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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Guerra contra o Irã. América First ou Israel First ? - ​​​​Sergio Florencio (Portal Interesse Nacional)

Guerra contra o Irã. América First ou Israel First ?

Sergio Florencio

Portal Interesse Nacional

 

A guerra contra o Irã completou um mês em 28 de março e Trump não atingiu qualquer de seus objetivos: mudar o regime; eliminao programa nuclear; neutralizar os mísseis; e inviabilizar os proxies. Muitos analistas anteciparam esse cenário, mas foram desprezados. Seduzido por Netanyahu,Trump se iludiu com a vitória na Venezuela, com o êxito na Guerra dos 12 diascom a execução cirúrgica do líder Supremo do Irã, e decidiu iniciar a guerraAlém dessas ilusões, o conflito alimentou a identidade nacional e arrefeceu a indignação coletiva contra o regime autocrático iraniano. 

As ilusões de Trump o fizeram esquecer as advertências de numerosos acadêmicos, jornalistas e especialistas militares sobre a enorme dificuldade de promover regime change na segunda maior potência militar do Oriente Médio, com histórica resistência à dominação de grandes potências (Rússia, Inglaterra e EUA).

O Irã não é uma teocracia clássica. É um regime híbrido religioso-militar. Um modeloinstitucionalizado há 47 anos, com forte penetração nos diversos estratos sociais. Há uma tensão estrutural entre o Líder Supremo, indicado pelo Conselho de Especialistas, que domina as leis e a ideologia, e o Primeiro-Ministro, escolhido pelo povo, com predominância de líderes moderados e democratas. As Forças Armadas, controladas pelos Guardas Revolucionários, dispõem de arsenal altamente sofisticado: estoque de 2 500 mísseis de médio alcance, produção de dezenas por mês; efabricação de 10 mil drones por mês, o que possibilita reposição mais rápida do que de mísseis e sustenta guerras prolongadas. Mesmo após um mês de ataques, apenas cerca de 1/3 do arsenal iraniano foi destruído com certeza. O contingente total das FFAA é cerca de 610 mil militares na ativa: 200 mil Guardas Revolucionários (IRGC); 400 mil no Exército regular; e entre 1 a 3 milhões de paramilitares – Basij – com mobilização potencial. 

 

As advertências de acadêmicos e jornalistas a Trump contra a guerra

Thomas Friedman, do New York Times (NYT), advertiu que “a guerra no Irã é o momento mais imprevisível no Oriente Médio em 50 anos” e acrescentou “o regime não cai pelo ar”.  Para ele, “o presidente norte-americano subestimou a nação iraniana”. E lembrou o erro do Secretário de Energia, ao não acreditar que “ a guerra poderia interromper o fornecimento de petróleo”. Como reconhecido analista, Friedman sintetizou em uma frase a tragédia da região e um dos cenários possíveis para o Irã. “No Oriente Médio, autocracia não é o oposto da democracia. Frequentemente é a desordem”. 

John Mearscheimer, da Universidade de Chicago, também no âmbito das advertências negligenciadas, notou que “Trump está distante da vitória e o Irã, perto da guerra de desgaste”. Segundo ele, para o Irã, o risco de terminar a guerra agora é os EUA voltarem a atacar em seguida. Observou que quanto mais tempo durar o conflito, mais desesperado estaTrump para acabar com a guerra. Acrescentou que, se os efeitos sobre a economia internacional forem devastadores, Trump terminará imediatamente a guerra. Ponto central na argumentação de Mearscheimer :Os EUA não detêm a dominância da escalada”. 

Jeffrey Sachs, da Universidade de Colúmbia, crítico contundente da atual política norte-americana, vê o conflito - iniciado por Trump mas sob decisiva influência de Netanyahu - a caminho de uma escalada. OQuinze Pontos da proposta de Trump constituem uma capitulação do IrãPor isso, o paísnão deseja cessar fogo, mas sim acordo político com a garantia de que EUA e Israel não voltarão a atacar. Não vê a atitude do Irã com paranoia, porque o país vive, de fato, uma ameaça existencial. No âmbito doméstico, sustenta que Trump provocou o colapso dos processos institucionalizados de decisão - tudo é impulso e improvisação. O sistema internacional unipolar se desfez, mas Trump insiste em ser o hegemon. A remota possibilidade, visualizada por Sachs, de terminar o conflito poderia resultar de forte pressão de China, Rússia e Índia sobre Trump. Conclui de forma incisiva. “O Irã é o cemitério da hegemonia”.  

 

Cenário adverso para os EUA após um mês de guerra.

 

Após um mês de guerra, duas circunstâncias ameaçadoras para os EUA estão-se tornando realidade: explosão dos preços do petróleo e provável uso de forças terrestres. O preço internacional do barril de petróleo antes do conflito era cerca de US$ 70, e hoje se situa em torno de US$ 110. O galão de gasolina nos EUA antes custava US$ 2,90 e hoje, mais de US$ 4,00. O envio de tropas terrestres, comfuzileiros navais (marines) e contingente da 82ª Divisão Aerotransportada- hipótese antes descartadapor Trump – parece agora provável. 

Embora o mundo seja hoje menos dependente do petróleo do que por ocasião dos dois choques de 1973 e de 1979, a disrupção da oferta atual é muito superior à das crises anteriores. Uma mudança desse cenário exige a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial, ou da ilha de Kharg, responsável por 90% da produção de petróleo iraniano. 

Analistas militares estimam que uma tentativa de tomada dessas duas áreas poderá produzir um número exagerado de baixas norte-americanas e talvez superior ao de iranianas, dadas as peculiaridades do relevo. Além disso, o mais provável – mesmo com vitória militar – seria a persistência de ataques iranianos, com mísseis, drones e instalação de minas

Os drones Shahed iranianos, movidos a hélice, usam motores a combustão, carregam ogivas de 25 a 50 quilos, e podem ser montados até em caminhonetes.  São feitos até de isopor a um custo de 20 a 30 mil dólares, muito inferior aos Tomahawks americanos, com o preço de 2 milhões de dólares. A possibilidade de lançar centenas de drones aumenta o risco de destruição de navios e o prêmio de seguro, que inviabilizaria o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Escoltar petroleiros com destroier e cobertura aérea seria factível por alguns dias, mas inviável por prazo mais longo. 

Nesse ambiente de incertezas, como bem lembra Lourival Sant’Anna, é preciso contemplar possível cenário de guerra de guerrilha na Costa e nas ilhas do Golfo. Em tal ambiente, o Irã tem óbvias vantagens comparativas: oito anos da Guerra Irã-Iraque, com cerca de 1 milhão de mortos; e  conexões com os proxies, enfraquecidos mas ainda operantes.  As guerras do Vietnã, do Afeganistão e do Iraque demonstraram que a superioridade militar perde importância no corpo a corpo, com forças de resistência que conhecem o terreno e mais favorecidas hoje, pelo emprego de drones. 

Apesar dessas limitações, a supremacia militar dos EUA é indiscutível e não encontra rival no mundo. Trump tem ameaçado destruir a infraestrutura civil do país – óbvio crime de guerra – e conduzir o país à idade da pedra.  Até o momento essa ameaça não se concretizou, em grande medida pelo poder de dissuasão (deterrence) iraniano. No primeiro  mês dessa guerra assimétrica, morreram 13 militares norte-americanos, enquanto o Irã já perdeu 1900 nacionais, e o Líbano, 1200. Os EUA já realizaram cerca de 10 mil ataques ao Irã, e Israel, cerca de 8500. 

A Marinha iraniana foi praticamente dizimada, mas o país ainda tem modernas lanchas de deslocamento rápido que operam no Estreito de Ormuz. O poder de dissuasão iraniano consiste sobretudo em ataques de mísseis e drones a instalações petrolíferas nos países do Golfo, e na possibilidade de destruir usinas de dessalinização (responsáveis por 70% do abastecimento de água da Arábia Saudita). Esse potencial evidencia a vulnerabilidade dos países vizinhos e o custo exponencial de eventual escalada norte-americana. O poder de dissuasão consiste também na anunciada ameaça de destruir instalações de grandes empresas de tecnologia norte-americanas nos países do Golfo.

 

Consequências domésticas guerra

 

Além desse cenário desfavorável da guerra no terreno, ganham peso as forças opositoras a Trumpno plano doméstico. Antes da guerra, no início de 2025, o presidente contava com uma aprovação de cerca de 47%, em contraste com os atuais 36%. A aprovação de Trump no segundo mandato já vinha declinando, mas a guerra alavancou essa tendência. A aproximação das eleições de 4 de novembro e os resultados adversos da guerra tensionam ainda mais o dilema de Trump  cantar uma falsa vitória e terminar uma guerra de escolha sem alcançar seus objetivos; ou prolongar a guerra, para devastar ainda mais o Irã, mas sem perspectiva concreta de vitória. 

A economia já foi duramente afetada - o preço do galão de gasolina saltou de US$2.90 para mais de US$4.00; taxa de inflação se elevou; cresce a expectativa de continuados aumentos do custo de vida motivados pelo conflitoArtigo do Economist de 13 de março resume o impasse de Trump. “Having discovered the costs of tariffs, President Donald Trump has now discovered the costs of war.” 

Apesar da mão de ferro de Trump no jogo político,algumas fraturas já ocorreram no Gabinete, houve o pedido de demissão do influente Joe Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo; e ocorreramcrescentes fissuras no movimento MAGA – Make America Great Again, tradicional aliado de Trump e opositor da participação dos EUA em conflitos armados.

Na sociedade civil, o movimento No Kings tem levado às ruas centenas de milhares de cidadãos indignados com uma guerra de escolha, de resultados adversos e com duração indefinida

 

O Desastre Geopolítico de Trump

 

A reconfiguração da ordem internacionaliniciada com a invasão da Ucrânia, ganhou novos contornos com a guerra de EUA e Israel contra o Irã, que vem demonstrando os limites do poder norte-americano,as tensões crescentes com seus aliados e a desestabilização do mercado mundial de energia

No plano regional, os ataques iranianos e a vulnerabilidade dos países do golfo demonstram que a Arábia Saudita, os Emirados e outros Estados árabes estavam corretos ao tentar dissuadir os EUA de iniciar uma guerra contra o Irã. Mas Trump optou pelo caminho oposto - seguir Netanyahu, com a visão do Irã como ameaça existencial a Israel – e iniciou o conflito direto.  A guerra provocou a erosão da confiança nos EUA - vistos pelos aliados regionaiscomo incapazes de garantir a segurança - e maior abertura para aproximação com outras potências, como a China.

O conflito agravou as tensões entre EUA e Europa. Fragilizados pela interrupção do fornecimento de energia do Oriente Médio, os países da União Europeia defendem a contenção das hostilidades, ao contrário de Washington, que insistem na escalada militar. Decisões recentes demonstram crescente resistência e distância em relação aos EUA.  Países como França, Espanha e Reino Unido negaram autorização para aeronaves militares dos EUA sobrevoarem seus territórios. Também recusaram pedido dos EUA para participarem de iniciativas destinadas à abertura do Estrito de Ormuz. 

No plano global, os maiores beneficiários com a guerra são Rússia e China. O primeiro, por ver diminuído o apoio militar norte-americano à Ucrânia, por colocar os EUA na condição de potência agressora, e sobretudo pelo aumento substancial nas receitas petrolíferas, com a quase duplicação das cotações internacionais. No plano global, a China é a maior beneficiária da equivocada estratégia norte-americana de seguir Israel e iniciar a guerra. A China amplia sua influência no Golfo, onde passa a ser vista como a potência estabilizadora, ao contrário dos EUA. Na Ásia, países como o Japão e a Coreia do Sul temem a redução da importância da região na política norte-americana.

Após um mês da Operação Fúria Épica, lançada em 28 de fevereiro, o balanço dos resultados é desfavorável aos EUA. Na esfera militaro Irã mantém o controle do Estreito de Ormuz e continua a atacar Israel e Estados do Golfo com mísseis e drones. No plano geopolítico, a guerra demonstrou: incapacidade dos EUA de protegerem os países do Golfo; tensões crescentes com aliados europeus e com a OTAN; e benefícios estratégicos para seus principais rivais - Rússia e China.  Diante desse cenário adverso, que opções tem Trump para terminar a guerra?

Conclusão

A guerra contra o Irã não admite o que se poderia chamar de “vitória clássica”, nos moldes da Segunda Guerra Mundial. As saídas possíveis combinam custo militar, legitimidade política e efeitos geopolíticos. Três alternativas para o fim do conflito podem ser examinadas: (i) Escalada, com invasão terrestre e bombardeio ampliado da infraestrutura; (ii) Narrativa de “vitória” por parte dos EUA; e (iii) Negociações, mediadas pela China e Paquistão, com possibilidade de outros atores.

A primeira alternativa tem a vantagem, para os EUA, de degradar mais profundamente a capacidade militar iraniana, sobretudo com a destruição das instalações de fabricação de mísseis e drones. Poderia também resgatar a percepção de hegemonia militar norte-americanas. As desvantagens seriam robustas. O Irã tem vasto território, população de 91 milhões de habitantes, e ampla experiência em conflitos armados :oito anos da Guerra Irã-Iraque; contingente das Forças Armadas estimado em cerca de 610 mil militares na ativa, sendo cerca de 200 mil Guardas Revolucionários; forças paramilitares-proxies- fragilizadas mas operantes; e revigorado sentimento de identidade e de nacionalismo alimentado pela guerra. Além dessas desvantagens, uma invasão terrestre fortaleceria um cenário de prolongada guerra de desgaste, à semelhança do Vietnã e do Iraque. 

A segunda opção seria uma narrativa unilateral dos EUA de “vitória”, com o argumento de que a guerra afastou o risco maior inerente ao programa nuclear iraniano. As desvantagens seriam o desgaste da credibilidade internacional, provocado pela percepção de recuo dos EUA, além da dificuldade de comprovar que o risco nuclear foi efetivamente afastado.

A terceira alternativa – uma saída negociada, com intermediação da China – abriria a possibilidade de maior legitimidade internacional, caso envolva número maior de atores, e de tratamento de temas mais amplos, como sanções e papel dos proxies.  As desvantagens seriam o possível descumprimento por parte de Israel ou de grupos aliados do Irã, além do custo político para os EUA de aceitar a mediação da potência rival -China-, o que poderia sinalizar perda de hegemonia. 

Todas as três opções envolvem enormes dificuldades de concretização, sobretudo por parte de dois atores - Irã e Israel. O primeiro, por aceitar terminar uma guerra em que demonstrou extraordinária capacidade de resistência aos ataques da maior superpotência militar e da única  potência nuclear regional. A guerra teve também o efeito de reverter a ampla rejeição doméstica ao regime, substituída, em certa medida, pelo ressurgimento do sentimento de identidade nacional. Israel também resistiria a uma solução negociada.

Como indicado no início deste artigo, nenhum dos objetivos contemplados pelos EUA na guerra foi atingido. Como Netanyahu foi a eminência parda que convenceu Trump a entrar numa guerra de escolha, mas sem resultados. O Primeiro- Ministro israelense seria natural opositor do término do conflito, inclusive pela possibilidade de derrota política e de condenação judicial.

São enormes as dificuldades inerentes a terminar uma guerra em que os EUA não alcançaram vitória militar e colheram derrota geopolítica. Apesar disso, o desgaste doméstico de Trump certamente aumentará com uma prolongada guerra de atrito. Esse quadro, aliado s duas  outras circunstâncias -  os resultados adversos para a economia norte-americana provocas pelo conflito e a aproximação das eleições de meio de mandato em novembro  exigem uma definição de Trump que vá além da retórica volátil. Assim, parece mais provável um cenário que combine a segunda alternativa – declaração unilateral de “vitória” dos EUA – com a terceira opção – solução negociada do conflito, com intermediação da China. 

 

Sergio Florêncio

Brasília, 3 de abril de 2026.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Marcelo Guterman tem dois alvos preferidos: Eliane Cantanhede e Eugenio Bucci: sempre acerta

Que se danem os dados

Nem tudo o que eu penso se transforma em um post aqui. Ocorre às vezes de eu ter uma ideia, começar a escrever e, na hora de pesquisar os dados para suportar a tese, não encontro evidências suficientes. Então, com dor no coração, decido descartar aquele texto tão bem amarrado (os textos são como filhos para os autores, é muito cruel abandoná-los).

Mas o professor Eugênio Bucci aparentemente não se dá ao trabalho de pesquisar os dados que usa para suportar suas teses. No seu caso, os dados se curvam à tese, e não o inverso.

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Para quem não tiver paciência, resumo aqui a tese do artigo de hoje: o mundo está mais violento hoje do que no passado, apesar das promessas do liberalismo do fim do século passado. E estamos à mercê de lunáticos como Trump, Putin e Netanyahu, que podem apertar o botão nuclear a qualquer momento. Com o artigo, Bucci endereça dois de seus fantasmas habituais, o liberalismo econômico e a extrema-direita, sob a capa da hecatombe nuclear.

Pois bem. A apoiar o seu diagnóstico sombrio, temos um dado concreto: em 2024, 129 mil pessoas morreram em conflitos armados, tendo sido o ano mais mortífero desde a 2a Guerra. Como sabem todos os calejados em analisar dados estatísticos, um número solto não quer dizer nada. No mínimo, a conta deveria ser feita em relação ao total da população global, de modo a medir a real letalidade. E também como sabem todos aqueles que lidam com dados, é sempre preciso ir até a fonte para verificar o contexto daquele dado. Há o dado, e há a interpretação do dado.

Apesar de Bucci não ter se dado ao trabalho de citar a fonte do dado que utilizou, fui atrás. Uma reportagem de O Globo afirma que 2024 foi o ano com o maior número de conflitos armados desde a 2a Guerra. Portanto, não o mais mortífero, palavra usada pelo colunista. A matéria cita exatamente esses 129 mil mortos, afirmando que é um número menor que os observados nos três anos anteriores. Portanto, novamente, 2024 não foi o ano mais mortífero.

Mas decidi aprofundar na pesquisa e fui atrás da fonte, um relatório da Universidade de Upsala. Foi de lá que retirei o gráfico abaixo. A linha preta mostra o número de mortos em conflitos, e o último ponto é justamente os 129 mil de 2024. Observe como, com exceção do pico de 2022 (provavelmente causado pela invasão da Ucrânia), vivemos hoje em um mundo muito menos violento do que foram as décadas de 60 e 80, mas mais violento do que as décadas de 90 e 2000.

A conclusão que eu tiraria ao observar esses dados é que vivemos em um mundo melhor do que era durante a Guerra Fria, mas pior do que quando os valores liberal-democráticos dominavam a cena global. Bucci, no entanto, não perdeu tempo analisando esses dados. Nem foi atrás deles. Pegou a manchete e encaixou em sua tese: o liberalismo é uma enganação e a extrema-direita é uma ameaça existencial. Os dados? Que se danem os dados.

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