele deve achar, também, que as chamadas "forças de mercado", deixadas por sua própria conta, só podem conduzir um país à ruina e ao desastre.
Bem, não creio que conseguiremos, agora, corrigir seu pensamento. Mas talvez ele não pense assim, e só escreve o que escreve por dois motivos: é muito distraído e escreve qualquer coisa, apenas para se desempenhar como colunista e embolsar os seus "caraminguás"; quer prestar serviço ao Estado-indutor do PT e ser contratado para "consultorias", o que também pode render outros "caraminguás", aliás bem mais saborosos vindos do Estado-indutor...
Paulo Roberto de Almeida
O "articulista" Delfim Netto responde, e transcrevo aqui abaixo os dois textos:
Desenvolvimento
"O artigo "O desenvolvimento é mais embaixo", de Antonio Delfim Netto, publicado no Valor de 01/02, página A2, constitui notável inversão de fatores causais, relativamente aos fatores de indução ou de aceleração desse processo. Ao "explicar" essa "história de mercado", que só funcionaria adequadamente se fosse bem organizado pelo Estado, o articulista se refere ao caso da Inglaterra e da Holanda, mas diz que no caso da China, supostamente bem dotada em fatores de produção, a elevação da produtividade só se deu quando se teve "um Estado indutor" que respeitasse e dignificasse a atividade do setor privado; libertasse o 'espírito animal' dos empresários e garantisse que cada um poderia apropriar-se dos benefícios de sua iniciativa."
Não lhe ocorre que a história pode e deve ser lida completamente ao contrário: se o Estado (comunista) chinês não tivesse proibido tudo isso, o processo de desenvolvimento na China poderia ter vindo muito antes, sem esses entraves criados pelo Estado.
Em resumo, as três condições do ex-deputado devem ser lidas completamente ao contrário: "se um Estado 'normal' (não indutor), não tivesse proibido as atividades do setor privado, se ele não tivesse extirpado os capitalistas do país, se ele não tivesse proibido a propriedade privada..."
Paulo Roberto de Almeida (e-mail)
Resposta do articulista Delfim Netto:
"Interessantes as observações do professor de Economia Política, Paulo Roberto de Almeida, do Uniceub. Certamente não devo ter explicado bem e o ilustre professor obviamente não poderia entender o papel do Estado-indutor numa economia de mercado e, principalmente, as diferenças entre o seu funcionamento e o que acontece na China que, apesar das reformas de Deng, ainda não pode ser considerada como uma economia de mercado, propriamente".
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Retomo (PRA):
Bem, não vou mesmo debater neste curto espaço com o "ilustre Professor", como ele me chamou.
Gostaria apenas de deixar registrado que não estávamos falando da "economia chinesa", tal como ela funciona sob a mão protetora e muito visível do Estado comunista, mas sim do processo de desenvolvimento genericamente, que Delfim Netto entende ser melhor conduzido quando o Estado produz aquelas maravilhas em favor do setor privado.
Continua não lhe ocorrendo que o buraco é realmente mais embaixo, e que se o Estado não tivesse se metido a fazer todos aqueles entraves, ele não precisaria funcionar depois como "indutor".
Ou seja, se o Estado não tivesse aprisionado antes os "espíritos animais" dos capitalistas, ele não o precisaria libertar depois, como uma espécie de favor dessa maravilha que se chama Estado-indutor.
Delfim Netto, como bom amigo do Estado -- e por isso o PT gosta tanto dele, agora -- não consegue conceber uma economia de mercado sem esse papel relevante atribuído ao Estado. Ele deve achar, também, que as chamadas "forças de mercado", deixadas por sua própria conta, só podem conduzir um país à ruina e ao desastre.
Bem, não creio que conseguiremos, agora, corrigir seu pensamento. Mas talvez ele não pense assim, e só escreve o que escreve por dois motivos: é muito distraído e escreve qualquer coisa, apenas para se desempenhar como colunista e embolsar os seus "caraminguás"; quer prestar serviço ao Estado-indutor do PT e ser contratado para "consultorias", o que também pode render outros "caraminguás", aliás bem mais saborosos vindos do Estado-indutor...
Paulo Roberto de Almeida
Pausa para o besteirol: Exercito de Libertacao Alimentar...
Se já não bastasse o governo, que se empenha a todo custo para dizer o que nós, cidadãos, podemos e não podemos comer, que remédios devemos tomar, quais programas podemos assistir na TV, que livros podemos ler, quais os cuidados que devemos ter com a nossa saúde, nossa segurança, nosso dinheiro (e que aproveita, claro, para meter a mão em parte dele), enfim, que pretende regular nossas vidas nos mínimos detalhes, se já não bastasse tudo isso, ainda vem um tal de
Exército de Libertação Alimentar
cuidar do que podemos ou não comer, segundo os critérios politicamente corretos que eles mesmos estabeleceram.
Essa "Armata Brancaglione" de libertadores do estômago (de qualquer coisa, aliás), pretende fazer terrorismo alimentar, começando por matar, assassinar é o termo, o Ronald McDonald, aquele palhaço de amarelo que aparece nas franquias da rede alimentar.
Eu acho que não vou poder salvar o Ronald, mas gostaria, pelo menos, de salvar o mundo de mais um besteirol politicamente correto.
Aposto como os "soldados" do ELA é formado por um bando de gordos comedores de hamburgueres, mas complexados e frustrados.
Eu recomendaria que, uma vez presos, elas tenham, na cadeia, uma dieta só à base de McDonald's.
Paulo Roberto de Almeida
Nós sequestramos Ronald McDonald
Por Exército de Libertação Alimentar (ELA)
ViaPolítica, 5/02/2011
Sequestradores do palhaço Ronald McDonalds lançam manifesto público e fazem exigências para sua libertação!
Veja o vídeo
Nós somos o Exército de Libertação Alimentar, e esperamos que esta ação extrema nos leve rumo a um futuro alimentar melhor e mais seguro.
Dois dias atrás nós sequestramos Ronald McDonald de um restaurante McDonald's. Se você não responder a todas as questões nós iremos executar Ronald na sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011 às 06:30 EET.
Nós adoramos hambúrgueres, batatas fritas e McDonald's, mas não podemos continuar a assistir em silêncio quando os alimentos que amamos estão sendo destruídos e envergonhados por causa da cobiça e indiferença. Por causa da sua miopia seus hambúrgueres tornaram-se quase intragáveis.
É por isso que nós queremos ajudar o McDonald's a salvar os alimentos. Fizemos uma lista de perguntas que queremos que você responda. Esperamos que as suas respostas permitam compreensão da dilapidação da cultura alimentar que amamos e as medidas adequadas.
1. Por que você não está aberto sobre os processos de fabrico, matérias-primas e aditivos utilizados em seus produtos? Do que você tem medo?
2. Quantas toneladas de resíduos não-recicláveis você produz por ano? Por que você não publica esse número?
3. Você opera com colaboradores não-éticos, e explora imigrantes ilegais? Por quê?
4. Por que você não assume a responsabilidade de suas consequências culinárias? Por que você não procura prevenir a obesidade, diabetes e seus falecimentos?
5. Por que você não usa só carne eticamente produzida? Você não acha que deveria ser uma meta para todos servir a carne de um animal que teve uma vida boa, limpa e livre de drogas? Por que não é este o seu objetivo?
6. Por que é que o custo de produção barata é o seu valor principal?
7. Você acha que seu único objetivo é maximizar os lucros de seus proprietários? O que você acha que aconteceria se você começar a produzir qualidade para seus clientes?
8. Você é grande e global jogador que atinge uma parte significativa de pessoas da terra. Por que você usa seu poder para com visão curta maximizar os lucros e não para criar um mundo melhor?
Nós não estamos sozinhos, mas representamos uma população que cresce rapidamente. Passamos rapidamente para a melhor qualidade e ética de consumo. É de seu interesse responder às nossas questões publicamente, e desenvolver as suas atividades por elas. Só assim você vai sobreviver no futuro. Ouça a nossa mensagem e o Movimento. Nós o vamos recompensar comendo mais de seus hambúrgueres.
Você tem até sexta-feira, 11 de Fevereiro, às 18:30 EET para responder para freedomronald@gmail.com
O silêncio é interpretado como uma resposta negativa. Tenha um bom dia.
http://www.freeronald.org/
Como cidadãos, perdemos a fé no sistema político e nos seus valores; políticos que estão autorizados a fazer qualquer coisa e continuam no poder. Como consumidores, estamos cansados de fazer a diferença por nossas decisões de compra em empresas sem rosto, cujo único valor é o dinheiro. Nós queremos as nossas vidas de volta. Reunimos um grupo de pessoas que pensam de forma semelhante. E o Exército de Libertação Alimentar nasceu
Ele tem uma tarefa simples: libertar o homem de sistemas maiores que ele ou ela.
Combater o poder onde o poder não pertence. Recuperar as decisões sobre nossas próprias vidas. Passar das palavras aos atos. Aqui está o nosso primeiro ato público.
Exército de Libertação Alimentar
cuidar do que podemos ou não comer, segundo os critérios politicamente corretos que eles mesmos estabeleceram.
Essa "Armata Brancaglione" de libertadores do estômago (de qualquer coisa, aliás), pretende fazer terrorismo alimentar, começando por matar, assassinar é o termo, o Ronald McDonald, aquele palhaço de amarelo que aparece nas franquias da rede alimentar.
Eu acho que não vou poder salvar o Ronald, mas gostaria, pelo menos, de salvar o mundo de mais um besteirol politicamente correto.
Aposto como os "soldados" do ELA é formado por um bando de gordos comedores de hamburgueres, mas complexados e frustrados.
Eu recomendaria que, uma vez presos, elas tenham, na cadeia, uma dieta só à base de McDonald's.
Paulo Roberto de Almeida
Nós sequestramos Ronald McDonald
Por Exército de Libertação Alimentar (ELA)
ViaPolítica, 5/02/2011
Sequestradores do palhaço Ronald McDonalds lançam manifesto público e fazem exigências para sua libertação!
Veja o vídeo
Nós somos o Exército de Libertação Alimentar, e esperamos que esta ação extrema nos leve rumo a um futuro alimentar melhor e mais seguro.
Dois dias atrás nós sequestramos Ronald McDonald de um restaurante McDonald's. Se você não responder a todas as questões nós iremos executar Ronald na sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011 às 06:30 EET.
Nós adoramos hambúrgueres, batatas fritas e McDonald's, mas não podemos continuar a assistir em silêncio quando os alimentos que amamos estão sendo destruídos e envergonhados por causa da cobiça e indiferença. Por causa da sua miopia seus hambúrgueres tornaram-se quase intragáveis.
É por isso que nós queremos ajudar o McDonald's a salvar os alimentos. Fizemos uma lista de perguntas que queremos que você responda. Esperamos que as suas respostas permitam compreensão da dilapidação da cultura alimentar que amamos e as medidas adequadas.
1. Por que você não está aberto sobre os processos de fabrico, matérias-primas e aditivos utilizados em seus produtos? Do que você tem medo?
2. Quantas toneladas de resíduos não-recicláveis você produz por ano? Por que você não publica esse número?
3. Você opera com colaboradores não-éticos, e explora imigrantes ilegais? Por quê?
4. Por que você não assume a responsabilidade de suas consequências culinárias? Por que você não procura prevenir a obesidade, diabetes e seus falecimentos?
5. Por que você não usa só carne eticamente produzida? Você não acha que deveria ser uma meta para todos servir a carne de um animal que teve uma vida boa, limpa e livre de drogas? Por que não é este o seu objetivo?
6. Por que é que o custo de produção barata é o seu valor principal?
7. Você acha que seu único objetivo é maximizar os lucros de seus proprietários? O que você acha que aconteceria se você começar a produzir qualidade para seus clientes?
8. Você é grande e global jogador que atinge uma parte significativa de pessoas da terra. Por que você usa seu poder para com visão curta maximizar os lucros e não para criar um mundo melhor?
Nós não estamos sozinhos, mas representamos uma população que cresce rapidamente. Passamos rapidamente para a melhor qualidade e ética de consumo. É de seu interesse responder às nossas questões publicamente, e desenvolver as suas atividades por elas. Só assim você vai sobreviver no futuro. Ouça a nossa mensagem e o Movimento. Nós o vamos recompensar comendo mais de seus hambúrgueres.
Você tem até sexta-feira, 11 de Fevereiro, às 18:30 EET para responder para freedomronald@gmail.com
O silêncio é interpretado como uma resposta negativa. Tenha um bom dia.
http://www.freeronald.org/
Como cidadãos, perdemos a fé no sistema político e nos seus valores; políticos que estão autorizados a fazer qualquer coisa e continuam no poder. Como consumidores, estamos cansados de fazer a diferença por nossas decisões de compra em empresas sem rosto, cujo único valor é o dinheiro. Nós queremos as nossas vidas de volta. Reunimos um grupo de pessoas que pensam de forma semelhante. E o Exército de Libertação Alimentar nasceu
Ele tem uma tarefa simples: libertar o homem de sistemas maiores que ele ou ela.
Combater o poder onde o poder não pertence. Recuperar as decisões sobre nossas próprias vidas. Passar das palavras aos atos. Aqui está o nosso primeiro ato público.
Uma biblioteca digital: boa fonte de pesquisa
Recebi, como sempre ocorre na internet, uma boa indicação de pesquisa. Testei, com o verbete "economic history, Brazil", e obtive algumas boas indicações de leitura.
Acesse gratuitamente toda a Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho
Colaboração: Altemir Braz Dantas Junior
Data de Publicação: 01 de fevereiro de 2011
A Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho disponibiliza gratuitamente para a população a totalidade dos acervos digitais de texto completo de bibliotecas de 1.200 universidades, artigos de 30 mil periódicos científicos, além dos bancos de dados de centros de pesquisa, bibliotecas nacionais e órgãos governamentais de 59 países, através da participação no consórcio internacional OAI - Open Archives Initiative.
O consórcio OAI é o maior compartilhamento de informação científica de toda a história, no qual as instituições signatárias concordaram em abrir e compartilhar seus acervos de texto completo para a difusão e integração de sua produção científica e cultural, formando um acervo único internacional de mais de 32 milhões de arquivos completos e abertos que agora estão disponíveis no Brasil através da Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho.
Há excelente conteúdo de computação, com artigos completos do MIT.
A biblioteca foi desenvolvida por Giovanni Eldasi.
http://posugf.com.br/biblioteca/
Acesse gratuitamente toda a Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho
Colaboração: Altemir Braz Dantas Junior
Data de Publicação: 01 de fevereiro de 2011
A Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho disponibiliza gratuitamente para a população a totalidade dos acervos digitais de texto completo de bibliotecas de 1.200 universidades, artigos de 30 mil periódicos científicos, além dos bancos de dados de centros de pesquisa, bibliotecas nacionais e órgãos governamentais de 59 países, através da participação no consórcio internacional OAI - Open Archives Initiative.
O consórcio OAI é o maior compartilhamento de informação científica de toda a história, no qual as instituições signatárias concordaram em abrir e compartilhar seus acervos de texto completo para a difusão e integração de sua produção científica e cultural, formando um acervo único internacional de mais de 32 milhões de arquivos completos e abertos que agora estão disponíveis no Brasil através da Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho.
Há excelente conteúdo de computação, com artigos completos do MIT.
A biblioteca foi desenvolvida por Giovanni Eldasi.
http://posugf.com.br/biblioteca/
Coca e diplomacia: uma mistura nao explosiva, mas incomoda...
Os "politicamente corretos" vão provavelmente apoiar as posições do governo boliviano, ou melhor, de Evo Morales, mas o assunto todo é sem dúvida alguma difícil de ser equacionado, como demonstra o ex-prefeito Cesar Maia em sua coluna diária.
Paulo Roberto de Almeida
1961' PARA GARANTIR O CONSUMO DE FOLHA DE COCA!
Ex-Blog de Cesar Maia, 7/02/2011
(La Razon, 01) 1. O presidente Evo Morales abriu a possibilidade de denunciar a Convenção de Viena, de 1961, sobre drogas, depois que sua cruzada para legalizar internacionalmente o consumo de folha de coca fracassou. Evo Morales anunciou sua decisão durante a saudação protocolar de início de ano, ao corpo diplomático acreditado na Bolívia.
2. A mastigação de folha de coca foi penalizada em 1961 pela "Convenção Única das Nações Unidas sobre Estupefacientes", que a classificou como “estupefaciente” e que deveria ser eliminada em um prazo não maior que 25 anos. Morales lamentou que seu governo não tenha logrado informar sobre os benefícios médicos da folha de coca a toda comunidade internacional e disse que "por falta de informação nossa não conseguimos evitar a objeção que alguns estão fazendo". O "Conselho Econômico e Social" da ONU não aprovou a emenda proposta pela Bolívia.
FOLHA DE COCA!
Coluna de sábado, de Cesar Maia, na Folha de SP (05/02/2011).
1. A publicidade do governo boliviano diz que "folha de coca não é droga". E que droga é sua transformação química em cocaína. O uso da folha de coca vem de longe. Nem sempre seu uso foi considerado assim, trivial. Bartolomé Arzáns em seu "Relatos de la Villa Imperial de Potosí" (Plural Editores, Bolívia), escrito no início do século 18, num capítulo, destaca a folha de coca e seus efeitos, ("1674 - Da erva chamada coca", pág. 353). Potosí pertencia ao vice-reino do Peru. Sua montanha de prata financiou a Europa por uns cem anos. Arzáns fala do "enorme mal que afeta o Peru: possuir a erva chamada coca, que usam os ministros do diabo para seus vícios".
2. Cita Pedro Cieza, que dizia ("Crônica del Peru") que, em todo lado que ia, via os índios se deleitarem em trazer nas bocas a erva de coca, em pequenos bolos de onde sacam uma certa mistura. "Trazem essa coca na boca desde a manhã até dormir". Cieza perguntou aos índios qual a razão e eles disseram que, com isso, "não sentem fome e ganham grande força e vigor". Arzáns diz que a coca no Peru é "apreciada" pelo menos desde 1548 e "hoje" em Cuzco, La Paz e La Plata. E que na Espanha se enriquece vendendo coca.
3. Por acabar com a fome e dar grande força e vigor, nenhum índio entra em uma mina ou faz obras "sem levá-la na boca, mesmo que reduza a sua vida". Índio não podia entrar em mina sem estar mascando folha de coca. Arzáns diz que experimentou e sua língua ficou "gorda, áspera e abrasada". Essa erva tira o sono dos índios, segue Arzáns, e com ela não sentem frio, fome ou sede. Os índios não podem trabalhar sem ela. "Moída e em água fervendo, abre os poros, esquenta o corpo e abrevia o parto". Mas seu uso vira vício e o "demônio, que é o inventor dos vícios, faz notável colheita de almas".
4. A coca é usada pelas feiticeiras. "Os que se viciam se perdem e vivem de esmolas para manter esse infernal vício, que lhes priva do juízo, como bêbados, e lhes dá terríveis visões". Usá-la dá excomunhão. A famosa feiticeira Claudia a aplica e faz um homem deitar com uma velha pensando que é uma jovem, conta Arzáns. E que um espanhol rico foi morar com Claudia e comeu tortas pensando que eram as de sua terra.
5. Um músico convidado para uma casa viu que serviam coca em bandeja de prata e para, não falar sobre os viciados que vira, esses lhe suplicaram que a usasse. O músico saiu à 19h, vagando, e só chegou em casa à meia-noite. E segue contando Arzáns: "Um enfermo, ao beber a erva com licor, ficou bom. Mas morreu um ano depois. Uma mulher pediu a criada que lhe desse coca. Com a negativa, ela levantou-se furiosa e meteu um punhado da erva na boca e, dizendo disparates, caiu morta". Nem tão trivial assim.
Paulo Roberto de Almeida
1961' PARA GARANTIR O CONSUMO DE FOLHA DE COCA!
Ex-Blog de Cesar Maia, 7/02/2011
(La Razon, 01) 1. O presidente Evo Morales abriu a possibilidade de denunciar a Convenção de Viena, de 1961, sobre drogas, depois que sua cruzada para legalizar internacionalmente o consumo de folha de coca fracassou. Evo Morales anunciou sua decisão durante a saudação protocolar de início de ano, ao corpo diplomático acreditado na Bolívia.
2. A mastigação de folha de coca foi penalizada em 1961 pela "Convenção Única das Nações Unidas sobre Estupefacientes", que a classificou como “estupefaciente” e que deveria ser eliminada em um prazo não maior que 25 anos. Morales lamentou que seu governo não tenha logrado informar sobre os benefícios médicos da folha de coca a toda comunidade internacional e disse que "por falta de informação nossa não conseguimos evitar a objeção que alguns estão fazendo". O "Conselho Econômico e Social" da ONU não aprovou a emenda proposta pela Bolívia.
FOLHA DE COCA!
Coluna de sábado, de Cesar Maia, na Folha de SP (05/02/2011).
1. A publicidade do governo boliviano diz que "folha de coca não é droga". E que droga é sua transformação química em cocaína. O uso da folha de coca vem de longe. Nem sempre seu uso foi considerado assim, trivial. Bartolomé Arzáns em seu "Relatos de la Villa Imperial de Potosí" (Plural Editores, Bolívia), escrito no início do século 18, num capítulo, destaca a folha de coca e seus efeitos, ("1674 - Da erva chamada coca", pág. 353). Potosí pertencia ao vice-reino do Peru. Sua montanha de prata financiou a Europa por uns cem anos. Arzáns fala do "enorme mal que afeta o Peru: possuir a erva chamada coca, que usam os ministros do diabo para seus vícios".
2. Cita Pedro Cieza, que dizia ("Crônica del Peru") que, em todo lado que ia, via os índios se deleitarem em trazer nas bocas a erva de coca, em pequenos bolos de onde sacam uma certa mistura. "Trazem essa coca na boca desde a manhã até dormir". Cieza perguntou aos índios qual a razão e eles disseram que, com isso, "não sentem fome e ganham grande força e vigor". Arzáns diz que a coca no Peru é "apreciada" pelo menos desde 1548 e "hoje" em Cuzco, La Paz e La Plata. E que na Espanha se enriquece vendendo coca.
3. Por acabar com a fome e dar grande força e vigor, nenhum índio entra em uma mina ou faz obras "sem levá-la na boca, mesmo que reduza a sua vida". Índio não podia entrar em mina sem estar mascando folha de coca. Arzáns diz que experimentou e sua língua ficou "gorda, áspera e abrasada". Essa erva tira o sono dos índios, segue Arzáns, e com ela não sentem frio, fome ou sede. Os índios não podem trabalhar sem ela. "Moída e em água fervendo, abre os poros, esquenta o corpo e abrevia o parto". Mas seu uso vira vício e o "demônio, que é o inventor dos vícios, faz notável colheita de almas".
4. A coca é usada pelas feiticeiras. "Os que se viciam se perdem e vivem de esmolas para manter esse infernal vício, que lhes priva do juízo, como bêbados, e lhes dá terríveis visões". Usá-la dá excomunhão. A famosa feiticeira Claudia a aplica e faz um homem deitar com uma velha pensando que é uma jovem, conta Arzáns. E que um espanhol rico foi morar com Claudia e comeu tortas pensando que eram as de sua terra.
5. Um músico convidado para uma casa viu que serviam coca em bandeja de prata e para, não falar sobre os viciados que vira, esses lhe suplicaram que a usasse. O músico saiu à 19h, vagando, e só chegou em casa à meia-noite. E segue contando Arzáns: "Um enfermo, ao beber a erva com licor, ficou bom. Mas morreu um ano depois. Uma mulher pediu a criada que lhe desse coca. Com a negativa, ela levantou-se furiosa e meteu um punhado da erva na boca e, dizendo disparates, caiu morta". Nem tão trivial assim.
Politica Externa do Brasil: de volta a bicefalia?
Parece que todo mundo (bem, alguns, pelo menos) no governo Dilma gosta de "dar um pitaco" na política externa. Se continuar assim, vira bagunça outra vez...
Gilberto Carvalho diz que governo do Brasil está “disposto a apoiar os movimentos” dos países árabes
Bernardo Mello Franco
Folha de S.Paulo, 7/02/2011
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse ontem, no Senegal, que o governo brasileiro apoia o movimento que pede a queda do ditador do Egito, Hosni Mubarak. Ele comparou a mobilização à luta contra a ditadura militar no Brasil e defendeu que Mubarak convoque eleições para permitir uma transição para a democracia. “O Brasil está acompanhando com muita atenção e disposto a apoiar esses movimentos”, disse o ministro, que representa a presidente Dilma Rousseff no Fórum Social Mundial, em Dacar.
Segundo Carvalho, o Brasil espera que Mubarak tenha “bom senso” e convoque eleições diretas para interromper os conflitos de rua. “Os movimentos de massa se mostram de tal forma fortes que é muito importante uma atitude de Mubarak evitando a violência, que abra a possibilidade de novas eleições”, afirmou o ministro. “Temos a expectativa de que Mubarak tenha bom senso e evite o derramamento de sangue.”
Ele disse ainda que o Brasil espera que o Egito não embarque num regime fundamentalista, cenário que é previsto por alguns no caso de um eventual governo liderado pela Irmandade Muçulmana. Questionado se o Planalto seguiria a posição americana, ele disse que o país não defende “intervenção direta” e manterá atitude de “cautela e apoio à democracia”.
O ditador egípcio foi alvo de protestos na marcha que abriu o Fórum, que reúne movimentos sociais e partidos de esquerda de todo o mundo. Uma das faixas trazia a inscrição “Mubarak assassino”.
Opinião pessoal
Questionados, o Itamaraty e o Planalto não quiseram comentar as declarações de Carvalho. Desde o início dos protestos contra Mubarak, o Ministério das Relações Exteriores divulgou duas notas sobre a situação do Egito -a última delas defendeu um “aprimoramento institucional e democrático” do país. Já a assessoria do ministro disse que as declarações representam a opinião pessoal de Carvalho sobre o Egito, não do governo brasileiro.
Gilberto Carvalho diz que governo do Brasil está “disposto a apoiar os movimentos” dos países árabes
Bernardo Mello Franco
Folha de S.Paulo, 7/02/2011
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse ontem, no Senegal, que o governo brasileiro apoia o movimento que pede a queda do ditador do Egito, Hosni Mubarak. Ele comparou a mobilização à luta contra a ditadura militar no Brasil e defendeu que Mubarak convoque eleições para permitir uma transição para a democracia. “O Brasil está acompanhando com muita atenção e disposto a apoiar esses movimentos”, disse o ministro, que representa a presidente Dilma Rousseff no Fórum Social Mundial, em Dacar.
Segundo Carvalho, o Brasil espera que Mubarak tenha “bom senso” e convoque eleições diretas para interromper os conflitos de rua. “Os movimentos de massa se mostram de tal forma fortes que é muito importante uma atitude de Mubarak evitando a violência, que abra a possibilidade de novas eleições”, afirmou o ministro. “Temos a expectativa de que Mubarak tenha bom senso e evite o derramamento de sangue.”
Ele disse ainda que o Brasil espera que o Egito não embarque num regime fundamentalista, cenário que é previsto por alguns no caso de um eventual governo liderado pela Irmandade Muçulmana. Questionado se o Planalto seguiria a posição americana, ele disse que o país não defende “intervenção direta” e manterá atitude de “cautela e apoio à democracia”.
O ditador egípcio foi alvo de protestos na marcha que abriu o Fórum, que reúne movimentos sociais e partidos de esquerda de todo o mundo. Uma das faixas trazia a inscrição “Mubarak assassino”.
Opinião pessoal
Questionados, o Itamaraty e o Planalto não quiseram comentar as declarações de Carvalho. Desde o início dos protestos contra Mubarak, o Ministério das Relações Exteriores divulgou duas notas sobre a situação do Egito -a última delas defendeu um “aprimoramento institucional e democrático” do país. Já a assessoria do ministro disse que as declarações representam a opinião pessoal de Carvalho sobre o Egito, não do governo brasileiro.
Mercosul aos 20 anos - simposio em Oxford
WORKSHOP ON MERCOSUR AT 20: UNIVERSITY OF OXFORD:
“Mercosur At 20: Politics and Economics in the Southern
Cone,” St Antony’s College, Oxford, 11th March 2011
**************************************
Convenors: Timothy J. Power and Diego Sánchez-Ancochea
Sponsored by the Brazilian Studies Programme
www.brazil.ox.ac.uk
Twenty years ago, on 26th March 1991, Argentina, Brazil, Paraguay and Uruguay signed the Treaty of Asunción, constituting the Common Market of the South (Mercosur or Mercosul). Despite uneven
growth and frequent setbacks, Mercosul has become the most ambitious integration attempt in the region, deepening economic interactions between the member countries and influencing the political agenda in the Southern Cone and beyond.
The twentieth anniversary of the Treaty constitutes an excellent opportunity to evaluate the evolution of Mercosur from a multidisciplinary perspective and discuss its central challenges.
Speakers will explore the political evolution of the agreement, its economic impact and the way it has contributed to shape the region’s external agenda. The changes that each of the four founding countries has experienced will constitute the background to these discussions.
Confirmed speakers include Gian Luca Gardini (University of Bath), Malamud (University of Lisbon), Jeffrey Cason (Middlebury College). Evaluating Mercosur at 20, Germán Ríos (Corporación Andina de Fomento and St Antony’s College), Carlos Quenan (IHEAL, University of Paris III, Sorbonne Nouvelle), Laura Gómez-Mera (University of Miami), Mahrukh Doctor (University of Hull), Valpy FitzGerald (University of Oxford), Peter Lambert (University of Bath), Francisco Panizza (LSE), Celia Szusterman (University of Westminster), Andrew Hurrell (University of Oxford), Anthony W. Pereira (King’s College, London), Alfredo Valladão (Chaire Mercosur, Sciences-Po Paris), and Laurence Whitehead (University of Oxford).
For more information and to register for the event, please contact Mr David Robinson (david.robinson@lac.ox.ac.uk)
“Mercosur At 20: Politics and Economics in the Southern
Cone,” St Antony’s College, Oxford, 11th March 2011
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Convenors: Timothy J. Power and Diego Sánchez-Ancochea
Sponsored by the Brazilian Studies Programme
www.brazil.ox.ac.uk
Twenty years ago, on 26th March 1991, Argentina, Brazil, Paraguay and Uruguay signed the Treaty of Asunción, constituting the Common Market of the South (Mercosur or Mercosul). Despite uneven
growth and frequent setbacks, Mercosul has become the most ambitious integration attempt in the region, deepening economic interactions between the member countries and influencing the political agenda in the Southern Cone and beyond.
The twentieth anniversary of the Treaty constitutes an excellent opportunity to evaluate the evolution of Mercosur from a multidisciplinary perspective and discuss its central challenges.
Speakers will explore the political evolution of the agreement, its economic impact and the way it has contributed to shape the region’s external agenda. The changes that each of the four founding countries has experienced will constitute the background to these discussions.
Confirmed speakers include Gian Luca Gardini (University of Bath), Malamud (University of Lisbon), Jeffrey Cason (Middlebury College). Evaluating Mercosur at 20, Germán Ríos (Corporación Andina de Fomento and St Antony’s College), Carlos Quenan (IHEAL, University of Paris III, Sorbonne Nouvelle), Laura Gómez-Mera (University of Miami), Mahrukh Doctor (University of Hull), Valpy FitzGerald (University of Oxford), Peter Lambert (University of Bath), Francisco Panizza (LSE), Celia Szusterman (University of Westminster), Andrew Hurrell (University of Oxford), Anthony W. Pereira (King’s College, London), Alfredo Valladão (Chaire Mercosur, Sciences-Po Paris), and Laurence Whitehead (University of Oxford).
For more information and to register for the event, please contact Mr David Robinson (david.robinson@lac.ox.ac.uk)
Estado Palestino: Quarteto atua de modo responsavel
Diferentemente de certos países, que atuaram mais com base em impulso do que numa análise racional do conflito Israel-palestinos (sim, pois existe um Estado de um lado, e palestinos sem Estado do outro), o chamado "quarteto" -- ONU, EUA, UE e Rússia -- decidiu de forma responsável que ainda não chegou o momento de reconhecer oficialmente um "Estado Palestino" nas fronteiras de 1967 -- uma ficção que só existe na cabeça de alguns -- pois isso tornaria ainda mais difícil uma negociação pacífica para o final do conflito.
Esse reconhecimento, feito de forma demagógica (e contra normas elementares do direito internacional), dificulta essa solução, e pode até aumentar a tensão nos territórios ocupados e o risco de novos atentados contra Israel dos extremistas de sempre.
Paulo Roberto de Almeida
Quartet refuses to endorse unilateral state; PA upset
By TOVAH LAZAROFF AND KHALED ABU TOAMEH
Jerusalem Post, 02/06/2011
Erekat hopes for "historic decisions in light of the danger facing the region because of Israeli occupation and policies."
Talkbacks (21)
Palestinians said they were disappointed that the Quartet refused to heed their call for unilateral statehood and instead continued to throw its support behind a negotiated solution, when it met on Saturday in Germany.
“Unilateral actions by either party cannot prejudge the outcome of negotiations and will not be recognized by the international community,” the group said in a statement it issued after the meeting.
RELATED:
Erekat dismisses latest Israeli incentive package to PA
Chief PLO negotiator Saeb Erekat said the Palestinians had hoped the Quartet would issue “historic decisions in light of the danger facing the region because of Israeli occupation and policies.” The West should stop “dealing with Israel as a state above the law,” Erekat said.
The Palestinians had expected the Quartet to recognize a Palestinian state on the 1967 borders, with east Jerusalem as its capital, and oblige Israel to stop all settlement activities, according to Erekat.
Instead, the West’s attitude toward Israel is “pushing the region toward violence, anarchy, extremism and bloodshed,” Erekat said.
The real danger today is not Iran, as the West claims, but “Israeli occupation and policies,” he added.
The Quartet, however, called on both the Israelis and the Palestinians to reach a negotiated solution by September 2011. It said it planed with the help of its envoys to work with both parties before its next gathering in March.
The quartet – the UN, the US, the EU and Russia – met on the sidelines of the Munich Security Conference amid ongoing pro-democracy protests in Egypt.
EU foreign policy chief Catherine Ashton told reporters after the meeting that the Quartet should not be distracted from its task by the events in Egypt.
“I believe that regional events shouldn’t distract us from that objective for the future. We want to see peace and stability in the region, we believe the Middle East peace process is an essential part of that,” said Ashton.
“In view of developments in the Middle East, the Quartet expressed its belief that further delay in the resumption of negotiations [between Israelis and Palestinians] is detrimental to the prospects for regional peace and security,” the group said in a statement.
It commended Palestinian Authority President Mahmoud Abbas’ leadership and the continued Palestinian state-building efforts. It also welcomed Netanyahu’s incentives package to the Palestinians.
The group chastised Israel for not renewing its 10- month moratorium on new settlement construction and condemned Palestinian rocket fire from Gaza into Israel.
In a statement to the media, the Quartet said that “it took note of dramatic developments in Egypt and elsewhere in the region in recent days.
The Quartet members considered the implications of these events for Arab-Israeli peace and agreed to discuss this further in upcoming meetings as a matter of high priority.”
After the meeting Ashton defended the EU – and herself – over criticism that the 27- nation bloc had been slow and timid in its response to events in Egypt.
“I really don’t accept that we have been slow. I think that we have to be very measured, and very clear,” she said.
Outside of Ashton, United Nations Secretary-General Ban Ki-moon, Russian Foreign Minister Sergey Lavrov, United States Secretary of State Hillary Clinton, United States Special Envoy for Middle East Peace George Mitchell and Quartet Representative Tony Blair were present at the meeting.
AP contributed to this report.
Esse reconhecimento, feito de forma demagógica (e contra normas elementares do direito internacional), dificulta essa solução, e pode até aumentar a tensão nos territórios ocupados e o risco de novos atentados contra Israel dos extremistas de sempre.
Paulo Roberto de Almeida
Quartet refuses to endorse unilateral state; PA upset
By TOVAH LAZAROFF AND KHALED ABU TOAMEH
Jerusalem Post, 02/06/2011
Erekat hopes for "historic decisions in light of the danger facing the region because of Israeli occupation and policies."
Talkbacks (21)
Palestinians said they were disappointed that the Quartet refused to heed their call for unilateral statehood and instead continued to throw its support behind a negotiated solution, when it met on Saturday in Germany.
“Unilateral actions by either party cannot prejudge the outcome of negotiations and will not be recognized by the international community,” the group said in a statement it issued after the meeting.
RELATED:
Erekat dismisses latest Israeli incentive package to PA
Chief PLO negotiator Saeb Erekat said the Palestinians had hoped the Quartet would issue “historic decisions in light of the danger facing the region because of Israeli occupation and policies.” The West should stop “dealing with Israel as a state above the law,” Erekat said.
The Palestinians had expected the Quartet to recognize a Palestinian state on the 1967 borders, with east Jerusalem as its capital, and oblige Israel to stop all settlement activities, according to Erekat.
Instead, the West’s attitude toward Israel is “pushing the region toward violence, anarchy, extremism and bloodshed,” Erekat said.
The real danger today is not Iran, as the West claims, but “Israeli occupation and policies,” he added.
The Quartet, however, called on both the Israelis and the Palestinians to reach a negotiated solution by September 2011. It said it planed with the help of its envoys to work with both parties before its next gathering in March.
The quartet – the UN, the US, the EU and Russia – met on the sidelines of the Munich Security Conference amid ongoing pro-democracy protests in Egypt.
EU foreign policy chief Catherine Ashton told reporters after the meeting that the Quartet should not be distracted from its task by the events in Egypt.
“I believe that regional events shouldn’t distract us from that objective for the future. We want to see peace and stability in the region, we believe the Middle East peace process is an essential part of that,” said Ashton.
“In view of developments in the Middle East, the Quartet expressed its belief that further delay in the resumption of negotiations [between Israelis and Palestinians] is detrimental to the prospects for regional peace and security,” the group said in a statement.
It commended Palestinian Authority President Mahmoud Abbas’ leadership and the continued Palestinian state-building efforts. It also welcomed Netanyahu’s incentives package to the Palestinians.
The group chastised Israel for not renewing its 10- month moratorium on new settlement construction and condemned Palestinian rocket fire from Gaza into Israel.
In a statement to the media, the Quartet said that “it took note of dramatic developments in Egypt and elsewhere in the region in recent days.
The Quartet members considered the implications of these events for Arab-Israeli peace and agreed to discuss this further in upcoming meetings as a matter of high priority.”
After the meeting Ashton defended the EU – and herself – over criticism that the 27- nation bloc had been slow and timid in its response to events in Egypt.
“I really don’t accept that we have been slow. I think that we have to be very measured, and very clear,” she said.
Outside of Ashton, United Nations Secretary-General Ban Ki-moon, Russian Foreign Minister Sergey Lavrov, United States Secretary of State Hillary Clinton, United States Special Envoy for Middle East Peace George Mitchell and Quartet Representative Tony Blair were present at the meeting.
AP contributed to this report.
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Revoltas nos paises arabes - Luis Felipe Pondé
Poucas vezes concordo, integralmente, com o que escreve este colunista da FSP, embora ele destoe (e como; muito) da maior parte dos idiotas (desculpem o termo, mas é isto mesmo) que assinam artigos e têm cadeira cativa (ainda que temporariamente) nesse jornal semi-populista e pretensamente "inteliquitual" da imprensa paulista.
Ainda que por vezes achando engraçado (acho que é o termo) a iconoclastia e a irreverência desse colunista aberto e arejado, sempre acho que colunistas de jornais se dão ao trabalho de comentar coisas sobre as quais eles não entendem, pesquisaram pouco, leram menos ainda e ainda assim pontificam com algumas frases definitivas sobre algum problema complexo (que eles "liquidam" em poucas palavras, de maneira definitiva, ao que parece). Não é o caso desse colunista, mas ainda assim, mantenho meu "pé atrás".
Desta vez, acho que concordo com a maior parte do que ele escreveu, e por isso mesmo transcrevo aqui sua crônica, que me parece ir ao ponto certo. Posso discordar de uma coisa ou outra -- a referência aos "paquistaneses", em geral, por exemplo -- mas no essencial estou de acordo com o que ele disse, sobretudo as platitudes que se ouvem e se lêem sobre a idiotamente famosa "revolução de Maio de 1968" na França e sobre a natureza das revoltas nos países árabes.
Em essência é isso: os "descamisados" cansaram de viver na miséria -- em regimes incapazes de prover crescimento e emprego -- e os mais informados protestam contra a falta de liberdade e a corrupção das elites dominantes.
Em síntese é o que aconteceu na Tunísia e está acontecendo no Egito, embora aqui a Irmandade Muçulmana tente aproveitar o descontentamente popular para fazer avançar suas teses e posições, o que ela obviamente conseguirá, pois as grandes massas sempre são idiotamente religiosas.
Bem, vou parar por aqui -- na minha função de "filtro" do que vai publicado por aí, como já escreveu alguém a respeito deste blog -- e deixar vocês lerem algo um pouco mais inteligente que aparece (de vez em quando) na imprensa brasileira.
Paulo Roberto de Almeida
Quibes, queijos e vinhos
Luis Felipe Pondé
Folha de S.Paulo. 7/02/2011
Quem está na rua no Egito quer emprego; se fala em "liberdade", é porque aprendeu com o Ocidente
OS ÁRABES foram às ruas. Os paquistaneses (muçulmanos, mas não árabes) vivem nas ruas pedindo a cabeça de algum inimigo do Islã. Pensar que estamos diante da "aurora" de um novo mundo árabe democrático é uma piada.
Imagino como alguns "sacerdotes da religião do povo" (populismo para intelectuais de esquerda?) devem ficar emocionados, lembrando (fantasiando?) os grandes dias do Maio de 68 na França.
Se lermos as colunas de Nelson Rodrigues (editora Agir) da época, encontraremos questões como: afinal, o que querem esses estudantes parisienses se não cortaram nenhuma cabeça? Que revolução é essa que acabou em croissant?
De uma hora para outra, a moçada francesa voltou para casa para tomar vinho e comer "un petit fromage". Centenas de teses pelo mundo tentam até hoje explicar a razão de a "revolução do desejo" de Maio de 68 ter acabado de repente, sem nenhuma razão.
Diferentemente dos jovens americanos, que tinham um motivo concreto para protestar (a horrível Guerra do Vietnã), os meninos franceses estavam cheios de tédio, naquela vidinha chata de gente rica, e resolveram brincar de "comuna de Paris".
No fundo, queriam "o direito" de transar com as colegas nos dormitórios da universidade, alguns meninos queriam "o direito" de transar com outros meninos (sob a bênção filosófica do mestre Foucault, que, aliás, no começo da Revolução Islâmica do Irã, tinha frisson por ela), e alguns, como sempre, não queriam mesmo é ir para a aula e virar gente grande.
Mas os "sacerdotes do povo" fizeram seu trabalho e transformaram aquela festa em grande fenômeno histórico.
A verdade é que não se sabe no que vai dar essa "revolução do quibe" no mundo árabe. Pessoalmente, espero que consigam viver melhor e se livrem dos "partidos de deus".
Mas o que é viver melhor? Para mim, que não sou relativista e acho a democracia liberal ocidental o melhor sistema político conhecido e gente que amarra toalha na cabeça para gritar "morte aos infiéis!" gente atrasada, viver melhor é poder ganhar dinheiro e pagar suas contas, consumir coisas que queremos consumir, transar com quem você quiser, não ter que aturar maridos espancadores, não ser obrigado a sustentar mulheres de que você não gosta mais, não ser obrigado a rezar se você não quiser, poder rezar se você quiser para o deus que você quiser, não ter que achar seu governante "o salvador do povo". Enfim, coisas básicas, não?
Mas o fundamentalismo islâmico (que não é a mesma coisa que islamismo) não pensa assim.
Se, por um lado, não se pode afirmar que o Egito vá virar o Irã (que alguns ainda acham ótimo porque "enfrenta o imperialismo americano"... risadas...), por outro, negar o risco do fundamentalismo islâmico na região em questão é uma piada. Pura má fé teórica.
Risco aqui não significa apenas tomar o poder, significa minar a sociedade, enterrando as pessoas nesse "pântano de deus" onde fundamentalistas crescem como praga na lama.
Essas pessoas que estão nas ruas querem emprego. Se eles falam em "liberdade", fazem-no porque aprenderam com o Ocidente capitalista malvado. Não estão movidos por ideologias de Maio de 68. Espera aí... qual era mesmo a ideologia? Reclamar da TV, do cinema, de ter que arrumar o quarto, de ter que fazer prova na faculdade?
Que tal o Líbano, que virou refém do Hizbollah (o partido de deus), esse grupo muito pacifista e democrático? Ou a irmandade islâmica do Egito, que está "gozando" com tudo isso? E os democráticos do Hamas? Que tal mandar um desses populistas de esquerda passar uns dias com eles para discutir "liberdades individuais"? E se o voto direto por lá eleger outro Hamas?
Muitas análises são feitas a partir do que em filosofia se chama "wishful thinking" (pensamento contaminado por "desejos escondidos"). Muita gente projeta sobre esses fenômenos seus pequenos sonhos de grandeza teórica.
Esses países não têm a divisão moderna entre religião e Estado. Negociar com eles é negociar com o Islã, não nos enganemos. O necessário é falar com o Islã e seus líderes, a fim de "isolar" a praga do fundamentalismo.
ponde.folha@uol.com.br
Ainda que por vezes achando engraçado (acho que é o termo) a iconoclastia e a irreverência desse colunista aberto e arejado, sempre acho que colunistas de jornais se dão ao trabalho de comentar coisas sobre as quais eles não entendem, pesquisaram pouco, leram menos ainda e ainda assim pontificam com algumas frases definitivas sobre algum problema complexo (que eles "liquidam" em poucas palavras, de maneira definitiva, ao que parece). Não é o caso desse colunista, mas ainda assim, mantenho meu "pé atrás".
Desta vez, acho que concordo com a maior parte do que ele escreveu, e por isso mesmo transcrevo aqui sua crônica, que me parece ir ao ponto certo. Posso discordar de uma coisa ou outra -- a referência aos "paquistaneses", em geral, por exemplo -- mas no essencial estou de acordo com o que ele disse, sobretudo as platitudes que se ouvem e se lêem sobre a idiotamente famosa "revolução de Maio de 1968" na França e sobre a natureza das revoltas nos países árabes.
Em essência é isso: os "descamisados" cansaram de viver na miséria -- em regimes incapazes de prover crescimento e emprego -- e os mais informados protestam contra a falta de liberdade e a corrupção das elites dominantes.
Em síntese é o que aconteceu na Tunísia e está acontecendo no Egito, embora aqui a Irmandade Muçulmana tente aproveitar o descontentamente popular para fazer avançar suas teses e posições, o que ela obviamente conseguirá, pois as grandes massas sempre são idiotamente religiosas.
Bem, vou parar por aqui -- na minha função de "filtro" do que vai publicado por aí, como já escreveu alguém a respeito deste blog -- e deixar vocês lerem algo um pouco mais inteligente que aparece (de vez em quando) na imprensa brasileira.
Paulo Roberto de Almeida
Quibes, queijos e vinhos
Luis Felipe Pondé
Folha de S.Paulo. 7/02/2011
Quem está na rua no Egito quer emprego; se fala em "liberdade", é porque aprendeu com o Ocidente
OS ÁRABES foram às ruas. Os paquistaneses (muçulmanos, mas não árabes) vivem nas ruas pedindo a cabeça de algum inimigo do Islã. Pensar que estamos diante da "aurora" de um novo mundo árabe democrático é uma piada.
Imagino como alguns "sacerdotes da religião do povo" (populismo para intelectuais de esquerda?) devem ficar emocionados, lembrando (fantasiando?) os grandes dias do Maio de 68 na França.
Se lermos as colunas de Nelson Rodrigues (editora Agir) da época, encontraremos questões como: afinal, o que querem esses estudantes parisienses se não cortaram nenhuma cabeça? Que revolução é essa que acabou em croissant?
De uma hora para outra, a moçada francesa voltou para casa para tomar vinho e comer "un petit fromage". Centenas de teses pelo mundo tentam até hoje explicar a razão de a "revolução do desejo" de Maio de 68 ter acabado de repente, sem nenhuma razão.
Diferentemente dos jovens americanos, que tinham um motivo concreto para protestar (a horrível Guerra do Vietnã), os meninos franceses estavam cheios de tédio, naquela vidinha chata de gente rica, e resolveram brincar de "comuna de Paris".
No fundo, queriam "o direito" de transar com as colegas nos dormitórios da universidade, alguns meninos queriam "o direito" de transar com outros meninos (sob a bênção filosófica do mestre Foucault, que, aliás, no começo da Revolução Islâmica do Irã, tinha frisson por ela), e alguns, como sempre, não queriam mesmo é ir para a aula e virar gente grande.
Mas os "sacerdotes do povo" fizeram seu trabalho e transformaram aquela festa em grande fenômeno histórico.
A verdade é que não se sabe no que vai dar essa "revolução do quibe" no mundo árabe. Pessoalmente, espero que consigam viver melhor e se livrem dos "partidos de deus".
Mas o que é viver melhor? Para mim, que não sou relativista e acho a democracia liberal ocidental o melhor sistema político conhecido e gente que amarra toalha na cabeça para gritar "morte aos infiéis!" gente atrasada, viver melhor é poder ganhar dinheiro e pagar suas contas, consumir coisas que queremos consumir, transar com quem você quiser, não ter que aturar maridos espancadores, não ser obrigado a sustentar mulheres de que você não gosta mais, não ser obrigado a rezar se você não quiser, poder rezar se você quiser para o deus que você quiser, não ter que achar seu governante "o salvador do povo". Enfim, coisas básicas, não?
Mas o fundamentalismo islâmico (que não é a mesma coisa que islamismo) não pensa assim.
Se, por um lado, não se pode afirmar que o Egito vá virar o Irã (que alguns ainda acham ótimo porque "enfrenta o imperialismo americano"... risadas...), por outro, negar o risco do fundamentalismo islâmico na região em questão é uma piada. Pura má fé teórica.
Risco aqui não significa apenas tomar o poder, significa minar a sociedade, enterrando as pessoas nesse "pântano de deus" onde fundamentalistas crescem como praga na lama.
Essas pessoas que estão nas ruas querem emprego. Se eles falam em "liberdade", fazem-no porque aprenderam com o Ocidente capitalista malvado. Não estão movidos por ideologias de Maio de 68. Espera aí... qual era mesmo a ideologia? Reclamar da TV, do cinema, de ter que arrumar o quarto, de ter que fazer prova na faculdade?
Que tal o Líbano, que virou refém do Hizbollah (o partido de deus), esse grupo muito pacifista e democrático? Ou a irmandade islâmica do Egito, que está "gozando" com tudo isso? E os democráticos do Hamas? Que tal mandar um desses populistas de esquerda passar uns dias com eles para discutir "liberdades individuais"? E se o voto direto por lá eleger outro Hamas?
Muitas análises são feitas a partir do que em filosofia se chama "wishful thinking" (pensamento contaminado por "desejos escondidos"). Muita gente projeta sobre esses fenômenos seus pequenos sonhos de grandeza teórica.
Esses países não têm a divisão moderna entre religião e Estado. Negociar com eles é negociar com o Islã, não nos enganemos. O necessário é falar com o Islã e seus líderes, a fim de "isolar" a praga do fundamentalismo.
ponde.folha@uol.com.br
Politicas economicas do governo Lula: avaliacao - Boletim Economia & Tecnologia (UFPR)
Devo ao economista Mansueto Almeida, do IPEA (sim, ainda tem gente inteligente por lá, a despeito de tudo o que fez a atual administração para mediocrizar o quadro e os trabalhos dos excelentes economistas que sempre existiram na instituição), essa chamada para uma excelente publicação, cuja integralidade pretendo ler (neste link).
Para não tornar este post muito extenso, apenas limito-me, neste momento, a transcrever a introdução ao volume, que se encontra neste post, com o título abaixo, do excelente blog do Mansueto Almeida (em nada meu parente).
Paulo Roberto de Almeida
A política macroeconômica do governo Lula e suas consequências
Blog do Mansueto Almeida
Desevolvimento Local, Politica Econômica e Crescimento
06/02/2011
Segue abaixo a introdução escrita pelo Coordenador Geral do Boletim Economia & Tecnologia, Prof. Dr. Luciano Nakabashi, que junto com o economista do FMI, Irineu Carvalho, convidou um grupo de economistas a se manifestar sobre os oito ano de governo Lula.
Os artigos foram publicados neste número especial do boletim Economia e Tecnologia disponível na sua página na internet (clique aqui). No meu caso, resolvi escrever sobre a questão fiscal e sobre a ideia do novo estado desenvolvimentista, um conceito mais claro na teoria do que na prática.
Volume especial boletim Economia & Tecnologia UFPR
Caro leitor, seguindo uma sugestão do economista Irineu de Carvalho Filho (FMI), que me ajudou na escolha dos nomes e convite aos autores, resolvi organizar este simpósio sobre a política macroeconômica do governo Lula e suas consequências.
Depois de oito anos de governo Lula, em que presenciamos uma aparente aceleração do crescimento econômico (permanente ou transitória?), a expansão e consolidação de programas que aliviam a pobreza efetivamente, e uma surpreendente ausência de grandes reviravoltas e transformações em nosso quadro de política econômica, o momento é oportuno para convidar à mesa uma coleção diversa de economistas renomados para discutir o período e as perspectivas para o futuro.
Os trabalhos são apresentados em ordem alfabética do nome do primeiro autor do artigo.
No primeiro trabalho, os economistas da FEA-RP/USP Alex Luiz Ferreira, Sergio Naruhiko Sakurai e Rodolfo Oliveira abordam quais variáveis são relevantes na popularidade dos governos Lula e FHC. Eles encontram evidências de que a taxa de desemprego é a principal variável.
O economista Alexandre Schwartsman, do Banco Santander e diretor do Banco Central durante o primeiro mandato de Lula, analisa o desempenho do tripé da política monetária do governo Lula – câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação –, e mostra que ocorreu uma deterioração nessa base da política macroeconômica e que, desse modo, é preciso que se realizem algumas alterações, com especial ênfase aos gastos públicos.
No artigo intitulado “Ganhos sociais, inflexões na política econômica e restrição externa: novidades e continuidades no governo Lula”, os professores e pesquisadores Fernando Augusto Mansor de Mattos (UFF) e Frederico G. Jayme Jr. (Cedeplar/UFMG) discutem as principais diretrizes da política econômica durante o governo Lula, destacando em especial a mudança de orientação ocorrida a partir de 2006.
O pesquisador e professor da FGV-RJ, Fernando de Holanda Barbosa, faz uma avaliação do BACEN no Governo Lula, analisando a execução da política monetária, a formulação e execução da política de reservas internacionais, a execução da política de emprestador de última instância do sistema financeiro, além da regulamentação e supervisão do sistema financeiro.
Fernando Ferrari Filho (UFRGS) indica que os bons resultados apresentados no governo Lula não garantem estabilidade macroeconômica consistente por causa, principalmente, da deterioração do setor externo que deixa a economia mais vulnerável a ataques especulativos.
Os pesquisadores Helder Ferreira de Mendonça (UFF), Délio José Cordeiro Galvão (BACEN) e Renato Falci Villela Loures (UFF) focam no setor financeiro e na necessidade de medidas prudenciais para reduzir a alavancagem do sistema financeiro e reduzir a vulnerabilidade a crises.
Mansueto Almeida, economista e pesquisador do IPEA, foca sua análise na política fiscal e política industrial. O autor argumenta que, apesar da maior expansão dos gastos sociais, o padrão de crescimento do gasto público do governo federal no Brasil é determinado muito mais pela Constituição Federal de 1988 do que pela eleição de um governo de esquerda.
Finalmente, Marcelo Curado (UFPR) faz uma análise do crescimento econômico do governo Lula e até que ponto este se transformou em um processo de desenvolvimento econômico, com especial ênfase na estabilidade de preços, distribuição da renda, redução da miséria, conta corrente e pauta de exportações.
Na firme convicção de que esse volume especial do boletim Economia & Tecnologia será uma leitura agradável e útil a todos os interessados nos problemas da política econômica brasileira nos últimos anos, subscrevo atenciosamente,
Prof. Dr. Luciano Nakabashi
Coordenador Geral do Boletim Economia & Tecnologia
===========
Este é o índice:
Boletim Economia & Tecnologia
Ano 7, Vol. Especial, 2011 (PDF - 4,29 MB)
ÍNDICE
EDITORIAL
SIMPÓSIO: POLÍTICA MACROECONÔMICA NOS 8 ANOS DE GOVERNO LULA
Oito anos construindo popularidade
Alex Luiz Ferreira
Sergio Naruhiko Sakurai
Rodolfo Oliveira
Não se mexe em time que está ganhando?
Alexandre Schwartsman
Ganhos sociais, inflexões na política econômica e restrição externa: novidades e continuidades no Governo Lula
Fernando Augusto Mansor de Mattos
Frederico G. Jayme Jr.
O Banco Central no Governo Lula
Fernando de Holanda Barbosa
Por que os resultados econômicos esperados para o final do governo Lula da Silva não nos asseguram uma estabilidade macroeconômica consistente?
Fernando Ferrari Filho
Exuberância e risco do mercado financeiro: herança do Governo Lula
Helder Ferreira de Mendonça
Délio José Cordeiro Galvão
Renato Falci Villela Loures
O Novo Estado Desenvolvimentista e o Governo Lula
Mansueto Almeida
Uma avaliação da economia brasileira no Governo Lula
Marcelo Curado
Você pode descarregar o arquivo em pdf, neste link:
http://www.economiaetecnologia.ufpr.br/boletim/Economia_&_Tecnologia_Ano_07_Vol_Especial_2011.pdf
Para não tornar este post muito extenso, apenas limito-me, neste momento, a transcrever a introdução ao volume, que se encontra neste post, com o título abaixo, do excelente blog do Mansueto Almeida (em nada meu parente).
Paulo Roberto de Almeida
A política macroeconômica do governo Lula e suas consequências
Blog do Mansueto Almeida
Desevolvimento Local, Politica Econômica e Crescimento
06/02/2011
Segue abaixo a introdução escrita pelo Coordenador Geral do Boletim Economia & Tecnologia, Prof. Dr. Luciano Nakabashi, que junto com o economista do FMI, Irineu Carvalho, convidou um grupo de economistas a se manifestar sobre os oito ano de governo Lula.
Os artigos foram publicados neste número especial do boletim Economia e Tecnologia disponível na sua página na internet (clique aqui). No meu caso, resolvi escrever sobre a questão fiscal e sobre a ideia do novo estado desenvolvimentista, um conceito mais claro na teoria do que na prática.
Volume especial boletim Economia & Tecnologia UFPR
Caro leitor, seguindo uma sugestão do economista Irineu de Carvalho Filho (FMI), que me ajudou na escolha dos nomes e convite aos autores, resolvi organizar este simpósio sobre a política macroeconômica do governo Lula e suas consequências.
Depois de oito anos de governo Lula, em que presenciamos uma aparente aceleração do crescimento econômico (permanente ou transitória?), a expansão e consolidação de programas que aliviam a pobreza efetivamente, e uma surpreendente ausência de grandes reviravoltas e transformações em nosso quadro de política econômica, o momento é oportuno para convidar à mesa uma coleção diversa de economistas renomados para discutir o período e as perspectivas para o futuro.
Os trabalhos são apresentados em ordem alfabética do nome do primeiro autor do artigo.
No primeiro trabalho, os economistas da FEA-RP/USP Alex Luiz Ferreira, Sergio Naruhiko Sakurai e Rodolfo Oliveira abordam quais variáveis são relevantes na popularidade dos governos Lula e FHC. Eles encontram evidências de que a taxa de desemprego é a principal variável.
O economista Alexandre Schwartsman, do Banco Santander e diretor do Banco Central durante o primeiro mandato de Lula, analisa o desempenho do tripé da política monetária do governo Lula – câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação –, e mostra que ocorreu uma deterioração nessa base da política macroeconômica e que, desse modo, é preciso que se realizem algumas alterações, com especial ênfase aos gastos públicos.
No artigo intitulado “Ganhos sociais, inflexões na política econômica e restrição externa: novidades e continuidades no governo Lula”, os professores e pesquisadores Fernando Augusto Mansor de Mattos (UFF) e Frederico G. Jayme Jr. (Cedeplar/UFMG) discutem as principais diretrizes da política econômica durante o governo Lula, destacando em especial a mudança de orientação ocorrida a partir de 2006.
O pesquisador e professor da FGV-RJ, Fernando de Holanda Barbosa, faz uma avaliação do BACEN no Governo Lula, analisando a execução da política monetária, a formulação e execução da política de reservas internacionais, a execução da política de emprestador de última instância do sistema financeiro, além da regulamentação e supervisão do sistema financeiro.
Fernando Ferrari Filho (UFRGS) indica que os bons resultados apresentados no governo Lula não garantem estabilidade macroeconômica consistente por causa, principalmente, da deterioração do setor externo que deixa a economia mais vulnerável a ataques especulativos.
Os pesquisadores Helder Ferreira de Mendonça (UFF), Délio José Cordeiro Galvão (BACEN) e Renato Falci Villela Loures (UFF) focam no setor financeiro e na necessidade de medidas prudenciais para reduzir a alavancagem do sistema financeiro e reduzir a vulnerabilidade a crises.
Mansueto Almeida, economista e pesquisador do IPEA, foca sua análise na política fiscal e política industrial. O autor argumenta que, apesar da maior expansão dos gastos sociais, o padrão de crescimento do gasto público do governo federal no Brasil é determinado muito mais pela Constituição Federal de 1988 do que pela eleição de um governo de esquerda.
Finalmente, Marcelo Curado (UFPR) faz uma análise do crescimento econômico do governo Lula e até que ponto este se transformou em um processo de desenvolvimento econômico, com especial ênfase na estabilidade de preços, distribuição da renda, redução da miséria, conta corrente e pauta de exportações.
Na firme convicção de que esse volume especial do boletim Economia & Tecnologia será uma leitura agradável e útil a todos os interessados nos problemas da política econômica brasileira nos últimos anos, subscrevo atenciosamente,
Prof. Dr. Luciano Nakabashi
Coordenador Geral do Boletim Economia & Tecnologia
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Este é o índice:
Boletim Economia & Tecnologia
Ano 7, Vol. Especial, 2011 (PDF - 4,29 MB)
ÍNDICE
EDITORIAL
SIMPÓSIO: POLÍTICA MACROECONÔMICA NOS 8 ANOS DE GOVERNO LULA
Oito anos construindo popularidade
Alex Luiz Ferreira
Sergio Naruhiko Sakurai
Rodolfo Oliveira
Não se mexe em time que está ganhando?
Alexandre Schwartsman
Ganhos sociais, inflexões na política econômica e restrição externa: novidades e continuidades no Governo Lula
Fernando Augusto Mansor de Mattos
Frederico G. Jayme Jr.
O Banco Central no Governo Lula
Fernando de Holanda Barbosa
Por que os resultados econômicos esperados para o final do governo Lula da Silva não nos asseguram uma estabilidade macroeconômica consistente?
Fernando Ferrari Filho
Exuberância e risco do mercado financeiro: herança do Governo Lula
Helder Ferreira de Mendonça
Délio José Cordeiro Galvão
Renato Falci Villela Loures
O Novo Estado Desenvolvimentista e o Governo Lula
Mansueto Almeida
Uma avaliação da economia brasileira no Governo Lula
Marcelo Curado
Você pode descarregar o arquivo em pdf, neste link:
http://www.economiaetecnologia.ufpr.br/boletim/Economia_&_Tecnologia_Ano_07_Vol_Especial_2011.pdf
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