segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

The world in 2026: ten issues that will shape the international agenda - Nota Internacional (CIDOB)

The world in 2026: ten issues that will shape the international agenda - Nota Internacional (CIDOB)


Hi Paulo Roberto,


Today, CIDOB’s newsletter brings you the Nota Internacional ‘The world in 2026’, a prospective exercise by CIDOB’s research team that examines the issues that will shape the international agenda in 2026.


The report also includes eight original infographics and a calendar featuring 80 key dates, including elections, international summits and significant anniversaries essential for understanding next year’s global landscape.


2026 will be a year of global readjustment. Trumpism has marked the beginning of a new era in the instrumentalization of economic and technological coercion.


The new year will test the ability to adapt in order to deal with the brutality in geopolitics: who comes out on top; who is capable of finding their place or even circumstances to impact on a seemingly chaotic order; who resists; and who feels overwhelmed, lacking the tools or leadership to cope with the changes.


In a world driven by transactionalism and interests, peace has become an asset with economic returns. The impunity of military interventionism is growing, as is the privatization of the benefits of a “crony diplomacy” that seeks to monetize peace processes.


In 2026, technological and military rearmament will intensify. But so will the sense of fatigue in the face of growing economic disparity and the disconnect between the priorities of the geopolitical agenda and the discontent of citizens.


Read: https://cidob.us18.list-manage.com/track/click?u=be8a04ab17014a0969d3bfddb&id=d0a49b8e63&e=0ed0d03fac

 

Paris toujours Paris - Daniel Afonso da Silva (Jornal da USP)

“Paris toujours Paris” (ou uma singela lembrança daquele 13 de novembro de 2015)

Por Daniel Afonso da Silva, pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP

  Publicado: 12/12/2025 às 18:22

Era pra ser um dia agradável. E foi.

Caiu numa sexta-feira.

Um dia de outono.

Calhou ser 13. Sexta-feira, 13.

13 de novembro de 2015.

Tudo ia limpo em Paris.

O céu não tinha nuvens. O sol era radiante. A ambiência, elegante. Tudo ia límpido. Como pintura. Sem queimar, incomodar nem maltratar.

Havia algum vento. Algum barulho. Mas nada de brisa. Nada de úmido.

Anunciavam-se dias frios. Quem sabe, invernia. Isso era notório.

Edgar Morin havia ofertado uma série de conferências na Sorbonne e a sua manifestação final – “quem não procura o impossível e inencontrável não os encontrará jamais” –, retirada de algum antigo, grego ou latino, ainda intrigava o meu ser.

Christian Lesquesne, querido amigo na Sciences Po, ao meu encalço, havia disparado mensagens ao embaixador Alain Rouquié, ao ministro Hubert Védrine e ao memorável Régis Debray dos quais eu, apreensivo, aguardava retornos.

Era certo que viriam.

Era seguro que iríamos nos ver.

Um dia. Não naquele.

Aquele dia transcorreu incrivelmente ordinário. Como ordinários eram os meus dias naquelas ruas que noutros dias testemunharam transitar Voltaire, Balzac, Diderot, Marat, Victor Hugo, De Gaulle.

O meu reduto era a rue Jacob, no sexto arrondissement de Paris.

Eu não vivia longe. E – também por isso e para apreciar mais e mais a cidade-mundo – eu ia sempre a pé para o laboro.

Do coração do Marais, eu partia para a rue de Rivoli, que me permitia chegar rápido à passagem Richelieu, que dava acesso ao pátio do Louvre, imponente palácio real, anterior a Versalhes.

Quase sem perceber, eu alcançava a alça François Mitterrand e atravessava a ponte Carrossel.

Após o Sena, tornando à esquerda, eu encontrava a rue de Saints-Pères. Seguia nela não muitas quadras. Topava com a rue Jacob. Seguia até o seu número 56. E adentrava o faustoso edifício do CERI, da Sciences Po de Paris.

Era quase sempre assim. Nada às carreiras. Tudo em compasso. Flanando sopro a sopro. Degustando detalhes. Absorto em lembranças. Soterrado em imaginações.

Golpeado por deslumbres. Arpejado em frissons. Como num encontro da primeira vez. Como no frescor do desejo. Aquele que induz ao tremor no contato e ao desatino na satisfação. Presença, harmonia, belo e contraste. Como no primeiro amor.

Dia após dia era assim. Mesmo quando a rotina insistia em imperar.

Aquele início do dia 13 de novembro de 2015 foi assim para mim.

O traçado seguia marcado. Novidade nenhuma ia à vista. Zero mudanças. Nula trepidação. O dia seria ameno. Quase fugaz. Prometendo passar rápido.

Desse modo, acomodado no terceiro andar daquele edifício da Sciences Po, a minha atenção seguia retida em tempos distantes, desabados e quase imemoriais. Tempos que os mais jovens não viveram e muitos os mais antigos nem se lembram mais. Eu vivia mentalmente os longínquos dias de janeiro e fevereiro de 1985 que enlaçavam da eleição do presidente Tancredo de Almeida Neves no Brasil ao seu encontro do novo mandatário brasileiro com o presidente François Mitterrand na França. O meu esforço recaía sobre a reconstituição dessa cena. Quase moldura. Infinitamente bonita. Que aduzia um dos momentos mais altaneiros da redemocratização brasileira. Que foi quando o mundo inteiro começava a reconhecer a Nova República após anos e anos de regime militar. Quando o Doutor Tancredo e dona Risoleta Neves, após verem a Sua Santidade, o Papa João Paulo II, foram avistar o casal presidencial francês, François e Danielle Mitterrand. Feito que se imortalizou como o momentum Tancredo-Mitterrand.

Naquele 13 de novembro de 2015, eu seguia, assim, retido nesses mundos, nesses símbolos, nesses dias, nessas vibrações.

Pragmaticamente, passei aquele dia inteiro reunindo informações. Indo e voltando – em imaginação – de Brasília a Paris e de Paris a Brasília. Resvalando, vez por outra, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Belo Horizonte, São João Del Rey, Washington, Bonn, Berlim, Cidade do México, Buenos Aires, Lisboa, Moscou, Roma, Madri, Biarritz, Saint-Tropez, até a latche dos Mitterrand no Landes.

Dias antes, eu havia acessado os arquivos da presidência François Mitterrand (1981-1995) com notícias daquele encontro com o presidente brasileiro eleito. O meu encanto era, porquanto, integral. Quase juvenil. Tudo me impressionava. Minha atenção só focava nisso.

Quando dei por mim, a noite já ia escura.

Foi quando tomei o celular e revisei mensagens.

Havia um convite para jantar entre amigos. Uns brasileiros, outros não brasileiros. Mas todos carentes de Brasil. Querendo falar de Brasil. Ouvir do Brasil. Sentir o Brasil.

Mesmo que na simples pronúncia nativa do português.

Ainda não se sabia onde seria o meeting.

Hesitava-se entre o Marais e Arts et Métiers.

Decidiu-se pelas cercanias do bairro République. Mais precisamente entre a estação do metrô Voltaire e a do Saint Ambroise.

Quando se decidiu, saí e cheguei bem rápido.

De entrada, um bordeaux.

Como menu: feijão, pimenta, carne e fartura.

Era um restaurante das Ilhas Maurício. Onde tudo era marcante. Com muitos tons, sons, idiomas e culturas. E – forçando bem, bem mesmo – lembrava o Brasil.

Tudo estava muito bom.

Havia inclusive alguma empolgação.

Mas tudo terminou cedo.

Despedimo-nos todos pelas 21 horas.

Eu poderia voltar a pé para casa, mas segui todo mundo e tomei o metrô. Da segunda para a terceira estação, o trem parou. Não era comum, mas era rotina. O vagão escureceu. Olhando à volta, ninguém esbravejou. Era sexta-feira, tarde da noite, a circulação já ia reduzida.

Num par de minutos, a luz voltou e a viagem continuou.

Cheguei rápido em casa e subitamente adormeci. Satisfeito e feliz.

Algum tempo depois, fui desperto por uma zoada sem fim, vinda de todas as partes e de todo lugar, com sirenes, freadas, luzes, aceleradas, derrapadas, helicópteros.
Abri os olhos. Avistei o relógio. E vi que era ainda sexta-feira.

Os ponteiros marcavam 23 horas pouco completas.

Não sei bem para onde olhei, mas notei o vibrar insistente de meu celular.

Meio ensonado, fui ver.

Era um número diferente. Não era da Europa, da França nem de Paris. Tinha as iniciais do Brasil.

Sem nada pensar, atendi e, como resposta, recebi: “graças a Deus”; “você está vivo”.

Estupefato, nada entendi.

Veio, então, uma ordem: “ligue a televisão”.

Foi quando apreendi a situação: terroristas haviam terrorizado Paris; não muito longe dali.

Triste. Muito triste.

Mas Paris toujours Paris.

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(As opiniões expressas nos artigos publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.)

Fundação Percival Farqhuar, uma instituição educacional inspirada no empreendedorismo do investidor americano

Fundação Percival Farqhuar, uma instituição educacional inspirada no empreendedorismo do investidor americano

Soube hoje que existe, em Governador Valadares, uma Fundação Percival Farquhar, um investidor americano ligado à história da siderurgia, ferrovias eletrificação no Brasil, que se dedica a objetivos educacionais:

https://fpf.univale.br/institucional/historia-da-fpf/

"O nome da Fundação é uma homenagem ao engenheiro e advogado Percival Farquhar, industrial norteamericano, grande empreendedor ligado à criação da CVRD, ACESITA, BELGO MINEIRA, entre outras. Figura marcante na história do desenvolvimento continental, condecorado por Getúlio Vargas com a Ordem do Cruzeiro em 1953, pouco antes de morrer. Seus ideais de crescimento e empreendedorismo estavam alinhados às ideias da Fundação, que pretendia proporcionar o desenvolvimento tecnológico e científico da região de Governador Valadares."

PRA: O nome desse gigante da era pioneira do capitalismo no Brasil, me remete a velhas pesquisas nos Estados Unidos e à leitura de muitos livros e arquivos. Abaixo um projeto de livro sobre ele, e uma resenha que fiz de uma sua biografia. Tenho papeis dos arquivos dele na Universidade de Yale.

803. “O milionário americano: Percival Farquhar e o desenvolvimento brasileiro, 1904-1944”, Washington, 28 ago. 2001, 1 p. Sumário provisório de projeto de livro.

(Projeto de livro)


O milionário americano: Percival Farquhar e o desenvolvimento brasileiro, 1904-1944


Paulo Roberto de Almeida

Sumário provisório:

1. Introdução: um magnata empreendedor na periferia do capitalismo
(os barões ladrões e a projeção imperial dos EUA no começo do século XX; Percival Farquhar e o desenvolvimento econômico brasileiro; glórias e tragédias de um combate contra o meio e os homens)

Primeira Parte
A terra
2. Expansão econômica e projeção imperial dos EUA depois da guerra civil
3. O encilhamento do desenvolvimento brasileiro: contra ventos e marés
4. A penetração estrangeira na economia brasileira na primeira era republicana
5. Café, borracha, transportes, comunicações: a terra do Jeca Tatu

Segunda Parte

O homem
6. Pioneiros e quackers: o espírito do capitalismo americano
7. Percival Farquhar na era da exportação de capitais
8. Empreendimentos capitalistas e métodos patrimonialistas
9. O último titã: os milionários também perdem

Terceira Parte
A luta
10. Andante urbano: tramvias, ferrovias, gás, eletricidade, telégrafo, telefone
11. Allegro amazônico: ascensão e derrota no inferno verde
12. Prestissimo mineralógico: do minério ao aço, com a partitura do governo
13. A sinfonia tropical de Percival Farquhar: allegro ma non troppo, staccato

14. Conclusões: Percival Farquhar e a tragédia do desenvolvimento brasileiro

Fontes: Percival Farquhar Papers, Yale University
Arquivos de Vivaldo Coaracy (localizar Rio de Janeiro)
Arquivo Nacional (Cons. Fed. de Comércio Exterior, Fazenda, etc)
AHD, Itamaraty, Rio de Janeiro
Bibliografia: história econômica e empresarial do Brasil e dos EUA, relações diplomáticas e temas de política internacional do Brasil

1ª versão: Washington, 803: 28/08/2001

1666. “O imperador americano das PPPs”, Brasília, 20 setembro 2006, 2 p. Resenha de Charles A. Gauld: Farquhar, o último titã: um empreendedor americano na América Latina (São Paulo: Editora de Cultura, 2006, 520 p.). Publicada em formato resumido e revisto na revista Desafios do Desenvolvimento (Brasília, IPEA-PNUD, a. III, n. 27, out. 2006. p. 63). Divulgado no blog Diplomatizzando (3/06/2021; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2021/06/charles-gauld-farquhar-o-ultimo-tita-um.html . Relação de Publicados n. 707.


Antiglobalismo (inédito, 2022) - Paulo Roberto de Almeida

 O trabalho a seguir foi preparado para uma publicação coletiva, que acabou não sendo publicada, e não tenho notícias de que o será em breve:


4199. “Antiglobalismo”, Brasília, 20-22 julho 2022, 9 p. Contribuição a uma nova edição do "Dicionário dos Antis: a cultura brasileira em negativo"; enviado em 22/07/2022. Inédito.

Antiglobalismo
Paulo Roberto de Almeida
Diplomata, professor (www.pralmeida.net; pralmeida@me.com)
Contribuição à 2ª edição do Dicionário dos Antis: a cultura brasileira em negativo.

Antiglobalismo não é um termo muito conhecido da opinião pública brasileira, justamente por não ser muito disseminado fora de um círculo restrito de iniciados nas artes conspiratórias de uma suposta ameaça de um “governo mundial manipulado por um grupo fechado de grandes milionários progressistas e pelos movimentos esquerdistas”, segundo um de seus mais conhecidos propagadores no Brasil, o já falecido polemista Olavo de Carvalho. O termo, assim como a sua raiz – globalismo – talvez tenha existido efemeramente, apenas durante a ascensão, curta euforia e rápido declínio durante a vida breve do bolsolavismo diplomático, o assim chamado período, de janeiro de 2019 a março de 2021, de domínio ideológico dos discípulos de Olavo de Carvalho sobre a política externa brasileira. Mas ele já vinha sendo usado e abusado há bem mais tempo, justamente em função dos artigos desse ideólogo, nos quais ele pretendia interpretar a essência do fenômeno:
O globalismo não tem finalidades essencialmente econômicas ou mesmo político-militares: é todo um conceito integral de civilização, uma verdadeira mutação revolucionária da espécie humana, incluindo a total erradicação das religiões tradicionais ou sua diluição numa religião biônica universal cuja expressão mais visível é o movimento da ‘Nova Era’. (Carvalho, 2006)

O termo se tornou mais frequente no debate público depois da assunção do governo Jair Bolsonaro, mais especificamente a partir da escolha do seu primeiro chanceler, um obscuro diplomata respondendo pelo nome de Ernesto Araújo, um devoto discípulo do já citado autodenominado “filósofo”, um antigo comunista convertido em obcecado arauto do anticomunismo mais extremado, depois de passar pela astrologia e pelo islamismo (talvez um expediente para construir um “harém” temporário). Esse guru do governo Bolsonaro – pelo menos enquanto durou sua primeira fase ideológica, antes deste se converter ao realismo político do Centrão – não foi, contudo, o inventor do termo, mas apenas um dos propagadores pouco imaginativos das teorias conspiratórias que frequentam o debate público desde praticamente os tempos da Revolução francesa, o vulcão criador das teorias políticas mais resilientes da modernidade, estendendo-se até a atualidade.
(...)

Ler a íntegra neste link:


domingo, 21 de dezembro de 2025

A desordem mundial gerada por dois impérios, contemplados por um terceiro - Paulo Roberto de Almeida (seminário na UnB)

 Minha preparação prévia a um seminário sobre a ordem global, na UnB:

5152. “A desordem mundial gerada por dois impérios, contemplados por um terceiro”, Brasília, 21 dezembro 2025, 17 p. Combinação de dois textos preparados para minha participação num seminário sob a direção do prof. Antonio Carlos Lessa, evento realizado na UnB em 7/11/2025: “O Mundo Segundo Trump e o ocaso da Ordem Liberal Internacional: Nacionalismo, Transacionalismo e o Futuro do Multilateralismo” (5101) e “Geopolítica da Desordem: A Rivalidade com a China e o Abandono da Segurança Coletiva” (5106).

Sumário:

O Mundo segundo Trump e o ocaso da Ordem Liberal Internacional: Nacionalismo, Transacionalismo e o Futuro do Multilateralismo

(A) O que penso, inicialmente, sobre os cinco conceitos constantes do tema título?
1) Mundo segundo Trump
2) Ocaso da Ordem Liberal Internacional
3) Nacionalismo
4) Transacionalismo
5) Futuro do Multilateralismo

(B) Como vejo o futuro do sistema internacional? Uma previsão muito arriscada

(C) Como vejo o papel do Brasil nesse imbróglio?

Geopolítica da Desordem: A Rivalidade com a China e o Abandono da Segurança Coletiva
(sem seções)



Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...