terça-feira, 19 de outubro de 2010

Lulinha vs Veja: um fenomeno dos negocios contra uma revista de informacao

Nada mais do que a transcrição de um processo...
Minha única observação seria esta: todo este processo só custou 10 mil reais?
Saiu barato para o gênio dos negócios...
Paulo Roberto de Almeida

Processo nº: 011.06.119341-9 - Procedimento Ordinário (em Geral)
Requerente: Fábio Luis Lula da Silva
Requerido: Editora Abril S/A e outro
Juiz(a) de Direito: Dr(a). Luciana Novakoski Ferreira Alves de Oliveira


FÁBIO LUIS LULA DA SILVA ajuíza ação de indenização por danos morais em face de EDITORA ABRIL S.A. e ALEXANDRE OLTRAMARI, pelo procedimento ordinário.
Alega, em síntese, que a Revista Veja, edição impressa nº 1.979, datada de 25/10/06, publicou matéria de oito páginas, intitulada “O Ronaldo de Lula”, a respeito da vida profissional do autor. A reportagem, redigida pelo co-réu Alexandre, traça um paralelo entre o sucesso profissional do autor, filho do Presidente da República, com o jogador de futebol Ronaldo, já que ambos seriam considerados “fenômenos” em suas respectivas áreas. Contudo, a matéria insinua que tal sucesso decorre de sua filiação e das facilidades de acesso a pessoas influentes no cenário político. A revista aborda o rápido e estranho crescimento da empresa GameCorp, da qual o autor é sócio, e narra a atuação dele e do sócio Kalil Bittar como lobistas em Brasília. Por fim, há divulgação não autorizada, inclusive na capa da revista, da imagem do autor. As alegações da matéria são inverídicas e buscam associar a figura profissional do autor a influências políticas, enxovalhando a imagem pública dele. Diante da violação de sua imagem e honra, requer a condenação dos réus ao pagamento de indenização por danos morais, em valor a ser arbitrado pelo Juízo, e à publicação da sentença condenatória na Revista Veja.

[sem transcrição das considerações]
(...)

Cabe, nesse passo, a pergunta: a ré cometeu algum abuso, no que diz respeito ao conteúdo da reportagem? A resposta é negativa. Havia interesse público na reportagem? Evidente que sim. Vejamos.
A matéria “O Ronaldo de Lula”, publicada pela Revista Veja, trata da trajetória profissional do filho do Presidente da República e de sua ascensão no mesmo período do mandato presidencial de seu pai. Aborda, ainda, que a participação societária do autor em empresa de telefonia e a atuação dele nos bastidores políticos deram-se
concomitantemente ao interesse de empresas dessa área, que inclusive recebem verba
pública, em associarem-se. Contudo, para isso, esbarrariam em vedação do Plano Geral de Outorgas.
Para chegar a tais conclusões, o repórter e co-réu Alexandre realizou, como ficou claro em seu depoimento pessoal, extensa pesquisa, por cerca de seis meses. Ele realizou trinta e uma entrevistas com funcionários públicos, membros do governo federal, empresários, dirigentes de estatais e amigos do autor, mas manteve os
nomes em sigilo, a pedido dos entrevistados. Tentou, ainda, contato pessoal com o autor e o sócio dele, Kalil Bittar, porém o assessor de imprensa do autor respondeu apenas parte das perguntas formuladas, como constou na reportagem.
Portanto, o repórter realizou pesquisa detalhada sobre o assunto, que era de interesse público, tanto por cuidar da atividade profissional do filho do
Presidente da República, quanto por antecipar o interesse de empresas de telefonia, de uma das quais ele é sócio, em suprimirem vedação legal do Plano Geral de Outorgas para que uma empresa pudesse comprar a outra e que acarretou uma operação negocial de mais de cinco bilhões de reais. A procedência das suspeitas levantadas pela reportagem foi, posteriormente, comprovada pela edição de decreto presidencial e pela compra da Brasil Telecom pela Oi, antiga Telemar e que integrava a GameCorp, da qual o autor era sócio (consoante o esquema trazido na petição inicial, à fl. 04).
Dessa forma, o cotejo da introdução dessa fundamentação com os fatos acima narrados leva à inegável conclusão a respeito da improcedência do pedido formulado pelo autor.
Em primeiro lugar, a analogia do autor à figura de “Ronaldo” não foi feita, originalmente, por nenhum órgão de imprensa, mas por ninguém mais do que seu próprio pai, o Presidente da República. Absolutamente apropriada, portanto, a chamada da reportagem, uma vez que se sabe que, dentre outros fatores, a criatividade jornalística é responsável pela boa venda dos exemplares e a ré, como qualquer empresa, visa ao lucro.
Em segundo lugar, o fundo da reportagem é verdadeiro e aborda assunto de relevante interesse público. É fato que, coincidentemente ao mandato de seu pai como Presidente da República, o autor cuja formação profissional de biólogo não aponta outros predicados para torná-lo grande empresário experimentou enorme ascensão social
e econômica, a ponto de o Presidente compará-lo a um “fenômeno”.
É lícito e de interesse público que a imprensa busque informações concernentes a essa escalada “fenomenal” sempre utilizando as palavras de seu pai. Não por outra razão, ao menos outros dois grandes veículos de imprensa, a Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, publicaram matérias sobre o assunto.
O fato de haver uma ou outra informação cuja exatidão não se consiga comprovar não implica abuso da ré. Ora, cuidando-se de assunto espinhoso, ligado a suspeitas lançadas contra o filho do Presidente da República, é natural que o repórter tenha dificuldade na colheita dos fatos. Natural, também, por conseqüência, que alguma informação não coincida exatamente com a realidade ou, ainda que coincida, não venha a ser comprovada. Esse, no entanto, é o preço a se pagar por uma imprensa livre e que tenha a coragem de noticiar algo desabonador em relação a pessoas ligadas ao poder.
A imprecisão de informações só se mostraria abusiva se comprometesse a própria veracidade da reportagem ou se verificasse a existência de má-fé.
Ademais, o autor, sendo filho do Presidente da República, tornou-se uma pessoa pública notadamente, mais uma vez deve ser dito, após a comparação, feita por seu pai, com o “Fenômeno”. Como pessoa pública, deve estar consciente de que sua imagem será exposta. E, se tal exposição está ligada a assunto de interesse público e, aqui, está -, jamais a imprensa terá que lhe pedir licença para fazer uso de sua imagem. O autor precisa compreender que é de interesse de toda a população brasileira saber como o filho do Presidente da República obteve tamanha ascensão coincidente ao mandato de seu pai. E há de concordar que uma imprensa livre para investigar tais fatos é fator essencial para que vivamos num Estado Democrático de Direito, ideal outrora defendido por tantos que, agora, ao que se vê, parecem se incomodar com ele.

Desse modo, examinando-se o conflito dos interesses constitucionais envolvidos na publicação da matéria, verifica-se que a conduta dos réus não foi abusiva e apenas buscou informar seus leitores sobre assunto de relevante interesse público. Logo, inexiste direito à reparação civil.

Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido, nos termos do art. 269, inciso I, do Código de Processo Civil. Em razão da sucumbência, arcará o autor com o pagamento das custas e despesas processuais e de honorários advocatícios, que fixo, por equidade, em R$ 10.000,00.

[Fim de transcrição]

Comparando dados de governos e desmantelando mistificacoes

Parei de contar quantas vezes recebi uma mensagem comparando resultados dos governos FHC e Lula, com base em supostos dados da revista The Economist.
Sequer vou me dar ao trabalho de refutar cada um dos dados pois se trata de uma fraude completa, em várias dimensões aliás.
Primeiro porque os dados não são, nunca foram da The Economist.
Em segundo lugar, porque os dados estão totalmente manipulados.
Em terceiro lugar porque a "metodologia" está completamente equivocada, mas na verdade não existe metodologia nenhuma, apenas uma assemblagem de dados feita de maneira pervertida, deformada e eu até diria criminosa, com a intenção deliberada de enganar, de mistificar, de mentir mesmo.
O que vou fazer? A mentira, congenital, irreprimível, incontida, disseminada, intensa e extensiva, faz parte do DNA de certas pessoas, integra o mau-caratismo e a desonestidade de fundamentalistas de certas causas dúbias.
Quem é capaz de mentir dessa forma, é capaz de cometer outros crimes também, como corrupção, roubo em larga escala, e outras perversões com o dinheiro público, como aliás estamos assistindo em escala estarrecedora.

Pois bem, escreve-me um correspondente, leitor deste blog:

Prezado Paulo Roberto de Almeida,
Como muitos já disseram exaustivamente, sou mais um grande fan do seu trabalho.
Gostaria de saber por que o senhor afirma que o site Governo Brasil Wiki utiliza-se de dados corretos e metodologias adequadas? COmo garantir que esse site não está a deturpar os dados como muitos da campanha petista?
...
Quanto as privatizações das Teles:
http://verbeat.org/blogs/sergioleo/2010/09/a-ideologia-e-a-privatizacao-das-teles.html#more
...
Se as privatizações das teles tivessem sido tão boas assim, por que ainda pagamos umas das mais altas taxas de telefonia celular móvel e de internet banda larga?

[Fim de transcrição]

Respondo, embora rapidamente.

O site BrasilWiki, objeto deste meu post:

Interrupcao eleitoral (11): comparando os governos Lula e FHC

limita-se, para cada rubrica relevante de indicadores setoriais de caráter macroeconômico, setorial, políticas sociais, etc., a remetar aos dados originais, indicando as fontes de onde foram extraídos os dados, que são todas estatísticas oficiais, dados governamentais, números públicos e livremente disponíveis.
Clicando em cada um dos links é possível remontar à origem dos dados, e portanto cada um pode fazer suas verificações pertinentes.
Como aliás deveria ser com qualquer trabalho cientificamente embasado, honesto intelectualmente e empiricamente sustentável.

Portanto, está respondida à primeira pergunta do leitor acima, e ele não precisa confiar em mim, nem no autor do BrasilWiki. Basta ir aos dados originais, e se quiser fazer suas contas quanto a ritmos e proporções de aumentos de um ano a outro.

Como já disse, a "comparação" efetuada pelos fundamentalistas irracionais de uma causa política é absurda ao mais alto grau: pretendem simplesmente ajuntar números de um governo e outro, como se isso representasse comparação, sem levar em conta contexto, momento histórico, evolução de políticas nacionais, conjuntura externa, impacto da demanda internacional, enfim, um conjunto de variáveis que qualquer economista aprendiz saberia isolar em exercícios de regressão.
Medir desempenhos relativos tem a ver com isso, em primeiro lugar: comparar dados comparáveis, não grandezas absolutas.
Como disse várias vezes, não tenho paciência com mistificações e com fraudes deliberadas. Aliás, tenho horror à desonestidade intelectual.

Vejamos agora o segundo problema, a tal privatização das teles, que o meu leitor, apoiado num jornalista, diz que não resolveu o problema dos preços.
De fato não, mas o jornalista se refere à competição, como se ela de fato existisse no Brasil.
O que existe no Brasil são carteis, três ou quatro grandes carteis que dividem o mercado nacional e se empenham em evitar a abertura total.
Ora, competição é competição, e cartel é cartel.

Ele se esquece, porém de citar o fator mais relevante: a tributação pesada do governo.
Sem ter feito absolutamente nada em favor da telefonia, o governo recolhe 40% em média de tudo o que pagamos para as concessionárias.
Recomendo que meu leitor olhe sua fatura de telefone (e de eletricidade também) da próxima vez que receber.
Paulo Roberto de Almeida

A frase do dia (adaptada para o politicamente correto)

Como estamos em fase eleitoral (e creio ser meu dever de cidadão consciente abster-me de me fazer campanha -- positiva ou negativa -- para quem quer que seja), vou corrigir, ligeiramente, a frase da semana, na verdade de toda a campanha do segundo turno, tal como recebida pela internet:

[Fulana] é a mais católica do País: em todos os contratos assinados [em certo gabinete] ela leva um terço.

(Que maldade a dessa gente...)

A "guerra cambial" do ministro Mantega (3): enxugando gelo...

O governo anda feito barata tonta.
Limito-me a transcrever um artigo perfeitamente racional sobre um assunto que o governo trata de maneira completamente irracional.
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Paulo Roberto de Almeida

A questão cambial: enxugando gelo
João Luiz Mauad
Diário do Comércio, 18/10/2010

A solução do problema do câmbio passa longe de pacotes intervencionistas, como o aumento do IOF recentemente divulgado, que não enfrenta o cerne da questão. Na tentativa de estabilizar a taxa cambial, o governo acaba contribuindo para que esta valorização se acentue.

Ainda bem que as pessoas não saem por aí desafiando a lei da gravidade, tal qual insistem em pôr à prova a velha lei econômica da oferta e da demanda. Fico imaginando indivíduos usando as janelas dos edifícios, no lugar das escadas e dos elevadores, ou saltando de aviões em pleno voo. Seria uma catástrofe, sem dúvida.

A alguns, esta pode parecer uma comparação descabida – afinal afrontar a lei da oferta e da demanda não mata (pelo menos não instantaneamente). No entanto, em determinadas circunstâncias, pode provocar danos consideráveis. Vejamos, abaixo, um caso bastante atual.

Todos os dias, chova ou faça sol, abrimos os jornais ou ligamos a TV e nos deparamos com a infalível choradeira de empresários, políticos, ministros de Estado, economistas e outros opinantes por causa do câmbio. Lamentam, com certa razão, que a taxa estaria defasada. Entretanto, prisioneiros do velho credo protecionista – que remonta à era mercantilista, mas vem sendo alimentado com maciças doses de nacionalismo, tanto pela esquerda quanto pela direita –, não enxergam que a solução do problema passa longe de pacotes intervencionistas, como o aumento do IOF recentemente divulgado pelo governo, que não enfrenta o cerne da questão.

Qualquer pessoa de bom senso sabe que enquanto a oferta de moeda estrangeira continuar maior do que a demanda, seja em função dos superávits comerciais, seja por conta da afluência de investimentos externos, o real permanecerá apreciado. Sabemos também que, em condições de livre mercado, quando há excesso de oferta, a consequente queda dos preços a desestimulará e aquecerá a demanda, até que as duas se equilibrem num novo patamar. O problema é que as soluções espontâneas do mercado não funcionam quando os governos interferem no jogo. E este é, exatamente, o caso em questão. Na tentativa de estabilizar a taxa de câmbio, o governo acaba contribuindo para que ela valorize ainda mais.

Só os ingênuos podem acreditar, por exemplo, que as nossas vendas externas são superiores às compras porque temos alguma vocação exportadora natural ou porque o resto do mundo precisa mais dos nossos produtos do que nós dos deles. Nada poderia ser mais falso. Nossa balança comercial é (ainda) superavitária simplesmente porque os bens e serviços exportados são isentos de impostos, enquanto os importados são taxados de todas as formas possíveis. Os tão festejados superávits são, por conseguinte, induzidos por uma penca de ardis protecionistas.

Para que a taxa de câmbio passe espelhar o efetivo poder de compra do real em relação às outras moedas, é preciso acabar com os artificialismos hoje existentes, o que só será possível se liberarem as amarras das importações. Falo de redução e corte de impostos, desburocratização aduaneira e outras medidas que tornem atraentes as compras no exterior (algo não só possível hoje em dia, como desejável, já que a nossa dívida externa encontra-se perfeitamente equacionada e as reservas suficientes para administrá-la com tranquilidade).
O problema é que, para pôr em prática essa solução, seria necessário, primeiro, remover o ranço protecionista incrustado na cultura econômica brasileira, resultado do trabalho árduo, zeloso e dedicado da velha guarda nacionalista, estimulada e financiada por empresários ineficientes que se dizem capitalistas, mas têm ojeriza à concorrência e ao livre mercado.

Uma eventual abertura aos importados, além de beneficiar o consumidor com a oferta de mercadorias baratas e de qualidade, deteria a desvalorização do dólar . E seria especialmente benéfica para o controle da inflação –a concorrência costuma fazer cair os preços –, facilitando, inclusive, a redução da taxa básica de juros pelo BC. Isso sem falar no enorme incentivo que tal medida traria ao crescimento econômico do País, pois muito mais que o superávit comercial, o que realmente estimula o crescimento é a soma das correntes de comércio com exterior.

Outra coisa que o governo poderia fazer, urgentemente, é parar de operar no mercado de câmbio, comprando dólares a rodo para tentar estabilizar a taxa em patamares que os tecnocratas, do alto de sua enorme arrogância, entendem mais correta para o Brasil.

Adquirir divisas e engordar as nossas já inchadas reservas tem um custo muito alto, além da imensa diferença entre os juros pagos pelo Tesouro para captar recursos no mercado interno e os juros que remuneram as reservas brasileiras no exterior, o aumento da dívida pública contribui para a manutenção dos juros internos em patamares sempre elevados.

E nunca é demais lembrar que a alta remuneração dos títulos públicos tem sido um atrativo poderoso para os capitais especulativos, especialmente agora, com o mercado internacional altamente líquido, depois que os países do primeiro mundo inundaram as respectivas economias na tentativa de deter a recessão.

Se mantiver as atuais políticas, o governo vai continuar enxugando gelo e, pior, jogando fora o dinheiro dos pagadores de impostos.

João Luiz Mauad é empresário e colunista do site www.midiaamais.com.br

A "guerra cambial" do ministro Mantega (2): atirando no mensageiro...

Mais uma do ministro Mantega: se ao menos ele fizesse o seu dever no plano fiscal, já seria uma grande coisa.
Fica brincando de comprar dólares e acha que taxar alguns fluxos vai resolver o problema.
Não vai!
Por que nao se dedica ao que tem de fazer de verdade?
Combater o déficit fiscal, reduzir as despesas públicas e permitir assim a redução da taxa de juros do mercado doméstico.
Bastava fazer isso. Aliás o seu dever...
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Paulo Roberto Almeida

Governo eleva IOF sobre capital estrangeiro em renda fixa a 6%
Francisco Carlos de Assis e Adriana Fernandes
Agência Estado, 19.10.2010

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou na noite desta segunda-feira, 18, duas novas medidas com o objetivo de atenuar a pressão cambial sobre o real. Uma delas é o aumento de 4% para 6% da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos externos em renda fixa e a outra medida é a elevação do IOF para o recolhimento de margem na BM&FBovespa dos atuais 0,38% para 6%. “O que queremos é diminuir o apetite dos aplicadores estrangeiros de curto prazo. Aqueles que vêm aplicar de dois a três anos pagarão o IOF, mas não devem parar de investir no Brasil”, afirmou o ministro.

As novas medidas cambiais não vão afetar os investimentos estrangeiros para compra de ações, que continuam sujeitos a uma alíquota de IOF de 2%. “Isso (as medidas) não abrangem, por exemplo, as compras de ações. A compra de ações não foi mexida na mudança passada e continua em 2% como era antigamente”, afirmou Mantega.

Mantega disse que o estoque do volume de margem na BM&Bovespa é de US$ 20 bilhões e que esse montante pode lastrear US$ 200 bilhões. “Veja a taxa de alavancagem!”, destacou o ministro, ao justificar a razão de estar elevando para 6% a alíquota do IOF sobre o recolhimento de margens.

Ele disse acreditar que essas medidas surtirão efeito, contudo não descartou a possibilidade de novas medidas caso seja necessário. Mantega destacou que é importante aguardar os resultados das medidas anunciadas esta noite e explicou que o governo pretende dosar as medidas até porque não há interesse em prejudicar os investimentos estrangeiros diretos. “Queremos atenuar o excesso de variações. O que vai acontecer com o câmbio não sei dizer porque não faço projeções cambiais”, disse.

O ministro disse que há um apetite muito grande da parte dos investidores estrangeiros e que só no mês passado entraram no País US$ 16 bilhões, e adiantou que na última semana houve um forte ingresso de capital estrangeiro, mas sem citar números. O ministro adiantou ainda que nas conversas na semana passada, em Washington, percebeu que há um número significativo de grandes fundos estrangeiros querendo desembarcar no Brasil. “Para fazermos o moderador de apetite estamos avisando que quem vier investir no Brasil vai ganhar menos e que deve olhar também para outros países”, comentou, dando como exemplo a Austrália.

Mantega voltou a enfatizar a necessidade de uma ação coordenada para combater a guerra cambial no mundo. “Eu desnudei esse tema. Tirei o véu da guerra cambial, agora estamos fazendo uma ação coordenada de vários países porque se cada um tomar uma medida individual, os EUA continuarão emitindo e a China desvalorizando a sua moeda e fica todo mundo na mesma situação”, afirmou.

Diário oficial
A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda informou em Brasília que as novas medidas anunciadas hoje pelo ministro Guido Mantega entrarão em vigor nesta terça-feira se o decreto estiver publicado no Diário Oficial da União. A assessoria admitiu, no entanto, que não há certeza até o momento se haverá tempo hábil para a publicação no Diário Oficial desta terça.

A "guerra cambial" do ministro Mantega (1): primeiro round, sem resultados...

Quem acredita em "coordenacao de políticas econômicas" nacionais, acredita também em duendes e outros seres fantásticos. Isso não existe. Cada país pratica a política de sua melhor conveniência. A China efetivamente manipula a sua moeda, para fins exclusivamente nacionais, que sao os de produzir emprego, renda e riqueza. Ao fazer isso, porem, ela deixa a sua população menos rica (não mais pobre) do que ela poderia ser, dado o tremendo sucesso de sua política de criar empregos, renda e riqueza. É uma escolha, tão legítima quanto qualquer outra.
Quanto ao Brasil, a sua moeda vai continuar se valorizando, e o culpado é o proprio governo, pois é ele quem atrai capitais, ao manter essas taxas de juros excessivamente elevadas. O acumulo inutil e absurdo de reservas representa um custo tao alto quanto a cobertura do deficit da previdencia, o que em si já é um absurdo.
Bastaria o governo controlar os seus gastos, diminuir os seus deficits, para evitar o pagamento desses juros absurdos da divida.
Nao adianta nada ficar comprando dolares, pois eles vao continuar entrando.
Ou seja, a China faz aquilo que ela considera ser melhor para sua populacao.
Nos fazemos o que interessa aos especuladores dos mercados de capitais. Uma irracionalidade completa.
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Paulo Roberto Almeida

Reunião do FMI termina sem acordo para resolver 'guerra cambial'

Nenhum país envolvido sinalizou mudanças de curto prazo em políticas; tema será retomado em encontro em Seul no mês que vem

Depois de três dias de intensas discussões entre ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais, a reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial terminou neste domingo, em Washington, sem perspectivas de solução para os desequilíbrios cambiais entre os países.

Apesar das manifestações sobre a necessidade de uma ação global coordenada para resolver o conflito em vez de medidas individuais, nenhum dos envolvidos demonstrou sinais de que mudará suas políticas no curto prazo, e o encontro chegou ao fim sem um acordo prático sobre a questão cambial.

O tema será retomado no próximo mês, quando líderes do G20 (grupo das principais economias avançadas e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte) se reúnem em Seul, na Coreia do Sul, mas também nesse encontro a expectativa de um acordo que solucione o problema é baixa.

Os dois principais atores no conflito, Estados Unidos e China, já sinalizaram que não pretendem mudar de postura, e a chamada "guerra cambial" - expressão usada inicialmente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que acabou ganhando atenção mundial - não deve acabar tão cedo.

China e Estados Unidos
Os Estados Unidos mantiveram no encontro de Washington sua pressão para que a China permita a valorização de sua moeda, o yuan. O governo americano, assim como outros países, acusa os chineses de manter sua moeda artificialmente desvalorizada, ganhando assim competitividade considerada "desleal" em suas exportações.

O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, não citou a China diretamente, mas criticou o desequilíbrio na balança comercial ao falar de países que, "por muito tempo, orientaram suas economias à produção para exportação em detrimento do consumo doméstico, contando com os Estados Unidos para importar bens e serviços" e disse que é crucial que "as principais economias emergentes" adotem uma taxa de câmbio mais flexível.

A China, porém, resiste às pressões e diz que mudanças ocorrerão de forma "gradual", sem mencionar prazos. O representante do país na reunião em Washington, Zhou Xiaochuan, rebateu as críticas e disse que o superávit comercial caiu e a moeda chinesa "teve apreciação moderada" nos últimos meses.

Os Estados Unidos, por sua vez, foram o principal alvo de críticas de países como o Brasil nas discussões sobre os desequilíbrios cambiais.

"Hoje o desequilíbrio mais importante é a expansão monetária norte-americana, usada para combater o baixo crescimento e o desemprego ainda elevado nos Estados Unidos", disse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

"Isso é a grande injeção de liquidez na economia internacional, não é o acúmulo de reservas dos emergentes que vai assumir essa responsabilidade", afirmou.

No entanto, apesar das pressões, não há sinais de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pretenda parar de emitir dinheiro no curto prazo.

Brasil
Nesse cenário, espera-se que grandes fluxos de capital estrangeiro continuem a inundar mercados emergentes, como o Brasil, onde a alta taxa de juros é um dos motivos de atração dos investidores externos, já que em muitos países avançados essas taxas estão próximas de zero.

Em uma reunião no domingo, Philip Suttle, o economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), entidade que reúne os grandes bancos globais, deu seu recado aos emergentes: "Acostumem-se com taxas de câmbio mais fortes".

Segundo Suttle, o mundo pós-crise está diferente, com as economias maduras em situação menos favorável que as emergentes.

O fluxo excessivo de capitais, porém, pode causar estragos nas economias emergentes. No Brasil, por exemplo, vem forçando a alta do real frente ao dólar, o que é motivo de preocupação para o governo e os exportadores nacionais.

Na semana passada, o governo anunciou o aumento da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para aplicações de estrangeiros no mercado de renda fixa, em uma tentativa de conter a entrada excessiva de capital estrangeiro e aliviar as pressões sobre o real.

Proteção

Apesar de adotar o discurso corrente na reunião do FMI de que é necessária uma ação global, o Brasil já avisou que vai continuar tomando medidas unilaterais para se proteger da "guerra cambial".

"Trabalhamos em um âmbito global, achamos que a solução passa certamente por uma discussão global, mas independentemente disso, o Brasil toma as suas providências para proteger a sua economia", disse o presidente do Banco Central.

Meirelles afirmou que o Brasil não vai aceitar "importar desequilíbrios de outros países" que coloquem em risco o bom momento da economia brasileira.

Diante desse impasse, o único compromisso resultante da reunião em Washington foi o de que o FMI irá reforçar a supervisão do sistema financeiro internacional e fará relatórios sobre os impactos que medidas cambiais e fiscais de cada país podem ter sobre outras economias.

Sobre a tão mencionada necessidade de ação coordenada, porém, não houve avanços.

Brazilian Foreign Policy - Jaime Daremblum

Brazil's Post-Lula Foreign Policy
By Jaime Daremblum
Real Clear World, October 18, 2010

On October 31, Brazilians will elect a successor to President Lula da Silva, who is set to leave office with sky-high approval ratings and a record of historic domestic achievements. Under his watch, the country's poverty rate has plunged, and millions of Brazilians have entered the middle class, thanks in large part to the expansion of a cash-transfer program known as Bolsa Família. This year, Brazil's economy will grow by over 7 percent.

It is easy to see why Lula has become the most popular president in Brazilian history, and it is easy to see why either of his potential successors - Dilma Rousseff of the Workers' Party (the heavy favorite) and José Serra of the Social Democracy Party - will likely maintain Brazil's current mix of centrist economic policies.

In the realm of foreign affairs, however, Lula's record has been much less impressive. In June 2009, after the Iranian regime blatantly stole an election from the opposition and then unleashed thugs to attack student protestors, Lula claimed there was "no evidence" of electoral fraud. "I don't know anyone, other than the opposition, who has disagreed with the elections in Iran," he said.

A year later, his intervention in the Iranian nuclear standoff made it seem as if Brazil was siding with the mullahs against the West. Whatever Lula's intentions, people around the world saw photographs of the Brazilian president triumphantly raising arms with Iranian leader Mahmoud Ahmadinejad; celebrating a nuclear "deal" that proved utterly meaningless.

His role in the 2009 Honduran political crisis was also regrettable. Even after it had become apparent that the removal of President Manuel Zelaya was a constitutionally sanctioned defense of democracy, Lula continued to fan the flames by denouncing it as a military coup. Brazil still has not recognized the Honduran government of Porfirio Lobo, who won a free and fair election last November. "President Lobo has done everything he said he would do," U.S. Secretary of State Hillary Clinton declared in June. "He provided political amnesty. He set up a truth commission. He has been very committed to pursuing a policy of reintegration."

By refusing to restore diplomatic relations with Tegucigalpa, Lula has endorsed the Hugo Chávez line that Lobo is an illegitimate president. His successor should renew ties with Honduras, whose government deserves the support of democrats everywhere.

The next Brazilian president should also reject Lula's approach to Cuba and Venezuela - an approach that has led him to excuse brutal human-rights violations. Earlier this year, after the death of a Cuban political prisoner, Lula effectively criticized anti-Castro hunger strikers and defended Fidel, his old friend. Lula has also cozied up to Hugo Chávez, Venezuela's Castro-wannabe. In an interview with Der Spiegel, he praised Chávez as "the best president of Venezuela in the last 100 years."

Meanwhile, Lula has displayed a troubling attitude toward Israel. This past March, during a trip to the Middle East, Lula declined to place a wreath at Theodor Herzl's Jerusalem grave - but he did travel to Ramallah and lay a wreath at Yasser Arafat's grave. "It is offensive that he laid a wreath at the grave of a terrorist, but not at the tomb of Zionism's visionary," a senior Israeli Foreign Ministry official told the Jerusalem Post.

Lula's anti-Israel and pro-Arafat sentiments reflect the spirit of the Non-Aligned Movement (NAM), which began in the 1950s as a legitimate anti-colonial association but was soon hijacked by Arafat, Castro and other Third World radicals. Brazil never officially joined the NAM, but it shared much of that organization's hostility toward the United States. Indeed, the country has a long history of irking the U.S. on high-profile diplomatic issues, such as the Nicaraguan civil war during the 1980s. As Newsweek correspondent Mac Margolis wrote last May, "Exacerbating Brazil's prickly foreign policy is a struggle within its foreign service, where a strain of anti-Americanism dating from the Cold War still runs deep."

Expunging the vestiges of that anti-Americanism should be a top priority of the next Brazilian government. Rather than cozying up to dictators in Iran and Cuba, Brazil should focus on stimulating positive cooperation among its fellow rising democracies, such as Mexico, India, Indonesia and South Africa. It is difficult to become a constructive, responsible actor in global affairs when your president is cavorting with the likes of Ahmadinejad and Castro.

While Brazil's underperforming education system remains a significant long-term weakness, its fast-growing economic power - fueled by its massive mineral and agricultural wealth - has presented with it an enormous opportunity to exert greater influence on international politics. Lula failed to make the most of that opportunity. Hopefully, his successor will do better.

Jaime Daremblum, who served as Costa Rica's ambassador to the United States from 1998 to 2004, is director of the Center for Latin American Studies at the Hudson Institute

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...