quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os retratos (sinceros) do diplomata - Adriano Pucci

Um colega de carreira, aliás grande escritor, excelente contista, acaba de revelar-me também suas excelentes qualidades de psicólogo, fotógrafo, autoretratista, tudo com uma sinceridade acachapante, como diriam alguns...
Adriano Pucci

Todo politico um ladrao? Nao sou eu quem digo...

É o Washington Post.
Mas no caso deles, são só uns poucos....


Sixteen members of Congress have directed federal tax dollars to companies, colleges and community groups where their relatives work as salaried employees, lobbyists or board members, according to an examination of federal disclosure forms and local public records by The Washington Post.

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A Grande Estrategia do Brasil: uai!, existe uma? Não sabia...

Este texto meu, escrito sem grandes pretensões e sobretudo sem qualquer preparação, parece que despertou o interesse de muitos, pelo que vi no registro dos posts mais acessados.
Vai ver são os arapongas da CIA e daquela coisa que sucedeu o KGB (sem na verdade substituí-lo) que são dirigidos ao meu blog por poderosíssimos instrumentos de busca, que mapeiam e detectam tudo o que existe de relevante, perigoso, hum... estratégico, no mundo, e que acabam caindo num blog modesto, e num post mais modesto ainda, que visava apenas o meu divertimento pessoal, sem qualquer grande pretensão acadêmica, científica, estratégica, justamente.

Calma, calma, pessoal, eu não queria assustar ninguém, nem atrair indevidamente a atenção de tão formidáveis instrumentos e agências de inteligência (supondo-se que exista alguma atrás dos Googles desses arapongas das grandes potências), eu só estava tentando colocar em ordem meu cérebro confuso, e não queria atrair a atenção de vocês indevidamente. Por favor, não vasculhem minhas contas bancárias na Suíça, minha correspondência doméstica, meus recados de compras, e meus deveres não terminados. Prometo não postar mais nada com títulos tão grandiloquentes assim e doravante só vou dar receita de bolo, sem essas de ficar invocando a geopolítica, a mudança do poder mundial, a alteração do eixo das relações de força no mundo, o combate ao imperialismo e essas coisas que só os companheiros são capazes de fazer...
Eu sou só um brincalhão...
Em todo caso, posto novamente aqui o post indigitado para não dar mais trabalho de busca aos interessados.
Prometo que ainda escrevo algo sério em torno disso...
O que vai abaixo é de quase um ano atrás, jour par jour...
Paulo Roberto de Almeida

Reflexões ao Léu, 6: A Grande Estratégia do Brasil - Paulo Roberto de Almeida

Reflexões ao Léu, 6: A Grande Estratégia do Brasil
Paulo Roberto de Almeida

O Brasil possui uma estratégia, grande ou pequena? Talvez, embora nem sempre se perceba. Os militares talvez tenham pensado em alguma, e ela sempre envolve grandes meios, para defender as grandes causas: a soberania, a integridade territorial, a preservação da paz e da segurança no território nacional e no seu entorno imediato. Enfim, todas aquelas coisas que motivam os militares. Os diplomatas, também, talvez tenham escrito algo em torno disso, e ela sempre envolve o desenvolvimento nacional num ambiente de paz e cooperação com os vizinhos e parceiros da sociedade internacional, no pleno respeito dos compromissos internacionais e da defesa dos princípios e valores constitucionais, que por acaso se coadunam com a Carta da ONU. Mas eles também acham que está na hora de “democratizar” o sistema internacional, que ainda preserva traços do imediato pós-Segunda Guerra, ampliando o Conselho de Segurança da ONU, reformando as principais organizações econômicas multilaterais e ampliando as possibilidades de participação dos países em desenvolvimento nas instâncias decisórias mundiais; enfim, todo aquele discurso que vocês conhecem bem.
Tudo isso é sabido, e repassado a cada vez, nas conferências nacionais de estudos estratégicos, em grandes encontros diplomáticos, nos discursos protocolares dos líderes nacionais. Até parece que possuímos de fato uma grande estratégia, embora nem sempre isso seja percebido por todos os atores que dela participam, consciente ou inconscientemente. Aparentemente, ela seria feita dos seguintes elementos: manutenção de um ambiente de paz e cooperação no continente sul-americano e seu ambiente adjacente, num quadro de desenvolvimento econômico e social com oportunidades equivalentes para todos os vizinhos, visando a construção de um grande espaço econômico integrado, de coordenação e cooperação política, num ambiente democrático, engajado coletivamente na defesa dos direitos humanos e na promoção da prosperidade conjunta dos povos que ocupam esse espaço.
Muito bem, mas esses são objetivos genéricos, até meritórios e desejáveis, que precisam ser implementados de alguma forma, ou seja, promovidos por meio de iniciativas e medidas ativas, o que envolve inclusive a remoção dos obstáculos que se opõem à consecução desses grandes objetivos. É aqui que entra, de verdade, a grande estratégia, quando se tem de adequar os meios aos objetivos, não simplesmente na definição de metas genéricas. A estratégia é que permite se dizer como, e sob quais condições, o povo do país e suas lideranças vão mobilizar os recursos disponíveis, as ferramentas adequadas e os fatores contingentes – dos quais, os mais importantes são os agentes humanos – por meio dos quais será possível alcançar os grandes objetivos e afastar as ameaças que se lhes antepõem. Uma verdadeira estratégia diz o que deve ser feito, na parte ativa, e também, de maneira não simplesmente reativa, como devemos agir para que forças contrárias dificultem o atingimento das metas nacionais.

Nesse sentido, se o grande objetivo brasileiro – que integra nesta concepção sua “grande estratégia” – é a consolidação de um espaço econômico democrático e de cooperação econômica no continente, devemos reconhecer que avançamos muito pouco nos últimos anos. A despeito da retórica governamental, não se pode dizer, atualmente, que a integração e a democracia progrediram tremendamente na última década. Ao contrário, olhando objetivamente, esses dois componentes até recuaram em várias partes, e não se sabe bem o que o Brasil fez para promovê-los ativamente. O presidente anterior foi visto abraçado com vários ditadores ou candidatos a tal, esqueceu-se de defender a liberdade de expressão, os valores democráticos e os direitos humanos onde eles foram, e continuam sendo, mais ameaçados, quando não vêm sendo extirpados ou já desapareceram por completo. A integração que realmente conta, a econômica e comercial, cedeu espaço a uma ilusória integração política e social que até pode ter rendido muitas viagens de burocratas e políticos, mas não parece ter ampliado mercados e consolidado a abertura econômica recíproca.

Desse ponto de vista, o Brasil parece ter falhado em sua grande estratégia, se é verdade que ele realmente possui uma. Se não possui, está na hora de pensar em elaborar a sua. Passada a retórica grandiloquente – contra-produtiva, aliás – da liderança e da união exclusiva e excludente, contra supostas ameaças imperiais, pode-se passar a trabalhar realisticamente na implementação da grande estratégia delineada sumariamente linhas acima. A julgar pelos primeiros passos, parece que começamos a retificar equívocos do passado recente e a enveredar por um caminho mais adequado e mais conforme as nossas velhas tradições diplomáticas.

Brasília, 9 de fevereiro de 2011

Frio pra cachorro; un froid de canard...

Os franceses dizem que está "um frio de pato", un froid de canard (sic três vezes).
Não sei por que, pois os patos vivem bem onde estão, até quando vem o frio, e eles emigram para plagas mais quentes, voando em formação de esquadrilha, ao que parece.
Talvez seja por isso mesmo,  justamente...

Bem, não encontrei nenhum pato emigrando, ou alguma foto de pato vestido.
Como dizemos que está "frio prá cachorro", aqui vai a foto de um devidamente preparado.
Embora eu ache que o seu dono deveria ter tido o cuidado de providenciar um abrigo completo, protegendo também as patas posteriores, deixando devidamente de fora os instrumentos usuais...
Paulo Roberto de Almeida

Conselhos aos governantes: por que nao confiar nos arapongas da Casa?

Eu fico estarrecido ao constatar como os companheiros se deixam enredar nas patifarias dos outros (se já não bastassem as próprias...).
Por que não solicitar aos arapongas que estão aí sem fazer quase nada -- jogando xadrez e gamão nas horas de trabalho, que não hão de ser muitas -- fazer uma pequena verificação na ficha policial e criminosa do candidato a ministro?
Isso evitaria alguns constrangimentos, não é mesmo?
Essa coisa de ficar respondendo à imprensa, de ter dizer que confia absolutamente no transgressor da vez, que seu passado é impoluto, que tudo é invenção dos inimigos, que a imprensa é maldosa, etc., que coisa mais chata tudo isso.
Por que não telefonar ali mesmo, quatro número de ramal, e pedir (dar uma ordem, seria o termo mais exato) ao pessoal da bisbilhotagem, mais ou menos assim:

-- Olha aí, pessoal, dá uma olhada na ficha desse último candidato a qualquer coisa -- o que é mesmo?, para onde ele vai?, onde fica isso? -- para ver se esse gajo também não está mais enrolado do que caracol. Façam um pente fino, pois não estou a fim de ficar defendendo o oitavo ou nono meliante que esses partidecos safados da minha base me apresentam. E olha que eu ainda tenho dois ou três balançando. Isso por que vocês não se anteciparam ao anúncio. O que vocês ficam fazendo, afinal?: jogando gamão?

Pois é, esses cuidados preliminares evitariam muitos dissabores.
De nada, de nada, meus conselhos aos governantes são sempre de graça...
Paulo Roberto de Almeida



Ministro das Cidades assume o cargo sendo alvo da imprensa

Na manhã desta segunda-feira, 6, foi realizada a cerimônia de posse de Aguinaldo Ribeiro (PP) como ministro das Cidades. Porém, desde o primeiro dia em que assumiu a pasta, o político é alvo de denúncias na imprensa. Em reportagens, veículos levantam a possibilidade do escolhido para o ministério durar pouco tempo no cargo.

“Aguinaldo Ribeiro assume cargo na corda bamba”, foi o título da matéria assinada por Luciana Marques e publicada na tarde de segunda pela Veja.com. No decorrer do texto, o site informa que o novo ministro é acusado de destinar emendas para Campina Grande (PB), cidade em que sua irmã, a deputada estadual Daniella Ribeiro, também do Partido Progressista, é pré-candidata à prefeitura.

A matéria da Veja.com ressalta que a oposição vai cobrar que Ribeiro preste esclarecimentos sobre as denúncias em que está envolvido. Além disso, o site da Editora Abril cita que o ministro das Cidades responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF); um referente a emissão de cheque sem fundo e outro a respeito do convênio firmado pela Secretaria de Agricultura da Paraíba.

Seguindo a mesma conduta do veículo da Abril, outros sites repercutiram as denúncias que envolvem o novo ministro das Cidades. Estadão (primeiro a noticiar a questão das emendas repassadas para Campina Grande), Folha de São Paulo, IG, Portal Terra, O Globo e G1 estão entre outros veículos de comunicação, deram destaque ao suposto envolvimento de Ribeiro em irregularidades. O UOL relembrou as quedas dos ministros durante o ano de 2011 e a saída de Mário Negromonte (PP) da pasta das Cidades, já este ano.

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Aguinaldo Ribeiro é o novo ministro das Cidades. (Imagem: José Cruz/Agência Brasil) 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A vida de bailarina nao parece ser uma dança; o contrario, alias...

Acho que é um pouco mais difícil do que a vida de diplomata: nós, por exemplo, podemos passar a vida comendo, bebendo, praticando vários hábitos bons e maus, sem que alguém venha nos dizer que devemos emagrecer do contrário estaríamos fora da carreira. Basta fazer novos ternos, por exemplo, ou vestidos mais largos, segundo os casos.
Em todo caso, também dançamos, mas nosso minueto é outro...
Paulo Roberto de Almeida 

Huffington Post, 7/02/2012
Last December, Italian ballerina Mariafrancesca Garritano gave the British paper The Observer enough incendiary quotes about the eating habits at her prestigious ballet company to supply content for all the dailies in England, and in the process, get herself fired this past weekend. Garritano, who'd just written a book called "The Truth, Please, About Ballet," told the Observer reporter stories of fellow ballerinas who'd been rushed to the hospital to get food injected into their systems. She said she'd been teased with the names "Chinese dumpling" and "Mozzarella" by her instructors when she was a teenager, that she'd lost her period for a year between the ages of 16 to 17 when she dropped to just under 95 pounds, and blamed her current bouts of intestinal pain and bone fractures on the dieting that got her there. Garritano, now in her mid-30s, gave a count: seven in ten dancers at the La Scala Academy in Milan have had their menstrual cycles stop, one in five have anorexia, and many of her colleagues are now physically unable to have children.

A Privataria Petista: incompetente, como sempre foram os companheiros...

Quantas voltas o mundo dá.
Nos anos 1980, o eterno presidente Sarney disse que era contra a privatização do sistema telefônico porque a telefonia era "estratégica" para o país, confundindo telefones com arroz e feijão, ou com escola decente para todas as crianças.
Nos anos 1990, os petistas chutavam -- literalmente, com coices, sim -- os participantes de leilões de privatização, porque eram contra a privataria tucana.
Nos anos 2000, amargamos o caos aéreo, porque os companheiros eram contra a privatização dos aeroportos.
Agora, em 2012, enfrentamos as privatizações incompetentes dos companheiros porque são incompetentes também para administrar aeroportos (além de toda a roubalheira, claro).
Gostaria de ver a cara de um desses companheiros que me afrontavam com o epíteto de ser neoliberal porque eu defendia as liberalizações desde os anos 1980, contra Sarney, o PT, a CUT e os idiotas estatizantes.
Eles são exatamente o quê, agora?
Simplesmente idiotas?
Paulo Roberto de Almeida 


Reinaldo Azevedo, 7/02/2012

Eu sou a favor de privatização até de escolinha de jardim da infância, desde que bem-feita. Dilma Rousseff não só é uma notória, como chamar?, retardadora de parcerias com a iniciativa privada como tem em sua carreira um estrondoso insucesso. O seu genial “modelo” de privatização de estradas federais, que levou Elio Gaspari a flertar com a poesia épica, deu com os burros nos buracos. Escrevi bastante a respeito já. Há muita coisa em arquivo. O resumo é este: antes, o usuário enfrentava buracos sem pagar pedágio; agora, enfrenta-os pagando. Bem baratinho!
O setor de aeroportos estava sob o controle de Dilma quando era chefe da Casa Civil. O caos se instalou, e nada de a privatização sair. Saiu. Mas de um jeito, de novo, meio esquisito. Vamos ver. Eu não sou especialista em privatizações, economista, financista ou o que seja. Sou apenas alguém que cuida de alguns aspectos lógicos dos processos. E costumo flagrar algumas incongruências, não devidamente respondidas pelos especialistas. Antes que entre no mérito, uma nota de ironia.
Que coisa, não? Uma das críticas que os petistas, especialmente a sua facção petralha, faziam às privatizações do governo FHC era o financiamento do BNDES. “Então o próprio estado brasileiro vai financiar o capital estrangeiro?”, indagavam, com aquela inteligência peculiar, esquecendo-se que um dos papéis de um banco de fomento é mesmo esse — desde que seja devidamente remunerado. Transformaram a participação do BNDES nas privatizações um crime, o que ajudou a compor a mitologia vigarista da dita “privataria”. Agora, vemos o organismo a financiar nada menos de 80% da operação. Ah, desta vez, estamos diante de uma autêntica obra-prima.
A Folha traz um pequeno e preciso texto na edição desta terça. Leiam. Volto em seguida.
*
Pesos-pesados da administração de aeroportos globais, como os de Cingapura, Frankfurt e Zurique, foram derrotados ontem no leilão dos aeroportos brasileiros de Cumbica, Viracopos e Brasília. Quem levou foram operadores da África e da América Latina, que não administram nenhum dos 30 maiores aeroportos do mundo. Os três grupos vencedores pagarão R$ 24,5 bilhões pela concessão, 347% mais que o lance mínimo. O BNDES financia 80% desse investimento. As concessões serão de 20 anos (Cumbica), 25 anos (Brasília) e 30 anos (Viracopos). A estatal Infraero manterá participação de 49%. Os consórcios são obrigados a manter um investimento mínimo (e mais concentrado) até a Copa-14. A Anac (Agência Nacional de Avião Civil) disse que controlará o reajuste das tarifas.
Os vencedores de Cumbica foram o consórcio formado por 90% da Invepar (sociedade entre a construtora OAS e fundos de pensão Previ, Funcef e Petros) e 10% da sul-africana Acsa. “O fato de ser um país emergente não diminui ninguém porque, senão, teríamos de ter o complexo de vira-lata eterno. Não temos vergonha de ser emergentes”, afirmou o ministro da Aviação Civil, Wagner Bittencourt. “São atores perfeitamente possíveis de ganhar e ganharam. Pena que os outros não tenham tido tanta ambição.” O maior aeroporto brasileiro, em Guarulhos, com 30 milhões de passageiros/ano, terá como operadora a Acsa, que trabalha, há quase dez anos, com nove unidades da África do Sul, entre elas a de Johannesburgo e a da Cidade do Cabo. Juntas, recebem 35 milhões de passageiros/ano.
Embora o aeroporto de Johannesburgo seja elogiado pela beleza, o país não primou pela excelência na Copa-10. Jatos executivos lotaram os pátios e voos comerciais tiveram de ser desviados. Houve caso de aviões vindos da Europa que tiveram de retornar em pleno voo. Viracopos, em Campinas, será operado pela Egis, consultoria francesa que administra 11 aeroportos na África (Argélia, Congo, Gabão) e na Polinésia, além do terceiro aeroporto de Paris, o Beauvais, a 55 km da capital francesa. Juntos, têm 13 milhões de passageiros ao ano (menos que Congonhas, que recebe 16,7 milhões). A Egis tem 10% do consórcio, em sociedade com a Triunfo (45%) e a UTC (45%).
Vencedores do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, em Natal, o consórcio formado pela Infravix (construtora Engevix) e pelo operador aeroportuário argentino Corporación América, foi o mais agressivo no leilão, levando Brasília com 675% de ágio.  Com 40 aeroportos na América do Sul e na Armênia, dos quais 33 na Argentina, a empresa tem uma história conturbada em seu país. Venceu o leilão de privatização nos anos 90 pagando ágio elevadíssimo, mas não conseguiu honrar contratos. Com dívidas de US$ 600 milhões e atrasos no cronograma de investimentos, o grupo conseguiu, em 2007, renegociar o contrato, trocando a dívida por uma participação de 20% do Estado. Com a “reestatização”, deixou de pagar a outorga em troca de um porcentual das receitas para o governo.
Voltei
Como se vê, ninguém tem experiência compatível com o desafio. Vai dar certo? Tomara! Ou estamos lascados. Gigantes não costumam abrir mão de bons negócios, assim, por nada.  Essa conversa do ministro sobre “vira-lata” é só bobagem retórica para tentar transformar inexperiência num elemento de exultação.
O “modelo tucano”, como diriam os petistas, também contemplava a participação dos fundos de pensão (todos dominados pelo PT, note-se) e o financiamento do BNDES. Mas não tinha o governo como sócio — como terá o modelo Dilma, por intermédio da incompetente Infraero. A estatal publica em seu site um longo questionário com perguntas e respostas. Uma delas é esta:
Como fica a situação dos funcionários da Infraero que trabalham nos aeroportos concedidos, eles serão demitidos?
Não. Os empregados não serão demitidos. Aqueles que não quiserem trabalhar nas concessionárias, a seu critério, poderão continuar na Infraero. O governo e os sindicatos estão negociando uma ampla rede de benefícios e garantias aos trabalhadores da empresa de modo que o processo seja vantajoso para todos.
Huuummm… Se a nova administradora do aeroporto não quiser trabalhar com o funcionário “x”, ele fica na Infraero, certo? Mas fazendo exatamente o quê? Nesse caso, quem paga o seu salário? Não será certamente a nova empresa formada pelos investidores e pela estatal. Eu estou enganado, ou, no modelo de privatização do PT, a Infraero, na prática, ficou com todo o passivo trabalhista?
A manutenção de 49% das ações nas mãos da estatal é só o PT acendendo uma vela para o atraso, para marcar a diferença — para pior — na comparação com os tucanos. É claro que as empresas que venceram a disputa poderiam ter oferecido muito mais se soubessem que ficariam com 100% dos rendimentos — não apenas com 51%. De todo modo, notem que o “modelo tucano” não entrega a empresas privadas a administração de um patrimônio público, que é o que vai acontecer no “modelo petista”. Afinal, aqueles 49% que pertencem à Infraero estarão sob gestão privada. Eu dou graças aos céus por isso, confesso. Mas e as esquerdas sempre tão zelosas?
Fim de uma vigarice histórica
O PT venceu três eleições fazendo terrorismo com as privatizações. Em 2002, conseguiu convencer amplas camadas do eleitorado de que as formidavelmente bem-sucedidas privatizações da Telebras e da Vale eram um mal para o país. Em 2006 e 2010, acusou seus adversários de quererem privatizar a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Era só terrorismo eleitoral.
Agora, dado o desastre em que se encontra a infraestrutura aeroportuária brasileira, o partido não teve saída e resolveu fazer o óbvio, chegando aonde estavam os adversários que tanto demonizaram, só que com quase 15 anos de atraso. Não obstante, alguns franjas verdadeiramente criminosas do governismo ainda insistem em criar, ora vejam!, a “CPI da Privataria”… É patético!
A privatização dos aeroportos, que é bem-vinda, também é a evidência de uma fraude: a do discurso petista. Vamos torcer para que os aspectos deletérios da operação, como essa Infraero no meio da pista, não comprometam a sua eficiência. Porque seremos nós, como sempre, a pagar o pato.

Venezuela: o inicio do comeco dos preparativos para tentar mudar a situacao

Acho que a oposição ao coronel ainda tem um longo caminho a percorrer, mas parece estar no caminho certo: unificar as forças, definir o melhor candidato nas prévias -- o que não significa que seja o melhor absolutamente, apenas o que obtiver maiores apoios momentâneos -- e depois aguentar o peso das patifarias oficiais contra o candidato formal.



OPOSIÇÃO VENEZUELANA REALIZA PRIMÁRIAS NO DOMINGO (12)!
El Nacional, 06/02/2012 

A oposição desencadeou uma ambiciosa operação para finalizar a renovação de toda a sua liderança, nacional e regional. O objetivo é construir uma proposta alternativa capaz de abrir um novo ciclo político na Venezuela. No próximo domingo à noite, os venezuelanos conhecerão o nome da pessoa que será o candidato a presidente da oposição e que vai comandar a dura batalha para frear a pretensão de Hugo Chávez de realizar sua reeleição pela terceira vez consecutiva e completar 20 anos no exercício do poder.
            
Em 12 de fevereiro se encerra um período muito produtivo de liderança coletiva, que começou em janeiro de 2008 com a assinatura de acordos para a criação do MUD. Nos últimos quatro anos, a oposição construiu uma institucionalidade eficaz para gerar consenso, estabelecer regras básicas, discutir programas e coordenar a implantação de uma máquina robusta, uma plataforma essencial para a construção de um eventual governo de unidade nacional.
            
O cenário mostra dois grupos distintos: três candidatos (Maria Corina Machado, Diego Arria e Pablo Medina) que falam com os antichavistas mais indignados, com uma mensagem combativa e de ruptura profunda; os outros três candidatos (Henrique Capriles Pablo Perez e Leopoldo Lopez) apostam em transcender o habitual mercado opositor e mobilizar algumas camadas independentes, com uma mensagem conciliadora e ofertas concretas a respeito dos principais problemas dos venezuelanos. Lopez renunciou semana passada em favor de Capriles.

Privataria petista = privataria tucana? Entao faltam os casos de corrupcao...

Brincadeira, claro, mas estamos esperando a próxima divulgação de transações clandestinas, escutas ilegais com tramóias oficiais, denúncia de contas no exterior para o lado obscuro dessas operações, facilitações mafiosas, enfim, tudo aquilo que estamos no direito de aguardar como revelação das patifarias públicas e privadas concluídas ao abrigo dessas privatizações.
Não é assim que os companheiros encarnam os melhores valores das privatizações no Brasil?


PRIVATIZAÇÃO DO PT É COMO A DO PSDB QUE CRITICOU: O GOVERNO PAGA A CONTA!
Miriam Leitão
O Globo, 07/02/2012 

A privatização dos aeroportos foi um sucesso de ágio, houve disputa, mas, como a privatização dos tucanos, foi estatizada demais. O defeito é o mesmo. Fundos de pensão estatais garantem as empresas privadas, o BNDES financiará 80% dos investimentos, e a Infraero vai pagar parte da conta. Os maiores operadores mundiais perderam o leilão nos três aeroportos.
      
O consórcio Invepar, que comprou Guarulhos, em São Paulo, é 80% formado por Previ-BB, Petros-Petrobrás e Funcef-CEF, ou seja, os mesmos fundos de pensão que sustentaram as privatizações do governo FHC. Além disso, a estatal que vendeu o ativo, a Infraero, continua com 49% e, portanto, pagará metade da conta de R$ 16,2 bilhões. Fica na estranha situação de pagar por ter vendido. Há ainda o compromisso de em Guarulhos investir R$ 4,5 bilhões em 15 anos, sendo R$ 1,4 bilhão até a Copa. O BNDES vai emprestar 80% dos recursos.

Onde alguns veem excelencia, eu vejo atraso, apenas isso, sobretudo mental...

O Brasil exporta café desde 250 anos, pelo menos, talvez mais. Em escala mundial, somos dominantes há pelo menos século e meio.
E apenas agora descobrimos que podemos ganhar mais com qualidade? Apenas agora se começa a combater práticas nocivas que são as de colocar paus, pedras, gravetos, sujeira, no café, para aumentar a quantidade "produzida" e "exportada"?
Parbleu, isso é muito atraso mental...
O Brasil é um país essencialmente atrasado que, por acaso, muito por acaso, conseguiu acompanhar a modernidade no mundo, mais por imitação, e comportamento mimético, do que por iniciativa própria.
No campo político, então, continuamos presos a práticas primitivas e toscas de governança...
Paulo Roberto de Almeida 



CAFÉ ESPECIAL
Xico Graziano
O Estado de S.Paulo, 7/022012

Você sabe quanto custa uma saca de café? Provavelmente, não. No mercado atual, que está aquecido, se paga ao redor de R$ 500 por uma saca (60 kg) de grãos secos. Mas o café da fazenda Rainha, vendido no leilão eletrônico da Bolsa de Nova Iorque, valeu R$ 5400, dez vezes acima do preço normal.  Mágica? Não, qualidade.
Ocorre que as 22 sacas oriundas dos cafezais da fazenda Rainha, situada no município de São Sebastião da Grama, ali dentro da Mogiana paulista, venceram o 12º concurso chamado “Cup of Excelence”, promovido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais. Outros produtores selecionados compuseram 25 lotes de excelente bebida, todos eles arrematados por elevadíssimos preços no referido leilão (18/01).
Um consórcio asiático comprou o lote campeão, entre vários estrangeiros que disputaram no tapa a primazia de comercializar um café inesquecível. Reconhecer a qualidade e, melhor ainda, pagar um bom diferencial por ela, estimula os cafeicultores a investir em boas práticas agrícolas. Custa mais, porém vale a pena.
Não existe segredo, mas sim trabalho apurado. Um cafezal somente gera produto de qualidade especial se for muito bem cuidado, na adubação das plantas, no controle de pragas e doenças, na colheita do fruto maduro e, por fim, no trato dos grãos durante o processo de pós-colheita, seca e beneficiamento. Esse zelo agronômico, porém, ainda será insuficiente se as condições ambientais não forem propícias.
Café, para dar excelente bebida, precisa estar plantado em terrenos com elevada altitude, acima de 800 metros, no mínimo. Nas encostas da Serra da Mantiqueira, por exemplo, seja do lado paulista ou mineiro, os cafezais encontram excelente clima, onde as noites frias são essenciais. Durante a colheita, normalmente entre julho e outubro, o tempo precisa estar seco, sem chuvas. Senão, o grão de café pode “arder”, perdendo sabor.
Comandada por uma mulher, Ana Cecília, a fazenda Rainha apresenta 280 hectares de cafezais localizados até a altitude de 1300 metros. Possui um sistema de gestão ambiental de última linha, controlando minuciosamente cada gleba de produção, anotando tudo – da tecnologia, do trabalho humano ou dos fenômenos naturais - como se fosse um diário feminino. Esmero no campo.
Nessas condições, seu café adquire características que os degustadores classificam como “bebida mole, adocicada, acidez equilibrada, aromas intensos”. Parece coisa de enólogo. Origem certificada, nome próprio, assim os produtores e distribuidores começam a customizar o apreciador de café, ganhando clientela sofisticada. Caso do Café Orfeu, controlador da fazenda Rainha.
O trabalho de marketing baseado na qualidade da bebida começou a mudar o mercado de café no Brasil desde 1989. Nessa época, 67% dos brasileiros pesquisados pela Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) acreditavam que café bom era exportado, restando aqui dentro a porcaria. A ABIC criou um selo de qualidade e resolveu enfrentar as costumeiras fraudes na composição do café torrado e moído distribuído no país. Havia de tudo. Grãos de café estragados, misturados com casca, ou pior, acrescido de palha de arroz, até areia colocavam no pó-de-café para aumentar o peso. Sempre muito adoçada, a bebida tradicional escondia tais mazelas.
O “selo de pureza” da ABIC pegou. E os consumidores começaram a ficar mais espertos com a qualidade do café que adquiriam, conferindo no rótulo da embalagem a etiqueta de garantia. Nessa mesma época, as modernas máquinas de café expresso começaram a vencer o velho coador nos botecos da cidade. A disputa do expresso na xícara contra o cafezinho no copo contou com a ajuda da medicina, que progressivamente desmistificava a fama de que beber café fazia mal à saúde, dava gastrite. Pelo contrário, pesquisadores médicos passaram a recomendar a bebida no combate ao stress e, inclusive, à depressão humana, graças ao efeito estimulador, não apenas da cafeína, mas também dos polifenóis que contém.
A somatória de fatores positivos resultou, globalmente, no estímulo ao consumo de café, cuja qualidade melhorou, e muito. O mercado, demandando mais, puxou os preços, estimulando os produtores rurais com boa remuneração. Criou-se um círculo virtuoso que agrada a todos. Países que nunca participaram do mundo cafeeiro despertaram para a oportunidade surgida. Assim, o longínquo Vietnan se tornou o segundo maior produtor mundial de café. Quem diria!
Robusta se chama a espécie de café plantada pelos vietnamitas. Poucos sabem, mas existem duas espécies básicas: o Coffea arábica e o Coffea canephora, esta conhecida como café robusta. A primeira, mais delicada, se originou na Etiópia; a segunda, mais rústica, surgiu na costa atlântica da África. O arábica sempre predominou, pois sua bebida é mais expressiva, com paladar marcante. Já o robusta, embora apresente teor mais elevado de cafeína, oferece uma bebida meio sem graça. Figurava na segunda linha da cafeicultura mundial.
Tudo mudou, todavia, com a chegada do café expresso. Sabem o por quê? Acontece que aquela espuma da xícara, apreciada pelos consumidores, somente se consegue misturando um pouco do robusta no pó do arábica, técnica que gera o blend característico das marcas de expresso. Foi a sorte dos capixabas. No Espírito Santo, os pesquisadores agrícolas investiram, há anos, na lavoura do café robusta, fazendo-o ganhar produtividade. Dominam hoje esse veio do mercado.
Anda animada a cafeicultura nacional. Investe na qualidade, faz bons negócios e dorme alimentando um sonho: ver cada chinês tomando uma xícara de café expresso. Café, e agricultores, especiais.

Postagem em destaque

A corrupção que vem de cima: nossas elites assaltantes - Miguel Reale e Paulo Roberto de Almeida

  PRA : Praticamente de forma contemporânea à descoberta do Mensalão — que aliás foi precedido por um outro esquema fraudulento, de loterias...