Onde andamos de convergências e dissonâncias nas relações exteriores?
Já escrevi muito sobre a política externa e a diplomacia do Brasil, e meus 18 leitores sabem exatamente o que penso da diplomacia em geral, e da política externa em particular.
Numa hora de tantos perigos, tantas indefinições, volto a dizer o que já escrevi inúmeras vezes: o Brasil, como potência global, aspirante frustrado a "líder" da América do Sul – incapaz de sê-lo não por incapacidade da diplomacia, mas por certos tiques suspeitos de sua política externa – e como "potência média" – o que ninguém há de negar que é – deveria justamente buscar um diálogo com outras potências, algumas até do diáfano e inexistente "Sul Global", mas sobretudo com as potências médias do Norte, que se estendem do Canadá, passam pelos nórdicos e alcançam praticamente toda a Europa continental, mais alguns ao norte e ao sul do Equador, para algum tipo de concertação contra dois perigosos meliantes das relações internacionais, que já perturbam a paz no mundo desde algum tempo.Por que não o faz? Porque justamente a diplomacia é atropelada pela política externa. Vai ser difícil mudar a perspectiva dos true believers, mas sempre se pode tentar...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 20/01.2026