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domingo, 24 de janeiro de 2021

Mudança no Itamaraty - Pedro Luiz Rodrigues (Diário do Poder)

Mudança no Itamaraty

Pedro Luiz Rodrigues

Diário do Poder,  21/01/2021 às 20:19 

https://diariodopoder.com.br/opiniao/mudanca-no-itamaraty-2

Nos últimos dois anos, numa série de artigos no Diário do Poder, venho abordando a ação estabanada e imprudente do governo do Presidente Jair Bolsonaro na esfera da política externa. Primeiro, manifestei estranheza sobre algumas das prioridades estabelecidas para essa área; depois,  fui contra o descalabro na condução de nossa diplomacia, com o Presidente, seus filhos e ministros de Estado, que como uma banda enfurecida passaram a disparar mensagens vazadas em termos absolutamente inaceitáveis contra países tradicionais parceiros do Brasil. Finalmente, perguntei-me para onde tinham ido o pragmatismo e a responsabilidade que sempre foram nossa marca registrada na atuação externa.

Políticas externas às quais faltam pé e cabeça e atuação diplomática capenga agridem a memória do País, cuja sociedade, ao longo de quase dois séculos de vida independente, acostumou-se a ter no Itamaraty um farol-guia nos momentos mais conturbados da vida internacional. Em períodos críticos o Itamaraty usou da imprensa para informar e orientar a opinião pública, tendo mesmo o Barão do Rio Branco atuado como comentarista regular.

Atrelamentos incondicionais a qualquer país não fazem parte da sabedoria e dos bons costumes da diplomacia brasileira, pela razão óbvia de que nos diminui a margem de manobra para a defesa de nossos interesses. Por isso, em fevereiro de 2019 alertava para a necessidade de que o ‘relacionamento carnal’ (tomando de empréstimo a expressão argentina) com os Estados Unidos não prejudicasse nossas boas relações com outras partes do mundo.

Disse, então, que não era razoável se pensar que os interesses do Brasil seriam sempre coincidentes com o dos Estados Unidos, uma potência com interesses estratégicos globais,  e que deveríamos,  portanto, “fazer o que sempre soubemos fazer com muita competência: atuar com serenidade na arena internacional, buscando identificar e defender nossos interesses, sem estardalhaço, sem vínculo a ideologias disparatadas  e sem a excessiva falação de nossas autoridades, o que tem mais atrapalhado do que ajudado” .

No ano passado, em maio, quando já a Covid-19 conquistara o mundo, apontei reações no quadro internacional que dificultavam a indispensável colaboração global para o combate da pandemia. Países como o Brasil, escrevi então, deveriam agir com cautela: “Temos interesses concretos em manter um bom relacionamento com a China, não apenas nosso principal parceiro comercial, mas também o parceiro com o qual obtemos um superávit comercial grande o suficiente para cobrir o déficit da conta de serviços em nossa conta corrente da balança de pagamentos”.

Quando a diplomacia de um país busca definir o que seja o interesse nacional, para estabelecer sua agenda externa, atentará em particular aos aspectos de natureza econômica e comercial. Outros vínculos podem e devem ser considerados –  estratégicos, de segurança, culturais, históricos, políticos -, mas raramente serão decisivos, em particular para países emergentes como o Brasil.

Para infelicidade nossa, do Brasil, repetiu-se no governo Bolsonaro uma distorção que começou nos governos do Partido dos Trabalhadores. Deixou-se de lado uma avaliação realista de nossos verdadeiros interesses, aceitando-se que as prioridades de política externa fossem ditadas por alguns poucos ideólogos, cuja reflexão esteve contaminada pelos paradigmas dos extremos do espectro político. Os primeiros, excessivamente encantados com Cuba, os últimos, enfeitiçados pelos Estados Unidos.

Foram, portanto, cerca de 15 anos desperdiçados na esfera internacional, por não terem servido aos verdadeiros interesses do País, cuja população de cerca de 210 milhões de habitantes aspira pelo crescimento economia e por melhores oportunidades e condições de vida. Não foi o que se conseguiu com a cartilha ultrapassada de Marco Aurélio Garcia – o chanceler de fato nos governos Lula e Dilma –, nem com as ideias heterodoxas e obscurantistas, já no governo Bolsonaro, da dupla Olavo de Carvalho e Ernesto Araújo. No interregno, governo tampão de Temer, tivemos uma diplomacia em banho-maria.

Diplomatas, e em particular os Ministros de Estado das Relações Exteriores, existem para orientar os Presidentes da República na definição e condução da política externa. Deles, dos Chanceleres, espera-se que tenham bom-senso, equilíbrio, discernimento e, é bom que se ressalve, uma boa dose de altivez. Um Chanceler, como sabem todos os terceiro-secretários (classe inicial da carreira) não pode aceitar ser mera decoração de vitrina, um pau-mandado. Um Ministério como o Itamaraty simplesmente não pode servir de joguete nas mãos de pessoas que não conheçam e respeitem suas tradições, nem partir para aventuras como a que agora se concluiu com a saída de Donald Trump da Presidência nos EUA.

Como intelectual, Olavo de Carvalho, pode pensar e dizer o que bem quiser. Cabe ao funcionário graduado, que exerce a função de mando na Chancelaria, separar o joio do trigo, buscando sempre auscultar a sociedade para o estabelecimento da rota e eventuais correções de curso, sob o risco de se perseguir uma política externa desconjuntada.  Foi isso que aconteceu, embarcou Ernesto na canoa de Olavo.  E é por isso que surge o clamor pela destituição de Ernesto Araújo.

Não foi por falta de aviso e bom conselho que o Brasil do presidente Bolsonaro chegou, em termos de relações internacionais, à patética situação de isolamento em que hoje se encontra. Com o fim da era Trump – cujas extravagâncias e desatinos desorganizaram o mundo -, perdeu nosso Presidente a muleta única que ainda lhe dava a sensação de alguma relevância no cenário externo.

Ao longo dos últimos dois anos, sem razão que o justificasse, Bolsonaro, seu chanceler e outros de seus próximos, não apenas desprezaram duzentos anos de boa tradição diplomática, mas também os guias mais elementares de boas maneiras.  Se ‘tweeteres’ podem produzir efeitos momentâneos na esfera da política interna, seu uso não se coaduna com o decoro e a reflexão exigidas nas relações internacionais.

Não deixa, portanto, de ser irônico que os Estados Unidos – país ao qual o governo Bolsonaro atribuiu quase exclusiva prioridade, e em relação ao qual adotou uma postura de veneração, quase de subserviência – tenha perdido muito de sua importância efetiva para o Brasil, como aconteceu nos últimos dois anos. Ainda que no período os EUA tenham continuado a ser nosso segundo principal parceiro comercial, com só fizemos perder espaço.  Os níveis do comércio bilateral têm diminuído acentuadamente e com os Estados Unidos continuamos a ser deficitários balança do comércio e, principalmente, na de serviços.

Sem justificativa, guiados apenas pelos impulsos heterodoxos de Olavo de Carvalho e Ernesto Araújo, o governo e alguns de seus adeptos, descuidaram de tratar com correção parceiros tradicionais do Brasil, que em muitos casos foram esnobados, ignorados ou ofendidos.  Não foi, também, ideia razoável a de acompanhar a marcha de Trump na crítica e distanciamento de entidades multilaterais, âmbito no qual os países que não são potência utilizam para defender seus direitos e aspirações.

Pedro Luiz Rodrigues, embaixador aposentado, é jornalista. Foi diretor da Sucursal de Brasília do jornal O Estado de S. Paulo.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Antidiplomacia bolsonarista deve ser responsabilizada pelo atraso nas vacinas, avalia embaixador (Paulo R. Almeida) - Giovanni Galvani (Carta Capital)

Antidiplomacia bolsonarista deve ser responsabilizada pelo atraso nas vacinas, avalia embaixador

Com Índia, a questão é diplomática. E com a China, política. Em ambos os casos, o governo Bolsonaro deve ser considerado culpado

Giovanna Galvani

Carta Capital, 20/01/2021

https://www.cartacapital.com.br/mundo/antidiplomacia-bolsonarista-deve-ser-responsabilizada-pelo-atraso-nas-vacinas-avalia-ex-embaixador/

A viabilidade de uma ampla campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil passou a depender de uma das mais problemáticas agendas do governo de Jair Bolsonaro: as relações exteriores.

China e a Índia, duas potências orientais com relacionamentos diferentes com o governo brasileiro, mantêm sob custódia, respectivamente, os insumos para a produção das duas vacinas aprovadas para uso emergencial no Brasil e 2 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca, que já deveriam estar em solo nacional se não fosse o fracasso da operação coordenada pelo chanceler Ernesto Araújo.

Na análise do diplomata Paulo Roberto de Almeida, os dois países devem colaborar, em breve, para que o prosseguimento da vacinação seja viável no Brasil. No entanto, fica um recado vindo especialmente da China, alvo preferido da bravata ideológica de Araújo em seus alinhamentos com a extrema-direita mundial: as relações estão estremecidas, e os chineses sabem bem qual é o lado mais forte da balança.

Almeida, que se considera um “dissidente” do Itamaraty, foi demitido, em 2019, da diretoria do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri), integrado ao Ministério, por publicar textos críticos em seu blog pessoal. Hoje, atua também como professor de Economia Política na pós-graduação de Direito do Centro Universitário de Brasília (Uniceub).

Na terça-feira 19, a Índia indicou países vizinhos prioritários para a exportação de vacinas produzidas em seu território – uma das maiores plantas farmacêuticas do mundo – e não citou o Brasil. Na lista, estão países vizinhos e aliados estratégicos do país.

Almeida afirma que a diplomacia indiana foi educada no trato com o Brasil, e que quaisquer ilusões de Bolsonaro com o primeiro-ministro Narendra Modi, também de direita, deveriam considerar o nacionalismo indiano. A vacinação no país asiático – que tem mais de 1,3 bilhão de habitantes – acabou de começar. Exportar doses para o Brasil, portanto, não seria bem visto entre os indianos.

“O chanceler indiano sinalizou por três vezes que havia dificuldades em exportar a vacina. Ele foi muito diplomático, pois isso causaria um enorme problema para Modi no plano interno. O Modi recebeu Bolsonaro no dia da Independência indiana com todas as honras, mas ele é um nacionalista ao velho estilo. Não tem nada a ver com ‘anti-globalismo’ de Araújo”, afirma o diplomata.

Com a China, o buraco é mais embaixo. Almeida lembra que, desde a campanha presidencial de 2018, ao visitar Taiwan – uma “província rebelde” aos olhos do Partido Comunista Chinês -, o presidente manda mensagens de afronta ao maior parceiro comercial do País. 

“O caso da China é mais político, e o da Índia é uma inconveniência diplomática cometida pelo chanceler e pelo Bolsonaro. Com certeza, isso causou um imenso mal-estar na Índia que não se manifestou porque eles são grandes diplomatas e não cometeriam uma grosseria.”, diz Almeida. “Eles não são o Bolsonaro, que já brigou com o Macron, a mulher do Macron, o [presidente da Argentina] Alberto Fernández, o Evo Morales, Deus e o mundo”, analisa.

Nas ofensas a China, tem protagonismo Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que já brigou publicamente com o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, pelas redes sociais.

Eduardo repetiu que o coronavírus era um “vírus chinês” e fez campanha contra o leilão do 5G com a participação da Huawei, empresa chinesa estratégica no setor. Em ambos os casos, Ernesto Araújo endossou o discurso do filho do presidente.

“A China atua politicamente em resposta. Até agora, foi muito leniente com o Brasil até pelas brigas comerciais que estava travando com os Estados Unidos”, diz o diplomata. A China separa a questão política da comercial, mas eles estão fazendo corpo mole para sinalizar ao Brasil que, se continuar assim, o País talvez sofra.”

Para ele, o grande divisor de águas” nas relações sino-brasileiras seria a proibição à participação da Huawei no leilão do 5G. Mas as críticas preconceituosas de Bolsonaro à “vacina chinesa” também provocaram forte repúdio das autoridades chinesas, afirma.

Almeida avalia ainda que, caso haja caos pela falta das doses da vacina contra a Covid, a “antidiplomacia” bolsonarista será diretamente responsável.

“Todo mundo importa ou toma remédio da Índia e da China. Precisou um inepto total como o Bolsonaro para causar um enorme preconceito contra os produtos chineses”, ressalta.

“A China vai acabar fornecendo [os insumos], mas talvez demore mais um pouco para deixar os Bolsonaro desesperados. Quando acabar o estoque, pode haver cenas dramáticas dos hospitais. Houve um enorme fracasso diplomático que não é limitado ao contexto atual da pandemia, da vacina, é um fracasso diplomático desde o começo.”

Além das relações bilaterais estremecidas, há ainda a falta de coordenação com outros órgãos multilaterais que poderiam ter ajudado o Brasil em “inteligência sanitária e de saúde”, diz o ex-embaixador, referindo-se ao atraso do Ministério da Saúde em adquirir insumos como seringas e agulhas à tempo da vacinação.

Correção de rumos

Para corrigir os problemas, Bolsonaro aposta nas boas relações que o vice-presidente Hamilton Mourão tem com autoridades chinesas, afirmaram aliados do governo à jornalista Andreia Sadi, da Rede Globo.

O general faz parte da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação, a Cosban, e deve ser encarregado de “salvar a pátria” porque os “chineses não falam com o Araújo”, analisa o diplomata. “O governo de Bolsonaro faz tudo errado e, então, apela para soluções de expediente”.

Com a pandemia ainda crescente e uma longa campanha de vacinação pela frente, Paulo Roberto sugere que o Brasil reavalie suas posições com a China – apesar do novo governo dos Estados Unidos, comandado agora pelo democrata Joe Biden, que deve tentar conter a influência da China sobre as Américas.

“O que vai sobrar para o Biden da política externa de Trump é o mercantilismo americano, que responde a uma frustração dos órfãos da globalização, dos desempregados, ao sentimento de que a China não joga conforme as regras”, analisa. “O Biden foi acusado pelo Trump de ser aliado da China, e ele tem que provar que não é soft com eles.”

... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/mundo/antidiplomacia-bolsonarista-deve-ser-responsabilizada-pelo-atraso-nas-vacinas-avalia-ex-embaixador/. 

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Um caso de assédio moral no Itamaraty - Paulo Roberto de Almeida

Um caso de assédio moral no Itamaraty

Paulo Roberto de Almeida

O chanceler acidental tem muitas obsessões: eu sou uma delas. Vou relatar o ridículo caso de assédio moral de um chanceler desequilibrado contra um funcionário de carreira do serviço exterior do Brasil, eu mesmo, no momento em que recebo uma mensagem, enviada recentemente por funcionário concursado, que leu o processo relatado abaixo, o que me levou a consultá-lo sobre sua divulgação.

Os que conhecem meu itinerário nos últimos dois anos, os que acompanham minhas postagens desde minha exoneração do cargo de diretor do IPRI-MRE, e sobretudo desde o final de 2019 e o início de 2020, sabem que o chanceler acidental tem uma obsessão contra mim, sobretudo porque me julga um concorrente ao seu cargo infeliz, que ele exerce pateticamente, como sabujo que é, mas também depois que eu falei que o seu guru, e patrono para o cargo, andava disseminando "olavices debiloides" em uma de suas postagens alucinadas nas redes sociais.

Foi demais para o serviçal de Trump e da Bolsofamília (nessa ordem): ele não resistiu e mandou me demitir numa segunda-feira de Carnaval, pela manhã, com efeito imediato (mas a burocracia tomou quatro dias para fazê-lo, quando meu caso foi amplamente divulgado pela "grande mídia"). 

Dotado de um ódio acrescido desde então, o chanceler mandou que seus sabujos da Divisão do Pessoal examinassem todos os registros da catraca eletrônica para registrar todas as minhas ausências, faltas, atrasos e saídas antecipadas do MRE, onde eu estou apenas formalmente lotado na Divisão do Arquivo, sob as ordens de um simpático Primeiro Secretário, mas onde nenhuma função me foi atribuída.

Em novembro de 2019 ele mandou publicar no Boletim de Serviço supostas 20 "faltas injustificadas", que eu teria cometido. Justifiquei cada uma, escrupulosamente, a maior parte por participação em bancas de mestrado e doutorado, inclusive duas ou três ausências nas quais eu estava na companhia do infeliz e raivoso chanceler acidental, no Ministério da Defesa, ou no Forte Apache, ou na ESG, em cerimônias oficiais, aos quais eu tinha sido convidado pelos militares. Todas as minhas justificativas foram "INDEFERIDAS" liminarmente, e sem aguardar um mês sequer para defesa, o chanceler mandou cortar o meu salário de janeiro de 2020, inclusive de maneira patentemente ILEGAL: meu contracheque registrou R$ 210,16.

Mais ainda: o chanceler acidental mandou os sabujos que o servem computar supostas horas não trabalhadas – só não disseram em que, uma vez que eu continuei a não ter NENHUMA função na burocracia da Divisão do Arquivo. Em seguida, expediram uma cobrança de R$ 23 mil, que eu deveria à União, por "recebimentos a mais". A partir daí entrei com uma ação judicial que, como tudo o que depende da Justiça no Brasil, não tem prazo para terminar. A pandemia paralisou um pouco mais a lentidão da Justiça, que já é normalmente lentíssima.

Tudo está perfeitamente documentado e coloquei a informação relevante à disposição dos interessados de forma totalmente transparente:

Acao com pedido de tutela de urgencia contra a União Federal - Paulo Roberto de Almeida (31/03/2020)

https://www.academia.edu/42605745/Acao_com_pedido_de_tutela_de_urgencia_contra_a_União_Federal_Paulo_Roberto_de_Almeida_31_03_2020_ 

Eu tinha descrito o caso nesta postagem do Diplomatizzando

https://diplomatizzando.blogspot.com/2020/04/minhas-faltas-injustificadas-segundo-o.html 

Mas, o assunto está parado desde então, esperando que a nossa cega Justiça resolva a questão; vou esperar no paraíso (ou em algum limbo disponível para anarco-diplomatas como eu). Todavia, tive a grata surpresa de receber, neste mês de janeiro de 2021, uma simpática mensagem de um funcionário federal concursado, com larga experiência no serviço público, e que reproduzo abaixo: 

"O processo de assédio moral e perseguição funcional contra servidores públicos mais graduados e antigos, a exemplo do caso do Embaixador Paulo Roberto de Almeida e outros tantos (eu mesmo sou servidor federal com 22 anos de serviço público e já na última letra funcional de minha carreira), tem sido prática que se intensificou sobretudo na atual administração iniciada em 2019 - embora remonte também a administrações anteriores - é tema que me interessa sobremaneira. 

Para um servidor público ser considerado veterano ele deve contar ao menos 20 anos de serviço público. E o que vemos são servidores mais modernos exercendo cargos de chefia por motivos de alinhamento ideológico ou pior, mera bajulação, sobre servidores mais capacitados e experimentados do que eles. Qualquer insurgência no Poder Judiciário contra tal situação - ainda que eventualmente admitida por pessoas próximas de nós como tendo poucas chances de prosperar - é por mim bem vinda como exemplo de destemor e coragem!

 Na condição similar à do embaixador (enquanto sofredor de assédio moral), congratulo-me com sua figura, exemplo de quem não tem NADA a temer! As irregularidades são tamanhas a ponto de uma pessoa minimamente instruída saber que não se pode imputar faltas injustificadas a um servidor sem chamar esse mesmo funcionário para apresentar eventuais justificativas cabíveis. Ilegais, pois, os descontos. E se os houver, que seja discutido parcelamento e não imputar 99% de descontos em cima de seu contracheque - o que configura confisco salarial - vedado pela CF/88! 

Na verdade, o embaixador está ciente de que a atual administração do MRE quer é que o senhor peça a aposentadoria e vá para casa! Não faça isso se não for do seu interesse! A atual administração vai passar. 

FORZA Embaixador Paulo Roberto! Abraços de Xxxxxx!

Ele concordou que eu divulgasse a sua mensagem, mas de forma não identificada...

 ... a fim de evitar perseguições pessoais contra minha pessoa (já as houve aqui no meu órgão contra pessoas que se manifestaram pessoalmente em blogs de internet a favor do PT - o que configura cerceamento das liberdades de pensamento e expressão), prefiro permanecer no anonimato. O que não significa obscurantismo, rsrsrs, pois o pensamento inteligente e independente - como o seu - é algo que valorizo sobremaneira desde sempre. Tomara esses tempos difíceis passem logo, nem que seja pelo caminho democrático do 'impeachment'...


Por enquanto estamos assim, mas suponho que o chanceler acidental continuará tentando me demitir do serviço exterior, e me privar de quaisquer direitos funcionais que eu possa ter depois de 42 anos dedicados à diplomacia do Brasil, diplomacia que ele faz tudo para diminuir, espezinhar, negar e destruir, colocando-a a serviço de interesses estrangeiros.

Vou continuar usando de minha capacidade intelectual para denunciar, não o infeliz, patético e desequilibrado chanceler, certamente não a sua pessoa medíocre, mas todas as suas ações que eu julgar negativas do ponto de vista dos interesses do Brasil (e quase todas o são). Ele não me intimida e eu não recuo de minha postura.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 15 de janeiro de 2021


Bolsonaro Government’s Message to Biden: Trumpism Lives On in Brazil - Samy Adghirni and Walter Brandimarte

Bolsonaro Government’s Message to Biden: Trumpism Lives On in Brazil

By Samy Adghirni and Walter Brandimarte

Bloomberg News, 15 de janeiro de 2021 07:35 BRT

https://www.bloomberg.com/news/articles/2021-01-15/biden-is-told-trump-may-be-going-but-trumpism-lives-on-in-brazil?sref=69Fifx0M

 

Brazil foreign minister says conservatives are being silenced

Ernesto Araujo hopes Biden will understand Brazil as Trump did

 

Brazilian President Jair Bolsonaro’s government, which embraced both the Trump administration and its core ideals, wants President-elect Joe Biden to know that it’s not about to reverse course in response to the change of U.S. leadership.

Instead, it expects Biden to realize that Brazil and the U.S. have many shared interests, including promoting democracy and security in Latin America, and are not on opposite sides regarding the environment, according to Foreign Minister Ernesto Araujo.

“We hope that the new U.S. administration perceives our government for what it really is, for what the Brazilian people are and stand for,” Araujo said in an interview at his office in Brasilia on Thursday. “Both sides must make an effort for mutual understanding.”

 

That type of mutual comprehension came easily with Donald Trump, not only because of his friendship with Bolsonaro but because Trump understood that Brazilians made a choice by electing the former army officer as their president, Araujo said. In exchange for Brazil’s alignment with U.S. positions, Trump lifted a ban on fresh-beef imports from the Latin American country, supported its bid to join the Organisation for Economic Co-operation and Development, and signed deals for cooperation in defense and space exploration.

Brazil, as Latin America’s largest economy, does more trade with the U.S. than any other country except China. Yet Bolsonaro has been publicly at odds with Biden since he threatened Brazil in a campaign debate with “significant economic consequences” if it didn’t act to preserve the Amazon. People familiar with Biden’s plans said in December that he would lead a united Western front to put pressure on Bolsonaro to adopt stricter environmental policies, following two years of international outrage over the spread of fires destroying the rainforest.

 

Araujo, however, said that environmental concerns are overblown by local and international media. Brazil remains in the Paris Agreement, he said, and has made an important offer to bring forward its carbon neutrality goal in exchange for $10 billion a year from developed countries. He said that with the U.S. set to rejoin the global accord, there will be more money on the table for such payments.

 

Conservatives Silenced

Bolsonaro, who styled himself a Brazilian version of Trump, publicly supported his candidacy and was one of the last world leaders to congratulate Biden for his victory. Last week, as rioters invaded the U.S. Capitol, the Brazilian president repeated claims that there had been “a lot of fraud” in the U.S. vote as well as during his own 2018 election -- which he claims he should have won in the first round of voting.

Araujo declined to comment on the fraud allegations but said that concerns over voting systems in the U.S., Brazil and other countries are legitimate and must be addressed. He condemned the violence in Washington last week but cautioned that it can’t be used as an excuse to muzzle conservative voices around the world.

“As much as nothing justifies the invasion, nothing justifies the curtailment of freedom of speech,” he said, criticizing Twitter Inc’s decision to ban Trump from the platform and accusing the company of removing thousands of his own followers for no clear reason. “It’s become a witch hunt,” Araujo said.

The minister didn’t rule out the possibility that the type of protests seen in Washington could happen elsewhere, including in Brazil’s 2022 presidential election.

“When people feel suffocated in their capacity to speak and hear, this can lead to serious problems in any country,” he said.

 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Governo Biden coloca em xeque futuro de Ernesto Araújo como chanceler - UOL notícias

Governo Biden coloca em xeque futuro de Ernesto Araújo como chanceler
UOL Notícias | Últimas Notícias, 14/02/2021

Joe Biden, eleito novo presidente dos Estados Unidos, toma posse no próximo dia 20. Com ele, chega a incerteza de como o Brasil comandará a sua política externa nos próximos anos. O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, é o expoente de uma política alinhada a Donald Trump. Com a saída do aliado do poder no país vizinho, o ministro pode não sobreviver ao cargo.

Após os frequentes ataques de Jair Bolsonaro (sem partido) ao novo presidente americano, será preciso um sinal de paz se o país quiser continuar com uma relação amigável com os EUA. Um grande sinal de mudança de tom na política externa seria a demissão do atual ministro de Relações Exteriores, indicam especialistas ouvidos pelo UOL.

"A gente nunca tinha tido um chanceler declaradamente fã de um presidente americano dessa forma, a ponto de chamá-lo de a 'última esperança' do mundo ocidental e coisas do tipo. Então a situação do Ernesto é muito complicada", explica o professor da FGV (Fundação Getúlio Varga), Guilherme Casarões.

Chanceleres já caíram por muito menos na história do Brasil." Guilherme Casarões, professor da FGV.

Araújo se tornou chanceler com a promessa de trazer uma "nova política externa" ao Itamaraty -- uma política de alinhamento automático aos Estados Unidos e contra o globalismo. Porém, para analistas em relações internacionais, o alinhamento na verdade foi ao presidente Trump, o que se provou problemático especialmente após suas ações nos últimos dias no cargo.

Para Ernesto e a ala chamada ideológica do governo Bolsonaro, Biden é um globalista, já que defende as instituições internacionais como a ONU (Organização Mundial da Saúde). Portando, seria um "inimigo" desse grupo. Com Biden agora no poder, será necessário repensar essa política externa proposta pelo chanceler.

Caso haja a vontade do governo de corrigir essa rota e manter o que o próprio governo traçou que é um alinhamento aos Estados Unidos, a troca de ministros certamente terá um impacto positivo rápido. Seria uma forma bastante viável de resolver a questão." Pedro Feliú, professor de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo)

A dúvida, no entanto, é qual sinal Bolsonaro pretende passar para o novo governo americano. Os setores não ideológicos do governo, como agronegócio, indústria e demais elites econômicas devem pressionar o presidente para manter uma boa relação com os EUA e até pela troca de chanceler. Não se sabe se ele atenderá.

Pressões no passado já funcionaram para derrubar ministros inclusive ideologicamente alinhados a Bolsonaro. O principal exemplo neste caso é o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub.

"Eu esperava que o presidente tivesse já a essa altura sinalizando uma troca de chanceler para fortalecer uma ala mais pragmática", diz o coordenador do curso de Relações Internacionais da FGV, Eduardo Mello. "Mas o presidente não fez isso, pelo menos não até agora e não deu sinais de que está pronto para fazer isso. É espantoso e vai ter um custo enorme para o Brasil."

As críticas a Araújo também abordam sua atuação como chanceler, que não tem sido de protagonismo nas relações exteriores do Brasil. "Como chefe da diplomacia, ele deveria ter feito um trabalho minimamente diplomático para garantir que o governo brasileiro não entrasse no novo governo americano com o pé esquerdo. E não foi isso que ele fez", lembra Casarões.

Na posse do dia 20, Ernesto Araújo estará de férias. Um despacho publicado na terça-feira (12) no Diário Oficial da União informou que ele se ausentará do dia 16 ao dia 22 da semana que vem.

Mourão a frente da diplomacia

Outra possibilidade levantada pelos especialistas é de que Ernesto não seja removido do cargo, mas perca ainda mais a sua relevância nos assuntos internacionais. Nesse sentido, o vice-presidente Hamilton Mourão seria um candidato a assumir a tarefa.

O Mourão tentou ocupar espaço, foi vetado pelo Bolsonaro. Mas numa lógica de correção de rota é muito mais provável que a vice-presidência tenha um papel mais relevante que o ministro." Pedro Feliú, professor de Relações Internacionais da USP

Porém, segundo o professor da USP, um ponto a favor de Araújo em comparação com Mourão é a baixa possibilidade de o atual chanceler representar uma ameaça eleitoral a Bolsonaro.

UOL já mostrou como o Itamaraty é utilizado pelo governo como plataforma eleitoral e Araújo não rouba o protagonismo do presidente. Mourão, por outro lado, já foi advertido por Bolsonaro outras vezes por ganhar destaque demais. Ministros como Sérgio Moro e Luiz Henrique Mandetta caíram justamente por ameaçar politicamente o presidente.

Ricardo Salles também na corda-bamba

Outro ministro do governo que ficaria por um fio durante o governo de Joe Biden seria Ricardo Salles, líder da pasta de Meio Ambiente. Segundo especialistas, a questão ambiental será central no novo governo americano e é onde ele bate de frente com o Brasil.

"Assim como o Araújo, o Salles representa a ala mais ideológica e que tem que ser trocado se o Brasil quiser fazer controle de danos e administrar essa situação", diz Eduardo Mello. "Se quiser abrir canais com os democratas, facilitaria muito tirar o Salles e colocar uma pessoa que tem algum trânsito com a questão ambiental".

Já nos debates presidenciais o então candidato democrata chegou a citar o Brasil como má exemplo de gestão da Amazônia devido às queimadas. Salles, por outro lado, é visto como um ministro negacionista das mudanças climáticas e que vai contra as políticas ambientais democratas.

O Ricardo Salles é a cara da área mais sensível hoje do governo brasileiro, que é justamente a questão ambiental. E essa é a prioridade absoluta do governo americano. Ou Ricardo Salles modera o seu discurso, o que eu pessoalmente acho improvável a essa altura do campeonato, ou ele é demitido também." Guilherme Casarões, professor da FGV.

Assim como Araújo, o que pode contar a favor do ministro é a baixa ameaça eleitoral para Bolsonaro em 2022, além da forte proximidade ideológica com o presidente. Isso garantia a permanência do cargo, mas ainda poderia jogá-los na irrelevância.

"No caso dos ministros, o Ricardo Salles [Meio Ambiente] e o Araújo cumprem bem esse papel. Eles, politicamente, não ameaçam o Bolsonaro. Eu acho que eles têm esses dois fatores favoráveis: a proximidade ideológica e não ameaça política. Então isso pode garantir ainda um pouco a sustentabilidade deles", diz Pedro Feliú.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Estágios da Loucura (segundo algum Foucault do Cerrado) - Paulo Roberto de Almeida

 Estágios da Loucura (segundo algum Foucault do Cerrado)

Paulo Roberto de Almeida


Quando os colegas do Itamaraty – ainda em 2018, depois das revelações das impagáveis postagens no "Metapolítica 17: contra o globalismo" – começaram a chamar o chanceler escolhido de Beato Salu, achei que estavam exagerando. 

Na verdade, eu estava fora do Brasil quando passou a novela (que nunca vi), e não tenho a menor ideia de quem seja, o que fez o tal Beato Salu.

Mas assim que começou, e as loucuras se multiplicaram, comecei a pensar naquela velha figura das piadas, o famoso Napoleão de hospício, mas era muito carnavalesco.

Em todo caso, as últimas manifestações, depois do famoso "comunavirus" da pornográfica reunião de gabinete de 22 de abril, confirmaram que o caso dele é realmente grave e talvez nunca mais se recupere. Bolsonaro fez mal à saúde do chanceler acidental, capacho por obrigação, louco por indução de um guru.

O famoso discurso da aceitação da condição de "pária", a saudação de final de ano ao corpo diplomático e todas as mensagens e tuítes por ocasião das eleições americanas, da apurações contestadas e da insurreição dos "Proud Boys", todas essas ocasiões nas quais o chanceler acidental se excedeu nas suas alucinações ideológicas terminaram por confirmar que a loucura do bolsolavista ultrapassou os limites do "maluco beleza" e adentraram no terreno do distúrbio psiquiátrico grave.

Acho que não tem mais volta, nem argumento. Minha avó italiana resumiria à perfeição: "È pazzo!"

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 11/01/2021

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A EA no Itamaraty, a Era dos Absurdos, censura o passado até o século 18 - livro sobre Alexandre de Gusmão

 Excesso de zelo do presidente da Funag, Roberto Goidanich, resultou numa censura absurda: a de um prefácio falando do século XVIII, apenas porque era assinada pelo embaixador Ricupero. Ou seja, os mentecaptos no comando do Itamaraty não seguem sequer as recomendações de Machado de Assis, que dizia que na avaliação de uma obra, deve-se concentrar na obra e esquecer o autor.

Diga-se, também, por precisão, que não foi o chanceler acidental quem fez a censura, pois ele sequer chegou a tomar conhecimento de que prefácio tinha sido vetado pelo presidente da Funag, um capacho do capacho. Obviamente, o chanceler acidental teria vetado igual, mas o zeloso guardão da pureza ideológica atuou preventivamente, para seu chefe censório não tivesse de exercer o veto (e sob risco de ser demitido, provavelmente). Dois paspalhos!

O subtítulo da matéria, aliás, está completamente errada: Ricupero não é desafeto de EA; é o contrário. Ricupero está onde sempre esteve, defendendo uma política externa compatível com os interesses do Brasil. Quem virou casaca e se aliou aos entreguistas, os que alienaram a soberania do Brasil a uma potência estrangeira, foram os aloprados bolsolavistas e o chanceler capacho, o que faz com que ele se volta contra todos os que criticam a diplomacia subserviente, servil, alinhada ao Império. 

Paulo Roberto de Almeida


LIVRO VETADO PELO ITAMARATY CHEGA ÀS LIVRARIAS EM FEVEREIRO

Escrita por diplomata, obra traz prefácio de Rubens Ricupero, desafeto de Ernesto Araújo

Época | 9/1/2021, 10h

O livro sobre a vida do diplomata Alexandre Gusmão que teve a publicação vetada pelo Itamaraty chegará às livrarias em fevereiro, pela editora Record.

Alexandre de Gusmão: O estadista que desenhou o mapa do Brasil foi escrito pelo embaixador Synesio Sampaio Goes Filho.

O livro tinha previsão de ser lançado pela Fundação Alexandre Gusmão, braço de estudos do Itamaraty.

No entanto, em 2019 a publicação foi vetada, após Goes Filho incluir um prefácio escrito por Rubens Ricupero, ex-embaixador do Brasil em Washington, crítico da atual política externa brasileira e desafeto de Ernesto Araújo.

Após a negativa, o autor teve de procurar um selo comercial.

O livro conta a história de Alexandre Gusmão, diplomata do século XVIII, que foi secretário de D. João V e é considerado um dos patronos da diplomacia brasileira.

Gusmão atuou em negociações como a do Tratado de Madri, que definiu os domínios da América do Sul entre portugueses e espanhóis.

https://epoca.globo.com/guilherme-amado/livro-vetado-pelo-itamaraty-chega-as-livrarias-em-fevereiro-24828394

Ah, esse globalismo opressor... - Paulo Roberto de Almeida

Ah, esse globalismo opressor...

Paulo Roberto de Almeida

O chanceler acidental remete a um livro sobre o glorioso triunfo do império americano (do bem, evidentemente) e da sua absoluta necessidade para a preservação da civilização judaico-cristã.

Ele diz que “o comunismo soviético fracassou no projeto” de destruir a América, e no final pergunta, de forma aparentemente aflitiva:

“Estaria o globalismo conseguindo?”

Esse cara tem uma obsessão, e uma paúra, com o tal de globalismo que só pode ser trauma de infância — mas o termo ainda não estava na moda — ou então é fixação doentia no catch-word preferido dos atuais conspiradores da extrema-direita (mas isso por necessidade de manutenção do cargo).

O Trump já fez boa parte do serviço, ao colocar em cheque metade das instituições multilaterais que seus antecessores criaram desde Bretton Woods. 

O Bolsovirus não tem capacidade, nem poder, para destruir qualquer uma: ele só deixa de pagar as dotações do Brasil, com a aquiescência canalha do chanceler acidental, para maior vergonha dos diplomatas.

Este último vai continuar lutando contra o globalismo depois que for defenestrado do Itamaraty, ou era tudo figuração, para se legitimar aos olhos dos amadores ineptos que mandam nele?

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 11/01/2021

De volta ao tema extremamente chato das teorias conspiratórias sobre o tal de globalismo - Paulo Roberto de Almeida

 De volta ao tema extremamente chato das teorias conspiratórias sobre o tal de globalismo, que certos alucinados estão seguros de sua realidade (possuem até nomes e endereços)

Paulo Roberto de Almeida

Idiotas conspiratórios não se conformam que a gente desmonte suas crendices estapafúrdias: assim foi com o Rasputin da Virgínia, que não se conteve que eu tenha desmentido suas bobagens numa live, e também foi assim com o chanceler antiglobalista; mandou me exonerar depois que eu me referi às olavices debiloides. Não suportou que eu tivesse falado assim de seu guru, patrono e guia espiritual.

Os dois me odeiam. 

Ufa! Ainda bem! 

Os descerebrados que os seguem vivem excitados comigo: usam os mesmos expletivos do guru esquizofrênico achando que me intimidam!

Eu me divirto com todos eles: sempre constatando como podem existir os adeptos da servidão voluntária.

Que ignorantes possam defender a tal teoria conspiratória do globalismo é compreensível, até aceitável. Afinal de contas, idiotas do criacionismo, da terra plana existem em todas as sociedades.

Agora, que um diplomata seja, não só antimultilateralista, mas sobretudo antiglobalista, aí já é mais grave: é uma deformação conceitual que se aproxima da debilidade mental.

Como sempre, assino embaixo do que afirmo.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 11/01/2021

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

O Zaratustra do Cerrado Central e a angústia de não ser compreendido - Paulo Roberto de Almeida

O Zaratustra do Cerrado Central e a angústia de não ser compreendido 

 

Paulo Roberto de Almeida

(www.pralmeida.orghttp://diplomatizzando.blogspot.com)

[Objetivolamentar o desvio de talento em bobagensfinalidadecolocar o dedo na ferida]

  

O chanceler acidental sofre de uma profunda angústia espiritual: ele se sente desesperadamente sozinho na imensidão do cerrado central, onde não encontra alguma alma gêmea, um mísero sofista, um colega de devaneios, algum companheiro de promenades antiphilosophiques (à la Rousseau), alguém à altura de sua confusa mixórdia mental, enfim, qualquer um, com quem possa aliviar sua consciência atormentada pela necessidade de ser reconhecido como o grande pensador do bolsonarismo ambulante.

O problema é que que o seu guia espiritual, o famoso Rasputin de Subúrbio, já não desfruta, como no começo, daquele odor de santidade junto aos donos do poder, depois de ter ofendido a todos e a cada um, e de ter caído em desgraça até junto aos círculos mais chegados ao chefão da tropa. Este, por sua vez, não está minimamente interessado em, até porque não precisa de, circunlóquios cerebrais em torno de um nova doutrina para o seu movimento: ele não está interessado em diálogos, menos ainda subfilosóficos, só quer gente que lhe obedeça cegamente, como um bom candidato a Stalin de direita que é. 

Por isso, aquele personagem bizarro à procura do seu tirano de Siracusa, sem ter com quem externar suas alucinações periódicas, sente necessidade de lançar suplicantes manifestos cruzadistas, em uma nova ofensiva contra o marxismo cultural e o maoísmo cibernético, como fez ainda recentemente em seu Blog Metapolítica 17: contra o globalismo, no qual acaba de divulgar novos extratos de suas angústias, sob um título accrocheur: “Por um Reset Conservador-Liberal” (31/12/2020; link: https://www.metapoliticabrasil.com/post/por-um-reset-conservador-liberal).

Não cabe dar sentido ao que não tem sentido nenhum, por isso nem convido os leitores a tentar provar a intragável sopa de letras ali concentrada, um pot-pourri de noções incompreensíveis ao leitor comum, mas que devem ter custado várias noites angustiadas ao Zaratustra do cerrado central para juntar tudo na mesma panela e deglutir virtualmente. Só lhe sobrou isto num governo que se desfaz como as fortalezas dos cristãos na contraofensiva de Saladino.

Que tristeza: o chanceler brancaleônico não pode contar nem mais com os 300 milicianos da Esplanada, que não chegavam a 30, para defender suas fileiras de novos cruzados contra os inimigos comunistas, bolcheviques e gramscianos.

Ele não pode sequer contar com uma Lepanto do Planalto Central para animar essas tropas confusas da luta contra os globalistas da esquerda.

O capitão não o compreende; ele está só.

Nem um Kierkegaard para ajudá-lo. Seu manifesto filosófico do novo partido bolsonarista deve mesmo ficar para a crítica roedora dos ratos.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 3831, 1 de janeiro de 2021

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Google Alerts sobre "política externa brasileira": cada matéria mais deprimente que a outra...

 Os alertas do Google não conseguem trazer NENHUMA notícia positiva para o chanceler acidental, para a sua desastrosa política externa (que na verdade não existe, como alertam várias das matérias aqui selecionadas), para o desgoverno do capitão, para o Brasil. Todas são profundamente deprimentes, vergonhosas para o corpo profissional do Itamaraty, para a nação como um todo...

Quem fala muito em soberania, é porque, no fundo, tem o pressentimento de que ela não está sendo suficientemente defendida, e de fato é isso que ocorre, pois esse bando de malucos alienou a nossa soberania a um mentecapto estrangeiro, um pouco mais poderoso do que os mentecaptos nacionais.

Nem dá vontade de abrir qualquer uma dessas matérias, pois elas dizem o que já sabemos.

Paulo Roberto de Almeida

Google
politica externa do Brasil
Atualização semanal  21 de dezembro de 2020
NOTÍCIAS 
Publicado em 20/12/2020 - 09:42 Por Agência Brasil - Brasília. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araujo, será entrevistado neste domingo (20) ...
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A destruição da política externa. O País nunca esteve tão isolado e os interesses nacionais nunca foram tão mal defendidos.
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A rejeição do Senado à indicação do embaixador Fabio Marzano para a delegação do Brasil junto à ONU em Genebra (Suíça) foi um recado político ...
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... do Brasil, com consequências para as políticas externa e interna do país, ... e externa americana, será um tema delicado na relação com o Brasil”, ...
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Profissionais não podem reclamar quando permitem que amadores mandem na política externa. William Waack, O Estado de S.Paulo.
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Em dois anos de governo, a política de Araujo-Bolsonaro só rendeu ao Brasil perda de prestígio e influência, isolamento e desmoralização. Mas a ...
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Sem política externa. Governo não moveu uma palha para evitar a perda do poder de voto do Brasil na ONU.
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Com as eleições americanas no horizonte e o alinhamento do Brasil à política externa dos Estados Unidos, diz Caramuru, o presidente e a ...
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Especialistas em política externa, no entanto, demonstram certo ceticismo com a perspectiva de uma adesão rápida do Brasil como membro.

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Do lado do Brasil, vemos uma politização histórica da política externa", afirma Guilherme Casarões, professor de relações internacionais da ...
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