terça-feira, 4 de março de 2025

A luta de Eunice Paiva tornou-se a luta de dezenas de outras famílias, vítimas da ditadura militar

 Conheça a história de Eunice Paiva, que inspirou “Ainda Estou Aqui”, na defesa dos direitos humanos

Ativista contra a ditadura militar e pela memória dos mortos e desaparecidos no regime, a viúva do ex-deputado federal Rubens Paiva também se destacou na luta pelos direitos dos povos indígenas do Brasil

Agencia Gov | Via MDHC

03/03/2025 


O longa-metragem "Ainda Estou Aqui" jogou luz à luta de Eunice Paiva para obter a certidão de óbito do marido

A história da mulher que cuida de sua família após o assassinato do marido, e se torna uma referência na defesa da memória e da verdade sobre os mortos e desaparecidos na Ditadura Militar brasileira e na defesa de povos indígenas, inspirou o filme “Ainda Estou Aqui”, que venceu a premiação de Melhor Filme Internacional no Oscar 2025. O legado da advogada ecoa na premiação norte-americana e já proporcionou inúmeros avanços para a consolidação dos direitos humanos.

A trajetória contada na produção audiovisual mostra um pouco do trabalho de Eunice Paiva em casos referentes aos desaparecimentos de presos políticos, e sua dedicação à proteção dos direitos indígenas e à importância da demarcação de terras. Formada em Letras após a morte do marido, o ex-deputado federal Rubens Paiva, a ativista cursou Direito aos 47 anos, e se especializou em direito indígena. No ano 1987, ela contribuiu para a fundação do Instituto de Antropologia e Meio Ambiente (Iama), uma organização da sociedade civil voltada à defesa e autonomia dos povos indígenas que atuou até o ano 2001.

Em 1988, Eunice foi consultora da Assembleia Nacional Constituinte, que promulgou a Constituição Federal brasileira. Ela também teve atuação expressiva na promulgação da Lei 9.140/1995, que “reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, no período de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979, e dá outras providências”.

Já no ano 1996, Eunice presenciou a emissão do atestado de óbito oficial de Rubens Paiva, emitida pelo Estado brasileiro, depois de 25 anos de luta da ativista. Este momento está eternizado no filme Ainda Estou Aqui. No dia 13 de dezembro de 2018, ela faleceu em São Paulo, aos 86 anos, após viver 14 anos com Alzheimer.

Defesa dos povos indígenas

O trabalho de Eunice Paiva na proteção dos povos indígenas – como os habitantes da Terra Indígena Zoró (TIZ), no estado do Mato Grosso – integra as muitas contribuições da ativista para a promoção dos direitos humanos. O professor do Departamento Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e assessor técnico da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Dourados (MS), Carlos Trubiliano, explicou que o povo Zoró só foi contatado no final da década de 1970 e início dos anos 1980. De acordo com o docente, das grandes nações, os Zoró estão entre os últimos que foram contatados por não indígenas. Essa população já passou por invasões, conflitos, disputa por terras e o aparecimento de doenças antes desconhecidas por eles que provocaram muitas mortes.

Segundo Trubiliano, a ativista e advogada foi figura essencial para o processo de demarcação da Terra Indígena Zoró (TIZ). “Quando a Eunice entra, ela faz todo um debate jurídico e muito articulado também com a antropóloga Betty Mindlin, com um olhar antropológico em defesa do processo de demarcação das terras indígenas Zoró”, lembra.

O professor ressaltou que Eunice foi uma pioneira ao defender a importância das populações indígenas na preservação ambiental. “Ela demonstra não só a viabilidade, mas a necessidade daquele território como algo importante para a manutenção daquela cultura; e para a preservação não só daquele povo, mas também daquele bioma”.

“O debate dela é jurídico, mas também é social e ambiental. Essa intervenção da Eunice foi fundamental porque foi essa discussão que ela faz, esse parecer técnico que ela faz, que viabiliza a demarcação do povo Zoró. Se não tivesse a demarcação, provavelmente eles seriam extintos pela marcha da história”, completa o professor.

Memória e verdade

O longa metragem concorre nas categorias Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz (Foto: Sony Pictures)

O longa metragem concorre nas categorias Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz (Foto: Sony Pictures)

O longa-metragem "Ainda Estou Aqui" jogou luz à luta de Eunice Paiva para obter a certidão de óbito do marido. Como a sua família, outras 413 esperavam, em janeiro deste ano, pela retificação nos documentos de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar no Brasil, onde deverá constar a real causa da morte. Na data, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) entrou em contato com a família do ex-deputado federal Rubens Paiva, que informou também o desejo de obter a certidão de óbito retificada junto às demais famílias dos desaparecidos políticos.

Conforme a Resolução 601 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a causa da morte nos documentos das vítimas da ditadura deverá constar como "não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964". A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e o MDHC estão organizando solenidades para a entrega das certidões de óbito e as datas serão informadas assim que as sessões forem agendadas.

O caso Rubens Paiva

Em janeiro de 1971, no Rio de Janeiro, o ex-deputado federal Rubens Paiva foi preso, torturado e assassinado pela Ditadura Militar. Na mesma época, Eunice e a filha Eliana também foram presas. Eliana por 24 horas e Eunice permaneceu presa por 12 dias, sendo interrogada. Quando foi libertada, a ativista lutou para saber o paradeiro do marido.

Leia também:

MDHC e Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos organizam entrega de certidões de óbito a famílias de vítimas da ditadura

 

Economic Growth in big economies, 2015 a 2025; Brasil ficou na rabeira, com o Japão

Economic Growth in big economies, 2015 a 2025; Brasil ficou na rabeira, com o Japão 

Junto com o Brasil, o Japão foi uma das grandes economias que MENOS CRESCEU nos últimos dez anos. Campeões absolutos: Índia e China e algumas outras. Alemanha e Itália também desaceleraram. O Brasil ficou muito aquém da média mundial: 8% de crescimento apenas, contra 35% do mundo.

Eis o mapa de Visual Capitalist: 

https://www.visualcapitalist.com/ranked-the-worlds-top-20-economies-by-gdp-growth-2015-2025/



As Consequências Econômicas de Mister Trump (como diria Keynes) - Occupy Democrat

 Em 1919, o assessor do Tesouro britânico John Maynard Keynes abandonou as negociações de paz de Paris, em função do termos severos sendo impostos à Alemanha derrotada e considerada culpada, no Tratado de Versalhes, pela Grande Guerra de 1914-18 e publicou seu famoso panfleto The Economic Consequences of the Peace, na qual alertava sobre as consequências desastrosas daquelas medidas sobre a República de Weimar (sugerindo, implicitamente, que elas poderiam provocar uma nova guerra no futuro; ou seja, foi um profeta sem querer).

Em 1925, o mesmo Keynes, já tornado famoso pela sua diatribe de 1919, estarrecido pela decisão do então Lord of Exchequers (secretário do Tesouro, ou seja, ministro das Finanças), Winston Churchill, publicou outro artigo vitriólico, The Economic Consequences of Mister Churchill, contra o restabelecimento do padrão ouro na mesma paridade de 1914, prevendo novas consequências catastróficas da medida. Novamente tinha razão: o restabelecimento do velho padrão ouro, ignorando a inflação acumulada nos dez anos anteriors, precipitou uma grande crise econômica na Grã-Bretanha, que resultou na greve geral de 1926 e a demissão de Churchill do Tesouro.

Agora, teremos as desastrosas medidas tarifárias de Mister Trump, levando uma frande crise aos EUA. PRA


BREAKING: Donald Trump's disastrous policies sucker punch the American people as analysis reveals that his tariffs are going to skyrocket car prices by as much as $12,000 per vehicle.

And it gets so much worse...

Trump plans to impose tariffs on products from Canada and Mexico starting tomorrow and as any economist worth their salt will tell you, tariffs are taxes on consumers. 

The study from automotive consultant Anderson Economic Group that predicted the cost increases also concluded that consumers will be left paying the price. Despite Trump's claims, the other countries will not be bearing the financial burden.

The tariffs are expected to spike the prices of vehicles and vehicle parts manufactured in those countries. If he proceeds with his absurdly high suggested tariff rate of 25%, automotive groups anticipate that building crossover utility vehicles will cost $4,000 more per.

Worse yet, a large SUV that requires "significant" parts manufactured in Mexico will see an increase of $9,000. Pickup trucks will cost $8,000 more. An electric vehicle will go up by $12,000.

The analysis predicts that these cost increases will lead to a rapid decrease in sales, which in turn could cause ripple effects throughout the broader economy.

"That kind of cost increase will lead directly — and I expect almost immediately — to a decline in sales of the models that have the biggest trade impacts," said Patrick Anderson, CEO of Anderson Economic Group.

Best selling vehicles like the Chevrolet Silverado and Ford Bronco will likely be affected. Other vehicle models may vanish from the market entirely as manufacturers are forced to stop producing them.

"Some of those vehicles that can’t be produced in the US just probably won’t be made for a while,” said Dan Hearsch, head of the Americas automotive practice at AlixPartner.

"You’ll see some model and trim types just disappear," said Anderson.

Worst of all, American car sales are already in a slump. The tariffs have yet to take effect and vehicle sticker prices are already up 20% this year compared to 2020.

As with everything Donald Trump does, this is will end in disaster for average Americans.

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Original do Editorial do WSJ sobre o mundo louco de Trump

Trump’s Old World Order

Does he want deals with Russia and China to carve up the planet? He should tell Americans.


By the Editorial Board

March 2, 2025

With his first weeks back in office, and especially after Friday’s Oval Office brawling with Ukraine’s president, it’s clear President Trump has designs for a new world order. Perhaps he could share this vision with the country when he addresses Congress on Tuesday.

The conventional view of Mr. Trump is that he’s above all transactional. He wants deals, at home and abroad, that he can sell as great successes. But the way his second term is unfolding, this may undersell his ambition. Mr. Trump’s strategy seems to be moving toward that of Tucker Carlsonand JD Vance, who view America as in decline and no longer able to lead or defend the West.

It seems clear that Mr. Trump wants to wash his hands of Ukraine. “You’re either going to make a deal, or we’re out,” Mr. Trump ordered Volodymyr Zelensky on Friday. This will embolden Vladimir Putin to insist on even harsher terms for a cease-fire deal. Mr. Trump seems mainly concerned with rehabilitating Mr. Putin in world councils, such as the G-7. He wants an early summit with the Russian, though Mr. Putin has made no concessions on Ukraine or anything else.

While he solicits Moscow, Mr. Trump is hammering traditional U.S. friends. He plans 25% tariffs on Canada and Mexico, in violation of his own USMCA trade deal, and his defense secretary has threatened to invade Mexico to pursue drug cartels. He wants to hit Western Europe with heavy tariffs on its autos, and slap reciprocal tariffs on the rest of the trading world. 

These tariffs are harsher than those he has put on China. He is clearly courting Xi Jinping, the Communist Party boss, calling him a great leader and talking about a new mutual understanding. He has shown no similar interest in defending Taiwan, and he has said in the past that China can easily dominate the island democracy in a conflict. Watching Mr. Trump and Ukraine, the leaders of Taiwan and Japan should be deeply worried. 

Meanwhile in the Americas, Mr. Trump has demanded control over the Panama Canal, which the U.S. ceded by treaty in 1999. And he wants Denmark to sell Greenland to the U.S. These moves taken together hint at a worldview that has long been the goal of American isolationists: Let China dominate the Pacific, Russia dominate Europe, and the U.S. the Americas. The Middle East would presumably remain a region of contention, a least until Mr. Trump does a nuclear deal with Iran.

All of this would amount to an epochal return to the world of great power competition and balance of power that prevailed before World War II. It’s less a brave new world than a reversion to a dangerous old one. 

Mr. Trump hasn’t articulated this, but some of the intellectuals surrounding him have. Elbridge Colby, nominated for the chief strategy post at the Pentagon, has argued that the U.S. must leave Europe and the Middle East to their own devices to focus on the Asia-Pacific. But Mr. Colby has also said that South Korea might have to fend for itself, and he said in a letter to us last year that “Taiwan isn’t itself of existential importance to America.” 

Mr. Vance is the most vigorous promoter of the abandon Ukraine strategy, arguing that the war with Russia is little more than an ethnic dispute. Ross Douthat, the New York Times columnist who has become Mr. Vance’s Boswell, says the Vice President and President are merely “stripping away foreign policy illusions.” He says they believe America is “overstretched” and needs to “recalibrate and retrench.”

***

Yet that isn’t what either leader is saying openly. Mr. Trump says he is making America great again, not retreating from the defense of freedom. He says he wants “peace,” but is it peace with honor, or the peace of the grave for Ukraine and accommodation to Chinese domination in the Pacific? And why isn’t he increasing defense spending?

If Messrs. Trump and Vance really are “stripping away” illusions, why not have the courage to say what those illusions are? Perhaps it’s because such retreat might not be as popular as vague promises of peace. And perhaps because American retreat might not be as peaceful as they think.

If Russia drives peace on its terms in Ukraine, look for Russia to invade elsewhere in the future and other stronger states to grab territory from their neighbors. Look for America’s allies to seek new trading and security relationships that don’t rely on the U.S. and might conflict with U.S. interests. Japan will have little choice but to become a nuclear power to deter China, and there will be others.

As Charles Krauthammer famously said, decline is a choice. Mr. Trump has an obligation to tell Americans what new order he thinks he is building. Then we can have a debate about his intentions and its consequences. Tuesday night would be a good moment to make his ambitions clear.


A Velha Ordem Mundial de Trump - Editorial do Wall Street Journal

A Velha Ordem Mundial de Trump

Editorial de Wall Street Jounal, 2-mar-2025

Artigo original: https://www.wsj.com/opinion/trumps-brave-old-world-foreign-policy-ukraine- blow-up-china-russia-trade-allies-7e32b02a?st=UhQZNT

Com suas primeiras semanas de volta ao cargo, e especialmente após a discussão acalorada de sexta-feira no Gabinete Oval com o presidente da Ucrânia, está claro que o Presidente Trump tem planos para uma nova ordem mundial. Talvez ele possa compartilhar essa visão com o país quando se dirigir ao Congresso na terça-feira.

A visão convencional sobre Trump é que ele é, acima de tudo, transacional. Ele quer acordos, internos e externos, que possa vender como grandes sucessos. Mas pela forma como seu segundo mandato está se desenrolando, isso pode subestimar sua ambição. A estratégia de Trump parece estar se movendo na direção de Tucker Carlson e JD Vance, que veem a América em declínio e não mais capaz de liderar ou defender o Ocidente.

Parece claro que Trump quer lavar as mãos em relação à Ucrânia. "Ou você faz um acordo, ou estamos fora", Trump ordenou a Volodymyr Zelensky na sexta-feira. Isso encorajará Vladimir Putin a insistir em termos ainda mais severos para um acordo de cessar-fogo. Trump parece principalmente preocupado em reabilitar Putin nos conselhos mundiais, como o G-7. Ele quer uma cúpula antecipada com o russo, embora Putin não tenha feito concessões sobre a Ucrânia ou qualquer outra coisa.

Enquanto corteja Moscou, Trump está atacando os amigos tradicionais dos EUA. Ele planeja tarifas de 25% sobre o Canadá e o México, violando seu próprio acordo comercial USMCA, e seu secretário de defesa ameaçou invadir o México para perseguir cartéis de drogas. Ele quer atingir a Europa Ocidental com pesadas tarifas sobre seus automóveis e aplicar tarifas recíprocas no resto do mundo comercial.

Essas tarifas são mais severas do que as que ele impôs à China. Ele está claramente cortejando Xi Jinping, o líder do Partido Comunista, chamando-o de grande líder e falando sobre um novo entendimento mútuo. Ele não mostrou interesse semelhante em defender Taiwan e disse no passado que a China pode facilmente dominar a ilha democrática em um conflito. Observando Trump e a Ucrânia, os líderes de Taiwan e do Japão deveriam estar profundamente preocupados.

Enquanto isso nas Américas, Trump exigiu controle sobre o Canal do Panamá, que os EUA cederam por tratado em 1999. E ele quer que a Dinamarca venda a Groenlândia para os EUA. Essas medidas, tomadas em conjunto, sugerem uma visão de mundo que há muito tempo é o objetivo dos isolacionistas americanos: Deixar a China dominar o Pacífico, a Rússia dominar a Europa e os EUA dominarem as Américas. O Oriente Médio presumivelmente permaneceria uma região de disputa, pelo menos até que Trump faça um acordo nuclear com o Irã.

Tudo isso representaria um retorno épico ao mundo de competição entre grandes potências e equilíbrio de poder que prevaleceu antes da Segunda Guerra Mundial. É menos um mundo novo e corajoso do que um retorno a um velho e perigoso.

Trump não articulou isso, mas alguns dos intelectuais que o cercam sim. Elbridge Colby, nomeado para o cargo principal de estratégia no Pentágono, argumentou que os EUA devem deixar a Europa e o Oriente Médio por conta própria para se concentrar na região Ásia-Pacífico. Mas Colby também disse que a Coreia do Sul talvez precise se defender sozinha, e disse em uma carta para nós no ano passado que "Taiwan não é, por si só, de importância existencial para a América".

Vance é o promotor mais vigoroso da estratégia de abandonar a Ucrânia, argumentando que a guerra com a Rússia é pouco mais que uma disputa étnica. Ross Douthat, o colunista do New York Times que se tornou o Boswell de Vance, diz que o Vice-Presidente e o Presidente estão apenas "eliminando ilusões de política externa". Ele diz que eles acreditam que a América está "sobrecarregada" e precisa "recalibrar e recuar".

No entanto, não é isso que nenhum dos líderes está dizendo abertamente. Trump diz que está tornando a América grande novamente, não recuando da defesa da liberdade. Ele diz que quer "paz", mas é uma paz com honra, ou a paz do túmulo para a Ucrânia e a acomodação à dominação chinesa no Pacífico? E por que ele não está aumentando os gastos com defesa?

Se Trump e Vance realmente estão "eliminando" ilusões, por que não ter a coragem de dizer quais são essas ilusões? Talvez seja porque tal recuo pode não ser tão popular quanto promessas vagas de paz. E talvez porque o recuo americano pode não ser tão pacífico quanto eles pensam.

Se a Rússia impuser a paz em seus termos na Ucrânia, espere que a Rússia invada outros lugares no futuro e que outros estados mais fortes tomem territórios de seus vizinhos. Espere que os aliados da América busquem novas relações comerciais e de segurança que não dependam dos EUA e possam entrar em conflito com os interesses americanos. O Japão terá pouca escolha a não ser se tornar uma potência nuclear para deter a China, e haverá outros.

Como Charles Krauthammer disse famosamente, o declínio é uma escolha. Trump tem a obrigação de dizer aos americanos que nova ordem ele acha que está construindo. Então podemos ter um debate sobre suas intenções e suas consequências. A noite de terça-feira seria um bom momento para deixar claras suas ambições.

Tradução por IA – Fonte: @derflecha, X.com


O mundo jogado nas incertezas e no caos por culpa de Donsld Trump

 Hoje à noite saberemos mais sobre o verdadeiro tamanho do problema. Num editorial devastador, o Wall Street Journal, que pode ser considerado a voz do sistema mais do que qualquer outra publicação, disse que as posições assumidas por Trump indicam uma visão de mundo em que a China domina o Pacífico, a Rússia domina a Europa e os Estados Unidos dominam as Américas”. 

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/mundialista/mundo-por-um-fio-conciliacao-ou-ruptura-na-fala-de-trump-a-nacao/

segunda-feira, 3 de março de 2025

Ilusão de Milei, trapaça de Trump e terremoto no Mercosul - Paulo Roberto de Almeida

Ilusão de Milei, trapaça de Trump e terremoto no Mercosul 

Paulo Roberto de Almeida 

https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/03/03/trump-diz-que-considerara-um-acordo-de-livre-comercio-com-a-argentina.ghtml 

Dois alertas nessa ameaça — pois é disso que se trata — de um possível acordo de livre comércio EUA-Argentina, que vai contra, aparentemente, aos baixos instintos do ultraprotecionista mercantilista do século XVII ocupando atualmente a presidência da ainda maior  economia do mundo, até aqui bastante aberta:


1) Só pode ser contra o Mercosul e mais especificamente contra o Brasil, pois tal possibilidade, se efetivada (ainda assim em prazo delongado até quase o final do mandato do laranjão maluco, dadas as regras de denúncia do Tratado de Assunção) significaria, simplesmente, a implosão do bloco do Cone Sul, com prejuízos para todos os paises membros;


2) o outro maluco presidencial hermano — que até já mudou completamente de posição em relação à Ucrânia, seguindo caninamente Trump, depois de ter dado a maior comenda argentina a Zelensky — acredita piamente nessa nova bazófia do laranjão, um mero anúncio genérico que provavelmente não será concretizado, por dificuldades naturais e políticos de um processo complexo como esse, e que provavelmente não será concretizado no mandato dos dois malucos, mas que vai provocar rupturas nos fluxos de comércio intra-Mercosul e prejudicar até mais a Argentina do que o Brasil.


 Ou seja, uma completa loucura essa provocação do Trump, num contexto de enorme ingenuidade da parte argentina.


Agora uma observação que já não tem uma mínima importância na atual conjuntura, mas que teria sido de uma enorme importância para o Mercosul e para todo o hemisfério se, EM 2005, os três patetas Lula-Kirchner-Chávez não tivessem implodido a Alca e se esta tivesse sido implementada a partir de 2005, com enormes consequências — não tanto em termos de comércio para p Brasil, mas sim em investimentos diretos — para todo o hemisfério, pelo menos durante 20 anos. Mesmo que Trump, desde o primeiro mandato, tivesse ele mesmo implodido uma hipotética Alca, como fez com o Nafta (substituído por uma contrafação trilateral medíocre, para acomodar os instintos protecionistas do laranjão, a Alca teria movimentado fluxos de investimentos que persistiriam ainda que afetados por uma nova fúria destruidora do grande idiota versão 2.

Concluindo: não acredito nesse acordo de livre comércio bilateral envolvendo dois malucos, mas o potencial desagregador do anúncio já terá produzido efeitos nefastos para os dois maiores países do Mercosul, em especial para o próprio proponente hermano (não mais).

Paulo Roberto Almeida

Brasília, 3/03/2025


https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/03/03/trump-diz-que-considerara-um-acordo-de-livre-comercio-com-a-argentina.ghtml 

Volodymyr Zelensky, l’homme à abattre - Gérard Grunberg

 Volodymyr Zelensky, l’homme à abattre

Telos.EU, March 3, 2025


https://www.telos-eu.com/fr/politique-francaise-et-internationale/volodymyr-zelensky-lhomme-a-abattre.html


Après les nombreuses injures et attaques verbales de Donald Trump et le piège du bureau ovale qui a été tendu à Volodymyr Zelinsky pour le discréditer, l’humilier et lui faire porter la responsabilité de l’absence de toute perspective de négociation sur la paix en Ukraine, les déclarations de Mike Waltz, le Conseiller à la sécurité nationale américain, confirment que le président ukrainien est désormais la cible principale du pouvoir américain. Celui-ci s’aligne ainsi sur le refus de Vladimir Poutine de le considérer comme un participant légitime à toute discussion sur l’Ukraine.

Tandis que les dirigeants européens réunis à Londres en présence de Zelinsky lui renouvelaient leur soutien, Michael Waltz, a déclaré en effet que la réunion du bureau ovale avait été « une énorme occasion manquée » d’où ressortait des doutes sur la volonté du dirigeant ukrainien « de jamais être en mesure de négocier avec Poutine » ou « de mettre fin à cette guerre ». Il a réitéré le fait que pour mettre fin à la guerre il faudra des « concessions territoriales » de l’Ukraine. Il faudra aussi, a-t-il dit, des « garanties de sécurité menées par l’Europe ». A la question de savoir si le président américain, Donald Trump, souhaitait la démission de son homologue ukrainien, Waltz a répondu : « Nous avons besoin d’un dirigeant capable de traiter avec nous, et au bout du compte traiter avec les Russes et mettre fin à cette guerre. » « S’il devient évident que les motivations personnelles ou les motivations politiques du président Zelensky éloignent la perspective de mettre fin au conflit dans son pays, alors je crois que nous aurons un vrai problème sur les bras », a-t-il ajouté.

Du coup, la question ukrainienne devient pour Trump une question Zelinsky. Pour deux raisons. D’abord il ne pardonne pas à ce dernier d’avoir refusé de signer l’accord sur les terres rares qui, outre les bénéfices qu’ils rapporteraient aux États-Unis, le mettrait dans une bonne situation pour négocier directement avec Poutine. Ensuite, il pensait manifestement que la menace de ne plus soutenir l’Ukraine suffirait à obtenir de Zelinsky, avant même l’ouverture de véritables négociations, les abandons nécessaires pour pourvoir les mener à bien. N’ayant pas obtenu ces abandons il se retrouve face à Poutine au fond de l’impasse dans laquelle il s’est engouffré dès le départ en acceptant d’exclure l’Ukraine de cette négociation. Poutine réaffirmant son refus de négocier avec le nazi Zelensky, Trump n’a plus dès lors comme solution que de s’aligner sur cette position, c’est-à-dire peser de tout son poids pour obtenir le remplacement du dirigeant ukrainien en l’accusant d’être l’unique obstacle à la paix.

Or les dirigeants européens ne peuvent accepter la position trumpienne car la disparition de Zelinsky signerait en réalité celle d’une Ukraine indépendante. Ils ne sont pas prêts à sacrifier Zelinsky sur l’autel d’une négociation avec Poutine. En reprenant à son compte les attaques mensongères et ordurières de Poutine contre Zelinsky, Trump a perdu la position de neutralité nécessaire pour organiser et mener à bien une négociation que d’ailleurs Poutine ne veut pas plus aujourd’hui qu’hier. Son attaque de plus en plus violente contre la personne de Zelinsky ne peut qu’approfondir la crise des relations entre les États-Unis et l’Europe.

La plupart des dirigeants européens auront beau tenter de sauver les relations transatlantiques, une rupture entre l’Europe et les États-Unis semble donc inévitable malgré tous les efforts qu’ils sont prêts à consentir. Les suppliques adressées par les Européens à Trump pour envisager ensemble une solution du problème ukrainien resteront sans doute sans réponse. Ils seront seuls pour aider l’Ukraine tandis que les États-Unis continueront à soutenir Poutine dans sa haine mortelle de Zelinsky. Le soutien européen à la personne de Zelinsky est justifié sur tous les plans mais la cristallisation des désaccords sur sa personne ouvre une nouvelle page de la crise ukrainienne. La réunion de Londres marque donc en même temps le réveil militaire de l’Europe et, à un horizon plus ou moins proche, la rupture avec les États-Unis. La faute, à la fois morale et politique, en reviendra à Poutine et Trump et non pas à Zelinsky.


Brics deve promover nova ordem mundial, defende chanceler brasileiro - Lucas Pordeus León (Agência Brasil)

Brics deve promover nova ordem mundial, defende chanceler brasileiro

Começou hoje em Brasília a primeira reunião do bloco este ano

Lucas Pordeus León - Repórter da Agência BrasiL,  25/02/2025 - 13:14 

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, abriu nesta terça-feira (25) a primeira reunião de 2025 das lideranças diplomáticas do Brics, em Brasília, destacando que, em um mundo convulsionado por crises e tensões geopolíticas, o bloco de potências emergentes deve promover nova ordem mundial.

“Neste cenário em evolução, o Brics tem um papel crucial a desempenhar na promoção de uma ordem mundial mais justa, inclusiva e sustentável. Um mundo multipolar não é apenas uma realidade emergente. É um objetivo compartilhado”, defendeu o chanceler brasileiro.

A primeira reunião dos sherpas do Brics, diplomatas que lideram as delegações de cada país nas negociações, segue até esta quarta-feira (26).

Mauro Vieira destacou que o foro incorpora as aspirações do Sul Global e defendeu as pautas históricas da organização:

Mauro Vieira avaliou que os princípios do multilateralismo – que é a cooperação de vários países para atingir um objetivo comum – estão sendo testados pela nova conjuntura internacional e que instituições de longa data, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), lutam para se adaptar às mudanças recentes na política e economia global.

“As necessidades humanitárias estão crescendo, mas a resposta internacional continua fragmentada e, às vezes, insuficiente. Se quisermos enfrentar esses desafios, precisamos defender uma reforma abrangente da arquitetura de segurança global”, afirmou Mauro Vieira.

O chanceler lembrou que hoje o Brics representa quase metade da população global, tem 39% do Produto Interno Bruto (soma dos bens e serviços produzidos, PIB) do planeta e é responsável por 50% da produção de energia no mundo

“Este grupo do Sul Global e nosso papel na formação no futuro nunca foram tão significativos. A recente expansão do Brics de cinco para 11 membros foi um grande desenvolvimento”, completou

Inteligência artificial

A agenda do Brics este ano, sob a presidência brasileira, tem promovido a necessidade de se construir uma governança global da inteligência artificial (IA), que evite que a ferramenta seja usada para ampliar as desigualdades no mundo.

“[A IA] não pode ser ditada por um punhado de atores enquanto o resto do mundo é forçado a se adaptar a regras que eles não tiveram papel na formação. Devemos defender uma abordagem multilateral, que garanta que o desenvolvimento da inteligência artificial seja ético, transparente e alinhado com o interesse coletivo da humanidade”, defendeu Mauro Vieira.

Comércio e clima

Outra prioridade citada pelo ministro Mauro Vieira, na presidência brasileira do bloco, é o fortalecimento do comércio entre seus membros para “aumentar os fluxos comerciais, explorando medidas de facilitação do comércio e estimulando instrumentos de pagamento em moedas locais”.

O chanceler brasileiro criticou a falta de financiamento para a adaptação e mitigação das mudanças climáticas nos países do Sul Global. “A justiça climática deve estar no centro das discussões internacionais, garantindo que as nações em desenvolvimento tenham a autonomia e os recursos necessários para fazer a transição para economias de baixo carbono sem sacrificar suas metas de desenvolvimento”, ponderou.

Presidência brasileira

Brasil assumiu a presidência do Brics neste ano em meio à expansão do bloco, que passou a ter a Indonésia como membro permanente, além de outros nove membros parceiros.

O governo brasileiro elencou seis prioridades para as discussões do grupo: 

  • Cooperação Global em Saúde
  • Comércio, Investimento e Finanças 
  • Combate às Mudanças Climáticas 
  • Governança de Inteligência Artificial 
  • Reforma do Sistema Multilateral de Paz e Segurança
  • Desenvolvimento Institucional do Brics.


O BEM-VINDO OCASO DE LULA E BOLSONARO ! - Editorial Estadão

OPINIÃO DO ESTADÃO, 3/03/2025

O BEM-VINDO OCASO DE LULA E BOLSONARO ! 

Enquanto Bolsonaro está a caminho do banco dos réus, Lula lida com a decepção e frustração popular. Um calvário que pode deixar órfãos seus eleitores, mas é oportunidade para o País ! 

Há um sentimento de orfandade no ar diante do presente frágil e do futuro sombrio reservados aos dois principais líderes que, nos últimos anos, empurraram o Brasil ladeira abaixo de uma divisão nefasta. O presidente Lula da Silva e seu antecessor, Jair Bolsonaro, enfrentam, cada um a seu modo, um julgamento público que pode significar-lhes o ocaso – um calvário gerador de incômoda melancolia na larga faixa do eleitorado que tem se movido por uma mistura de paixões políticas e ódio às identidades adversárias.

Como se sabe, o demiurgo petista se vê às voltas com uma queda profunda de sua popularidade, expressão do descontentamento e da frustração da base que o elegeu, além da insatisfação já duradoura da chamada frente ampla que apostou nele por temor e rejeição ao adversário. Não bastasse a impopularidade, Lula enfrenta ainda um mal maior: a dificuldade crônica de renovar ideias e soluções para o País, fazendo do seu governo uma soma inquietante de velhos projetos para novos problemas.

Já o ex-capitão liberticida, que passou seus anos de mau militar, mau parlamentar e mau presidente insuflando ânimos golpistas, precisará lidar com o julgamento do Supremo Tribunal Federal, acusado que foi de ter cometido os crimes de organização criminosa, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros delitos. Somadas, as penas podem passar dos 40 anos de prisão.

Dada a assimetria dos riscos impostos a ambos, não são julgamentos similares, mas seus efeitos, de certo modo, são. Para quem fez carreira dividindo o País entre “nós” e “eles”, não há perspectiva pior do que a perda de força política e a crescente incapacidade de inspirar o presente e o futuro – é disso, afinal, que depende o poder. Pois Lula e Bolsonaro podem passar cada vez mais, isso sim, a representar o passado.

Bolsonaro já poderia ter sido expelido da política desde quando ultrapassou os limites do decoro e da decência ao envergonhar a instituição parlamentar. Poupado, entendeu que não precisava respeitar limite algum – nem legal, nem político, nem moral – e foi em cima dessa ideia que se lançou à Presidência, em 2018, como candidato “antissistema”. E assim gestou um governo conflituoso, irresponsável e desastroso.

Lula retornou ao poder vendendo a falácia de que poderia ser o artífice da reconciliação tão desejada pelos brasileiros, mas tem se mostrado incapaz de fazer jus à missão recebida. As contradições e fragilidades do terceiro mandato são o preço a pagar pelo pensamento envelhecido de um líder e de um partido que se opuseram aos esforços para a estabilização da economia nos anos 1990, hostilizaram todos os governos aos quais fizeram oposição e, uma vez no poder, produziram a mais grave crise política e econômica da história recente do País.

O infortúnio dos dois deve tornar mais difícil a vida das hostes de militantes, mas é uma ótima notícia para um país que perde muito quando seus dois maiores líderes não conhecem outra língua senão a do enfrentamento, estimulam o rancor contra aqueles que consideram seus inimigos e buscam, como populistas empedernidos que são, confundir-se com os mais legítimos interesses do povo.

Se ambos não se recuperarem da crise que os abate, resta saber o que virá a seguir. Otimistas apontam uma boa dose de esperança para o surgimento de novas lideranças – menos personalistas, mais democráticas e plurais, e sobretudo mais capazes de oferecer novas e melhores ideias para os problemas atuais e futuros. Céticos sugerem, ao contrário, que o vácuo de lideranças pode abrir espaço para aventureiros que apostam na antipolítica.

Este jornal acredita na chance de o País virar a página, embora alerte para os aventureiros à espreita. Eis um momento-chave para que o debate público no Brasil afinal deixe de ser intoxicado pelo ódio, que reduz a política ao confronto estéril entre duas visões atrasadas de mundo. Os tempos destrutivos e paralisantes protagonizados por Lula e Bolsonaro podem chegar ao fim, desde que seus eventuais herdeiros não sejam a continuidade do atraso.

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