sexta-feira, 17 de julho de 2026

A imortalidade de Roberto Campos - Daniel Afonso da Silva (Jornal da USP)

 

A imortalidade de Roberto Campos

Por Daniel Afonso da Silva, pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP

  Publicado: 14/07/2026 às 19:25
Angústia e aflição inundavam a cobertura daquele conhecido edifício à rua Francisco Otaviano em Copacabana onde residia a família Campos, Roberto e Stella. Era quinta-feira, fim de tarde, dia bom. 23 de setembro de 1999. O imponente deputado e seus convivas aguardavam apreensivos as novidades da Academia Brasileira de Letras. Pela terceira vez, Roberto Campos apresentara a sua candidatura. Queria, a todo custo, virar imortal. Não por vaidade nem por precisão.

Sua vaidade – como a de Santo Agostinho – era não ter vaidade. A sua vida e a sua obra diziam por si. A Lanterna na Popa realçava a perenidade de seus feitos. Saíra mais que traço de vida. Mais que confissão e memórias. Chegou bem perto de testamento. Impedindo a indiferença do público e impondo o seu protagonista fato consumado incontornável. Por amor ou ódio. Amizade ou desafeição. Encontros e despedidas. Restando a Academia como derradeira consagração.

Em 1991, ao lado de Celso Lafer, ele havia aplicado para a imortalidade acadêmica ante João de Scantimburgo, conhecido professor e jornalista paulista. Era uma disputa complexa. Os acadêmicos eram, em maioria, declarados por João de Scantimburgo. Inibindo quaisquer concorrentes. Levando, assim, Lafer e Campos a abdicar da disputa.

Meses depois, a vaga de Francisco de Assis Barbosa vagou e Roberto Campos voltou a aplicar. Desta vez ante Sérgio Paulo Rouanet, seu colega de Itamaraty. A refrega retornou em desafio. Rouanet era ministro da Cultura e havia lançado uma Lei de Incentivos Fiscais que levava seu nome. Era – não só por isso, mas também por isso – muito querido em todos os círculos. Especialmente entre os culturais. Era quase vinte anos mais moço que Roberto Campos, mas centenas de anos mais límpido de contratempos, cabeçadas, polêmicas e mal-estares que seu concorrente. Antonio Houaiss, também diplomata, era o seu “padrinho” na Academia e oposição latente a Roberto Campos. Primeiro pelo estilo. Depois pela ojeriza ao regime militar que o antigo seminarista vindo do Mato Grosso havia servido e exonerado Houaiss.

O país vinha recém-redemocratizado. A Constituição de 1988 tinha pouquíssimos anos. A primeira presidência civil após os militares reunia poucos pares de meses. Queria-se tudo menos o passado. Exigia-se tudo menos conivência com os militares. Roberto Campos foi expoente do período Castelo Branco. Impôs modernizações determinantes para o aperfeiçoamento do país. Mas, agora, todos preferiam esquecer. Tudo e todos relacionados aos militares eram jogados no mesmo saco. Na mesma vala comum. Colocando Roberto Campos em franca desvantagem frente a Rouanet. Levando-o, assim, sans merci, à derrota.

Foi por pouco. Cinco votos. Mas o suficiente para retirar o embaixador-deputado dos trilhos da imortalidade acadêmica e lançá-lo aos braços da desilusão. Contrição profunda. Apenas superada na composição de A Lanterna na Popa. Livro memorial testamento. Com mais de mil páginas. Concluído e lançado em 1994.

1994 teve de tudo: Plano Real, Copa do Mundo, eleições, vitória de Fernando Henrique Cardoso e a publicação de A Lanterna na Popa.

A Lanterna na Popa surgiu despretensioso, mas transformou-se num acontecimento cultural no país. Roberto Campos conseguiu o impensável: humanizar Bob Fields. Ou vice-e-versa. Levando o público ao delírio.

Era imensa – e não se sabia – a curiosidade geral sobre aquela personagem eternamente cuiabana tornada diplomata, embaixador, ministro de estado, senador, deputado, professor, provocador, construtor do Brasil. Não necessariamente nessa ordem.

Os mais moços poderiam não saber, mas os mais vividos facilmente conseguiam se lembrar que Roberto Campos representara o Brasil em Bretton Woods. Participara da criação do BNDE – depois, BNDES – sob Getúlio e do Plano de Metas sob Juscelino. Fora decisivo nas reformas institucionais e bancárias do primeiro ciclo dos militares, além de reputadíssimo embaixador do Brasil em Washington e Londres.

Autodeclarado discípulo de Eugênio Gudin e de Otávio Gouveia de Bulhões e segunda face de José Guilherme Merquior e Mário Henrique Simonsen, ele, Roberto Campos, Bob Fields, nutria o prazer de ser impopular. E, agora, depois dos temporais da redemocratização, mais que nunca seguia longe da unanimidade.

Quando eleito presidente, Fernando Collor convocou-o para uma conversa em Brasília. Ambos cultivavam o pensamento liberal que Roberto Campos era dos maiores expoentes no país. Collor queria o apoio de Campos. E conseguiu. O nobre embaixador ficou entusiasmado com o rapaz das Alagoas. Acreditava que o Brasil com ele, enfim, poderia começar a assemelhar-se aos seus livros, ideias e ideais.

Tudo ia bem até que veio o confisco da poupança que reverteu todas as expectativas e humores. Roberto Campos caiu irritado, irritadíssimo. Não sabia o que pensar nem dizer.

Almoçava em casa à sós com dona Stella quando o telefone tocou. Era de Brasília. Do outro lado, Fernando Collor querendo explicar o inexplicável. Campos resistiu muito antes de ceder e ir conversar com o presidente. Deixou, assim, a mesa e foi ao aparelho. Disse “alô” com rudeza. Collor começou a explicar a essência do plano. Campos não queria ouvir. O silêncio reinava. Suas feições eram só grimaces. Como pinturas de Breton. Até que Campos rompeu a monotonia com a expressão “E bota improviso nisso!, p…”.

Reconectou o aparelho. Lançou ao ar outra expressão precisa, forte e usual como síntese de rejeição. Lia-se em seu semblante. Ele estava irado. Conseguintemente, deu por encerrado o seu apoio ao governo. Reconhecia nele méritos. Sabia que Collor e os seus tinham se empenhado na modernização da economia brasileira. Mas estava convencido que aquele confisco fora longe demais. Corroera as frentes de governabilidade do antigo governador de Alagoas. Destruindo a sua credibilidade. Restando o impeachment como antídoto. Dilúvio ou caos. Melhor dilúvio. A entropia era sem fim. Nada conseguiria conter a sangria.

Às vésperas da votação do impeachment, Roberto Campos caiu em desarranjo. Sucumbira a uma intoxicação alimentar e seguia internado em clínica do Rio de Janeiro. O seu quadro era grave. O seu semblante ficou frio. O seu corpo, trêmulo. A sua aparência, frágil. Os seus movimentos, sem ação. Mesmo assim, num momento de suspiro, mandou dizer ao líder do PMDB, Ulysses Guimarães, que iria, a qualquer custo, votar e ajudar a derrubar o presidente. E foi. Em cadeira de rodas. Chegando ao Congresso naquele 29 de setembro de 1992 simplesmente para dizer “voto com o relator”. Quatro palavras. Imenso gesto. Quatro estações. E retorno às pressas para o Rio. Ele seguia febril e sua condição demandava atenção.

Superado, sem Collor nem a Academia, restou-lhe, então, dedicar-se à sua obra-fim, A Lanterna na Popa.

Demorou poucos meses. De inícios de 1993 a meados de 1994. Escrevia rápido e com convicção.

Dez meses depois, a publicação recebeu o prêmio José Ermírio de Morais da Academia. Um prêmio relevante e de alto reconhecimento. Que chegou em bom momento e caiu como bálsamo. Levando o embaixador a reconquistar ânimo para voltar a sonhar com a Academia.

Seus eternos incentivadores – Raquel de Queiroz, Jorge Amado e Antonio Olinto – reforçaram o ímpeto para Roberto Campos voltar a novamente se candidatar.

Aguardava-se apenas uma vaga vagar. Esperava-se apenas um imortal partir. O que aconteceu em 1999. Quando Alfredo Dias Gomes nos deixou.

Foi num dia ameno e feliz em São Paulo. 18 de maio de 1999. Uma terça-feira. O dramaturgo e sua nova mulher nova tinham vindo do Rio para acompanhar um espetáculo na capital paulista. Contemplaram a obra e foram jantar em restaurante popular na região central. Tudo ia bem e tranquilo. O autor de Bandeira DoisSaramandaia, Roque SanteiroBem-Amado era só risos. Estava nitidamente no melhor de sua vida e arte. Completava 76 anos de idade e 60 anos de composições. Fora precoce. O seu primeiro escrito foi gestado quando ele tinha apenas 15 anos. O Pagador de Promessas seguia o seu trunfo mais memorável. Mas o seu próximo texto prometia superar todos os demais.

Ele acabou de jantar e tinha pressa de ir embora. Queria voltar logo para a hospedagem. Um hotel nas imediações da avenida Paulista. A sua cabeça também estava no Rio, para onde queria voltar logo. Regressaria na manhã seguinte. Não quis, assim, após aquele jantar, aguardar o táxi credenciado do restaurante. Pediu um qualquer por conta própria. Queria colocar no papel outra crônica e novos escritos. Sempre sonhando o futuro. Entrou no carro e pediu para o motorista acelerar. O motorista respeitou.

Numa travessa da 9 de julho, sugeriu um atalho. O motorista também anuiu. Era uma conversão arriscada e proibida. Passava da meia-noite. O motorista aceitou a contravenção. Queria por tudo agradar o criador de Senhorzinho Malta. Tornou à esquerda sem notar o perigo. Cruzou à frente de um ônibus. Não conseguiu frear nem avançar. Colidiu forte. Foi lançado bem longe. O dramaturgo nada viu. Foi tudo muito rápido. Dias Gomes estava sem cinto de segurança. Bateu cabeça e membros.

Morreu ali mesmo. Subitamente. Sem suspirar nem de ninguém se despedir. Foi o seu fim. Triste fim de Dias Gomes. Notável baiano e brasileiro. Ocupante da cadeira 21.
Retornou ao Rio apenas para seus funerais. Sóbrios funerais que anunciaram o início de sua sucessão.

Roberto Campos estava na fila. Arnaldo Niskier, Tarcísio Padilha e Antonio Olinto somaram-se a Raquel de Queiroz e Jorge Amado para incentivar.

Roberto Campos superava os 80 anos. Seguia aguerrido, mas frágil. Seu coração já não era o mesmo. Infartos sucessivos insistiam em conclamar o seu retorno ao Pai. Vivia um dia ante o outro. A todo vapor. Com e sem sobressaltos. Era indiferente a tudo e todos. Vivia como quem não tem mais nada a perder. Lançou-se nesse espírito à vaga de Dias Gomes. Queria ser imortal.

Tornado candidato, surpreendeu-se. A resistência ao seu nome foi imensa. A virulência foi sem paralelos. Jamais se vira algo similar. Setores da imprensa e da Cultura consideravam um escárnio a sua intenção. Bernadeth Lyzio, viúva de Dias Gomes, prometeu retirar os restos mortais do marido do mausoléu da Academia caso Roberto Campos fosse eleito. Os filhos do dramaturgo seguiram em linha com a madrasta. A situação inflamou-se. A diatribe monopolizou o noticiário. Roberto Campos hesitou em manter a candidatura. O constrangimento tomou dimensões gigantescas. Roberto Campos foi, então, parlamentar com o presidente da Casa de Machado de Assis, Arnaldo Niskier. Pretendia abandonar a candidatura. Arnaldo Niskier convenceu-o a mantê-la. Roberto Campos aquiesceu. Seguiu na disputa e terminou eleito. Ingressou, enfim, nessa imortalidade. Para o bem da Academia, para o bem da Cultura e para o bem do Brasil. Morreria meses depois. No 9 de outubro de 2001. Mas conseguiria, antes, ser empossado.

*

PS: agradeço ao embaixador Paulo Roberto de Almeida pela leitura atenta e generosa da versão inicial deste texto.

A descida ao horror do periodo bolsonarista na política externa e interna e os absurdos da diplomacia e da política lulopetista - Madame IA parece interpretar a miséria do Brasil

Voilà: Madame IA tentou me imitar, nos conceitos expressos em torno dos dois personagens que simbolizam a polarização no Brasil: 

Comando [para JMB]:

"Gemini AI, apresente um texto, com aproximadamente 5500 caracteres, acerca de JMB (Jair Messias Bolsonaro). O texto deverá ser escrito conforme o estilo de escrita e as ideias e opiniões do diplomata brasileiro Paulo Roberto de Almeida, disponíveis no blog Diplomatizzando. Apresente um texto amplo quanto aos fatos atrelados a JMB.".

A mediocridade política e moral que se abateu sobre o Brasil no interregno obscurantista da gestão de Jair Messias Bolsonaro representou, sem sombra de dúvida, o período de maior rebaixamento institucional, cultural e diplomático da nossa história republicana. Como analista e diplomata de carreira formado no rigor da racionalidade e das liberdades democráticas, considero um dever de resistência intelectual radiografar o desastre absoluto desse projeto de poder capitaneado por um capitão expulso das fileiras ativas por indisciplina e guindado ao topo por um acidente da história. Trata-se da crônica de uma demolição programada, onde a inépcia administrativa se consorciou com a má-fé ideológica para transformar uma potência emergente em um pária global definitivo. O bolsonarismo não foi uma doutrina política estruturada; foi o triunfo do ressentimento, da ignorância enciclopédica e do barbarismo civilizatório. Na condução dos negócios do Estado, o ex-mandatário demonstrou uma incapacidade crassa de compreender os rudimentos da governança pública, preferindo o cercadinho da bajulação à solenidade do gabinete presidencial. Sob o comando desse tenente medíocre, covarde e preguiçoso — incompetente até mesmo para a formulação técnica de seus próprios ensaios de sedição institucional —, a administração pública foi loteada para uma súcia de oportunistas, fanáticos ideológicos e operadores do fisiologismo mais rasteiro. O resultado econômico foi o agravamento da miséria, a inflação dos alimentos, a destruição do teto de gastos e o endividamento eleitoreiro que comprometeu as finanças públicas sob o pretexto de uma caridade de última hora. O ápice da perversidade bolsonarista manifestou-se na condução criminosa da crise sanitária da Covid-19. Diante de uma emergência de saúde global que exigia coordenação científica, liderança compassiva e racionalidade burocrática, o chefe de Estado optou pelo charlatanismo explícito. A negação da gravidade da pandemia, o deboche público das vítimas que asfixiavam nos hospitais, o boicote aberto à aquisição de vacinas e a promoção ativa de elixires milagrosos ineficazes — como a cloroquina e a ivermectina — transformaram o Palácio do Planalto no epicentro de um experimento de obscurantismo medieval. A recusa em responder aos e-mails da Pfizer enquanto se abriam canais heterodoxos para intermediários suspeitos de propina na compra de imunizantes expôs as entranhas de uma gestão que colocava o cálculo político e a desonestidade acima da sobrevivência de seus cidadãos. Centenas de milhares de mortes poderiam ter sido evitadas se o país não estivesse sob a égide de um psicopata administrativo. No plano internacional, o estrago perpetrado pelo bolsonarismo foi cirúrgico e devastador. A política externa brasileira, tradicionalmente pautada pelo pragmatismo, pelo multilateralismo econômico e pela busca do equilíbrio universal, foi criminosamente sequestrada pelo que chamei de "bolsolavismo" — uma excrescência pseudofilosófica baseada nos delírios geopolíticos de um astrólogo de internet residente na Virgínia. Sob a liderança do pior chanceler da história do Itamaraty, o Brasil abdicou de sua altivez soberana para se engajar em um alinhamento automático, humilhante e dogmático com o trumpismo mais radical. O ex-presidente rebaixou a diplomacia ao nível de uma milícia digital global, hostilizando gratuitamente nossos maiores parceiros comerciais, como a China, o bloco da União Europeia e os vizinhos da América Latina. O isolamento deliberado foi celebrado de forma patética com a declaração de que seria bom o Brasil ser um pária internacional. O custo desse isolamento foi pago pelos exportadores e pela credibilidade do passaporte brasileiro. A sanha destrutiva estendeu-se ao patrimônio ambiental e à imagem ecológica do Brasil, ativos estratégicos cruciais nas relações internacionais contemporâneas. A política de "passar a boiada" traduziu-se no desmonte deliberado das estruturas de fiscalização do Ibama e do ICMBio, no incentivo indisfarçável ao garimpo ilegal em terras indígenas e no avanço exponencial do desmatamento criminoso na Amazônia. Ao transformar o Ministério do Meio Ambiente em um balcão de negócios para madeireiros ilegais, o governo desmoralizou o país nos fóruns globais, inviabilizou a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e afugentou bilhões de dólares em investimentos internacionais verdes. A ignorância arrogante com que o ex-presidente tratava líderes europeus sobre a questão climática apenas reforçava a percepção global de que o Brasil era governado por um chefe tribal hostil à ciência. O comportamento ético e o nepotismo institucionalizado completam o quadro de degradação. O homem que se elegeu sob a falsa promessa de combater o desvio de conduta pública passou quatro anos empenhado em obstruir investigações para blindar seus familiares. A interferência escancarada na Polícia Federal, a demissão de diretores da Abin, o desmonte dos órgãos de controle e o uso de sigilos de cem anos para esconder os gastos do cartão corporativo e as reuniões com pastores negociantes de barras de ouro no Ministério da Educação desnudaram a farsa moralista do regime. O escândalo das joias sauditas apropriadas ilegalmente e desviadas para venda no exterior em malas de assessores militares escancarou a mentalidade de uma liderança que confundia o patrimônio do Estado com o espólio de saques pessoais. Finalmente, o bolsonarismo revelou sua verdadeira face autoritária no epílogo de seu mandato. Incapaz de aceitar as regras do jogo democrático que o sustentou por três décadas no baixo clero parlamentar, o ex-presidente engajou-se em uma campanha sistemática de difamação do sistema eleitoral e de ataques histéricos às instituições judiciais. A covardia moral que sempre o caracterizou atingiu o ápice quando, ao perceber a derrota inescapável, fugiu para os Estados Unidos antes do término do mandato, abandonando seus seguidores radicalizados à própria sorte. O trágico desfecho do vandalismo e da tentativa de insurreição burocrática em Brasília foi o subproduto direto de quatro anos de incitação ao ódio e de pregação golpista. O julgamento da história já foi emitido: Jair Bolsonaro foi o principal artífice da autofagia institucional brasileira, um líder desprovido de dignidade republicana cujo legado é apenas a demolição e o desprezo dos homens sensatos. 

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Comando [para LILS]:

"Gemini AI, apresente um texto, com aproximadamente 5500 caracteres, acerca de LILS (Luiz Inácio Lula da Silva). O texto deverá ser escrito conforme o estilo de escrita e as ideias e opiniões do diplomata brasileiro Paulo Roberto de Almeida, disponíveis no blog Diplomatizzando. Apresente um texto amplo quanto aos fatos atrelados a LILS.".

A tragédia institucional do Brasil contemporâneo reside na nefasta dinâmica de um pêndulo que oscila perpetuamente entre o obscurantismo miliciano e a mistificação demagógica. Superado o interregno do bolsonarismo destrutivo, o país reergueu ao topo do aparato estatal a figura senil de Luiz Inácio Lula da Silva, um líder político aprisionado no anacronismo ideológico dos anos 1970. Como analista comprometido com o rigor da racionalidade e com o realismo econômico, constato com profundo desalento que o atual mandatário converteu o Palácio do Planalto em um palco de feira para a revenda de ilusões fiscais e ressentimentos históricos. Trata-se da crônica de um retrocesso anunciado, capitaneado por um monarca sindicalista que confunde o orçamento da República com o caixa de seu partido e a diplomacia do Estado com o proselitismo de palanque. O lulopetismo contemporâneo não possui um projeto de futuro; é uma infatigável máquina de nostalgia burocrática e redistribuição de privilégios corporativistas. Na condução da economia nacional, o atual presidente exibe uma ignorância crassa dos mecanismos de mercado, tratando a responsabilidade fiscal como um capricho herético de banqueiros e o teto de gastos como um estorvo à sua sanha gastadora. Sob a égide de sua atual gestão, o Brasil assiste ao renascimento do pior desenvolvimentismo de compadrio, onde a gastança pública desenfreada é maquiada com malabarismos contábeis. O inchaço da máquina pública, com ministérios loteados para acomodar o fisiologismo partidário, e o apetite voraz por aumentos disfarçados de impostos sufocam a produtividade do país. Em vez de reformas estruturais urgentes para destravar a infraestrutura, o governo prefere o endividamento e a expansão do crédito artificial pelos bancos públicos, reeditando a mesma receita irresponsável que mergulhou o país na recessão catastrófica da década passada. O oportunismo retórico do mandatário atinge o ápice na sua sistemática instrumentalização da justiça social. Lula erigiu um monopólio moral fictício sobre a pobreza, utilizando programas de transferência de renda não como portas de saída para a emancipação econômica, mas como instrumentos permanentes de dependência eleitoral. Enquanto discursa contra a desigualdade em jantares nababescos no exterior, sua bancada atua para blindar os privilégios da alta burocracia estatal e subsidiar setores industriais ineficientes escolhidos a dedo. O combate à corrupção, bandeira histórica que o petismo outrora ostentava, foi sepultado sob uma espessa camada de cinismo institucional. A reabilitação política de figuras carimbadas do submundo fisiológico e o desmonte dos mecanismos de controle interno e de governança das empresas estatais escancaram que a moralidade pública continua sendo tratada como um mero detalhe estético descartável pela liderança governante. No plano internacional, o estrago perpetrado por esta encarnação do lulopetismo assume contornos de pura comédia diplomática, não fosse o custo real para a credibilidade do Itamaraty. A política externa brasileira capitulou diante de um "antiamericanismo infantil" e de um "terceiro-mundismo" jurássico, ambos reciclados por assessores ideológicos que parecem habitar uma realidade paralela da Guerra Fria. Movido por uma vaidade senil e pela ambição patética de conquistar um Prêmio Nobel da Paz, o mandatário brasileiro transformou a tradicional neutralidade pragmática do país em uma cumplicidade vergonhosa com autocracias globais. Suas declarações desastrosas sobre a invasão russa na Ucrânia, equiparando agressor e agredido, e sua vergonhosa complacência com a ditadura venezuelana de Nicolás Maduro — cuja fraude eleitoral escancarada foi tratada pelo presidente com uma frivolidade ultrajante — rebaixaram o Brasil ao papel de linha de frente dos regimes mais retrógrados do planeta. Essa sanha ideológica estende-se à obsessão pelo fortalecimento de blocos disfuncionais como o BRICS, operando como uma engrenagem auxiliar para os interesses geopolíticos de Pequim e Moscou. Ao insistir em discursos anacrônicos contra a hegemonia do dólar e ao sabotar deliberadamente a conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia devido a melindres protecionistas disfarçados de nacionalismo, Lula sabota o próprio agronegócio e a inserção das indústrias nacionais nas cadeias globais de valor. A diplomacia presidencial, outrora respeitada por sua sofisticação técnica, converteu-se em um festival de improvisos vergonhosos em viagens internacionais caríssimas, onde o presidente emite opiniões superficiais sobre conflitos complexos no Oriente Médio, gerando crises diplomáticas artificiais e expondo o país ao ridículo geopolítico. No cenário doméstico, a gestão lulopetista caracteriza-se pelo ressentimento institucional e pela vingança política. Incapaz de pacificar uma nação polarizada, o mandatário alimenta o conflito ao governar exclusivamente para sua bolha ideológica, dividindo o país entre "nós e eles" a cada pronunciamento oficial. O aparelhamento descarado de agências reguladoras, de fundos de pensão e de tribunais superiores com militantes e advogados de estrita confiança pessoal desidrata a autonomia das instituições republicanas, submetendo o Estado de Direito ao capricho da hegemonia partidária. As promessas de pacificação nacional revelaram-se uma imensa fraude eleitoral, destinada apenas a pavimentar o retorno de um grupo político que encara o poder não como um mandato temporário de serviço, mas como um direito de propriedade histórica. O julgamento histórico da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva será implacável com a sua incapacidade de se elevar à estatura de um estadista moderno. Ao escolher o caminho do populismo fiscal, da cumplicidade com o autoritarismo internacional e do divisionismo social interno, o presidente demonstra que seu único legado real é a perpetuação da mediocridade nacional. Ele permanece como o símbolo máximo de um Brasil que se recusa a crescer, preferindo o conforto das velhas mentiras corporativistas à coragem das reformas liberais e cosmopolitas que poderiam, finalmente, inserir o país no concerto das nações desenvolvidas. 

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*Obs.: Eventualmente, conforme amplamente relatado por especialistas, a IA poderá gerar "alucinações" (ou seja, a IA poderá gerar respostas não amparadas no comando e/ou na realidade).
 

A imoral e desumana Previdência Social do Brasil - Ricardo Bergamini

Dificilmente o Brasil vai conseguir escapar de uma monumental crise financeira que já se perfila no horizonte, como argumenta Ricardo Bergamini:

A imoral e desumana Previdência Social do Brasil
Ricardo Bergamini

Em 2025, o Regime Geral de Previdência Social (INSS) destinado aos trabalhadores de segunda classe (empresas privadas) com 98,0 milhões de participantes (64,3 milhões de contribuintes e 33,7 milhões de beneficiários) gerou um déficit previdenciário da ordem de R$ 321,0 bilhões (déficit per capita de R$ 3.275,51).

Resumo do resultado previdenciário de 2025 do RPPS (servidores públicos): União (civis e militares) déficit previdenciário de R$ 119,6 bilhões; governos estaduais (civis e militares) e governos municipais déficit previdenciário de R$ 141,5 bilhões Totalizando déficit previdenciário do RPPS da ordem de R$ 261,1 bilhões.

Em 2025, o Regime Próprio da Previdência Social destinado aos trabalhadores de primeira classe (servidores públicos) – União, 26 estados, DF, FCDF e 2.125 municípios mais ricos, com apenas 11,0 milhões de participantes (5,9 milhões de contribuintes e 5,1 milhões de beneficiários) gerou um déficit previdenciário da ordem de R$ 261,1 bilhões (déficit per capita de R$ 23.736,36).

Em 2025 a previdência social brasileira total (RGPS E RPPS) gerou um déficit previdenciário total de R$ 582,1 bilhões, cobertos com as fontes de financiamentos (COFINS e CSSL, dentre outras pequenas fontes) que são uma das maiores aberrações e excrescências econômicas e desumanas já conhecidas, visto que essas contribuições atingem todos os brasileiros de forma generalizada, mesmos os que não fazem parte do grupo coberto pela previdência, tais como: os desempregados e os empregados informais sem carteira de trabalho assinada, contingente composto de 70% da população economicamente ativa. Esses grupos de excluídos estão pagando para uma festa da qual jamais serão convidados a participar.

Senado aprova “pauta-bomba” com aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde; entenda
Texto recebeu 73 votos favoráveis em dois turnos de votação e apenas um contrário; três senadores de SC votaram "sim"

Mariana Barcellos
mariana.barcellos@nsc.com.br

NC, 14/07/2026 

O Senado aprovou nesta terça-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A proposta é considerada uma “pauta-bomba” pela equipe econômica do governo Lula (PT) por prever aumento de despesas estimado em R$ 27 bilhões ao longo de dez anos.

Matéria completa clique abaixo:
https://www.nsctotal.com.br/noticias/senado-aprova-pauta-bomba-com-aposentadoria-especial-para-agentes-comunitarios-de-saude-entenda

Ricardo Bergamini

Postagem em destaque

OS MÉDICOS RESPONSÁVEIS PELA SOBREVIVÊNCIA DE CUBA - Sarah EsthervMalin (The Economist)

 Um artigo de Sarah Esther Maslin na revista 1843, do The Economist, em 17/07/2026, Walmyr Buzatto OS MÉDICOS RESPONSÁVEIS PELA SOBREVIVÊNCI...