A visita ao Brasil e os eventuais pronunciamentos públicos (quando pode) da blogueira cubana não possuem nenhuma importância intrínseca, nenhuma relevância, pelo que possam representar como argumentos em si, e para si: são banais, anódinos, sem qualquer profundidade analítica ou sem qualquer objetivo programático ou político, no sentido mais preciso dessa palavra. Ou seja, o que ela diz, ou como diz, não importa muito.
Mais interessante são as reações que esse périplo despertou e que suas aparições vêm despertando entre gregos e goianos, ou entre brasileiros e estrangeiros. Na verdade, essas reações são tristes, patéticas, lamentáveis, denunciadoras de um mal maior: o profundo atraso mental em que vive o Brasil.
Já nem me refiro aos representantes da ditadura e seus mercenários tupiniquins, pobres diabos que não sabem o que fazem, apenas receberam ordens de protestar contra a "agente da CIA" e "inimiga do poder popular" na única ilha "socialista" do hemisfério, ou então o fazem até com entusiasmo, o que lhes permite a idiotice reinante em certos setores do que seria a esquerda, mas que é apenas um ajuntamento de fascistas ignorantes.
Mesmo os supostos "apoiadores" da turista acidental estão dramatizando de tal forma esse episódio, que ele aparece como muito mais importante do que ele realmente é, ou seja, quase nada, seja na história do Brasil, seja no itinerário de Cuba.
Cuba é hoje um anacronismo absoluto, não apenas da Guerra Fria -- que desapareceu no sentido clássico, embora sobreviva em certas reações da Rússia e nos espíritos de russos e americanos saudosistas -- mas especialmente do stalinismo, da mais terrível ditadura já conhecida na história, junto com sua irmã maoista, que não inventou nada, mas que matou infinitamente muito mais gente.
Cuba não tem nenhuma importância, para o Brasil, para os EUA, para a América Latina, e só tem importância para esse bando de idiotas -- dos dois ou três lados -- que ficam se movimentando em torno do nada, justamente, apenas revelador, repito, do estado mental atrasado em que infelizmente nos encontramos.
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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