O que se deve exigir do escritor, antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço.
Machado de Assis, em "Instinto de nacionalidade" (1873)
transcrito por John Gledson, "Prefácio" a:
Machado de Assis:
Papéis Avulsos
(São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2011), p. 7-34, cf. p. 10
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 8 de março de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
Um samba chines na economia -- nada mais previsivel
Quando um país deixa de ser competitivo, até suas festas nacionais são "out-sourced", como diriam os economistas...
Carnaval brasileiro é 'made in China', diz 'Financial Times'
BBC, 07 de março de 2011
Jonal diz que mercadorias baratas importadas do país asiático dominam mercado de fantasias do Brasil - Produtos baratos da China inundam carnaval brasileiro
Uma reportagem do jornal britânico Financial Times afirma nesta segunda-feira que o carnaval no Brasil é "made in China". A reportagem mostra a importância que os produtos chineses ganharam na cadeia produtiva carnavalesca brasileira. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), 80% das fantasias vendidas para o Carnaval são importadas do país asiático.
"Importações baratas da China inundaram o país latino-americano nos últimos anos, em parte como resultado da rápida apreciação da moeda, causando interrupções em diversas partes da economia e colocando um dos maiores dilemas políticos para a nova presidente, Dilma Rousseff", afirma a reportagem. "Agora até mesmo o famoso Carnaval, a festa de quatro dias que termina na terça-feira, é made in China", diz.
O presidente da Abit, Jonatan Schmidt, disse à repórter do FT que "há quinze anos, tudo era diferente - tudo era brasileiro".
Uma lojista ouvida pela reportagem do diário financeiro conta que importa mercadorias da China a preços 40% abaixo dos praticados por companhias brasileiras. Com o real mais forte, a loja, que em 2005 importava 30% do seu estoque, hoje importa 60%.
"Não é só a taxa de câmbio", diz a comerciante. "Há carência de novos equipamentos e investimentos no setor têxtil. A demanda é tão forte agora que a indústria não consegue suprir."
Citando economistas, o jornal diz que os esforços do país para combater a apreciação do real são ineficientes e que "a única solução real, não apenas para a indústria têxtil mas para a indústria em geral, é melhorar a qualificação, investir em maquinário e desenvolver a infraestrutura".
A reportagem sugere que o Carnaval, se continua em espírito sendo uma festa brasileira, é em termos econômicos uma festa dos importados. "Apesar dos esforços da estatal petroleira Petrobras para expandir a sua própria produção de poliéster no Nordeste, é improvável que o Carnaval seja made in Brazil no futuro próximo."
BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Carnaval brasileiro é 'made in China', diz 'Financial Times'
BBC, 07 de março de 2011
Jonal diz que mercadorias baratas importadas do país asiático dominam mercado de fantasias do Brasil - Produtos baratos da China inundam carnaval brasileiro
Uma reportagem do jornal britânico Financial Times afirma nesta segunda-feira que o carnaval no Brasil é "made in China". A reportagem mostra a importância que os produtos chineses ganharam na cadeia produtiva carnavalesca brasileira. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), 80% das fantasias vendidas para o Carnaval são importadas do país asiático.
"Importações baratas da China inundaram o país latino-americano nos últimos anos, em parte como resultado da rápida apreciação da moeda, causando interrupções em diversas partes da economia e colocando um dos maiores dilemas políticos para a nova presidente, Dilma Rousseff", afirma a reportagem. "Agora até mesmo o famoso Carnaval, a festa de quatro dias que termina na terça-feira, é made in China", diz.
O presidente da Abit, Jonatan Schmidt, disse à repórter do FT que "há quinze anos, tudo era diferente - tudo era brasileiro".
Uma lojista ouvida pela reportagem do diário financeiro conta que importa mercadorias da China a preços 40% abaixo dos praticados por companhias brasileiras. Com o real mais forte, a loja, que em 2005 importava 30% do seu estoque, hoje importa 60%.
"Não é só a taxa de câmbio", diz a comerciante. "Há carência de novos equipamentos e investimentos no setor têxtil. A demanda é tão forte agora que a indústria não consegue suprir."
Citando economistas, o jornal diz que os esforços do país para combater a apreciação do real são ineficientes e que "a única solução real, não apenas para a indústria têxtil mas para a indústria em geral, é melhorar a qualificação, investir em maquinário e desenvolver a infraestrutura".
A reportagem sugere que o Carnaval, se continua em espírito sendo uma festa brasileira, é em termos econômicos uma festa dos importados. "Apesar dos esforços da estatal petroleira Petrobras para expandir a sua própria produção de poliéster no Nordeste, é improvável que o Carnaval seja made in Brazil no futuro próximo."
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Espionar o G20?: muito barulho por nada..., ou quase nada...
Much Ado Abouth Nothing, diria Shakespeare.
Eu diria, quase nada...
Pois os piratas (provavelmente chineses) que invadiram computadores no Ministério das Finanças da França, encarregado dos preparativos da última reunião ministerial do G20, estavam provavelmente interessados em saber o que os membros desse grupo informal de "coordenação" poderiam fazer em relação às manipulações cambiais da China, contra os interesses econômicos de seus parceiros no grupo.
Chineses são especialistas nisso.
Destaco os trechos pertinentes da matéria:
M. Baroin a assuré que seules les informations autour de l'organisation du G20 "intéressaient les hackers". Une plainte contre X a été déposée par Bercy. La Direction centrale du renseignement extérieur a été saisie. (...)
L'Anssi a procédé à de nombreuses vérifications dans l'ensemble des services de l'Etat concernés par le G20 afin de s'assurer que l'attaque ne s'était pas propagée au-delà de Bercy.
Parece que estão superestimando a capacidade do G20 na economia mundial...
Paulo Roberto de Almeida
Bercy victime d'une vaste opération de piratage informatique
Le Monde, 07.03.11
Le ministère des finances a été l'objet d'une intrusion informatique d'ampleur pendant plusieurs mois.
Il s'agirait de la plus importante attaque informatique jamais menée contre l'Etat français. Selon des informations diffusées lundi 7 mars sur le site Internet du magazine Paris-Match, et confirmées dans la matinée par Bercy, le ministère de l'économie et des finances a été l'objet d'un piratage sans précédent. Selon une source "proche du dossier" citée par le magazine, la direction du Trésor aurait été la principale cible des "hackers" entre le mois de décembre et ce week-end.
LA PISTE CHINOISE ÉVOQUÉE
François Baroin a confirmé ces informations lundi matin sur Europe 1, tout en soulignant qu'une vaste opération de maintenance avait été menée ce week-end sur le réseau informatique du ministère. Il a également ajouté que la France avait "des pistes" sur l'identité des pirates, sans plus de précision. Il pourrait s'agir de "professionnels déterminés et organisés", selon Patrick Pailloux, directeur général de l'Agence nationale de la sécurité des systèmes d'information (Anssi), au vu de la préparation minutieuse, du mode opératoire sophistiqué et des moyens importants engagés par les hackers.
Paris-Match évoque quant à lui la piste chinoise. Mais Patrick Pailloux se montre très prudent. Comme dans toutes ces affaires de cyberattaques, "de très nombreux ordinateurs ont servi de relais à l'insu de leurs propriétaires à travers le monde" et il sera très difficile de remonter la piste.
M. Baroin a assuré que seules les informations autour de l'organisation du G20 "intéressaient les hackers". Une plainte contre X a été déposée par Bercy. La Direction centrale du renseignement extérieur a été saisie.
CENT CINQUANTE ORDINATEURS ATTAQUÉS
Au total, plus de cent cinquante ordinateurs du ministère ont été infiltrés et de nombreux documents piratés. La méthode des espions est classique : à partir d'une adresse e-mail piratée, le "hacker" prend le contrôle de l'ordinateur de sa cible grâce à un cheval de Troie, en l'occurrence une pièce jointe. Chacun de ses correspondants au sein de l'administration peut à son tour être infiltré, selon le site de l'hebdomadaire.
L'Anssi a procédé à de nombreuses vérifications dans l'ensemble des services de l'Etat concernés par le G20 afin de s'assurer que l'attaque ne s'était pas propagée au-delà de Bercy. D'autres tentatives d'attaques ont été repérées mais elles auraient échoué. "A ma connaissance, seul Bercy a été touché", estime Patrick Pailloux, directeur général de l'Anssi, cité par Paris-Match. Il faudra néanmoins plusieurs semaines aux autorités pour identifier les 150 fonctionnaires ciblés par les espions et sécuriser le système informatique.
DES MOYENS "PAS À LA HAUTEUR DES ENJEUX"
Le député UMP Bernard Carayon, auteur de plusieurs rapports sur les questions d'intelligence économique, a estimé dans un communiqué que cette affaire "souligne la vulnérabilité des systèmes d'information publics". Selon lui, "les moyens français ne sont pas à la hauteur des enjeux : l'Agence nationale de la sécurité des systèmes d'information ne dispose que d'une trentaine d'ingénieurs pour exercer sa mission".
Il préconise, lui, "un audit immédiat des systèmes d'information des administrations publiques" et la création d'un organisme permettant de développer la recherche dans ce domaine. Il prône aussi de rapprocher les entreprises afin de créer "une offre industrielle de confiance, française ou européenne, pour préserver notre indépendance, en s'appuyant sur l'Agence européenne pour la sécurité des réseaux et de l'information".
WordPress cible de cyber-attaques depuis la Chine
La plate-forme de blogs WordPress a été victime jeudi et vendredi d'attaques informatiques provenant vraisemblablement de Chine mais a retrouvé un fonctionnement normal dimanche 6 mars, a affirmé son fondateur Matt Mullenweg.
WordPress, qui héberge des millions de blogs dans le monde, a été la cible d'attaques "très importantes" par déni de service (DDoS) qui ont par moments perturbé les connexions, a déclaré M. Mullenweg au blog TechCrunch. Selon M. Mullenweg, 98 % des attaques venaient de Chine et avaient probablement "des motivations politiques".
Maliciels et attaques informatiques
ZOOM
Intrusion informatique : avant Bercy, le ministère du Trésor canadien
COMPTE RENDU
Google désactive à distance des applications malveillantes sur Android
LES FAITS
Prison ferme pour les adolescents britanniques qui avaient créé le "Facebook du piratage"
LES FAITS
Attaques informatiques contre la Corée du Sud
Eu diria, quase nada...
Pois os piratas (provavelmente chineses) que invadiram computadores no Ministério das Finanças da França, encarregado dos preparativos da última reunião ministerial do G20, estavam provavelmente interessados em saber o que os membros desse grupo informal de "coordenação" poderiam fazer em relação às manipulações cambiais da China, contra os interesses econômicos de seus parceiros no grupo.
Chineses são especialistas nisso.
Destaco os trechos pertinentes da matéria:
M. Baroin a assuré que seules les informations autour de l'organisation du G20 "intéressaient les hackers". Une plainte contre X a été déposée par Bercy. La Direction centrale du renseignement extérieur a été saisie. (...)
L'Anssi a procédé à de nombreuses vérifications dans l'ensemble des services de l'Etat concernés par le G20 afin de s'assurer que l'attaque ne s'était pas propagée au-delà de Bercy.
Parece que estão superestimando a capacidade do G20 na economia mundial...
Paulo Roberto de Almeida
Bercy victime d'une vaste opération de piratage informatique
Le Monde, 07.03.11
Le ministère des finances a été l'objet d'une intrusion informatique d'ampleur pendant plusieurs mois.
Il s'agirait de la plus importante attaque informatique jamais menée contre l'Etat français. Selon des informations diffusées lundi 7 mars sur le site Internet du magazine Paris-Match, et confirmées dans la matinée par Bercy, le ministère de l'économie et des finances a été l'objet d'un piratage sans précédent. Selon une source "proche du dossier" citée par le magazine, la direction du Trésor aurait été la principale cible des "hackers" entre le mois de décembre et ce week-end.
LA PISTE CHINOISE ÉVOQUÉE
François Baroin a confirmé ces informations lundi matin sur Europe 1, tout en soulignant qu'une vaste opération de maintenance avait été menée ce week-end sur le réseau informatique du ministère. Il a également ajouté que la France avait "des pistes" sur l'identité des pirates, sans plus de précision. Il pourrait s'agir de "professionnels déterminés et organisés", selon Patrick Pailloux, directeur général de l'Agence nationale de la sécurité des systèmes d'information (Anssi), au vu de la préparation minutieuse, du mode opératoire sophistiqué et des moyens importants engagés par les hackers.
Paris-Match évoque quant à lui la piste chinoise. Mais Patrick Pailloux se montre très prudent. Comme dans toutes ces affaires de cyberattaques, "de très nombreux ordinateurs ont servi de relais à l'insu de leurs propriétaires à travers le monde" et il sera très difficile de remonter la piste.
M. Baroin a assuré que seules les informations autour de l'organisation du G20 "intéressaient les hackers". Une plainte contre X a été déposée par Bercy. La Direction centrale du renseignement extérieur a été saisie.
CENT CINQUANTE ORDINATEURS ATTAQUÉS
Au total, plus de cent cinquante ordinateurs du ministère ont été infiltrés et de nombreux documents piratés. La méthode des espions est classique : à partir d'une adresse e-mail piratée, le "hacker" prend le contrôle de l'ordinateur de sa cible grâce à un cheval de Troie, en l'occurrence une pièce jointe. Chacun de ses correspondants au sein de l'administration peut à son tour être infiltré, selon le site de l'hebdomadaire.
L'Anssi a procédé à de nombreuses vérifications dans l'ensemble des services de l'Etat concernés par le G20 afin de s'assurer que l'attaque ne s'était pas propagée au-delà de Bercy. D'autres tentatives d'attaques ont été repérées mais elles auraient échoué. "A ma connaissance, seul Bercy a été touché", estime Patrick Pailloux, directeur général de l'Anssi, cité par Paris-Match. Il faudra néanmoins plusieurs semaines aux autorités pour identifier les 150 fonctionnaires ciblés par les espions et sécuriser le système informatique.
DES MOYENS "PAS À LA HAUTEUR DES ENJEUX"
Le député UMP Bernard Carayon, auteur de plusieurs rapports sur les questions d'intelligence économique, a estimé dans un communiqué que cette affaire "souligne la vulnérabilité des systèmes d'information publics". Selon lui, "les moyens français ne sont pas à la hauteur des enjeux : l'Agence nationale de la sécurité des systèmes d'information ne dispose que d'une trentaine d'ingénieurs pour exercer sa mission".
Il préconise, lui, "un audit immédiat des systèmes d'information des administrations publiques" et la création d'un organisme permettant de développer la recherche dans ce domaine. Il prône aussi de rapprocher les entreprises afin de créer "une offre industrielle de confiance, française ou européenne, pour préserver notre indépendance, en s'appuyant sur l'Agence européenne pour la sécurité des réseaux et de l'information".
WordPress cible de cyber-attaques depuis la Chine
La plate-forme de blogs WordPress a été victime jeudi et vendredi d'attaques informatiques provenant vraisemblablement de Chine mais a retrouvé un fonctionnement normal dimanche 6 mars, a affirmé son fondateur Matt Mullenweg.
WordPress, qui héberge des millions de blogs dans le monde, a été la cible d'attaques "très importantes" par déni de service (DDoS) qui ont par moments perturbé les connexions, a déclaré M. Mullenweg au blog TechCrunch. Selon M. Mullenweg, 98 % des attaques venaient de Chine et avaient probablement "des motivations politiques".
Maliciels et attaques informatiques
ZOOM
Intrusion informatique : avant Bercy, le ministère du Trésor canadien
COMPTE RENDU
Google désactive à distance des applications malveillantes sur Android
LES FAITS
Prison ferme pour les adolescents britanniques qui avaient créé le "Facebook du piratage"
LES FAITS
Attaques informatiques contre la Corée du Sud
Economia brasileira: o que esperar em 2011? - George Vidor
Um retrato honesto, factual, objetivo.
Desenho de 2011
George Vidor
O Globo, 7/03/2011
O quadro macroeconômico para 2011 no Brasil já está desenhado: juros básicos na faixa de 12% ao ano com o propósito de fazer a inflação recuar para menos de 5,5%, o que também dependerá do ritmo de crescimento do país (em torno de 4,5%). Já existem alguns sinais de redução na velocidade tanto no ritmo da atividade econômica como no da inflação, que ficarão mais evidentes, em breve.
Os números do primeiro trimestre serão acompanhados com lupa pelos analistas financeiros, pois esses indicadores é que darão pistas sobre a provável duração do novo ciclo de aperto monetário. Na quinta-feira, o Banco Central divulga a ata da reunião do Comitê de Política Monetária, descrevendo o cenário que levou as autoridades a se decidirem pelo aumento de 0,5 ponto percentual na Taxa Selic, o que, aliás, já era aguardado pela maioria das instituições financeiras ouvidas pelo próprio BC.
Os juros deverão permanecer elevados ao longo de 2011 e o melhor que se pode esperar é que as taxas parem de subir já na próxima reunião do Copom, marcada para meados de abril.
Entre os sinais de moderação observados pelos analistas estão os da contratação de mão de obra pela indústria da construção civil. No ano passado, as contratações formais, com carteira assinada, deram um salto no setor, com aumento de mais de 20%. Mas muitas das obras em execução, especialmente de novos edifícios e casas, estariam agora numa fase em que a necessidade de contratações se estabiliza (o período crítico teria sido no fim de 2009).
Por efeito estatístico, mesmo que a economia brasileira parasse de crescer daqui por diante, o Produto Interno Bruto de 2011 já evoluiria 1,7% (em 2010, esse efeito foi de 3,7%). Se a economia brasileira vier mesmo a se expandir os desejados 5%, crescerá bem acima da média dos últimos dez anos.
A safra brasileira de algodão em 2011 será a maior da história. Deve atingir o patamar de dois milhões de toneladas, motivada pelos preços internacionais do produto, que, em termos relativos, somente haviam alcançado cotações semelhantes durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, quando os estados sulistas confederados, na época essencialmente agrícolas, rebelaram-se contra o Norte que se industrializava, deflagrando o conflito fratricida mais sangrento já visto pela humanidade. Mas isso foi na segunda metade do século XIX.
A colheita nem começou e os produtores já se comprometeram com trading internacionais a exportar um milhão de toneladas. Com isso sobrará para o mercado interno — se sobrar... — um milhão de toneladas, exatamente o volume consumido pela indústria nacional.
As empresas do setor têxtil estão apreensivas, pois ficaram espremidas entre o custo da matéria-prima (que, em um ano, aumentou quase 250%) e a concorrência de produtos acabados da China e de outros países asiáticos, que jogam os preços para baixo.
Como não é possível segurar o preço do algodão, ditado pelo mercado internacional, nessa altura dos acontecimentos as indústrias vão negociar com os produtores o fornecimento de matéria-prima (Mato Grosso atualmente responde por 45% da produção nacional).
A indústria têxtil e de confecções cresceu no ano passado 4,5%, menos que a média da economia (7.5%). É uma extensa cadeia produtiva, que envolve também a indústria química, os fabricantes de aviamentos (botões etc.), a rede do varejo, os estilistas, a mídia especializada, e por aí vai.
A Granja Brasil, empreendimento imobiliário lançado há 12 anos em Itaipava, na Região Serrana do Rio, adotou o sistema de fracionamento em novos lançamentos. Para os apartamentos grandes, com área interna de 600 metros quadrados (e preços que podem chegar a R$2,5 milhões) o fracionamento é oferecido como opção para quem sobe a serra eventualmente, pois o proprietário passa a ter direito a ocupar o imóvel por um certo número de fins de semana por ano (com os feriados longos em esquema de rodízio). Tal opção está conjugada ao recém-inaugurado hotel Clarion, dentro do condomínio, cujo foco são altos executivos que vão a Petrópolis durante a semana, a negócios. Os proprietários de apartamentos fracionados terão direito a desconto de 50% na diária do hotel, em fins de semana, e poderão usufruir de serviços de arrumadeira, lavanderia etc.
Nos Estados Unidos e na Europa esse sistema já é comum. No Brasil é relativamente recente, pois havia dificuldade em se lavrar escritura de apartamentos fracionados (no caso de terreno vazio isso já era rotineiro) e os potenciais investidores não se sentiam atraídos por essa opção.
Livro: A Economia Brasileira - Antonio Dias Leite
Com uma versão atualizada e revisada, a Editora Elsevier está lançando a segunda edição do livro do ex-ministro Dias Leite sobre a economia brasileira (com o subtítulo “Onde estamos, para onde vamos”). O prefácio dessa nova edição foi escrito por Arminio Fraga.
Dias Leite, professor emérito do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi presidente da então Companhia Vale do Rio Doce e depois ministro de Minas e Energia nas décadas de 60 e 70. Meu sogro, que foi colega dele na Escola de Engenharia na antiga Universidade do Brasil, no Largo de São Francisco, no Rio, dizia que Dias Leite já se destacava como um dos mais brilhantes alunos da faculdade.
O livro é muito interessante porque alterna análises históricas com alguns conceitos, em linguagem didática e acessível a qualquer tipo de leitor que tenha gosto pela economia, tema geralmente visto como árido demais.
Desenho de 2011
George Vidor
O Globo, 7/03/2011
O quadro macroeconômico para 2011 no Brasil já está desenhado: juros básicos na faixa de 12% ao ano com o propósito de fazer a inflação recuar para menos de 5,5%, o que também dependerá do ritmo de crescimento do país (em torno de 4,5%). Já existem alguns sinais de redução na velocidade tanto no ritmo da atividade econômica como no da inflação, que ficarão mais evidentes, em breve.
Os números do primeiro trimestre serão acompanhados com lupa pelos analistas financeiros, pois esses indicadores é que darão pistas sobre a provável duração do novo ciclo de aperto monetário. Na quinta-feira, o Banco Central divulga a ata da reunião do Comitê de Política Monetária, descrevendo o cenário que levou as autoridades a se decidirem pelo aumento de 0,5 ponto percentual na Taxa Selic, o que, aliás, já era aguardado pela maioria das instituições financeiras ouvidas pelo próprio BC.
Os juros deverão permanecer elevados ao longo de 2011 e o melhor que se pode esperar é que as taxas parem de subir já na próxima reunião do Copom, marcada para meados de abril.
Entre os sinais de moderação observados pelos analistas estão os da contratação de mão de obra pela indústria da construção civil. No ano passado, as contratações formais, com carteira assinada, deram um salto no setor, com aumento de mais de 20%. Mas muitas das obras em execução, especialmente de novos edifícios e casas, estariam agora numa fase em que a necessidade de contratações se estabiliza (o período crítico teria sido no fim de 2009).
Por efeito estatístico, mesmo que a economia brasileira parasse de crescer daqui por diante, o Produto Interno Bruto de 2011 já evoluiria 1,7% (em 2010, esse efeito foi de 3,7%). Se a economia brasileira vier mesmo a se expandir os desejados 5%, crescerá bem acima da média dos últimos dez anos.
A safra brasileira de algodão em 2011 será a maior da história. Deve atingir o patamar de dois milhões de toneladas, motivada pelos preços internacionais do produto, que, em termos relativos, somente haviam alcançado cotações semelhantes durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, quando os estados sulistas confederados, na época essencialmente agrícolas, rebelaram-se contra o Norte que se industrializava, deflagrando o conflito fratricida mais sangrento já visto pela humanidade. Mas isso foi na segunda metade do século XIX.
A colheita nem começou e os produtores já se comprometeram com trading internacionais a exportar um milhão de toneladas. Com isso sobrará para o mercado interno — se sobrar... — um milhão de toneladas, exatamente o volume consumido pela indústria nacional.
As empresas do setor têxtil estão apreensivas, pois ficaram espremidas entre o custo da matéria-prima (que, em um ano, aumentou quase 250%) e a concorrência de produtos acabados da China e de outros países asiáticos, que jogam os preços para baixo.
Como não é possível segurar o preço do algodão, ditado pelo mercado internacional, nessa altura dos acontecimentos as indústrias vão negociar com os produtores o fornecimento de matéria-prima (Mato Grosso atualmente responde por 45% da produção nacional).
A indústria têxtil e de confecções cresceu no ano passado 4,5%, menos que a média da economia (7.5%). É uma extensa cadeia produtiva, que envolve também a indústria química, os fabricantes de aviamentos (botões etc.), a rede do varejo, os estilistas, a mídia especializada, e por aí vai.
A Granja Brasil, empreendimento imobiliário lançado há 12 anos em Itaipava, na Região Serrana do Rio, adotou o sistema de fracionamento em novos lançamentos. Para os apartamentos grandes, com área interna de 600 metros quadrados (e preços que podem chegar a R$2,5 milhões) o fracionamento é oferecido como opção para quem sobe a serra eventualmente, pois o proprietário passa a ter direito a ocupar o imóvel por um certo número de fins de semana por ano (com os feriados longos em esquema de rodízio). Tal opção está conjugada ao recém-inaugurado hotel Clarion, dentro do condomínio, cujo foco são altos executivos que vão a Petrópolis durante a semana, a negócios. Os proprietários de apartamentos fracionados terão direito a desconto de 50% na diária do hotel, em fins de semana, e poderão usufruir de serviços de arrumadeira, lavanderia etc.
Nos Estados Unidos e na Europa esse sistema já é comum. No Brasil é relativamente recente, pois havia dificuldade em se lavrar escritura de apartamentos fracionados (no caso de terreno vazio isso já era rotineiro) e os potenciais investidores não se sentiam atraídos por essa opção.
Livro: A Economia Brasileira - Antonio Dias Leite
Com uma versão atualizada e revisada, a Editora Elsevier está lançando a segunda edição do livro do ex-ministro Dias Leite sobre a economia brasileira (com o subtítulo “Onde estamos, para onde vamos”). O prefácio dessa nova edição foi escrito por Arminio Fraga.
Dias Leite, professor emérito do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi presidente da então Companhia Vale do Rio Doce e depois ministro de Minas e Energia nas décadas de 60 e 70. Meu sogro, que foi colega dele na Escola de Engenharia na antiga Universidade do Brasil, no Largo de São Francisco, no Rio, dizia que Dias Leite já se destacava como um dos mais brilhantes alunos da faculdade.
O livro é muito interessante porque alterna análises históricas com alguns conceitos, em linguagem didática e acessível a qualquer tipo de leitor que tenha gosto pela economia, tema geralmente visto como árido demais.
Libia e o Conselho de Direitos Humanos da ONU: reino da hipocrisia
Moises Naim é um jornalista que gosta de fazer ironias.
Esta, por exemplo:
"El 4 de enero de este año, el Consejo de Derechos Humanos, órgano de Naciones Unidas, publicó su informe sobre Libia. El texto no contiene ni un asomo de crítica al Gobierno de Gadafi y más bien resalta que "varias delegaciones expresaron su reconocimiento al compromiso del país con la defensa de los derechos humanos...". La delegación de Brasil, por ejemplo, enfatizó "el progreso social y económico de Libia y reconoció sus esfuerzos con respecto a personas con discapacidades"."
Provavelmente não houve tempo, no dia 4 de janeiro, para mudar instruções que estavam previsivelmente prontas desde o governo anterior, quando o ditador líbio ainda era tratado como um amigo e quando a ONU praticava sua hipocrisia habitual, com a cooperação do governo brasileiro.
O problema parece justamente este: o governo brasileiro diz que sempre vai agir em consonância com decisões da ONU, mesmo quando estas exibem sua dose de hipocrisia habitual.
Que tal se, por uma vez, o governo brasileiro atuasse de acordo com seus princípios, ou melhor, com os princípios da Constituição (que talvez não sejam os seus, ainda...)?
Que tal se o governo brasileira atuasse com base em valores, pelo menos por uma vez?
Paulo Roberto de Almeida
Ola de cambio en el mundo árabe: Muamar, Hugo y Dani
MOISÉS NAÍM
El País, 06/03/2011
Chávez y Ortega son los dos únicos jefes de Estado que no han condenado a Gadafi
¿Quién hubiese imaginado que Muamar el Gadafi pasaría a la historia como el gran creador de consenso internacional? No es fácil poner de acuerdo a las 192 naciones del planeta. Gadafi lo ha logrado. El mundo entero ha denunciado al dictador libio por masacrar a civiles inocentes. El mundo entero, excepto dos jefes de Estado: Hugo Chávez y Daniel Ortega; el eje de los despistados.
Hasta la Liga Árabe le ha retirado el apoyo a Gadafi. Pero Hugo y Dani, no. Seguramente los convenció Fidel Castro, quien mantiene que la violencia en Libia es culpa de la OTAN, y no de Gadafi. En esto, el dictador libio discrepa de su colega, el exdictador cubano. Según Gadafi, detrás de los disturbios en su país está Al Qaeda. Esta diferencia plantea un problema para Hugo y Dani. Quizás, y para evitar tener que tomar partido por Fidel o por Muamar, concluirán que la desestabilización de Libia es una operación conjunta de la OTAN y Al Qaeda.
Pero quien definitivamente no está de acuerdo con el eje de los despistados es otro de sus aliados: Mahmud Ahmadineyad. "Es difícil imaginar que exista una persona que pueda matar y bombardear a su propia gente. Esto es muy feo... Los exhorto a escuchar a su pueblo y reflexionar sobre sus demandas. La gente debe ser libre y tener poder de decisión sobre su futuro. Todo el mundo está en shock con lo que está pasando en Libia... deben hacer caso al pueblo", declaró el indignado líder iraní. Este es otro candidato al eje de los despistados. Pero por una razón distinta: el pobre Ahmadineyad no parece haberse enterado de que, al mismo tiempo que hacía estas declaraciones, su Gobierno estaba reprimiendo salvajemente a sus opositores -de nuevo-. Cuando descubra que no hay mucha diferencia entre él y Gadafi seguramente tendrá un shock tan profundo como el que le produjo ver la manera en la que el libio trata a su pueblo.
Las tensiones entre Gadafi y Ahmadineyad no son nuevas, y una reveladora manifestación de ellas es que el líder iraní nunca recibió el Premio Gadafi de los Derechos Humanos. Este premio, creado en 1988, se otorga anualmente a quienes "hayan colaborado de forma sublime en la prestación de servicios humanos destacados o en la realización de labores gloriosas en defensa de los derechos humanos" (sic). A Hugo le tocó en 2004 y a Dani en 2009. Unos años después, Chávez correspondió al reconocimiento del libio obsequiándole una réplica de la espada de El Libertador, explicando además que "Muamar el Gadafi es para los libios lo que Simón Bolívar es para los venezolanos". Casi nada.
El presidente venezolano no es el único que ha distinguido al líder libio en el campo de los derechos humanos. El 4 de enero de este año, el Consejo de Derechos Humanos, órgano de Naciones Unidas, publicó su informe sobre Libia. El texto no contiene ni un asomo de crítica al Gobierno de Gadafi y más bien resalta que "varias delegaciones expresaron su reconocimiento al compromiso del país con la defensa de los derechos humanos...". La delegación de Brasil, por ejemplo, enfatizó "el progreso social y económico de Libia y reconoció sus esfuerzos con respecto a personas con discapacidades". Myanmar compartió estos conceptos. Por su parte, "Bielorrusia notó con satisfacción que Libia suscribía todos los tratados internacionales sobre derechos humanos y cooperaba con los organismos de dichos tratados".
La resolución de la Asamblea General de Naciones Unidas que creó el Consejo de Derechos Humanos establece que, al votar por los países que aspiren a formar parte del mismo, "se debe tomar en cuenta su contribución a la promoción y protección de los derechos humanos". Libia fue elegida con el apoyo de 155 países.
Pero ni siquiera este baluarte de la hipocresía internacional pudo mantener a Libia en su seno. Así, el Consejo de Derechos Humanos de la ONU, después de largas deliberaciones, concluyó que la contribución de la Libia de Gadafi a los derechos humanos había caído por debajo de los estándares aceptables y la expulsó.
Pero Hugo y Dani no abandonan a sus amigos. "No voy a condenar a Gadafi... a mí no me consta que sea un asesino", dijo el presidente de Venezuela.
Y al oír esto me vino a la mente la vieja frase de George Orwell: "El lenguaje político... está diseñado para que las mentiras suenen a verdades y que el asesinato sea respetable".
No; los despistados no son ellos. Son quienes les creen.
Esta, por exemplo:
"El 4 de enero de este año, el Consejo de Derechos Humanos, órgano de Naciones Unidas, publicó su informe sobre Libia. El texto no contiene ni un asomo de crítica al Gobierno de Gadafi y más bien resalta que "varias delegaciones expresaron su reconocimiento al compromiso del país con la defensa de los derechos humanos...". La delegación de Brasil, por ejemplo, enfatizó "el progreso social y económico de Libia y reconoció sus esfuerzos con respecto a personas con discapacidades"."
Provavelmente não houve tempo, no dia 4 de janeiro, para mudar instruções que estavam previsivelmente prontas desde o governo anterior, quando o ditador líbio ainda era tratado como um amigo e quando a ONU praticava sua hipocrisia habitual, com a cooperação do governo brasileiro.
O problema parece justamente este: o governo brasileiro diz que sempre vai agir em consonância com decisões da ONU, mesmo quando estas exibem sua dose de hipocrisia habitual.
Que tal se, por uma vez, o governo brasileiro atuasse de acordo com seus princípios, ou melhor, com os princípios da Constituição (que talvez não sejam os seus, ainda...)?
Que tal se o governo brasileira atuasse com base em valores, pelo menos por uma vez?
Paulo Roberto de Almeida
Ola de cambio en el mundo árabe: Muamar, Hugo y Dani
MOISÉS NAÍM
El País, 06/03/2011
Chávez y Ortega son los dos únicos jefes de Estado que no han condenado a Gadafi
¿Quién hubiese imaginado que Muamar el Gadafi pasaría a la historia como el gran creador de consenso internacional? No es fácil poner de acuerdo a las 192 naciones del planeta. Gadafi lo ha logrado. El mundo entero ha denunciado al dictador libio por masacrar a civiles inocentes. El mundo entero, excepto dos jefes de Estado: Hugo Chávez y Daniel Ortega; el eje de los despistados.
Hasta la Liga Árabe le ha retirado el apoyo a Gadafi. Pero Hugo y Dani, no. Seguramente los convenció Fidel Castro, quien mantiene que la violencia en Libia es culpa de la OTAN, y no de Gadafi. En esto, el dictador libio discrepa de su colega, el exdictador cubano. Según Gadafi, detrás de los disturbios en su país está Al Qaeda. Esta diferencia plantea un problema para Hugo y Dani. Quizás, y para evitar tener que tomar partido por Fidel o por Muamar, concluirán que la desestabilización de Libia es una operación conjunta de la OTAN y Al Qaeda.
Pero quien definitivamente no está de acuerdo con el eje de los despistados es otro de sus aliados: Mahmud Ahmadineyad. "Es difícil imaginar que exista una persona que pueda matar y bombardear a su propia gente. Esto es muy feo... Los exhorto a escuchar a su pueblo y reflexionar sobre sus demandas. La gente debe ser libre y tener poder de decisión sobre su futuro. Todo el mundo está en shock con lo que está pasando en Libia... deben hacer caso al pueblo", declaró el indignado líder iraní. Este es otro candidato al eje de los despistados. Pero por una razón distinta: el pobre Ahmadineyad no parece haberse enterado de que, al mismo tiempo que hacía estas declaraciones, su Gobierno estaba reprimiendo salvajemente a sus opositores -de nuevo-. Cuando descubra que no hay mucha diferencia entre él y Gadafi seguramente tendrá un shock tan profundo como el que le produjo ver la manera en la que el libio trata a su pueblo.
Las tensiones entre Gadafi y Ahmadineyad no son nuevas, y una reveladora manifestación de ellas es que el líder iraní nunca recibió el Premio Gadafi de los Derechos Humanos. Este premio, creado en 1988, se otorga anualmente a quienes "hayan colaborado de forma sublime en la prestación de servicios humanos destacados o en la realización de labores gloriosas en defensa de los derechos humanos" (sic). A Hugo le tocó en 2004 y a Dani en 2009. Unos años después, Chávez correspondió al reconocimiento del libio obsequiándole una réplica de la espada de El Libertador, explicando además que "Muamar el Gadafi es para los libios lo que Simón Bolívar es para los venezolanos". Casi nada.
El presidente venezolano no es el único que ha distinguido al líder libio en el campo de los derechos humanos. El 4 de enero de este año, el Consejo de Derechos Humanos, órgano de Naciones Unidas, publicó su informe sobre Libia. El texto no contiene ni un asomo de crítica al Gobierno de Gadafi y más bien resalta que "varias delegaciones expresaron su reconocimiento al compromiso del país con la defensa de los derechos humanos...". La delegación de Brasil, por ejemplo, enfatizó "el progreso social y económico de Libia y reconoció sus esfuerzos con respecto a personas con discapacidades". Myanmar compartió estos conceptos. Por su parte, "Bielorrusia notó con satisfacción que Libia suscribía todos los tratados internacionales sobre derechos humanos y cooperaba con los organismos de dichos tratados".
La resolución de la Asamblea General de Naciones Unidas que creó el Consejo de Derechos Humanos establece que, al votar por los países que aspiren a formar parte del mismo, "se debe tomar en cuenta su contribución a la promoción y protección de los derechos humanos". Libia fue elegida con el apoyo de 155 países.
Pero ni siquiera este baluarte de la hipocresía internacional pudo mantener a Libia en su seno. Así, el Consejo de Derechos Humanos de la ONU, después de largas deliberaciones, concluyó que la contribución de la Libia de Gadafi a los derechos humanos había caído por debajo de los estándares aceptables y la expulsó.
Pero Hugo y Dani no abandonan a sus amigos. "No voy a condenar a Gadafi... a mí no me consta que sea un asesino", dijo el presidente de Venezuela.
Y al oír esto me vino a la mente la vieja frase de George Orwell: "El lenguaje político... está diseñado para que las mentiras suenen a verdades y que el asesinato sea respetable".
No; los despistados no son ellos. Son quienes les creen.
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domingo, 6 de março de 2011
Why America Will Stay on Top - Paul Johnson, historiador britânico
Dito assim, parece mais uma receita para acomodar os americanos: "ah, nós somos inventivos, criativos, flexíveis, geniais, sempre vamos estar na frente de outros povos..."
Pode ser um caminho mais rápido para a decadência.
A China, que no momento é um caso absolutamente extraordinário na história econômica mundial, configura um caso inédito de crescimento econômico inacreditável para os padrões conhecidos combinado a uma das mais férreas ditaduras do cenário político mundial (nisso não muito diferente de seus padrões históricos, diga-se de passagem).
Mas a China não vai crescer assim o tempo todo e não será uma ditadura o tempo todo. Pode ser que ela venha a se tornar o país mais inovador do mundo, no futuro, quando parar de copiar, inventar seus próprios produtos, e se pautar pela liberdade irrestrita de opinião e de organização, o que ainda não é o caso (mas pode ser, antes ainda do que imaginamos).
Os americanos precisam continuar trabalhando duro, e aperfeiçoar-se educacionalmente, pois podem ficar para trás.
Em todo caso, a entrevista de Paul Johnson é interessante, tirando sua opinião sobre a Sarah Palin, uma das políticas mais idiotas que já encontrei no cenário americano (a concorrência é dura, pois os políticos americanos costumam ser singularmente idiotas).
Gostei da receita de Churchill quanto ao sucesso: conservação de energia...
Bem, a maior parte do que vai abaixo é pura opinião, mas ainda assim é interessante.
Paulo Roberto de Almeida
THE WEEKEND INTERVIEW - Paul Johnson, historian
Why America Will Stay on Top
By BRIAN M. CARNEY
The Wall Street Journal, MARCH 5, 2011, page A13
London - In his best-selling history of the 20th century, "Modern Times," British historian Paul Johnson describes "a significant turning-point in American history: the first time the Great Republic, the richest nation on earth, came up against the limits of its financial resources." Until the 1960s, he writes in a chapter titled "America's Suicide Attempt," "public finance was run in all essentials on conventional lines"—that is to say, with budgets more or less in balance outside of exceptional circumstances.
"The big change in principle came under Kennedy," Mr. Johnson writes. "In the autumn of 1962 the Administration committed itself to a new and radical principle of creating budgetary deficits even when there was no economic emergency." Removing this constraint on government spending allowed Kennedy to introduce "a new concept of 'big government': the 'problem-eliminator.' Every area of human misery could be classified as a 'problem'; then the Federal government could be armed to 'eliminate' it."
Twenty-eight years after "Modern Times" first appeared, Mr. Johnson is perhaps the most eminent living British historian, and big government as problem-eliminator is back with a vengeance—along with trillion-dollar deficits as far as the eye can see. I visited the 82-year-old Mr. Johnson in his West London home this week to ask him whether America has once again set off down the path to self-destruction. Is he worried about America's future?
"Of course I worry about America," he says. "The whole world depends on America ultimately, particularly Britain. And also, I love America—a marvelous country. But in a sense I don't worry about America because I think America has such huge strengths—particularly its freedom of thought and expression—that it's going to survive as a top nation for the foreseeable future. And therefore take care of the world."
Pessimists, he points out, have been predicting America's decline "since the 18th century." But whenever things are looking bad, America "suddenly produces these wonderful things—like the tea party movement. That's cheered me up no end. Because it's done more for women in politics than anything else—all the feminists? Nuts! It's brought a lot of very clever and quite young women into mainstream politics and got them elected. A very good little movement, that. I like it." Then he deepens his voice for effect and adds: "And I like that lady—Sarah Palin. She's great. I like the cut of her jib."
The former governor of Alaska, he says, "is in the good tradition of America, which this awful political correctness business goes against." Plus: "She's got courage. That's very important in politics. You can have all the right ideas and the ability to express them. But if you haven't got guts, if you haven't got courage the way Margaret Thatcher had courage—and [Ronald] Reagan, come to think of it. Your last president had courage too—if you haven't got courage, all the other virtues are no good at all. It's the central virtue."
***
Mr. Johnson, decked out in a tweed jacket, green cardigan and velvet house slippers, speaks in full and lengthy paragraphs that manage to be at once well-formed and sprinkled with a healthy dose of free association. He has a full shock of white hair and a quick smile. He has, he allows, gone a bit deaf, but his mind remains sharp and he continues to write prolifically. His main concession to age, he says, is "I don't write huge books any more. I used to write 1,000 printed pages, but now I write short books. I did one on Napoleon, 50,000 words—enjoyed doing that. He was a baddie. I did one on Churchill, which was a bestseller in New York, I'm glad to say. 50,000 words. He was a goodie." He's also written short forthcoming biographies of Socrates (another "goodie") and Charles Darwin (an "interesting figure").
Mr. Johnson says he doesn't follow politics closely anymore, but he quickly warms to the subject of the Middle East. The rash of uprisings across the Arab world right now is "a very interesting phenomenon," he says.
"It's something that we knew all about in Europe in the 19th century. First of all we had the French Revolution and its repercussions in places like Germany and so on. Then, much like this current phenomenon, in 1830 we had a series of revolutions in Europe which worked like a chain reaction. And then in 1848, on a much bigger scale—that was known as the year of revolutions."
In 1848, he explains, "Practically every country in Europe, except England of course . . . had a revolution and overthrew the government, at any rate for a time. So that is something which historically is well-attested and the same thing has happened here in the Middle East."
Here he injects a note of caution: "But I notice it's much more likely that a so-called dictatorship will be overthrown if it's not a real dictatorship. The one in Tunisia wasn't very much. Mubarak didn't run a real dictatorship [in Egypt]. Real dictatorships in that part of the world," such as Libya, are a different story.
As for Moammar Gadhafi, "We'll see if he goes or not. I think he's a real baddie, so we hope he will." The Syrian regime, he adds, "not so long ago in Hama . . . killed 33,000 people because they rose up." Then, "above all," there is Iran. "If we can get rid of that horrible regime in Iran," he says, "that will be a major triumph for the world."
Frank judgments like these are a hallmark of Mr. Johnson's work, delivered with almost child-like glee. Of Mahatma Gandhi, he wrote in "Modern Times": "About the Gandhi phenomenon there was always a strong aroma of twentieth-century humbug."
Socrates is much more to Mr. Johnson's liking. Whereas, in Mr. Johnson's telling, Gandhi led hundreds of thousands to death by stirring up civil unrest in India, all the while maintaining a pretense of nonviolence, Socrates "thought people mattered more than ideas. . . . He loved people, and his ideas came from people, and he thought ideas existed for the benefit of people," not the other way around.
In the popular imagination, Socrates may be the first deep thinker in Western civilization, but in Mr. Johnson's view he was also an anti-intellectual. Which is what makes him one of the good guys. "One of the categories of people I don't like much are intellectuals," Mr. Johnson says. "People say, 'Oh, you're an intellectual,' and I say, 'No!' What is an intellectual? An intellectual is somebody who thinks ideas are more important than people."
And indeed, Mr. Johnson's work and thought are characterized by concern for the human qualities of people. Cicero, he tells me, was not a man "one would have liked to have been friends with." But even so the Roman statesman is "often very well worth reading."
His concern with the human dimension of history is reflected as well in his attitude toward humor, the subject of another recent book, "Humorists." "The older I get," he tells me, "the more important I think it is to stress jokes." Which is another reason he loves America. "One of the great contributions that America has made to civilization," he deadpans, "is the one-liner." The one-liner, he says, was "invented, or at any rate brought to the forefront, by Benjamin Franklin." Mark Twain's were the "greatest of all."
And then there was Ronald Reagan. "Mr. Reagan had thousands of one-liners." Here a grin spreads across Mr. Johnson's face: "That's what made him a great president."
Jokes, he argues, were a vital communication tool for President Reagan "because he could illustrate points with them." Mr. Johnson adopts a remarkable vocal impression of America's 40th president and delivers an example: "You know, he said, 'I'm not too worried about the deficit. It's big enough to take care of itself.'" Recovering from his own laughter, he adds: "Of course, that's an excellent one-liner, but it's also a perfectly valid economic point." Then his expression grows serious again and he concludes: "You don't get that from Obama. He talks in paragraphs."
***
Mr. Johnson has written about the famous and notorious around the world and across centuries, but he's not above telling of his personal encounters with history. He is, he says, "one of a dwindling band of people who actually met" Winston Churchill.
"In 1946," he tells me, "he came up to my hometown because he was speaking at the Conservative Party conference up the road. And I managed to get in just as he was about to leave to make his speech. And I was 16. He seemed friendly, so I was inspired to say, 'Mr. Winston Churchill, sir, to what do you attribute your success in life?' And he said without any hesitation"—here Mr. Johnson drops his voice and puts on a passable Churchill impression—"'Conservation of energy. Never stand up when you can sit down. And never sit down when you can lie down,'" he relates with a laugh. "And I've never forgotten this," he says, "because as a matter of fact, it's perfectly good advice."
Here he adds the kicker: "Interestingly enough, Theodore Roosevelt, who had a lot in common with Winston Churchill in many ways, but was quite a bit older, said of him, 'Oh, that Winston Churchill, he is not a gentleman. He doesn't get to his feet when a lady enters the room.'"
Mr. Carney is editorial page editor of The Wall Street Journal Europe and the co-author of "Freedom, Inc." (Crown Business, 2009).
Pode ser um caminho mais rápido para a decadência.
A China, que no momento é um caso absolutamente extraordinário na história econômica mundial, configura um caso inédito de crescimento econômico inacreditável para os padrões conhecidos combinado a uma das mais férreas ditaduras do cenário político mundial (nisso não muito diferente de seus padrões históricos, diga-se de passagem).
Mas a China não vai crescer assim o tempo todo e não será uma ditadura o tempo todo. Pode ser que ela venha a se tornar o país mais inovador do mundo, no futuro, quando parar de copiar, inventar seus próprios produtos, e se pautar pela liberdade irrestrita de opinião e de organização, o que ainda não é o caso (mas pode ser, antes ainda do que imaginamos).
Os americanos precisam continuar trabalhando duro, e aperfeiçoar-se educacionalmente, pois podem ficar para trás.
Em todo caso, a entrevista de Paul Johnson é interessante, tirando sua opinião sobre a Sarah Palin, uma das políticas mais idiotas que já encontrei no cenário americano (a concorrência é dura, pois os políticos americanos costumam ser singularmente idiotas).
Gostei da receita de Churchill quanto ao sucesso: conservação de energia...
Bem, a maior parte do que vai abaixo é pura opinião, mas ainda assim é interessante.
Paulo Roberto de Almeida
THE WEEKEND INTERVIEW - Paul Johnson, historian
Why America Will Stay on Top
By BRIAN M. CARNEY
The Wall Street Journal, MARCH 5, 2011, page A13
London - In his best-selling history of the 20th century, "Modern Times," British historian Paul Johnson describes "a significant turning-point in American history: the first time the Great Republic, the richest nation on earth, came up against the limits of its financial resources." Until the 1960s, he writes in a chapter titled "America's Suicide Attempt," "public finance was run in all essentials on conventional lines"—that is to say, with budgets more or less in balance outside of exceptional circumstances.
"The big change in principle came under Kennedy," Mr. Johnson writes. "In the autumn of 1962 the Administration committed itself to a new and radical principle of creating budgetary deficits even when there was no economic emergency." Removing this constraint on government spending allowed Kennedy to introduce "a new concept of 'big government': the 'problem-eliminator.' Every area of human misery could be classified as a 'problem'; then the Federal government could be armed to 'eliminate' it."
Twenty-eight years after "Modern Times" first appeared, Mr. Johnson is perhaps the most eminent living British historian, and big government as problem-eliminator is back with a vengeance—along with trillion-dollar deficits as far as the eye can see. I visited the 82-year-old Mr. Johnson in his West London home this week to ask him whether America has once again set off down the path to self-destruction. Is he worried about America's future?
"Of course I worry about America," he says. "The whole world depends on America ultimately, particularly Britain. And also, I love America—a marvelous country. But in a sense I don't worry about America because I think America has such huge strengths—particularly its freedom of thought and expression—that it's going to survive as a top nation for the foreseeable future. And therefore take care of the world."
Pessimists, he points out, have been predicting America's decline "since the 18th century." But whenever things are looking bad, America "suddenly produces these wonderful things—like the tea party movement. That's cheered me up no end. Because it's done more for women in politics than anything else—all the feminists? Nuts! It's brought a lot of very clever and quite young women into mainstream politics and got them elected. A very good little movement, that. I like it." Then he deepens his voice for effect and adds: "And I like that lady—Sarah Palin. She's great. I like the cut of her jib."
The former governor of Alaska, he says, "is in the good tradition of America, which this awful political correctness business goes against." Plus: "She's got courage. That's very important in politics. You can have all the right ideas and the ability to express them. But if you haven't got guts, if you haven't got courage the way Margaret Thatcher had courage—and [Ronald] Reagan, come to think of it. Your last president had courage too—if you haven't got courage, all the other virtues are no good at all. It's the central virtue."
***
Mr. Johnson, decked out in a tweed jacket, green cardigan and velvet house slippers, speaks in full and lengthy paragraphs that manage to be at once well-formed and sprinkled with a healthy dose of free association. He has a full shock of white hair and a quick smile. He has, he allows, gone a bit deaf, but his mind remains sharp and he continues to write prolifically. His main concession to age, he says, is "I don't write huge books any more. I used to write 1,000 printed pages, but now I write short books. I did one on Napoleon, 50,000 words—enjoyed doing that. He was a baddie. I did one on Churchill, which was a bestseller in New York, I'm glad to say. 50,000 words. He was a goodie." He's also written short forthcoming biographies of Socrates (another "goodie") and Charles Darwin (an "interesting figure").
Mr. Johnson says he doesn't follow politics closely anymore, but he quickly warms to the subject of the Middle East. The rash of uprisings across the Arab world right now is "a very interesting phenomenon," he says.
"It's something that we knew all about in Europe in the 19th century. First of all we had the French Revolution and its repercussions in places like Germany and so on. Then, much like this current phenomenon, in 1830 we had a series of revolutions in Europe which worked like a chain reaction. And then in 1848, on a much bigger scale—that was known as the year of revolutions."
In 1848, he explains, "Practically every country in Europe, except England of course . . . had a revolution and overthrew the government, at any rate for a time. So that is something which historically is well-attested and the same thing has happened here in the Middle East."
Here he injects a note of caution: "But I notice it's much more likely that a so-called dictatorship will be overthrown if it's not a real dictatorship. The one in Tunisia wasn't very much. Mubarak didn't run a real dictatorship [in Egypt]. Real dictatorships in that part of the world," such as Libya, are a different story.
As for Moammar Gadhafi, "We'll see if he goes or not. I think he's a real baddie, so we hope he will." The Syrian regime, he adds, "not so long ago in Hama . . . killed 33,000 people because they rose up." Then, "above all," there is Iran. "If we can get rid of that horrible regime in Iran," he says, "that will be a major triumph for the world."
Frank judgments like these are a hallmark of Mr. Johnson's work, delivered with almost child-like glee. Of Mahatma Gandhi, he wrote in "Modern Times": "About the Gandhi phenomenon there was always a strong aroma of twentieth-century humbug."
Socrates is much more to Mr. Johnson's liking. Whereas, in Mr. Johnson's telling, Gandhi led hundreds of thousands to death by stirring up civil unrest in India, all the while maintaining a pretense of nonviolence, Socrates "thought people mattered more than ideas. . . . He loved people, and his ideas came from people, and he thought ideas existed for the benefit of people," not the other way around.
In the popular imagination, Socrates may be the first deep thinker in Western civilization, but in Mr. Johnson's view he was also an anti-intellectual. Which is what makes him one of the good guys. "One of the categories of people I don't like much are intellectuals," Mr. Johnson says. "People say, 'Oh, you're an intellectual,' and I say, 'No!' What is an intellectual? An intellectual is somebody who thinks ideas are more important than people."
And indeed, Mr. Johnson's work and thought are characterized by concern for the human qualities of people. Cicero, he tells me, was not a man "one would have liked to have been friends with." But even so the Roman statesman is "often very well worth reading."
His concern with the human dimension of history is reflected as well in his attitude toward humor, the subject of another recent book, "Humorists." "The older I get," he tells me, "the more important I think it is to stress jokes." Which is another reason he loves America. "One of the great contributions that America has made to civilization," he deadpans, "is the one-liner." The one-liner, he says, was "invented, or at any rate brought to the forefront, by Benjamin Franklin." Mark Twain's were the "greatest of all."
And then there was Ronald Reagan. "Mr. Reagan had thousands of one-liners." Here a grin spreads across Mr. Johnson's face: "That's what made him a great president."
Jokes, he argues, were a vital communication tool for President Reagan "because he could illustrate points with them." Mr. Johnson adopts a remarkable vocal impression of America's 40th president and delivers an example: "You know, he said, 'I'm not too worried about the deficit. It's big enough to take care of itself.'" Recovering from his own laughter, he adds: "Of course, that's an excellent one-liner, but it's also a perfectly valid economic point." Then his expression grows serious again and he concludes: "You don't get that from Obama. He talks in paragraphs."
***
Mr. Johnson has written about the famous and notorious around the world and across centuries, but he's not above telling of his personal encounters with history. He is, he says, "one of a dwindling band of people who actually met" Winston Churchill.
"In 1946," he tells me, "he came up to my hometown because he was speaking at the Conservative Party conference up the road. And I managed to get in just as he was about to leave to make his speech. And I was 16. He seemed friendly, so I was inspired to say, 'Mr. Winston Churchill, sir, to what do you attribute your success in life?' And he said without any hesitation"—here Mr. Johnson drops his voice and puts on a passable Churchill impression—"'Conservation of energy. Never stand up when you can sit down. And never sit down when you can lie down,'" he relates with a laugh. "And I've never forgotten this," he says, "because as a matter of fact, it's perfectly good advice."
Here he adds the kicker: "Interestingly enough, Theodore Roosevelt, who had a lot in common with Winston Churchill in many ways, but was quite a bit older, said of him, 'Oh, that Winston Churchill, he is not a gentleman. He doesn't get to his feet when a lady enters the room.'"
Mr. Carney is editorial page editor of The Wall Street Journal Europe and the co-author of "Freedom, Inc." (Crown Business, 2009).
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Novas formas da guerra: sabotagem informatica
O artigo abaixo apenas confirma o que já se sabia: israelenses e americanos fizeram um ataque direto ao programa nuclear iraniano, mas usando simplesmente um virus de computador programado para desorganizar o processo de enriquecimento de urânio nas centrais iranianas. Parece que foi tão eficiente quanto um ataque aéreo com mísseis...
Paulo Roberto de Almeida
US and Israel were behind Stuxnet claims researcher
BBC News Technology, 4 March 2011
Iran's Bushehr reactor is believed to have been on of the intended targets for Stuxnet.
Israel and the United States created the Stuxnet worm to sabotage Iran's nuclear programme, a leading security expert has claimed.
Ralph Langner told a conference in California that the malicious software was designed to cripple systems that could help build an Iranian bomb.
Mr Langner was one of the first researchers to show how Stuxnet could take control of industrial equipment.
It is widely believed that its target was machinery used to enrich uranium.
Speaking at the TED conference in Long Beach, California, Mr Langner said: "My opinion is that Mossad [Israel's intelligence agency] is involved."
However he speculated that Israel was not the main driver behind the creation of Stuxnet.
"There is only one leading source, and that is the United States," said Mr Langner.
In a recent report on Stuxnet, the security firm Symantec said that it would have taken a team of between five and 10 developers, six months to create the worm.
Mr Langner said that the project would have required "inside information", so detailed that "they probably knew the shoe size of the operator."
Stuxnet first came to light in July 2010. Nearly 60% of reported infections were inside Iran.
Damaging centrifuges
The worm targets industrial control systems, known as programmable logic controllers (PLCs), made by Siemens.
While PLCs are used to control a wide variety of automated systems, it is believed that it was those inside Iran's nuclear facilities that were the intended target.
Analysts who have examined the Stuxnet code say it could have been used to damage centrifuges which play a crucial role in the process of enriching uranium for both nuclear power and weapons.
The United States and Israel have led an international campaign to halt Iran's nuclear programme, however there is no hard evidence to link either country to the creation of Stuxnet.
Earlier in the week Iran's Interior Ministry denied that Stuxnet had been responsible for a shutdown at the country's Bushehr nuclear reactor.
A report by the International Atomic Energy Agency showed that Russian engineers working at the plant had removed 163 fuel rods.
Iranian sources said that the action was taken as a result of problems with the rods, rather than Stuxnet.
Paulo Roberto de Almeida
US and Israel were behind Stuxnet claims researcher
BBC News Technology, 4 March 2011
Iran's Bushehr reactor is believed to have been on of the intended targets for Stuxnet.
Israel and the United States created the Stuxnet worm to sabotage Iran's nuclear programme, a leading security expert has claimed.
Ralph Langner told a conference in California that the malicious software was designed to cripple systems that could help build an Iranian bomb.
Mr Langner was one of the first researchers to show how Stuxnet could take control of industrial equipment.
It is widely believed that its target was machinery used to enrich uranium.
Speaking at the TED conference in Long Beach, California, Mr Langner said: "My opinion is that Mossad [Israel's intelligence agency] is involved."
However he speculated that Israel was not the main driver behind the creation of Stuxnet.
"There is only one leading source, and that is the United States," said Mr Langner.
In a recent report on Stuxnet, the security firm Symantec said that it would have taken a team of between five and 10 developers, six months to create the worm.
Mr Langner said that the project would have required "inside information", so detailed that "they probably knew the shoe size of the operator."
Stuxnet first came to light in July 2010. Nearly 60% of reported infections were inside Iran.
Damaging centrifuges
The worm targets industrial control systems, known as programmable logic controllers (PLCs), made by Siemens.
While PLCs are used to control a wide variety of automated systems, it is believed that it was those inside Iran's nuclear facilities that were the intended target.
Analysts who have examined the Stuxnet code say it could have been used to damage centrifuges which play a crucial role in the process of enriching uranium for both nuclear power and weapons.
The United States and Israel have led an international campaign to halt Iran's nuclear programme, however there is no hard evidence to link either country to the creation of Stuxnet.
Earlier in the week Iran's Interior Ministry denied that Stuxnet had been responsible for a shutdown at the country's Bushehr nuclear reactor.
A report by the International Atomic Energy Agency showed that Russian engineers working at the plant had removed 163 fuel rods.
Iranian sources said that the action was taken as a result of problems with the rods, rather than Stuxnet.
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programa nuclear iraniano
Sun Tzu para diplomatas: uma estrategia diplomatica
Eu não disse a Arte da Guerra para diplomatas, e sim Sun Tzu para diplomatas, o que é muito diferente.
Meu mais recente trabalho publicado:
Formação de uma estratégia diplomática: relendo Sun Tzu para fins menos belicosos
Brasília, 5 março 2011, 8 p. Sun Tzu revisitado com o objetivo de traçar uma estratégia diplomática.
Espaço Acadêmico (ano 10, n. 118, março 2011, p. 155-161; ISSN: 1519-6186)
Relação de Originais n. 2251; Publicados n. 1023.
Meu mais recente trabalho publicado:
Formação de uma estratégia diplomática: relendo Sun Tzu para fins menos belicosos
Brasília, 5 março 2011, 8 p. Sun Tzu revisitado com o objetivo de traçar uma estratégia diplomática.
Espaço Acadêmico (ano 10, n. 118, março 2011, p. 155-161; ISSN: 1519-6186)
Relação de Originais n. 2251; Publicados n. 1023.
sábado, 5 de março de 2011
Carnaval: bloco Barao do Rio Branco (desfilando duas vezes)
Não, não é o próprio, infelizmente, e não sei se ele sabia sambar, mas o fato é que o Barão (o único, verdadeiro, impoluto) morreu pouco antes do Carnaval de 1912, o que levou o governo Hermes da Fonseca a decretar a postergação da festa para abril.
Crime de lesa povo! Para quê!?
Não adiantou nada. O povo festejou em fevereiro e em abril novamente.
Esse é o mote do livro de meu colega Luis Claudio Villafane Gomes Santos, O Dia em Que Adiaram o Carnaval, objeto desta simpática matéria no Globo de hoje.
Paulo Roberto de Almeida
O ano em que houve dois carnavais
Roberta Jansen
O Globo, 5 de março de 2011, página 28
Morte do Barão do Rio Branco fez governo adiar a festa, mas povo brincou duas vezes
É o sonho dos foliões mais animados; uma verdadeiro pesadelo para quem é avesso aos festejos: comemorar o carnaval duas vezes por ano. Por incrível que pareça, isso já aconteceu uma vez no Brasil, em 1912, por conta da morte do Barão do Rio Branco – tido como responsável pela consolidação do território nacional e, por isso, aclamado herói. A fascinante e bem pouco conhecida passagem foi resgatada pelo historiador e diplomata Luís Cláudio Villafañe G. Santos. No recém-lançado O Dia em que adiaram o carnaval – política externa e a construção do Brasil (Ed. Unesp), ele a utiliza como ponto de partida para discorrer sobre a construção da nacionalidade brasileira.
Não que o povo tenha ficado feliz com a morte do Barão. Longe disso. Ele realmente era muito admirado pela população. Sua morte, em 10 de fevereiro de 1912, a uma semana do início das comemorações do carnaval daquele ano, foi bastante lamentada. Como mostra Santos, em seu livro, o jornal “A República” não economizou na emotividade: “Nenhum brasileiro atingiu mais alto o culto da veneração popular. O Barão do Rio Branco era verdadeiramente um patrimônio nacional. A nação que o amou em vida, há de idolatrar-lhe reverentemente a sua memória”. A “Gazeta de Notícias” também não fez por menos, registrando, ao noticiar a morte, que “o país inteiro soluça”.
– Pela documentação que juntei, houve, de fato, uma reação muito forte da população – conta o historiador.
Como registra Santos, de forma espontânea, independentemente do luto oficial, o comércio fechou as portas, bem como os bancos e escritórios privados, além das repartições públicas. Os cinemas e os teatros não funcionaram naquele dia. E bailes e festas foram cancelados. Logo, o governo determinou que, em virtude do luto, as comemorações não começassem no dia 17 de fevereiro, conforme previsto no calendário, mas fossem transferidas para 6 de abril, em sinal de respeito.
Acre é anexado: nova vitória de Rio Branco
José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, era adorado pelo povo. Em 1902, quando retornou ao Brasil para assumir o Ministério das Relações Exteriores, ele foi aclamado nas ruas pela mesma população que, dez anos depois, chorava copiosamente sua morte.
– Ele já era um personagem bem popular quando voltou do exterior – atesta Santos.
– Uma multidão o esperava no porto, onde desembarcou, e acompanhou sua carruagem pelas ruas. Quando, num determinado ponto, os cavalos não puderam prosseguir, estudantes se ofereceram para puxá-la. Enfim, uma volta triunfante, extraordinária.
E não é para menos. O Barão, que na época ocupava o posto de Embaixador na Alemanha, tinha servido de advogado brasileiro em duas arbitragens internacionais cruciais à delimitação de nossas fronteiras: a de Palmas, em 1895, em que conseguiu assegurar para o Brasil boa parte do território dos estados de Santa Catarina e Paraná em litígio com a Argentina; e a do Amapá, em 1900, em que obteve uma vitória sobre a França na disputa da fronteira com a Guiana Francesa.
Foi justamente o prestígio obtido nesses dois casos que fez com que o então Presidente Rodrigues Alves escolhesse o Barão do Rio Branco – a quem sequer conhecia pessoalmente – para ocupar o posto máximo da diplomacia do país naquele ano de 1902, em que o governo se via às voltas com uma nova discussão sobre fronteiras, desta vez com a Bolívia, pelo então território do Acre. A despeito da oposição de nomes de grande peso da época, como os de Rui Barbosa e Pinheiro Machado, o Barão conseguiu aprovar o Tratado de Petrópolis, pelo qual o país anexava o Acre mediante pequenos territórios na fronteira com o Mato Grosso, uma indenização em dinheiro, e a ferrovia Madeira-Mamoré.
– Houve uma grande discussão no Congresso e na imprensa, e forte oposição ao tratado. Mesmo assim, ele acabou sendo aprovado, no que, até hoje, é considerada uma grande vitória do Rio Branco – afirma Santos. – Ou seja, o Barão, que já tinha retornado ao país com a popularidade em alta, obteve sucesso com a questão do Acre logo no seu primeiro ano, promovendo uma escalada de sua popularidade.
Por tudo isso, sustenta Santos, a tristeza gerada pela morte do Barão é bastante plausível.
– Os jornais todos da época registram uma grande comoção popular, com pessoas chorando nas ruas, cinemas fechados, um impacto grande – diz o historiar. – Dado o contexto, a reação me parece coerente.
Foi diante dessa situação que o governo do Marechal Hermes da Fonseca decidiu, então, adiar o Carnaval. Não funcionou. Os brasileiros acabaram festejando duas vezes. Uma, em fevereiro mesmo, a despeito do luto. Outra, de 6 a 10 de abril, seguindo as determinações governamentais. A irreverência prevaleceu, como atesta a letra da marchinha feita para o segundo Carnaval: “Com a morte do Barão/Tivemos dois carnavá/Ai que bom, ai que gostoso/Se morresse o marechá”, numa referência nada sutil à possível morte do presidente.
Carnaval remonta ao período colonial
E se a consolidação do território brasileiro, com a definição de suas fronteiras, foi crucial na construção de uma identidade nacional, como mostra Santos, o carnaval também o foi.
– O carnaval tem uma história que vem da Colônia, com o chamado entrudo, em que as pessoas jogavam água, farinha, xixi umas nas outras – conta Santos. – Com o fim do Império, ele começa a incorporar os batuques africanos; o Rei Congo, em que os negros representam suas realezas. Na virada do século XX, quando o Rio vive um período importante de modernização, começa também a importar aspectos do Carnaval europeu, do Rei Momo, do Pierrô e da Colombina. Então, esse momento da virada do século, é justamente o momento em que o carnaval começa a ganhar uma aceitação social mais ampla.
E é também na virada do século, mais precisamente em 1896, que o futebol entra no país. Junto com a noção de territorialidade, dois importantes símbolos nacionais.
– Ou seja, dois dos mais fortes simbolo nacionais são bem recentes – afirma Santos. – Símbolos da identidade que parecem eternos e muito antigos, na verdade, não o são. É o mesmo caso da extroversão e alegria do brasileiro que é bem recente.
Mas, como frisa o pesquisador, não se tratam, necessariamente, de noções construídas pelo Estado.
– O Estado tem um papel importante, mas ninguém controla a construção da identidade – diz o diplomata. – Há uma circularidade das ideias. As massas, as classes subalternas trabalham as ideias. O produtos final, ninguém controla. Não há exatamente uma pessoa conduzindo o processo.
Crime de lesa povo! Para quê!?
Não adiantou nada. O povo festejou em fevereiro e em abril novamente.
Esse é o mote do livro de meu colega Luis Claudio Villafane Gomes Santos, O Dia em Que Adiaram o Carnaval, objeto desta simpática matéria no Globo de hoje.
Paulo Roberto de Almeida
O ano em que houve dois carnavais
Roberta Jansen
O Globo, 5 de março de 2011, página 28
Morte do Barão do Rio Branco fez governo adiar a festa, mas povo brincou duas vezes
É o sonho dos foliões mais animados; uma verdadeiro pesadelo para quem é avesso aos festejos: comemorar o carnaval duas vezes por ano. Por incrível que pareça, isso já aconteceu uma vez no Brasil, em 1912, por conta da morte do Barão do Rio Branco – tido como responsável pela consolidação do território nacional e, por isso, aclamado herói. A fascinante e bem pouco conhecida passagem foi resgatada pelo historiador e diplomata Luís Cláudio Villafañe G. Santos. No recém-lançado O Dia em que adiaram o carnaval – política externa e a construção do Brasil (Ed. Unesp), ele a utiliza como ponto de partida para discorrer sobre a construção da nacionalidade brasileira.
Não que o povo tenha ficado feliz com a morte do Barão. Longe disso. Ele realmente era muito admirado pela população. Sua morte, em 10 de fevereiro de 1912, a uma semana do início das comemorações do carnaval daquele ano, foi bastante lamentada. Como mostra Santos, em seu livro, o jornal “A República” não economizou na emotividade: “Nenhum brasileiro atingiu mais alto o culto da veneração popular. O Barão do Rio Branco era verdadeiramente um patrimônio nacional. A nação que o amou em vida, há de idolatrar-lhe reverentemente a sua memória”. A “Gazeta de Notícias” também não fez por menos, registrando, ao noticiar a morte, que “o país inteiro soluça”.
– Pela documentação que juntei, houve, de fato, uma reação muito forte da população – conta o historiador.
Como registra Santos, de forma espontânea, independentemente do luto oficial, o comércio fechou as portas, bem como os bancos e escritórios privados, além das repartições públicas. Os cinemas e os teatros não funcionaram naquele dia. E bailes e festas foram cancelados. Logo, o governo determinou que, em virtude do luto, as comemorações não começassem no dia 17 de fevereiro, conforme previsto no calendário, mas fossem transferidas para 6 de abril, em sinal de respeito.
Acre é anexado: nova vitória de Rio Branco
José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, era adorado pelo povo. Em 1902, quando retornou ao Brasil para assumir o Ministério das Relações Exteriores, ele foi aclamado nas ruas pela mesma população que, dez anos depois, chorava copiosamente sua morte.
– Ele já era um personagem bem popular quando voltou do exterior – atesta Santos.
– Uma multidão o esperava no porto, onde desembarcou, e acompanhou sua carruagem pelas ruas. Quando, num determinado ponto, os cavalos não puderam prosseguir, estudantes se ofereceram para puxá-la. Enfim, uma volta triunfante, extraordinária.
E não é para menos. O Barão, que na época ocupava o posto de Embaixador na Alemanha, tinha servido de advogado brasileiro em duas arbitragens internacionais cruciais à delimitação de nossas fronteiras: a de Palmas, em 1895, em que conseguiu assegurar para o Brasil boa parte do território dos estados de Santa Catarina e Paraná em litígio com a Argentina; e a do Amapá, em 1900, em que obteve uma vitória sobre a França na disputa da fronteira com a Guiana Francesa.
Foi justamente o prestígio obtido nesses dois casos que fez com que o então Presidente Rodrigues Alves escolhesse o Barão do Rio Branco – a quem sequer conhecia pessoalmente – para ocupar o posto máximo da diplomacia do país naquele ano de 1902, em que o governo se via às voltas com uma nova discussão sobre fronteiras, desta vez com a Bolívia, pelo então território do Acre. A despeito da oposição de nomes de grande peso da época, como os de Rui Barbosa e Pinheiro Machado, o Barão conseguiu aprovar o Tratado de Petrópolis, pelo qual o país anexava o Acre mediante pequenos territórios na fronteira com o Mato Grosso, uma indenização em dinheiro, e a ferrovia Madeira-Mamoré.
– Houve uma grande discussão no Congresso e na imprensa, e forte oposição ao tratado. Mesmo assim, ele acabou sendo aprovado, no que, até hoje, é considerada uma grande vitória do Rio Branco – afirma Santos. – Ou seja, o Barão, que já tinha retornado ao país com a popularidade em alta, obteve sucesso com a questão do Acre logo no seu primeiro ano, promovendo uma escalada de sua popularidade.
Por tudo isso, sustenta Santos, a tristeza gerada pela morte do Barão é bastante plausível.
– Os jornais todos da época registram uma grande comoção popular, com pessoas chorando nas ruas, cinemas fechados, um impacto grande – diz o historiar. – Dado o contexto, a reação me parece coerente.
Foi diante dessa situação que o governo do Marechal Hermes da Fonseca decidiu, então, adiar o Carnaval. Não funcionou. Os brasileiros acabaram festejando duas vezes. Uma, em fevereiro mesmo, a despeito do luto. Outra, de 6 a 10 de abril, seguindo as determinações governamentais. A irreverência prevaleceu, como atesta a letra da marchinha feita para o segundo Carnaval: “Com a morte do Barão/Tivemos dois carnavá/Ai que bom, ai que gostoso/Se morresse o marechá”, numa referência nada sutil à possível morte do presidente.
Carnaval remonta ao período colonial
E se a consolidação do território brasileiro, com a definição de suas fronteiras, foi crucial na construção de uma identidade nacional, como mostra Santos, o carnaval também o foi.
– O carnaval tem uma história que vem da Colônia, com o chamado entrudo, em que as pessoas jogavam água, farinha, xixi umas nas outras – conta Santos. – Com o fim do Império, ele começa a incorporar os batuques africanos; o Rei Congo, em que os negros representam suas realezas. Na virada do século XX, quando o Rio vive um período importante de modernização, começa também a importar aspectos do Carnaval europeu, do Rei Momo, do Pierrô e da Colombina. Então, esse momento da virada do século, é justamente o momento em que o carnaval começa a ganhar uma aceitação social mais ampla.
E é também na virada do século, mais precisamente em 1896, que o futebol entra no país. Junto com a noção de territorialidade, dois importantes símbolos nacionais.
– Ou seja, dois dos mais fortes simbolo nacionais são bem recentes – afirma Santos. – Símbolos da identidade que parecem eternos e muito antigos, na verdade, não o são. É o mesmo caso da extroversão e alegria do brasileiro que é bem recente.
Mas, como frisa o pesquisador, não se tratam, necessariamente, de noções construídas pelo Estado.
– O Estado tem um papel importante, mas ninguém controla a construção da identidade – diz o diplomata. – Há uma circularidade das ideias. As massas, as classes subalternas trabalham as ideias. O produtos final, ninguém controla. Não há exatamente uma pessoa conduzindo o processo.
Por falar em crescimento: impossivel com nossa taxa de investimento
Investimento no Brasil é o terceiro menor entre 20 países emergentes
Érica Fraga
Folha de S.Paulo, 04/03/2011
A taxa de investimento brasileira está entre as mais baixas do mundo emergente e, segundo pesquisa recente do Banco Central com analistas, permanece muito aquém do necessário para garantir crescimento de 5,5% ao ano. Depois de crescer a um ritmo recorde de 21,8% em 2010 (apesar de forte desaceleração no último trimestre), investimentos em máquinas e instalações produtivas atingiram o equivalente a 18,4% do PIB. Essa taxa de investimento representa recuperação em relação aos 16,9% de 2009, mas seguiu abaixo do nível pré-crise, de 19,1% em 2008.
Entre um grupo de 20 países considerados emergentes pela Bolsa eletrônica S&P, o Brasil está entre os três que menos investem (na frente apenas de Egito e Filipinas). De acordo com Robert Wood, analista de Brasil da consultoria EIU (Economist Intelligence Unit), na América Latina, países como Peru, Chile e Colômbia têm conseguido aumentar suas taxas de investimento para níveis próximos a 25% do PIB. Já China e Índia atingiram taxas de investimento próximas de 47% e 32% do PIB, respectivamente, em 2010.
A taxa de investimento do Brasil -baixa em comparação com a de seus pares- limita a capacidade de expansão econômica do país. O BC fez um levantamento recente com analistas do mercado financeiro em que perguntou que taxa de investimento seria “condizente com um crescimento potencial de 5,5%”. Em média, a resposta foi 24%, quase seis pontos percentuais acima do patamar atual.
Érica Fraga
Folha de S.Paulo, 04/03/2011
A taxa de investimento brasileira está entre as mais baixas do mundo emergente e, segundo pesquisa recente do Banco Central com analistas, permanece muito aquém do necessário para garantir crescimento de 5,5% ao ano. Depois de crescer a um ritmo recorde de 21,8% em 2010 (apesar de forte desaceleração no último trimestre), investimentos em máquinas e instalações produtivas atingiram o equivalente a 18,4% do PIB. Essa taxa de investimento representa recuperação em relação aos 16,9% de 2009, mas seguiu abaixo do nível pré-crise, de 19,1% em 2008.
Entre um grupo de 20 países considerados emergentes pela Bolsa eletrônica S&P, o Brasil está entre os três que menos investem (na frente apenas de Egito e Filipinas). De acordo com Robert Wood, analista de Brasil da consultoria EIU (Economist Intelligence Unit), na América Latina, países como Peru, Chile e Colômbia têm conseguido aumentar suas taxas de investimento para níveis próximos a 25% do PIB. Já China e Índia atingiram taxas de investimento próximas de 47% e 32% do PIB, respectivamente, em 2010.
A taxa de investimento do Brasil -baixa em comparação com a de seus pares- limita a capacidade de expansão econômica do país. O BC fez um levantamento recente com analistas do mercado financeiro em que perguntou que taxa de investimento seria “condizente com um crescimento potencial de 5,5%”. Em média, a resposta foi 24%, quase seis pontos percentuais acima do patamar atual.
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