domingo, 1 de janeiro de 2012

Para iniciar o ano bem: Umberto Eco e seus romances

Agradeço a meu amigo André Eiras o envio desta entrevista, que de outra forma me teria passado despercebida. Como leio muita coisa da imprensa internacional, algumas coisas boas da imprensa nacional acabam ficando de lado.
Pessoalmente, considero que, como todo professor antigo, amante de livros e habituado à cultura de cátedra, Eco é um pouco conservador, e equivocado, quanto às características da internet, e seu uso anárquico e indiscriminado por todo tipo de usuário, aliás para o bem ou para o mal. Ele pede uma espécie de filtro, ou hierarquização, no processamento da informação, como se isso fosse desejável ou sequer possível. 
Caro professor: a internet continuará sendo o caos que é, e seria impossível, e até antidemocrático, tentar colocar qualquer ordem nessa caos absoluto. Em qualquer hipótese, qualquer tentativa nesse sentido seria ineficiente, inconsequente, pouco prática (para não dizer totalmente impraticável), cerceadora e carente de algum tipo de autoridade que ninguém tem, e nem se deveria tentar implementar algo do gênero.
Compreendo sua angústia em face do besteirol da internet, mas esse é o preço a pagar por (e para) sermos livres...
Em todo caso, o excesso de informação JAMAIS provocaria amnésia, pois o próprio cérebro, independentemente de nossa vontade, organiza, segundo critérios próprios (e ainda desconhecidos para nós), a informação que recebe, guardando algumas delas, descartando outras, colocando outras em compartimentos "secretos" (que um dia poderão aflorar, se necessário), e assim por dia. Essa frase selecionada para título da matéria é, ela mesma, um besteirol completo.
No resto, a entrevista é saborosa. Aproveitem o feriado para ler.
E se não leram ainda nenhum romance dele, está na hora de começar...
Paulo Roberto de Almeida 

Umberto Eco: "O excesso de informação provoca amnésia"
Luis Antíonio Girón, de Milão
Revista Época, 30/12/2011
PROFESSOR

O pensador e romancista italiano Umberto Eco completa 80 anos nesta semana. Ele está escrevendo sua autobiografia intelectual
(Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis)


O escritor italiano diz que a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio porque ela não filtra o conhecimento e congestiona a memória do usuário.



O escritor e semiólogo Umberto Eco vive com sua mulher em um apartamento duplo no segundo e terceiro andar de um prédio antigo, de frente para o palácio Sforzesco, o mais vistoso ponto turístico de Milão. É como se Alice Munro morasse defronte à Canadian Tower em Toronto, Hakuri Murakami instalasse sua casa no sopé do monte Fuji, ou então Paulo Coelho mantivesse uma mansão na Urca, à sombra do Pão de Açúcar. "Acordo todo dia com a Renascença", diz Eco, referindo-se à enorme fortificação do século XV. O castelo deve também abrir os portões pela manhã com uma sensação parecida, pois diante dele vive o intelectual e o romancista mais famoso da Itália.
Um dos andares da residência de Eco é dedicado ao escritório e à biblioteca. São quatro salas repletas de livros, divididas por temas e por autores em ordem alfabética. A sala em que trabalha abriga aquilo que ele chama de "ala das ciências banidas", como ocultismo, sociedades secretas, mesmerismo, esoterismo, magia e bruxaria. Ali, em um cômodo pequeno, estão as fontes principais dos romances de sucesso de Eco: O nome da rosa (1980), O pêndulo de Foucault (1988), A ilha do dia anterior (1994), Baudolino (2000), A misteriosa chama da rainha Loana (2004) e O cemitério de Praga. Publicado em 2010 e lançado com sucesso no Brasil em 2011, o livro provocou polêmica por tratar de forma humorística de um assunto sério: o surgimento do antissemitismo na Europa. Por motivos diversos, protestaram a igreja católica e o rabino de Roma: aquela porque Eco satirizava os jesuítas ("são maçons de saia", diz o personagem principal, o odioso tabelião Simone Simonini), este porque as teorias conspiratórias forjadas no século XIX - como o Protocolo dos sábios do Sião - poderiam gerar uma onda de ódio aos judeus. Desde o início da carreira, em 1962, como autor do ensaio estético Obra aberta, Eco gosta de provocar esse tipo de reação. Mesmo aos 80 anos, que completa em 5 de janeiro, parece não perder o gosto pelo barulho. De muito bom humor, ele conversou com Época durante duas horas sobre a idade, o gênero que inventou - o suspense erudito -, a decadência europeia e seu assunto mais constante nos últimos anos: a morte do livro. É de pasmar, mas o maior inimigo da leitura pelo computador está revendo suas posições - e até gostando de ler livros... pelo iPad que comprou durante sua última turnê americana.

ÉPOCA - Como o senhor se sente, completando 80 anos?
Umberto Eco -
 Bem mais velho! (Risos.) Vamos nos tornando importantes com a idade, mas não me sinto importante nem velho. Não posso reclamar de rotina. Minha vida é agitada. Ainda mantenho uma cátedra no Departamento de Semiótica e Comunicação da Universidade de Bolonha e continuo orientando doutorandos e pós-doutorandos. Dou muita palestra pelo mundo afora. E tenho feito turnês de lançamento de O cemitério de Praga. Acabo de voltar de uma megaexcursão pelos Estados Unidos. Ela quase me custou o braço. Estou com tendinite de tanto dar autógrafos em livros. 
ÉPOCA - O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é de que o livro não vai acabar. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?
Eco -
 Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet. 
ÉPOCA - Apesar dessas melhorias, o senhor ainda vê a internet como um perigo para o saber?
Eco -
 A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento. 
ÉPOCA - Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?
Eco -
 Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes. 
ÉPOCA - Há uma solução para o problema do excesso de informação?
Eco -
 Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.

ÉPOCA - O senhor já está pensando em um novo romance depois de O cemitério de Praga?
Eco -
 Vamos com calma. Mal publiquei um e você já quer outro. Estou sem tempo para ficção no momento. Na verdade, vou me ocupar agora de minha autobiografia intelectual. Fui convidado por uma instituição americana, Library of Living Philosophers, para elaborar meu percurso filosófico. Fiquei contente com o convite, porque passo a fazer parte de um projeto que inclui John Dewey, Jean-Paul Sartre e Richard Rorty - embora eu não seja filósofo. Desde 1939, o instituto convida um pensador vivo para narrar seu percurso intelectual em um livro. O volume traz então ensaios de vários especialistas sobre os diversos aspectos da obra do convidado. No final, o convidado responde às dúvidas e críticas levantadas. O desafio é sistematizar de uma forma lógica tudo o que já fiz...
ÉPOCA - Como lidar com tamanha variedade de caminhos?
Eco -
 Estou começando com meu interesse constante desde o começo da carreira pela Idade Média e pelos romances de Alessandro Manzoni. Depois vieram a Semiótica, a teoria da comunicação, a filosofia da linguagem. E há o lado banido, o da teoria ocultista, que sempre me fascinou. Tanto que tenho uma biblioteca só do assunto. Adoro a questão do falso. E foi recolhendo montes de teorias esquisitas que cheguei à ideia de escrever O cemitério de Praga.
ÉPOCA - Entre essas teorias, destaca-se a mais célebre das falsificações, O protocolo dos sábios de Sião. Por que o senhor se debruçou sobre um documento tão revoltante para fazer ficção?
Eco - 
Eu queria investigar como os europeus civilizados se esforçaram em construir inimigos invisíveis no século XIX. E o inimigo sempre figura como uma espécie de monstro: tem de ser repugnante, feio e malcheiroso. De alguma forma, o que causa repulsa no inimigo é algo que faz parte de nós. Foi essa ambivalência que persegui em O cemitério de Praga. Nada mais exemplar que a elaboração das teorias antissemitas, que viriam a desembocar no nazismo do século XX. Em pesquisas, em arquivos e na internet, constatei que o antissemitismo tem origem religiosa, deriva para o discurso de esquerda e, finalmente, dá uma guinada à direita para se tornar a prioridade da ideologia nacional-socialista. Começou na Idade Média a partir de uma visão cristã e religiosa. Os judeus eram estigmatizados como os assassinos de Jesus. Essa visão chegou ao ápice com Lutero. Ele pregava que os judeus fossem banidos. Os jesuítas também tiveram seu papel. No século XIX, os judeus, aparentemente integrados à Europa, começaram a ser satanizados por sua riqueza. A família de banqueiros Rotschild, estabelecida em Paris, virou um alvo do rancor social e dos pregadores socialistas. Descobri os textos de Léo Taxil, discípulo do socialista utópico Fourier. Ele inaugurou uma série de teorias sobre a conspiração judaica e capitalista internacional que resultaria em Os protocolos dos sábios do Sião, texto forjado em 1897 pela polícia secreta do czar Nicolau II. 
ÉPOCA - O senhor considera os Procotolos uma das fontes do nazismo?
Eco -
 Sem dúvida. Adolf Hitler, em sua autobiografia, Minha luta, dava como legítimo o texto dosProtocolos. Hitler tomou como verdadeira uma falsificação das mais grosseiras, e essa mentira constitui um dos fundamentos do nazismo. A raiz do antissemitismo vem de muito antes, de uma construção do inimigo, que partiu de delírios e paranoias.
ÉPOCA - O personagem de O cemitério de Praga, Simone Simonini, parece concentrar todos os preconceitos e delírios europeus do século XIX. Ele é ao mesmo tempo antissemita, anticlerical, anticapitalicas e antissocialista. Como surgiu na sua mente alguém tão abominável?
Eco -
 Os críticos disseram que Simonini é o personagem mais horroroso da literatura de todos os tempos, e devo concordar com eles. Ele também é muito divertido. Seus excessos estão ali para provocar riso e revolta. No romance, Simonini é a única figura fictícia. Guarda todos os preconceitos e fantasias sobre um inimigo que jamais conhece. E se desdobra em várias personalidades: durante o dia, atua como tabelião falsificador de documentos; à noite, traveste-se em falso padre jesuíta e sai atrás de aventuras sinistras. Acaba virando joguete dos monarquistas, que se opõem à unificação da Itália, e, por fim, dos russos. Imaginei Simonini como um dos autores de Os protocolos dos sábios do Sião. 
ÉPOCA - A falsificação sobre falsificações permitida pela ficção tornou o livro controverso. Ele tem provocado reações negativas. O senhor gosta de lidar com polêmicas? 
Eco - A recepção tem sido positiva. O livro tem feito sucesso sem precisar de polêmicas. Quando foi lançado na Itália, ele gerou alguma discussão. O L'osservatore Romano, órgão oficial do Vaticano, publicou um artigo condenando os ataques do livro aos jesuítas. Não respondi, porque sou conhecido como um intelectual anticlerical - e já havia discutido com a igreja católica no tempo de O nome da rosa, quando me acusaram de atacar a igreja. O rabino de Roma leu O cemitério de Praga e advertiu em um pronunciamento que as teorias contidas no livro poderiam se tornar novamente populares a partir da obra. Respondi a ele que não havia esse perigo. Ao contrário, se Simonini serve para alguma coisa, é para provocar nossa indignação.
ÉPOCA - Além de falsário, Simonini se revela um gourmet. Ao longo do livro, o senhor joga listas e listas de receitas as mais extravagantes, que Simonini comenta com volúpia. O senhor gosta de gastronomia?
Eco -
 Eu sou MacDonald's! Nunca me incomodei com detalhes de comida. Pesquisei receitas antigas com um objetivo preciso: causar repugnância no leitor. A gastronomia é um dado negativo na composição do personagem. Quando Simonini discorre sobre pratos esquisitos, o leitor deve sentir o estômago revirado.

ÉPOCA - Qual o sentido de escrever romances hoje em dia? O que o atrai no gênero?
Eco -
 Faz todo o sentido escrever ficção. Não vejo como fazer hoje narrativa experimental, como James Joyce fez com Finnegan's Wake, para mim a fronteira final da experimentação. Houve um recuo para a narrativa linear e clássica. Comecei a escrever ficção nesse contexto de restauração da narratividade, chamado de pós-modernismo. Sou considerado um autor pós-moderno, e concordo com isso. Vasculho as formas e artifícios do romance tradicional. Só que procuro introduzir temas que possam intrigar o leitor: a teoria da comédia perdida de Aristóteles em O nome da rosa; as conspirações maçônicas em O pêndulo de Foucault; a imaginação medieval em Baudolino; a memória e os quadrinhos em A misteriosa chama; a construção do antissemitismo em O cemitério de Praga. O romance é a realização maior da narratividade. E a narratividade conserva o mito arcaico, base de nossa cultura. Contar uma história que emocione e transforme quem a absorve é algo que se passa com a mãe e seu filho, o romancista e seu leitor, o cineasta e seu espectador. A força da narrativa é mais efetiva do que qualquer tecnologia.
ÉPOCA - Philip Roth disse que a literatura morreu. Qual a sua opinião sobre os apocalípticos que preveem a morte da literatura?
Eco -
 Philip Roth é um grande escritor. A contar com ele, a literatura não vai morrer tão cedo. Ele publica um romance por ano, e sempre de boa qualidade. Não me parece que nem o romance nem ele pretendem interromper a carreira (risos).
ÉPOCA - Mas por que hoje não aparecem romancistas do porte de Liev Tolstói e Gustave Flaubert?
Eco -
 Talvez porque ainda não os descobrimos. Nada acontece imediatamente na literatura. É preciso esperar um pouco. Devem certamente existir Tolstóis e Flauberts por aí. E têm surgido ótimos ficcionistas em toda parte.
ÉPOCA - Como o senhor analisa a literatura contemporânea?
Eco - 
Há bons autores medianos na Itália. Nada de genial, mas têm saído livros interessantes de autores bastante promissores. Hoje existe o thriller italiano, com os romances de suspense de Andrea Camilleri e seus discípulos. No entanto, um signo do abalo econômico italiano é que [PRA: ACREDITO QUE FALTA UM NÃO, AQUI ] é mais possível um romancista viver de sua obra literária, como fazia (Alberto) Moravia. Hoje romance virou uma atividade diletante. É diferente do que ocorre nos Estados Unidos, aindaum polo emissor de ótima ficção e da profissionalização dos escritores. Além dos livros de Roth, adorei ler Liberdade, de Jonathan Franzen, um romance de corte clássico e repleto de referências culturais. A França, infelizmente, experimenta uma certa decadência literária, e nada de bom apareceu nos últimos tempos. O mesmo parece se passar com a América Latina. Já vão longe os tempos do realismo fantástico de García Márquez e Jorge Luis Borges. Nada tem vindo de lá que me pareça digno de nota.
ÉPOCA - E a literatura brasileira? Que impressões o senhor tem do Brasil? O país lhe parece mais interessante hoje do que há 30 anos?
Eco -
 O Brasil é um país incrivelmente dinâmico. Visitei o Brasil há muito tempo, agora acompanho de longe as notícias sobre o país. A primeira vez foi em 1966. Foi quando visitei terreiros de umbanda e candomblé - e mais tarde usei essa experiência em um capítulo de O pêndulo de Foucault para descrever um ritual de candomblé. Quando voltei em 1978, tudo já havia mudado, as cidades já não pareciam as mesmas. Imagino que hoje em dia o Brasil esteja completamente transformado. Não tenho acompanhado nada do que se faz por lá em literatura. Eu era amigo do poeta Haroldo de Campos, um grande erudito e tradutor. Gostaria de voltar, tenho muitos convites, mas agora ando muito ocupado... comigo mesmo.
ÉPOCA - O senhor foi o criador do suspense erudito. O modelo é ainda válido?
Eco -
 Em O nome da Rosa, consegui juntar erudição e romance de suspense. Inventei o investigador-frade William de Baskerville, baseado em Sherlock Holmes de Conan Dolyle, um bibliotecário cego inspirado em Jorge Luis Borges, e fui muito criticado porque Jorge de Burgos, o personagem, revela-se um vilão. De qualquer forma, o livro foi um sucesso e ajudou a criar um tipo de literatura que vejo com bons olhos Sim, há muita coisa boa sendo feita. Gosto de (Arturo) Pérez-Reverte, com seus livros de fantasia que lembram os romances de aventura de Alexandre Dumas e Emilio Salgari que eu lia quando menino.
ÉPOCA - Lendo seus seguidores, como Dan Brown, o senhor às vezes não se arrepende de ter criado o suspense erudito?
Eco -
 Às vezes, sim! (risos) O Dan Brown me irrita porque ele parece um personagem inventado por mim. Em vez de ele compreender que as teorias conspiratórias são falsas, Brown as assume como verdadeiras, ficando ao lado do personagem, sem questionar nada. É o que ele faz em O Código Da Vinci. É o mesmo contexto de O pêndulo de Foucault. Mas ele parece ter adotado a história para simplificá-la. Isso provoca ondas de mistificação. Há leitores que acreditam em tudo o que Dan Brown escreve - e não posso condená-los.
ÉPOCA - O que vem antes na sua obra, a teoria ou a ficção?
Eco -
 Não há um caminho único. Eu tanto posso escrever um romance a partir de uma pesquisa ou um ensaio que eu tenha feito. Foi o caso de O pêndulo de Foucault, que nasceu de uma teoria. Baudolino resultou de ideias que elaborei em torno da falsificação. Ou vice-versa. Depois de escrever O cemitério de Praga, me veio a ideia de elaborar uma teoria, que resultou no livroCostruire il Nemico (Construir o Inimigo, lançado em maio de 2011). E nada impede que uma teoria nascida de uma obra de ficção redunde em outra ficção.

ÉPOCA - Quando escreve, o senhor tem um método ou uma superstição?
Eco -
 Não tenho nenhum método. Não sou com Alberto Moravia, que acordava às 8h, trabalhava até o meio-dia, almoçava, e depois voltava para a escrivaninha. Escrevo ficção sempre que me dá prazer, sem observar horários e metodologias. Adoro escrever por escrever, em qualquer meio, do lápis ao computador. Quando elaboro textos acadêmicos ou ensaio, preciso me concentrar, mas não o faço por método.
ÉPOCA - Como o senhor analisa a crise econômica italiana? Existe uma crise moral que acompanha o processo de decadência cultural? A Itália vai acabar?
Eco -
 Não sou economista para responder à pergunta. Não sei por que vocês jornalistas estão sempre fazendo perguntas (risos). Talvez porque eu tenha sido um crítico do governo Silvio Berlusconi nesses anos todos, nos meus artigos de jornal, não é mesmo? Bom, a Itália vive uma crise econômica sem precedentes. Nos anos Berlusconi, desde 2001, os italianos viveram uma fantasia, que conduziu à decadência moral. Os pais sonhavam com que as filhas frequentassem as orgias de Berlusconi para assim se tornarem estrela da televisão. Isso tinha de parar, acho que agora todos se deram conta dos excessos. A Itália continua a existir, apesar de Berlusconi.
ÉPOCA - O senhor está confiante com a junção Merkozy (Nicolas Sarkozy e Angela Merkel) e a ascensão dos tecnocratas, como Mario Monti como primeiro ministro da Itália?
Eco -
 Se não há outra forma de governar a zona do Euro, o que fazer? Merkel tem o encargo, mas também sofre pressões em seu país, para que deixe de apoiar países em dificuldades. A ascensão de Monti marca a chegada dos tecnocratas ao poder. E de fato é hora de tomar medidas duras e impopulares que só tecnocratas como Monti, que não se preocupa com eleição, podem tomar, como o corte nas aposentadorias e outros privilégios.
ÉPOCA - O que o senhor faz no tempo livre?
Eco -
 Coleciono livros e ouço música pela internet. Tenho encontrado ótimas rádios virtuais. Estou encantado com uma emissora que só transmite música coral. Eu toco flauta doce (mostra cinco flautas de variados tamanhos), mas não tenho tido tempo para praticar. Gosto de brincar com meus netos, uma menina e um menino.
ÉPOCA - Os 80 anos também são uma ocasião para pensar na cidade natal. Como é sua ligação com Alessandria?
Eco -
 Não é difícil voltar para lá, porque Alessandria fica a uns 100 quilômetros de Milão. Aliás foi um dos motivos que escolhi morar por aqui: é perto de Bolonha e de Alessandria. Quando volto, sou recebido como uma celebridade. Eu e o chapéu Borsalino, somos produção de Alessandria! Reencontro velhos amigos no clube da cidade, sou homenageado, bato muito papo. Não tenho mais parentes próximos. É sempre emocionante.

Para comecar o ano bem... (bem, mais ou menos...)


Algumas leis da “natureza”:

O seguro cobre tudo, menos o que aconteceu.

Quando você estiver com apenas uma mão livre para abrir a porta, a chave estará no bolso oposto.

Quando suas mãos estiverem sujas de graxa, vai começar a coçar no mínimo o nariz.

Não importa por que lado seja aberta a caixa de um medicamento. A bula sempre vai atrapalhar.

Quando você acha que as coisas parecem ter melhorado, é porque algo passou despercebido.

Sempre que as coisas parecem fáceis, é porque não atendemos a todas as instruções.

Se você mantém a calma, quando todos perderam a cabeça, é porque você não captou o problema.

Os problemas não se criam, nem se resolvem, só se transformam.

Você vai chegar ao telefone exatamente a tempo de ouvir quando desligam.

Se só existirem dois programas na TV que vale a pena assistir, os dois passarão na mesma hora.

A velocidade do vento é diretamente proporcional ao preço do penteado.

Quando, depois de anos sem usar, você decide arquivar alguma coisa, vai precisar dela na semana seguinte.

Sempre que você chegar pontualmente a um encontro não haverá ninguém lá para comprovar, e se ao contrário você se atrasar, todo mundo vai ter chegado antes de você.

Grandes tendencias economicas para 2012 - Wall Street Journal


Um primeiro post de 2012, pode começar com estas previsões, moderadamente pessimistas, ou pessimisticamente realistas, sobre as grandes tendências nas economias da Europa, dos EUA e da China.
Paulo Roberto de Almeida

Five Economic Trends to Watch in 2012

By Sudeep Reddy

Blog Real Time Economics
Economic insight and analysis from The Wall Street Journal, December 30, 2011

The Council on Foreign Relations polled economists to identify five trends to watch in the coming year. They all fall under the increasingly common theme of “uncertainty,” and most of them touch on U.S. or euro-zone policies. Brief excerpts of their conclusions, which you can read in full here:
U.S. political polarization: “The increasing partisan and ideological division between the two parties constitutes the single most important influence on future economic policymaking. … We face the possibility that a political impasse will leave the government without a budget for essential federal functions and without the borrowing capacity to fund normal operations.” – Gary Burtless, Brookings Institution
Global volatility: “The main trend in 2012 is volatility, with the preponderance of extreme macroeconomic risk on the downside. It is a two-scenarios environment with roughly equal weight, with the center of global risk located in Europe. … Virtually all of the risk stems from uncertainty about bold policy action and coordination within and among advanced countries. As the probabilities attached to political gridlock shift, expectations about market and economic trajectories will move with them.” – Michael Spence, Council on Foreign Relations
China’s rise under stress: “History will note that 2012 marked China’s shift to a slower growth trajectory and the anointment of its ‘fifth generation’ of leaders. This comes at a time when the country faces formidable internal and external challenges. … With weak financial institutions and its infrastructure-led growth model under attack, [China] may not have all the tools to achieve its goals.” – Yukon Huang, Carnegie Endowment for International Peace
Shortage of AAA assets: “Unlike the Internet bubble, the household and sovereign credit boom was fueled less by dreams of fabulous growth than by the promise of safety. Financial engineering was supposed to turn risky mortgages into safe-as-houses, AAA-rated bonds; similarly, the euro was supposed to turn previously irresponsible countries into paragons of German fiscal discipline. With those illusions shattered, 2012 will witness a widening gap between the preferences of savers and the needs of borrowers.” – NYU’s Thomas Philippon and Morgan Stanley’s Ashley Lester
New appetite for risk: “The new trend to look for in the euro area in 2012 will manifest itself in financial markets rather than in the political realm. At some point, the economic fundamentals of the euro area–as well as the messy [policy responses of] its governments –will have ensured that market fears surrounding, for instance,  Italian government debt will be surpassed by the greed of yield-hungry investors.” – Jacob Kirkegaard, Peterson Institute for International Economics

sábado, 31 de dezembro de 2011

Minha mensagem de felicidades a todos os leitores e visitantes de passagem

Uma mensagem simples, mas que expressa meus sentimentos e meus votos a todos e a cada um:
Bom final de ano, e felicidades durante todo o ano de 2012!
Paulo Roberto de Almeida

Carta de agradecimento a meus leitores: informacoes sobre o autor

A crer no registro de "assinantes" deste blog, em 31/12/2011, sou acompanhado por exatamente 480 "leitores", o que não quer dizer que sou lido por todos eles regularmente. Alguns entram, outros saem, outros apenas me "marcaram", mas não têm tempo de ler todos os 6 mil posts acumulados neste blog desde seu início (em substituição ou paralelamente a vários outros, gerais ou especializados). Certos passantes são ocasionais, havendo os que gostam de meus posts (e até escrevem para agradecer o trabalho de compilação, penosamente conduzido em detrimento de minhas outras atividades) e tem os que acham apenas curioso, bizarro, ou interessante; mas também tem os que detestam francamente minhas posições e a seleção de materiais aqui apresentada (e escrevem comentários raivosos geralmente contra este articulista, menos contra meus argumentos, já que esses têm pouco a dizer, a não ser exibir a intolerância dos true believers).
Este é o mundo dos blogs, um dos poucos free lunchs fornecidos pelo capitalismo tão detestado -- embora não seja exatamente free, já que a publicidade se encarrega de cobrir os custos do empreendimento capitalista -- e um espaço ideal para coletar materiais interessantes de leitura.
Mas, por que eu, um homem já normalmente superocupado com leituras, pesquisas e escritos, ainda "perco tempo" com um divertimento como este, em lugar de ficar no meu canto, dedicado a minhas atividades habituais, alimentando de vez em quando um site bem mais didático e sério do que este "gabinete de curiosidades virtuais"? Sim, qual a razão?
Deve ser por exibicionismo, pensarão alguns, embora minha primeira motivação tenha sido superar os procedimentos mais lentos, custosos e complicados de um site, para organizar materiais de estudos e de referência num ambiente simples, enxuto e gratuito (já que o site necessita pagamento de provedor e de domínio). De fato, depois de alguma resistência inicial, rendi-me aos blogs pela facilidade de manipulação, pelos recursos oferecidos, pela rapidez e flexibilidade oferecidos para coletar material e deixar à disposição -- minha e de quem quer que seja -- para quando se necessita de algum texto ou referência documental. Enfim, uma espécie de repositório, de depósito, de biblioteca e de ficheiro, no qual se pode enfiar tudo, sem cuidar de ordem ou arrumação, e depois se pode recuperar de qualquer lugar, quando se necessitar, tudo o que por acaso entrou aqui, de bom, de mau e de feio (e como tem coisa ruim no mundo, my God, no Brasil em especial, com toda essa corrupção inaceitável, ocupando espaços até distinguidos numa república vagamente mafiosa). 


Mas estou me desviando do objetivo geral deste post, que se destinava apenas a agradecer a todos os meus leitores, aos comentaristas (mesmo aqueles raivosos, pois eles sempre têm algo a me ensinar, ainda que seja como pensam certos indivíduos amigos e tolerantes com coisas que detesto), enfim, render homenagem ao todos os passantes, visitantes ocasionais, navegantes em busca de alguma informação útil ou simples leitura agradável.
Os leitores são, obviamente, a razão de ser de escritores, de todos os escritores, mesmo aqueles, como eu, que escrevem coisas complicadas, nem sempre consensuais, mas sempre sinceras e de certo modo profundas, refletindo uma vida de leituras, pesquisas e reflexões.
Sem leitores, ou sem alunos, no caso de professores como eu, nenhum desses trabalhos, nenhuma dessas atividades e esforços conduzidos em horas incertas e menos certas, teria sentido ou encontraria "consumidores". 


Como alguns desses leitores talvez não tenham maiores informações sobre este blogueiro, este professor, este diplomata, este escritor, enfim, todas essas coisas juntas, aproveito um texto preparado para uma apresentação biobliográfica para satisfazer a curiosidade eventual dos que por aqui passarem.
Como dito ao final, maiores informações sobre minha produção intelectual podem ser encontradas em meu site: www.pralmeida.org.


Bom ano de 2012 a todos. Não estarei aqui presente de maneira muito frequente pois vou dedicar-me a cursos em Paris (ver no site, cursos ocasionais: IHEAL-Paris 2012). Como ninguém é de ferro, sobretudo estando na Europa, pretendo viajar bastante e dedicar-me a prazeres não facilmente disponíveis neste cerrado central onde estou atualmente.
Felicidades, e boas leituras em 2012.
Paulo Roberto de Almeida 
(Brasília, 31/12/2011)



Paulo Roberto de Almeida
Minibiobibliografia pessoal

Nascido na cidade de São Paulo (19/11/1949), iniciei meus estudos de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (1969-1970), curso abandonado no segundo ano, em função do ambiente de repressão política reinante na fase mais dura do regime militar no Brasil. Retomei estudos na mesma área, frequentando o curso da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Bruxelas, onde me licenciei em 1975, com uma dissertação de sociologia política, fortemente embasada na história, intitulada Idéologie et Politique dans le Développement Brésilien, 1945-1964.
Continuando estudos pós-graduados, desta vez na área da economia do desenvolvimento, obtive, em 1976, o título de Mestre em Planejamento Econômico pelo Colégio dos Países em Desenvolvimento da Universidade do Estado de Antuérpia, com a tese Problèmes Actuels du Commerce Extérieur Brésilien: une évaluation de la période 1968-1975. Iniciei logo em seguida o doutoramento, com um projeto sobre a “revolução burguesa”, mas retornei ao Brasil em 1977, interrompendo a preparação da tese.
Antes de tornar-me diplomata, exerci-me como professor de Economia Brasileira e de Economia Internacional na Faculdade Campos Salles e de Introdução à Sociologia no curso de Direito das Faculdades Metropolitanas Unidas (São Paulo, 1977). Também desempenhei-me como consultor de cursos de formação de funcionários públicos, em projetos coordenados pela Universidade de Campinas junto a alguns estados (Mato Grosso do Sul, Acre), tendo desenvolvido módulos vinculados à sociologia urbana.
Em outubro desse mesmo ano, prestei concurso direto para a carreira de diplomata, obtendo o segundo lugar nos exames de ingresso. Passei a morar em Brasília em dezembro daquele ano, casando-me, um ano depois, com Carmen Lícia, economista, trabalhando então no Itamaraty. Na Secretaria de Estado em Brasília, trabalhei inicialmente na divisão da Europa Oriental (1977-1979), coordenando um grupo de economistas em pesquisas sobre o comércio do Brasil com os países socialistas daquela região. Em ocasiões ulteriores, trabalhei, sobretudo, em áreas da diplomacia econômica.
Retomei a preparação da tese já como diplomata, quando estava servindo em meus dois primeiros postos, nas embaixadas do Brasil em Berna e em Belgrado (respectivamente de 1979 a 1982 e de 1982 a 1985). Tornei-me Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas, tendo defendido com “Grande Distinção”, em junho de 1984, tese sobre a interação entre o poder político e as classes sociais nos processos de modernização: Classes Sociales et Pouvoir Politique au Brésil: une étude sur les fondements méthodologiques et empiriques de la Révolution Bourgeoise.
De retorno ao Brasil, exerci-me como professor de Sociologia Política no curso de Mestrado em Sociologia da Universidade de Brasília (1985-1986) e no Curso de Preparação à Carreira de Diplomata do Instituto Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores (1986). Passei a lecionar a convite em instituições de ensino superior de Brasília (UnB, FGV, Uniceub e outras faculdades) em matérias de minha especialidade (direito econômico internacional, comércio exterior, integração regional, economia internacional, etc.). Desde então, tenho sido regularmente convidado a dar aulas regulares, cursos específicos, palestras, bem como a participar de seminários e de bancas de pós-graduação, em universidades do Brasil e do exterior.
No plano profissional, numa primeira etapa no exterior, fui chefe dos setores Econômico e de Promoção Comercial nas Embaixadas em Berna (1979-1982) e em Belgrado (1982-1984), retornando então ao Brasil, onde trabalhei na Secretaria de Relações com o Congresso (1985) e no gabinete do Subsecretário Geral de Assuntos Políticos Multilaterais (1986). Em nova designação para trabalhar no exterior, servi como encarregado de negócios na Delegação para o Desarmamento e os Direitos Humanos em Genebra (1987) e como chefe do Setor de Ciência e Tecnologia na Delegação Permanente em Genebra (1987-1990), onde ocupei-me de assuntos de desenvolvimento, tecnológicos e de propriedade intelectual (Unctad, Ompi, Gatt). Depois, exerci-me como representante alterno do Brasil junto à Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), em Montevidéu (1990-1992).
De volta à Secretaria de Estado, em 1992, trabalhei como coordenador executivo na Subsecretaria-Geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior (1992-1993), tendo sido criador e editor do Boletim de Integração Latino-Americana e editor do Boletim de Diplomacia Econômica. Novamente removido para o exterior, servi, entre 1993 e 1995, como Conselheiro na Embaixada em Paris, na chefia do Setor Econômico, onde me ocupei de temas como Clube de Paris, OCDE e informação econômica em geral. Aproveitei o período para participar de seminários acadêmicos e proferir palestras em diversas instituições de ensino superior: universidades de Paris I, III e IV, Institut d’Études Politiques (Sciences Po) e Institut de Hautes Études de l’Amérique Latine (IHEAL). Em função desses contatos, fui convidado para dar aulas, como professor convidado, no IHEAL, no primeiro semestre de 2012, oferecendo dois cursos em nível de pós-graduação: um comparando as políticas externas respectivas de FHC e Lula, outro sobre as relações econômicas internacionais e a inserção do Brasil na globalização contemporânea.
De volta a Brasília, em 1996, passei a chefiar a Divisão de Política Financeira e de Desenvolvimento do Departamento Econômico do Itamaraty, tendo desempenhado, até 1999, diversas funções de coordenação em processos negociadores, geralmente vinculados aos temas dos investimentos estrangeiros (acordos bilaterais, negociações do MAI-OCDE e processo hemisférico da Alca). Nessa fase, realizei o Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, tendo preparado uma tese sobre o Brasil e a OCDE (1996) e uma ampla pesquisa histórica que depois resultaria na obra Formação da Diplomacia Econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (1997), publicada, em versão ampliada, como livro pela Senac-SP (duas edições: 2001 e 2005)
Entre 1999 e 2003 desempenhei-me como ministro-conselheiro na Embaixada do Brasil em Washington, onde coordenei as áreas financeira, cultural e de cooperação acadêmica. Aproveitei para desenvolver diversas atividades acadêmicas ligadas à comunidade dos brasilianistas e para fazer pesquisas na Biblioteca do Congresso, nos Arquivos Nacionais americanos e na Biblioteca Oliveira Lima. Sou regularmente convidado, desde então, a participar dos encontros da Brazilian Studies Association, de cujo comitê executivo participei como membro (2008-2012). Organizei o livro O Brasil dos Brasilianistas (2001), com edição americana publicada em 2005: Envisioning Brazil: Brazilian Studies in the USA, 1945-2000.
Minha produção de trabalhos acadêmicos cobre diversas áreas, mais geralmente ensaios sobre problemas sociais e políticos brasileiros ou estudos sobre questões estratégicas, de integração e de relações internacionais, que são usualmente publicados em livros, jornais e revistas do Brasil e do exterior. Tenho também pronunciado palestras e conferências em universidades brasileiras e estrangeiras, bem como participado de seminários nas minhas áreas de atuação acadêmica. Colaborei na transferência para Brasília do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (fundado no velho Palácio do Itamaraty do Rio de Janeiro em 1954), do qual fui diretor geral, e também sou editor adjunto da Revista Brasileira de Política Internacional, a mais antiga publicação nessa área no Brasil, estabelecida no Rio de Janeiro em 1958 e editada em Brasília a partir de 1993, em nova série.
Desde 2004 sou professor de Economia Política nos programas de mestrado e doutorado do Uniceub (Brasília), mas também participo de atividades no Instituto Rio Branco. Estou atualmente preparando o segundo volume de meu estudo histórico sobre a diplomacia econômica do Brasil (no período 1889-1945), além de diversos outros trabalhos nas áreas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Mantenho, ademais, colaborações regulares em revistas de ciências sociais e em boletins eletrônicos, para os quais sou chamado a contribuir. Tenho projetos de pesquisas e de livros para os próximos dez anos, pelo menos, quando espero completar uma obra analítica sobre as relações econômicas internacionais do Brasil nos últimos 200 anos, o que representa um período de tempo bem maior do que a própria existência política de grande parte dos Estados contemporâneos.

Seleção de livros publicados:


O Moderno Príncipe: Maquiavel revisitado (Brasília: Senado Federal, 2010)






Une Histoire du Brésil: pourcomprendre le Brésil contemporain (com Katia de Queirós Mattoso, Paris: L’Harmattan, 2002)



O estudo das relações internacionais do Brasil (São Paulo: Editora da Universidade São Marcos, 1999)

Velhos e novos manifestos: o socialismo na era daglobalização (São Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 1999)

O Brasil e o multilateralismo econômico (Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1999)



O Mercosul no contexto regional e internacional (São Paulo: Aduaneiras, 1993)


Livros editados:


Envisioning Brazil: A Guide to Brazilian Studies inthe United States (Organizado com Marshall C. Eakin; Madison: University of Wisconsin Press, 2005)

Relações Brasil-Estados Unidos: assimetrias econvergências (Organizado com Rubens Antônio Barbosa; São Paulo: Saraiva, 2005)

O Brasil dos Brasilianistas: um guia dos estudos sobreo Brasil nos Estados Unidos, 1945-2000 (Organizado com Rubens Antônio Barbosa e Marshall C. Eakin; São Paulo: Paz e Terra, 2002)

Mercosul, Nafta e Alca: a dimensão social (Organizado com Yves Chaloult; São Paulo: LTr, 1999)

Carlos Delgado de Carvalho, História Diplomática do Brasil (edição fac-similar; Brasília: Senado Federal, 1998 e 2003)

José Manoel Cardoso de Oliveira, Actos Diplomaticos do Brasil: tratados doperiodo colonial e varios documentos desde 1492 (edição fac-similar; Brasília: Senado Federal, 1997, 2 vols.)

Para conhecer outros trabalhos do autor e uma relação completa dos trabalhos produzidos e publicados ver o site: www.pralmeida.org

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