Já chegamos ao último grau do fanatismo político? Talvez ainda não!
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre a deformação mental de alguns fanáticos pelo autoritarismo.
Nos anos 1930, pacíficos alemães — supostamente um dos povos mais cultos da Europa —, que poderiam estar tranquilamente lendo Goethe ou ouvindo alguma sinfonia de Ludwig van Beethoven, foram enredados numa nova e grave crise econômica — que já tinha destruído suas poupanças numa versão anterior —, duplicada pela exacerbação de paixões politicas opostas, que começaram a minar os fundamentos da República de Weimar, dotada de uma das constituições mais progressistas e inovadoras do mundo civilizado.
Daí para uma das pregações políticas mais atraentes oferecidas no mercado das opções eleitorais foi apenas um passo, e depois para um mergulho na adesão fatal ao “salvador da nação”.
Ao longo dos anos seguintes, a adesão às mensagens de ódio fez com que os “pacíficos” eleitores passassem a frequentar os conclaves mobilizadores e a denunciar vizinhos, por alguma vaga sensação de que eles eram nocivos ao bem-estar da sociedade alemã. A sequência é bem conhecida na História: o comportamento brutal induzido pelo supremo líder levou à catástrofe da guerra e ao horror do Holocausto, complementado pelas ações individuais de fanatismo e de matança serial.
Ainda não chegamos a esse estágio, mas a veiculação de vídeos de pessoas bebendo um detergente por acaso detectado como possível indutor de contaminação por bactéria numa análise técnica me fez pensar em como a mente humana pode ser frágil em face de apelos políticos persistentemente veiculados, como foi o caso do nazismo e do hitlerismo na Alemanha dos anos 1930 e primeira metade dos anos 1940.
De fato, é quase incompreensível como um povo culto como o alemão foi fanatizado de maneira tão absoluta que foi capaz de perpetrar as brutalidades mais atrozes no curso da guerra (e mesmo antes, nas exações contra os judeus, logo depois contra certas minorias e deficientes em algum grau.
Não, ainda não chegamos lá, mas certas imagens nos últimos dias me deixaram bastante preocupado. Até onde a estupidez humana pode levar a gestos e comportamentos insensatos? Não estamos no último grau do fanatismo político, pelo menos ainda não. Mas as sementes já foram plantadas anos atrás e o que eu pensava tratar-se de um fenômeno passageiro parece ter se transformado num movimento caótico, mas portador de algumas disfunções talvez preocupantes para o futuro de uma nação amena e civilizada.
Meu “talvez” do título foi muito hesitante, pois algumas reações dessa tribo de aderentes podem ser reveladoras de tendências mais profundas. Algumas características da personalidade de um dirigente de uma grande democracia, como detectadas por psiquiatras dos mais competentes, demonstram como certos instintos destruidores podem ser facilmente transmissíveis a um maior número de pessoas, possivelmente propensas a comportamentos pautados por profunda alienação da realidade.
Não tenho pretensões à psiquiatria política, mas tenho a impressão de que voltamos às paixões da pandemia.
Não esperava isso dos brasileiros, pois sei das mortes não “necessárias”, mas provocadas por lideranças das mais desequilibradas, próximas de certos precedentes dos mais tristes…
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5309, 14 maio 2026, 2 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (link: Já chegamos ao último grau do fanatismo político? Talvez ainda não! - Paulo Roberto de Almeida
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Comentários Madame IA:
Capítulo 1: Decodificação de Alusões Históricas e Códigos da Crise Contemporânea:
O texto apresentado opera por meio de analogias estruturais profundas entre o colapso institucional da República de Weimar e a dinâmica política brasileira contemporânea em maio de 2026. A menção aos alemães cultos que liam Johann Wolfgang von Goethe ou ouviam as composições de Ludwig van Beethoven evoca o paradoxo da barbárie instruída. Esse conceito demonstra que o refinamento intelectual e cultural de uma sociedade não constitui um escudo impermeável contra o avanço de ideologias totalitárias ou comportamentos de desumanização coletiva. A referência ao "salvador da nação" sintetiza o mecanismo do messianismo político, no qual crises socioeconômicas agudas e a erosão da confiança nas instituições democráticas tradicionais abrem espaço para lideranças carismáticas de perfil autocrático. Essas figuras prometem a restauração da ordem por meio da identificação e eliminação de supostos inimigos internos.
A alusão específica ao consumo de detergente devido a uma suposta contaminação bacteriana funciona como um código analógico para episódios recentes de pânico e desinformação sanitária no Brasil. O fragmento conecta esse comportamento à fragilidade da mente humana diante de apelos políticos persistentes. Esse fenômeno repete a lógica da desinformação em massa que caracterizou a máquina de propaganda do nacional-socialismo na Alemanha. O uso do termo "paixões da pandemia" remete diretamente à crise da Covid-19 e ao negacionismo científico. Naquele período, discursos oficiais minimizaram a gravidade da emergência sanitária, promoveram tratamentos ineficazes e sabotaram as medidas de isolamento. O resultado foi o que o autor classifica como mortes provocadas por lideranças desequilibradas, aproximando a gestão da crise sanitária de precedentes históricos de negligência e extermínio estatal.
Capítulo 2: Crítica da Fragilidade Psicológica e da Transmissão de Instintos Destrutivos:
A hipótese central de que certos instintos destruidores de um dirigente político são facilmente transmissíveis a uma massa de aderentes propensa à alienação da realidade requer um exame crítico à luz da psicologia das massas e da ciência política. O texto sugere uma relação de causalidade direta e unidirecional entre a psicopatologia do líder e o comportamento do seguidor. Essa perspectiva simplifica um processo sociopolítico muito mais complexo. O fenômeno do fanatismo e da adesão cega a narrativas absurdas não decorre apenas da capacidade de hipnotismo de um governante autoritário. Ele se alimenta de ressentimentos estruturais pré-existentes, da fragmentação dos canais de informação e da busca por pertencimento em uma sociedade polarizada.
A preocupação do autor com os episódios recentes de comportamento insensato revela como a desinformação orquestrada consegue suplantar a racionalidade básica. Quando indivíduos são expostos a fluxos contínuos de teorias conspiratórias que associam produtos cotidianos a ameaças biológicas ou conspirações estatais, o discernimento empírico é substituído pela lógica da sobrevivência tribal. A mente humana demonstra-se vulnerável não por uma incapacidade cognitiva inerente, mas porque o ecossistema digital contemporâneo foi desenhado para engajar através do medo e da indignação. A rejeição de laudos técnicos e o surgimento de comportamentos bizarros — como o monitoramento obsessivo de supostos agentes contaminantes baseado em orientações de redes sociais — evidenciam que a validação do grupo político passou a ter mais peso do que a realidade factual compartilhada.
Capítulo 3: As Sementes do Fanatismo e as Perspectivas para o Futuro Nacional:
A constatação de que o fenômeno que se supunha passageiro transformou-se em um movimento caótico permanente constitui o ponto mais alarmante da reflexão. A ideia de que o Brasil seria uma nação amena e civilizada, imune aos radicalismos violentos que assolaram a Europa no século vinte, revela-se um mito fundacional desmentido pela história e pelo cenário atual de 2026. As sementes plantadas anos atrás frutificaram em uma subcultura política que opera à margem do debate institucional e das regras de convivência democrática. Esse movimento caótico não busca a conquista do poder para implementar um programa de governo tradicional, mas sim a manutenção de um estado de insurgência e desconfiança permanente contra o conhecimento científico, a imprensa e o sistema eleitoral.
Embora o autor ressalte justificadamente que o Brasil ainda não atingiu o último grau do fanatismo totalitário — caracterizado pela eliminação física sistemática de minorias e oponentes —, as tendências profundas detectadas apontam para uma erosão civilizatória preocupante. O perigo real não reside na repetição idêntica dos rituais do nazismo dos anos 1930, mas na consolidação de um extremismo adaptado à era dos algoritmos. Esse modelo dispensa os grandes conclaves mobilizadores físicos em praça pública, substituindo-os por câmaras de eco digitais que radicalizam o cidadão comum em sua própria esfera privada. O impasse atual reside na dificuldade das instituições democráticas e dos mecanismos de regulação da informação em conter essa disfunção, sem que isso seja interpretado pela tribo de aderentes como uma confirmação de suas próprias teorias persecutórias.
Fonte (IA Gemini):