segunda-feira, 8 de março de 2010

1762) Colaboracoes a sites eletronicos (3): Ordem Livre

O site Ordem Livre, como seu nome já indica, está profundamente comprometido com uma orientação liberal em matérias econômicas e políticas.
Eu não me defino exatamente como um liberal, posto que não me considero "labelizável", ou seja, enquadrável em qualquer categoria determinada, estrita ou estanque, ou de qualquer forma identificável com alguma filosofia particular, por prevenção natural contra qualquer sistema fechado.
No máximo eu poderia ser classifica de "anarco-liberal", ou seja alguém totalmente livre para determinar suas próprias posições em matéria de valores, princípios, escolas econômicas ou tendências políticas. Eu poderia ser chamado de "racionalista", apenas isso, mas tampouco pretendo oferecer explicações a respeito, como bom anarquista que sou.
Enfim, independemente disso, passei a colaborar regularmente com o site Ordem Livre, e por vezes existem outros artigos ou entrevistas que aparecem no site, e abaixo vai a relação do que foi divulgado recentemente.
Aguardem novos
Paulo Roberto de Almeida

Artigos Paulo Roberto de Almeida - Ordem Livre

Política internacional: por que não temos paz e segurança?
01 de Março de 2010 - por Paulo Roberto de AlmeidaTags: volta ao mundo em 25 ensaios política internacional paz guerra
A história da humanidade é, em grande medida, uma história de guerras, como ensina John Keegan em seus muitos livros de história militar. Guerras de conquista por territórios, recursos e escravos; guerras de defesa contra inimigos mais poderosos; impérios expansionistas (desde os mongóis, sobre a China, até a Alemanha e o Japão, no século 20); alianças militares (defensivas e ofensivas) e enormes gastos estatais com aparatos bélicos custosos; e, finalmente, uma tentativa de deslegitimar a guerra, no contexto do direito internacional.
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Direitos humanos: o quanto se fez, o quanto ainda resta por fazer
15 de Fevereiro de 2010 - por Paulo Roberto de AlmeidaTags: volta ao mundo em 25 ensaios direitos humanos
Direitos humanos denotam uma categoria relativamente recente na história da humanidade. Num sentido lato, o conceito pode remontar aos iluministas escoceses e franceses dos séculos XVII e XVIII; num sentido estrito, ele está vinculado aos principais instrumentos nacionais e universais relativos aos direitos do indivíduo e dos cidadãos, cujos exemplos mais relevantes são, sem dúvida alguma, a Déclaration des droits de l’homme et du citoyen, da Revolução francesa, e a Declaração Universal dos Direitos do Homem, adotada pela ONU em 1948.
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Economia mundial: de onde viemos, para onde vamos?
01 de Fevereiro de 2010 - por Paulo Roberto de AlmeidaTags: volta ao mundo em 25 ensaios Globalização economia mundial desigualdade Desenvolvimento econômico circulação de capitais
Economia mundial não é um termo que se possa empregar antes do século XVI et encore: mesmo a partir da unificação geográfica conduzida por Colombo, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães, a economia mundial não era, em absoluto, universal. Nessa primeira onda de globalização, de caráter mercantil, tratava-se, mais exatamente, de um arquipélago de economias centrais, predominantemente de origem européia, vinculadas a suas respectivas periferias nas novas terras descobertas, mediante um sistema usualmente conhecido como "exclusivo colonial".
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Entrevista com Paulo Roberto de Almeida
25 de Janeiro de 2010 - por Paulo Roberto de AlmeidaTags: relações internacionais política externa ideologia esquerda Academia
O diplomata, professor e escritor Paulo Roberto de Almeida fala sobre a esquerda reacionária, o fracasso da academia brasileira e explica a política externa do governo Lula.
Clique no botão play abaixo para escutar a entrevista. Para baixar o arquivo em MP3, clique com o botão direito aqui e escolha salvar.
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Por que o mundo é como é (e como ele poderia ser melhor...)
18 de Janeiro de 2010 - por Paulo Roberto de AlmeidaTags: volta ao mundo em 25 ensaios
Imaginemos um viajante estratosférico, vindo para a Terra em sua espaçonave, procurando compreender o que vê, em aproximações sucessivas.
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1761) Colaboracoes a sites eletronicos (2): Via Politica

Via Política é uma newsletter eletrônica, feita por dois jornalistas consagrados, e baseada em Porto Alegre. Foram eles que me contataram, e expressaram o desejo de publicar artigos meus, geralmente uma vez a cada semana, sob o mesmo título de meu atual blog principal:

Diplomatizzando: Paulo Roberto de Almeida

Manual de diplomacia prática, 7: parcerias estratégicas
Por Paulo Roberto de Almeida
07.03.2010

Manual de diplomacia prática, 6: prioridades
Por Paulo Roberto de Almeida
28.02.2010

Manual de diplomacia prática, 5: interesse nacional
Por Paulo Roberto de Almeida
22.02.2010

Manual de diplomacia prática 4: caráter inovador
Por Paulo Roberto de Almeida
08.02.2010

Fórum Social Mundial 2010, uma década de embromação: antecipando as conclusões e desvendando os equívocos
Por Paulo Roberto de Almeida
25.01.2010

Manual de diplomacia prática 3: avaliação dos meios
Por Paulo Roberto de Almeida
18.01.2010

Manual de diplomacia prática, 2: interação com a economia
Por Paulo Roberto de Almeida
11.01.2010

Manual de diplomacia prática, 1: clareza de intenções
Por Paulo Roberto de Almeida
27.12.2009

Todas as leis da estupidez humana (2), suite et fin...
Por Paulo Roberto de Almeida
13.12.2009

As Leis Fundamentais da Estupidez Humana (1)
Por Paulo Roberto de Almeida
06.12.2009

Muro de Berlim, vinte anos depois (4): O que poderá ocorrer com a nova Alemanha, e que ainda não ocorreu?
Por Paulo Roberto de Almeida
30.11.2009

Muro de Berlim, vinte anos depois (3): O que poderia ter ocorrido com Berlim e com a Alemanha, e que não ocorreu?
Por Paulo Roberto Almeida
22.11.2009

Nova carta a Raul Castro: seja um pouco mais Gorby e menos Ceausescu
Por Paulo Roberto de Almeida
16.11.2009

Muro de Berlim, vinte anos depois (2): Guerra Fria: Berlim de volta ao centro da história contemporânea
Por Paulo Roberto Almeida
11.11.2009

Muro de Berlim, 20 anos depois (1) Berlim e Alemanha no centro da história contemporânea
Por Paulo Roberto Almeida
03.11.2009

De sapatos e da soberania
Por Paulo Roberto de Almeida
26.10.2009

A liberdade de destruir a liberdade: um aviso preventivo vindo do passado
Por Paulo Roberto de Almeida
18.10.2009

Declaração de Princípios: (apenas relembrando certas coisas que são permanentes)
Por Paulo Roberto de Almeida
04.10.2009

A crise econômica internacional e seu impacto no Brasil
Por Paulo Roberto de Almeida, de Brasília
21.09.2009

Milton Friedman conversa com Roberto Campos no limbo econômico
Por Paulo Roberto de Almeida
31.08.2009

Carta aberta a Raul Castro sobre Cuba e o socialismo
Por Paulo Roberto de Almeida
17.08.2009

Frases de um perfeito idiota latino-americano (dos grandes)
Por Paulo Roberto de Almeida
10.08.2009

Os dez mandamentos da política – em certos governos (Com alguns agradecimentos a Moisés e seus escribas)
Por Paulo Roberto de Almeida
02.08.2009

Crônica de um desastre anunciado: o socialismo do século 21 na Venezuela
Por Paulo Roberto de Almeida
26.07.2009

A cooperação euro-brasileira no âmbito internacional: Uma proposta maximalista para resultados minimalistas
Por Paulo Roberto de Almeida
19.07.2009

Sobre políticas de governo e políticas de Estado: distinções necessárias
Por Paulo Roberto de Almeida
12.07.2009

Sobre a morte do G8 e a ascensão dos Brics: comentários metodológicos
Por Paulo Roberto de Almeida
05.07.2009

Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência: mais do mesmo?
Por Paulo Roberto de Almeida
05.07.2009

Diplomacia brasileira: consensos e dissensos
Por Paulo Roberto de Almeida
24.05.2009

A crise e a morte anunciada do capitalismo (provavelmente exageradas, como diria Mark Twain)
Por Paulo Roberto de Almeida
11.05.2009

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1760) Colaboracoes a sites eletronicos (1): Dom Total

Atualizando a lista de minhas colaboracoes regulares a sites eletronicos, geralmente acadêmicos, que publicam textos meus, com periodicidade diversa, mas regularmente.
O Dom Total pertence a uma Faculdade jesuita em Belho Horizonte:

Colunista Paulo Roberto de Almeida

Paulo Roberto de Almeida é doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas (1984). Diplomata de carreira desde 1977, exerceu diversos cargos na Secretaria de Estado das Relações Exteriores e em embaixadas e delegações do Brasil no exterior. Trabalhou entre 2003 e 2007 como Assessor Especial no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Autor de vários trabalhos sobre relações internacionais e política externa do Brasil.

Almeida escreve para o Dom Total sempre às quintas-feiras.
Últimos artigos publicados

* 04/03/2010 | Manual de diplomacia prática, 6: prioridades
* 25/02/2010 | Manual de diplomacia prática, 5: interesse nacional
* 18/02/2010 | Fórum Social Mundial 2010, uma década de embromação
* 11/02/2010 | Manual de diplomacia prática 4: caráter inovador
* 04/02/2010 | Manual de diplomacia prática 3: avaliação dos meios
* 28/01/2010 | Manual de diplomacia prática, 2: interação com a economia
* 21/01/2010 | Manual de diplomacia prática, 1: clareza de intenções
* 17/12/2009 | Todas as leis da estupidez humana, suite et fin...
* 10/12/2009 | As Leis Fundamentais da Estupidez Humana
* 19/11/2009 | A nova Alemanha
* 12/11/2009 | O que poderia ter ocorrido com Berlim e com a Alemanha, e que não ocorreu?
* 05/11/2009 | Berlim de volta ao centro da história contemporânea
* 29/10/2009 | Muro de Berlim, vinte anos depois
* 22/10/2009 | A liberdade de destruir a liberdade: um aviso preventivo vindo do passado
* 08/10/2009 | Declaração de Princípios
* 24/09/2009 | A crise econômica internacional e seu impacto no Brasil
* 03/09/2009 | Milton Friedman conversa com Roberto Campos no limbo econômico
* 27/08/2009 | O problema da universidade no Brasil
* 20/08/2009 | Carta aberta a Raul Castro sobre Cuba e o socialismo
* 13/08/2009 | Frases de um perfeito idiota latino-americano (dos grandes)
* 06/08/2009 | Os dez mandamentos da política - em certos governos
* 30/07/2009 | Crônica de um desastre anunciado: o socialismo do século 21 na Venezuela
* 23/07/2009 | A cooperação euro-brasileira no âmbito internacional
* 16/07/2009 | Sobre políticas de governo e políticas de Estado
* 09/07/2009 | Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência: mais do mesmo?
* 02/07/2009 | O Brasil amarrado por sua própria vontade
* 25/06/2009 | Diplomacia brasileira: consensos e dissensos
* 18/06/2009 | Sobre a morte do G8 e a ascensão dos Brics:
* 04/06/2009 | Falácias acadêmicas: os mitos da utopia marxista
* 28/05/2009 | O anão e o dragão
* 21/05/2009 | Onde foram parar os manifestos econômicos de oposição?
* 14/05/2009 | O mito do marco teórico
* 07/05/2009 | Economia política do intelectual
* 30/04/2009 | O mito da Revolução Cubana
* 23/04/2009 | A questão racial com os EUA
* 16/04/2009 | Sobre o complô dos ricos contra os pobres
* 09/04/2009 | Minha astrologia econômica para 2009
* 02/04/2009 | Sobre a intolerância
* 26/03/2009 | Fim do consenso na diplomacia?
* 19/03/2009 | Acredito...
* 12/03/2009 | Fórum Surreal Mundial
* 05/03/2009 | Uma questão de estilo
* 26/02/2009 | Uma quarta guerra mundial?
* 12/02/2009 | Sobre o caráter dos homens
* 05/02/2009 | Um gigante do brasilianismo acadêmico
* 29/01/2009 | Por que sou e não sou diplomata ?
* 22/01/2009 | A caminho de Ítaca
* 25/12/2008 | Idéias para um congresso diferente
* 18/12/2008 | O que Portugal nos legou?
* 11/12/2008 | A crise de governança no Brasil
* 04/12/2008 | Reconstruindo o paradigma tocquevilleano
* 27/11/2008 | Fazendo justiça com as próprias mãos
* 20/11/2008 | Economistas voláteis e juízes malucos
* 13/11/2008 | Desde aquele 11 de setembro
* 06/11/2008 | A indiscutível leveza do neoliberalismo no Brasil
* 30/10/2008 | Dez coisas que eu faria se tivesse poder
* 23/10/2008 | Camaradas, agora é oficial: acabou o socialismo
* 16/10/2008 | Existe diferença entre esquerda e direita?
* 09/10/2008 | O mito do Consenso de Washington
* 25/09/2008 | A OTAN e o fim da Guerra Fria
* 18/09/2008 | Marquissistas à beira de um ataque de nervos
* 11/09/2008 | Fidel Castro: a História não o absolverá
* 04/09/2008 | Falácias acadêmicas: o mito do neoliberalismo
* 28/08/2008 | Miséria da academia: uma crítica à academia da miséria
* 21/08/2008 | Pequeno manual prático da decadência
* 14/08/2008 | O Brasil amarrado por sua própria vontade
* 07/08/2008 | O afundamento da educação no Brasil
* 24/07/2008 | Petismo universitário
* 17/07/2008 | Está aumentando o número de idiotas no mundo?
* 10/07/2008 | O fetiche do Capital
* 03/07/2008 | Para libertar a nação dos bárbaros
* 26/06/2008 | As roupas novas do império

Os artigos dos colunistas da Revista DOM TOTAL são de natureza jornalística, escritos por autores especialmente convidados, nas áreas de Direito, Economia, Sociologia, Política e Teologia.

A periodicidade é semanal, conforme a agenda de cada autor, comunicada neste site.

Os autores assumem inteira responsabilidade sobre o conteúdo dos mesmos e sua opinião não necessariamente representa a linha editorial da Revista DOM TOTAL.

A reprodução de seus textos depende de autorização expressa de seus autores.

1759) Latin American writers: quietly, and gradually, disappearing...

Latin American literature
Writing after the “boom”

Saying farewell to Latin America's literary giants
The Economist, Feb 8th 2010

ONE by one the writers who made up the Latin American literary “boom” of the 1960s and 1970s are passing into history. The latest to die, on January 31st, at the age of 75 and after a long battle with cancer, was Tomás Eloy Martínez, an Argentine best-known for his exploration of the dark heart of Peronism, his country’s hegemonic political movement, in novels such as “Santa Evita”. Last year it was the turn of Mario Benedetti, an Uruguayan poet.

Gabriel García Marquéz (aged 82), the most popular of them all, has written nothing of substance for at least 15 years apart from a nostalgic (and self-indulgent) memoir of his own childhood published in 2003. Having survived his own battle with cancer, he was spotted in his customary haunts in the Colombian city of Cartagena during the Hay Festival in the last week of January. (The British literary jamboree has established a highly successful offshoot in Cartagena, a Spanish colonial jewel by the Caribbean). The other surviving giants of the “boom”, Mexico’s Carlos Fuentes and Peru’s Mario Vargas Llosa, remain far more productive. Mr Fuentes (aged 81) continues to turn out a novel almost every year and is still a compelling conversationalist.

Mr Vargas Llosa (73) is producing some of the finest writing of a long, varied and fecund career. Along with Britain’s Ian McEwan, Mr Vargas Llosa was the star of the show at the Hay Festival. During a packed event in Cartagena’s glorious belle epoque theatre, he revealed that is making the final corrections to a novel about Roger Casement, the Anglo-Irish diplomat and early human-rights campaigner executed by the British as an alleged traitor during the first world war. He said the novel would probably be called “El Sueño del Celta” (“The Dream of the Celt”).

Many of the writers of the “boom” were associated with “magical realism”, a style which exaggerated the colourful absurdity of Latin American life and politics. Their themes were often the struggle against dictatorship and for national identity. In Cartagena Mr Vargas Llosa celebrated the diversity of the new generation of Latin American writers. He is surely right to see this as a sign of social progress, of the deepening democracy and relative prosperity that many countries in the region now enjoy.

1758) Sermoes do Padre Antonio Vieira na Brasiliana Digital

SERMÕES DO PADRE ANTÔNIO VIEIRA
Luís Filipe Silvério Lima *
Brasiliana Digital

Os Sermoens são a obra pela qual o jesuíta Antônio Vieira (1608-1697) ficou conhecido, sendo depois considerado por suas prédicas impressas o “Imperador da língua portuguesa”, na expressão recorrentemente lembrada de Fernando Pessoa.

Em vida, os Sermoens circularam impressos simultaneamente tanto como sinal de sua autoridade e fama de pregador quanto veículo de afirmação dessa autoridade – sua e, por decorrência, da ordem jesuítica. Teriam sido impressos, segundo consta em cartas, contra sua própria vontade, a pedido de seus superiores de ordem, para servir como modelo de pregação. Preferiria ficar trabalhando nos seus tratados proféticos, nos quais propunha um Quinto Império do mundo, tratados e projeto que chamava de seus “altos palácios” diante das “pequenas choupanas” dos sermões.

Não obstante, como ele indica no prefácio do primeiro tomo, também começou a organizá-los para combater os volumes não autorizados que foram editados em castelhano, impressos já na década de 1660 e que circularam não só na península Ibérica e na Europa, mas eram a versão lida em muitos lugares das Américas. Sinal do prestígio do pregador e da sua importância como modelo de sermonista, estas edições foram feitas à sua revelia, sem sua autorização, por meio de cópias falhas ou mesmo de textos “alheios”, inventados, alguns completamente diferentes do que havia proferido. Por isso, a importância de ordenar, rever e preparar para edição os seus sermões, segundo os seus critérios. Publicar sua versão escrita dos sermões era, assim, uma marca da sua autoridade como exemplo de pregador e, ao mesmo tempo, um sinal da defesa da sua autoria sobre aqueles textos.

Os Sermoens começaram a sair em 1679, quando ainda estava em Lisboa, e o último volume organizado por ele que veio a lume foi estampado um ano após sua morte em Salvador, na Bahia. Obra do final da vida, iniciada aos 71 anos, os 12 volumes organizavam, em alguns casos, atualizavam uma vida de pregador que se iniciara antes mesmo da sua ordenação em 1636, no colégio dos jesuítas na capital do Estado do Brasil. Dos 12 tomos, dois reúnem prédicas dedicadas a Ns. Sra. do Rosário, entre os quais estão os famosos sermões aos homens pretos, e um é dedicado a S. Fco. Xavier. Afora a organização por homenagem a figuras santas desses três volumes, como ele próprio afirma, os outros nove não parecem seguir nenhuma ordenação, talvez obedecendo ao ritmo de preparação e término dos originais do próprio autor. Além desses, compõem a coleção um volume de sermões de ação de Graças, impresso em 1692 – e entendido por Vieira como livro separado e diverso dos Sermoens, mas contabilizado entre os volumes dos Sermoens no séc. XVIII –, e quatro volumes organizados postumamente, entre 1710 e 1748, contendo sermões, cartas, poemas e discursos vários, sendo depois, dois deles, adicionados à conta de 15 volumes de Sermoens. Ao total, são mais de 200 sermões que cobrem as décadas de 1630 a 1690, proferidos em Salvador, Lisboa, São Luís, Cabo Verde, Roma, entre outros lugares.

Os sermões que temos impressos são a versão escrita de prédicas faladas ao longo da vida do jesuíta, dividida entre Brasil, Portugal, Maranhão e Roma. Por assim dizer, são a voz que se tornou letra impressa, ou para usar uma figura do próprio Vieira, são cadáveres, pois lhes falta a alma, a voz, que lhes dá vida. Se a imagem é talvez demasiado forte para nós, ela nos serve de alerta para entender que entramos num dos pontos altos da produção oratória do séc. XVII, na qual as relações entre impressão, publicização, oralidade, escrita funcionavam por regras diversas das nossas.

O sermão no séc. XVII, e talvez em grande parte do período moderno, era um dos principais meios de comunicação, circulação de informações e de doutrinamento das populações cristãs na Europa e no Novo Mundo. A vida das sociedades do período passava pela palavra anunciada, seja no sermão de grandes homens, como Vieira, Bossuet ou Donne, seja no sermão de rua, pregado por pastores puritanos ou frades mendicantes – ou mesmo fiéis que se arvoraram na figura de homens santos. Vieira ganhou notoriedade e autoridade nos púlpitos o que lhe permitiu circular desde o a sede do governador-geral do Brasil até as cortes européias, tendo recebido convite para se tornar confessor e pregador da rainha Cristina da Suécia, exilada, após abraçar o catolicismo, na Sé romana.

Os sermões que temos aqui digitalizados tratavam, como meios de doutrinação e de reflexão sobre o mundo, dos assuntos os mais diversos que estivessem em pauta no momento e que parecessem ao pároco importantes para ordenar seu rebanho. Lidavam desde os excessos dos senhores para com seus escravos no Nordeste do Brasil, até o nascimento de um príncipe como sinal da graça divina e do início de um novo Império universal; do demônio mudo que reside no espelho até a omissão que gera a perda das Conquistas. Como discurso pensado pela ocasião e para uma audiência específica, os sermões supunham figuras, exemplos e mensagens adequadas ora ao rei e sua corte portuguesa, ora a africanos escravizados nas Américas, ora a príncipes e cardeais romanos. Os 15 volumes de Sermoens, mais os das Vozes, permitem assim supor diferentes situações, momentos, auditórios, problemas enfrentados e combatidos por Vieira na sua trajetória de mais de seis décadas de vida religiosa e política, bem como imaginar as variadas audiências que o ouviram e, quem sabe, adivinhar como estas receberam os sermões, por vezes duramente críticos. Servem assim de repertório riquíssimo para desenhar quadros sobre as sociedades européias e americanas nas quais o jesuíta esteve ao longo do século XVII. Ao mesmo tempo, como palavra impressa que traduz uma voz perdida nos púlpitos, fazem-nos perguntar o que Vieira terá atualizado dos seus sermões ao prepará-los para impressão, 20, 30 às vezes 40 anos depois de pregados. Como também, em sua versão impressa, levam a questões de como terão sido lidos ao sairem publicados para uma outra platéia, que não (ou)vira Vieira no púlpito e então o leria. Agora, uma nova camada de leituras e leitores é somada com a disponibilização integral, pela primeira vez, dos Sermoens de Vieira digitalizados e on-line.

* Luís Filipe Silvério Lima é professor de História Moderna da Universidade Federal de São Paulo

Padre Antonio Vieira na Brasiliana Digital:
* Sermoens do P. Antonio Vieira (Primeira Parte)
* Sermoens do P. Antonio Vieira (Segunda Parte)
* Sermoens do P. Antonio Vieira (Terceira Parte)
* Sermoens do P. Antonio Vieira (Quarta Parte)
* Maria Rosa Mystica ... (Primeira Parte)
* Maria Rosa Mystica ... (Segunda Parte)
* Sermoens do P. Antonio Vieira (Quinta Parte)
* Sermoens do P. Antonio Vieira (Sexta Parte)
* Sermoens do P. Antonio Vieira (Sétima Parte)
* Xavier dormindo, e Xavier accordado ...
* Sermoens do P. Antonio Vieira ... (Undecima Parte)
* Sermoens do P. Antonio Vieira ... (Duodecima Parte)
* Palavra de Deos empenhada, e desempenhada ...
* Sermoens e Varios Discursos do P. Antonio Vieira ...
* Vozes Saudosas, da eloquencia, do espirito, do zelo e eminente sabedoria do Padre Antonio Vieira da Companhia de Jesus, ...
* Sermões varios e Tratados, Ainda não impressos do Grande Padre Antonio Vieyra da Companhia de Jesus ...
* Voz sagrada, politica, rhetorica, e metrica ou Supplemento às Vozes Saudosas Da eloquencia, do espirito, do zelo, a eminente sabedoria do padre Antonio Vieira Da Companhia de Jesus...

Sugestões de leitura:
* AZEVEDO, J.L. História de Antônio Vieira. São Paulo: Alameda, 2008.
* BESSELAAR, J.V.D. António Vieira: o homem, a obra, as ideias. Lisboa: ICALP, 1981 (Colecção Biblioteca Breve - Volume 58) Disponível on-line em: http://cvc.instituto-camoes.pt/component/docman/doc_download/31-antonio-vieira-o-homem-a-obra-as-ideias-.html
* COHEN, T. The fire of tongues. Stanford, EUA: Stanford University Press, 1998.
* MENDES, M.V. A oratória barroca de Vieira. 2ª ed., Lisboa: Caminho, 2003.
* PÉCORA, A.B. Teatro do sacramento. 2ª ed., São Paulo/Campinas: Edusp/Ed. Unicamp, 2008.
* Revista Semear. Revista da Cátedra Padre António Vieira de Estudos Portugueses, n. 2, 1998. Disponível on-line em: http://www.letras.puc-rio.br/Catedra/Revista/semiar_2.html

1757) Brasiliana de Jose Mindlin na internet


José Mindlin exibe em sua casa, em 2006, copia de Grande Sertão: Veredas

Mindlin reuniu ao longo de 80 anos uma biblioteca, chamada Biblioteca Brasiliana, que é considerada a mais importante coleção do gênero no Brasil formada por um particular. Ele e sua esposa doaram o acervo no ano passado à Universidade de São Paulo (USP). Parte dos livros e documentos reunidos já pode ser consultada na Internet:

http://www.brasiliana.usp.br/

Saiba mais sobre a Brasiliana Digital

1756) Gilberto Freyre: minibiografia


Biografia
Gilberto Freyre

Opinião e Notícia, 30/11/2007

O sociólogo Gilberto de Mello Freyre nasceu em 15 de março de 1900 em Recife.

Filho de uma família de senhores de engenho, era escendente de índios, espanhóis, portugueses e holandeses. Seu pai foi Alfredo Freyre, juiz e catedrático da Faculdade de Direito do Recife.

Ele teve o seu primeiro contato com a literatura através do romace As Viagens de Gulliver, mas apresentou séria dificuladades para aprender a ler e a escrever e só conseguiu se destacar no início da vida, através dos seus desenhos.

Por volta de 1909, ele teve as primeiras impressões do interior rural, quando passou uma temporada no Engenho São Severino do Ramo, propriedade de alguns parentes. Essa experiência seria revelada mais tarde na obra Pessoas, Coisas & Animais.

Freyre estudou na Universidade de Columbia no início dos anos 20, nos Estados Unidos, onde teve contato com o intelectual Franz Boas, uma grande referência para o sociólogo. Em 1933, seu livro mais importante foi publicado: Casa-Grande & Senzala. A obra foi consequência de longos estudos, em que o autor foi buscar também na África e em Portugal as raízes para a concepção do homem brasileiro.

Deputado Federal constituinte pela UDN (União Democrática Nacional) em 1946, sua carreira política foi marcada pela luta contra o racismo, sendo inclusive preso por ter denunciado nazistas e racistas no Brasil. Junto com o seu pai, tentou reagir à prisão e foi solto, um dia depois, por interferência do general Góes Monteiro.

Em 1950, tornou-se diretor do Centro Regional de Pesquisas Educacionais do Recife, defendendo uma política educacional atenta à diversidade do Brasil. No ano seguinte, a convite do governo português visitou Cabo Verde, Guiné, Goa, Moçambique, Angola e S. Tomé. Foi durante essas visitas que ele desenvolveu e utilizou pela primeira vez o conceito de tropicalismo e luso-tropicalismo, divulgado em 1959 no livro New World in the Tropics.

Gilberto Freyre morreu na sua cidade natal, Recife, em 18 de Julho de 1987.

Monteiro Lobato descreveu a importância de Gilberto Freyre da seguinte maneira:

O Brasil do futuro não vai ser o que os velhos historiadores disserem e os de hoje repetem. Vai ser o que Gilberto Freyre disser. Freyre é um dos gênios de palheta mais rica e iluminante que estas terras antárticas ainda produziram.”

sábado, 6 de março de 2010

1755) O marxismo, como o passaro dodo: extinto porque nao sabia voar...


Bem, a comparação pode ser miserável, mas como o dodo, o marxismo ainda desfruta de muita consideração. Como esse pássaro que não sabia voar, viveu meio desajeitado, a caminho de sua própria extinção.

Meu mais recente trabalho publicado:

2117. A resistível decadência do marxismo teórico e do socialismo prático: um balanço objetivo e algumas considerações subjetivas
Brasília, 21 fevereiro 2010, 9 p. Considerações sobre os marxistas e socialistas que sobrevivem nas academias.
Espaço Acadêmico (ano 9, n. 106, março 2010; ISSN: 1519-6186). Relação de Publicados n. 954.

1754) Apostando na impunidade...

Se ouso fazer uma previsão, talvez cínica, mas me permito fazê-la assim mesmo, seria esta: aposto que nenhum desses sujeitinhos envolvidos na falcatrua, vai para a cadeia, any time soon...
Estarei errado? Duvido...

Justiça
Exclusivo: revelado o esquema petista na Bancoop

Veja, 6 de março de 2010

Depois de quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo finalmente conseguiu pôr as mãos na caixa-preta que promete desvendar um dos mais espantosos esquemas de desvio de dinheiro perpetrados pelo núcleo duro do Partido dos Trabalhadores: o esquema Bancoop. Desde 2005, a sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo virou um pesadelo para milhares de associados. Criada com a promessa de entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, ela deixou, no lugar dos apartamentos, um rastro de escombros. Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa, alegando que, mesmo tendo quitado o valor integral dos imóveis, não só deixaram de recebê-los como passaram a ver as prestações se multiplicar a ponto de levá-las à ruína. Agora, começa-se a entender por quê.

Na semana passada, chegaram às mãos do promotor José Carlos Blat mais de 8.000 páginas de registros de transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008. O que elas revelam é que, nas mãos de dirigentes petistas, a cooperativa se transformou num manancial de dinheiro destinado a encher os bolsos de seus diretores e a abastecer campanhas eleitorais do partido. "A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002." Na sexta-feira, o promotor pediu à Justiça o bloqueio das contas da Bancoop e a quebra de sigilo bancário daquele que ele considera ser o principal responsável pelo esquema de desvio de dinheiro da cooperativa, seu ex-diretor financeiro e ex-presidente João Vaccari Neto. Vaccari acaba de ser nomeado o novo tesoureiro do PT e, como tal, deve cuidar das finanças da campanha eleitoral de Dilma Rousseff à Presidência.

Um dos dados mais estarrecedores que emergem dos extratos bancários analisados pelo MP é o milionário volume de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco: 31 milhões de reais só na pequena amostragem analisada. O uso de cheques como esses é uma estratégia comum nos casos em que não se quer revelar o destino do dinheiro. Até agora, o MP conseguiu esquadrinhar um terço das ordens de pagamento do lote de trinta volumes recebidos. Metade desses documentos obedecia ao padrão destinado a permitir saques anônimos. Já outros cheques encontrados, totalizando 10 milhões de reais e compreendidos no período de 2003 a 2005, tiveram destino bem explícito: o bolso de quatro dirigentes da cooperativa, o ex-presidente Luiz Eduardo Malheiro e os ex-diretores Alessandro Robson Bernardino, Marcelo Rinaldo e Tomas Edson Botelho Fraga – os três primeiros mortos em um acidente de carro em 2004 em Petrolina (PE).

Eles eram donos da Germany Empreiteira, cujo único cliente conhecido era a própria Bancoop. Segundo o engenheiro Ricardo Luiz do Carmo, que foi responsável por todas as construções da cooperativa, as notas emitidas pela Germany para a Bancoop eram superfaturadas em 20%. A favor da empreiteira, no entanto, pode-se dizer que ela ao menos existia de fato. De acordo com a mesma testemunha, não era o caso da empresa de "consultoria contábil" Mizu, por exemplo, pertencente aos mesmos dirigentes da Bancoop e em cuja contabilidade o MP encontrou, até o momento, seis saídas de dinheiro referentes ao ano de 2002 com a rubrica "doação PT", no valor total de 43 200 reais. Até setembro do ano passado, a lei não autorizava cooperativas a fazer doações eleitorais. Os depoimentos colhidos pelo MP indicam que o esquema de desvio de dinheiro da Bancoop obedeceu a uma trajetória que já se tornou um clássico petista. Começou para abastecer campanhas eleitorais do partido e acabou servindo para atender a interesses particulares de petistas.

'Cozinha' - Outro frequente agraciado com cheques da Bancoop tornou-se nacionalmente conhecido na esteira de um dos últimos escândalos que envolveram o partido. Freud "Aloprado" Godoy – ex-segurança das campanhas do presidente Lula, homem "da cozinha" do PT e um dos pivôs do caso da compra do falso dossiê contra tucanos na campanha de 2006 – recebeu, por meio da empresa que dirigia até o ano passado, onze cheques totalizando 1,5 milhão de reais, datados entre 2005 e 2006. Nesse período, a Caso Sistemas de Segurança, nome da sua empresa, funcionava no número 89 da Rua Alberto Frediani, em Santana do Parnaíba, segundo registro da Junta Comercial. Vizinhos dizem que, além da placa com o nome da firma, nada indicava que houvesse qualquer atividade por lá. O único funcionário visível da Caso era um rapaz que vinha semanalmente recolher as correspondências num carro popular azul. Hoje, a Caso se transferiu para uma casa no município de Santo André, na região do ABC.

Depoimentos colhidos pelo MP ao longo dos últimos dois anos já atestavam que o dinheiro da Bancoop havia servido para abastecer a campanha petista de 2002 que levou Lula à Presidência da República. VEJA ouviu uma das testemunhas, Andy Roberto, que trabalhou como segurança da Bancoop e de Luiz Malheiro entre 2001 e 2005. Em depoimento ao MP, Roberto afirmou que Malheiro, o ex-presidente morto da Bancoop, entregava envelopes de dinheiro diretamente a Vaccari, então presidente do Sindicato dos Bancários e indicado como o responsável pelo recolhimento da caixinha de campanha de Lula. Em entrevista a VEJA, Roberto não repetiu a afirmação categoricamente, mas disse estar convicto de que isso ocorria e relatou como, mesmo depois da eleição de Lula, entre 2003 e 2004, quantias semanais de dinheiro continuaram saindo de uma agência Bradesco do Viaduto do Chá, centro de São Paulo, supostamente para o Sindicato dos Bancários, então presidido por Vaccari. "A gente ia no banco e buscava pacotes, duas pessoas escoltando uma terceira." Os pacotes, afirmou, eram entregues à secretária de Luiz Malheiro, que os entregava ao chefe. "Quando essas operações aconteciam, com certeza, em algum horário daquele dia, o Malheiro ia até o Sindicato dos Bancários. Ou, então, se encontrava com o Vaccari em algum lugar."

Leia a reportagem completa na edição de VEJA desta semana (disponível apenas para assinantes).

Leia no blog do Reinaldo Azevedo:
"A cada enxadada, uma minhoca". Quando se lança a ferramenta em solo petista, então, basta que se tire um pouquinho de terra, e o que se vê é aquela celebração de anelídeos se retorcendo. Acostumados aos subterrâneos, reagem à luz. O Brasil assiste atônito, mas também satisfeito, ao descalabro instalado no Distrito Federal. Atônito com a canalhice. E satisfeito em ver José Roberto Arruda na cadeia. Mas há uma coisa que, até agora, está no grupo das coisas jamais vistas — como enterro de anão e cabeça de bacalhau: petista na cadeia! A sensação, não muito distante da realidade, é a de que membros do partido têm especial licença para a falcatrua. E olhem que nem é preciso falar do mensalão do PT.

1753) Le Mensuel, o resumo mensal do Le Monde

Bem, agora já sei o que vou buscar nas bancas da próxima vez que passar por Paris, mesmo no aeroporto:

LE MENSUEL

O que o Monde publicou de melhor
Por Leneide Duarte-Plon, de Paris
Observatório da Imprensa, 2/3/2010

Após seis meses de estudos e testes, o jornal Le Monde lançou em fevereiro um novo produto, como diriam os especialistas de marketing. Nós, os antigos jornalistas, diremos que ele lançou uma revista mensal, destinada a ocupar um lugar privilegiado na paisagem midiática francesa. Otto Lara Rezende falava do choque que teve quando ouviu pela primeira vez falar do jornal como "produto". Era na década de 1970.

Uma das diversas publicidades de página inteira anunciando a nova revista mensal, chamada simplesmente Le Mensuel, apresentava um pequeno pote de cosmético com o nome "La crème du Monde". A revista é exatamente isso: o que o jornal publicou de melhor no mês anterior, la crème de la crème.

"Muitas pessoas se interessam pelo conteúdo do Monde e pela expertise dos nossos jornalistas, mas não têm tempo ou possibilidade de comprá-lo todos os dias. Propomos agora essa seleção mensal de nossos melhores artigos. Além do mais, é um belo objeto, parece um livro, com belas fotos, uma nova forma de leitura diferente do cotidiano, da internet ou de um semanário. Nunca se deve parar de inventar e inovar", ressalta a nova diretora de redação do Le Monde, Sylvie Kauffmann.

As palavras e as fotos

As cartas de leitores, comentadas pela mediadora do jornal Véronique Maurus, mostram que o mesário veio ocupar um espaço que existia para ele. O formato pequeno (23,5cm x 18,5cm) foi muito elogiado, a beleza, mas, principalmente, a proposta: as melhores reportagens, os melhores perfis e os melhores artigos do mês anterior, embrulhados para presente, isto é, ilustrados com muitas fotos coloridas e em preto e branco. Très chic, mas sobretudo très intelligent esse Mensuel.

"Um pequeno formato para uma grande ambição" foi como o diretor do Monde, Eric Fottorino, apresentou a revista que vai ser útil em especial ao público que não compra o jornal todos os dias, seja por que motivo for, e com 5,90 euros (cerca de 16 reais) vai ter 120 páginas para se informar sobre o que se passou na França e no mundo, com análises pertinentes e o famoso conteúdo do "diário de referência". Os incondicionais do jornal poderão fazer uma coleção fácil de guardar.

Le Mensuel oferece todas as qualidades do diário. "Ele é a quintessência do trabalho de uma redação de 300 jornalistas com seus correspondentes nos quatro cantos do mundo: Nova York, Washington, Moscou, Pequim, Xangai, Johanesburgo, Rio de Janeiro etc. Ele é um sinal dirigido a todos os que amam a escolha das palavras e o peso das fotos", escreveu Fottorino no editorial do número 1.

Sensação de alívio

A informação do Mensuel é veiculada por um texto reconhecidamente de qualidade, mas o leitor ganha ainda como adicional uma ampla informação visual que o jornal não pode dar por problema de espaço: a fotografia tem um lugar privilegiado, pois a revista optou por valorizar a imagem fotográfica em quantidade e qualidade. Quanto aos textos selecionados, eles são publicados na íntegra com a data em que saíram no jornal.

"Queremos oferecer um objeto atraente, mais fácil de colecionar e menos intimidante para os jovens leitores. Dessa forma, damos uma segunda vida aos artigos oferecendo um condensado do mês, como um digest", explicou o responsável editorial da revista, Jérôme Gautheret.

Le Mensuel foi saudado por um dos inúmeros leitores que escreveram ao jornal como uma excelente idéia para quem perde o cotidiano por motivo de viagem. Pude experimentar a mesma sensação de alívio. Os inveterados leitores, como eu, que lamentam perder a leitura do jornal quando estão no estrangeiro – falo da versão em papel, um vício da nossa geração – terão o consolo de saber que em Paris Le Mensuel nos aguarda nas bancas com la crème du Monde.

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