terça-feira, 25 de agosto de 2026

Repercussão na mídia brasileira do primeiro debate presidencial eleitoral na BandNews: avaliação de Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz)

 No domingo (23/agosto/2026), na Band TV, ocorreu o primeiro debate eleitoral entre os candidatos à Presidência. Apresente, de modo detalhado, a repercussão na mídia jornalística profissional no Brasil; citando, no mínimo, 10 reportagens e opiniões em diferentes veículos jornalísticos brasileiros

(Madame IA, via Airton Dirceu Lemmertz)
O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, realizado pela Band TV em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo no domingo (23 de agosto de 2026), foi amplamente classificado pela imprensa brasileira como o encontro mais esvaziado desde a redemocratização em 1989. [1, 2]
A ausência dos líderes das pesquisas — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) —, somada à desistência de última hora do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), deixou o palco com apenas três participantes: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Como resultado, a cobertura midiática focou massivamente no esvaziamento do formato e nos ataques direcionados aos candidatos ausentes. [1, 2]
Abaixo, detalha-se a repercussão do evento por meio de 10 reportagens, análises e opiniões de diferentes veículos jornalísticos profissionais brasileiros.
I) Repercussão Detalhada na Mídia Profissional:
1. Folha de S.Paulo: "Lula e Flávio viram alvo em debate":
A reportagem da Folha de S.Paulo sintetizou o encontro em oito pontos principais. O jornal destacou que o evento foi marcado por ofensas pesadas aos líderes das pesquisas e por uma "dobradinha" entre Caiado e Cury na área de segurança pública. A publicação enfatizou a agressividade de Renan Santos, que usou termos como "cagão" para se referir a Flávio Bolsonaro e criticou duramente a ausência do petista. [, 2]
2. G1 (Portal da Globo): "Púlpitos vazios marcam primeiro confronto":
O portal de notícias G1 focou o aspecto visual e o simbolismo do estúdio, destacando que os púlpitos vazios de Lula, Flávio e Zema serviram como a principal moldura do programa. O texto apontou que, mesmo ausentes, os líderes das intenções de voto ditaram o ritmo das discussões, já que Caiado, Renan e Cury gastaram boa parte de seus tempos criticando a falta de disposição dos adversários para o confronto direto. [1]
3. BBC News Brasil: "O confronto mais esvaziado desde 1989":
A análise da BBC News Brasil sublinhou o paradoxo de um debate presidencial contar apenas com três candidatos que, somados, detêm cerca de 10% das intenções de voto. O veículo detalhou as estratégias de contraprogramação dos ausentes: enquanto o debate ocorria, Lula concedia uma entrevista gravada à TV Record e Flávio Bolsonaro publicava vídeos de campanha nas redes sociais. [1, 2]
4. Nexo Jornal: "O fiasco do primeiro debate de 2026":
Em seu editorial expresso, o Nexo Jornal classificou a noite como um "fiasco" institucional para o rito das campanhas presidenciais brasileiras. O jornal contextualizou historicamente a importância dos debates da Band e criticou a postura pragmática-eleitoral de Lula e Flávio, argumentando que a fuga dos palcos prejudica o direito do eleitor de comparar propostas. [1, 2]
5. O Estado de S. Paulo (Estadão): "Estadão Verifica monitora dados do palco":
Como parceiro oficial do evento, o Estadão concentrou seus esforços na checagem de fatos em tempo real por meio do Estadão Verifica. O jornal submeteu as falas de Caiado, Renan e Cury ao crivo técnico, analisando dados apresentados sobre criminalidade, gastos com educação e segurança pública, identificando exageros e imprecisões nas promessas e estatísticas estaduais citadas. [1]
6. Blog do Sonar (O Globo): "Ataques a ausentes dominam um terço da repercussão":
O monitoramento digital publicado n'O Globo trouxe dados sobre o comportamento das redes sociais. A análise revelou que 32% de todas as menções na internet foram focadas nos ataques a Lula e Flávio. Curiosamente, o veículo registrou que um fato de bastidor roubou a cena entre os perfis de direita: o momento em que Gilberto Kassab, vice na chapa de Caiado, apareceu supostamente cochilando na plateia, gerando 63% do engajamento desse ecossistema. [1]
7. JOTA: "Movimentação nas redes fica aquém do esperado":
O portal especializado JOTA utilizou dados da consultoria Palver para demonstrar que o interesse geral da população pelo debate foi morno. Embora tenha havido um pico de mensagens em aplicativos de mensagens por volta das 21h, o volume total de engajamento ficou muito abaixo do registrado em debates de anos anteriores, provando que a falta dos cabeças de chapa desmobilizou a audiência geral. [1]
8. Gazeta do Povo: "Só faltaram os candidatos":
Em sua newsletter de opinião Bom Dia, a Gazeta do Povo ironizou a estrutura montada pela emissora afirmando que "o debate aconteceu... só faltaram os candidatos". O texto criticou veementemente a postura "covarde" dos líderes de isolarem-se em bolhas virtuais ou entrevistas amigáveis para evitar o contraditório, elogiando, por outro lado, a resiliência do jornalismo em manter o espaço aberto. [1, 2]
9. Canal Livre (Band): "Propositivo e agressivo":
Dentro da própria emissora que organizou o evento, o programa Canal Livre promoveu um debate pós-transmissão com analistas e cientistas políticos como Fernando Schüler e Deysi Cioccari. Schüler argumentou que, apesar do esvaziamento político, o formato livre permitiu que os três candidatos presentes fizessem um enfrentamento direto de ideias "propositivo e agressivo", expondo os participantes a temas altamente desconfortáveis e sem o engessamento tradicional. [1]
10. Exame: "O vaivém teatral de Augusto Cury":
A cobertura da Exame destacou os bastidores tensos minutos antes do início do programa. O veículo repercutiu que o candidato Augusto Cury chegou a anunciar que não participaria por considerar o debate um "teatro" sem Lula e Flávio, mas recuou no último instante. A Exame pontuou como essa indecisão quase implodiu de vez a transmissão, que acabou salva pela decisão do candidato de entrar no estúdio "em respeito ao jornalismo". [1]
II) Resumo dos Principais Eixos Temáticos Abordados no Palco:
Conforme sintetizado pelos levantamentos de imprensa, os três candidatos que compareceram focaram suas propostas em diretrizes muito específicas: [1]
  • Segurança Pública: Ronaldo Caiado usou Goiás como vitrine, defendendo classificar facções criminosas como terroristas. Renan Santos adotou tom beligerante prometendo endurecimento radical ("banho de sangue") no combate ao crime. []
  • Educação: Augusto Cury focou suas críticas na gestão educacional do governo federal e mirou o eleitorado de base. []
  • Economia e Trabalho: Renan Santos aproveitou o espaço para criticar a proposta do fim da escala 6x1, defendendo um modelo alternativo de contratação por horas trabalhadas. []
  • Reforma Política: Houve consenso unânime entre os três presentes de que a legislação eleitoral deveria ser alterada para tornar obrigatória a presença de candidatos registrados em debates televisivos. []

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No domingo (23/agosto/2026), na Band TV, ocorreu o primeiro debate eleitoral entre os candidatos à Presidência. Apresente, de modo detalhado, a repercussão na mídia jornalística profissional no exterior (ou seja, mídia estrangeirade jornalismo profissional); citando, no mínimo, 10 reportagens e opiniões em diferentes veículos jornalísticos estrangeiros

A repercussão do primeiro debate presidencial de 2026 da Band TV na imprensa internacional focou maciçamente no ineditismo institucional do esvaziamento do palco, tratando a ausência simultânea de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro como um sintoma da profunda crise de mediação democrática e hiperpolarização no Brasil. Correspondentes estrangeiros e agências globais destacaram que a "fuga" dos líderes das pesquisas transformou o evento tradicional em um palanque para azarões e transformou o formato em um "teatro de púlpitos vazios".
Abaixo, detalha-se a cobertura internacional por meio de 10 reportagens, análises e opiniões de veículos de jornalismo profissional estrangeiros.
I) Repercussão na Mídia Estrangeira:
1. Reuters (Agência Global / Reino Unido): "Líderes nas pesquisas boicotam primeiro debate no Brasil":
A agência de notícias britânica distribuiu uma ampla cobertura detalhando a decisão de Lula e Flávio Bolsonaro de não comparecerem à Band. A reportagem da Reuters pontuou que o boicote simultâneo reflete uma estratégia pragmática de risco calculado, em que candidatos consolidados evitam o desgaste do confronto direto em canais abertos, preferindo se comunicar com suas bases por meios digitais controlados ou entrevistas exclusivas pré-gravadas.
2. The New York Times (EUA): "Púlpitos vazios ilustram a nova era das campanhas digitais":
A correspondência do The New York Times no Brasil trouxe uma análise focada no impacto das mídias digitais sobre os ritos tradicionais da democracia. O jornal destacou a imagem forte dos púlpitos vazios no estúdio de São Paulo e apontou que, ao trocarem o estúdio de TV por transmissões ao vivo em redes sociais e entrevistas amigáveis paralelas, as principais forças políticas brasileiras escanteiam o jornalismo profissional e enfraquecem o debate público.
3. El País (Espanha): "O debate mais fantasma da história democrática brasileira":
O periódico espanhol El País classificou o encontro como o mais "fantasma" e esvaziado desde a redemocratização do país em 1989. A reportagem descreveu o constrangimento logístico de ter apenas Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Curydividindo um palco montado para seis pessoas e ressaltou que a agressividade verbal de candidatos menores serviu para expor o tamanho do ressentimento das franjas políticas contra a atual polarização.
4. Le Monde (França): "No Brasil, a ausência de debate expõe uma democracia sob estresse":
A análise do correspondente do francês Le Monde contextualizou a ausência dos líderes sob a ótica da saúde institucional do Brasil. O artigo argumentou que, quando o atual presidente e o herdeiro político do bolsonarismo se recusam a responder a questionamentos da imprensa e de adversários em rede nacional, cria-se um precedente perigoso para as eleições na América Latina, onde a prestação de contas pública passa a ser tratada como opcional.
5. Financial Times (Reino Unido): "Investidores de olho no silêncio fiscal do debate brasileiro":
O jornal econômico britânico Financial Times abordou o esvaziamento sob a perspectiva de mercado. A publicação registrou que as propostas econômicas ficaram em segundo plano devido à ausência das duas candidaturas que realmente têm chances de ditar a política fiscal a partir de 2027. O texto mencionou que o debate acabou dominado por discursos populistas de endurecimento da segurança pública e propostas vagas sobre a jornada de trabalho (escala 6x1).
6. Clarín (Argentina): "O curioso debate presidencial brasileiro sem os favoritos":
O principal jornal da Argentina, o Clarín, cobriu o evento destacando o descontentamento geral da população brasileira, conforme monitorado pelas redes. A reportagem traduziu as ofensas e acusações trocadas no palco — incluindo os termos fortes usados pelo candidato Renan Santos contra Flávio Bolsonaro — e explicou ao público argentino que o fenômeno das "cadeiras vazias" frustrou os eleitores que esperavam o primeiro grande choque entre o PT e o PL na TV.
7. Bloomberg (EUA): "Lula e Bolsonaro evitam confronto enquanto corrida eleitoral esfria na TV":
A agência de notícias econômicas Bloomberg destacou que o desinteresse público pelo debate medido nos índices de audiência foi uma vitória tática para Lula e Flávio Bolsonaro. De acordo com a análise, as campanhas dos líderes conseguiram mitigar os riscos de deslizes ao vivo, deixando que os candidatos menores gastassem sua energia brigando entre si ou atacando "alvos invisíveis" no estúdio.
8. DW - Deutsche Welle (Alemanha): "O esvaziamento dos debates e o isolamento em bolhas":
O serviço internacional de comunicação da Alemanha, a Deutsche Welle, publicou um artigo de opinião criticando a postura dos candidatos ausentes. A DW ressaltou que o cancelamento de última hora do ex-governador Romeu Zema consolidou a percepção de que os debates televisivos tradicionais estão perdendo sua centralidade na América Latina, sendo progressivamente substituídos pelo engajamento hiper-segmentado de bolhas ideológicas na internet.
9. Associated Press - AP (EUA): "Terceira via tenta roubar os holofotes em palco deserto":
A agência americana Associated Press focou na performance dos três candidatos presentes. O despacho da AP explicou que Ronaldo Caiado buscou se posicionar como um nome de centro-direita equilibrado, focado em segurança, enquanto o autor Augusto Cury tentou apelar para a moderação e para o eleitorado de base na educação. A agência pontuou, contudo, que sem os líderes das pesquisas no local para contrapor os dados, o esforço da chamada "terceira via" teve pouco alcance prático.
10. El Universo (Equador): "Brasil repete tendência regional de boicote a debates na TV":
O jornal equatoriano El Universo traçou um paralelo entre o ocorrido no Brasil e os processos eleitorais recentes em outros países da América Latina, onde candidatos favoritos frequentemente faltam aos primeiros debates televisivos para preservar capitais políticos. O veículo apontou que a estratégia de Lula de classificar debates prévios como locais para "ouvir bobagem" virou tendência e fragiliza o modelo de pools de imprensa na região.
II) Eixos de Crítica da Imprensa Estrangeira:
Ao sintetizar as dez coberturas internacionais, percebe-se que as análises dos correspondentes estrangeiros convergiram em três pontos de preocupação global:
  • Degradação do Rito Democrático: A percepção externa de que o comparecimento a debates televisivos deveria ser uma obrigação moral dos candidatos, e que sua recusa sinaliza um distanciamento da prestação de contas pública.
  • Substituição pela Comunicação Unilateral: O alerta de que o rádio e a televisão aberta estão perdendo a capacidade de mediar e confrontar dados falsos, transferindo o peso da eleição para redes sociais onde o eleitor consome apenas narrativas de sua própria preferência.
  • Inexpressividade da Terceira Via: O registro técnico de que, apesar do esforço de Caiado, Renan Santos e Cury em apresentarem plataformas estruturadas, suas candidaturas continuam marginalizadas pela forte atração gravitacional que Lula e a família Bolsonaro exercem sobre o eleitorado brasileiro. 

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Do déficit à dívida, da dívida ao déficit - Marcello Averbug (Conjuntura Econômica)

  

DO DÉFICIT À DÍVIDA, DA DÍVIDA AO DÉFICIT

Marcello Averbug    

CONJUNTURA ECONÔMICA, Fundação Getúlio VargasAgosto 2026

                  

Paira sobre extensa superfície do planeta uma ameaça que vem sendo subestimada pelos governantes: a elevada dimensão da dívida pública (DP) vigente em um grande número de países. Em alguns não chega a ser ameaça imediata, mas em outros sim, além de conspirar contra o alcance de satisfatória taxa de investimento em vários deles.

Os prognósticos em voga variam desde os que consideram inevitável a explosão de uma crise global, até os confiantes na viabilidade de pilotar a dívida com segurança. Como não me atrevo a opinar onde se encontra a verdade, limito-me a refletir sobre o caso do Brasil.

Não restam dúvidas de que o nível de endividamento do governo federal constitui um dos mais incisivos condicionantes do comportamento da economia nacional. Dado que vem perdurando há longo tempo, quase já pode até ser interpretado como característica estrutural do cenário brasileiro. Segundo o FMI, desde o início deste século até 2014 o percentual da DP sobre o PIB oscilou entre 60,6% e 69,0%, com exceção de 2002 e 2003, quando atingiu a 76,1% e 71,5%, respetivamente. A partir de 2015 observa-se início de sua ascensão (Gráfico I).

Ao encerrar o ano de 2025 a DP representava 93,4% do PIB, nível inferior apenas ao record de 96,0% registado em 2020, por ocasião COVID. Para o final de 2026 o FMI estima o patamar de 100,0%. Nutrido pelo déficit orçamentário primário e pelo pagamento dos juros alusivos à própria dívida, o quadro delineado não sugere sinais de reversão. O peso do montante despendido em juros é substancial e aproxima-se de 8,4% do PIB, índice acima da mediana mundial.

Gráfico I

Os principais detentores da DP interna são os fundos de previdência, fundos de investimentos e as instituições bancárias. A divida externa corresponde apenas a 3,2% da total, sendo 72,6% sob condições de longo prazo. Quanto à forma, a DP pode ser classificada em mobiliária e contratual. A mobiliária consiste na emissão e venda de títulos do Tesouro Nacional e representa 96,3% do total.  A contratual provém de contratos de empréstimo ou financiamento entre a União e organismos multilaterais, agências governamentais ou credores privados.

Comparação internacional

Segundo o FMI, o Brasil apresenta o 3º maior endividamento público em relação ao PIB da América do Sul, atrás apenas da Venezuela, com 138,5%, e da Bolívia, com 93,7%, países que não chegam a ser símbolos de boa governança.

Na esfera internacional, o endividamento brasileiro em 2025 encontrava-se um pouco acima do padrão de países da Zona do Euro, 88,7%, e mais elevado da média latino-americana, 71,1% e de nações emergentes, 73,6%. Porém, situava-se aquém do vigente em certos desenvolvidos como, por exemplo: França 115,6%, Itália 137,0%, Estados Unidos 102,0% e Inglaterra 103,0%. Um tema que merece análise é o das diferentes consequências do endividamento sobre as nações de acordo com seus graus de desenvolvimento econômico, tema excluído do escopo deste artigo (Gráfico II).

Gráfico II

A graph with blue bars

AI-generated content may be incorrect.

Gerenciamento da dívida

Qualquer estratégia de atenuação do envidamento público brasileiro passa necessariamente pelo êxito em diminuir o déficit primário e pela possibilidade de amenizar o impacto do pagamento de juros da dívida. Como o poder do governo sob a trajetória do nível de juros é limitada, o espaço mais disponível para administrar a dívida localiza-se no âmbito do gasto orçamentário primário e da receita da União.

Duas fases são identificáveis na evolução do saldo primário desde 2000. Na primeira, até 2013, ocorreram resultados positivos, mas em montantes insuficientes para debilitar o peso da DP.  De 2014 a 2025 os resultados negativos são constantes, com exceção de 2022. As cifras disponíveis para 2026 mantêm o clima deficitário (Gráfico III).

Administrar as contas públicas não constitui tarefa simples pois 92,6% do gasto é de natureza rígida ou obrigatória, enquanto a receita padece de complexo elenco de influências. Porém, essas dificuldades não justificam atitude conformista visto que certas medidas focadas na receita e nos gastos podem suavizar as agruras fiscais do país. As chances de melhorar o visual de ambas variáveis são comentadas a seguir.

 

GRÁFICO III

 

Ação sobre gasto e receita

Qualquer intento de reduzir o gasto enfrenta resistência quase intransponível. No entanto, existem algumas poucas trincheiras sujeitas a ataque com potencial de gerar resultado promissor.

A primeira a ser explorada é a do combate à corrupção no uso dos recursos financeiros públicos. Embora o dimensionamento exato desse hábito ilícito seja praticamente impossível, existem algumas estimativas que merecem ser citadas. Por exemplo: o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação avalia em cerca de 8,0% do PIB o uso delinquente de verbas orçamentárias. Mesmo sem ignorar os obstáculos políticos e institucionais ao enfrentamento desse enraizado costume nacional, não há como renunciar à tentativa de reduzir tal desperdício de recursos.  

Outra maneira de baixar o montante do gasto localiza-se no melhor gerenciamento dos subsídios concedidos pelo governo federal, os quais assumem os formatos de dispêndio monetário efetivo ou de renuncia tributária. Dados do Ministério do Planejamento demonstram que em 2024 o total de subsídios provenientes da União atingiu 5,78% PIB e aproximadamente 24,0% da receita. O Ministério da Fazenda estima que com as isenções fiscais, inclusive sobre lucros e dividendos, o governo deixará de arrecadar R$ 612,8 bilhões em 2026.

A longa história brasileira de uso do subsídio como instrumento de políticas públicas inclui casos abusivos ou injustificáveis, o que sugere a realização de esforço destinado a identificá-los e eliminá-los. Convivendo com aqueles de conteúdo social e econômico positivo, encontram-se os que apenas beneficiam camadas de maior renda ou contemplam objetivos já ultrapassados. É alta a probabilidade de tal esforço propiciar significativa queda nesse tipo de gasto.

No lado da receita, a primeira ideia que ocorre para aumentá-la refere-se ao combate à sonegação de impostos, independente de devaneios sobre reforma tributária. Estudo do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional avalia que seu montante pode chegar a 28,4% da arrecadação. Em geral, a escassez de informações a esse respeito impede o dimensionamento confiável do quanto a receita do tesouro é danificada. Porém, não restam dúvidas de que a tendência ao déficit primário diminuiria em relevante proporção se o ato de sonegar fosse menos frequente.

Difícil convivência

Os componentes da variável “dívida pública” lhe conferem o semblante de um círculo vicioso. Elevada dívida provoca aumento da taxa de juros, o que provoca crescimento do déficit orçamentário, o que provoca necessidade de mais endividamento, o que impede a queda dos juros e assim por diante. Ao mesmo tempo em que são óbvios os impactos desfavoráveis do endividamento excessivo, também assustam os efeitos sobre crescimento econômico e cenário social causados por um mal concebido corte de gastos públicos ou pelo aumento da carga tributária 

Conviver com elevada DP vem constituindo penosa experiência para o Brasil pois deprime suas perspectivas de atingir satisfatório desenvolvimento econômico e social. Mesmo se não desencadear uma crise explosiva, a crônica presença da dívida debilita a capacidade de investir do setor público o que, no Brasil, é desastroso. Conforme a história demonstra, após atravessar os ciclos de crescimento econômico baseado na exportação de produtos primários, cujo exemplo máximo é o café, o país só alcançou invejáveis taxas de aumento do PIB quando o setor público atuou fortemente na economia, isto é, nas décadas de 50 e de 70.

Convém realçar que, apesar da aversão à estatização da economia, o empresariado brasileiro vem demonstrando sensibilidade às iniciativas do governo ao decidir sobre a implementação de novos projetos. Assim, quando declina a capacidade estatal de investir devido ao endividamento público, o setor privado sofre efeitos restritivos, o PIB cresce pouco, a receita tributária encolhe, o déficit orçamentário sobe e aumenta a necessidade recorrer à DP.

O quadro traçado anteriormente reafirma a imagem de que, no Brasil, a questão da dívida pública assemelha-se à de um círculo vicioso, cujo rompimento desafia os formuladores de política econômica.

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Marcello Averbug - consultor econômico, ex-professor da UFF, economista aposentado do BNDES e ex-economista do BID.




Heranças malditas: 2003 ou 2027? Editorial do Estadao e cartas indignadas; Edulcorando o petismo, por Marcelo Guterman

Edulcorando o petismo

Essa me escapou do noticiário, mas o editorial do Estadão recuperou: parece que o dublê de ministro da Fazenda e ponta de lança do petismo na Faria Lima, Dario Durigan, expressou seu desejo de encontrar-se com os tucanos Pedro Malan e Arminio Fraga para, supostamente, colher sugestões de como enfrentar o descalabro fiscal deixado pelo governo que o ministro representa.

Basta as eleições se aproximarem, e os petistas se convertem, tornando-se evangélicos e fiscalistas, fazendo sacrifícios pingentes aos deuses de Jerusalém e da Faria Lima. Tudo para ganhar as eleições e, no dia seguinte, voltarem alegremente ao seu paganismo religioso e econômico, fazendo troça dos crentes.

Os tucanos não existem mais como partido, mas apenas como uma ideia platônica de justiça social com base na racionalidade econômica. Na prática, no entanto, servem (ou melhor, escolheram servir) para edulcorar o petismo para consumo externo. Assim, tivemos o aperto de mão infame de FHC e Lula, e Geraldo Alckmin no ticket do petismo. Uma reunião de Durigan com Malan e Armínio, com direito a uma foto bem bonita, cumpriria a mesma missão.

Durante um certo tempo, coube a Fernando Haddad, conhecido como “o mais tucano dos petistas”, esse papel de edulcorar o petismo no ministério da Fazenda. Depois de 4 anos, todos vimos que a coisa era só para tucano ver, e a política econômica foi o desastre que vimos. Agora, Durigan quer chamar tucanos de verdade para tirar uma foto e continuar a enganar os trouxas. E é bem capaz de os economistas tucanos toparem a pantomima. 

Blog do Marcelo Guterman é uma publicação apoiada pelos leitores.

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Malan : Malan avaliou o programa Nova Indústria Brasil e constatou que “o pensamento de 15 anos atrás” perdurava. Alertou, no texto, que uma política fiscal insustentável impediria o desenvolvimento econômico e social sustentado no longo prazo.

Armínio : disse recentemente que a política fiscal do governo Lula é fraca, não facilita em nada a vida do Banco Central e cria fragilidades que afetam a saúde das empresas e do próprio Estado brasileiro. Segundo ele, o quadro é desastroso, e o País caminha para uma crise semelhante à que gerou a recessão econômica do governo de Dilma Rousseff.

  


Opinião do Estadão

Cinismo petista

Para ajudar Lula a seduzir o eleitor de centro, Durigan diz que quer se reunir com Arminio e Malan. Será útil se conversarem sobre a ‘herança maldita’ que Lula legará ao sucessor


Por Notas & Informações

25/08/2026 | 03h02


Notícia de presente

O ministro Dario Durigan informou que quer se reunir com os economistas Pedro Malan e Arminio Fraga para discutir a agenda fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual quarto mandato. Chega a ser comovente a tentativa dos petistas de revestir de racionalidade e sensatez uma candidatura, a de Lula, fundada na demagogia e na presunção de que dinheiro público brota em árvore – nada mais distante, aliás, da prudente condução da economia por Malan e Arminio, respectivamente ministro da Fazenda e presidente do Banco Central nos governos de FHC.

Na hipótese de que esse encontro realmente ocorra, seria muitíssimo interessante e útil se Durigan se dispusesse a discutir a “herança maldita” – não aquela que Lula levianamente disse ter recebido de Fernando Henrique Cardoso quando chegou ao poder, em 2003, mas sim a “herança maldita” real, aquela que Lula legará a si mesmo, caso vença a eleição e permaneça mais quatro anos no poder.

Os números falam por si. A dívida bruta do governo geral – dado do Banco Central que inclui os governos federal, estaduais e municipais, além do INSS – aumentou nada menos que dez pontos porcentuais ao longo do terceiro mandato do petista, saindo de 71,38% do Produto Interno Bruto (PIB), em janeiro de 2023, para 81,9% do PIB em junho, o maior patamar dos últimos cinco anos.

Diante desse descalabro, tanto Malan quanto Arminio já manifestaram preocupação. Em artigo publicado no Estadão por ocasião dos 400 dias deste governo Lula, Malan avaliou o programa Nova Indústria Brasil e constatou que “o pensamento de 15 anos atrás” perdurava. Alertou, no texto, que uma política fiscal insustentável impediria o desenvolvimento econômico e social sustentado no longo prazo.

Fraga, por sua vez, disse recentemente que a política fiscal do governo Lula é fraca, não facilita em nada a vida do Banco Central e cria fragilidades que afetam a saúde das empresas e do próprio Estado brasileiro. Segundo ele, o quadro é desastroso, e o País caminha para uma crise semelhante à que gerou a recessão econômica do governo de Dilma Rousseff.

É improvável que Durigan, uma espécie de estagiário ambicioso que ora ocupa a Fazenda, se abale com essas observações. Nada parece capaz de desviá-lo do objetivo de agradar ao chefe, na ânsia de ficar no cargo caso Lula vença, razão pela qual não vale um pequi roído sua tentativa de espalhar por aí que o próximo mandato do petista, caso venha, será de ajuste fiscal. É apenas a reciclagem preguiçosa da conhecida farsa de Lula para engabelar eleitores de centro.

Que ninguém se deixe enganar. Lula foi desonesto em relação a Malan, Arminio e Fernando Henrique Cardoso desde seu primeiro dia no poder. Em abril de 2004, por exemplo, declarou que recebeu da gestão tucana uma herança “pra lá de maldita”, numa referência à crise cambial e à alta da dívida pública legadas por FHC. O que Lula não disse é que boa parte dessa turbulência resultou do chamado “risco Lula”, isto é, do temor dos mercados com a perspectiva de vitória do petista. A verdadeira herança de FHC para Lula, jamais reconhecida pelo petista, foram o controle da inflação, o superávit primário consolidado e a cultura da responsabilidade fiscal, materializada pela Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000. Sem isso, Lula jamais teria condições de implementar sua agenda social, por meio da qual pretende ser consagrado pela História.

Mas Malan e Arminio são dois democratas, genuinamente interessados no bem do País. Por essa razão, é possível até que aceitem conversar com Durigan, ocasião em que poderiam explicar ao voluntarioso ministro que ele está simplesmente errado, por exemplo, ao dizer que a dívida pública sobe porque os juros são elevados – tentativa nada sutil de livrar o perdulário governo Lula de responsabilidade pelas escorchantes taxas. Nessa aula, Malan e Arminio poderiam ensinar a Durigan que os juros são altos porque o mercado cobra cada vez mais caro para financiar um governo que sistematicamente gasta mais do que arrecada e não demonstra compromisso com o equilíbrio fiscal.


99 Comentários


Antonio Bratos

9,5 mil pontos

Debatedor dedicado

há 2 horas

 

Esse Duran é péssimo, é muito claro que ele é o tipo de gente que acredita em terraplanismo economico, não entende nada de economia geral, o que piora a loucura heterodoxa dele... Essa questão da herança maldita, óbvia, eu fico sinceramente divido e curioso, o que o PT vai fazer no próximo mandato? Como referência temos seu último governo, que foi muito parecido até agora, o Dilma1 foi pé no acelerador e destruição do fiscal do país, terminou com a foto boa e o filme ruim, como agora estamos. O Lula 4 será um governo de problemas, de precisar por o fiscal nos trilhos, mas será que ele vai fazer? Ou vai tentar empurrar com a barriga 4 anos? É seu último mandato, será que Lula, no adeus vai fazer governo de ajuste? É difícil acreditar... E é isso que me divide, seria melhor o PT ganhar e lidar com sua bagunça? Porque o outro filme já conhecemos, PT destroi o fiscal, oposição assume, arruma, e PT volta com tudo arrumado, para destruir novamente... Eu não sei.

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VALDEMAR BASTOS BATISTA

4 mil pontos

Debatedor dedicado

há 2 horas

 

Que Lula vença, de maneira lícita ou ilícita, a próxima eleição e as próximas que virão. Tudo irá mudar pra melhor somente depois que seus súditos, a exemplo de Luís XVI , o decaptarem. Isto ainda levará um certo tempo, ocorrerá quando o preço da comida estiver inacessível, não tendo mais de onde tirar dinheiro com impostos e empréstimos para distribuir em forma de auxílio social. Os grandes agiotas externo estão enxergando isto, tanto que estão optando pelos 2% e 4,5% da Europa e EUA, respectivamente, aos 8% prometidos pelo governo.

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Joao Carmo

945 pontos

Debatedor dedicado

há 5 horas

 

Os editores do Estadão em mais um surto de desonestidade intelectual. As elites econômicas lavam as mãos. Mas na real, têm seu passivo na dívida pública. 1. Contenciosos jurídicos fajutos 2. Isenções fiscais como a que o próprio Estadão tem. 3. Calotes puro e simples, como os 52 bilhões da refinaria de Manguinhos. Esses desvios têm um preço: perto de 1 trilhão de reais. Suficientes para ajustar as contas. E acabarr com a desonestidade das elites econômicas. Né não, seus ateus?!?🧐

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JOSE CARLOS Soares Costa

1,9 mil pontos

Debatedor dedicado

há 3 horas

 

Acho que a critica quando é generica não vai na raiz do problema, o aumento da divida teria que separar os estados e muniicpios devedores que protelam ou aumentam esta divida. E o que dizer dos poderes legislativos e judiciario com suas emendas PIX e seus penduricalhos? Não se trata de achar que este governo não tenha suas mazelas, mas é uma visao que parte da sociedade concorda, é preciso mais gasto em saude e educação, e para isto precisaria reduzir despesa na gastança de subsidios criados pelo congresso e as emendas fantasmas para os amigos... ja o INSS talvez queiram que se reduzam as aposentadorias, ou quem sabe excluam alguns beneficios dos mais carentes, é preciso incluir todos os que não contribuem com a mesma parte como os militares, e ter um teto para todos , olhem so o gasto do legislativo com previdencia e plano de saude do congresso...

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RONALD BAPTISTA

8 mil pontos

Debatedor dedicado

há 4 horas

 

Mais uma vez, o Estadão recorre ao seu roteiro econômico favorito. Transformar qualquer política que não coloque a austeridade fiscal acima de tudo em prenúncio de catástrofe. Responsabilidade fiscal é, evidentemente, importante. O problema é tratá-la como dogma e ignorar que governar exige equilibrar contas públicas, crescimento, emprego, inflação e bem-estar da população. O editorial simplifica uma questão complexa ao sugerir que aumento da dívida significa, por si só, caminho inevitável para uma crise. Todos os países, inclusive os mais ricos, enfrentam dilemas fiscais. Ajustar as contas é necessário, mas não a ponto de sufocar a economia e produzir um problema maior que o que se pretendia resolver. O próprio histórico do jornal recomenda alguma cautela com previsões apocalípticas. Quando o governo interveio para conter a alta dos combustíveis, não faltaram previsões de desastre para a Petrobras. A realidade mostrou que a medida ajudou a conter pressões inflacionárias, enquanto a empresa continuou altamente lucrativa, chegando a registrar mais de R$ 50 bilhões de lucro. Isso não transforma toda intervenção em acerto, mas mostra que economia não funciona por fórmulas simplistas. Também é exagero tratar a iniciativa de Dario Durigan de conversar com Malan e Arminio como mera encenação eleitoral. Pode haver interesse político, claro, mas ouvir quem pensa diferente também pode ser simplesmente uma tentativa legítima de encontrar caminhos. Lula e o PT têm erros graves e merecem críticas duras. O que não ajuda é substituir análise por caricatura. O editorial parece enxergar apenas duas opções. Austeridade nos moldes defendidos pelo mercado ou irresponsabilidade. A economia é mais complexa. Governar também.

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EDUARDO S

5,9 mil pontos

Debatedor dedicado

há 5 horas

 

O pessoal da esquerda tem mania de crucificar a Faria Lima. Sim, o Brasil seria melhor sem ela, né? De onde viria o $ para investimentos, empreendimentos, etc? Dos funcionários públicos, que só destroem o País? Dos políticos, que só roubam? Das elites nordestinas protegidas pelo PT, que não ajudam em nada? Não apoio os Bostonaros nem qualquer vagabundo da política nacional, mas o fato é que o Lula quebrou o Brasil com sua estupidez e seu populismo voltado à massa ignorante. Só uma revolução, uma Bastilha tem chance de mudar as coisas. Já chegamos ao ponto em que apenas reações drásticas nos salvarão.

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PAULO AUGUSTO

18,5 mil pontos

Debatedor dedicado

há 2 horas

 

QUEM PODERIA IMAGINAR QUE O PT DESTRUIRIA A ECONOMIA NOVAMENTE? O histórico das gestões do PT na economia federal é marcado por profundos desequilíbrios fiscais e crises estruturais. Nos primeiros mandatos de Lula, o cenário internacional favorável pelo boom das commodities impulsionou o crescimento, mas mascarou o aumento rígido dos gastos públicos estruturais. Posteriormente, no governo Dilma Rousseff, a implementação da chamada "Nova Matriz Econômica" intensificou o intervencionismo estatal na economia. Essa estratégia baseou-se em subsídios de crédito via bancos públicos, controle artificial de tarifas e desonerações fiscais seletivas para setores específicos. O resultado dessa política foi o desajuste das contas públicas e o represamento inflacionário, culminando na recessão de 2014-2016. Esse período registrou uma forte contração do PIB, disparada do desemprego e perda do grau de investimento do país. O uso de manobras contábeis fiscais, conhecidas como "pedaladas", comprometeu a credibilidade das estatísticas oficiais da época. No retorno do partido ao poder a partir de 2023, o foco macroeconômico voltou a priorizar a expansão de gastos e a busca pelo aumento da arrecadação via tributos, em detrimento do corte de despesas. A resistência em adotar reformas administrativas profundas mantém a trajetória de crescimento da dívida pública em relação ao PIB. A persistência em discursos contra a autonomia do Banco Central e o teto de gastos gera volatilidade no mercado de câmbio e mantém os juros em patamares elevados para conter riscos inflacionários. Assim, as gestões do PT deixam um legado maldito de instabilidade fiscal e baixo crescimento de longo prazo. Além disso tudo, o DESGOVERNO LULA produziu um novo rombo bilionário nas contas das empresas estatais federais, o que reflete um histórico de fragilidade institucional e forte ingerência política. Na década passada, esquemas sistemáticos de corrupção petista foram desmascarados pela Operação Lava Jato. Os desvios e superfaturamento de obras causaram prejuízos astronômicos a gigantes como a Petrobras. A recente flexibilização das regras de governança reabriu espaço para indicações políticas e o loteamento de cargos estratégicos nas estatais. Em 2024, o deficit dessas empresas atingiu R$ 6,73 bilhões, e o primeiro semestre de 2026 bateu o recorde histórico de R$ 7,8 bilhões em perdas, impulsionado por companhias como os Correios. O retorno de práticas do PT de aparelhamento infla os custos operacionais e destrói a eficiência dessas corporações, transferindo o prejuízo diretamente ao contribuinte, que precisa financiar os aportes do Tesouro para cobrir os rombos fiscais do PT.

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PAULO AUGUSTO

18,5 mil pontos

Debatedor dedicado

há 2 horas

 

O DESGOVERNO LULA ESTÁ QUEBRANDO O BRASIL A atual conjuntura da economia brasileira enfrenta uma série de graves problemas estruturais e macroeconômicos que afetam diretamente o poder de compra da população e a estabilidade do país. Entre as principais dificuldades destacam-se a inflação persistentemente desancorada, a desaceleração contínua do Produto Interno Bruto (PIB) e os juros básicos excessivamente elevados. Além disso, o país lida com um endividamento alarmante das famílias, um rombo crescente nas contas das empresas estatais e a severa desvalorização do real frente ao dólar, o que encarece o custo de vida e afasta investidores globais. Essa crise generalizada está diretamente vinculada à má gestão do desgoverno Lula, caracterizada pelo descontrole fiscal crônico e pela ausência de responsabilidade orçamentária. Ao priorizar gastos puramente eleitoreiros e expandir de forma desenfreada a máquina pública, a atual administração levou a dívida pública a patamares insustentáveis, aproximando o país de um rombo equivalente a 100% do PIB. A incapacidade do governo de gerar superávits e sua postura hostil ao mercado geram uma profunda desconfiança fiscal, forçando a manutenção de juros altos para conter a inflação provocada pelos próprios excessos estatais. Diante desse cenário de deterioração acelerada dos fundamentos econômicos, o futuro do país está seriamente ameaçado. Caso o atual presidente seja reeleito, a insistência no modelo de endividamento, aumento de impostos e intervencionismo estatal tornará a crise fiscal irreversível. O alerta de especialistas e instituições financeiras é claro: sem uma mudança radical de rumo, o Brasil vai quebrar inevitavelmente, sepultando qualquer chance de crescimento sustentável e arrastando a população para a falência institucional.

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Priscila Ferro

691 pontos

Debatedor dedicado

há 2 horas

 

"Legado ao sucessor"?? Estadão, está admitindo publicamente que está a favor de Flávio?? "vendendo a alma" a interesses espúrios e inconfessáveis? Apoiando o que há de mais nocivo e prejudicial ao país em nome de quem?? O desserviço ao leitor é imenso, sórdido, perverso, ignóbil, asqueroso, vergonhoso... Arminio Fraga e Pedro Malan são os "país do Real" que trouxe estabilidade econômica e melhor desenvolvimento ao pais; economistas respeitados e reconhecidos, principalmente na Faria Lima. Ambos APOIARAM Lula na eleição passada pois sabiam o que os Bolsonaro & seus asseclas / apoiadores representavam ( e continuam representando ) o que havia de PIOR PARA O BRASIL principalmente politicamente. E vocês, da grande mídia jornalística corporativa, são os GRANDES CULPADOS pela polarização que o Brasil se encontra atualmente, impedindo inclusive o crescimento de uma alternativa política/econômica a estes candidatos. Mas a busca incessante pelos likes e engajamento não mede consequências...

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Ademir Dias

279 pontos

Debatedor dedicado

há 25 minutos

 

O ruim de ficar velho e manter a memória, é ver sempre os mesmos atores agindo da mesma forma. O Estadão é um ótimo jornal mas tem opiniões que não tem lógica. Foi censurado e defende a extrema direita, viu o fracasso econômico da ditadura (com seus ministros liberais) e insiste em não reconhecer políticas melhores atuais, depende de consumo das pessoas e defende reformas que cortam direitos e renda... dá pra continuar mas é só estranho essa coisa. Parece a empresa estatal que abre capital, nem atende o povo nem agrada o acionista pois não tem uma linha e sofre com dupla personalidade. Sou de centro esquerda, do bom e antigo MDB que originou o bom PSDB, destruído por dentro por direitistas e liberais como Doria. Agora, restou apenas o PT frente ao obscurantismo de direita. Logo, por falta de oponentes, teremos uma sequência de governos de direita como os 21 anos de ditadura. O que ocorrerá? Mais concentração de renda, pessoas se culpando por não prosperarem mesmo seguindo o pastor ou o coach pois a culpa é delas, salários caindo sem nenhum direito social pois o Estado é mal, escolas piores, aposentadorias arrochadas e, certamente, SUS sucateado pra benefício dos planos de saúde e setores inteiros da economia entregues a investidores dos EUA. Tudo isso é o passado e o futuro. Guardem pra daqui a 10 anos. Foi assim e será assim. Puro resultado de uma forma de pensar que nasceu na colônia e que insistimos a não largar.


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