About That Japan Deal
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quinta-feira, 24 de julho de 2025
About That Japan Deal: Arithmetic has a well-known globalist bias - PAUL KRUGMAN (Substack)
O esquecido argumento contra Milton Friedman - Thomas Palley (Jacobin)
O esquecido argumento contra Milton Friedman
PEDRO SILVA
Em 1967, Milton Friedman lançou uma contrarrevolução na economia que derrubou a teoria keynesiana da inflação. Três anos depois, o economista James Tobin lançou uma poderosa refutação teórica — mas, nas principais correntes da economia, ela acabou sendo escondida.
UMA ENTREVISTA DE
Seth AckermanMilton Friedman revolucionou a macroeconomia com seu discurso presidencial de 1967 perante a Associação Estadunidense de Economia (AEA), que apresentou pela primeira vez uma teoria da chamada taxa natural de desemprego. Esse discurso, que desempenhou um papel fundamental no descrédito do keynesianismo predominante no pensamento liberal de política econômica do pós-guerra, continua sendo um dos artigos mais citados em toda a economia.
Muito menos lembrada é a refutação às ideias de Friedman feita por outro futuro economista ganhador do Prêmio Nobel em outro discurso presidencial da AEA, quatro anos depois: James Tobin, da Universidade de Yale. A teoria conflitante da inflação de Tobin apresentou a possibilidade de um caminho alternativo para a economia e a política macroeconômica, mas raramente recebeu o mesmo reconhecimento ou o mesmo interesse acadêmico.
Seth Ackerman, da Jacobin, conversou com Thomas Palley, coeditor da Review of Keynesian Economics e ex-diretor assistente de políticas públicas da AFL-CIO, sobre por que a teoria da inflação de Tobin é importante hoje e por que a questão da inflação continua a causar perplexidade tanto na corrente principal da economia quanto na esquerda.
SETH ACKERMAN
Você sempre foi um crítico da ortodoxia econômica. Há algumas semanas, entrevistei James Forder, que escreveu um livro do qual sou muito fã — tenho certeza de que você o conhece — chamado Macroeconomics and the Phillips Curve Myth [Macroeconomia e o Mito da Curva de Phillips].
Nesse livro, Forder expõe como um mito a história que todos ouvem sobre a inflação nas décadas de 1960 e 1970: sobre como uma profissão de fé econômica limitada e dominada pelo Keynesianismo tinha uma visão muito ingênua da inflação e não entendia a importância das expectativas de inflação na determinação da inflação, e como resultado eles a deixaram sair do controle.
O que é interessante para mim é que a visão alegadamente “ingênua” que supostamente foi tão difundida nos anos 60 na verdade não é tão diferente — em suas conclusões — de sua própria visão.
Ao longo dos anos, você desenvolveu uma base teórica para a visão de que existe um trade-off potencialmente estável entre desemprego e inflação que os formuladores de políticas podem explorar. Em outras palavras, os formuladores de políticas podem optar por uma inflação um pouco mais alta e um desemprego um pouco mais baixo, ou podem escolher o tipo oposto de política, e qualquer uma delas pode ser potencialmente uma escolha política estável.
Quero lhe perguntar sobre essas ideias, mas primeiro gostaria de ouvir sua opinião sobre o que a elite econômica diz atualmente sobre a inflação e por que você discorda disso.
THOMAS PALLEY
Bem, a primeira coisa a notar sobre a inflação é que existem muitos tipos diferentes de inflação. Cada um tem uma lógica e um efeito diferentes, e isso é algo que não é ensinado nos livros didáticos, mas deveria ser. É também algo que os economistas não entendem, ou pelo menos não enfatizam o suficiente.
Eu distingo seis tipos principais de inflação. Um deles é a inflação de demanda, que é a história de “dinheiro demais para poucos bens” — essa é a maneira resumida de falar sobre o assunto.
Uma segunda forma de inflação é a inflação de conflito, que é o conflito entre capital e trabalho sobre a distribuição de renda.
Uma terceira forma de inflação é a inflação do lado da oferta, que se refere a choques nos preços globais das commodities. Aqui, o exemplo clássico são os choques nos preços do petróleo da OPEP na década de 1970.
Uma quarta forma de inflação é a inflação importada, quando a inflação é causada pela depreciação da taxa de câmbio e pelo aumento do preço das importações — e suponho que, na medida em que nossa inflação atual é uma inflação da cadeia de suprimentos, ela poderia ser enquadrada nessa categoria.
A quinta forma de inflação é o que chamo de inflação alta. Ela costuma estar associada a grandes déficits orçamentários e políticas disfuncionais, em que um governo precisa de financiamento, mas não consegue se organizar para se financiar com impostos adequados. Por isso, déficits orçamentários são a forma de conseguir isso, o que produz inflação.
Por fim, a sexta forma de inflação é a hiperinflação, um evento raro. Geralmente está associada a guerras nas quais a oferta da economia foi destruída, ou a Estados falidos ou governos cleptocráticos que destruíram as condições para a realização de negócios.
A curva de Phillips trata da inflação de demanda. As controvérsias levantadas por Milton Friedman eram sobre a curva de Phillips, o que significa que se trata da inflação de demanda.
A história ortodoxa que se conta hoje é que existe um trade-off negativo, temporário e de curto prazo, entre desemprego e inflação — ou, pelo menos, que a economia gera um padrão de resultados no curto prazo que se assemelha a tal trade-off. Mas se os formuladores de políticas tentarem explorar esse trade-off, ele ruirá, e eles serão forçados a retornar ao que se chama de taxa natural de desemprego — só que agora com uma taxa de inflação mais alta do que antes e sem redução do desemprego.
“Friedman prestou um serviço ao estruturar o argumento. O problema é que acho que ele se posicionou do lado errado da argumentação.”
Basicamente, essa visão é o legado de Milton Friedman. Embora eu critique a visão de Friedman, ainda acho que ele deu uma contribuição importante. Ele se concentrou nas questões em jogo, que são: como os salários são definidos, qual o papel das expectativas de inflação e se existe um trade-off sistemático entre inflação e desemprego que pode influenciar as políticas, especialmente a política monetária. Ele prestou um serviço ao estruturar o argumento. O problema é que acho que Friedman se posicionou do lado errado da argumentação.
SA
Como assim?
TP
Bem, eu acho que existe uma curva de Phillips sistemática. E se James Forder acha que não, eu discordaria dele. Bem, estou ciente do argumento de Forder de que Friedman usou uma retórica de espantalho. Mas a contestação de Friedman era basicamente razoável. Por que digo isso? Bem, se voltarmos ao início da década de 1960, havia uma crença generalizada de que havia um trade-off sistemático entre inflação e desemprego que a política poderia usar. As pessoas acreditavam na “curva de Phillips estrutural”. Friedman questionou a existência desse trade-off a longo prazo usando uma teoria econômica muito convencional.
Agora, ele também disse que os economistas se esqueceram das expectativas de inflação. E é aí que o argumento do espantalho entra em cena, porque os economistas certamente estavam cientes das expectativas de inflação e também sabiam que as expectativas poderiam deslocar a curva de Phillips. Isso fica bem claro no famoso artigo de 1960 de Paul Samuelson e Robert Solow. Se você ler, verá que eles falam sobre a importância das expectativas de inflação e como a mudança das expectativas de inflação acabaria afetando a posição da curva de Phillips.
Dito isso, os economistas não haviam compreendido completamente a lógica e as implicações disso, e foi isso que Friedman fez. Portanto, repetindo, Friedman demonstrou que, quando se utiliza a teoria convencional e se adicionam expectativas de inflação e as leva-se a sério, a curva de Phillips se dissolve lentamente se os formuladores de políticas tentarem tirar vantagem dela. Em vez de obter menor desemprego com inflação mais alta, no final, obter-se-ia apenas inflação mais alta e o desemprego retornaria à sua chamada taxa natural, independentemente disso.
SA
Parece que o que você está dizendo é que, acreditar em um trade-off estável entre desemprego e inflação a longo prazo, não implica necessariamente não entender o papel das expectativas de inflação. Enquanto Forder talvez facilmente deixe a impressão de que uma implica automaticamente a outra.
TP
Sim. O trabalho de Friedman claramente abalou as coisas: os economistas acreditavam que havia um trade-off explorável por meio de políticas, e é por isso que o que ele disse foi tão controverso. Portanto, minha interpretação de Friedman é que ele exagerou a afirmação de que os economistas desconheciam as expectativas de inflação, mas, por outro lado — e isso é o que importa — ele mostrou que, se você usasse a teoria econômica convencional sobre como os salários são definidos, não obteria a curva de Phillips com a qual os economistas estavam trabalhando.
Então, ele mostrou que a macroeconomia deles era inconsistente com a própria teoria. E a lógica é muito simples. A teoria convencional diz que os salários são definidos para equilibrar o mercado de trabalho e garantir o pleno emprego. Seguindo essa lógica, se a política tentar superestimular a economia além do ponto de pleno emprego, os salários simplesmente aumentarão mais rapidamente para restaurar o equilíbrio, e acabaremos na taxa natural de desemprego novamente, mas agora com uma inflação persistentemente mais alta. Não acho que os economistas tenham realmente ligado os pontos.
Agora, é aqui que Friedman tem sorte. Em 1967, ele defende o argumento da dissolução da curva de Phillips. E então, vejam só, ela de repente começa a se dissolver. A curva de Phillips que as pessoas vinham observando no início da década de 1960, que era uma curva muito boa que parecia oferecer algumas compensações políticas bastante aceitáveis, de repente começou a se dissolver — começou a se tornar mais íngreme e a se mover.
“Friedman teve sorte. Em 1967, ele apresentou o argumento sobre a dissolução da curva de Phillips. E então, vejam só, ela de repente começou a se dissolver.”
E um dos motivos foi certamente o aumento das expectativas de inflação. Mas também houve outros motivos. E foi por isso que fiz aqueles comentários sobre os diferentes tipos de inflação. Assim, por exemplo, o conflito na distribuição de renda se instalou. A década de 1960 e o início da década de 1970 foram cada vez mais um período de conflito entre capital e trabalho pela participação nos lucros.
E então, no final da década de 1960 e início da década de 1970, houve um boom nos preços das commodities, seguido pelos enormes choques no preço do petróleo da OPEP. Esses choques de oferta também tiveram o efeito de amplificar a inflação de conflito.
Nessas circunstâncias, a curva de Phillips essencialmente se dissolveu, porque a inflação estava sendo determinada por muitos fatores. E essa dissolução foi tomada como prova de que Friedman estava certo.
Agora, aqui está a reviravolta. Na minha interpretação, os economistas aceitaram de bom grado a história de que Friedman estava certo. E há uma razão para isso. Friedman baseou sua argumentação na teoria convencional. E os economistas não tendem a desafiar a teoria convencional. Na verdade, é o contrário. Eles defendem a teoria convencional.
A curva de Phillips sempre foi uma relação empírica observada, uma relação estatisticamente ajustada. O desafio sempre seria fornecer uma explicação teórica para essa relação observada. Friedman demonstrou que a teoria econômica não tinha uma explicação que apoiasse um trade-off de políticas e que, portanto, havia necessidade de uma nova teoria. A esquerda também não tinha uma teoria, embora quisesse acreditar que o trade-off existia. Tudo o que a esquerda tinha era uma teoria de conflito da inflação. E é aí que James Tobin entra.
“Os economistas não tendem a desafiar a teoria convencional. Na verdade, é o contrário.”
SA
Certo. Então, qual foi a intervenção de Tobin no debate sobre a inflação?
TP
Tobin foi o único economista que abordou o problema e realmente buscou uma nova explicação teórica. E devo dizer que fui seu aluno de pós-graduação em Yale, assisti suas aulas de macroeconomia, e seu trabalho influenciou profundamente meu próprio pensamento.
A ideia básica de Tobin é que precisamos pensar na economia como composta por muitos setores, ou o que se poderia pensar como muitas pequenas economias agregadas em uma economia nacional. Cada setor é atingido por perturbações aleatórias. A demanda e os gastos se deslocam entre esses setores. E isso acontece o tempo todo. A qualquer momento, alguns setores estão em pleno emprego e outros estão abaixo desse nível.
Tobin percebeu que a inflação poderia ser uma forma de ajudar a economia a se reequilibrar mais rapidamente. Essa é a visão que ele expõe com muita clareza em seu discurso presidencial na AEA em 1971.
O problema é que setores abaixo do pleno emprego têm dificuldade em se reequilibrar, porque há resistência a cortes salariais — e por boas razões. Já escrevi sobre isso. Primeiro, os empregadores estão sempre buscando cortar salários, independentemente das condições. Essa é uma parte fundamental da estrutura do capitalismo. Então, como você pode confiar em um empregador que diz: “Preciso cortar salários porque as condições de trabalho estão ruins?”. Como um trabalhador vai conseguir confiar nisso? O emprego é uma relação muito conflituosa e, como resultado, é difícil forçar cortes salariais, mesmo que sejam necessários. Segundo, os trabalhadores são devedores. Por exemplo, a maioria de nós tem hipotecas, então os cortes salariais aumentam o peso das dívidas, e eles enfrentaram resistência por esse motivo.
O segredo é aumentar a demanda em todos os lugares. Isso restaura o pleno emprego em setores que têm desemprego, mas causa inflação em setores que já estão em pleno emprego. E é aí que você começa a ter a possibilidade de um trade-off. Quanto maior a demanda, mais setores estarão em pleno emprego, mais rápida será a inflação — mas também menos setores terão desemprego porque se ajustaram mais rapidamente de volta ao pleno emprego.
SA
Mas a pergunta óbvia é: por que a história de Friedman sobre as expectativas de inflação não entraria em vigor nesse momento? As pessoas veem preços mais altos, isso é incorporado aos acordos salariais, e a inflação continua acelerando.
TP
Bem, é exatamente isso. Tobin nunca descobriu como responder a isso. E eu diria que considero isso como minha pequena contribuição aqui. O que se pode dizer é que, em setores com desemprego, os trabalhadores sabem muito bem qual é a taxa de inflação. Eles não são enganados. Podem abrir um jornal, assistir TV e ver a taxa de inflação. Mas, se você estiver em um setor em depressão, pode decidir se contentar com um aumento salarial um pouco menor. Você não será totalmente compensado pela inflação e, portanto, terá, na prática, um pequeno corte salarial em relação ao restante da economia. Enquanto isso, os setores em pleno emprego incorporarão totalmente as expectativas de inflação.
“Em setores com desemprego, os trabalhadores sabem muito bem qual é a taxa de inflação. Eles não se deixam enganar.”
A chave é reconhecer que o grau em que os setores incorporam a inflação esperada em seus acordos salariais dependerá das condições locais. Há menos repercussão das expectativas de inflação em setores deprimidos, e há repercussão total das expectativas de inflação em setores em pleno emprego.
Uma maneira de ilustrar isso é a metáfora de elevadores e escadas rolantes. Economistas tradicionais pensam nos mercados de trabalho como elevadores. Há um choque no mercado de trabalho local. No período seguinte, o mercado de trabalho local redefine os salários e rapidamente retorna ao pleno emprego. Portanto, o mercado de trabalho é como um elevador. Um elevador dispara de volta ao pleno emprego — um ajuste rápido.
A visão implícita de Tobin é que os mercados de trabalho são como escadas rolantes. Há um choque; o mercado de trabalho local então se ajusta lentamente de volta ao pleno emprego. O crescimento mais rápido da demanda é uma forma de acelerar a escada rolante para que se chegue ao pleno emprego mais cedo. Mas o custo é a inflação nos mercados de trabalho em outros lugares que já estão em pleno emprego.
É claro que, para a teoria econômica, a questão é identificar precisamente esse argumento e mostrar como ele funciona, e é aí que a modelagem técnica entra e se torna complicada. Isso levou tempo, e isso é parte da tragédia. Tobin foi muito rápido em 1971, com uma resposta ao argumento de Friedman em seu discurso presidencial. Mas a argumentação precisa e a modelagem formal levaram muito mais tempo. E, a essa altura, a profissão econômica já havia meio que se afastado e não estava com disposição para ouvir.
SA
Até agora você conseguiu interessar outros economistas neste tipo de programa de pesquisa?
TP
Não, eles não estão interessados no meu argumento específico, mas pegaram um argumento relacionado de George Akerlof e seus coautores.
Uma coisa que direi sobre este ponto é que uma das grandes penas é que os progressistas nunca realmente abraçaram Tobin e sua visão da economia. Porque se você adotar a minha abordagem, onde é preciso haver diferentes teorias de inflação para descrever diferentes tipos de inflação, o argumento dele preenche uma lacuna no pensamento deles. Ele fornece uma explicação para o trade-off da curva de Phillips, no qual a maioria dos progressistas acredita, mas não tem uma explicação.
No entanto, os progressistas das décadas de 1970 e 1980 não se juntaram a Tobin. Na minha opinião, há duas razões para isso. Uma delas é que Tobin era bastante convencional em seu pensamento sobre alguns aspectos da teoria econômica, especialmente a distribuição de renda. Ele acreditava na teoria neoclássica da produtividade marginal da distribuição de renda — na qual, aliás, eu não acredito — o que contribuiu para a desconfiança e a rejeição de Tobin pela esquerda. Uma segunda razão é que a esquerda insiste em ver toda a inflação nas economias desenvolvidas como inflação de conflito. A esquerda tende a não apreciar diferentes tipos de inflação, e isso também tem sido um motivo de divergência entre mim e meus colegas progressistas.
SA
Como você vê a situação atual da inflação?
TP
Se eu estivesse no Fed em 2022, também teria votado a favor do aumento das taxas de juros. Na minha opinião, não foi apenas a inflação que justificou o aumento das taxas de juros. Um motivo ainda mais importante foram as bolhas nos preços de ativos e a inflação nos preços de imóveis. Bolhas nos preços de ativos terminam em crises, e a inflação nos preços de ativos é uma forma muito injusta de distribuir os frutos da atividade econômica. Não é uma boa maneira de administrar uma economia e não é bom para as famílias trabalhadoras.
“Bolhas de preços de ativos terminam em crises, e a inflação de preços de ativos é uma forma muito injusta de distribuir os frutos da atividade econômica.”
Trabalho em Washington há mais de 25 anos e nunca me deparei com um progressista que tenha defendido o aumento das taxas de juros. Acredito que isso se deva ao fato de os progressistas sempre enxergarem a inflação como inflação de conflito, o que os torna contrários ao aumento das taxas de juros. Na inflação de conflito, aumentar as taxas significa tacitamente se aliar aos empregadores. Em contrapartida, carrego na memória muitas teorias sobre inflação, e uma delas é a teoria da curva de Phillips de Tobin. Diante disso, estou muito mais aberto à possibilidade de que um aumento nas taxas de juros possa ser necessário para domar o excesso de demanda. Acredito que isso seja relevante para as condições atuais, juntamente com o problema da bolha dos preços dos ativos.
SA
Mas você também defende uma meta de inflação mais alta.
TP
Sim. Podemos precisar controlar a inflação e também podemos precisar de uma meta de inflação mais alta. Isso não é inconsistente. No meu próprio trabalho, falo da “curva de Phillips invertida”, que gera uma taxa ótima de inflação que chamo de taxa mínima de desemprego, ou MURI — a taxa de inflação que gerará a taxa mínima de desemprego. Acredito que é isso que a política deve almejar. E eu diria que está em algum lugar entre 3% e 6%. É uma faixa bastante ampla, mas podemos considerar um ponto médio, digamos, em torno de 4% a 5%.
Se você elevar a inflação acima de 5%, é bem provável que sua curva de Phillips comece a se curvar para trás, e você perderá alguns dos benefícios da inflação. O nível exato é algo que você só descobriria por meio de experimentação. Mas, há muito tempo, escrevi um breve artigo empírico que basicamente tentava argumentar. O que descobri foi que a duração dos períodos de desemprego diminuiu com a inflação mais alta, o que é uma prova da escada rolante em ação. Se a inflação estiver acelerando a escada rolante, os períodos de desemprego serão mais curtos porque você chega ao topo mais rápido.
Uma das ironias do momento é que, na minha opinião, estamos no ponto ideal da inflação, mas estamos tentando empurrá-la abaixo do ponto ideal.
SA
Então, suas opiniões podem ter coincidido com as de Larry Summers em algum momento anterior, mas neste ponto, onde ele realmente quer ver o mercado de trabalho ficar muito mais flexível, é aí que você se afasta dele.
TP
Sim, exatamente. Infelizmente, muitas vezes me encontro dividido entre dois lados nessas questões. Acho que Larry Summers estava certo quanto à necessidade de começar a aumentar as taxas de juros — embora também por motivos adicionais aos que ele apresentou. Mas agora ele corre o risco de estar errado ao forçar demais a barra.
Por outro lado, os progressistas estavam errados ao se oporem aos aumentos das taxas de juros em 2022. Mas, em algum momento, eles estarão certos se o Fed persistir em aumentar as taxas — e devo dizer que, com 5%, começo a ficar um pouco ansioso. Neste momento, há um bom motivo para uma pausa nas taxas de juros.
é o editor executivo de Jacobin.
Thomas Palley
é economista, coeditor da Review of Keynesian Economics e ex-diretor assistente de políticas públicas da AFL-CIO.
Capitalismo e liberdade nos Estados Unidos e no Brasil: releitura do clássico de Milton Friedman na perspectiva do Brasil - Apresentação e livro - Paulo Roberto de Almeida
Se ainda fosse preciso lembrar:
Livro e apresentação para esta noite:
4957. Capitalismo e liberdade nos Estados Unidos e no Brasil: releitura do clássico de Milton Friedman na perspectiva do Brasil (Brasília: Diplomatizzando, 2025, 84 p.; ISBN: 978-65-01-53577-7), Brasília, 19 junho 2025, 84 p. Livro composto na série dos clássicos revisitados, para apresentação em evento da série de leituras do Livres em 24/07/2025. Disponível nas plataformas Academia.edu (link: https://www.academia.edu/130048022/Capitalismo_e_liberdade_nos_Estados_Unidos_e_no_Brasil_2025_) e Research Gate (link: https://www.researchgate.net/publication/392817753_Capitalismo_e_liberdade_nos_Estados_Unidos_e_no_Brasil_Releitura_do_classico_de_Milton_Friedman_na_perspectiva_do_Brasil); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/06/livro-disponivel-capitalismo-e.html). Relação de Publicados n. 1579.
4958. “Capitalismo e liberdade nos Estados Unidos e no Brasil: apresentação e debate”, Brasília, 19 junho 2025, 13 slides. Síntese visual para apresentação em evento do Livres, em 24/07/2025, via online. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/130054762/4598_Capitalismo_e_liberdade_nos_Estados_Unidos_e_no_Brasil_releitura_de_Milton_Friedman_na_perspectiva_do_Brasil), divulgado via blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/06/capitalismo-e-liberdade-nos-estados.html).
---------------------------
Paulo Roberto de Almeida
"“Estamos discutindo expulsar os EUA da OMC’, diz Bernd Lange, do Parlamento Europeu - Sim, já deveria ter sido feito (OESP)
Eu já escrevi várias vezes que Trump simplesmente DESTRUIU o sistema multilateral de comércio, uma construção social, institucional que tomou mais de 500 anos de itinerário das nações para que ela se consolidasse no pós-IIGM. Ele simplesmente destruiu, não todo, mas a parte mais substantiva, ocupada pela nação temporariamente colocada no pináculo da economia mundial,pela evolução natural das economia de mercado.
Agora os europeus querem EXPULSAR os EUA de Trump (cabe sublinhar, os EUA DE TRUMP) da OMC. Não sei como as coisas vão funcionar, pois TODOS os países do mundo têm algo a ver com a economia americana, de uma forma ou de outra. Expulsar não vai adiantar muito, pois Trump já EXPULSOU os EUA da OMC, por moto próprio, mas talvez seja o que cabe fazer agora. PRALeiam a matéria abaixo:
"“Estamos discutindo expulsar os EUA da OMC’, diz Bernd Lange, do Parlamento Europeu
Organização Mundial do Comércio tem suas decisões paradas desde 2019, quando os EUA começaram, ainda no 1º mandato de Trump, a bloquear as nomeações para o órgão de apelações
O Estado de S. Paulo, 24/07/2025
A Europa pretende ser um elemento de estabilização para o comércio internacional, segundo o presidente da Comissão de Comércio Internacional (Inta, na sigla em inglês) do Parlamento Europeu, Bernd Lange. Para fazer isso, há um interesse em reviver a Organização Mundial do Comércio (OMC), que tem suas decisões paradas desde 2019, quando os Estados Unidos começaram, no primeiro mandato do presidente Donald Trump, a bloquear as nomeações para o órgão de apelações.
Para conseguir isso, o parlamentar alemão, do partido social-democrata, afirma que há discussões até sobre buscar formas de expulsar os EUA da OMC — embora admita que ainda não há certeza sobre a viabilidade jurídica da medida. Ele falou sobre esse tema para o Estadão, e sobre como o comércio global está mudando com o novo mandato de Trump. Também comenta sobre as dificuldades de negociações com o governo americano.
A seguir, leia trechos da entrevista.
As ameaças tarifárias de Trump vão redefinir o comércio global, mesmo que acordos sejam fechados nas próximas semanas, com organismos multilaterais enfraquecidos e perda de confiança em parceiros comerciais importantes, como os EUA?
De fato, o mundo mudou. Não será como era antes do Trump. Isso com certeza. Então, precisamos ser muito cuidadosos para proteger o sistema multilateral de comércio. É claro que os Estados Unidos são importantes. Mas apenas a Europa é responsável por 15% do comércio global. E estamos comprometidos com a Organização Mundial do Comércio e queremos reformar essa organização e a estabilizar. Em março do próximo ano, teremos um grande encontro em Camarões. Então, seria importante termos um bom sinal para isso.
O que é possível se fazer, já que o mecanismo de apelações está parado desde 2019, quando os EUA começaram a bloquear as nomeações para o órgão de apelações e, assim, nenhuma decisão é colocada em vigor?
Há algumas discussões agora acontecendo se devemos expulsar os EUA da OMC. Não tenho certeza se será legalmente possível, mas agora eles bloquearam, no último mês, pela 86ª vez a indicação para o mecanismo de apelações. E, então, ele continua sem juízes. Além disso, não pagam há cerca de dois anos o dinheiro que deviam dar para a OMC. Temos 165 países no órgão e devemos construir em cima disso. Países como Indonésia e Índia podem ter um papel proativo na organização.
O que mais pode ser feito para o comércio internacional responder a Trump?
Além de reformar a OMC, em um segundo ponto, queremos criar uma rede de parceiros confiáveis, e sermos um elemento de estabilização e dar previsibilidade para investimentos. Isso é crucial, ou o comércio global vai ficar parado. Espero que consigamos ter uma frente comum contra a política ilegal e injustificável do presidente Trump. O Brasil, especificamente, está sendo atacado neste momento. Trump está usando as tarifas não como uma medida econômica, mas como arma de pressão política. Há esta nova investigação, por meio da seção 301, dos EUA contra o Brasil, sobre regulação digital e com outros elementos, em que está claro que é um uso coercitivo das tarifas.
Como a Europa pretende se defender dessas ameaças?
Na União Europeia, melhoramos a nossa caixa de ferramentas de medidas defensivas, especificamente depois da experiência com o primeiro mandato de Trump. Quando ele mencionou que, se nós fossemos estabelecer um imposto digital para aquelas ‘pequenas’ empresas do Vale do Silício, ele colocaria 50% de tarifas para os carros europeus, e já estava usando tarifas comerciais como instrumentos de coerção. Então, nós estabelecemos uma nova legislação, o instrumento anticoerção.
Essa é aquela regra chamada de ACI, na sigla em inglês, aprovada em 2023?
É exatamente essa. Agora, temos toda uma cesta de medidas possíveis para reagir se o senhor Trump usar um caminho similar desta vez. Também tivemos problemas com a China, em que eles usaram medidas coercitivas. Temos uma solução para isso, agora. Mas também creio que seja um elemento que devemos evitar, e de se usar comércio e investimentos como arma política. Então, esses três elementos (OMC, rede de parceiros e ACI) estão sendo pensados firmemente como formas de estabilizar o sistema global baseado em regras.
Então, o ACI só será acionado se falharem as negociações das próximas semanas, até o dia 1º de agosto, quando Trump disse que entrarão em operação as tarifas?
Sim, logo antes dessa entrevista, eu estava no telefone com o Maros Sefcovic, o nosso comissário de comércio (comissário de comércio e de segurança econômica, relações institucionais e transparência da Comissão Europeia). E discutimos exatamente isso.
O Brasil também aprovou recentemente uma Lei de Reciprocidade Econômica, que busca defender o País de ameaças comerciais, que o presidente Lula ameaçou usar contra os EUA. Esse tipo de regra pode ser necessária como forma de dissuasão?
Nós já deixamos prontas contramedidas tarifárias para tarifas ilegais para o aço, que somam um volume de € 22 bilhões em produtos americanos. Como um segundo passo, contra tarifas ilegais contra nossos carros, estabelecemos tarifas para € 72 bilhões em produtos americanos. Há também um novo elemento de taxas de exportações para sucata de aço, já que os EUA precisam disso e importam bastante sucata da Europa para a produção de aço. Então, é uma pressão ter essas taxas. O terceiro passo da escalada seriam taxas digitais, porque as gigantes de tecnologia dos EUA geram um terço de suas receitas na Europa. Só então, a força de escalada da disputa chega no ACI.
Por meio dele, vocês acionam barreiras não tarifárias, como derrubar patentes e propriedade intelectual?
Sim, ele permite isso, além de compras governamentais. É realmente uma cesta grande.
Já houve uma análise sobre que medidas usar?
Estamos olhando o que é viável usar para realmente atingir os EUA e que medidas acabariam prejudicando os nossos cidadãos e a nossa indústria também, para não usarmos essas.
Então, deve ser um esforço bem focado?
É um pouco estratégico e tático.
Alguns produtos a serem taxados poderiam ser a soja da Louisiana, o Estado do presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, e o bourbon?
Temos um conjunto de tarifas para atingir uma grande quantidade de produtos como esses. Mas, sem prejudicar a nossa indústria. Um exemplo proeminente são tarifas para motos acima de 500 cilindradas, para direcionar as tarifas para a Harley-Davidson. Mas na Europa você poderá comprar BMW, Ducati ou Honda, o que quiser. E nessa lista temos muitos produtos agrícolas e alcoólicos, além produtos industriais ligados ao aço e ao alumínio. Também envolve têxteis, que eu não sabia que importávamos tanto dos EUA.
Mas esse cenário de retaliação não é o ideal, não?
No fim das contas, os dois lados perdem, e queremos evitar uma negociação extensa. Também está claro que a consciência dos danos também acontece nos EUA. Falei com muitos senadores em Washington, de vários Estados, e governadores, e eles sabem que a cadeia de suprimentos está rompida. Empresas precisam demitir trabalhadores, e há uma grande pressão também da Câmara de Comércio dos EUA. Agora que os preços dos carros europeus e os produtos da China estão subindo mais e mais, muitas pessoas na sociedade americana estão pensando nisso.
O que Trump deseja, ao infligir esse dano para o próprio país?
Acredito que essa pressão para negociar, primeiramente até julho e agora até o dia 1º de agosto, também esteja motivada por ele querer resolver isso tudo o mais rapidamente possível, porque as consequências agora estão aumentando. E também a preparação para as eleições de metade de mandato, no próximo ano, está começando agora. Então, ele precisa resolver isso logo.
Existem mais motivações econômicas para todas essas tarifas?
A minha convicção para tudo isso é que eles precisam das tarifas como forma de receita para o orçamento. Além das tecnicalidades sobre as tarifas aqui e ali, eles precisam financiar o projeto aprovado pela Câmara americana, há alguns dias, o ato que chama de One Big Beautiful Bill, (que adicionaria US$ 3,3 trilhões à dívida pública americana na próxima década). Isso cria um grande problema para o orçamento, e eles querem esse dinheiro. No momento, a União Europeia está pagando € 7 bilhões em tarifas para os EUA. E, com essa tarifa-base nova e as tarifas para carros, crescerá para € 100 bilhões por ano. Então, é claro para mim que esse é o objetivo de toda essa operação.
Mas, no fim, quem paga essas tarifas não são os consumidores, que comprarão produtos mais caros, que darão dinheiro para o governo financiar esse projeto?
Sim, e isso sem o governo precisar aumentar os impostos.
Para fazer tudo isso, Trump usa argumentos de comércio e até políticos, como no caso do Brasil? Tudo isso torna as negociações mais imprevisíveis e tudo menos racional?
Na minha experiência, isso acontece. Os negociadores americanos dizem que podemos enviar propostas, mas a decisão é tomada somente pelo presidente. Nós chegamos a discutir um acordo possível, e depois o presidente Trump decidiu que não era suficiente. E recebemos uma carta com a pressão do aumento da tarifa-base de 20% para 30%, quando a gente achava que a carta seria propondo o fechamento de um acordo.
Então, os próprios negociadores americanos não têm autonomia?
A grande diferença para o primeiro mandato do Trump é essa. Era possível realmente conversar com o secretário de Comércio e outras autoridades de comércio e achar soluções, de uma forma normal. Isso acabou totalmente agora. Temos uma cesta em que tudo está dentro, e ninguém sabe exatamente qual será a decisão do presidente. Ele também tem como consultor para as tarifas o (economista) Peter Navarro, mas ele é inacreditável. Às vezes, Trump telefona para alguns amigos e pergunta para eles o que pensam sobre certa coisa, e isso é a base para a decisão."
quarta-feira, 23 de julho de 2025
Esperando Godot, por escrito? - Paulo Roberto de Almeida
Esperando Godot, por escrito?
Paulo Roberto de Almeida
O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio Geraldo Alckmin escreveu uma carta, em maio, ao Secretário de Comércio dos EUA, quando ainda se discutia a imposição de 10% sobre aço e alumínio.
Não teve qualquer resposta, sequer a simples cortesia de uma confirmação de recebimento, silêncio total.
Reincidiu novamente, recentemente, no anúncio de 50% sobre tudo, em 1o de agosto, mais o início do processo de investigação ao abrigo da seção 301 da Lei Comercial de 1974, que não tem uma data precisa para produzir “resultados”, mas é infinitamente mais destrutiva, se desejarem fazer, e de forma totalmente unilateral.
Ou seja, Trump decidiu punir o Brasil, independentemente de nosso protecionismo comercial, que é real e extensivo. A punição é uma espécie de retaliação pessoal de Trump, sem qualquer relação com atos comerciais e tudo a ver com as declarações de Lula, não apenas no contexto do Brics, mas dirigidas pessoalmente a Trump.
Minha reflexão, como diplomata: não tem Samuel Becket que resolva a angústia diplomática dos meus colegas do Itamaraty, quando a diplomacia personalista do presidente ocupa todos os espaços.
Sorry Alckmin, Godot não aparecerá.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 23/07/2025
Nuclear Powers, Conventional Wars: The Dangerous Erosion of Deterrence - Carter Malkasian and Zachary Constantino Foreign Affairs
Nuclear Powers, Conventional Wars: The Dangerous Erosion of Deterrence
Carter Malkasian and Zachary Constantino
Foreign Affairs, July 17, 2025
CARTER MALKASIAN is Associate Professor of Strategy and Policy at the National War College. He is the author of The Korean War: 1950-53. The views expressed here are his own.
ZACHARY CONSTANTINO is a South Asia analyst and has served as a Senior Adviser in the U.S. Departments of Defense and State.
The past two months have witnessed a remarkable spike in warfare involving nuclear powers. From May 7 to May 10, India and Pakistan exchanged artillery fire, bombs, cruise missiles, and drones in their most intense round of combat since 1999. Then, on June 1, Ukraine executed a sophisticated covert operation, deploying drones positioned deep within enemy territory to attack bombers that Russia might depend on if it were ever to launch a nuclear strike—an unprecedented direct assault on a country’s means of nuclear deterrence. And on June 13, 200 Israeli aircraft carried out a surprise attack on Iranian nuclear facilities and strategic targets. Iran retaliated by sending hundreds of ballistic missiles and drones toward Haifa, Tel Aviv, and military installations in the heart of Israel. Although only a few dozen breached Israeli and U.S. air defenses, Iran’s response amounted to the largest military attack ever launched on the homeland of a nuclear power.
These clashes are the latest examples of an overall rise in conflicts that carry risks of nuclear escalation. First, nonnuclear powers are attacking nuclear powers in unprecedented and aggressive ways. Even more concerning, nuclear powers are directly trading blows. These trends raise concerns that the eight-decade moratorium on large-scale war between nuclear powers has ended. Although it is too early to tell whether another great-power war is on the horizon, the dangers of nuclear escalation are unmistakable. Clashes involving nuclear powers now echo the Cold War’s most dangerous moments. A realistic possibility is that today’s clashes become a new normal, with an elevated risk of events spinning out of control.
The failure of nuclear weapons to deter Iran from launching missiles at Israel—or Ukraine from conducting operations inside Russia—suggests that even if Iran obtained a nuclear weapon, it might not protect the country from further attacks. It also calls into question the ability of the United States to rely on its nuclear arsenal to prevent attacks from nuclear adversaries such as China, North Korea, or Russia.
This new normal requires politicians, generals, spy chiefs, and diplomats to adopt new strategies to de-escalate conflicts before they become crises. Military and civilian leaders alike need to redouble efforts to improve communication and confidence-building measures, such as notifying adversaries of military activities and hosting regular official dialogues. The United States and its allies should also retain a range of military capabilities that can counter enemy aggression without having to escalate. Leaders should conduct more of their “kinetic” actions—such as special operations raids or drone strikes in enemy territory—behind the scenes, where more off-ramps exist to manage tensions than in the public eye. These recalibrations will help offset the growing danger of a potential nuclear catastrophe.
THE END OF AN ERA
For eight decades, there has been no major war between nuclear powers. Nuclear powers have on occasion attacked nonnuclear ones, such as when the United States invaded Iraq in 2003 or China went into Vietnam in 1979. Nonnuclear powers have even attacked the military forces of nuclear states, but these challenges have taken place on battlegrounds far from home. In 1950, North Korea assaulted U.S. Army regiments in South Korea, and in 1983, Argentina attacked British forces in the Falklands. Yet the Americans, the British, the Chinese, the French, and the Soviets generally avoided direct combat with one another, even over peripheral interests.
Consequently, many analysts, scholars, and presidents concluded that both nuclear and conventional war between nuclear powers was highly unlikely. In 1958, U.S. President Dwight Eisenhower told his cabinet that “a nice, sweet, World War II type of war” seemed “very unrealistic.” As the political scientist Robert Jervis wrote in his 1984 book, The Illogic of American Nuclear Strategy: “Because nuclear war cannot be easily controlled or compartmentalized, the fear of nuclear war does deter the other side from much more than nuclear attack. Irrational as it may be, the chance of devastation has made our world unusually safe.” This dominant line of scholarly thinking, of course, has not stopped militaries from planning for a major war. One of the great ironies of the past 80 years is that nuclear powers have expended huge sums preparing for conventional wars that their nuclear arsenals had supposedly ruled out.
Nuclear weapons, however, have never completely deterred war between nuclear powers. The political scientist Robert Powell’s game theory model of conventional war and nuclear escalation, for example, has shown that the possibility of conventional war between nuclear powers depends on the level of risk and the balance of resolve. Indeed, nuclear powers engaged in periodic fighting during the Cold War.
The most intense combat between the Soviet Union and the United States occurred in the skies over China and North Korea during the Korean War. The Soviet Union lost 355 aircraft and 120 pilots, although it never officially acknowledged any involvement in the war. Other clashes between nuclear powers were tense but did not escalate into major conflicts. During the Cuban missile crisis, Soviet air defense units attacked U.S. aircraft and shot down a U-2 spy plane. Even riskier, a U.S. destroyer dropped depth charges on a nuclear-armed Soviet submarine. During the Vietnam War, Chinese antiaircraft gunners routinely shot at American planes over North Vietnam, and Chinese aircraft engaged U.S. jets that crossed into Chinese airspace. In total, American bombs killed or wounded roughly 5,000 Chinese troops. During the so-called War of Attrition that Israel and Arab states fought from 1967 and 1970, and again during the Yom Kippur War in 1973, Soviet surface-to-air missiles around the Suez Canal intercepted Israeli aircraft, Israeli and Soviet fighters tangled in dogfights, and Soviet special forces conducted raids in the Sinai. Border skirmishes between China and the Soviet Union in the 1969 Sino-Soviet conflict resulted in hundreds of casualties.
India and Pakistan have continued to clash frequently along their disputed border, even after both countries developed nuclear weapons. The largest incident of ground combat between nuclear powers occurred in 1999 in the mountainous Kargil section of Kashmir. Pakistan dispatched around 4,500 soldiers posing as local rebels to seize the high ground, which Indian personnel had vacated for the winter to avoid the extreme weather conditions. The ensuing battle involved artillery shells, infantry battles, and airstrikes. The two countries suffered over 3,000 casualties before Washington’s intervention and Indian resolve forced Pakistan to back down.
NUCLEAR NONDETERRENCE
Events during the past ten years have increased the risks of direct conflict between major nuclear powers. Russia and the United States fought on opposite sides of the Syrian civil war after Russia first intervened in October 2015. The two powers battled each other in February 2018, when Russian paramilitary troops and Syrian tanks attacked U.S. special operations forces and marines. Between 200 and 300 Russians and Syrians were killed in the largest ground engagement to date between Americans and another nuclear power.
The war in Ukraine has further revealed the limits of nuclear deterrence. A Russian aircraft downed a U.S. surveillance drone over the Black Sea in March 2023, and U.S.-provided missiles and intelligence have enabled Ukrainian battlefield strikes against Russian forces. Ukraine has repeatedly hit Moscow and petroleum storage facilities in Russia. When a Ukrainian drone struck a Russian radar installation linked to Moscow’s early warning system for incoming nuclear missiles in 2024, some analysts feared Russia would interpret the attack as a proxy action by the United States to degrade Moscow’s strategic deterrents. And on June 1, a Ukrainian drone operation damaged or destroyed as many as 30 bombers and airborne command-and-control aircraft deep within Russian territory, including planes that can carry cruise missiles. Even after Moscow lowered the threshold in its official doctrine regulating the use of nuclear arms—and despite Russian President Vladimir Putin’s saber rattling—Russian nuclear weapons have not stopped Ukraine from targeting the home territory of a nuclear power or attacking its early warning systems or strategic bombers.
Nuclear weapons have never completely deterred war between nuclear powers.
Israel’s nuclear weapons have failed to stop escalating warfare in the Middle East. In the two years before the war between Iran and Israel flared up again in June, Hezbollah (Iran’s Lebanon-based ally) and Iranian-backed Houthi rebels in Yemen sent drones and rockets into Israel in response to the war in Gaza. In April and October 2024, Iran and Hezbollah fired hundreds of missiles into central Israel. After Israel’s surprise attack against Iran in June killed leading military officials and scientists and damaged or destroyed nuclear facilities, military headquarters, and ballistic missile launchers, Iran targeted Tel Aviv and other areas in Israel with drones and ballistic missiles. The clash escalated as Israel bombed Iranian oil and gas infrastructure; Iran, in turn, launched hundreds more ballistic missiles at Israeli cities that resulted in at least 400 civilian casualties. Even if Iran pulled its punches because it feared nuclear escalation, its volleys into Israel marked the first time that cities of a nuclear power had been struck so heavily. Israeli threats to seek regime change in Tehran and direct U.S. strikes on Iranian nuclear sites demonstrated that further escalation was possible. Only after the U.S. intervened militarily and did not respond to Iran’s telegraphed strike on the U.S. base in Qatar did Iran back down and agree to a cease-fire.
The dangers of escalating violence between India and Pakistan are also growing. Regular skirmishes between India and Pakistan flared up in 2019 when India bombed a suspected militant compound inside northwest Pakistan in response to a terrorist suicide attack in Indian-administered Kashmir. This May, India launched airstrikes in Pakistan’s largest province in retaliation for another terrorist attack in Kashmir. Tit-for-tat strikes followed, including an Indian salvo on Pakistan’s Nur Khan Air Base only a few miles from one of Pakistan’s high-level command-and-control nodes. The four-day clash represented a new level of escalation: both sides attacked multiple locations within the homeland of the other for the first time since the India-Pakistan war of 1971, which took place before either country had a nuclear arsenal. In the initial wave of Indian strikes, Delhi employed cruise missiles, glide bombs, artillery, and drone-delivered munitions to strike militant infrastructure, including near major cities in Pakistan’s Punjab Province. India proved able to penetrate Pakistan’s air defense system, but Pakistan reportedly took down multiple Indian aircraft.
LOWERING THE TEMPERATURE
So far, conflicts between nuclear powers have been limited to skirmishes, low-level ground combat, air-to-air engagements, and airstrikes or missile exchanges—a far cry from the major wars of the twentieth century. But the increasing frequency of conflicts over the past ten years creates more chances for nuclear powers to find themselves ensnared in a larger war. Each time an attack strikes Israeli, Pakistani, or Russian territory, the potential for escalation jumps. Nuclear powers may feel that they have to send louder, more violent signals to be heard above the din of innumerable smaller clashes.
Policymakers need to recognize the high risk of escalation in a world of frequent conflicts involving nuclear powers. Even if neither party to a conflict wants war, each may find it difficult to avoid escalation, especially in a fast-moving crisis. Nationalistic domestic media environments, the greater use of autonomous aircraft, and the intermingling of nuclear and conventional infrastructure in many countries have further compounded the risk. And any conflict involving nuclear powers carries the inherent possibility of nuclear war.
To reduce the potential for rapid escalation, leaders should improve crisis communication, especially between India and Pakistan and China and the United States. Governments can build better guardrails by notifying their adversaries of military activities, promoting regular dialogue among officials, and improving their understanding of opponents’ redlines. For example, Gulf states have facilitated backchannel discussions between India and Pakistan that can buffer against the next crisis. These conversations are not intended to generate breakthroughs, but they can lower tensions and explore potential shared solutions to avoiding crises free of domestic political pressures.
The United States and its allies will also need to retain a set of military capabilities—including drones, special operations forces, missile defenses, and long-range strike systems—to respond to conventional action without resorting to higher levels of force. A robust menu of military options to retaliate against attacks allows the United States and its allies to fight at a level in which the risk of escalation is relatively manageable.
Finally, leaders should consider operating more covertly. The political scientists Austin Carson and Keren Yarhi-Milo have argued that backchannel signals sent through covert actions or quiet diplomacy can avoid public pressure that impedes concessions when actions are out in the open. The Cold War habit of keeping clashes quiet and not publicizing military actions may be worth reinstituting.
The end of the recent war between Iran and Israel highlights the importance of strategic de-escalation. The U.S. decision to forgo further retaliation and insist on a cease-fire after Iran’s perfunctory strike on the American base in Qatar prevented greater escalation. Diplomacy between the parties through both direct and indirect channels facilitated the cease-fire agreement. And Israel’s air defense systems and targeted strikes on Iran’s missile command-and-control network likely also narrowed Iran’s options for retaliation even before U.S. bombs damaged Iran’s underground nuclear sites.
In a world of weaker nuclear deterrence, governments must take deliberate steps to de-escalate tensions. Otherwise, each new border clash or drone strike could spark a disaster. The fact that the conflicts of the past two months did not spiral into protracted, large-scale wars is no guarantee that the next outbreak of violence will end similarly.
Postagem em destaque
Como grandes impérios entram em crise, depois desaparecem... - Paulo Roberto de Almeida
Como grandes impérios entram em crise, depois desaparecem... Se compulsarmos alguns dos volumes da grande obra, desde os anos 1930 até o p...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
Personagens Bíblicos / História do Profeta Samuel: Quem foi Samuel na Bíblia? https://estiloadoracao.com/historia-do-profeta-samuel/ Histó...
-
Uma preparação de longo curso e uma vida nômade Paulo Roberto de Almeida A carreira diplomática tem atraído número crescente de jovens, em ...
-
What Does China Want? Free David C. Kang , Jackie S. H. Wong , Zenobia T. Chan Author and Article Information Op International Secu...
-
Um professor catedrático convidado numa universidade portuguesa consultou-me sobre a dívida externa do Brasil na interação com Portugal na é...
-
Recorrências … (não, não acredito que a História se repete; os homens se repetem, alguns de forma delirante): Paulo Roberto de Almeida O...
-
_*A iminente derrota de Trump no Irã é uma crise pessoal e política.*_ _*"Ele está postando de forma mais descontrolada do que nunca – ...
-
9 de maio de 2026: o "Dia da Derrota" Todos os dias 9 de maio, a cada ano desde 1946, é reputado representar o maior feriado nacio...
-
Onde será que se esconde Putin? Seu amigo Trump vai aparecer para o desfile da "vitória"? Creio que será, ou já está sendo, um 9 d...
-
H-Diplo/ISSF Policy Series 2021-36: Globalization and U.S. Foreign Relations after Trump by George Fujii H- Diplo | ISSF Policy Series...


