quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Eleicoes 2014: Acorda Minas Gerais - José Gobbo Ferreira

Acorda Minas Gerais
José Gobbo Ferreira
Outubro de 2014

O Estado das Minas Gerais mora no meu coração. Terra dos meus pais, ali vivi os mais encantadores dias de minha vida, na fazenda de meu avô materno, no Triângulo Mineiro. A menos de uma boneca de pano trapalhona e de um sábio sabugo falante, tínhamos tudo que substituísse o pessoal do Sítio do Pica-pau Amarelo.

Pedrinhos e Narizinhos havia aos montes. Éramos mais ou menos uns quinze primos e primas. Tia Dande fazia as vezes de Dona Benta e Tia Nastácia. Havia vários Rabicós, mas nunca vi nem o Quindim nem o Saci. Talvez porque eu só ia lá durante as férias, e eles também tivessem direito às deles.

Assim, as férias de minha infância se passavam naquele ambiente quase mágico para um garoto de cidade grande.

Depois de formado, trabalhei em Juiz de Fora e Itajubá e rodei por todo o Estado. Um dia, meus pais voltaram para Minas com a família e meus irmãos lá estão até hoje. Tenho Minas no DNA e no coração.

Hoje, vejo com profunda tristeza as gentes das Alterosas sucumbirem ao canto de sereias malfazejas e virarem as costas àquele que foi um dos melhores, senão o melhor Governador que já tiveram.

No primeiro turno os emissários de Cuba conseguiram iludir a maior parte dos eleitores mineiros. Uma mulher corrupta e dissimulada conseguiu ter mais votos no território das Alterosas do que o eterno Governador. Parece que a ingratidão contaminou o coração de parte dos eleitores de Minas.

Na eleição, de um lado estava o Governador que elevou Minas como nunca no conceito nacional. Que colocou a educação, a saúde e a segurança pública mineiras em primeiro lugar na comparação com os outros Estados e encheu de orgulho o vosso peito.

Do outro, a criatura que levou o País ao fundo do poço, com déficits em todas as contas do governo e trouxe de volta a inflação para nosso país.  Fez o Brasil parar de crescer e aumentou o desemprego, apesar de mantê-lo disfarçado pelos 55 milhões de pessoas recebendo bolsa família e fora da condição de desempregados. Juntamente com seus comparsas, elevou a corrupção a um nível inimaginável e juntos espoliaram as empresas estatais para a satisfação de seus objetivos políticos e pessoais. Só da Petrobras rapinaram cerca de 10 bilhões de Reais, segundo confessa o próprio operador dos desvios.

No primeiro turno tivemos essas duas personagens levadas ao julgamento dos eleitores de Minas. E para nosso total desencanto, a megera venceu. A voz da maioria dos eleitores deu ganho de causa ao lado escuro da força.

Se me fosse possível, daria um pulo a cada canto de Minas, convidaria seu povo para prosear um pouco e lhes mostraria a mentira, a peçonha e o perigo que se escondem por trás dos sorrisos traiçoeiros desses que lutam contra vosso Governador e contra o Brasil.

Como não tenho esse poder, lhes mando um recado: Acorda Minas Gerais!

Como esquecer vossas sólidas tradições de independência e de liberdade? Esses que agora profanam vosso solo são súditos do sanguinário rei de Cuba e querem transformar o Brasil em uma cópia daquela ilha maldita. Vocês querem cooperar com esses vendilhões da Pátria? Transformar nosso País em um inferno comunista? De que lado vocês estão? De Tiradentes ou de Silvério dos Reis?

Quando lutamos tempos atrás, era em vocês que pensávamos, pois a geração de vocês é a de nossos filhos, nossos netos. Hoje eu lhes peço, do fundo do coração, que pensem agora nos vossos filhos, nos vossos netos.

Que país vocês querem deixar para eles? Esse mar de lama, onde todas nossas instituições estão mergulhadas? Essa dilapidação do patrimônio nacional para encher os cofres do partido no poder e os bolsos de seus correligionários? Esse cinismo descarado, do “não sei de nada”, “não vi nada”, enquanto o dinheiro sujo está financiando suas campanhas eleitorais? Esse uso criminoso da máquina do Estado para esmagar dissidentes e adversários políticos, espalhar calúnias e corromper parlamentares, juízes e tudo mais que lhes for conveniente? Isso é democracia? Isso é republicano?

Um doce mineiro de Pedro Leopoldo disse que “ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode recomeçar e construir um novo fim”.

O segundo turno é um recomeço. Por ocasião dele, reneguem o erro do primeiro e façam de vosso Governador o Presidente de nossa República para que, lá no Planalto, naquela cidade que outro filho de Minas fez construir, ele possa repetir, com juros e correção, o magnífico governo que realizou no nosso querido rincão.

Eleicoes 2014 e politica economica: Salários devem crescer com a economia - Arminio Fraga

Salários devem crescer com a economia, diz Arminio
Por Claudia Safatle e Alex Ribeiro | De Brasília
Valor Econômico, 09/10/2014

Chamado ao debate pela presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, o ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, escolhido para ser o ministro da Fazenda de um eventual governo Aécio Neves, afirma que tal como proposto pela campanha do PT, tal comparação é "rasteira" e uma tentativa de "fugir do debate".

O cerne da questão é recuperar a capacidade do país de crescer. "Para os salários continuarem a crescer, para os programas sociais continuarem a crescer, é preciso que a economia cresça". Para ele, apesar de todos os progressos o Brasil continua a ser um país "tremendamente desigual".

Em entrevista ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, ele propõe um "novo regime" de política econômica que vai além do retorno ao tripé representado pela meta de inflação, superávits primários das contas públicas e taxa de câmbio flutuante. O modelo se traduz em três eixos: o reequilíbrio macroeconômico, o aumento dos investimentos e o crescimento da produtividade.

De início será preciso dar maior transparência à contabilidade fiscal. Isso vai exigir a inclusão, no Orçamento da União, de todos os subsídios concedidos pelo atual governo às empresas nos empréstimos dos bancos públicos federais.

"Não sou radicalmente contra as políticas de subsídios, mas sou a favor de critérios bem definidos de concessão e avaliação de custos e benefícios para que tenham ganhos sociais e não privados", disse.

O segundo é aumentar os investimentos dos atuais 16,5% do PIB para 24% do PIB. O reforço da política macroeconômica ajudaria a queda dos juros e tiraria a pressão sobre a taxa de câmbio. Seria preciso, também, ter estabilidade nas regras do jogo e mobilização de capitais privados para alavancar a infraestrutura.

Para aumentar a produtividade da economia, a terceira vertente é desmontar, gradualmente, a chamada "nova matriz econômica" do governo Dilma, sustentada por subsídios, desonerações de impostos e proteção à concorrência externa.

A seguir, os principais trechos da entrevista ao Valor:

Valor: O programa do PSDB propõe a volta do tripé macroeconômico levado a sério ou se trata de um novo regime?

Arminio Fraga: Considerando o que está acontecendo hoje, é as duas coisas. É a volta do tripé com o reforço da transparência. Hoje isso virou um aspecto importante, porque o governo está levando a criatividade a um extremo que começa a ser altamente relevante, não só por uma questão de princípio, mas pelo tamanho. Temos o tema da dívida líquida versus bruta e o início da discussão sobre a trajetória de crescimento do gasto público.

Valor: O governo destacou o ministro Aloizio Mercadante, que se licenciou da Casa Civil, para cuidar do debate econômico da campanha. O que o senhor acha disso?

Arminio: Para mim, tanto faz. Estava fazendo falta aparecer gente para debater. Acho saudável. Espero que seja um debate de alto nível e que respeite os fatos e os contextos.

Valor: A presidente disse que o momento é de fazer comparações do governo dela com o de FHC, há doze anos. Citou a inflação de 12,5% em 2002, quando da sua gestão no BC. É uma boa comparação?

Arminio: A comparação deve ser feita dentro do contexto do que cada governo encontrou e o que deixou. Não é mais do que obrigação de um governo deixar as coisas melhores do que encontrou. Eu diria que esse governo vai deixar as coisas piores do que encontrou. A comparação de nível, com frequência feita em termos nominais, é rasteira. Mas se você quiser olhar um indicador, só um, seria por exemplo a taxa de crescimento. Eu acho errado, não gosto de fazer isso, mas a taxa de crescimento do segundo mandato de FHC foi maior do que a taxa de crescimento do governo Dilma, e em circunstâncias significativamente piores.

Valor: E em 1999, quando o Sr. assumiu o BC?

Arminio: As expectativas de inflação em 1999 oscilavam muito, entre 20% e 50%, depois da flutuação do câmbio. As expectativas eram de uma queda de 4% do PIB. O ano acabou com a inflação de 9% - ou seja, não se perdeu a âncora - e o crescimento foi positivo, em torno de 0,5%. Essa é uma discussão desenhada para fugir da situação real que a economia brasileira se encontra hoje, que é o 7 x 1 (inflação próxima de 7% e crescimento abaixo de 1%). Uma situação maquiada e com a taxa de investimento muito baixa, de 16,5% do PIB, um novo recorde de baixa. Acho que eles estão tentando fugir do debate.

"O crescimento no segundo mandato FHC foi maior do que o do governo Dilma e em circunstâncias bem piores"

Valor: O governo tem dito que, se Aécio Neves ganhar, vocês vão combater a inflação com arrocho e desemprego. O que o Sr. tem a dizer sobre isso?

Arminio: Primeiro, seria interessante entender o que o governo está tentando fazer, já que eles estão se propondo a ficar mais tempo. A condução da política macroeconômica, especialmente nos últimos três ou quatro anos, foi muito distorcida, esquizofrênica. Enquanto o Banco Central tentava segurar a inflação, o governo expandia a política fiscal e a política creditícia, principalmente de seus próprios bancos, o que acabou gerando essa situação esdrúxula de pouco crescimento e muita inflação. O que está faltando é mais investimento. É possível reequilibrar o tripé e, com isso e várias outras políticas, recuperar a confiança na economia, que está paralisada, e fazer o ajuste de forma virtuosa. Acredito que isso é possível. Foi possível em 1999, como citei.

Valor: A continuação da política em curso nos levaria ao rebaixamento pelas agências de rating?

Arminio: Acho que sim. Não estou dizendo que essa é a minha expectativa. Espero que não seja esse o governo que vai lidar com essa questão. Se for, espero que eles acertem, mas, infelizmente, não há nenhum sinal de que isso vá acontecer. Há uma recusa total de se encarar a realidade e se partir para propostas consistentes. Estão aí há vários anos e a economia só vem piorando. Seria razoável fazer uma autocrítica, ainda que discreta, pois ninguém pode exigir mais do que isso em um ano de eleição, mas pelo menos sinalizar algo pelo bem do país.

Valor: Quais seriam os elementos básicos de uma política econômica progressista?

Arminio: Esse é um tema fascinante e da maior importância. Primeiro, a despeito de vários programas sociais de boa qualidade, tem muita coisas básica que as pessoas deveriam ter e não têm. A qualidade dos serviços públicos no Brasil em geral deixa muito a desejar. Essa é a base, é algo que faz parte de um país que consegue entregar igualdade de oportunidades. Isso é numero um. Temos que continuar com os programas de combate à pobreza extrema, mas é preciso ir muito além. E nisso o governo tem tido muita dificuldade. Depois, há todo esse modelo chamado de "nova matriz macroeconômica" que nada mais é do que uma tentativa de resolver com paliativos situações que são de natureza mais estrutural, fundamental. O governo está subsidiando empresas com volumes imensos de recursos, sem qualquer justificativa social, as desonerações foram feitas sem nenhum critério que se possa identificar e até proteção contra a concorrência externa.

Valor: O que é estrutural?

Arminio: Um pacote desses só existe porque o governo não consegue entregar um custo de capital mais baixo, um sistema tributário mais razoável, que não onere as exportações e os investimentos. O governo não consegue desenvolver a infraestrutura do país, que hoje é um tremendo problema para todos os setores, do agronegócio à indústria. Então ele tenta dar esses subsídios quando o que os empresários querem, na verdade, é um país mais arrumado, com regras mais claras, menos ideológicas e menos corruptas. Dá para imaginar, também, coisas menores, mas de muita importância para reduzir o custo Brasil.

Valor: Por exemplo?

Arminio: A tributação no Brasil é, em geral, bastante regressiva. Isso merece uma revisão completa. Pode-se imaginar as revisões das desonerações, que hoje são tremendamente regressivas. Tem muitas coisas a fazer. O Brasil, apesar de todos os progressos que fez, com o fim da hiperinflação, com o Bolsa Família, continua a ser um país tremendamente desigual. Acho que a base está na qualidade do gasto público, que é onde há espaço muito grande para avançar sem prejuízo dos outros.

Valor: O programa fala em limitar o aumento do gasto público....

Arminio: A proposta é casada com a ideia de que o Brasil tem uma carga tributária alta para um país de renda média como o nosso e que, portanto, isso precisa ser discutido. Mas não é possível discutir o tamanho da carga tributária sem discutir o tamanho do gasto.

Valor: O programa do PSDB garante a manutenção de todos os programas do governo, Pronatec, Bolsa Família, Mais Médicos, e Aécio Neves colocou a revisão do fator previdenciário. Cabe tudo na conta?

Arminio: Não tem porque, em um ambiente populista como esse, listar qualquer sugestão. O governo tende a colocar esse problema como se houvesse um jogo de soma zero. Porque? Porque não estão com o crescimento na cabeça. Já esqueceram que isso é possível. Em uma economia que cresce, você pode resolver isso da forma que estou colocando. Basta controlar a taxa de crescimento do gasto, para que seja inferior ao crescimento do PIB. Outro ponto a respeito desse governo é que não há avaliação de coisa alguma.

Valor: Como assim?

Arminio: Não há transparência e, portanto, não há avaliação. Teve um momento em que o Ministério do Planejamento colocou brevemente no seu site, na gestão do Paulo Bernardo, uma avaliação, mas rapidamente tiraram. Esse país não avalia nada. Essas coisas que estão aí certamente merecem o rótulo de regressivas ou não progressista. Por isso tenho repetido que é fundamental dar transparência, consolidar tudo no orçamento. Você força esse debate que hoje não existe. As pessoas tem a sensação de que tem aqui um dinheirinho barato do BNDES que não precisa ir para o orçamento. Não é verdade. Tudo sai de algum lugar.

Valor: O baixo crescimento não é cíclico, ligado à fraqueza da economia mundial, ao aumento dos juros para baixar a inflação e à queda na confiança provocada pela acirrada disputa eleitoral?

Arminio: Tem um lado que não se pode esquecer. Para os salários continuarem a crescer, para os programas sociais continuarem a crescer, é preciso que a economia cresça.

Valor: Mas e a questão cíclica?

Arminio: Claro que chama a atenção o Brasil crescendo zero e a economia mundial crescendo 3,3%. Mas de fato cabe essa questão: será que é cíclico? Se você olhar a média do crescimento do Brasil com a média da América Latina nos quatro anos do governo Dilma, usando a projeção do Focus para esse ano, o Brasil ficou aproximadamente dois pontos percentuais abaixo. É bom lembrar que a América Latina inclui Argentina, Venezuela, que não estão indo bem. Se você comparar só com os países que estão mais arrumados, Peru, Colômbia, que crescem 4% ou mais, não faz sentido. Eu estava olhando as relações de troca do período Dilma versus o governo FHC. Caiu um pouco ao longo desse período, mas ainda está em um nível alto comparado com a média histórica. Não acho que seja um problema cíclico. Os problemas que existem são auto-impostos e podem ser corrigidos.

"A qualidade dos serviços públicos é número 1; é o que fará o país entregar igualdade de oportunidades"

Valor: O BC diz que o país está em um período de transição, que há uma mudança estrutural com menos consumo e mais investimentos e exportações, aumento da produtividade puxado por mais escolaridade, pelas concessões e desvalorização cambial. Esse ciclo virtuoso vai aparecer em breve?

Arminio: O Banco Central vem falando dessa transformação há bastante tempo e ela não tem aparecido porque tem problemas. Alguns desses temas de fato tem impacto positivo, mas é preciso olhar o agregado quando, ao mesmo tempo, há aspectos que estão indo na outra direção. O número de investimento do último trimestre, 16,5% do PIB, é muito baixo. Essa "nova matriz econômica", a meu ver, não gera crescimento. Infelizmente foi testada no passado, não deu certo, e cá estamos outra vez. O próprio ministro Mantega, quando assumiu, se não me falha a memória, em uma reunião ministerial - esse documento sumiu do site- falava de um crescimento médio em torno de 5%, indo para 6,5%, nesse governo. O sonho de crescer, todos nós temos. Tem que mudar o modelo.

Valor: Onde a abertura comercial ajuda nesse novo regime?

Arminio: Estamos discutindo a importância de ter o Brasil conectado com as melhores cadeias produtivas do mundo. Queremos um país tão produtivo, tão próspero e tão justo quanto os países mais avançados do mundo. Essa conexão é muito importante. Nossa proposta não é fazê-la da noite para o dia, mas ir aos poucos abrindo, na medida em que se resolvem as questões estruturais. Um ponto que precisa ser mencionado, além disso, é a alocação do capital. Está se politizando o investimento e, com certeza, o país perde.

Valor: O senhor defende uma abertura unilateral do Brasil?

Arminio: Sempre pensamos de maneira multilateral, mas a partir de determinado momento perdemos o bonde. O mundo inteiro começou a fazer acordos regionais, bilaterais, e nós ficamos para trás. Penso que isso foi uma grande desculpa para manter o protecionismo, que certamente não resolveu o problema da nossa indústria. Olha o estado dela hoje.

Valor: O plano do Aécio é levar a inflação para a meta de 4,5% em dois ou três anos. O BC tem um cronograma semelhante. Qual é a diferença em relação ao que já está sendo feito?

Arminio: O BC está falando isso há três anos. Há uma divergência entre o discurso e o realizado. Não nego que o resto do governo dificulta esse trabalho, porque tem uma expansão fiscal ao longo do caminho e expansão de crédito. É muito difícil o BC remar contra essa corrente.

Valor: O BC não tem que se preocupar com o emprego e a renda?

Arminio: Com certeza o BC tem que fazer política anticíclica, mas é consenso de que não se consegue eliminar o ciclo totalmente. Achar que inflação mais alta vai trazer mais bem estar para as pessoas não faz o menor sentido. E, se alguém sabe disso, somos nós no Brasil, que vivemos um período de inflação alta. Não houve no Brasil nada que prestasse a partir desse caminho. Inflação alta sempre foi ruim para o crescimento e para a distribuição da renda.

Valor: Mas o país está com pleno emprego e ganho de renda e talvez seja por isso que a presidente Dilma liderou o primeiro turno das eleições...

Arminio: O fato de o desemprego estar baixo é muito bom. O problema é para onde estamos indo.

Valor: Como rever o tamanho do BNDES, que cresceu à base de endividamento do Tesouro Nacional?

Arminio: Estamos falando de dinheiro subsidiado, e isso é algo que tem que estar disputando com outros itens do orçamento. A sensação de que existe aqui um espaço especial para o gasto é muito ruim para a economia e considero um desrespeito à democracia. Com certeza o BNDES tem um papel importante para cumprir em várias áreas, na infraestrutura, mas isso tem que ser feito com critério, transparência e contabilizando os subsídios. Não tenho dúvida de que isso vai gerar uma transição suave.

Valor: A opção do PSDB é por arrumar a casa de maneira gradual?

Arminio: Tem dois itens macro que devem ser ajustados de forma gradual. Um é o saldo primário, outro é a trajetória da inflação. Porque acredito que com isso será possível nós nos beneficiarmos das melhorias nas expectativas, da confiança em geral. Esse ajuste tem tudo para ser virtuoso, apesar do que dizem por aí. Ponto. O resto, dar transparência, revisar o sistema tributário, repensar nossa política de integração ao mundo, agilizar tudo que tenha a ver com investimentos e infraestrutura, tem que feito com a máxima urgência. Não confunda as coisas. Quando você combina uma resposta macro correta, diminuindo a incerteza, com um lado estrutural, microeconômico, o resultado é bom. Essa agenda micro/estrutural é preciosa e pode ser feita na máxima velocidade possível.

Valor: Haverá uma política de reindustrialização?

Arminio: Eu diria que sim. A indústria está passando momentos extremamente difíceis. E nos acreditamos que o modelo que vai reduzir o custo do capital, tirar a pressão da taxa de câmbio, fazer a reforma tributária e investir muito em infraestrutura vai melhorar a vida da indústria e permitir que aos poucos sejam removidas essas cortisonas que se tem por aí.

Valor: Sempre que se entra na campanha eleitoral, volta o assunto da privatização. Que o candidato do PSDB vai privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e assim opor diante. Haveria alguma nova privatização?

Arminio: A ideia é de reestatizar o Estado. A leitura do Aécio é que a Petrobras está aparelhada, está capturada, com interesses partidários e privados e que isso tem que acabar.

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A frase da semana, e uma pergunta aos companheiros: so 3 por cento?

Estou achando pouco. O padrão PC Farias, da era Collor (hoje um aliado e amicíssimo dos companheiros) foi o de precisamente elevar a taxa de extração, de 5 para 10, 12 ou mesmo 15% das operações em curso.
Não posso acreditar que tenha sido só isso.
Em todo caso, mesmo sendo, considerando-se os contratos milionários, ou mesmo bilionários, da Petrobras, trata-se de somas enormes a cada vez...
Ou seja: os companheiros estão nadando em dinheiro, como Tio Patinhas.
Aqui a frase de um dos bandidos (mas tem vários outros):

...os contratos da Petrobras pagavam 3% de propina para partidos políticos da coligação do governo...

Acredite quem quiser.
Paulo Roberto de Almeida 

Eleicoes 2014: uma analise economica do voto de uma consultoria demonizada

Como já não disse, não apoio nenhum partido em especial. Apenas manifesto minha preferência por esta ou aquela causa, ou proposta, partidária, dependendo de uma análise estritamente objetiva de sua racionalidade, eficiência e adequação às nossas necessidades, tais como eu as percebo.
Agora mesmo, por exemplo, já não estou nem mesmo considerando a racionalidade de tais e tais medidas econômicas, pois esta é uma consideração absolutamente secundária ante a realidade política com que nos defrontamos.
Minha única preocupação, neste momento, é esta: estamos sendo governados por uma máfia que tomou de assalto o poder, e que usa e abusa de todos os meios para se perpetuar no poder, não porque sejam neobolcheviques mafiosos (o que eles são) que por acaso pretendam implantar o socialismo no Brasil. Não, isso eles não pretendem: eles são burros, ignorantes, mas não são estúpidos, e não querem matar a galinha (ou seja lá o que for) dos ovos de ouro de quem eles extraem recursos. Ou seja, eles não pretendem matar os capitalistas, senão de onde arrancariam o dinheiro de que necessitam para: (a) consolidar seu poder criminoso; (b) viver bem, muito bem...
Por isso, antes de qualquer outra consideração de política econômica, meu principal objetivo é afastar a máfia do poder.
Segunda coisa: não me pronuncio por candidatos, e sim por políticas. O fato de que esta consultoria faz campanha por um candidato tem menos importância para mim, ao colocar este post, do que sua análise econômica do Brasil, para ficar num terreno objetivo.
Dito isto, fiquem com a análise econômica da consultoria que deixou os companheiros nervosos com o seu livro "O Fim do Brasil". Bem, seria o fim, mesmo, se os mafiosos continuassem no poder. Ainda que o perigo não esteja de todo afastado -- e os neobolcheviques criaram vários expedientes para continuarem exercendo dominação sobre largos extratos da sociedade, inclusive com o seu decreto bolivariano dos sovietes petistas -- creio que estamos caminhando para uma inversão nas tendências dos últimos doze anos. Oxalá.
A razão, na verdade, é muito simples, e pode dispensar longas análises econômicas ou sociológicas: os companheiros roubaram demais, e foram muito cínicos com a sociedade. A sociedade cansou. E cansou também da ineficiência, da incompetência deles...
Já deu PT. Nem a pau, Juvenal!
Agora, fiquem com a análise econômica.
Paulo Roberto de Almeida

Votaremos em Aécio Neves
Boletim diário Empiricus, 9/10/2014

Dadas as críticas públicas já proferidas contra o atual governo, talvez não seja novidade. Não importa. Dadas as circunstâncias, a formalização nos parece necessária.

Fundamentamos a escolha em dois grandes elementos, de raízes distintas: a primeira, muito menos relevante, ligada a uma espécie de dever fiduciário; a segunda, cívica.

Comecemos do menos importante. A Empiricus é uma consultoria de investimentos, cujo foco das recomendações está em ativos brasileiros. Conforme narrado em verso e prosa pela cruel realidade, aumentos da probabilidade de eleição de Dilma Rousseff têm se traduzido em perda de valor para os ativos brasileiros (renda fixa, moeda e ações). Analogamente, vale o inverso para o caso de maior chance da oposição.

De forma óbvia, a maior parte de nossos clientes detém fatia relevante (em muitas vezes, a totalidade) de seu patrimônio em ativos domésticos. Portanto, se é da obrigação de uma firma qualquer atuar no interesse de seus clientes, a Empiricus precisa manifestar-se em favor daquele candidato capaz de valorizar os investimentos no Brasil. Essa é a retribuição mínima que temos com nossos assinantes.

Trata-se, porém, de algo secundário no momento. O outro elemento é bem mais profundo e significativo, feito não por empresários, mas por brasileiros, com formação (e vocação) em Economia, a saber: achamos que a candidatura de Aécio Neves seria capaz de conferir um futuro melhor ao País, na comparação com o prognóstico oferecido pela recandidatura da atual presidente.

A assertiva decorre da interpretação de que a nova matriz econômica - nome dado à série de medidas adotada em resposta à crise de 2008 - marcada por uma espécie de ensaio nacional-desenvolvimentista, de fechamento da economia e aumento do intervencionismo do Governo, representa uma inadequação à política econômica brasileira.

Desde a saída do ministro Palocci, abandonamos a ortodoxia, com o clássico tripé macroeconômico sendo vilipendiado em prol da tal nova matriz. As medidas heterodoxas têm suas consequências devidamente catalogadas: desemprego e inflação, com direito a risco de crise cambial.

A Economia é uma ciência voltada a três preceitos, cuja coexistência simultânea e na mesma intensidade pode ser impossível. Dadas a escassez de recursos, as dotações iniciais e a impossibilidade de alguém simplesmente impor uma determinada alocação aos agentes, havemos de fazer escolhas (trade offs) entre as três coisas.

Aos poucos familiarizados, os preceitos da Economia são:

Eficiência, tradicionalmente ligada à ótica paretiana, de que uma situação é eficiente se não é possível melhorar a posição de alguém sem piorar a de outrem. De forma mais simples, normalmente se relaciona eficiência ao ritmo de crescimento do bolo, ou seja, à velocidade em que o PIB aumenta e/ou a indicadores de produtividade.

Equidade, que poderia ser quebrada em subitens. Equidade horizontal, a necessidade de se tratar os iguais como iguais. E equidade vertical: diferentes merecem tratamento diferente. Usualmente, o conceito é ligado a uma alocação de recursos mais justa. Como o bolo é dividido entre os diversos convidados do aniversário, sendo desejável, obviamente, tamanhos semelhantes entre cada um dos cidadãos.

Liberdade, sem muita necessidade de explicação. A defesa das liberdades individuais parece ser um valor indisputável.

O ideal, claro, seria ter os três, em sua plenitude. Ocorre que, na prática - e também na própria teoria -, precisamos normalmente escolher entre as coisas.

O que o Governo Dilma tem a nos dizer sobre cada um dos preceitos?

Comecemos pelo crescimento. Embora não tenhamos fechado o ciclo de governo, as projeções de consenso sugerem um crescimento médio anual do PIB de apenas 1,7%. Esse é o segundo pior resultado de toda a República, à frente apenas do percentual obtido por Floriano Peixoto, de 1891 a 1894, com o País basicamente em guerra.

Seria culpa da crise externa?

O discurso oficial é de que o baixo crescimento decorre dos efeitos da crise internacional. Mentira. A desonestidade intelectual tem sido marca da administração Dilma - e essa afirmação é exemplo canônico.

Em que pese, de fato, algum efeito dos problemas externos, a desaceleração brasileira é muito mais destacada. Grosso modo, a economia mundial desacelera seu crescimento nos últimos anos de 4% para 3% ao ano, enquanto nós caímos para 1,7%.

Em reforço, nos governos FHC e Lula, o crescimento econômico brasileiro fora semelhante ao da América Latina. Agora, estamos cerca de dois pontos percentuais abaixo.

Para este ano, em particular, as projeções são emblemáticas. A economia mundial deve crescer 3,3% e os mercados emergentes 4,4%. Por aqui, teremos menos de 0,3% - conforme as estimativas contidas no relatório Focus do Banco Central.

Estaremos atrás até mesmo da Zona do Euro, contrariando a fase contundente da presidente Dilma no programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, em resposta (incorreta) à jornalista Miriam Leitão: “a maior barriga é da Europa.”

Infelizmente, a realidade insiste em favorecer a dieta europeia. A tabela abaixo do FMI serve, com precisão cirúrgica, à argumentação:

A partir dos dados, não há sequer como considerar a hipótese de que a crise vem de fora. A culpa de estarmos bem abaixo da média não pode ser da média. Essa culpa é intransferível e pertence ao Governo, mais especificamente à nova matriz econômica.

Como a candidatura de Aécio Neves, se vitoriosa, abandonaria essa matriz e retomaria a ortodoxia, a opção nos parece superior para a eficiência da Economia - falaremos mais sobre isso adiante.

Tratemos, agora, da liberdade. Se o governo Dilma não endereçou adequadamente questões ligadas à eficiência, teria ele sido capaz de conferir mais liberdade?

Claramente, não.

O governo foi marcado por tentativas sucessivas de cercear a liberdade de expressão. Aqui, citamos três movimentações fortes no sentido de calar vozes dissonantes: i) a publicação no site oficial do PT de uma lista negra de jornalistas a serem perseguidos; ii) o pedido de demissão de funcionária do Santander que relacionou queda dos ativos brasileiros ao eventual ganho de espaço de Dilma Rousseff nas pesquisas; e iii) a acusação à Empiricus de fazermos terrorismo eleitoral, com direito a reclamação - negada  por um placar bastante eloquente de 5 x 2 - sobre nossas campanhas no Google.

Ademais, o maior intervencionismo governamental - e aqui evitamos o termo “estatal” propositadamente, pois havemos de grifar as diferenças entre Estado e Governo -, um dos pilares da nova matriz econômica, implica impor ao mercado regras e condições (além de surpresas), reduzindo, portanto, a liberdade dos agentes econômicos.

É como se o Governo, de forma discricionária, pegasse certos empresários pela mão e tentasse impor suas vontades. Foi assim na MP 579 (responsável pela destruição do setor elétrico), no novo marco regulatório do setor petróleo, nas leis de conteúdo nacional, no controle de preços (energia elétrica, tarifas públicas, combustíveis e câmbio) e no spread bancário menor, conseguido, temporariamente, a fórceps.

A perda de liberdade empresarial implica inibição do espírito animal, das forças dionisíacas, da transgressão de padrões inerente à inovação. É um desincentivo à tomada de risco, força-motriz da sociedade capitalista. Se o empresário teme mudanças nas regras do jogo e a não-remuneração pela assunção de risco, não investe. Simples assim.

Dito de forma direta, o maior intervencionismo do Governo na Economia é sinônimo da perda de liberdade dos agentes econômicos.

Por fim, resta a equidade, bandeira clássica da atual administração petista, os “únicos que colocaram os pobres no orçamento.” A briga do nós contra eles, a senzala contra a casa-grande, os petistas contra a elite branca faz sentido?

Estudos mais recentes indicam que, depois de 10 anos consecutivos em queda, a desigualdade de renda no Brasil parou de cair de forma estatisticamente significativa em 2012. Documento IPEA n 159 é categórico em dizer que a concentração de renda no Brasil cai sistematicamente do final do governo FHC até 2012. A partir daí, há dúvidas.

O índice de Gini apresenta queda marginal entre 2011 e 2012, enquanto as curvas de Lorenz dos dois anos estão sobrepostas, indicando, grosso modo, estagnação na melhora. (Índice de Gini e Curva de Lorenz são indicadores que mensuram a distribuição de renda).

De forma semelhante, a Pnad de 2013, recém-divulgada em meio a uma grande polêmica, mostra, em linhas gerais, paralisia na queda do índice de Gini, que passa de 0,496 em 2012 para 0,495 em 2013, novamente indicando interrupção do processo de melhoria da distribuição de renda no Brasil.

Ainda mais problemático, estudo encomendado pelo IPEA a partir de dados do Imposto de Renda (semelhante àquela do famoso Piketty) mostra concentração de renda entre 2006 e 2012 - em 2012, os 5% mais ricos do País detinham 44% da renda; em 2006, o percentual era de 40%.

Ou seja, o Governo Dilma trouxe uma piora enorme em eficiência e em liberdade; na melhor das hipóteses, foi acompanhado de melhoras modestas para a distribuição de renda.

O importante aqui é mencionar que a melhora na distribuição de renda não é exclusividade do PT. Ela começa no Governo Fernando Henrique, conforme supracitado.

Os gastos sociais aumentam sistematicamente como proporção do PIB desde FHC, sem pestanejar. Mais do que isso, o maior programa social já feito na história deste país se chama Plano Real - registre-se: rejeitado, à época, pelo Partido dos Trabalhadores.

A inflação é o mecanismo mais tradicional de concentração de renda, afetando muito mais o pobre, pois o rico tem dinheiro aplicado, protegido da escalada dos preços. Também sobre o quesito inflação, o Governo Dilma vai mal - o IPCA de setembro, divulgado ontem, aponta inflação de 6,75% em 12 meses, acima do teto da meta de 6,50%, mesmo com preços represados.

Mas o passado não se muda. Poderíamos votar em Dilma se o futuro prometesse ser melhor frente ao passado. Se houvesse alguma sinalização de que a nova matriz econômica seria abandonada, esse texto talvez nem existisse.

Há erros claros no governo que impedem qualquer suposição de melhoria à frente. Ao contrário, as evidências sugerem dobrar a mão na heterodoxia. Conforme afirmado pelo ministro Mantega, a presidente Dilma levará essa política econômica "às últimas consequências". E o discurso de campanha recrudesceu no discurso contra a ortodoxia, ao demonizar os bancos, o Banco Central independente e a ortodoxia de Armínio Fraga.

Por que insistirão na nova matriz econômica? Em nossa visão, por quatros razões, sendo duas delas associadas a equívocos de diagnóstico e as outras ligadas a fatores ideológicos.

Primeiro, se a interpretação é de que a crise vem de fora, não há porque mudar a política doméstica.

Segundo, ainda dentro do erro de diagnóstico, a interpretação da administração Dilma é de que o problema da economia brasileira é de demanda. Para tal doença, prescreve-se a receita de mais crédito, mais subsídio ao consumo e impulso dos gastos públicos.

Ocorre, porém, que o problema é de oferta agregada - e não de demanda. E se você estimula a demanda agregada quando o problema é de oferta, o livro-texto alerta: aparecerão inflação e déficit em conta corrente. Bingo!

O terceiro ponto é a raiz ideológica, também dividido em dois subpontos:

3a) a crença de que “um pouquinho de inflação tudo bem pois gera mais emprego”, num debate que parece pertencer a década de 70, ignorante à crítica de Lucas, que atesta como o trade-off existe apenas no curtíssimo prazo;

3b) a visão de que o Estado é melhor do que o mercado para resolver os problemas da Economia, desafiando o Primeiro Teorema do Bem-estar da Microeconomia.

Sem um bom diagnóstico, distorcido por uma ideologia atrasada, não há como haver um bom prognóstico.

Assim, depois de tantas ameaças e tentativas de censura, declaramos nosso único, e exclusivo, vínculo com a candidatura de Aécio Neves: o voto.

O mito do governo gratis - Paulo Rabello de Castro (livro)

O mito do governo grátis

9f66fe03 de96 4abd 99cf 82e328654214 O mito do governo grátis
O mito do governo grátis é um fenômeno político que promete distribuir vantagens e ganhos para todos, sem custos para ninguém. Está na raiz do declínio do vigor da economia brasileira e na estagnação do seu processo produtivo. O governo grátis, como expressão de controle social, é o ápice do ilusionismo político e, no Brasil, tem sido prática corrente por sucessivos governantes, deixando um rastro de atraso, decadência e injustiça social. Podemos considerá-lo o grande adversário da prosperidade e o inimigo número um da ascensão social e patrimonial dos brasileiros.
“O mito do governo grátis – o mal das políticas econômicas ilusórias e as lições de 13 países para o Brasil mudar” (Edições de Janeiro, 2014) oferece denúncia, antídotos e meios de superação desse fenômeno. Paulo Rabello de Castro propõe uma reflexão aguda, apresenta dados consistentes e exemplos em todo o mundo, mostrando os efeitos nocivos desse regime e uma proposta para o Brasil se libertar.

Vaticano: a mais importante discussao do Sinodo dos bispos: o que diria um papa argentino?

Bispos e teólogos das mais diversas vertentes do cristianismo estão reunidos neste mesmo momento no Vaticano, para tentar descobrir qual era a verdadeira nacionalidade de Jesus.

        Vamos as conclusões (provisórias) deles.

         A) Três provas de que Jesus era judeu:
        1 - Assumiu os negócios do pai;
        2 - Viveu em casa até os 33 anos;
        3 - Tinha certeza de que a mãe era virgem, e a mãe tinha certeza de que ele era Deus.

        ENTRETANTO...

        B) Três provas de que Jesus era irlandês:
        1 - Nunca foi casado;
        2 - Nunca teve emprego fixo;
        3 - O último pedido dele foi uma bebida.

        C) Três provas de que Jesus era italiano:
        1 - Falava com as mãos;
        2 - Tomava vinho em todas as refeições;
        3 - A mulher mais importante da sua vida era a mamma.

        D) Três provas de que Jesus era americano (mais precisamente da California):
        1 - Nunca cortou o cabelo (hippie)
        2 - Andava descalço (hippie)
        3 - Inventou uma nova religião (hippie)

        E) Três provas de que Jesus era francês:
        1 - Nunca trocava de roupa;
        2 - Não lavava os pés;
        3 - Não falava inglês.

        F) Três provas de que Jesus era brasileiro:
        1 - Nunca tinha dinheiro;
        2 - Vivia fazendo milagres;
        3 - Se ferrou nas mãos do governo...

        CONCLUSÃO:
        Não foi possível chegar a um consenso sobre a nacionalidade de Jesus.

        Quanto a Judas, todos concordaram: era Argentino!

Eleicoes 2014: uma reflexao inocente, e uma lembranca para a Policia Federal

Para terminar o dia (no caso a noite):

Primeiro a reflexão: 
Acho que podemos deixar de lado todo o debate econômico, de políticas públicas, de programas sofisticados de governo, saber quantos kms de estrada vamos construir, empregos, escolas, hospitais, e ficar numa mensagem muito simples para o grande público, usando inclusive uma frase que já foi dita antes por um candidato.

Apenas isto:
O problema dos companheiros é que eles roubaram demais, e o povo brasileiro cansou do cinismo.
A frase é esta: "Já deu, PT !", ou então: "Nem a pau Juvenal !"

Agora a lembrança: 
Alô, alô, Polícia Federal, acabou aquela jabuticaba brasileira, da trégua eleitoral, de não poder prender ninguem durante o período de votação. Já podem prender todos os companheiros ladrões.

Apenas isto: 
Ao trabalho pessoal, embarquem os suspeitos de sempre, os companheiros mafiosos...

Aliás, eu acho que estamos quase ficando parecidos com a Chicago do Al Capone: só faltam aquelas metralhadoras de tambor redondo, e algum metidinho a Eliott Ness...
Paulo Roberto de Almeida

Pausa para... humor involuntario: UFC econômico entre Armínio Fraga e... Mercadante!!!

Gentes, não pude evitar um riso enorme quando li a primeira manchete do dia (neste caso da noite) no jornaleco vicioso do Stalin Sem Gulag, o chamado Correio do Brasil.
Primeiro achei motivo para riso, depois eu me preocupei bastante.
Falei comigo mesmo:
Mas vai ser um massacre!  Isso é injusto com o pobre Mercadante, o "doutor pela UniCamp". O que os companheiros o obrigaram a fazer???!!!

Enfim, vejam vocês mesmos a manchete:
    
Mercadante fará contraponto a Armínio Fraga no segundo turno
No tabuleiro das eleições, neste segundo turno, a presidenta Dilma Rousseff, que concorre a um novo mandato, definiu que caberá ao atual ministro-chefe da Casa Civil,...  2014-10-08 12:55:58 / 

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Enfim, não quero ser injusto com os companheiros, nem com os meus 18 leitores (essa eu emprestei ao meu colega Alexandre Schwartsman, um economista quase processado pelo Banco Central, por dizer coisas inconvenientes), e por isso vou postar toda a matéria aqui, para não obrigar ninguém a ir no jornaleco do Stalin Sem Gulag.
Mas, vejam todos como tem muito material para humor involuntário, malgré eux, quero dizer, a despeito deles, metade do que eles colocam ali se presta a momentos desopilantes...
Paulo Roberto de Almeida
PS: Recomendo um plantão do SAMU por ocasião desse encontro, se é que vai haver um...

Mercadante fará contraponto a Armínio Fraga no segundo turno

Correio do Brasil, 8/10/2014 12:55
Por Redação - de Brasília e São Paulo

Mercadante é o ministro da Educação do governo Dilma
Mercadante foi ministro da Educação do governo Dilma e atualmente chefia a Casa Civil
No tabuleiro das eleições, neste segundo turno, a presidenta Dilma Rousseff, que concorre a um novo mandato, definiu que caberá ao atual ministro-chefe da Casa Civil, o senador e economista Aloizio Mercadante, contrapor argumentos contra as teses neoliberais do financista Armínio Fraga, neto, ex-presidente do Banco Central (BC) no governo de Fernando Henrique Cardoso, provável ministro da Fazenda em caso de uma vitória dos tucanos. Nesta quarta-feira, Fraga reduziu o tom adotado no primeiro turno da campanha e, agora, afirma não ser necessário um “ajuste fiscal brusco” para reequilibrar a economia.
– O ajuste macroeconômico precisa ser gradual, mas tem que ter credibilidade. Não acho razoável tentar chegar à meta (de inflação) em um ano. Seria muito sacrifício à toa. Se esperarmos um pouco, a economia estará investindo mais e isso cria um ambiente melhor para reduzir essa expectativa – disse Fraga, neto, a jornalistas.
Caberá, no embate, a Mercadante, defender o atual modelo econômico, que PSDB classifica de híbrido, com a introdução de um viés intervencionista do Estado que, segundo afirma o tucano, não produziu resultados. Arminio diz que, em caso de vitória nas urnas, governaria com o diapasão de Antonio Palocci, ministro da Fazenda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Sem Mantega
Na reunião entre a presidenta Dilma e dezenas de líderes petistas e de partidos aliados para delinear a estratégia do segundo turno, na noite passada, Mercandante foi anunciado como coordenador da campanha e provável ministro da Fazenda, em um possível segundo mandato. Na posição que almejava desde a eleição do presidente Lula, 12 anos atrás, Mercadante será também o porta-voz para assuntos econômicos e, para isso, disse nesta quarta-feira que se licenciará do cargo.
Presidente nacional do PT, o jornalista Rui Falcão desconversou quando questionado por jornalistas se Mercadante assumirá o posto do ministro Guido Mantega. Falcão adiantou apenas que Mercadante será uma espécie de contraponto a Arminio Fraga.
Na coordenação da campanha, Mercadante diz que realizará um levantamento das “pendências” deixadas por Aécio durante sua passagem pelo governo de Minas Gerais, especialmente as promessas não cumpridas, como forma de apresentar, corretamente, o candidato adversário à opinião pública. Dilma pretende que a missão seja cumprida em “alto nível”, com o que concorda o chefe do marketing político petista, João Santana.
– Será uma campanha a favor da Dilma, e não contra o Aécio – adiantou Santana.
Campanha humilde
O PT também pretende revisar a tendência dos votos que seguiram à candidata do PSB, Marina Silva, em São Paulo. Segundo Rui Falcão, o perfil do eleitores da ex-senadora é similar ao de 2010, quando Marina obteve votação ligeiramente menor do que a deste ano. Quanto a um possível apoio do PSB à candidatura tucana, o líder petista preferiu não comentar. Falcão preferiu destacar a opinião de líderes do PSB contrários ao acordo, como a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, a senadora Lídice da Mata (BA) e o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho.
Governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel prefere não fazer projeções, mas disse que também tentará ampliar a vantagem obtida por Dilma em seu Estado. A presidenta recebeu 43% dos votos, contra 39% de Aécio e 14% de Marina. Pimentel promete andar pelo Estado na campanha, mas ponderou que expandir a vantagem “vai depender dos mineiros”.
– Vai depender das estratégias que vamos adotar, mas não vou falar em números. Eles (PSDB) que falaram em 4 milhões de votos de frente e acabaram derrotados. Vai ser, novamente, a campanha da humildade contra a arrogância – pontuou Pimentel.
Congresso hostil
Caso vença as eleições, como preveem as pesquisas de intenção de votos para o segundo turno, a presidenta Dilma encontrará um Congresso mais conservador do que na última legislatura. Hostil a causas como o casamento gay, o direito ao aborto e a liberação da maconha, os deputados e senadores eleitos por segmentos retrógrados da sociedade serão mais uma pedra no sapato da provável mandatária.
Pesquisas preliminares realizadas pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) sobre o perfil dos parlamentares eleitos no último domingo apontam que o Congresso Nacional, que passará a legislar em 2015, é o mais conservador desde a redemocratização do país, no final da década de 1980.
– São sérios os riscos de retrocessos em relação aos direitos civis e à legislação trabalhista – alerta o diretor de Documentação do Diap, Antônio Augusto Queiroz.
Segundo afirmou a jornalistas, esse conservadorismo está expresso, por exemplo, no vigor da chamada “Bancada da Segurança”, formada por mais de 30 policiais, militares e apresentadores de programas populares.
– Embora pequena numericamente, essa bancada chega ao Congresso com sangue nos olhos para discutir temas que afrontam os direitos sociais, como, por exemplo, a redução da maioridade penal. E, além disso, têm grande acesso à mídia – afirma.
A maior preocupação do Departamento, de qualquer forma, é com a envergadura da “Bancada Empresarial” que, pelos levantamentos preliminares, já soma 190 deputados, sendo 30 novatos e 160 reeleitos. Em 2010, eles eram 246, mas a “Bancada Sindical”, que lhes fazia contraponto, também era mais robusta, com 83 cadeiras. Agora, os representantes dos trabalhadores caíram para apenas 46. Um baque que, segundo o analista, poderá ser verificado em discussões como, por exemplo, a das terceirizações.
– Nos últimos 12 anos, os empresários não afrontaram os governos do PT porque tinham expectativa de conseguirem alguns benefícios fiscais, como as desonerações que de fato tiveram. Mas agora o isso acabou. O governo não terá mais o que negociar e eles irão investir com tudo para reduzir o que ainda não conseguiram: o custo do trabalho – avalia Queiroz.
Para ele, é grande o risco do parlamento aprovar pautas como a terceirização da mão-de-obra ou uma reforma tributária que penalize os trabalhadores. O Diap ainda não finalizou os estudos sobre o perfil da nova “Bancada Ruralista”.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Itamaraty e eleicoes 2014: as postagens mais acessadas no Diplomatizzando

Eu sempre me pergunto o que é que as pessoas veem ler aqui no meu blog. Não que eu me paute pelas preferências de terceiros, sejam eles amigos ou "inimigos" (devo ter muitos, sobretudo entre os companheiros), ou até "invejosos".
Mas é que é importante saber, pois se trata de um indicador de interesses momentâneos, ou até sistêmicos, que podem guiar a confecção de novas matérias, abordando os mesmos assuntos sob ângulos diferentes. Um pouco como acontece nas redações de jornais.
Não que eu tenha de seguir preferências de consumidores, como os publicitários ou marketólogos.
Mas é que se as pessoas vieram aqui é porque havia algo de interesse, e quem define o interesse em primeiro lugar sou eu mesmo, exclusivamente, essencialmente, sempre.
No período recente, por exemplo, o que atraiu mais gente neste blog improvisado, e algo confuso, foi o Itamaraty, por um lado, e as eleições, por outro.
Normal para este tema, menos normal para o outro, se não fosse por certas trapalhadas do lado do Itamaraty nos últimos tempos, não por culpa dele, obviamente, mas sempre por culpa dos companheiros. Os companheiros são patéticos, sobretudo em política externa.
Bem, patéticos não é bem o termo, mas vocês vão entender porque eu não uso outra expressão, não é mesmo?
Aqui estão as postagens mais visitadas:


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No total aparece isto. Parece que estou chegando numa bela contagem redonda...
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Paulo Roberto de Almeida 

Eleicoes 2014: primeira pesquisa para o 2. turno: inversao das tendencias

Sem comentários, pois tudo é preliminar, e muitas surpresas vão ainda aparecer (sobretudo as mais desagradáveis, sabe-se lá de onde virão, não é mesmo?).
Paulo Roberto de Almeida

Primeira pesquisa de segundo turno mostra Aécio com 54% e Dilma com 46%

InfoMoney. 8/10/2014

Pesquisa foi feita pelo Instituto Paraná, encomendada pela revista Época; em relação a rejeição, Dilma tem 41%, enquanto outros 32% afirmaram que não votariam em Aécio “de jeito nenhum”

SÃO PAULO - Pesquisa do Instituto Paraná, encomendada pela revista Época, divulgada na tarde desta quarta-feira (8) mostrou o candidato do PSDB, Aécio Neves, à frente nas intenções de voto com 54%, enquanto Dilma Rousseff (PT) apresenta 46% dos votos válidos. Considerando os eleitores indecisos e votos em branco - que somaram 10% -, Aécio tem 49% e Dilma 41%.
Na pesquisa espontânea, em que não são citados os nomes de cada candidato, Aécio tem 45%, e Dilma, 39%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto Paraná Pesquisas entrevistou, entre a segunda-feira (6) e esta quarta-feira (8), 2.080 eleitores. Foram feitas entrevistas pessoais com eleitores maiores de 16 anos em 19 Estados e 152 municípios.
“Podemos afirmar que Aécio Neves inicia o segundo turno com uma boa vantagem, porque herdou mais votos de Marina Silva (a terceira colocada). Vamos ver como o eleitor se comportará após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão”, afirmou o economista Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas, para a revista Época.

Postagem em destaque

Uma brevíssima história do mundo - Paulo Roberto de Almeida

Uma brevíssima história do mundo - Do caos primitivo para os primeiros impérios do mundo (busquem no Arnold Toynbee a variedade dos poderes ...