Sem ser um especialista na área -- sou apenas um dispensador de conhecimentos no terreno que é o meu, economia das relações internacionais para o ciclo superior, geralmente pós-graduado -- acompanho com um olho só a involução do nosso ensino (a palavra não se aplica, na verdade) e fico preocupado, angustiado seria a palavra exata, com a tremenda deterioração que observo.
E como constato isto?
Simples: vendo como alunos de graduação se comportam na expressão de suas ideias (muito confusas, em grande medida), na expressão oral e escrita de seus argumentos (quando os tem), e indiretamente pela seleção (provas escritas) para pós-graduação.
Claro, também leio a imprensa com atenção cada vez que saem matérias sobre nosso maravilhoso ensino.
Minha conclusão, sem conhecer a área: a situação do ensino no Brasil é muito pior, MAS MUITO PIOR, do que vocês são capazes de imaginar, aliás vai além da imaginação.
Não é culpa só do MEC, ainda que esse dinossauro estúpido seja em grande parte responsável pelo que vem acontecendo desde 2003. É culpa das máfias sindicais de professores e de todo um processo que começa lá atrás, nos anos 1950 e 1960, com o maior idiota que possamos ter conhecido nessa área, que é o "patrono" (escolhido pelos companheiros) da educação brasileira, Paulo Freire, e suas receitas desastrosas para a não-educação. TODAS, eu acredito que seja a 99,99%, as faculdades de educação cultivam, ensinam, admiração esse grande idiota.
Por isso eu digo: não é só muito pior do que vocês possam imaginar. Vai continuar piorando até onde a vista alcança, pelo futuro previsível, até o fim dos tempos.
Estou sendo pessimista? Não acredito. Sou apenas um realista angustiado com a nossa mediocridade educacional...
Paulo Roberto de Almeida
Os crimes continuados do Enem, agora sob a gestão do ministro da tese-miojoReinaldo Azevedo, 20/03/2013
Os petistas transformaram o Enem num crime continuado. As entidades de professores se calam porque não existem para representar uma categoria. São meros aparelhos de um partido. As que não são petistas estão à esquerda do próprio PT e têm, então, o juízo ainda mais perturbado. As entidades estudantis silenciam porque são extensões do PCdoB, este exotismo nativo que consegue juntar a adoração a Stálin com um amor ainda mais dedicado por cargos públicos. Quem não se lembra das ONGs laranjas fazendo caixa para os comunistas no Ministério dos Esportes? É o “comunismo de resultados” — no caso, resultados para o próprio PCdoB. As oposições não se manifestam porque estão — ih, vou citar Caetano, que também estava citando — pisando nos astros desastradas. E a educação brasileira continua no buraco, cada vez mais fundo, mas com uma quantidade de diplomas como nunca antes na história destepaiz, o que serve ao proselitismo político, seduzindo alguns tolos.
As barbaridades que vieram a público nas provas de redação são apenas um sintoma. A doença é mais grave do que parece e ficará entre nós por muitos anos, por décadas. O PT está queimando o cérebro de gerações. Há dias, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante — aquele cuja tese de doutorado está para o mundo acadêmico como o miojo está para a culinária — anunciou uma grande reforma no currículo do ensino médio. Segundo afirmou, ela vai seguir a divisão de disciplinas no Enem. Essa faixa escolar, hoje moribunda, será condenada à morte. Podem escrever. Vamos com calma, que a coisa é complicada.
O Enem foi criado no governo FHC para ser um instrumento para avaliar o ensino médio e propor, então, medidas de correção de rumos. Transformou-se no maior vestibular do país pelas mãos de Fernando Haddad, sob o aplauso quase unânime e cúmplice, inclusive da imprensa. Pouco se atentava e se atenta para os absurdos lá contidos. A prova de redação, por exemplo, vale 50% da nota final, o que é injustificável sob qualquer critério que se queira. Quando olhamos os itens de avaliação, a indignação precisa se conter para não se transformar em revolta. Transcrevo-os (em vermelho):
Competências avaliadas no texto
Número 1 – Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita.
Número 2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
Número 3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Número 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
Número 5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Cada um desses quesitos vale 200 pontos. Todos eles plenamente satisfeitos, chega-se a mil. Os corretores que atribuíram mil pontos aos alunos que escreveram “enchergar”, “trousse” e “rasoavel” entenderam que eles alcançaram pontuação máxima no quesito 1: “domínio da língua”. Assim, deve-se entender que o MEC do ministro-miojo acaba de incorporar essa ortografia à língua portuguesa.
O Enem estabelece também os critérios que podem levar um aluno a tirar zero. Prestem atenção:
Razão 1 – Não atender à proposta solicitada ou apresentar outra estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo.
Razão 2 – Deixar a folha de redação em branco.
Razão 3 – Escrever menos de sete linhas na folha de redação, o que configura “texto insuficiente”. Linhas com cópias do texto de apoio fornecido no caderno de questões não são consideradas na contagem do número mínimo de linhas.
Razão 4 – Escrever impropérios, fazer desenhos e outras formas propositais de anulação
Razão 5 – Desrespeitar os direitos humanos
Assim, os corretores que não zeraram as provas que trazem a dica para preparar miojo ou o hino do Palmeiras entenderam — e o MEC os endossou — que os estudantes estavam atendendo à “proposta solicitada”. Atenção: o hino do Palmeiras, como quase todos, é narrativo, não dissertativo.
É evidente que essas provas todas nem sequer foram lidas direito. A prova do exame que vale 50% está submetida, portanto, ao mais escancarado arbítrio — arbítrio que se dá também no terreno ideológico.
Voltem lá às competências avaliadas. Exige-se do estudante do ensino médio que apresente “soluções” para os problemas — e elas devem, necessariamente, respeitar os direitos humanos, ou ele pode receber um zero. Ficamos sabendo, e o MEC mesmo o disse, que receita de miojo e o “alviverde imponente”, ao menos, respeitam os direitos universais do homem…
Pantomima
Estamos diante de uma soma de pantomimas de naturezas distintas Há a técnica: é visível que o MEC não dispõe de mão de obra treinada para fazer um vestibular de milhões de alunos. As evidências estão aí, saltam aos olhos. Há a pantomima ideológica: é certo que todos devem respeitar os direitos humanos. Ocorre que esse é o conceito. Com que conteúdo será preenchido? Vamos ao exemplo prático.
No dia 5 de novembro do ano passado, escrevi um post esculhambando a proposta de redação do Enem 2012. Tema: “O movimento migratório para o Brasil no século XXI”. Já digo por que é uma vigarice ideológica e política. Antes, quero me fixar nessa história de “direitos humanos”. Se um candidato achar que os bolivianos e nigerianos que entram clandestinamente em São Paulo ou os haitianos em situação idêntica no Acre devem ser repatriados, pergunto: independentemente do mérito da opinião, isso caracteriza “desrespeito aos direitos humanos”? É evidente que não. Ou todas as leis de imigração, inclusive as nossas, seriam desumanas. Pois é… Mas o corretor pode estar com a cabeça cheia de John Lennon naquela hora e punir o candidato, ainda que ele seja um exímio redator. Se não zerar, há o risco de puni-lo com uma nota baixa nesse quesito. O “respeito aos direitos humanos” é só uma senha para um filtro que é de natureza ideológica.
O tema da redação, observei então, é uma estupidez em si. Ainda que houvesse efetivamente um fenômeno de dimensão tal que permitisse essa afirmação — não há —, cumpria lembrar que estávamos apenas nos 12 primeiros anos do referido século. “Século”, em ciências humanas, não é só uma referência temporal. É também um tempo histórico. Mais 30 anos podem se passar, sem que tenhamos chegado à metade do século 21, e podem diminuir drasticamente as correntes — que nem são fluxo nem são movimento — de migração para o Brasil. Tratar esse evento como característica de século é burrice. Provo: “O PT é o partido que mais elegeu presidentes no século XXI”. O que lhes parece? Ou ainda: “O PSDB é o maior partido de oposição do século XXI no Brasil”. Ou isto: “O PMDB, no século 21, participa de todos os governos”.
Nas escolas e nos cursinhos, as aulas de redação têm-se convertido — sem prejuízo de o bom professor ensinar as técnicas da argumentação e texto — numa coleção de dicas politicamente corretas para o aluno seduzir o examinador. Com mais um pouco de especialização, o pensamento será transformado numa fórmula ou numa variante do “emplastro anti-hipocondríaco”, de Brás Cubas (o de Machado de Assis), destinado “a aliviar a nossa pobre humanidade da melancolia”. É o que têm feito os professores: um emplastro antipoliticamente incorreto, destinado a “aliviar os nossos pobres alunos da tentação de dizer o que eventualmente pensam”.
A redação, que vale metade do exame, converteu-se num maneirismo ideologicamente direcionado. Cobra-se dos alunos que repitam as verdades eternas do petismo e do politicamente correto. Pensar sem amarras, numa prova de redação do Enem, pode custar zero ao candidato. Como se vê, ele corre menos risco com uma receita de miojo e com o hino de um time de futebol.
Macumbarias
As provas do Enem já são ruins de doer, com suas divisões de nomes tão pomposos quanto estúpidos:
– Ciências Humanas e suas Tecnologias;
– Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
– Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;
– Redação;
– Matemática e suas Tecnologias.
A expressão “suas tecnologias” é mera feitiçaria modernosa. Sabem o que quer dizer? Nada! Já escrevi aqui um monte de textos sobre a patrulha ideológica nas provas, seu viés esquerdizante e suas empulhações. No dia 18 de novembro de 2010, publiquei um post com este título: ”A prova criminosa do Enem: anatomia de uma empulhação a serviço da ignorância”.
Muito bem! Mercadante agora diz que vai mudar o currículo do segundo grau para adaptá-lo às divisões do Enem. Certo! O estudante terá, então, suponho, aula de “Ciências Humanas e suas Tecnologias”. Nesse arco, incluem-se disciplinas como história, geografia e sociologia. Pergunto: os professores de cada uma delas terão de ministrar aulas também das outras? As “Ciências da Natureza” abrigam física, química e biologia. Um professor ensina, num dia, o que são platelmintos; no outro, o Movimento Retilíneo Uniforme e, no terceiro, fala sobre orbitais? O de Linguagens, Código e suas Tecnologias pode ensinar qualquer coisa… O ensino de língua portuguesa foi extinto faz tempo. Os professores deveriam ser substituídos por especialistas em história em quadrinhos. Exames do Enem e vestibulares em geral são fascinados por isso.
Mercadante estuda a sua revolução no ensino médio com base em informações colhidas em provas elaboradas com o rigor que se conhece e em redações corrigidas com a seriedade que estamos vendo.
Analfabetismo de terceiro grau galopante
É claro que o Brasil não passaria incólume pelo PT. Entre os estudantes do ensino superior, 38% não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado em julho do ano passado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa. Vejam quadro.
Em 2001-2002, 2% dos alunos universitários tinham apenas rudimentos de escrita e leitura. Em 2010, essa porcentagem havia saltado para 4%. Vale dizer: 254.800 estudantes de terceiro grau no país são quase analfabetos. Espantoso? Em 2001-2002, 24% não eram plenamente alfabetizados. Um número já escandaloso. Em 2010, pularam para 38%. Isso quer dizer que 2.420.600 estudantes do terceiro grau não conseguem ler direito um texto e se expressar com clareza. É o que se espera de um aluno ao concluir o… ensino fundamental!
Estamos em plena revolução. A luta armada será travada sobre a copa das árvores.
Texto publicado originalmente às 5h42
By TOM NAGORSKI
The Indian scholar Brahma Challaney recently gave a talk at the Asia Society in New York about the coming global water-supply crisis. It was a dispiriting forecast: drought and pollution, even wars over water. That same morning brought dreary news from other fronts: a fresh threat from North Korea, another atrocity in Syria, a frightening smog alert from Beijing.Anyone feeling the weight of the world's woes will be grateful for Kishore Mahbubani's "The Great Convergence," a sweeping survey that proves to be, in large measure, a counterweight to global gloom and doom. Mr. Mahbubani, dean of the Lee Kuan Yew School of Public Policy in Singapore, is under no illusions about the troubles we face, but he takes the longer view, reaching back a few decades to see an upward trend and to marvel at how far we have come.
Under Mr. Mahbubani's lens, we see a plunge in the rates of extreme poverty and early-childhood deaths; a rise in literacy; a drop in the number of armed conflicts. "Major interstate wars," says Mr. Mahbubani, "have become a sunset industry." The good-news numbers are remarkable. In 1990, one billion human beings earned enough income to consider making discretionary purchases beyond mere necessity; by 2010, the figure had more than doubled. Mr. Mahbubani has lived this change. He was raised, he says, in "a typical third world city . . . [with] no flush toilets, some malnutrition, ethnic riots and, most importantly of all, no sense of hope for the future." The city was Singapore, today an economic juggernaut with a per-capita income that outranks America's.
Mr. Mahbubani is a big-picture writer and thinker, a Thomas Friedman with a strong Asian perspective, and like Mr. Friedman he is inclined toward the aphorism or analogy. When he eventually leaves his world-is-improving narrative to fret about future geopolitics, he does so with a maritime metaphor: "People no longer live in more than one hundred separate boats. Instead they all live in 193 separate cabins on the same boat. But this boat has a problem. It has 193 captains and crews, each claiming exclusive responsibility for one cabin. However, it has no captain or crew to take care of the boat as a whole."
This passage sounds Mr. Mahbubani's second theme: If we are gaining ground and converging in inspiring ways, we still lack an effective architecture for global governance. The need is critical, Mr. Mahbubani believes, because that metaphorical boat may soon run into an iceberg. The new arrivals in the Asian middle class, for example, will expect the trappings of success: a car, a refrigerator and so on, and our planet won't be able to support them. For Mr. Mahbubani, the answer is some kind of global stewardship, one especially concerned with the environment, the economy and security. In short, we need a global referee.
But how to get there? Mr. Mahbubani skewers existing structures—the United Nations, the International Monetary Fund, the G-20—as either ineffectual or beholden to the great powers. The largest carbon emitters, to take a favorite example, have rejected global protocols (the U.S.) or signed them and pursued a "development first" strategy (China and India). It's hard to argue with Mr. Mahbubani on that point but also hard to see how a new global architecture is possible when the great powers aren't interested.
One great power, of course, is particularly uninterested, and in these pages Mr. Mahbubani casts the U.S. as an arrogant actor, a hegemon with no patience for multilateralism. Here his argument weakens from overreach. America's frustration with the U.N. is not, as he argues, merely a matter of self-interest; it is also rooted in real concerns about mismanagement and certain U.N. policies. As for Mr. Mahbubani's charge that the U.N. acts only "when the residents of Park Avenue" (his phrase for the five permanent members of the Security Council) are affected, that just isn't so. We have seen U.N. interventions in Somalia, Kosovo and Libya, none of which was exactly a "Park Avenue" interest.
But Mr. Mahbubani has a good idea for reforming the Security Council itself (a kind of staggered, tiers-of-influence plan), and he has good questions for Americans. Are we ready to accept being "No. 2" on the global stage, at least by certain metrics? In fewer than five years China's share of global income (only 2% two decades ago) will surpass that of the U.S., and yet the political discourse in America suggests an unwillingness to face that outcome, let alone plan for it. "The West will not lose power," Mr. Mahbubani writes. "It will have to share power."
In the end, he remains hopeful because he really believes it's the long view that matters. If Southeast Asia—a war-torn, poverty-riven corner of the globe only a half-century ago—is today a region of peace and prosperity, then, Mr. Mahbubani believes, much else is possible. "In this rapidly changing world of ours," he writes, ". . . miracles can happen."
Mr. Nagorski is executive vice president of the Asia Society and the author of "Miracles on the Water: The Heroic Survivors of a World War II U-Boat Attack."
A version of this article appeared March 20,
2013, on page A13 in the U.S. edition of The Wall Street Journal, with
the headline: A New Concert Of Nations.