terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ainda a novela boliviana e brasilo-bolivariana: materias da Veja

O preço de fazer o certo
Duda Teixeira
Veja, 31/09/2013

Eduardo Saboia deve ser exaltado por ter dado fim a um impasse diplomático e feito jus à tradição humanitária do Brasil. Em vez disso, está sendo achincalhado pelo governo

A covardia é a chave para uma vida tranquila. Na hora do aperto, mesmo com injustiças sendo cometidas à sua volta, há quem escolha se resignar às circunstâncias. E há quem, confrontado com um grave dilema ético, acabe se atendo a convicções nobres, e não apenas ao instinto de salvar a própria pele. Durante meses, Eduardo Saboia, encarregado de negócios do Brasil na Bolívia, acompanhou de perto o definhamento do senador boliviano Roger Pinto Molina, um perseguido político que se asilou na embaixada brasileira em La Paz em maio de 2012. Embora o Brasil tivesse dado asilo ao senador, o governo boliviano lhe negara a autorização para sair do país. Nas últimas semanas, Pinto Molina já não fazia exercícios na bicicleta ergométrica que lhe emprestaram e chorava constantemente. Deprimido e com os laços familiares restringidos por exigência do governo boliviano, aproximara-se dos militares brasileiros que faziam sua guarda. Para alguns, falava em se matar cortando os pulsos com uma faca ou tentando um choque elétrico. Na manhã da sexta-feira 23, o advogado de Pinto Molina entrou duas vezes na sala de Saboia. Disse que, se o seu cliente se matasse, a responsabilidade seria do diplomata, que estava no comando da embaixada. O funcionário público exemplar e orgulhoso de sua função como “cumpridor de instruções” pôs então um plano obedecendo clandestino de fuga em ação. Mesmo sem o salvo-conduto do governo boliviano e sem avisar o Itamaraty — Saboia sabia que não receberia autorização dos superiores — eles viajariam por 22 horas até a fronteira com o Brasil em dois carros Nissan Patrol da embaixada. Pinto Molina vestiu um colete à prova de bala e Saboia entrou no veículo com uma Bíblia e um mapa nas mãos. “Se o senador morresse naquela salinha. eu não poderia depois me justificar dizendo que estava apenas cumprindo instruções dos meus superiores”, disse Saboia a VEJA após a sua chegada ao Brasil. “Não desejo a nenhum funcionário público viver o que eu passei naquela sexta-feira.”

Ao saber, no domingo 25, que Pinto Molina estava no Brasil, o governo boliviano inicialmente reagiu com aparente alívio, afirmando que o episódio não afetava as relações entre os dois países. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Morales já havia sugerido à presidente Dilma Rousseff, em reunião reservada, que fecharia os olhos se o Brasil tirasse Pinto Molina da embaixada clandestinamente. Ou seja, Morales só não queria dar o salvo-conduto para não parecer que estava amolecendo com os opositores. Dilma teria ficado furiosa com a proposta. da mesma forma que ficou ao saber da insubordinação de Saboia. Uma nota do Itamaraty no próprio domingo afirmava que Saboia estava sendo chamado a Brasília para esclarecimentos e que um processo administrativo seria aberto. Ele pode ser expulso da carreira diplomática. Dois diplomatas se recusaram a participar da comissão que o julgará. Por não ter controle sobre os próprios subordinados, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, teve de entregar o cargo, que foi assumido por Luiz Alberto Figueiredo. Já Patriota foi para o lugar de Figueiredo, na chefia da representação brasileira na ONU. A relação entre Dilma ePatriota nunca foi das melhores, porque ela prefere tomar decisões seguindo o compasso político e se irritava com a abordagem técnica dele em relações internacionais. Curiosamente, o governo boliviano só passou a demonstrar indignação e a exigir a extradição de Pinto Molina depois de perceber a tempestade que o Palácio do Planalto começou a causar em tomo do tema. Afinal, do ponto de vista prático, Saboia resolveu um problema que constrangia e emperrava as relações entre os dois países.

O castigo a Saboia, portanto, não é proporcional às consequências de sua insubordinação — principalmente porque, não contente em puni-lo pelos canais oficiais, o governo iniciou um verdadeiro linchamento público do funcionário. “Minha maior preocupação agora é tirar minha família da Bolívia”, diz Saboia. Na escola de dois de seus três filhos (o mais novo tem autismo), em Santa Cruz de la Sierra, os colegas perguntavam ameaçadoramente na segunda-feira quem eram os parentes do diplomata que tirou o opositor, inimigo número 1 de Morales, do país. Saboia e o embaixador Marcel Biato, que atuou em La Paz até junho, foram afastados de suas funções na Bolívia. Biato também teve a nomeação para um posto na Suécia frustrada.

Saboia e Biato são diplomatas reconhecidamente fiéis às diretrizes governamentais. Quando caminhava pelos corredores da embaixada e negociava o salvo-conduto para Pinto Molina, Biato repetia a todo momento que a vontade da presidente deveria ser cumprida. Ele nem estava em La Paz na ocasião da fuga. Saboia, que faz 46 anos no dia 3, foi um dos mais diletos praticantes e admiradores da diplomacia brasileira iniciada pelo governo Lula e que Celso Amorim definiu como “altiva e ativa" (expressão que, alias, é usada por Saboia). Na infância, ele foi amigo dos filhos de Amorim e chegou a queimar com o mais velho deles uma coleção de selos nazistas de seu avô. Passou em primeiro lugar no concurso para o Itamaraty em 1989 e terminou o curso em segundo na turma. Na lista dos três homens que ele diz admirar estão o ex-presidente Lula. Amorim e o seu pai, Gilberto Saboia, que foi membro da Comissão de Direito Internacional da ONU. Eduardo Saboia é o tipo de funcionário público que se exaspera com a ineficiência. Uma amostra disso foi o seu empenho em negociar a libertação dos doze corintianos presos em Oruro acusados de ter lançado um sinalizador que matou o torcedor boliviano Kevin Espada, de 14 anos, durante um jogo em fevereiro. Saboia foi dezoito vezes à cidade para negociar a soltura do grupo, que fora preso sem provas. No início, levou calmantes, que comprou com o próprio dinheiro, e cobertores para os torcedores. Na Páscoa, Saboia chegou a levar a mulher e os dois filhos à prisão para comer e rezar uma missa com os detentos. Quando todos os outros escalões da hierarquia diplomática pareciam ter abandonado o problema, Saboia insistiu nas negociações e pouco a pouco conseguiu o retomo dos torcedores ao Brasil (na semana passada, três deles foram identificados como incitadores de uma briga em um jogo em Brasília).

Pela eficiência com que defendiam os interesses brasileiros, Saboia e o embaixador Biato — este um grande estimulador da maior presença da Polícia Federal na Bolívia para auxiliar no combate ao narcotráfico — começaram a ser boicotados pelo governo Evo Morales, com a conivência da administração Dilma. Em uma reunião realizada entre representantes dos dois países em março, em Cochabamba, Biato e Saboia foram deixados do lado de fora por Patriota, atendendo a um pedido do ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana. O boliviano, acusado de ligações com um narcotraficante brasileiro, também exigiu a troca do embaixador e a restrição às visitas a Pinto Molina. O governo brasileiro assentiu. Em junho, Biato deixou o posto e Saboia passou a ser obrigado a barrar os amigos políticos de Pinto Molina na porta da embaixada. “A subserviência da política externa brasileira aos interesses bolivianos vem de longe”, diz Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que foi buscar Saboia e Pinto Molina de avião em Corumbá após a bem-sucedida fuga da Bolívia. Ao colocar a afinidade do seu partido, o PT, com o sub-bolivarianismo de Morales à frente dos interesses brasileiros, o governo Dilma acaba com o espaço de ação dos seus diplomatas. “Esse é o tipo de situação que leva a atos desesperados como o de Saboia”, diz Rubens Ricúpero, ex-embaixador do Brasil na Itália. Em terra de covardes, um funcionário público que tem princípios pode virar um rei.

Um perseguido Político

Quando o advogado e pecuarista Roger Pinto Molina, do estado de Pando, na fronteira com o Acre, se tornou o chefe da oposição ao governo de Evo Morales, sua vida se transformou. Ao ajudar os colegas senadores e outros opositores a apontar os vínculos entre os funcionários de alto escalão do poder e o narcotráfico, passou a ser atacado verbalmente por diversos membros do governo, e vinte acusações foram levantadas contra ele na Justiça.

Oito delas são por desacato. Foram iniciadas por quadros do governo enfurecidos com suas revelações: o vice-presidente Álvaro Garcia Linera e o ministro da Presidência Juan Ramón Quintana. Entre as demais, há uma por desmatamento. Duas árvores teriam sido cortadas em sua propriedade. O senador estava em La Paz na ocasião, mas seria cúmplice por não ter denunciado o fato. A aparente contravenção poderia lhe render oito anos de prisão. Ele também é acusado de assassinato, mas o processo não diz quem ele teria matado. Existe homicídio sem vítima?

Quatro acusações são por corrupção. Em junho, quando o senador ainda estava na embaixada em La Paz, ele foi condenado a um ano de prisão por três delitos, entre eles o de ter se apoderado de recursos destinados à Universidade Amazônica de Pando. O julgamento ocorreu sem a presença do réu e sem que ele tivesse a chance de se defender.

Assim que o senador pôs os pés na embaixada em La Paz, os diplomatas brasileiros cuidaram de levantar informações fidedignas sobre seu novo hóspede. Era crucial dissipar a dúvida se se tratava de um criminoso que deveria ser entregue à polícia ou um perseguido político, contra o qual o governo da Bolívia levantara acusações falsas apenas para calar uma voz dissidente. A resposta veio onze dias depois, com a concessão de asilo político. “Seja bem-vindo ao Brasil”, disse o embaixador Marcel Biato ao anunciara decisão brasileira de reconhecerem Pinto Molina um perseguido político.

La Paz agora quer obter de Brasília a repatriação do senador que os diplomatas brasileiros abrigaram e ajudaram a fugir da Bolívia. Vontade de ceder ao narcoestado vizinho não falta ao governo do PT. O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, chegou ao absurdo de afirmar que Pinto Molina terá de refazer seu pedido de asilo político. Adams não sabe que o direito internacional reconhece as embaixadas como territórios do país representado? Sabe. Mas atualmente, no seio do governo do PT, ignorar, fingir, virar o rosto para não ver malfeitorias e abusos dos direitos humanos tem valido a pena para os burocratas. Vale tudo, desde que sirva aos interesses políticos do pan-esquerdismo latino-americano, doutrina que os petistas colocam acima, muito acima, dos interesses nacionais brasileiros.

Um dever moral
Coluna - J.R Guzzo

O servidor público mais detestado pelo governo da presidente Dilma Rousseff no presente momento é um tipo de ser humano raríssimo de encontrar no mundo oficial de hoje — um homem de bem.

Seu nome é Eduardo Saboia. Sua profissão é diplomata de carreira, em serviço no Itamaraty. Tem 45 anos de idade, mais de vinte na ativa e era, até a semana passada, encarregado de negócios na Embaixada do Brasil em La Paz, na Bolívia. Não há, na sua ficha funcional, nenhuma nota de reprovação. Ele acaba de ser afastado do posto, vai responder a uma comissão de inquérito no Itamaraty e tem pela frente, provavelmente, uma sucessão de castigos que promete mantê-lo num purgatório profissional até o dia em que se aposentar. Não podem botá-lo na rua, como gostariam, porque exerce função de estado e a lei não permite que seja demitido — mas entrou para a lista negra da casa e parece altamente improvável que saia dela enquanto valores como justiça, decência e integridade continuarem vetados no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Saboia cometeu um delito que Dilma, seu assessor internacional Marco Aurélio Garcia, intendente-geral do Itamaraty, e os principais mandarins do PT não perdoam: teve a coragem de cumprir um dever moral.

Os fatos são claros como água pura da fonte, e provocam, como tantos outros que vêm acontecendo ultimamente, uma sensação cada vez mais desconfortável: a de que o atual governo, de desatino em desatino, vai se tomando incompreensível. Mais do que a tão falada banalidade do mal, o que se tem no Brasil de hoje é a banalidade das atitudes sem nexo. No dia 28 de maio do ano passado, o senador boliviano Roger Pinto Molina refugiou-se na Embaixada do Brasil em La Paz, alegando sofrer perseguição política por parte do presidente da Bolívia, Evo Morales. Dez dias depois, o governo brasileiro lhe concedeu asilo e passou a esperar, como determina uma das mais antigas e respeitadas práticas da diplomacia latino-americana, o salvo-conduto do governo boliviano — documento que, pela praxe, a Bolívia tinha o dever de expedir em poucos dias. De lá para cá já se passaram quinze meses — e durante esse tempo todo nem a Bolívia concedeu o salvo-conduto, como tinha obrigação de conceder, nem o Brasil insistiu para que o documento fosse concedido, como tinha obrigação de insistir.

Era uma situação que satisfazia tanto a Evo quanto a Dilma. Evo continuava a supliciar seu inimigo: confinado numa pequena sala dos escritórios da embaixada. Molina passou quinze meses sem tomar sol, sofria de problemas de saúde que não podiam ser tratados ali e levava a vida de um presidiário. Os diplomatas brasileiros pediram que a Bolívia autorizasse, pelo menos, que ele fosse transferido para a residência do embaixador. Nada feito: se deixasse o local onde estava, ameaçou Evo, “o governo boliviano” não poderia garantir sua “integridade física”. A presidente Dilma, por sua vez, ganhava a oportunidade de fazer uma viagem imaginária ao passado — não podendo mais sonhar com a ditadura do proletariado, como fazia em sua juventude, pelo menos prestava serviço a alguém que considera um símbolo da “resistência ao imperialismo”. O problema, para ambos, foi o encarregado de negócios Eduardo Saboia. Na simples condição de funcionário que age em obediência a seus princípios como ser humano, ele decidiu que não iria engolir passivamente a humilhação de servir de carcereiro. Durante 450 dias fez tudo o que pôde para resolver a situação dentro das normas, do profissionalismo e da disciplina. Mandou 600 mensagens a seus superiores, implorando uma solução. Veio duas vezes ao Brasil só para cuidar do caso. Perdeu a conta de quantas horas passou em saias de espera em La Paz. Por fim, ao constatar que o estado de saúde do senador Molina tinha chegado a um ponto crítico, decidiu trazê-lo por conta própria para o asilo no Brasil, numa viagem de carro que levou 22 horas entre La Paz e a fronteira brasileira. Foi no que acabou dando a recusa do governo em tratar o problema, desde seu início, com um mínimo de lógica.


Nos dias seguintes, em vez de agir como presidente, Dilma se entregou a acessos de cólera que não resolvem nada, a começar pela demissão do seu ministro das Relações Exteriores. Mas seu problema é outro. Chama-se Eduardo Saboia e gente que, como ele, não tem medo de separar o certo do errado, por disporem de consciência, coluna vertebral e compaixão. É um espelho para o qual a presidente e seu círculo íntimo odeiam olhar. Veem, nele, o que deveriam ser e não são.

A lei dos homens, do direito escrito, e o dever moral, do direito natural: Siria e Bolivia

O argumento pretende se ater ao caso da Síria (embora se deva ainda provar que foi efetivamente o governo do país o responsável pelo uso de armas químicas contra a sua própria população), mas creio que o mesmo se aplica ao caso do diplomata brasileiro envolvido na "fuga" do senador boliviano, que parece já ter sido "condenado" politicamente, aguardando-se, agora, a punição institucional.
Paulo Roberto de Almeida  

Op-Ed Contributor
Antigone in Damascus
By RONALD SOKOL
The International Herald Tribune, September 2, 2013
 
As America seeks a legal justification for intervening in Syria it might do well to explore a different road to Damascus.

In Dostoevsky’s “Crime and Punishment” a father and son walk along a road and see a man brutally beating an old horse. The horrified boy tries to help the nag, but his father pulls him away, saying “It’s not our business!” The boy’s moral instincts, Dostoevsky shows us, are still intact whereas the father’s have atrophied. But does the father or the other witnesses have a legal or moral obligation to stop the cruelty?
Law students studying liability read the case of a man walking along a beach who sees a person drowning just off shore. Does he have a duty to save the drowning person? English Common Law says no; the French Civil Code says yes, as long as he can do so at no risk to himself.

Whether or not there is a legal duty to save a drowning person, there is surely a moral duty to do so.

That was the point Albert Camus made in his short novel, “The Fall.” If an atrocity is committed before our eyes, whether it is the methodical killing of Jews, genocide in Rwanda, slaughter of civilians by chemical weapons, or a person in need of immediate assistance in a highway accident, and we have the power to stop the atrocity or help the person in need at little or no danger to ourselves, surely we have a moral duty to do so.

So enmeshed have we become in the web of law that we have lost sight of the fact that laws are built on a moral foundation. We don’t need a law to tell us that it is wrong to kill or that there are times when there is a duty to help.

The question becomes more complex if the law actually forbids us to do what we feel is the morally right thing to do. The classic example was given by Sophocles in his tale of Antigone. King Creon’s edict forbade the burial of Polyneices, who had fought against Thebes; he was to rot outside the walls of the city.

When Sophocles wrote in the 5th century B.C., burial rites were a sacred duty. At dawn, Polyneices’ sister Antigone is spotted outside the wall performing the rites. Captured and brought before Creon, she admits the crime but utters words that might profitably be studied by legal advisers to nations that embrace the rule of law: “I never thought your laws had such force that they nullified the laws of heaven, which unwritten, not proclaimed, can boast a currency everlastingly valid; an origin beyond the birth of man.”

This ancient belief in a natural law that stands above written law was ridiculed in the 18th century by the English philosopher Jeremy Bentham, who called it “nonsense upon stilts.” Bentham’s view has mostly prevailed, and it is his view of law that troubles the legal advisers to President Obama as they seek to place military intervention on a sound legal basis. While the attempt is praiseworthy, it may be misplaced.
Almost no one today defends what came to be called the Natural Law tradition, yet it alone supports the “self-evident truths” proclaimed in the American Declaration of Independence, or the affirmation in the French Declaration of the Rights of Man that men are born free, or the rights proclaimed in the 1948 Universal Declaration of Human Rights and those in the European Convention on Human Rights. In short, it is a tradition to which no one adheres but which stands as a live witness to the eternal human desire for an absolute moral order.

If such an order does exist, there is no consensus as to what it consists of. Yet there are instances in which nations have reached unanimous agreement on a specific moral duty. The prohibition against the use of chemical weapons is one such example. The Chemical Weapons Convention has been signed and ratified by all but a handful of the 193 nations that are members of the United Nations. Only Syria, North Korea, Egypt, Angola and South Sudan have not signed, but even Syria does not claim that the use of chemical weapons is legal.

Syria denies their use, but if it is found that Syria committed the atrocity, then a legal justification to stop it is superfluous. Once an atrocity is acknowledged, a moral duty arises to stop it — provided that one has the power to stop it and can do so at no serious risk to oneself. Of course to argue that no legal justification is needed is a slippery slope because it is rare to find unanimous consent on the existence of a moral duty.

In the case of Syria there exists moral agreement that the use of chemical weapons was an atrocity, and perhaps even that Syria committed it, but no consensus will be reached about who should be the 21st century Antigone who must go to Damascus, or what rites need be performed once she gets there.

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Ronald Sokol is a member of the bar in France and the United States and practices law in Aix-en-Provence. His books include “Justice After Darwin” and “Federal Habeas Corpus.” 

A version of this op-ed appears in print on September 3, 2013, in The International Herald Tribune.

http://www.nytimes.com/2013/09/03/opinion/global/antigone-in-damascus.html?ref=global&_r=0

Fim da novela bolivariana, ou boliviana (it's the same); agora, punicao para o que, mesmo?

Como me escreveu um leitor deste blog:


A presidente Dilma não cobra ações concretas da diplomacia brasileira?

Bem, era isso mesmo que se requeria.
Esse pessoal deveria ficar contente...
Paulo Roberto de Almeida 

A frase da semana: nao desistir, sempre perseguir os seus sonhos...

QUOTATION OF THE DAY

"I have three messages. One is we should never ever give up. Two is you never are too old to chase your dreams. Three is it looks like a solitary sport but it takes a team."
DIANA NYAD, upon completing a swim from Cuba to Florida after five attempts over 35 years.
The New York Times, September 3, 2013

Creio que a frase se aplica a qualquer outro empreendimento, inclusive os puramente intelectuais, como os a que eu me dedico.
Paulo Roberto de Almeida

Em tempo: Diana Nyad tem 64 anos...

Ainda a novela bolivariana... cada vez mais enrolada, e deprimente - Augusto Nunes

Sem comentários...

Augusto Nunes, 2/09/2013

“O caso da retirada de um senador de uma embaixada brasileira e sua condução sem garantias ao território brasileiro é um fato grave e que está sendo apurado”, miou o novo chanceler Luiz Alberto Figueiredo nesta sexta-feira, ao baixar no Suriname para acompanhar a presidente Dilma Rousseff na reunião da Unasul. Fato grave foi o desprezo pelas convenções internacionais reiterado por Evo Morales, que se negou a emitir o salvo-conduto devido a um político oposicionista asilado na embaixada brasileira. Fato grave foi a submissão do Planalto à insolência de um tiranete que trata o Brasil como um grandalhão pusilânime. Previsivelmente, o ministro das Relações Exteriores acha que fato grave foi a libertação de Roger Pinto Molina ao fim de 15 meses de clausura num cubículo.
Na abertura da coluna publicada na edição de VEJA, o jornalista J. R. Guzzo faz um brilhante resumo da ópera (irretocavelmente analisada no restante do texto, que pode ser lido na revista). Confira a introdução. Volto em seguida.

O servidor público mais detestado pelo governo da presidente Dilma Rousseff no presente momento é um tipo de ser humano raríssimo de encontrar no mundo de hoje ─ um homem de bem. Seu nome é Eduardo Saboia. Sua profissão é diplomata de carreira, em serviço no Itamaraty. Tem 45 anos de idade, mais de vinte na ativa e era, até a semana passada, encarregado de negócios na Embaixada do Brasil em La Paz, na Bolívia. Não há, na sua ficha criminal, nenhuma nota de reprovação.
Ele acaba de ser afastado do posto, vai responder a uma comissão de inquérito no Itamaraty e tem pela frente, provavelmente, uma sucessão de castigos que promete mantê-lo num purgatório profissional até o dia em que se aposentar. Não podem botá-lo na rua, como gostariam, porque exerce função de estado e a lei não permite que seja demitido ─ mas entrou para a lista negra da casa e parece improvável que saia dela enquanto valores como justiça, decência e integridade continuarem vetados no Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Saboia cometeu um delito que Dilma, seu assessor internacional Marco Aurélio Garcia, intendente-geral do Itamaraty, e os principais mandarins do PT não perdoam: teve a coragem de cumprir um dever moral. 

Aí está, em sua essência, a explicação para os chiliques presidenciais que começaram no dia 24, quando Dilma soube da operação que enfureceu o Lhama-de-Franja, e atravessaram a última semana de agosto. O surto de cólera atingiu sucessivamente o chanceler Antonio Patriota, o embaixador Marcel Biato, o senador Pinto Molina e, com especial intensidade, o diplomata que ousou desafiar o companheiro Evo Morales. Por não ter descoberto e abortado o resgate, Patriota foi rebaixado a chefe da representação na ONU. Por ter acolhido o parlamentar boliviano quando comandava a embaixada em La Paz, Marcel Biato viu cancelada sua iminente transferência para Moscou. Por ter chegado ileso ao país que lhe garantira a sobrevivência, o senador boliviano foi punido com a cassação do status de asilado político.
E Saboia, por ter feito o que devia, vai percorrendo as estações do calvário previsto no artigo de J. R. Guzzo. Cumprir um dever moral é mais que perigoso. Segundo o estatuto do grande clube dos cafajestes, é crime hediondo. Em vez de averiguar as patifarias jurídicas e diplomáticas de Morales, uma comissão de sindicância montada pelo governo federal caça pretextos para implodir a carreira de Saboia. Na cabeça despovoada de neurônios, o homem decente é um traidor da causa. E o vilão merece o tratamento de herói ultrajado, informou o encontro entre Dilma e Morales no sarau em Paramaribo.
Vejam a foto. A presidente brasileira contempla o vigarista de estimação com o olhar da debutante prestes a dançar a valsa com o padrinho que aparece toda noite na novela da Globo. O casal segura dois bonecos manufaturados que Morales deu de presente a Dilma. Ela retribuiu com um quadro e, na conversa a dois, com a cena de vassalagem explícita pressurosamente divulgada pelo chanceler Figueiredo. Assim que as portas se fecharam, contou o novo porta-voz de Marco Aurélio Garcia, a presidente manifestou ao parceiro seu “repúdio” à operação arquitetada e conduzida por Eduardo Saboia. “Repúdio completo”, acrescentou o chanceler. Para tamanha vileza, só um substantivo não basta.
Os  afagos retóricos desnudaram de novo a rainha de araque. O que Dilma e Morales queriam era induzir Pinto Molina a compreender que seu cativeiro só seria interrompido pelo suicídio, pela loucura ou pela rendição. Teriam vencido se não surgisse em seu caminho um diplomata sem medo. Foram derrotados por um homem disposto a cumprir seu dever. Não conseguirão devolver o senador ao governo boliviano. Quem promoveu a asilado político um Cesare Battisti, assassino condenado à prisão perpétua na Itália democrática, não se atreverá a entregar um perseguido sem direito a um julgamento justo. Resta a Dilma Rousseff, sempre orientada por seu chanceler portátil Marco Aurélio Garcia, insistir no cerco a Eduardo Saboia.

A dupla deixaria de sonhar com vinganças se fosse homenageada com uma exclusiva, pessoal e intransferível manifestação de rua. Mas ninguém sabe onde andam os indignados de junho

Para terminar a noite: cada coisa que eu recebo...

Perdida:


professor sou aluna de contabilidade 3 semestre faculdade evangelica de Xxxxxxxx faltei a primeira aula, gostaria de saber o que é pra ser feito com as apostilas que foram enviadas para os alunos, por favor me responda, faltei a primeira aula.

Essas coisas só acontecem comigo?
Paulo Roberto de Almeida 

Pausa para... Alerta! Terroristas no cenario. Preparar prontidao...

ALERTS TO THREATS IN 2013 EUROPE
From JOHN CLEESE

The English are feeling the pinch in relation to recent events in Syria and have therefore raised their security level from "Miffed" to "Peeved." Soon, though, security levels may be raised yet again to "Irritated" or even "A Bit Cross." The English have not been "A Bit Cross" since the blitz in 1940 when tea supplies nearly ran out. Terrorists have been re-categorized from "Tiresome" to "A Bloody Nuisance." The last time the British issued a "Bloody Nuisance" warning level was in 1588, when threatened by the Spanish Armada.

The Scots have raised their threat level from "Pissed Off" to "Let's get the Bastards." They don't have any other levels. This is the reason they have been used on the front line of the British army for the last 300 years.

The French government announced yesterday that it has raised its terror alert level from "Run" to "Hide." The only two higher levels in France are "Collaborate" and "Surrender." The rise was precipitated by a recent fire that destroyed France 's white flag factory, effectively paralyzing the country's military capability.

Italy has increased the alert level from "Shout Loudly and Excitedly" to "Elaborate Military Posturing." Two more levels remain: "Ineffective Combat Operations" and "Change Sides."

The Germans have increased their alert state from "Disdainful Arrogance" to "Dress in Uniform and Sing Marching Songs." They also have two higher levels: "Invade a Neighbour" and "Lose."

Belgians, on the other hand, are all on holiday as usual; the only threat they are worried about is NATO pulling out of Brussels ..

The Spanish are all excited to see their new submarines ready to deploy. These beautifully designed subs have glass bottoms so the new Spanish navy can get a really good look at the old Spanish navy.

Australia, meanwhile, has raised its security level from "No worries" to "She'll be right, Mate." Two more escalation levels remain: "Crikey! I think we'll need to cancel the barbie this weekend!" and "The barbie is cancelled." So far no situation has ever warranted use of the last final escalation level.

Regards,
John Cleese ,
British writer, actor and tall person

And as a final thought - Greece is collapsing, the Iranians are getting aggressive, and Rome is in disarray. Welcome back to 430 BC.

A grande polemica: insubordinado ou heroi? - uma reportagem cheia de falhas de Zero Hora

Quem escreveu a matéria conhece pouco o Itamaraty e os procedimentos diplomáticos: cheia de falhas, só vai transcrita aqui para fins de registro, não porque tenha qualidade...
Paulo Roberto de Almeida

Zero Hora, 31/08/2013 | 15h05

Atuação de Eduardo Saboia na remoção de Roger Pinto divide o Itamaraty
Colegas do pivô de crise se opõem entre quem vê ação humanitária e quem critica quebra de regras

Muito mais do que crise, o Itamaraty vive, neste momento, aquilo que no Rio Grande do Sul se convencionou chamar pelo neologismo de "grenalização" — uma intensa polarização.
O foco da polêmica a dividir nossa diplomacia tem nome, idade e profissão definidos, mas situação indefinida: o diplomata Eduardo Saboia, 46 anos, que é alvo de sindicância do governo.
O que fez Saboia? Retirou o senador oposicionista Roger Pinto da Bolívia, supostamente sem avisar seus superiores. Pinto estava havia um ano e três meses refugiado na embaixada do Brasil em La Paz. Percorreu 1,6 mil quilômetros, em 22 horas, até chegar ao Brasil, onde pretende se asilar e viver junto à família, que já está em Brasileia (AC). Responde a 20 processos, incluindo corrupção e até homicídio. Foi também quem incomodou autoridades ao vinculá-las com o narcotráfico. Por isso, se diz um perseguido.
O episódio se presta a polêmicas. A primeira que surgiu, de ordem semântica, foi: Pinto é foragido ou refugiado? A Bolívia diz que é foragido. As autoridades brasileiras estudam o caso para estabelecer a definição mais apropriada. A outra se centra na figura do diplomata brasileiro. Colegas dele até brincam com seu sobrenome, que se antecipou à reforma ortográfica da língua portuguesa — Saboia sem acento — assim como ele se antecipou à tibieza do Itamaraty.
Há dois grupos basicamente divididos desta maneira em relação à atuação de Saboia no "caso Pinto":
1) Positiva: Pinto estava havia muito tempo trancafiado na embaixada brasileira em La Paz. Deprimido, falava em suicídio. O governo boliviano se recusava a dar-lhe salvo-conduto para se asilar no Brasil. Havia uma situação-limite, e imperava o imobilismo. Saboia diz que agiu como agiu por questões superiores, humanitárias. Muitos diplomatas creem que, com isso, resgatou a altivez do Itamaraty.
2) Negativa: Saboia descumpriu princípios básicos da conduta diplomática ao agir de forma isolada e temerária, supostamente colocando a vida de Pinto em risco. Não teria consultado seus superiores para pegar o carro com o senador e ainda se fez acompanhar de dois fuzileiros navais, a fim de retirá-lo da embaixada. Isso abriria um precedente perigoso. Mais: provocou uma crise com a Bolívia.
Foi Saboia e Pinto colocarem seus pés do lado brasileira da fronteira, e se instaurou a polêmica pelos corredores nervosos do Itamaraty. Ouviam-se, quase que imediatamente, as expressões "corajoso", "Dom Quixote", "exemplo" e "herói". E uma recriminação à cúpula da diplomacia nacional: o nome de Saboia não deveria ter sido divulgado em nota à imprensa, contrariando o costume de omitir a identidade do diplomata para não expô-lo. Horas depois, as decisões do governo provocaram mais desconforto e comentários de corredores no Itamaraty. Primeiro, a demissão do chanceler Antonio Patriota. Depois, a criação de uma comissão mista para tocar adiante a sindicância. A comissão será presidida pelo auditor fiscal Dionísio Carvalhedo Barbosa com os embaixadores Clemente de Lima Baena Soares e Glivânia Maria de Oliveira.
A insatisfação com a saída de Patriota foi grande, e a comissão mereceu críticas quanto à forma e ao mérito. Assim que saiu a portaria número 9 com a designação da equipe investigadora, veio o comentário em relação à forma, com a pergunta: por que um auditor-fiscal? Quanto ao mérito, diplomatas comentavam, à boca pequena, que Saboia vivia um impasse em razão da falta de respostas oficiais ao pedir instruções dos seus superiores, em Brasília — ele inclusive esteve diversas vezes em Brasília pedindo orientações expressas dos seus superiores.
Pressionado, ele ficava entre o Planalto (na figura do assessor internacional para a presidência Marco Aurélio Garcia) e a Comissão de Relações Exteriores, que sabatina e interpela embaixadores. Vivia momentos de tensão, acompanhando a rotina de Roger Pinto e não recebendo orientações para um desfecho, enquanto o governo boliviano se recusava a dar o salvo-conduto com a clara preocupação de não ceder frente a um oposicionista que, réu em diversos processos, havia acusado autoridades de vínculo com o narcotráfico.
Organização abre campanha pelo diplomata
Por uma atitude que parcela da diplomacia e da opinião pública considera heroica e outra condena, o diplomata Eduardo Saboia, cuja trajetória inclui passagens por postos no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial, era encarregado de negócios em La Paz e, de lá, provavelmente pularia para assumir alguma embaixada. O encarregado de negócios é uma espécie de "vice-embaixador". Agora, pode ter sua carreira abreviada com a marca da fuga cinematográfica de Roger Pinto.
Neste momento, a ONG Avaaz realiza campanha para que ele não seja punido, no seguinte endereço: http://zhora.co/14LnFYu. Argumenta que Saboia agiu com "consciência e coragem", dando "fim à situação que já se apresentava como descabida e insustentável de cárcere privado" do senador.
No período em que conviveu com a situação de Pinto, recluso durante 15 meses no espaço de 20 metros quadrados de uma sala da embaixada, Saboia viajou oito vezes a Oruro, onde 12 corintianos estavam presos sob a acusação de terem se envolvido na morte do adolescente Kevin Espada, atingido por um rojão em jogo pela Taça Libertadores. Chegou a comprar comida com o dinheiro do próprio bolso para a infraestrutura e a alimentação dos brasileiros presos, e ao mesmo tempo prestava solidariedade à família de Espada. Entre outras honrarias, o diplomata foi condecorado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a medalha da Ordem do Rio Branco.
Amigos e familiares do diplomata dizem: entre o estrelato e a consciência, sempre optou pela última.

Pressão a Patriota causa constrangimento entre diplomatas
A respeito de Patriota, um homem de "linhagem" na carreira diplomática (irmãos e pai diplomatas), o respeito pelo seu trabalho é, aí sim, dominante, sem maiores ressalvas. Tido como "excelente funcionário" e cumpridor das liturgias, sabe-se no Itamaraty que ele vinha batendo de frente com a presidente em diversos temas. Chegou a circular um abaixo-assinado da iniciativa de embaixadores aposentados, em que se enumeravam razões para ele pedir a própria exoneração. Motivo: os "desmandos e humilhações" impostos por Dilma e Garcia, que interferiam na "diplomacia itamaratiana".

A expectativa é de que nada mude, em razão da formação de carreira do novo chanceler, Luiz Alberto Figueiredo Machado. Não bastasse isso, Figueiredo tem temperamento forte, o que faz colegas acharem que será menos complacente com interferências.

Ainda assim, há na diplomacia a desconfiança de que a própria demissão de Patriota se constitui num novo ato do "teatro" para os governos brasileiro e boliviano darem veracidade à ideia segundo a qual nada sabiam a respeito da atuação de Saboia. Mais um elemento que reforça essa tese: Patriota "caiu para cima". Exercerá um dos cargos mais ambicionados na carreira diplomática, a missão junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Qual a especialidade de Patriota? Multilateralismo. Qual a nacionalidade de sua mulher, Tania Cooper Patriota? Americana. Trabalha para quem? Para a ONU. Ou seja, Patriota foi "presenteado" com a punição. No jargão diplomático, ocupará um posto de "escadas e corredores". Ficará mais perto da mulher. Tudo em casa.

Mesmo diplomatas mais experientes e ex-chanceleres brasileiros se dividem quanto à decisão do então encarregado de negócios da embaixada em La Paz, Eduardo Saboia, de trazer, à revelia de Brasília, o senador Roger Pinto Molina, que estava asilado na representação para o país havia 15 meses. Ex-chanceler, Celso Lafer disse ter "apreço" pela "coragem" de Saboia, que assumiu a responsabilidade numa "situação-limite" e não se prendeu à burocracia. Ex-embaixador em Washington, Rubens Barbosa vê uma "arriscada e insólita" quebra de hierarquia, mas que teria "resolvido o problema para o Brasil".

Ex-chanceler, Luiz Felipe Lampreia classifica a atitude como de "total insubordinação", o que pode fazer a diplomacia nacional se tornar "uma bagunça". Enfim, mesmo entre os mais experimentados diplomatas, a polêmica se mantém viva.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A grande fuga: versao boliviana - adrenalina garantida, repeteco nem pensar - revista IstoE

A escapada pelos abondes
ISTOÉ revela os bastidoresu da fuga que constrangeu o País e provocou a troca de comando no Itamaraty. Como foi a aventura do embaixador brasileiro e do senador boliviano, que saíram da embaixada em La Paz e atravessaram a fronteira
Claudio Dantas Sequeira, Izabelle Torres e Josie Jeronimo
IstoÉ, 1/09/2013

PROTAGONISTAS
O então chanceler Antonio Patriota, o embaixador Eduardo Saboia e o senador
boliviano Roger Pinto Molina (da esq. para a dir.) envolveram-se na rumorosa fuga
La Paz, sexta-feira 23 de agosto, 15h. O sol a pino e a baixa umidade reforçam a sensação térmica da primavera boliviana e embalam a tradicional sesta local. No horário em que boa parte dos moradores está cochilando, as ruas livres do tráfego servem como corredor de fuga a dois veículos 4x4 Nissan Patrol, com placas diplomáticas. A bordo de um deles, o senador boliviano Roger Pinto Molina confere o relógio e olha para o alto com um leve sorriso de satisfação. “Foi a primeira vez que pude ver o sol claramente. E de uma perspectiva diferente”, lembra, em referência aos 454 dias que passou asilado numa pequena sala da embaixada do Brasil. Durante esse tempo, Molina jamais teve direito a um salvo-conduto, documento legal que poderia ter sido fornecido pelo governo boliviano para garantir sua saída com tranquilidade em direção ao país no qual decidiu se refugiar. Planejada ao longo de três meses, com o conhecimento de algumas autoridades do governo brasileiro e uma mal disfarçada tolerância do governo do presidente Evo Morales, que enviou vários sinais a Brasília de que não faria oposição à saída de Molina, desde que não pudesse ser acusado de proteger um inimigo com 22 processos no currículo, a “operación libertad” foi cercada de uma série de preparativos, inclusive medidas de proteção pessoal e monitoramento de riscos. No momento em que se preparava para entrar no automóvel, Molina contou com o auxílio de um fuzileiro naval, adido militar na embaixada, para vestir o colete à prova de balas.

Três dias antes de partir, Roger Molina falou do plano de fuga à sua filha Denise Pinto Bardales, carinhosamente chamada pelo pai de “Talita”, sugerindo que ela fosse para Brasileia, no Acre, onde a mãe, Blanca, vive há um ano com as outras duas filhas do senador, um genro e quatro netos menores de idade. Num gesto revelador das relações próximas entre autoridades dos dois países, a família Molina foi abrigada no Brasil pelo governador Tião Viana (PT/AC), seu amigo. Além de Talita, sabiam da “operación libertad” o embaixador Marcelo Biato, o conselheiro Manuel Montenegro e o encarregado de negócios da embaixada Eduardo Saboia, que assumiu a responsabilidade pela fase final da operação, que era retirar Molina da Bolívia e levá-lo, são e salvo, para o Brasil. Há pelo menos um mês, a operação chegou aos ouvidos de políticos, advogados e empresários que partilham informações e interesses nas relações entre Brasil e Bolívia. Um plano alternativo chegou a ser elaborado, na verdade, envolvendo uma operação triangular. Numa primeira etapa, Molina seria levado de avião para o Peru. Depois, seria conduzido ao Brasil. Ao verificar que o envolvimento de um país que nada tinha a ver o caso poderia ampliar as complicações de um plano já complicado, decidiu-se pela viagem de automóvel entre La Paz e Corumbá.

Escondidos na neblina Na segunda-feira 19, num gesto que seus superiores no Itamaraty interpretariam como bisonha tentativa de despistar sua participação na operação, o embaixador Biato saiu de férias e coube a Saboia organizar todos os detalhes finais e fazer a viagem. Na quinta-feira 22, dia anterior à fuga, Molina recebeu a visita de um médico do Senado boliviano, que produziu um laudo atestando que ele enfrentava problemas de saúde, inclusive depressão. Substituindo Biato em sua ausência, naquele mesmo dia, Eduardo Saboia enviou uma cópia do laudo para o Itamaraty e, no mesmo despacho, observou que a situação pedia uma intervenção sem demora em auxílio do senador, afirmação vista como uma senha para o início da “operación libertad.”

Ao deixar, na sexta-feira 23, a garagem do edifício Multicentro, complexo empresarial onde funciona a sede diplomática brasileira, o comboio seguiu em velocidade pela avenida Arce rumo à autopista El Alto, na saída da capital boliviana. A orientação era fazer meia-volta e retornar à embaixada ao menor sinal de que autoridades bolivianas pretendessem criar embaraços ao comboio. Lembrando que chegou a passar mal no trajeto, Molina conta: “Se eu fosse para um hospital, corria o risco de ser preso. Então decidimos seguir”. Depois de seis horas de estrada, o grupo chegou a Cochabamba, na região do Chapare, uma das principais bases eleitorais do presidente Evo Morales. Ali, milhares de famílias de agricultores plantam a folha da coca, tradicional ingrediente da cultura boliviana, que em grande parte é desviada para servir ao narcotráfico. Em Cochabamba, a avenida Blanco Galindo corta a cidade. O comboio levou três horas para atravessar a região, sob neblina espessa. A tensão não deixava ninguém cochilar. “Se fossemos detidos ali, seria a morte ou algo parecido”, afirma o senador. Em mais de um contato com o governo brasileiro, quando enviou uma emissária em audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o governo de Evo Morales já havia deixado claro que gostaria de ver Roger Molina fora do País, desde que jamais pudesse ser acusado por seus próprios eleitores de proteger um político acusado de corrupção pela Justiça. “É loucura!”, reagiu Dilma ao ser consultada sobre a operação, deixando claro que o Brasil não poderia aceitar uma proposta que não tinha garantia contra riscos, inclusive possíveis ameaças à vida de Molina. Convencida de que o governo brasileiro fizera sua parte, ao garantir asilo para o senador boliviano, Dilma esperava que, incomodado com o desgaste que Molina causava a Morales, este tomasse a única medida cabível, que era dar o salvo-conduto.

Fugitivos de fraldas Pano de fundo daquela viagem dramática, as relações entre Dilma e Evo Morales atingiram um momento especial quando ambos se encontraram durante uma viagem à África. Evo pediu uma “bilateral” à presidenta brasileira e aproveitou o encontro para denunciar que o senador estava tendo um comportamento inapropriado, chegando a fazer reuniões políticas. Em seguida, Dilma determinou ao chanceler Antonio Patriota que verificasse as queixas de Morales, pedindo ao ministro que se encarregasse pessoalmente de resolver o caso com as autoridades bolivianas. Quan­­­­do Patriota lhe disse que pretendia escolher um responsável para tocar a missão, Dilma reagiu de forma dura, conforme relatou um assessor palaciano: “Você deve cuidar de tudo pessoalmente”.

SUSTO NA FRONTEIRA
A polícia boliviana parou a comitiva e solicitou documentos. Atemorizado,
o senador Roger Pinto pensou em sair correndo a pé do carro
Às 4h30 da madrugada do sábado 24, já em Santa Cruz de La Sierra, o comboio fez uma parada técnica para “esticar as pernas”. Antes e depois, o combinado era seguir caminho de qualquer maneira. Para não perder tempo com refeições, levaram-se garrafas de água mineral, barras de cereais, frutas e biscoitos. Para não irem ao banheiro, usavam fraldas geriátricas. Antes do amanhecer, já estavam na estrada rumo a Puerto Suarez. Percorreram mais 660 quilômetros pela Rodovia 4, cruzando San José de Iquitos e outros três pequenos municípios. Na rota de saída do território boliviano, passaram por cerca de 12 postos de controle, chamados “trancas”. A cada parada, o motorista no veículo da frente identificava o comboio diplomático: “Estamos em missão diplomática, deixem-nos passar”. Os viajantes jamais foram submetidos a qualquer controle que, mesmo em operação de rotina, poderia detectar alguma falha nos documentos portados pelo senador, político conhecido no país inteiro.

TERRITÓRIO INIMIGO
O momento mais difícil e perigoso da fuga ocorreu quando a comitiva passou
por Chapare (foto), região cocaleira dominada por aliados de Evo Morales
Perto das 12h30, o grupo chegou a Puerto Suarez, fronteira com Corumbá. A luz amarela intermitente no painel do veículo alertava para o baixíssimo nível de combustível. Foi então que Saboia, católico praticante, abriu a “Bíblia” em Salmos e rezou baixo com Molina, evangélico. A tensão aumentou ao pararem no último posto policial na fronteira boliviana. Embora Saboia tivesse plena ciência do interesse de Morales em permitir que Molina deixasse o país, havia o temor de um imprevisto. “Se o primeiro carro fosse bloqueado, teríamos que jogar o nosso no acostamento e passar. Ou eu desceria e sairia correndo para cruzar a fronteira a pé”, revelou o senador boliviano. Após o trajeto de 22 horas, Molina disse, como um desabafo: “Senti um conforto emocional muito grande, após tanta pressão durante 22 horas e meia e 1,6 mil quilômetros. Foram momentos dramáticos e emocionantes”, desabafou Molina.

Cercados no hotel Minutos depois, já no Brasil, eles tiveram que fazer outra parada, desta vez no posto da Polícia Federal. Estavam em Corumbá. Dois policiais fardados pediram que Saboia e Molina aguardassem no interior do veículo, enquanto eles faziam algumas ligações. Cerca de 40 minutos depois, cinco policiais à paisana chegaram ao local. Cumprimentaram a todos e disseram ter ordens superiores para fazer a escolta do grupo. Apreensivos e bastante cansados da tensão da viagem, Molina e seus acompanhantes receberam um tratamento regular, diante das circunstâncias. Foram levados ao hotel Santa Mônica. Ainda no carro, Molina ligou para o senador Ricardo Ferraço (PMDB/ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores, que almoçava despreocupadamente com a esposa em sua casa, em Vitória (ES). Ao atender, Ferraço ouviu Molina gritar do outro lado da linha. “Estou no Brasil! Necessito de ajuda para chegar a Brasília.” Ferraço primeiro tentou contato com o presidente do Senado, o peemedebista Renan Calheiros (AL). A ideia era dar um caráter mais oficial à acolhida de Roger Molina. “Vai que ele oferece um avião da FAB? Era uma questão humanitária”, diz. Sem conseguir falar com Renan, ele procurou empresários e, duas horas depois, conseguiu um avião para levar o senador até a Capital Federal.

Às 14 horas do sábado 24, o senador Molina adentrou ao hotel com Saboia e o resto do comboio. Foi direto para seus aposentos, no quarto andar. Os próprios policiais fizeram o check-in. Numa medida para evitar a presença de desconhecidos e monitorar o que se passava no quarto do senador, bloquearam todos os apartamentos daquele andar. O boliviano tomou um banho, trocou de roupa e tirou uma foto com celular. Anexou a imagem a um SMS que enviou para a filha. “Cheguei em Corumbá. Avise a todos que estou bem!” Funcionários do hotel ouvidos por ISTOÉ afirmam que o trânsito de autoridades na fronteira é comum. Por isso não suspeitaram da missão até o fim da tarde, quando “um ministro” ligou querendo falar com Saboia.

O prefeito de Corumbá, Paulo Duarte (PT), foi acionado no início da noite. O primeiro contato partiu do Itamaraty, o segundo de uma autoridade que ele prefere proteger. “Pediram que eu descobrisse se alguém com o nome de Roger Pinto Molina havia entrado em algum hospital da cidade”, relata. Funcionários da Secretaria de Saúde do município foram tirados de casa para fazer a varredura. Como não acharam ninguém, tentaram os hotéis. O Santa Mônica foi a primeira opção. Ao comunicar que havia encontrado Molina, Duarte foi orientado a achar um médico de confiança para examiná-lo. O médico encontrou o senador boliviano com um quadro agudo de desidratação e taquicardia. Ele foi medicado e orientado a repousar.

Às 20h, Ferraço desembarcou no aeroporto local. Seguiram-se, então, novos momentos de tensão. Pelo que ficara combinado, era nesse horário que ele deveria resgatar Molina. Não encontrou ninguém e ligou para o senador. Tentou também o diplomata Eduardo Saboia, mas ambos estavam incomunicáveis. “Foram horas de preocupação. Não sabia o que ia acontecer”, afirmou Ferraço. Uma hora depois, um agente da PF chegou ao aeroporto e avisou ao senador que ia buscar Molina. Às 22h, os agentes da PF montaram guarda na recepção do hotel, para impedir movimentos de entrada e saída, ação que ficou registrada nas câmeras de circuito interno de tevê do hotel. 
Conselhos do governador No aeroporto, Saboia e Roger Molina se despediram dos policiais e embarcaram. “Estou aliviado em estarmos no Brasil. Só estou preocupado com a minha família, que ficou na Bolívia”, afirmou um emocionado Saboia a Ferraço. A esposa de Saboia também é diplomata, lotada em Santa Cruz, e estava em casa com o filho. No trajeto, os dois contaram a Ferraço que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, havia telefonado para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pedindo que um médico credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) fosse até o hotel atender Molina. Era 1h20 quando o avião desembarcou em Brasília. O senador boliviano pediu, então, para que o carro oficial do senador Ferraço o levasse para a casa do advogado Fernando Tibúrcio, que possui vários contatos com a oposição boliviana. É amigo, inclusive, do empresário Tito Quiroga, que já foi candidato a presidente e é adversário de Evo Morales. Um pouco depois, Molina deu um longo depoimento ao documentarista Dado Galvão, que se aproximou de integrantes da oposição ao governo Dilma durante a patrulha petista contra a dissidente cubana Yoani Sánchez.

Ao descobrir que diplomatas brasileiros organizaram um plano que ela havia condenado de forma clara e definitiva, a presidenta demitiu Antonio Patriota de um cargo que ele conseguia conservar com dificuldades imensas, apesar da vitória inédita representada pela conquista da direção geral da Organização Mundial de Comércio por um candidato brasileiro. Submetido a uma investigação para apurar suas responsabilidades, o próprio Saboia foi removido de seu posto em La Paz e, em qualquer caso, só poderia contar com oportunidades de promoção na carreira em nova combinação política. O destino do senador Roger Molina parece encaminhado para que ele permaneça no País, desde que tenha disposição para manter uma postura discreta, longe de manifestações políticas, comportamento que se costuma pedir a quem pretende assumir a condição de refugiado. Foi por essa razão que, após conselhos do senador Jorge Vianna (PT-AC), ele cancelou depoimentos públicos nos quais seria chamado a criticar Evo Morales e, por tabela, fazer referências negativas à diplomacia do governo Dilma.


Fotos: André Ribeiro; Marcos Boaventura/Folhapress; Paulo Yuji Takarada; Joel Rodrigues/FRAME
Fotos: Michel Filho/Agência O Globo; Leon Neal/afp photo
Fotos: Martín Alipaz/EFE; Pedro santana/afp; Alan marques/folhapress

Viva o MEC, viva a inguinoranssia dos bandidos; que todos continuem assim...

Eu sei que não foi por querer, já que o MEC só faz c......s.
Eu sei que o mérito não é desse dinossauro da má educação nacional.
Mas mesmo assim precisamos cumprimentá-lo.
Afinal de contas, não se consegue aperfeiçoar a ruindade sem algum esforço e dedicação.
Ao manter esse sistema tão ruim de ensino, ao continuar patrocinando a pedagogia duzoprimudus, ao permitir que os candidatos a delinquentes saiam analfabetos da escola, o MEC nos ajuda, mesmo sem querer, ao garantir que autores de golpes como o que vai abaixo, sejam tão canhestros no seu Portugueis, que mesmo um idiota distraido acabe se safando de uma pegadinha dessas.
Viva o MEC, que continue assim.
Abaixo a educação de qualidade, vamos manter os bandidos ignorantes, com a ajuda do MEC, claro.
Mesmo se todos os outros sejam prejudicados, e não consigam ler direito. Ops!
Enfim, melhor assim, para nós.
Paulo Roberto de Almeida

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Departamento da Polícia Federal.

Atendendo a uma reclamante foi gerado uma queixa de crime em seu cpf / email, estamos entrando em contato
para a apresentacao da mesma. Para maiores esclarecimentos do Boletim de Ocorrencia de Nº 48976551A5568BD58074EEA2/2012,
na qual a sua pessoa terá que efetuar o comparecimento.

Na data e local especificado. Com os documentos de identificacao.
Confira na Ocorrencia os Documentos.
Registro de Ocorrencia
(...)

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  PRA : Praticamente de forma contemporânea à descoberta do Mensalão — que aliás foi precedido por um outro esquema fraudulento, de loterias...