Como eu prometi que não iria mais chamar ninguém de idiota, vou abster-me, ainda desta vez, mas esta é a vontade que dá, ao assistir a essas manifestações absolutamente estúpidas dos franceses, jovens, velhos, sindicalistas, independentes, estudantes do ciclo médio, desempregados, enfim, todo mundo e seus cachorros e gatos estão fazendo manifestações esses dias, e o país já começa a ficar sem gasolina.
E contra quem eles manifestam?
Contra Sarkozy?
Não; pelo menos não de fato.
Eles manifestam contra eles mesmos, esses estúpidos franceses.
Pois é evidente: eles aprovaram, vinte anos atrás, essa aposentadoria simbólica aos 60 anos, e agora não conseguem se libertar da camisa de força.
À medida que a sociedade vai ficando mais velha, e eles vão vivendo mais, está claro que não se poderia manter as mesmas regras, sob risco de o dinheiro simplesmente acabar.
No mesmo momento, o governo britânica corta 25% do orçamento, despede 460 mil funcionários públicos e aumenta a idade de aposentadoria para 66 anos.
E pensar que os franceses estão protestando desse modo ante um simples aumento de 2 anos, de 60 a 62 anos, mas, isso, apenas em oito anos. Ou seja, quase nada.
Eles pensam manifestar contra o governo e estão simplesmente dando um tiro no pé.
Acho que não vou resistir e vou chamá-los de idiotas.
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Ils sont fous, ces Gaulois (eu até diria outra coisa menos distinguida)
Labels:
aposentadoria,
estupidez gaulesa
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3 comentários:
Prezado Roberto, seu blog é incrível, realmente me identifiquei com sua linha de pensamento. Muito bom, parabéns e obrigado
As vezes penso que se eu fosse governante (ainda mais com boa situação financeira como geralmente são) numa hora dessas chegaria e: "Desisto, vou viver em Monaco e voces que se danem sozinhos. Querem se enforcar? O que não falta é corda. Adeus."
As vezes penso que se eu fosse governante (ainda mais com boa situação financeira como geralmente são) numa hora dessas chegaria e: "Desisto, vou viver em Monaco e voces que se danem sozinhos. Querem se enforcar? O que não falta é corda. Adeus."
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