quarta-feira, 15 de maio de 2024

Como deve se comportar um presidente da Petrobras de Lula, por Carlos Graieb (Antagonista)

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O “desafio zero” de Magda Chambriard

Carlos Graieb - colunista O Antagonista


Único desafio para quem preside a Petrobras é resistir à instrumentalização da petroleira por Lula. A nova ocupante do cargo não fará isso.

Tem gente falando dos “desafios” que Magda Chambriard terá de enfrentar como nova presidente da Petrobras. 


O desafio importante para quem ocupa essa posição, possivelmente o único, é resistir à instrumentalização da petroleira para fins políticos. 


Como Magda foi escolhida com o endosso de Rui Costa, pela proximidade com Dilma Rousseff e por ter crenças “nacionalistas”, é forçoso concluir que ela não gastará um segundo de seu tempo (muito bem remunerado) tentando domar a sanha de Lula para mandar na estatal.


Só Lula manda


O recém-demitido Jean Paul Prates saiu atirando contra seus desafetos no primeiro escalão do governo – o próprio Rui Costa e o hiperambicioso ministro das Minas e Energia Alexandre Silveira. Disse que eles se “regozijaram” com a sua demissão. 


Não duvido que seja assim. Mas a pressão desses adversários não deve ser superestimada. Sobretudo a de Silveira, que não é petista. Ninguém derrubaria um presidente da Petrobras respaldado por Lula. Supõe-se que Magda tenha equacionado a “questão Silveira” antes de sentar na cadeira. 

Que ninguém se engane: Prates só caiu porque desagradou a Lula. 


No episódio do bloqueio à distribuição de dividendos, o agora ex-CEO recusou-se a validar a escolha do Palácio do Planalto. Não aderiu ao desejo de Lula, para quem acionistas minoritários não são gente que decidiu confiar numa empresa, mas apenas e tão somente “o mercado financeiro”, essa abstração. 


Prates foi defenestrado por cometer o erro de se posicionar contra uma ordem de Lula relativa à Petrobras, o fetiche máximo do chefão petista. 


Em todo o resto, ele foi um cordeirinho. Mesmo assim, foi chutado. 


Prates, o cordeirinho


Como Lula prometeu na campanha eleitoral, Prates “abrasileirou” o preço dos combustíveis, Em outras palavras, desmontou a política de paridade de preço de importação, não para aperfeiçoá-la (o que seria possível) mas para definir reajustes sem critérios transparentes.


Atenção, esse foi o verdadeiro sentido do “abrasileiramento”: a substituição de um critério claro por cálculos obscuros, de conveniência política.


Prates também retomou a agenda de investimentos que no passado, sob governos petistas, foi sinônimo de corrupção e perdas financeiras para a Petrobras. 


Em meados de março, ele celebrou o encerramento da licitação que propicia a retomada das obras na refinaria de Abreu e Lima, símbolo máximo do esquema de cartel e desvio de dinheiro público desvendado pela Lava Jato.


Vencedoras do certame, por meio de subsidiárias, as empreiteiras Andrade Gutierrez e Novonor (a eterna ex-Odebrecht) puderam voltar ao local de seus crimes.


Pisar no acelerador


O que Magda Chambriard precisa fazer? Pisar no acelerador. Usar o peso mastodôntico da Petrobras para tirar do papel mais obras, mais investimentos. 


Talvez o desastre ambiental do Rio Grande do Sul tenha tornado difícil neste momento fazer avançar a exploração de petróleo na foz do Amazonas, dado o estigma anti-ecológico que a empreitada carrega. 


Magda deverá tirar do papel em breve até mesmo o incentivo eternamente fracassado a uma indústria naval, de plataformas e de sondas, que faça uso prioritário de conteúdo nacional.


Isso, sem se importar com o fato de que nem secou ainda a tinta do pedido de falência da fabricante de sondas Sete Brasil, outro delírio/falcatrua petista desmascarado pela Lava Jato.


Alma de intervencionista


Como os interesses do governo e da poderosa Federação Única de Petroleiros (FUP) estão em grande parte alinhados, Magda Chambriard não deverá encontrar grandes resistências internas na Petrobras. Ela mesma tem uma longa história profissional na empresa, o que ajuda.


Se entendeu direitinho a missão e beijou a mão de Lula, a nova presidente da Petrobras não tem desafios de monta a superar. No máximo, driblar algumas regras internas de conformidade e ignorar os interesses dos acionistas minoritários, tratando-os como inimigos.


Para quem tem alma de intervencionista, está fácil.

Carlos Graieb - colunista

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Book: Conceptualizing the History of the Present Time - María Inés Mudrovcic (Cambridge University Press, free up to May 30)


Conceptualizing the History of the Present Time

María Inés Mudrovcic


Published online by Cambridge University Press: 03 May 2024


Available: 

https://cup.org/3Qzl4xj

https://www.cambridge.org/core/elements/conceptualizing-the-history-of-the-present-time/6DE5F1356F86C274574E3EEB913E2592


María Inés Mudrovcic

National University of Comahue IPEHCS-Patagonian Institute of Studies on

Humanities and Social Sciences



Summary

In this work, I explore four meanings of 'contemporary,' emphasizing its designation as a historical field. I argue that disagreements about when the presento or the contemporary era begins stem from historians assuming a linear, chronological, and absolute conception of time. Following scholars like L. Descombes, L. Hölscher, B. Latour, D. J. Wilcox and S. Tanaka, I propose conceiving relational historical time without chronology, emphasizing the original sense of “sharing the same time” that 'contemporary' acquired for the first time. This perspective mitigates issues concerning the 'beginnings' or 'meaning' of the present. Emphasizing relationships within a relational time framework aids in overcoming ontological challenges like 'so many presents' or 'distance in time,' along with the corresponding epistemological issue of 'objectivity.' This exploration aims to reevaluate and enrich our understanding of the multifaceted concept of the 'present' in the context of history.

 

Element contents

·           6.2 “Living Together”: A Relational Approach of Understanding the Present


·   Historical Theory and Practice

·   Footnotes

·   References

 

Information

Series: Elements in Historical Theory and Practice

DOI: https://doi.org/10.1017/9781009047739[Opens in a new window]

Online ISBN: 9781009047739

Publisher: Cambridge University Press

Print publication: 30 May 2024

 

Disponível neste link: 

https://www.cambridge.org/core/elements/conceptualizing-the-history-of-the-present-time/6DE5F1356F86C274574E3EEB913E2592

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