Apenas para registro de uma realidade nacional:
A trajetória do PT
Editorial - O Estado de S.Paulo
17 de fevereiro de 2011
Quando foi fundado, o Partido dos Trabalhadores (PT) se proclamou agente das transformações políticas e sociais que, pautadas pelo rigor da ética e pelo mais genuíno sentimento de justiça social, mudariam a cara do Brasil. Trinta e um anos depois, há oito no poder, o PT pode se orgulhar de ter contribuído - os petistas acham que a obra é toda sua - para melhorar o País do ponto de vista do desenvolvimento econômico e da inclusão social. Mas nada no Brasil mudou tanto, nessas três décadas, como a cara do próprio PT. O antigo bastião de idealistas, depois de perder pelo caminho todos os mais coerentes dentre eles, transformou-se numa legenda partidária como todas as outras que antes estigmatizava, manobrada por políticos profissionais no pior sentido, e, como nem todas, submissa à vontade de um "dono", porque totalmente dependente de sua enorme popularidade. Esse é o PT de Lula 31 anos depois.
Uma vez no poder, o PT se transformou em praticamente o oposto de tudo o que sempre preconizou. O marco formal dessa mudança de rumo pode ser considerado o lançamento da Carta ao Povo Brasileiro, em junho de 2002, a quatro meses da eleição presidencial em que pela primeira vez Lula sairia vitorioso. Concebido com o claro objetivo de tranquilizar o eleitorado que ainda resistia às ideias radicais e estatizantes do PT no âmbito econômico, entre outras coisas a Carta arriou velhas bandeiras como o "fora FMI" e passou a defender o cumprimento dos contratos internacionais, banindo uma antiga obsessão do partido e da esquerda festiva: a moratória da dívida externa. Eleito, Lula fez bom uso de sua "herança maldita". Adotou sem hesitação os fundamentos da política econômico-financeira de seu antecessor, redesenhou e incrementou os programas sociais que recebeu, barganhou como sempre se fez o apoio de que precisava no Congresso e, bafejado por uma conjuntura internacional extremamente favorável, bastou manejar com habilidade os dotes populistas em que se revelou um mestre para tornar-se um presidente tão popular como nunca antes na história deste país.
E o balzaquiano PT? O partido que pretendia transformar o País passou a se transformar na negação de si mesmo. E foi a partir daí que começaram as defecções de militantes importantes, muitos deles fundadores, decepcionados com os novos rumos, principalmente com os meios e modos com que o partido se instalou no poder. O mensalão por exemplo.
Os anais da recente história política do Brasil registram enorme quantidade de depoimentos de antigos petistas que não participaram da alegre festa de 31.º aniversário do partido - na qual o grande homenageado foi, é claro, ele - porque se recusaram a percorrer os descaminhos dos seguidores de Lula. Um dos dissidentes é o jurista Hélio Bicudo, fundador do PT, ex-dirigente da legenda, ex-deputado federal, ex-vice-prefeito de São Paulo. Em depoimento à série Decanos Brasileiros, da TV Estadão, Bicudo criticou duramente os partidos políticos brasileiros, especialmente o PT: "O Brasil não tem partidos políticos. Os partidos, todos, se divorciaram de suas origens. E o PT é entre eles - digo-o tranquilamente - um partido que começou muito bem, mas está terminando muito mal, porque esqueceu sua mensagem inicial e hoje é apenas a direção nacional que comanda. Uma direção nacional comandada, por sua vez, por uma só pessoa: o ex-presidente Lula, que decide tudo, inclusive quem deve ou não ser candidato a isso ou aquilo, e ponto final".
Bicudo tem gravada na memória uma das evidências do divórcio de seu ex-partido com o idealismo de suas origens. Conta que, no início do governo Lula, quando foi lançado o Bolsa-Família, indagou do então todo-poderoso chefe da Casa Civil, José Dirceu, os objetivos do programa. Obteve uma resposta direta: "Serão 12 milhões de bolsas que poderão se converter em votos em quantidade três ou quatro vezes maior. Isso nos garantirá a reeleição de Lula".
De qualquer modo, há aspectos em que o PT é hoje, inegavelmente, um partido muito melhor do que foi: este ano, com base na contribuição compulsória de seus filiados, pretende recolher a seus cofres R$ 3,6 milhões. Apenas 700% a mais do que arrecadava antes de assumir o poder.
O PT está completamente peemedebizado.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Mercosul: duas noticias contraditorias
Registre, apenas en passant, que o Mercosul é um tratado de integração econômica, supostamente com o objetivo de formar um mercado comum, o que pressupõe, antes de mais nada a liberalização comercial completa entre os membros.
Se ele se desvia para outras funções, de caráter político, que seja humanitário, está se desviando do núcleo original de suas propostas e tentando maquiar o fracasso quanto à meta principal.
Abaixo, dois blocos de questões: a pretensa unidade do Mercosul, em temas que nada tem a ver com o comércio e a integração econômica, e a realidade do protecionismo argentino, tolerado pelo Brasil, que vai pouco a pouco minando o Mercosul.
Paulo Roberto de Almeida
(A) A suposta unidade do Mercosul:
Mercosul busca unidade e preservação dos direitos humanos
Jornal do Brasil, 16/02/2011
Em meio à crise política que se alastra pelos países árabes, o Mercosul caminha para a unidade, a defesa dos direitos humanos e a busca pelo equilíbrio econômico regional. O secretário-geral do Mercosul, Augustin Colombo, disse à Agência Brasil que há um clima de otimismo com a chegada da presidente Dilma Rousseff por ela ter anunciado que a prioridade na política externa será a América Latina.
“Estamos muitos confiantes e acreditando que neste ano vamos avançar muito e em várias áreas”, afirmou o secretário. “Esse otimismo se estende também às relações entre o Mercosul e a União Europeia no que diz respeito às negociações comerciais [paralisadas por quase uma década, retomadas no ano passado e novamente em compasso de espera]”.
Para Colombo, a crise econômica de 2002/2003 acabou fortalecendo o Mercosul porque os países da região buscaram alternativas comuns e adotaram medidas mais homogêneas para superar as consequências da instabilidade econômica global. Segundo ele, isso deu ao bloco "mais voz" no cenário mundial.
A mesma situação, disse o secretário, repetiu-se recentemente. “O comportamento [dos países que integram o Mercosul] indicando que as economias da região buscaram a estabilidade mostra que os nossos países estão mais desenvolvidos e fortes para as negociações”, acrescentou.
Em março, os negociadores do Mercosul e da União Europeia retomam as discussões sobre a redução da carga tributária que incide sobretudo nos produtos agrícolas da região. Os países sul-americanos querem que as tarifas sejam reduzidas, os europeus insistem em mantê-las para a preservação do próprio mercado.
Segundo Colombo, apesar do impasse, há disposição de ambos os lados de chegar a um consenso. “A tendência é a definição de um sistema de quotas”, disse. Na prática, é a adoção de redução gradual de tributos sobre alguns produtos específicos. Para o secretário, as negociações por parte do Mercosul ganharam mais força com a nomeação do embaixador brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães para o cargo de alto representante do bloco.
Ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e ex-secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Pinheiro Guimarães levará nas discussões a bagagem de anos de negociações bilaterais e multilaterais. “A escolha do embaixador foi mensagem bastante forte da presidenta Dilma, pois ele é um dos nomes mais respeitados na área internacional. É uma mensagem interna e externa”, disse.
Para Colombo, outra demonstração de prioridade do Mercosul foi a reunião das presidentas Dilma e Cristina Kirchner, da Argentina, no último dia 21. Além de elas terem firmado 14 protocolos de intenção em áreas distintas, houve uma reunião com as mães e avós da Praça de maio – símbolo da resistência à ditadura argentina e de luta por justiça. “Definitivamente a questão da preservação dos direitos democráticos estreitou ainda mais as relações entre os países”, afirmou.
==================
(B) A realidade do protecionismo argentino:
Argentina decide aumentar barreiras contra importações
DCI, 16/02/2011
O governo da Argentina decidiu aumentar as barreiras contra importações, conforme medida publicada no Diário Oficial de ontem. O Ministério de Indústria anunciou a ampliação da lista de produtos atingidos pelo sistema de Licenças Não Automáticas (LNA), de 400 para 600 itens.
Este sistema exige a aprovação prévia do governo para a entrada dos produtos no mercado doméstico. A nova lista inclui produtos metalúrgicos, siderúrgicos, eletrônicos, linhas, tecidos, automóveis de luxo, vidros, bicicletas, motos, entre outros.
Os automóveis atingidos são os que possuem motores acima de 3.000 centímetros cúbicos, no caso dos que são movidos a gasolina, e os superiores a 2.500 centímetros cúbicos para os movidos a diesel. Na realidade, a importação de automóveis de luxo pela Argentina está paralisada desde o início de fevereiro.
Assessores da ministra de Produção, Débora Giorgi, explicaram que "a medida não afeta os automóveis provenientes do Brasil e México". Porém, segundo levantamento realizado pela consultoria Investigações Econômicas Setoriais (IES), as importações de autopeças cresceram 61,7% em 2010 frente a 2009.
Com as restrições, o governo pretende pressionar os empresários para que realizem investimentos no país e produzam mais autopeças nacionais. Em nota oficial, Giorgi explicou que a medida tem o objetivo de "preservar os produtos nacionais no mercado interno" e o "processo de reindustrialização". Ela diz que as novas licenças serão aplicadas em setores nos quais a Argentina tem uma produção nacional capaz de satisfazer a demanda.
"A estratégia de comércio administrado para resguardar os postos de trabalho deu resultados satisfatórios à nossa indústria, que conseguiu substituir importações no valor de US$ 9,2 bilhões, no último ano", afirmou a ministra. Ela detalhou, ainda, que "os setores cujas importações têm licenças não automáticas são os que mais aportaram para a substituição de produtos importados, como o automobilístico, eletrônicos, linha branca, calçados e têxteis". Débora Giorgi ressaltou que a medida "não significa que não se possa importar."
Nova lista de restrições deve reduzir vendas do Brasil para a Argentina
Marta Watanabe | De São Paulo
Valor Econômico, 17/02/2011
Débora Giorgi, ministra da Indústria da Argentina: intenção é proteger o mercado argentino da concorrência desleal
A ampliação de 400 para 600 itens na lista de produtos submetidos à licença prévia de importação pela Argentina pegou de surpresa importantes segmentos exportadores brasileiros. Divulgada às vésperas de reuniões bilaterais entre Brasil e Argentina, que serão realizadas hoje e amanhã, a lista com os 200 novos produtos sujeitos à restrição inclui desde automóveis de luxo, motocicletas, autopeças e acessórios, a máquinas de lavar roupa, ventiladores, celulares, computadores, laptops e produtos químicos e vidros.
"A nova medida argentina deve afetar 50% das exportações brasileiras do setor para a Argentina", diz Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Ele lembra que as restrições agora alcançam celulares e microcomputadores, dois itens que são muito comprados pelos argentinos.
Para Barbato, o resultado será a redução das exportações ao país vizinho. No ano passado, diz, as vendas para os argentinos no segmento elétrico e eletrônico somaram US$ 2,2 bilhões, com crescimento de 12,8% em relação ao ano anterior. Itens como monitores de vídeo, porém, que já estavam na lista anterior de exigência de licença prévia, tiveram redução de 53% nas vendas. Houve também queda de 27% nas exportações brasileiras à Argentina no ano passado. Com a ampliação da restrição também para os celulares, Barbato acredita em nova redução das vendas do produto aos argentinos.
O presidente da Abinee lembra que a medida deve desestimular ainda mais a fabricação de celulares no Brasil. "As regras do jogo não são respeitadas, o que está fazendo as indústrias se mudarem para a Terra do Fogo."
"Recebemos com surpresa a notícia ontem à noite", diz Antonio Carlos Meduna, que tem acompanhado as negociações bilaterais pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Ele lembra que a agenda de reuniões entre os dois países inclui encontros hoje e amanhã para tratar de questões do setor automotivo. A expectativa, conta, era discutir nas reuniões restrições de comércio para alguns componentes, como sistemas de embreagem e freios, por exemplo. A medida argentina, porém, acabou criando restrições adicionais com a extensão da licença prévia para vários produtos do setor.
Meduna diz que o Sindipeças ainda não levantou a representatividade da nova lista no total exportado pelo setor aos argentinos, mas diz que a diversidade é grande. Segundo ele, a restrição atinge não apenas os grandes sistemistas, mas também os fabricantes das chamadas "commodities" do setor, com peças menores como pistões e anéis. Um dos receios, diz, é de que os fabricantes brasileiros de autopeças percam espaço no mercado de reposição de peças argentino. As montadoras, lembra, terão maior facilidade para importação não só para a fabricação de veículos como também para venda no mercado de reposição. Com a imposição da licença prévia, que causa atrasos no desembaraço das mercadorias, há risco de desabastecimento no mercado argentino, o que fará os consumidores adquirirem peças de reposição nas concessionárias. Para Meduna, as medidas argentinas aumentam as expectativas em relação à reunião, que deverá ser a primeira do governo Dilma, num ambiente de mercado aquecido tanto no Brasil quanto no país vizinho.
Domingos Mosca, coordenador da área internacional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), acredita que a nova restrição divulgada às vésperas da reunião é um sinalizador de que a Argentina continuará dura para as negociações bilaterais. Para Mosca, o Brasil deveria mudar sua estratégia de negociação com o país vizinho. "Em vez de negociar licença por licença e produto a produto, no varejo, é preciso tentar negociar o assunto como um todo, de acordo com as normas do comércio internacional."
Segundo a Abit, a ampliação da lista de licença prévia atinge US$ 24 milhões dos US 392 milhões exportados do Brasil aos argentinos no ano passado, com a inclusão de tecidos e fios, principalmente. Com a nova listagem, o segmento fica com 230 produtos têxteis e confeccionados sob o regime de licenciamento não automático.
Se ele se desvia para outras funções, de caráter político, que seja humanitário, está se desviando do núcleo original de suas propostas e tentando maquiar o fracasso quanto à meta principal.
Abaixo, dois blocos de questões: a pretensa unidade do Mercosul, em temas que nada tem a ver com o comércio e a integração econômica, e a realidade do protecionismo argentino, tolerado pelo Brasil, que vai pouco a pouco minando o Mercosul.
Paulo Roberto de Almeida
(A) A suposta unidade do Mercosul:
Mercosul busca unidade e preservação dos direitos humanos
Jornal do Brasil, 16/02/2011
Em meio à crise política que se alastra pelos países árabes, o Mercosul caminha para a unidade, a defesa dos direitos humanos e a busca pelo equilíbrio econômico regional. O secretário-geral do Mercosul, Augustin Colombo, disse à Agência Brasil que há um clima de otimismo com a chegada da presidente Dilma Rousseff por ela ter anunciado que a prioridade na política externa será a América Latina.
“Estamos muitos confiantes e acreditando que neste ano vamos avançar muito e em várias áreas”, afirmou o secretário. “Esse otimismo se estende também às relações entre o Mercosul e a União Europeia no que diz respeito às negociações comerciais [paralisadas por quase uma década, retomadas no ano passado e novamente em compasso de espera]”.
Para Colombo, a crise econômica de 2002/2003 acabou fortalecendo o Mercosul porque os países da região buscaram alternativas comuns e adotaram medidas mais homogêneas para superar as consequências da instabilidade econômica global. Segundo ele, isso deu ao bloco "mais voz" no cenário mundial.
A mesma situação, disse o secretário, repetiu-se recentemente. “O comportamento [dos países que integram o Mercosul] indicando que as economias da região buscaram a estabilidade mostra que os nossos países estão mais desenvolvidos e fortes para as negociações”, acrescentou.
Em março, os negociadores do Mercosul e da União Europeia retomam as discussões sobre a redução da carga tributária que incide sobretudo nos produtos agrícolas da região. Os países sul-americanos querem que as tarifas sejam reduzidas, os europeus insistem em mantê-las para a preservação do próprio mercado.
Segundo Colombo, apesar do impasse, há disposição de ambos os lados de chegar a um consenso. “A tendência é a definição de um sistema de quotas”, disse. Na prática, é a adoção de redução gradual de tributos sobre alguns produtos específicos. Para o secretário, as negociações por parte do Mercosul ganharam mais força com a nomeação do embaixador brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães para o cargo de alto representante do bloco.
Ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e ex-secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Pinheiro Guimarães levará nas discussões a bagagem de anos de negociações bilaterais e multilaterais. “A escolha do embaixador foi mensagem bastante forte da presidenta Dilma, pois ele é um dos nomes mais respeitados na área internacional. É uma mensagem interna e externa”, disse.
Para Colombo, outra demonstração de prioridade do Mercosul foi a reunião das presidentas Dilma e Cristina Kirchner, da Argentina, no último dia 21. Além de elas terem firmado 14 protocolos de intenção em áreas distintas, houve uma reunião com as mães e avós da Praça de maio – símbolo da resistência à ditadura argentina e de luta por justiça. “Definitivamente a questão da preservação dos direitos democráticos estreitou ainda mais as relações entre os países”, afirmou.
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(B) A realidade do protecionismo argentino:
Argentina decide aumentar barreiras contra importações
DCI, 16/02/2011
O governo da Argentina decidiu aumentar as barreiras contra importações, conforme medida publicada no Diário Oficial de ontem. O Ministério de Indústria anunciou a ampliação da lista de produtos atingidos pelo sistema de Licenças Não Automáticas (LNA), de 400 para 600 itens.
Este sistema exige a aprovação prévia do governo para a entrada dos produtos no mercado doméstico. A nova lista inclui produtos metalúrgicos, siderúrgicos, eletrônicos, linhas, tecidos, automóveis de luxo, vidros, bicicletas, motos, entre outros.
Os automóveis atingidos são os que possuem motores acima de 3.000 centímetros cúbicos, no caso dos que são movidos a gasolina, e os superiores a 2.500 centímetros cúbicos para os movidos a diesel. Na realidade, a importação de automóveis de luxo pela Argentina está paralisada desde o início de fevereiro.
Assessores da ministra de Produção, Débora Giorgi, explicaram que "a medida não afeta os automóveis provenientes do Brasil e México". Porém, segundo levantamento realizado pela consultoria Investigações Econômicas Setoriais (IES), as importações de autopeças cresceram 61,7% em 2010 frente a 2009.
Com as restrições, o governo pretende pressionar os empresários para que realizem investimentos no país e produzam mais autopeças nacionais. Em nota oficial, Giorgi explicou que a medida tem o objetivo de "preservar os produtos nacionais no mercado interno" e o "processo de reindustrialização". Ela diz que as novas licenças serão aplicadas em setores nos quais a Argentina tem uma produção nacional capaz de satisfazer a demanda.
"A estratégia de comércio administrado para resguardar os postos de trabalho deu resultados satisfatórios à nossa indústria, que conseguiu substituir importações no valor de US$ 9,2 bilhões, no último ano", afirmou a ministra. Ela detalhou, ainda, que "os setores cujas importações têm licenças não automáticas são os que mais aportaram para a substituição de produtos importados, como o automobilístico, eletrônicos, linha branca, calçados e têxteis". Débora Giorgi ressaltou que a medida "não significa que não se possa importar."
Nova lista de restrições deve reduzir vendas do Brasil para a Argentina
Marta Watanabe | De São Paulo
Valor Econômico, 17/02/2011
Débora Giorgi, ministra da Indústria da Argentina: intenção é proteger o mercado argentino da concorrência desleal
A ampliação de 400 para 600 itens na lista de produtos submetidos à licença prévia de importação pela Argentina pegou de surpresa importantes segmentos exportadores brasileiros. Divulgada às vésperas de reuniões bilaterais entre Brasil e Argentina, que serão realizadas hoje e amanhã, a lista com os 200 novos produtos sujeitos à restrição inclui desde automóveis de luxo, motocicletas, autopeças e acessórios, a máquinas de lavar roupa, ventiladores, celulares, computadores, laptops e produtos químicos e vidros.
"A nova medida argentina deve afetar 50% das exportações brasileiras do setor para a Argentina", diz Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Ele lembra que as restrições agora alcançam celulares e microcomputadores, dois itens que são muito comprados pelos argentinos.
Para Barbato, o resultado será a redução das exportações ao país vizinho. No ano passado, diz, as vendas para os argentinos no segmento elétrico e eletrônico somaram US$ 2,2 bilhões, com crescimento de 12,8% em relação ao ano anterior. Itens como monitores de vídeo, porém, que já estavam na lista anterior de exigência de licença prévia, tiveram redução de 53% nas vendas. Houve também queda de 27% nas exportações brasileiras à Argentina no ano passado. Com a ampliação da restrição também para os celulares, Barbato acredita em nova redução das vendas do produto aos argentinos.
O presidente da Abinee lembra que a medida deve desestimular ainda mais a fabricação de celulares no Brasil. "As regras do jogo não são respeitadas, o que está fazendo as indústrias se mudarem para a Terra do Fogo."
"Recebemos com surpresa a notícia ontem à noite", diz Antonio Carlos Meduna, que tem acompanhado as negociações bilaterais pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Ele lembra que a agenda de reuniões entre os dois países inclui encontros hoje e amanhã para tratar de questões do setor automotivo. A expectativa, conta, era discutir nas reuniões restrições de comércio para alguns componentes, como sistemas de embreagem e freios, por exemplo. A medida argentina, porém, acabou criando restrições adicionais com a extensão da licença prévia para vários produtos do setor.
Meduna diz que o Sindipeças ainda não levantou a representatividade da nova lista no total exportado pelo setor aos argentinos, mas diz que a diversidade é grande. Segundo ele, a restrição atinge não apenas os grandes sistemistas, mas também os fabricantes das chamadas "commodities" do setor, com peças menores como pistões e anéis. Um dos receios, diz, é de que os fabricantes brasileiros de autopeças percam espaço no mercado de reposição de peças argentino. As montadoras, lembra, terão maior facilidade para importação não só para a fabricação de veículos como também para venda no mercado de reposição. Com a imposição da licença prévia, que causa atrasos no desembaraço das mercadorias, há risco de desabastecimento no mercado argentino, o que fará os consumidores adquirirem peças de reposição nas concessionárias. Para Meduna, as medidas argentinas aumentam as expectativas em relação à reunião, que deverá ser a primeira do governo Dilma, num ambiente de mercado aquecido tanto no Brasil quanto no país vizinho.
Domingos Mosca, coordenador da área internacional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), acredita que a nova restrição divulgada às vésperas da reunião é um sinalizador de que a Argentina continuará dura para as negociações bilaterais. Para Mosca, o Brasil deveria mudar sua estratégia de negociação com o país vizinho. "Em vez de negociar licença por licença e produto a produto, no varejo, é preciso tentar negociar o assunto como um todo, de acordo com as normas do comércio internacional."
Segundo a Abit, a ampliação da lista de licença prévia atinge US$ 24 milhões dos US 392 milhões exportados do Brasil aos argentinos no ano passado, com a inclusão de tecidos e fios, principalmente. Com a nova listagem, o segmento fica com 230 produtos têxteis e confeccionados sob o regime de licenciamento não automático.
Wikileaks: Brasil-Colombia-EUA: entre dois imperios...
Wikileaks: Colômbia reclamou com EUA do `espírito imperialista brasileiro`
UOL, Thu, 17 Feb 2011 11:11:33 -0200
Em 15 de dezembro de 2004, entre as 17h30 e 18h (15h30 e 16h em Brasília), o então presidente colombiano Álvaro Uribe participou de uma reunião de alto nível no palácio presidencial com o então subsecretário-adjunto do Departamento de Estado dos Estados Unidos para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Charles Shapiro, o subsecretário-adjunto para o combate às drogas Jonathan Farrar e o embaixador norte-americano em Bogotá, William B. Wood, além do diretor de temas andinos, David Henifin.
O fato é relatado em um dos documentos obtidos pelo Wikileaks aos quais esta repórter teve acesso. São despachos da diplomacia norte-americana que tratam das relações entre o Brasil e outros países sul-americanos. Em vários deles, a resistência de algumas nações em relação à influência brasileira é evidente, embora também haja quem a veja com bons olhos e como contraponto aos EUA.
Na época da reunião, Uribe estava há dois anos no cargo e empreendia a política que chamou de “segurança democrática”, para combater os grupos armados que atuam no país. A política, abertamente apoiada pelos EUA, fortaleceu o Exército do país e liberou estradas colombianas antes controladas pelas guerrilhas, empurrando os combatentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) para as montanhas.
O principal tema da reunião foi a ajuda norte-americana na luta contra as FARC. Uribe afirmou, na reunião, que os grupos armados não poderiam resistir mais que cinco anos à pressão militar. O presidente colombiano também se queixou de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. A certa altura a conversa chegou ao Brasil.
“Uribe disse que a sua relação com [o então presidente] Lula é complicada pelos esforços de Lula em construir uma aliança anti-EUA na América Latina”, relata o documento. Em seguida, Uribe afirma que o Brasil teria pretensões imperialistas: “Lula é mais prático e inteligente que Chávez, mas é levado pelo seu passado de esquerda e o ‘espírito imperial’ brasileiro a se opor aos EUA”.
O ex-presidente colombiano disse ter pouca influência sobre Lula ou Chávez porque eles o veriam como um amigo dos EUA. Mesmo assim, afirmou que continuaria a pressionar Chávez a tomar ações contra narcotraficantes. Afirmou ainda que Lula não cumpriu suas promessas de lutar contra o narcotráfico.
Conselho de Defesa Sul-Americano
Essa não foi a única vez que o alto escalão do governo colombiano reclamou do Brasil com diplomatas norte-americanos. Outro despacho, datado de 9 de maio de 2008, revela a desconfiança do ex-ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos (presidente da Colômbia desde junho de 2010) em relação à proposta de criação do Conselho de Defesa Sulamericano (CDS), defendida pelo Brasil.
UOL, Thu, 17 Feb 2011 11:11:33 -0200
Em 15 de dezembro de 2004, entre as 17h30 e 18h (15h30 e 16h em Brasília), o então presidente colombiano Álvaro Uribe participou de uma reunião de alto nível no palácio presidencial com o então subsecretário-adjunto do Departamento de Estado dos Estados Unidos para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Charles Shapiro, o subsecretário-adjunto para o combate às drogas Jonathan Farrar e o embaixador norte-americano em Bogotá, William B. Wood, além do diretor de temas andinos, David Henifin.
O fato é relatado em um dos documentos obtidos pelo Wikileaks aos quais esta repórter teve acesso. São despachos da diplomacia norte-americana que tratam das relações entre o Brasil e outros países sul-americanos. Em vários deles, a resistência de algumas nações em relação à influência brasileira é evidente, embora também haja quem a veja com bons olhos e como contraponto aos EUA.
Na época da reunião, Uribe estava há dois anos no cargo e empreendia a política que chamou de “segurança democrática”, para combater os grupos armados que atuam no país. A política, abertamente apoiada pelos EUA, fortaleceu o Exército do país e liberou estradas colombianas antes controladas pelas guerrilhas, empurrando os combatentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) para as montanhas.
O principal tema da reunião foi a ajuda norte-americana na luta contra as FARC. Uribe afirmou, na reunião, que os grupos armados não poderiam resistir mais que cinco anos à pressão militar. O presidente colombiano também se queixou de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. A certa altura a conversa chegou ao Brasil.
“Uribe disse que a sua relação com [o então presidente] Lula é complicada pelos esforços de Lula em construir uma aliança anti-EUA na América Latina”, relata o documento. Em seguida, Uribe afirma que o Brasil teria pretensões imperialistas: “Lula é mais prático e inteligente que Chávez, mas é levado pelo seu passado de esquerda e o ‘espírito imperial’ brasileiro a se opor aos EUA”.
O ex-presidente colombiano disse ter pouca influência sobre Lula ou Chávez porque eles o veriam como um amigo dos EUA. Mesmo assim, afirmou que continuaria a pressionar Chávez a tomar ações contra narcotraficantes. Afirmou ainda que Lula não cumpriu suas promessas de lutar contra o narcotráfico.
Conselho de Defesa Sul-Americano
Essa não foi a única vez que o alto escalão do governo colombiano reclamou do Brasil com diplomatas norte-americanos. Outro despacho, datado de 9 de maio de 2008, revela a desconfiança do ex-ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos (presidente da Colômbia desde junho de 2010) em relação à proposta de criação do Conselho de Defesa Sulamericano (CDS), defendida pelo Brasil.
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Noticias do Imperio: nem tudo sao mas noticias...
Pois é, nem tudo está perdido no império, como prova esta estudo da consultoria McKinsey, que revela números otimistas quanto ao progresso da produtividade, e portanto do crescimento e inovação na economia americana, bem mais do que várias outras economias do mundo.
Blueprint for a Renewed U.S. Economy
An exclusive preview of results from the McKinsey Global Institute study.
BY MCKINSEY GLOBAL INSTITUTE | FEBRUARY 16, 2011
Se trata de uma série de quadros, que cabe visualizar neste link.
Também se pode ver que, perto dos EUA e da China, a UE e o Japão têm de fazer muito mais esforços para retomar o crescimento econômico e da produtividade.
Mas seria preciso melhorar a infra-estrutura. Aliás, o Brasil deve estar nos últimos lugares nessa área...
Vocês têm alguma reclamação quanto ao serviço de internet banda larga?
Pois é, o Brasil nem aparece nas comparações internacionais, e nem é por falta de graça...
Viajando pelo mundo, ou olhando esse tipo de informação, tomamos consciência de como estamos atrasados ainda.
Em alguns setores, o atraso é justificável e fazemos força para avançar.
Em outros, como educação, por exemplo, o fato é que estamos andando para trás...
Não deixem de dormir por isso, ou talvez sim: durmam menos e estudem mais...
Paulo Roberto de Almeida
Blueprint for a Renewed U.S. Economy
An exclusive preview of results from the McKinsey Global Institute study.
BY MCKINSEY GLOBAL INSTITUTE | FEBRUARY 16, 2011
Se trata de uma série de quadros, que cabe visualizar neste link.
Também se pode ver que, perto dos EUA e da China, a UE e o Japão têm de fazer muito mais esforços para retomar o crescimento econômico e da produtividade.
Mas seria preciso melhorar a infra-estrutura. Aliás, o Brasil deve estar nos últimos lugares nessa área...
Vocês têm alguma reclamação quanto ao serviço de internet banda larga?
Pois é, o Brasil nem aparece nas comparações internacionais, e nem é por falta de graça...
Viajando pelo mundo, ou olhando esse tipo de informação, tomamos consciência de como estamos atrasados ainda.
Em alguns setores, o atraso é justificável e fazemos força para avançar.
Em outros, como educação, por exemplo, o fato é que estamos andando para trás...
Não deixem de dormir por isso, ou talvez sim: durmam menos e estudem mais...
Paulo Roberto de Almeida
Noticias do Imperio: ficando parecido com o Brasil...
Bem, parecido é um exagero, pois eles ainda não conseguiram ter um Congresso como o nosso (embora eles tenham tantos caipiras quanto temos aqui), e ainda não conseguiram alcançar nossos níveis de corrupção, esses verdadeiramente inigualáveis.
Mas, quanto a dívida pública e comprometimento de recursos orçamentários com o seu serviço, ou seja, pagamento de juros sobre o montante assustador da dívida, aí sim, o Império se aproxima perigosamente do Brasil.
Leiam a importante matéria abaixo.
Paulo Roberto de Almeida
Obama budget plan shows interest owed on national debt quadrupling in next decade
By Steven Mufson
Washington Post Staff Writer
Thursday, February 17, 2011; 1:59 AM
Interest payments on the national debt will quadruple in the next decade and every man, woman and child in the United States will be paying more than $2,500 a year to cover for the nation's past profligacy, according to figures in President Obama's new budget plan.
Starting in 2014, net interest payments will surpass the amount spent on education, transportation, energy and all other discretionary programs outside defense. In 2018, they will outstrip Medicare spending. Only the amounts spent on defense and Social Security would remain bigger under the president's plan.
The soaring bill for interest payments is one of the biggest obstacles to balancing the federal budget, pushing the White House and Congress to come up with cuts deeper than previously imagined. Unlike with discretionary spending or even entitlement programs, the line item for interest payments cannot be altered except through other budget cuts.
The phenomenon is a bit like running up the down escalator. Without interest payments, the president's plan would balance the budget by 2017. But net interest payments that year are expected to reach $627 billion, up from $207 billion in the current fiscal year.
"This goes to the heart of why we have to address our fiscal problems," said Mark Zandi, co-founder and chief economist at Moody's Economy.com. "If we don't, we're going to get swamped by our interest payments."
Benjamin Friedman, a Harvard economic professor and author of "Day of Reckoning," about U.S. economic policy, said, "I think it's a reminder that we have a very serious problem and that the budget that's on the table does not address that problem."
Even with the cuts in Obama's budget, relief would not come until 2021, when the deficit as a percentage of gross domestic product would stop rising and plateau at 3.4 percent.
The explosion of interest payments comes from a double whammy of economic factors. First, the nation's debt is growing faster than the economy. Second, interest rates are rising. Over the next decade, net interest payments will amount to nearly 80 percent of the debt added, an indication of how past borrowing is forcing the country deeper into debt.
"We're running a gigantic deficit, and we're not growing very fast," said Kenneth Rogoff, an economics professor at Harvard University and former chief economist at the International Monetary Fund. "We're on a dramatically unsustainable path."
The Obama administration's latest forecasts starkly illustrate the phenomenon of generation shifting, moving today's costs to future taxpayers. The borrowing the United States did over the past decade - to pay for the 2001 tax cut, the wars in Iraq and Afghanistan, and propping up the economy during the steep 2009 downturn - is coming due this decade.
As bad as the outlook is in the Obama budget proposal for fiscal year 2012, it could get worse. So far, interest payments have been relatively low because of the willingness of global investors to lend the U.S. government money at abnormally low interest rates. But that could change.
"The scary scenario - which I am not predicting but is a real possibility - is an incident of capital flight, where investors lose confidence in the U.S., causing interest rates to rise precipitously and pushing the budget deficit even further into the red," said N. Gregory Mankiw, a Harvard economics professor and former chairman of President George W. Bush's Council of Economic Advisers.
The Obama budget's assumptions include a substantial increase in rates. It predicts that the interest rate on 10-year Treasury notes will climb from 3 percent this year to 3.6 percent next year. It forecasts rates of 5 percent by 2015 and 5.3 percent at the end of the decade.
Short-term rates will rise even more sharply, from nearly zero now to 4 percent by 2015 in the Office of Management and Budget assumptions.
Rogoff calls the administration's forecast "reasonable," but he warns that the actual number is hard to know with any certainty.
"The basic issue is that when you hold a lot of debt you're vulnerable to shifts in sentiment and sharp rises in the interest rates," Rogoff said.
He said that combined federal, state and municipal debt in the United States is at a record high, beyond the famous post-World War II levels. Unlike interest payments made then, however, a huge portion of interest payments are flowing to investors in other countries, draining funds out of the U.S. economy. (There are other interest payments made to the Social Security fund, but because they shift money from one pocket of the government to another, they are not counted in the net interest numbers.)
Some positive developments could ease the interest payment crisis, including faster-than-expected economic recovery, higher-than-expected tax receipts and lower-than-expected government borrowing rates.
Ultimately, Rogoff said, the federal government should aim to reduce the amount of debt as a percentage of GDP. But for now, the U.S. government is still borrowing just to meet the interest payments on earlier borrowing.
"We are in a self-reinforcing, vicious cycle," Zandi said.
He compared the United States to European nations such as Greece or Portugal, or developing nations that in the past have received bailouts from the European Central Bank or the IMF.
"But there's no one we can get help from," Zandi said, noting that no economy is bigger than the U.S. economy. "There's no sugar daddy out there for us."
Mas, quanto a dívida pública e comprometimento de recursos orçamentários com o seu serviço, ou seja, pagamento de juros sobre o montante assustador da dívida, aí sim, o Império se aproxima perigosamente do Brasil.
Leiam a importante matéria abaixo.
Paulo Roberto de Almeida
Obama budget plan shows interest owed on national debt quadrupling in next decade
By Steven Mufson
Washington Post Staff Writer
Thursday, February 17, 2011; 1:59 AM
Interest payments on the national debt will quadruple in the next decade and every man, woman and child in the United States will be paying more than $2,500 a year to cover for the nation's past profligacy, according to figures in President Obama's new budget plan.
Starting in 2014, net interest payments will surpass the amount spent on education, transportation, energy and all other discretionary programs outside defense. In 2018, they will outstrip Medicare spending. Only the amounts spent on defense and Social Security would remain bigger under the president's plan.
The soaring bill for interest payments is one of the biggest obstacles to balancing the federal budget, pushing the White House and Congress to come up with cuts deeper than previously imagined. Unlike with discretionary spending or even entitlement programs, the line item for interest payments cannot be altered except through other budget cuts.
The phenomenon is a bit like running up the down escalator. Without interest payments, the president's plan would balance the budget by 2017. But net interest payments that year are expected to reach $627 billion, up from $207 billion in the current fiscal year.
"This goes to the heart of why we have to address our fiscal problems," said Mark Zandi, co-founder and chief economist at Moody's Economy.com. "If we don't, we're going to get swamped by our interest payments."
Benjamin Friedman, a Harvard economic professor and author of "Day of Reckoning," about U.S. economic policy, said, "I think it's a reminder that we have a very serious problem and that the budget that's on the table does not address that problem."
Even with the cuts in Obama's budget, relief would not come until 2021, when the deficit as a percentage of gross domestic product would stop rising and plateau at 3.4 percent.
The explosion of interest payments comes from a double whammy of economic factors. First, the nation's debt is growing faster than the economy. Second, interest rates are rising. Over the next decade, net interest payments will amount to nearly 80 percent of the debt added, an indication of how past borrowing is forcing the country deeper into debt.
"We're running a gigantic deficit, and we're not growing very fast," said Kenneth Rogoff, an economics professor at Harvard University and former chief economist at the International Monetary Fund. "We're on a dramatically unsustainable path."
The Obama administration's latest forecasts starkly illustrate the phenomenon of generation shifting, moving today's costs to future taxpayers. The borrowing the United States did over the past decade - to pay for the 2001 tax cut, the wars in Iraq and Afghanistan, and propping up the economy during the steep 2009 downturn - is coming due this decade.
As bad as the outlook is in the Obama budget proposal for fiscal year 2012, it could get worse. So far, interest payments have been relatively low because of the willingness of global investors to lend the U.S. government money at abnormally low interest rates. But that could change.
"The scary scenario - which I am not predicting but is a real possibility - is an incident of capital flight, where investors lose confidence in the U.S., causing interest rates to rise precipitously and pushing the budget deficit even further into the red," said N. Gregory Mankiw, a Harvard economics professor and former chairman of President George W. Bush's Council of Economic Advisers.
The Obama budget's assumptions include a substantial increase in rates. It predicts that the interest rate on 10-year Treasury notes will climb from 3 percent this year to 3.6 percent next year. It forecasts rates of 5 percent by 2015 and 5.3 percent at the end of the decade.
Short-term rates will rise even more sharply, from nearly zero now to 4 percent by 2015 in the Office of Management and Budget assumptions.
Rogoff calls the administration's forecast "reasonable," but he warns that the actual number is hard to know with any certainty.
"The basic issue is that when you hold a lot of debt you're vulnerable to shifts in sentiment and sharp rises in the interest rates," Rogoff said.
He said that combined federal, state and municipal debt in the United States is at a record high, beyond the famous post-World War II levels. Unlike interest payments made then, however, a huge portion of interest payments are flowing to investors in other countries, draining funds out of the U.S. economy. (There are other interest payments made to the Social Security fund, but because they shift money from one pocket of the government to another, they are not counted in the net interest numbers.)
Some positive developments could ease the interest payment crisis, including faster-than-expected economic recovery, higher-than-expected tax receipts and lower-than-expected government borrowing rates.
Ultimately, Rogoff said, the federal government should aim to reduce the amount of debt as a percentage of GDP. But for now, the U.S. government is still borrowing just to meet the interest payments on earlier borrowing.
"We are in a self-reinforcing, vicious cycle," Zandi said.
He compared the United States to European nations such as Greece or Portugal, or developing nations that in the past have received bailouts from the European Central Bank or the IMF.
"But there's no one we can get help from," Zandi said, noting that no economy is bigger than the U.S. economy. "There's no sugar daddy out there for us."
Google e censura no Brasil: uma retificação importante
Agradeço ao leitor e comentarista Fernando Marés de Souza, responsável por um excelente blog chamado Roteiro de Cinema News, pela retificação importante e qualificação necessária, que fez em relação a este meu post:
Google: minha solidariedade, meu protesto contra a censura (16/02/2011)
Abaixo, seu post que desmente as informações alarmistas, e recomendo sua leitura na fonte, por inteiro, com gráficos, tabelas e quadros reproduzindo as principais matérias a respeito.
Só posso chegar a uma conclusão evidente: não podemos mais confiar sequer nos grandes jornais para uma informação correta sobre questões importantes.
Ceticismo sadio, portanto.
Paulo Roberto de Almeida
A VERDADE SOBRE O GOOGLE E A SUPOSTA CENSURA DE NOTÍCIAS NO BRASIL
Roteiro de Cinema News - Fernando Marés de Souza
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
O Estado de São Paulo, a Veja, incluindo o blog do Reinaldo Azevedo, e a Exame noticiaram hoje que o Brasil “é recordista de notícias censuradas no Google”, que o "Google foi obrigado por autoridades brasileiras a tirar do ar 398 textos jornalísticos". Os veículos apresentam como fato que "398 matérias" foram deletadas dos servidores Google por ordem das “autoridades”. Seria um fato escandaloso se fosse verdade, mas não é.
Por motivos que não compreendo, os grandes veículos de imprensa online não “linkam” suas fontes, não permitem que o leitor vá direto ao dado original para checar por si mesmo e para que possa interpretá-lo e inclusive levar adiante novas abordagens, como é o costume entre blogueiros independentes. Porém, fazendo uma pesquisa rápida, um "fact-check" de rotina, facilmente se descobre que o “fato” noticiado pelos três veículos - e por mais de cinqüenta outros veículos que foram na onda dos três - não é verdadeiro.
UPDATE: Depois de ler as informações publicadas aqui, o jornalista Gabriel Manzano corrigiu parcialmente a informação equivocada do Estadão sobre Google e suposta Censura de Notícias no Brasil. Veja, Reinaldo e Exame ainda não. Mesmo corrigindo a matéria, creio que não tenha sido eficiente. Notas ao final.
UPDATE 2: O jornalismo brazuca online, do "gillette press", do "ctrl C + ctrl V", das "matérias kibadas", foi todo na onda do Manzano e os veículos publicando desinformação e fatos não verdadeiros sobre "notícias censuradas no google" já se pode contar às dezenas, no mínimo 59, incluindo G1, UOL, Zero Hora, Portal Imprensa - clientes da Agência Estado - Coletiva Net, Folha de Ibitinga, Rio News, Comunique-se, entre outras, procure no Google News "censura + google".
UPDATE 3: Veja não reconhece publicamente que disseminou informação não verdadeira mas altera texto para versão mais próxima ao texto revisado do Estadão. Considero falta de ética da Editora Abril não publicar nota de esclarecimento sobre as informações equivocadas que publicou no site durante horas e lançou no Twitter, mensagem que foi retuitada por centenas de pessoas, como documentado nesta matéria.
O dado reportado é supostamente baseado em relatório elaborado pelo argentino Carlos Lauria, do Committee to Protect Journalists - que não fala em 398 "matérias jornalísticas", e sim "content" - informação que por sua vez é baseada em relatório do próprio Google, que pode ser facilmente acessada e “linkada” pela URL: http://www.google.com/transparencyreport/governmentrequests/?p=2010-06&r=BR&t=DETAIL
Pois bem, abaixo está o screenshot do relatório. Segundo os dados publicados pelo Google nenhuma “notícia” ou "matéria" foi censurada ou retirada do site (Google News = 0), o número expressivo de 398 pedidos de remoção de conteúdo dos servidores Google é formado por páginas do Orkut (99 pedidos de remoção por ordens judiciais e 220 extra judiciais, num total de 319), vídeos do Youtube (47 pedidos no total), fotos do Picasa (1 pedido), etc. As remoções são baseadas na legislação brasileira de direito de propriedade intelectual, de privacidade e/ou de personalidade. Nada tem a ver com censura, como bradam os jornalistas desinformados.
(ler a integra neste link)
Google: minha solidariedade, meu protesto contra a censura (16/02/2011)
Abaixo, seu post que desmente as informações alarmistas, e recomendo sua leitura na fonte, por inteiro, com gráficos, tabelas e quadros reproduzindo as principais matérias a respeito.
Só posso chegar a uma conclusão evidente: não podemos mais confiar sequer nos grandes jornais para uma informação correta sobre questões importantes.
Ceticismo sadio, portanto.
Paulo Roberto de Almeida
A VERDADE SOBRE O GOOGLE E A SUPOSTA CENSURA DE NOTÍCIAS NO BRASIL
Roteiro de Cinema News - Fernando Marés de Souza
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
O Estado de São Paulo, a Veja, incluindo o blog do Reinaldo Azevedo, e a Exame noticiaram hoje que o Brasil “é recordista de notícias censuradas no Google”, que o "Google foi obrigado por autoridades brasileiras a tirar do ar 398 textos jornalísticos". Os veículos apresentam como fato que "398 matérias" foram deletadas dos servidores Google por ordem das “autoridades”. Seria um fato escandaloso se fosse verdade, mas não é.
Por motivos que não compreendo, os grandes veículos de imprensa online não “linkam” suas fontes, não permitem que o leitor vá direto ao dado original para checar por si mesmo e para que possa interpretá-lo e inclusive levar adiante novas abordagens, como é o costume entre blogueiros independentes. Porém, fazendo uma pesquisa rápida, um "fact-check" de rotina, facilmente se descobre que o “fato” noticiado pelos três veículos - e por mais de cinqüenta outros veículos que foram na onda dos três - não é verdadeiro.
UPDATE: Depois de ler as informações publicadas aqui, o jornalista Gabriel Manzano corrigiu parcialmente a informação equivocada do Estadão sobre Google e suposta Censura de Notícias no Brasil. Veja, Reinaldo e Exame ainda não. Mesmo corrigindo a matéria, creio que não tenha sido eficiente. Notas ao final.
UPDATE 2: O jornalismo brazuca online, do "gillette press", do "ctrl C + ctrl V", das "matérias kibadas", foi todo na onda do Manzano e os veículos publicando desinformação e fatos não verdadeiros sobre "notícias censuradas no google" já se pode contar às dezenas, no mínimo 59, incluindo G1, UOL, Zero Hora, Portal Imprensa - clientes da Agência Estado - Coletiva Net, Folha de Ibitinga, Rio News, Comunique-se, entre outras, procure no Google News "censura + google".
UPDATE 3: Veja não reconhece publicamente que disseminou informação não verdadeira mas altera texto para versão mais próxima ao texto revisado do Estadão. Considero falta de ética da Editora Abril não publicar nota de esclarecimento sobre as informações equivocadas que publicou no site durante horas e lançou no Twitter, mensagem que foi retuitada por centenas de pessoas, como documentado nesta matéria.
O dado reportado é supostamente baseado em relatório elaborado pelo argentino Carlos Lauria, do Committee to Protect Journalists - que não fala em 398 "matérias jornalísticas", e sim "content" - informação que por sua vez é baseada em relatório do próprio Google, que pode ser facilmente acessada e “linkada” pela URL: http://www.google.com/transparencyreport/governmentrequests/?p=2010-06&r=BR&t=DETAIL
Pois bem, abaixo está o screenshot do relatório. Segundo os dados publicados pelo Google nenhuma “notícia” ou "matéria" foi censurada ou retirada do site (Google News = 0), o número expressivo de 398 pedidos de remoção de conteúdo dos servidores Google é formado por páginas do Orkut (99 pedidos de remoção por ordens judiciais e 220 extra judiciais, num total de 319), vídeos do Youtube (47 pedidos no total), fotos do Picasa (1 pedido), etc. As remoções são baseadas na legislação brasileira de direito de propriedade intelectual, de privacidade e/ou de personalidade. Nada tem a ver com censura, como bradam os jornalistas desinformados.
(ler a integra neste link)
Politica externa: mudancas na continuidade... Entrevista Manuel Sanches
Entrevista:
Manuel Sanchez: Política externa brasileira
Global 21, 16/02/2011
Manuel Sanchez: O entrevistado tem uma leitura de rara objetividade acerca da política externa brasileira, na qual aponta os prováveis caminhos que o Brasil irá trilhar na gestão Dilma Rousseff.
Global 21- Em recente notícia veiculada pelo Jornal do Brasil a afirmação de que "Discurso do Itamaraty é dos anos 60" é atribuída ao senhor. Em que sentido? Isto se refere aos atores da cúpula do MRE?
Manuel Sanches - Na verdade, o que eu disse foi que o Itamaraty, desde o final da Segunda Grande Guerra, tenta transformar o Brasil em uma potência regional, fato que vem conseguindo, diga-se de passagem. O Brasil foi o único país da América do Sul a enviar tropas para lutar na Europa, o que já era um indício de que tinha condições militares para ser uma potência regional. A entrada do Brasil na guerra ao lado dos aliados foi o resultado de muita negociação e o Itamaraty teve um papel importante na decisão final.
No corpo da notícia isto ficou claro, mas o título passou a impressão de que havia uma crítica genérica quanto a política atual do Itamaraty. A minha crítica não foi genérica, mas específica ao fato da posição dominante durante o governo Lula ter sido pouco prática e de resistência a maiores e melhores relações com a ALCA.
G21 - A ideologização da política de relações exteriores do governo Lula se perpetuará fazendo com que a ALCA permaneça em banho-maria?
MS - Com esta sua pergunta voltamos ao ponto básico. A política externa durante o governo Lula foi demasiadamente ideologizada, mas tudo indica que no governo Dilma a posição será mais técnica. Com isso, pode-se esperar que a questão da ALCA reapareça tanto no cenário diplomático como no cenário do comércio exterior, particularmente no comércio de produtos agrícolas.
G21- No seu entender as relações comerciais e políticas do Itamaraty permanecerão focadas nas relações sul - sul ou os atuais dirigentes terão a flexibilidade necessária para retomarem as relações norte-sul?
MS - Acredito que as perspectivas são de mudança. A própria escolha do Ministro Patriota já foi um sinal do novo governo de que o Itamaraty voltaria a ter uma posição mais técnica, tanto do ponto de vista político como do ponto de vista comercial, onde, neste último caso, o Itamaraty dever ter um papel coadjuvante em relação aos ministérios do setor produtivo.
Sempre existe uma relação entre a diplomacia e o comércio. Dizer-se que o comércio deve determinar a diplomacia ou ao contrario que a diplomacia deve determinar o comércio é uma visão estreita. As relações entre nações são sempre mais complexas e envolvem, além dos dois setores citados, a cultura, a língua, a história e a tecnologia.
As relações sul-norte não são apenas reflexos de uma dependência política, mas são também resultado de uma história que não pode ser apagada. Estas relações se manterão fortes nas próximas décadas, ainda que as relações sul-sul também possam e devam crescer. A crise iniciada em 2008 prejudicou um pouco as relações comerciais com os Estados Unidos e com a Europa mais isto deveu-se a uma menor capacidade de compra por parte de nossos parceiros.
G21 - Qual a leitura que o senhor faz acerca da vinda do presidente Obama e de seus principais assessores econômicos e políticos ao Brasil?
MS - Os americanos podem voltar a falar sobre a Alca, e certamente procurarão retomar um comércio mais intenso com o Brasil. O nosso país, por outro lado, não pode imaginar substituir o mercado americano ou europeu, pelo chinês, ou pelo cone sul. Primeiro porque o mercado americano é muito amplo e quando o consumo voltar a se aquecer será impossível conter as nossas exportações. Segundo porque, em relação à China, a América está mais próxima e os custos de transportes vão pesar favoravelmente para o comércio com os EUA.
O mesmo se pode dizer com relação à Europa. Quanto ao Cone Sul, especialmente a Argentina, este é o mercado próximo. Mas o mercado americano, quando aquecido, é mais forte. E também porque as relações comerciais com os EUA são históricas, os empresários se sentem mais seguros, não temem nenhuma reviravolta política ou econômica. Nos países do Cone Sul nunca se sabe. A morte de um líder, uma crise econômica, tudo pode resultar em um protecionismo prejudicial às relações comerciais internacionais.
O interesse de uma maior relação entre Brasil e Estados Unidos existe dos dois lados. Por isto, é claro que o Presidente Obama vai expressar os interesses dos empresários americanos em ampliar nossas relações comerciais, interesse que, como em toda a relação comercial, também existe do nosso lado.
G21 - A política comercial brasileira deverá permanecer capitaneada pelo Ministério de Relações Exteriores?
MS - Não acredito. O Ministério de Relações Exteriores tem uma missão mais nobre, digamos assim, uma missão de médio e longo prazo. E o corpo diplomático do Itamaraty sabe disso. Eles não querem ser comerciantes e sabem que a ação do Ministério, no caso comercial, é mais como coadjuvante e de definição de linhas de longo prazo.
Esta presença forte do Itamaraty na atividade comercial durante o governo Lula diminuiu de alguma maneira a missão da diplomacia. Devido à ideologização que ocorreu, é possível que os diplomatas tenham sofrido baixas que não sofreriam se atuassem dentro de suas linhas clássicas. Por exemplo, o desejo brasileiro de participar do Conselho de Segurança da ONU, trabalho que o Itamaraty desenvolve há décadas sofreu com o apoio dado ao Iran. E não acredito que tenhamos tido nenhum benefício comercial com os países árabes pelo fato de termos apoiado o Iran.
Também não acho que os ministérios da área de produção devam supor que podem direcionar a diplomacia brasileira. Seria muita presunção e os diplomatas são muito ciosos de suas funções. Agora, como parece que o Itamaraty volta àquilo que sempre fez e quis, os produtores e exportadores brasileiros vão poder aproveitar para também cumprir o seu papel de buscar mercados, seja no Norte ou no Sul.
G21 - Na administração Dilma Roussef as políticas de relações exteriores tendem a ser mais pragmáticas do que ideológicas?
MS - Seguindo a mesma linha de raciocínio anterior, acho que a política de relações exteriores será mais pragmática, para ficarmos nesta oposição entre pragmatismo e ideologia.
Dito isto, devemos ressaltar que o pragmatismo também é uma ideologia. Por outro lado, quando se supera o pragmatismo e se olha a longo prazo, é possível ver melhores parceiros no futuro. Acho que esta é a postura quanto ao futuro é aquela que tanto Itamaraty como exportadores devem ter com relação aos mercados americanos e europeus, mercados que superarão a crise atual e voltarão a ser interessantes para os brasileiros.
* Manuel Sanches é Professor Adjunto de Ciência Política, Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo cursado o Mestrado em Administração Pública na John Kennedy School, em Harvard e o Curso de Doutorado em Planejamento em Cornell.
Manuel Sanchez: Política externa brasileira
Global 21, 16/02/2011
Manuel Sanchez: O entrevistado tem uma leitura de rara objetividade acerca da política externa brasileira, na qual aponta os prováveis caminhos que o Brasil irá trilhar na gestão Dilma Rousseff.
Global 21- Em recente notícia veiculada pelo Jornal do Brasil a afirmação de que "Discurso do Itamaraty é dos anos 60" é atribuída ao senhor. Em que sentido? Isto se refere aos atores da cúpula do MRE?
Manuel Sanches - Na verdade, o que eu disse foi que o Itamaraty, desde o final da Segunda Grande Guerra, tenta transformar o Brasil em uma potência regional, fato que vem conseguindo, diga-se de passagem. O Brasil foi o único país da América do Sul a enviar tropas para lutar na Europa, o que já era um indício de que tinha condições militares para ser uma potência regional. A entrada do Brasil na guerra ao lado dos aliados foi o resultado de muita negociação e o Itamaraty teve um papel importante na decisão final.
No corpo da notícia isto ficou claro, mas o título passou a impressão de que havia uma crítica genérica quanto a política atual do Itamaraty. A minha crítica não foi genérica, mas específica ao fato da posição dominante durante o governo Lula ter sido pouco prática e de resistência a maiores e melhores relações com a ALCA.
G21 - A ideologização da política de relações exteriores do governo Lula se perpetuará fazendo com que a ALCA permaneça em banho-maria?
MS - Com esta sua pergunta voltamos ao ponto básico. A política externa durante o governo Lula foi demasiadamente ideologizada, mas tudo indica que no governo Dilma a posição será mais técnica. Com isso, pode-se esperar que a questão da ALCA reapareça tanto no cenário diplomático como no cenário do comércio exterior, particularmente no comércio de produtos agrícolas.
G21- No seu entender as relações comerciais e políticas do Itamaraty permanecerão focadas nas relações sul - sul ou os atuais dirigentes terão a flexibilidade necessária para retomarem as relações norte-sul?
MS - Acredito que as perspectivas são de mudança. A própria escolha do Ministro Patriota já foi um sinal do novo governo de que o Itamaraty voltaria a ter uma posição mais técnica, tanto do ponto de vista político como do ponto de vista comercial, onde, neste último caso, o Itamaraty dever ter um papel coadjuvante em relação aos ministérios do setor produtivo.
Sempre existe uma relação entre a diplomacia e o comércio. Dizer-se que o comércio deve determinar a diplomacia ou ao contrario que a diplomacia deve determinar o comércio é uma visão estreita. As relações entre nações são sempre mais complexas e envolvem, além dos dois setores citados, a cultura, a língua, a história e a tecnologia.
As relações sul-norte não são apenas reflexos de uma dependência política, mas são também resultado de uma história que não pode ser apagada. Estas relações se manterão fortes nas próximas décadas, ainda que as relações sul-sul também possam e devam crescer. A crise iniciada em 2008 prejudicou um pouco as relações comerciais com os Estados Unidos e com a Europa mais isto deveu-se a uma menor capacidade de compra por parte de nossos parceiros.
G21 - Qual a leitura que o senhor faz acerca da vinda do presidente Obama e de seus principais assessores econômicos e políticos ao Brasil?
MS - Os americanos podem voltar a falar sobre a Alca, e certamente procurarão retomar um comércio mais intenso com o Brasil. O nosso país, por outro lado, não pode imaginar substituir o mercado americano ou europeu, pelo chinês, ou pelo cone sul. Primeiro porque o mercado americano é muito amplo e quando o consumo voltar a se aquecer será impossível conter as nossas exportações. Segundo porque, em relação à China, a América está mais próxima e os custos de transportes vão pesar favoravelmente para o comércio com os EUA.
O mesmo se pode dizer com relação à Europa. Quanto ao Cone Sul, especialmente a Argentina, este é o mercado próximo. Mas o mercado americano, quando aquecido, é mais forte. E também porque as relações comerciais com os EUA são históricas, os empresários se sentem mais seguros, não temem nenhuma reviravolta política ou econômica. Nos países do Cone Sul nunca se sabe. A morte de um líder, uma crise econômica, tudo pode resultar em um protecionismo prejudicial às relações comerciais internacionais.
O interesse de uma maior relação entre Brasil e Estados Unidos existe dos dois lados. Por isto, é claro que o Presidente Obama vai expressar os interesses dos empresários americanos em ampliar nossas relações comerciais, interesse que, como em toda a relação comercial, também existe do nosso lado.
G21 - A política comercial brasileira deverá permanecer capitaneada pelo Ministério de Relações Exteriores?
MS - Não acredito. O Ministério de Relações Exteriores tem uma missão mais nobre, digamos assim, uma missão de médio e longo prazo. E o corpo diplomático do Itamaraty sabe disso. Eles não querem ser comerciantes e sabem que a ação do Ministério, no caso comercial, é mais como coadjuvante e de definição de linhas de longo prazo.
Esta presença forte do Itamaraty na atividade comercial durante o governo Lula diminuiu de alguma maneira a missão da diplomacia. Devido à ideologização que ocorreu, é possível que os diplomatas tenham sofrido baixas que não sofreriam se atuassem dentro de suas linhas clássicas. Por exemplo, o desejo brasileiro de participar do Conselho de Segurança da ONU, trabalho que o Itamaraty desenvolve há décadas sofreu com o apoio dado ao Iran. E não acredito que tenhamos tido nenhum benefício comercial com os países árabes pelo fato de termos apoiado o Iran.
Também não acho que os ministérios da área de produção devam supor que podem direcionar a diplomacia brasileira. Seria muita presunção e os diplomatas são muito ciosos de suas funções. Agora, como parece que o Itamaraty volta àquilo que sempre fez e quis, os produtores e exportadores brasileiros vão poder aproveitar para também cumprir o seu papel de buscar mercados, seja no Norte ou no Sul.
G21 - Na administração Dilma Roussef as políticas de relações exteriores tendem a ser mais pragmáticas do que ideológicas?
MS - Seguindo a mesma linha de raciocínio anterior, acho que a política de relações exteriores será mais pragmática, para ficarmos nesta oposição entre pragmatismo e ideologia.
Dito isto, devemos ressaltar que o pragmatismo também é uma ideologia. Por outro lado, quando se supera o pragmatismo e se olha a longo prazo, é possível ver melhores parceiros no futuro. Acho que esta é a postura quanto ao futuro é aquela que tanto Itamaraty como exportadores devem ter com relação aos mercados americanos e europeus, mercados que superarão a crise atual e voltarão a ser interessantes para os brasileiros.
* Manuel Sanches é Professor Adjunto de Ciência Política, Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo cursado o Mestrado em Administração Pública na John Kennedy School, em Harvard e o Curso de Doutorado em Planejamento em Cornell.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Google: minha solidariedade, meu protesto contra a censura
A Google não precisa da minha solidariedade, claro, mas eu gostaria que existisse um instrumento constitucional que viabilizasse que essa companhia pudesse processar um juiz, e puni-lo pecuniariamente, frente a um Conselho de Justiça credível, por exemplo (não essa associação entre amigos que existe atualmente), cada vez que um desses censores togados violasse a Constituição proibindo a divulgação de notícias verdadeiras (não boatos).
Paulo Roberto de Almeida
Brasil bate recorde de censura ao Google
Gabriel Manzano
Estado de S.Paulo, 16/02/2011
Só na primeira metade do ano passado, o Google foi obrigado por autoridades brasileiras a tirar do ar 398 textos jornalísticos. Foi recorde mundial do período. O dobro do segundo da lista, a Líbia. O dado está no relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado ontem em São Paulo.
Além disso, nos dias finais da corrida eleitoral brasileira os juízes do País emitiram 21 ordens de censura, revela uma pesquisa do Centro Knight para o Jornalismo, do Texas (EUA). Muitas agências de notícias foram também multadas ou tiveram de remover conteúdos. “Esse quadro mostra que a censura e a autocensura, que vem junto, estão atingindo níveis muito sérios no Brasil”, resumiu Carlos Lauria, coordenador do CPJ, que veio ao Brasil apresentar o levantamento Ataques à Imprensa em 2010. Ele distribuiu ainda outro texto menor sobre a situação na América Latina, em encontro promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). “Nossos levantamentos apontam 44 jornalistas mortos em serviço e 145 presos, em todo o mundo, no ano passado”, resumiu.
A censura ao Estado, hoje em seu 565.º dia, é o destaque de abertura do levantamento sobre o continente. “É espantoso que, num país como o Brasil, um dos maiores jornais seja proibido de noticiar um grande escândalo, que envolve figuras políticas conhecidas. Não consigo imaginar o The Washington Post sendo proibido de publicar algo sobre um ex-presidente americano”, disse ele. Lauria vai a Brasília amanhã, onde se reunirá com autoridades do Planalto, da Secretaria das Comunicações e dos Direitos Humanos. A agenda inclui uma visita ao Supremo Tribunal Federal.
Artifício. Os levantamentos do comitê, nos cinco continentes, apontam um novo artifício dos governos para impedir o trabalho da imprensa: eles enquadram os jornalistas em crimes de outra ordem, como subversão ou atos contra o interesse nacional, nos quais as leis sobre imprensa não se aplicam. Isso tem ocorrido no Oriente Médio, no Casaquistão, na África.
Paulo Roberto de Almeida
Brasil bate recorde de censura ao Google
Gabriel Manzano
Estado de S.Paulo, 16/02/2011
Só na primeira metade do ano passado, o Google foi obrigado por autoridades brasileiras a tirar do ar 398 textos jornalísticos. Foi recorde mundial do período. O dobro do segundo da lista, a Líbia. O dado está no relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado ontem em São Paulo.
Além disso, nos dias finais da corrida eleitoral brasileira os juízes do País emitiram 21 ordens de censura, revela uma pesquisa do Centro Knight para o Jornalismo, do Texas (EUA). Muitas agências de notícias foram também multadas ou tiveram de remover conteúdos. “Esse quadro mostra que a censura e a autocensura, que vem junto, estão atingindo níveis muito sérios no Brasil”, resumiu Carlos Lauria, coordenador do CPJ, que veio ao Brasil apresentar o levantamento Ataques à Imprensa em 2010. Ele distribuiu ainda outro texto menor sobre a situação na América Latina, em encontro promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). “Nossos levantamentos apontam 44 jornalistas mortos em serviço e 145 presos, em todo o mundo, no ano passado”, resumiu.
A censura ao Estado, hoje em seu 565.º dia, é o destaque de abertura do levantamento sobre o continente. “É espantoso que, num país como o Brasil, um dos maiores jornais seja proibido de noticiar um grande escândalo, que envolve figuras políticas conhecidas. Não consigo imaginar o The Washington Post sendo proibido de publicar algo sobre um ex-presidente americano”, disse ele. Lauria vai a Brasília amanhã, onde se reunirá com autoridades do Planalto, da Secretaria das Comunicações e dos Direitos Humanos. A agenda inclui uma visita ao Supremo Tribunal Federal.
Artifício. Os levantamentos do comitê, nos cinco continentes, apontam um novo artifício dos governos para impedir o trabalho da imprensa: eles enquadram os jornalistas em crimes de outra ordem, como subversão ou atos contra o interesse nacional, nos quais as leis sobre imprensa não se aplicam. Isso tem ocorrido no Oriente Médio, no Casaquistão, na África.
Stanley Ho: so os muito ricos tem o privilegio de ter bandidos na propria familia...
Pois é, ainda bem que você, eu e a maior parte dos que nos lêem, não temos tanto dinheiro assim. Tem suas vantagens, claro, mas também pode ser perigoso...
Ho family feud takes new twist
Shanghai Daily, February 17, 2011
ASIAN casino magnate Stanley Ho has filed a new lawsuit in an attempt to get back a US$1.45 billion stake in his Macau gambling empire that he says was seized by members of his own family.
It's yet another twist in a family feud that erupted in late January over who will control Ho's interests in the world's biggest gambling market.
The 89-year-old Ho, who was hospitalized for seven months after reportedly undergoing brain surgery in August 2009, has 16 surviving children by four women he calls his wives. The ongoing drama highlights a power struggle among different branches of the family for control of his gambling business.
Ho's law firm said yesterday it had filed legal proceedings for a second time in Hong Kong's High Court. The first suit was withdrawn after Ho's relatives promised to try to negotiate an agreement.
The firm's senior partner, Gordon Oldham, told reporters that it went back to the courts again because no deal had been reached.
"Dr Ho is very annoyed, very disappointed that in spite of two weeks of discussion between the four families, no resolution has been brought to him," he said.
The firm said that Pansy and Daisy Ho, two of Ho's daughters by his second wife, have broken their promise to return the stake.
The two are named as defendants in a writ filed with the court, along with two companies controlled by the families of Ho's second and third wives, and Lanceford, a company that held Ho's stake in Hong Kong-listed casino operator Sociedade de Jogos de Macau, or SJM.
Controversy erupted when SJM said most of Ho's shares in Lanceford were being transferred to the companies controlled by the families of the second and third wives.
Ho says he wants to divide his assets equally among his four families.
Oldham reiterated that Ho was misled into signing over the shares.
"Dr Ho was not aware of what he was being asked to sign, he was not aware of the nature of the documents and we have to draw our own conclusions as to the influence of Pansy and Daisy or others," he said.
The law firm said the legal action would continue until Ho's shares are returned and other family members may be added "unless their full cooperation is forthcoming."
The high-stakes drama has fascinated Hong Kong residents with its glimpse into the private life of one of the city's wealthiest men. Forbes earlier this year estimated Ho's fortune at US$3.1 billion.
Macau's economy has boomed since it broke up its gambling monopoly eight years ago. Ho's casinos are still the market leaders, accounting for about 30 percent of the city's gambling revenue, which surged to a record US$23.5 billion last year.
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2011-1-27 16:01:49
Ho settles dispute with family
2011-1-27 0:12:48
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2011-1-26 0:33:13
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ASIAN casino magnate Stanley Ho has filed a new lawsuit in an attempt to get back a US$1.45 billion stake in his Macau gambling empire that he says was seized by members of his own family.
It's yet another twist in a family feud that erupted in late January over who will control Ho's interests in the world's biggest gambling market.
The 89-year-old Ho, who was hospitalized for seven months after reportedly undergoing brain surgery in August 2009, has 16 surviving children by four women he calls his wives. The ongoing drama highlights a power struggle among different branches of the family for control of his gambling business.
Ho's law firm said yesterday it had filed legal proceedings for a second time in Hong Kong's High Court. The first suit was withdrawn after Ho's relatives promised to try to negotiate an agreement.
The firm's senior partner, Gordon Oldham, told reporters that it went back to the courts again because no deal had been reached.
"Dr Ho is very annoyed, very disappointed that in spite of two weeks of discussion between the four families, no resolution has been brought to him," he said.
The firm said that Pansy and Daisy Ho, two of Ho's daughters by his second wife, have broken their promise to return the stake.
The two are named as defendants in a writ filed with the court, along with two companies controlled by the families of Ho's second and third wives, and Lanceford, a company that held Ho's stake in Hong Kong-listed casino operator Sociedade de Jogos de Macau, or SJM.
Controversy erupted when SJM said most of Ho's shares in Lanceford were being transferred to the companies controlled by the families of the second and third wives.
Ho says he wants to divide his assets equally among his four families.
Oldham reiterated that Ho was misled into signing over the shares.
"Dr Ho was not aware of what he was being asked to sign, he was not aware of the nature of the documents and we have to draw our own conclusions as to the influence of Pansy and Daisy or others," he said.
The law firm said the legal action would continue until Ho's shares are returned and other family members may be added "unless their full cooperation is forthcoming."
The high-stakes drama has fascinated Hong Kong residents with its glimpse into the private life of one of the city's wealthiest men. Forbes earlier this year estimated Ho's fortune at US$3.1 billion.
Macau's economy has boomed since it broke up its gambling monopoly eight years ago. Ho's casinos are still the market leaders, accounting for about 30 percent of the city's gambling revenue, which surged to a record US$23.5 billion last year.
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Argentina: retrocendo no protecionismo, desmantelando o Mercosul
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Argentina decide aumentar barreiras contra importações
Da Redação - DCI, 17/02/2011
O governo da Argentina decidiu aumentar as barreiras contra importações, conforme medida publicada no Diário Oficial de ontem. O Ministério de Indústria anunciou a ampliação da lista de produtos atingidos pelo sistema de Licenças Não Automáticas (LNA), de 400 para 600 itens.
Este sistema exige a aprovação prévia do governo para a entrada dos produtos no mercado doméstico. A nova lista inclui produtos metalúrgicos, siderúrgicos, eletrônicos, linhas, tecidos, automóveis de luxo, vidros, bicicletas, motos, entre outros.
Os automóveis atingidos são os que possuem motores acima de 3.000 centímetros cúbicos, no caso dos que são movidos a gasolina, e os superiores a 2.500 centímetros cúbicos para os movidos a diesel. Na realidade, a importação de automóveis de luxo pela Argentina está paralisada desde o início de fevereiro.
Assessores da ministra de Produção, Débora Giorgi, explicaram que "a medida não afeta os automóveis provenientes do Brasil e México". Porém, segundo levantamento realizado pela consultoria Investigações Econômicas Setoriais (IES), as importações de autopeças cresceram 61,7% em 2010 frente a 2009.
Com as restrições, o governo pretende pressionar os empresários para que realizem investimentos no país e produzam mais autopeças nacionais. Em nota oficial, Giorgi explicou que a medida tem o objetivo de "preservar os produtos nacionais no mercado interno" e o "processo de reindustrialização". Ela diz que as novas licenças serão aplicadas em setores nos quais a Argentina tem uma produção nacional capaz de satisfazer a demanda.
"A estratégia de comércio administrado para resguardar os postos de trabalho deu resultados satisfatórios à nossa indústria, que conseguiu substituir importações no valor de US$ 9,2 bilhões, no último ano", afirmou a ministra. Ela detalhou, ainda, que "os setores cujas importações têm licenças não automáticas são os que mais aportaram para a substituição de produtos importados, como o automobilístico, eletrônicos, linha branca, calçados e têxteis". Débora Giorgi ressaltou que a medida "não significa que não se possa importar."
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Da Redação - DCI, 17/02/2011
O governo da Argentina decidiu aumentar as barreiras contra importações, conforme medida publicada no Diário Oficial de ontem. O Ministério de Indústria anunciou a ampliação da lista de produtos atingidos pelo sistema de Licenças Não Automáticas (LNA), de 400 para 600 itens.
Este sistema exige a aprovação prévia do governo para a entrada dos produtos no mercado doméstico. A nova lista inclui produtos metalúrgicos, siderúrgicos, eletrônicos, linhas, tecidos, automóveis de luxo, vidros, bicicletas, motos, entre outros.
Os automóveis atingidos são os que possuem motores acima de 3.000 centímetros cúbicos, no caso dos que são movidos a gasolina, e os superiores a 2.500 centímetros cúbicos para os movidos a diesel. Na realidade, a importação de automóveis de luxo pela Argentina está paralisada desde o início de fevereiro.
Assessores da ministra de Produção, Débora Giorgi, explicaram que "a medida não afeta os automóveis provenientes do Brasil e México". Porém, segundo levantamento realizado pela consultoria Investigações Econômicas Setoriais (IES), as importações de autopeças cresceram 61,7% em 2010 frente a 2009.
Com as restrições, o governo pretende pressionar os empresários para que realizem investimentos no país e produzam mais autopeças nacionais. Em nota oficial, Giorgi explicou que a medida tem o objetivo de "preservar os produtos nacionais no mercado interno" e o "processo de reindustrialização". Ela diz que as novas licenças serão aplicadas em setores nos quais a Argentina tem uma produção nacional capaz de satisfazer a demanda.
"A estratégia de comércio administrado para resguardar os postos de trabalho deu resultados satisfatórios à nossa indústria, que conseguiu substituir importações no valor de US$ 9,2 bilhões, no último ano", afirmou a ministra. Ela detalhou, ainda, que "os setores cujas importações têm licenças não automáticas são os que mais aportaram para a substituição de produtos importados, como o automobilístico, eletrônicos, linha branca, calçados e têxteis". Débora Giorgi ressaltou que a medida "não significa que não se possa importar."
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