sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Latin America and International Relations: invitation for a collective book

Latin America in the Third World, an edited volume
by Thomas Field
Your network editor has reposted this from H-Announce. The byline reflects the original authorship.

Type: Call for Papers
Date: December 15, 2015
Subject Fields:  American History / Studies, Diplomacy and International Relations, Latin American and Caribbean History / Studies, Political History / Studies, World History / Studies
Call for Papers

Latin America in the Third World

Editors: Thomas Field (Embry-Riddle College of Security and Intelligence), Stella Krepp (University of Bern), and Vanni Pettinà (Colegio de México)

Over the past few years, there has been a growing scholarly interest in the Cold War in the Global South.  This has given rise to a number of works on the nonaligned movement, the overlapping trajectories of decolonization and the Cold War, and the rise and fall of the Third World project during the 1960s and 70s.  Unfortunately, Latin America has largely escaped the attention of scholars interested in the larger Third World, despite the region's substantive participation in the nonaligned movement.  Throughout the Cold War, Latin American countries maintained ties with the Second World, and many o fthe region's regimes and popular movements identified with the Third World experience.

This edited volume will bring together emerging and established scholars whose work highlights a diverse range of strategies used by Latin American governments and political movements to forge ties with Communst bloc countries, with the nonaligned movement, and with one another.

We invite chapter abstracts regarding any aspect of the preceding paragraphs.  While we expect many of the contributions to be country-specific, potential themes include tricontinentalism, decolonization, anti-imperialism, and competing concepts of development, modernization, and natural resource sovereignty.  We welcome chapter abstracts dealing with political issues (high and low), political economy, society, labor, and culture.  We are not averse to abstracts dealing with US - Latin American relations, but we especially welcome submissions that explore Latin American agency, move beyond bilateral diplomacy, and make use of Latin American primary sources.

While contributions are sought for all Latin American countries participating in the Third World project, we are particularly interested in including chapter addressing how smaller countries conceived of their participation in the nonaligned movement.  Contributions are therefore sought for Central America, the Caribbean (including Puerto Rican political parties), Bolivia, Peru, Panama, Ecuardo, Uruguay, Colombia, and Venezuela.  These are in addition to the more obvious actors such as Argentina, Brazil, Cuba, Chile, and Mexico.

The deadline for abstracts is December 15, 2015.  Proposals should include a title, one-page outline, and one-page CV with a list of publications.  Following the acceptance of proposals in early January 2016, authors will receive editorial guidelines for submission of draft chapters (7,000 to 10,000 words) by December 1, 2016.

Proposal abstracts should be emailed to Thomas Field (thomas.field@erau.edu), Stella Krepp (stella.krepp@hist.unibe.ch), and Vanni Pettinà (vpettina@colmex.mx).

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A Igreja Catolica e o capitalismo: duas posicoes em debate


As duas posições são de um lado, as minhas, e de outro as de um leitor deste blog, que não preciso identificar pelo nome, pois o que interessa, na verdade, é o debate de ideias, o confronto de posições, não quem expressa os argumentos.
Então vamos a ele.
Nesta quarta-feira, 18/11/2015, como sempre faço quando encontro um excerto interessante de algum livro escrutinado pelo serviço de extratos de livros DelanceyPlace, postei um trecho de uma biografia do homem mais rico do mundo na passagem da Idade Média para a era moderna, Jacob Fugger:

O homem mais rico do mundo, Jacob Fugger - livro de Greg Steinmetz 

 http://www.diplomatizzando.blogspot.com.br/2015/11/o-homem-mais-rico-do-mundo-jacob-fugger.html

O que eu disse na introdução à transcrição do excerto  que causou tanto frisson num leitor manifestamente defensor da Igreja Católica?
Isto (e transcrevo primeiro o que eu disse):

"A Igreja Católica sempre teve essa inacreditável capacidade de pecar fragorosamente contra as principais leis da economia, pecados mortais, não simples pecados veniais, talvez atrasando o surgimento do capitalismo na Europa em um ou dois séculos.
Meu argumento é certamente impressionista, mas a Igreja continua a ser altamente expressionista contra a economia de mercado, contra o lucro, contra qualquer coisa que cheire a dinheiro.
Isso, mesmo sendo detentora de um banco (falido por roubo, corrupção e incompetência) e de imensos, gigantescos, incomensuráveis ativos materiais e muitos outros intangíveis.
O atual papa, por exemplo, é um peronista econômico, ou seja, um aloprado em matéria de economia. No resto ele é até bonzinho, reformista, e um bom sujeito, mas se os pobres dependessem dele para ficarem ricos, estão perdidos: é um grande destruidor de riquezas..."

E o que me escreve um leitor atento, que confessa estar decepcionado comigo, me equipara a Carta Capital e disse que vai abandonar este blog? Isto:

Caro PRA,
Afirmar haver a Igreja Católica 'talvez' atrasado o capitalismo na Europa em 'um ou dois séculos' não é um argumento 'impressionista', mas sim duplamente leviano:
. pela infantilidade da assertiva em si mesma;
. e pela impossibilidade de demonstração histórica séria de tal acontecimento.
Como leitor assíduo de seu blog, decepcionei-me ao ler uma colocação dessa espécie, não me surpreendendo, entretanto, com o nível dos comentaristas atraídos por tal postagem.
Pelo que vejo, esse blog assemelhou-se àqueles mantidos nos sites da Carta Capital e da Agência Carta Maior.
De hoje em diante, procurarei leitura mais saudável.
Cordialmente.

[Leitor que se foi..., supostamente]

Bem, vamos ao debate, agora.
Sinto decepcionar outra vez esse leitor, e talvez muitos outros mais -- o que não me preocupa muito, pois debate de ideias servem justamente para que cada um exponha suas posições -- mas vou recrudescer na minha afirmação sobre o papel essencialmente negativo da Igreja Católica na questão da economia, do desenvolvimento econômico, do surgimento e expansão do capitalismo.
A Igreja Católica fez um imenso bem à humanidade, durante séculos e séculos, ao preservar a cultura, a civilização, os valores cristãos (que são todos muito bons, comparativamente a outros, de outras religiões) e ao cuidar dos pobres e dos miseráveis por meio de suas obras caridosas e muitas coisas mais. Tudo isso não impediu certos papas de serem devassos, de cuidarem mais dos bens materiais do que dos valores espirituais e de terem incitado à violência contra heréticos (ou considerados tais) e infiéis, numa missão evangelizadora por vezes agressiva, estúpida e altamente danosa para certos povos. Todas as suas boas contribuições à cultura, à defesa da dignidade humana e da mulher tampouco impediram a Igreja Católica, sobretudo sua versão ultra-montana e carola, de ser uma barreira por vezes formidável ao desenvolvimento do espírito científico (que o digam Galileu, Copérnico, Giordano Bruno, Teilhard de Chardin e tantos outros).
Indo especificamente ao caso da economia, permito-me ressaltar o papel essencialmente negativo da Igreja Católica na acumulação de riquezas, no desenvolvimento dos negócios, no livre funcionamento dos mercados e na promoção da prosperidade dos mais pobres.
A própria biografia do Fugger demonstra isso, pelo lado do comércio de dinheiro, ou seja, empréstimos usurários ou próximos disso. O próprio papa Francisco não cessa de falar contra os mercados e contra a "sede de lucros". Tudo isso é essencialmente negativo, sobretudo para os mais pobres.
Em parte é ignorância econômica, o que se compreende do lado dos preconceitos ancestrais na história da humanidade; mas ao persistirem os preconceitos por tanto tempo, isso já se torna estupidez consumada, e eu não tenho nenhum problema em acusar o papa Francisco de estupidez econômica crassa, e de preconceito infantil contra o capitalismo e contra os mercados.
Por tudo isso, ouso dizer, mesmo correndo o risco de ser impressionista, mas não temendo sê-lo, que a Igreja Católica não atrasou o desenvolvimento do capitalismo em apenas um ou dois séculos, mas provavelmente muito mais, até hoje aliás, com suas posições alopradas em matérias econômicas.

Ao leitor frustrado com minhas posições, eu diria o seguinte.
Ser infantil ou não nessas minhas posições é meu direito, como é meu direito achar que esse leitor está mais preocupado com a reputação da Igreja do que com os fatos históricos.
Ser duplamente leviano é também um direito meu, mas tampouco o leitor me trouxe argumentos que fossem contrários às minhas posições -- ele só fez acusações contra mim, segundo aquele velho costume de atirar contra o mensageiro, em lugar de debater a mensagem -- e menos ainda trouxe argumentos em favor de suas posições, que seriam supostamente a de que a Igreja não apenas não atrasou o capitalismo, como ela contribuiu tremendamente para o seu desenvolvimento.
Pode até ser, mas se ele não avançar fundamentações empíricas a esse tipo de posição, suas acusações ou defesas não valem absolutamente nada.
Minhas posições estavam apoiadas nesse livro de história, de biografia do banqueiro Fugger, que teve de fazer contorsionismos para manter uma atividade altamente capitalista em face da hostilidade de certos homens da Igreja (que nada mais faziam senão refletir as posições retrógradas da Igreja em matéria econômica).
Quanto a dizer que meu blog está ficando parecido com Carta Capital e Agência Carta Maior, é simplesmente ridículo, mas eu acrescento mais uma coisa a esse respeito.
Como acadêmico não religioso e não fundamentalista, eu leio absolutamente de tudo, inclusive esses dois sites, constatando, na maior parte das vezes como eles são, pela ordem: 1) estúpidos; 2) de má-fé; 3) desonestos "subintelequitualmente". Mas nem por isso tenho problemas em lê-los, uma vez que eles refletem exatamente o que pensam os subinteliquituais da esquerda, e milhares, talvez a maioria, dos acadêmicos gramscianos (que nunca leram Gramsci) de nossas universidades.

Um último desejo: que o leitor expresse, uma última vez, antes de abandonar definitivamente este blog, seus argumentos em favor das "consequências econômicas da Igreja Católica".
Meu argumento é de que essas consequências foram essencialmente prejudiciais ao desenvolvimento econômico e à expansão do capitalismo, historicamente e mesmo agora. Basta considerar, por exemplo, as posições expressas na encíclica do papa peronista sobre o meio ambiente, que não falha em atribuir os desequilíbrios ecológicos e ambientais ao mercado, o que não é apenas ingênuo, mas estúpido. Ainda que certos capitalistas possam causar danos ao meio ambiente, é o livre jogo de preços, num mercado que expresse claramente a raridade relativa de bens escassos, e que precifique tudo isso, que vai contribuir para o equilíbrio ambiental, bem mais do que medidas regulatórias de governos.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 19 de novembro de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O homem mais rico do mundo, Jacob Fugger - livro de Greg Steinmetz

A Igreja Católica sempre teve essa inacreditável capacidade de pecar fragorosamente contra as principais leis da economia, pecados mortais, não simples pecados veniais, talvez atrasando o surgimento do capitalismo na Europa em um ou dois séculos.
Meu argumento é certamente impressionista, mas a Igreja continua a ser altamente expressionista contra a economia de mercado, contra o lucro, contra qualquer coisa que cheire a dinheiro.
Isso, mesmo sendo detentora de um banco (falido por roubo, corrupção e incompetência) e de imensos, gigantescos, incomensuráveis ativos materiais e muitos outros intangíveis.
O atual papa, por exemplo, é um peronista econômico, ou seja, um aloprado em matéria de economia. No resto ele é até bonzinho, reformista, e um bom sujeito, mas se os pobres dependessem dele para ficarem ricos, estão perdidos: é um grande destruidor de riquezas...
Paulo Roberto de Almeida 
Today's selection -- from The Richest Man Who Ever Lived by Greg Steinmetz. For centuries, lending (or usury) stood as one of the worst sins in Christianity, proscribed in such biblical texts as Luke 6:35, "Lend and expect nothing in return." The sin was defined as either lending at all or charging interest rates that were too high, but in any event, the practical effect was that the business of lending was left to those of the Jewish faith. That is, until the business became too profitable to ignore, and Renaissance-era families in Venice and Florence elbowed their way in, side-stepping the theological problem by using other names for interest such as penalties, processing fees, gifts and loss charges. [Note that this is the same issue Islamic bankers struggle with today]. In a monumental historical milestone, the matter was ultimately settled by the German Jacob Fugger, the wealthiest man of his era, and his actions set the stage for the modern era of capitalism:

"Change came in Germany a century later. Anxious to catch the Italians and lured by interest rates as high as 43 percent, German cities cleared the field of incumbents. Augsburg expelled its Jews in 1438 and used the gravestones from the Jewish cemetery to build a new city hall. A textile trader named Hans Meuthing became the first Augsburger to try finance on a major scale. He made a large loan to Archduke Sigmund of Tyrol, which was backed, just like Fugger's later loan to the duke, by the output of the Schwaz silver mine. Others jumped in, replacing Jewish lenders on transactions, large and small. The German satirist Sebastian Brant noted the development in his best-selling Ship of Fools (1494): 'You borrow ten, eleven's due. They're more usurious than the Jew. Their business now the Jews may lose, for it is done by Christian Jews.' Fugger took lending further than anyone, but even he, like the Italians, used dodges to mask interest. He took silver instead of cash for the Tyrolean activities, making the loan repayments look more like purchases than loans.

"The Nuremberg circle [who were competitors to Fugger and the Augsbergians] smartly targeted moneylending as a way to contain Fugger and the new economy he was helping to create. They knew there was no quicker way to stop him than by turning off the cash spigot. ... Fugger had to respond. With his support, Augsburg schoolmaster Sebastian Illsung wrote a defense of lending by focusing on the narrow subject of the Augsburg Contract -- the legal agreement Fugger signed with depositors that promised them 5 percent. Illsung argued the contract was valid if the lender, like the borrower, risked bankruptcy. Then a young theologian named Johannes Eck caught Fugger's eye by echoing Illsung's arguments in a university lecture. Fugger asked Eck to write a dissertation on the Augsburg Contract and enter a debate -- a public showdown with scholars as judges -- to validate it.

"Fugger was taking a risk. The Augsburg Contract mayor may not have been legal under church law. But it was in wide use and Fugger needed it to raise money. If Eck lost the debate and the judges declared the contract usurious, Fugger's depositors would refuse to give him money. This would be lethal. It was one thing to operate in a gray area. It was another to engage in a practice specifically ruled heretical. Fugger must have felt extremely confident because he sought nothing short of a Scopes trial, a winner-take-all smackdown pitting dogma against modernity, but with money instead of monkeys at the center. He had at least one precedent on his side. After theologians squared off over the subject of annuities -- the interest-earning pension schemes that cities sold to raise money -- the pope had sanctioned them. Maybe Pope Leo, who had replaced the 'Warrior Pope' Julius II earlier that year, would do the same with the Augsburg Contract. There was also the fact that Leo was a member of the Medici banking family. Legalization would serve his personal interests. Even better was that Leo himself was a borrower of Fugger's. It goes without saying that Leo would be favorably inclined towards someone who gave him money.

Johann Maier von Eck
"Eck taught at the University of Ingolstadt. He later became notorious for reporting Luther's heresies to Rome and prompting his excommunication. He could advance his career if he won but faced ridicule if he lost. When Eck finished his paper, he submitted it to the university and asked it to host the contest. ... Fugger and Eck turned to Italy where, thanks to Venice and Florence, the universities were open-minded about lending. They found a willing participant in the University of Bologna, Europe's oldest university and among its most prestigious. Thomas Becket, Erasmus, Copernicus and Mirandola had studied there. On his way to Bologna, Eck passed through Augsburg. Fugger assigned him a translator and other assistants. Another Augsburger, the Dominican priest Johannes Fabri, made his own way to Bologna to argue the other side. For all we know, Fugger may have picked Fabri. It was a way of fixing the outcome. But Fabri appears to have been his own man.

Johann Fabri
"On July 12, 1515, Eck and Fabri met at St. Petronius, the city's mammoth fourteenth-century basilica. The doors opened at four in the afternoon. Eager for a good show, students and professors came to watch and walked past an enormous painting of a hideous, two-mouthed Lucifer -- a reminder of what awaited heretics -- as they took their seats in the pews. Organizers engineered these things to entertain. They allowed heckling and encouraged cheering. Eck and Fabri went at it for five hours. Eck avoided scriptural references and focused on intent. Only evil intentions could make a transaction usurious, he declared. A lender committed usury if he aimed to harm the borrower. But he acted legally if he had a legitimate business interest. When his turn came, Fabri rehashed the old arguments; Aristotle, Aquinas and the rest. Eck thought he crushed Fabri. Three professors in the audience agreed with him. But the judges saw merits on both sides. They refused to call a winner and the contest ended in an unsatisfying draw.

"Fugger might have been disappointed, but he could take comfort. The judges had refused to call the Augsburg Contract heretical. Eck and Fabri had presented a cut-and-dried case of charging interest on loaned money, and had given the judges a perfect chance to confirm Luke 6:35. But the judges refused to make a call, a call that could have put Fugger out of business. That was tacit approval. What's more, Fugger's letter to Pope Leo had gotten through and made an impact. Leo ignored the question about debate venues but, in a decree issued that same year, Leo went to the heart of the matter and signed a papal bull that, in direct contradiction of Aristotle and other ancient commentators, acknowledged the legitimacy of charging interest. 'Usury means nothing else than gain or profit drawn from such a thing that is by its nature sterile, a profit that is acquired without labor, cost or risk.' It didn't matter that money wasn't like a cow and provided no milk. Labor, cost and risk were enough to make it unsterile and make interest charges lawful. This was a thunderclap. Usury was a sin. But what defined usury? According to the new doctrine of the church, usury was no longer strictly about what Jesus said about charging interest. It was about charging interest without labor, cost or risk. And what loan didn't involve one of the three? As long as a loan passed that easy test, the lender was off the hook. Fugger's lobbying had paid off in spectacular fashion. He and others were now free to charge borrowers and pay depositors interest with the full blessing of the church. Leo's decree, issued in conjunction with the Fifth Lateran Council, was a breakthrough for capitalism. Debt financing accelerated. The modern economy was under way."
The Richest Man Who Ever Lived: The Life and Times of Jacob Fugger
Author: Greg Steinmetz
Publisher: Simon & Schuster
Copyright 2015 by Greg Steinmetz
Pages xiii-xvi


Quando o maior capitalista contrata o maior neobolchevique...

O Brasil é um país surpreendente, mas talvez nem tanto.
Vejam a notícia abaixo, por exemplo: trata-se, simplesmente, daquele que tinha a pretensão de ser o maior capitalista do Brasil, de se tornar o homem mais rico desta republiqueta de corruptos, e que portanto agiu da forma promíscua como sempre agem capitalistas gananciosos, comprando políticos, partidos, agentes do Estado, corrompendo tudo e a todos.
Só podia contratar o maior corrupto do partido totalitário, não é mesmo?
Afinal de contas, ambos estão no mesmo ramo de atividade: corromper instituições para obter ganhos pessoais.
Pensando bem, não há nada surpreendente nisso.
Só estranho que esse homem ainda não esteja na cadeia...
Paulo Roberto de Almeida

Eike Batista contratou empresa de Dirceu para intermediar negócio na Bolívia

Em depoimento à CPI do BNDES o empresário disse que contratou a empresa do ex-ministro da Casa Civil em 2008. Eike também negou ter negócios com o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula investigado pela Lava Jato
Luis Macedo/Agência Câmara
Em depoimento na CPI do BNDES, Eike Batista disse que contratou empresa de Dirceu em 2008
O empresário Eike Batista disse, em depoimento à CPI do BNDES, que contratou os serviços de consultoria do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, em 2008, para intermediar a construção de uma siderúrgica na Bolívia. Ao responder pergunta do deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), Batista admitiu que contratou Dirceu para negociar com o governo de Evo Morales a instalação da siderúrgica. “Como acontece depois de todos os movimentos revolucionários, tudo o que é estrangeiro ou investimento anterior é considerado coisas de multinacionais. Então eu queria que eles fossem menos radicais”, explicou.
O empresário disse, porém, não se lembrar do valor do contrato com José Dirceu e ficou de repassar a informação à CPI. Ele garantiu, ainda, que a construção da siderúrgica não foi adiante.

Banco Central invadido pela policia! (calma pessoal, nao foi aqui); nao se respeita mais nada...

Ah, essa Argentina surpreendente: não existem mais instituições sagradas, se é verdade que algum dia existiram. Mas registre-se que quem invadiu o BC argentino foi a polícia de Buenos Aires, do prefeito opositor ao kirchnerismo e candidato (provavelmente vencedor) das eleições de domingo, em segundo turno.
Parece que, independentemente dessa invasão (que ela possa produzir outros efeitos em outros lugares), o novo presidente pretende introduzir mudanças significativas não apenas na política econômica esquizofrênica seguida nos últimos anos (não só lá, recordemos), mas também na política externa aloprada (ops, esse termo é suspeito) adotada pelos mesmos malucos do poder.
Parece que vem mais mudanças por ai, e o Brasil vai estar involucrado, como dizem por lá...
Paulo Roberto de Almeida

Argentina corrupción

Allanan Banco Central de Argentina por denuncia contra su titular por fraude

BUENOS AIRES (ARGENTINA) 17/11/2015. EFE/David Fernández
Vista de la sede del Banco Central de Argentina en Buenos Aires, donde la policía metropolitana allanó la sede por una denuncia contra el presidente de la autoridad monetaria, Alejandro Vanoli, por presunto fraude.
Infolatam/Efe
Buenos Aires, 17 de noviembre de 2015
Las claves
  • Bonadío investiga una denuncia presentada contra Vanoli y el resto del directorio del Banco Central por presunta defraudación pública en la venta del denominado "dólar futuro".
La policía metropolitana de Buenos Aires allanó la sede del Banco Central de Argentina por una denuncia contra el presidente de la autoridad monetaria, Alejandro Vanoli, por presunto fraude, confirmaron fuentes judiciales.La orden de allanamiento fue librada por el juez Claudio Bonadío, quien dispuso que el procedimiento sea realizado por la policía metropolitana, cuerpo de seguridad de la capital, que depende del gobierno encabezado por el candidato presidencial opositor, Mauricio Macri. Bonadío investiga una denuncia presentada contra Vanoli y el resto del directorio del Banco Central por presunta defraudación pública en la venta del denominado “dólar futuro”.
La investigación se inició por una denuncia presentada el pasado 30 de octubre por los diputados opositores Federico Pinedo, de Propuesta Republicana (Pro) y Mario Negri, de la Unión Cívica Radical.
El miércoles pasado, el fiscal que interviene en la causa, Eduardo Taiano, solicitó la imputación de Vanoli, acusado por los parlamentarios opositores de vaciar las arcas del Banco Central a través de la firma de contratos de dólar a futuro pendientes de ejecución.
Según los denunciantes, mediante estas operaciones la autoridad monetaria habría vendido los dólares a un precio que ronda los 10,65 pesos por unidad, por debajo del precio establecido en la Bolsa de Nueva York para este tipo de contratos (alrededor de 14 pesos por unidad).
Mediante estos contratos a futuro, el Banco Central se compromete a entregar dólares a 10,65 pesos por unidad al 31 de marzo próximo, frente a una cotización oficial actual de 9,64 pesos.
Si para marzo la cotización oficial está por encima del precio establecido en los contratos, el Banco Central debe entregarlos a ese valor pactado, con una millonaria pérdida para la entidad en caso de que el valor de la divisa en el mercado oficial alcance para entonces en torno a los 14 pesos por unidad.
El fiscal había pedido además al juez recoger pruebas, como informes al Banco Central, con el fin de averiguar desde cuándo se están operando estas ventas y con qué condiciones, entre otros documentos que podrían aportar información necesaria para la instrucción.
Bonadío dijo a una emisora local que el Banco Central, este martes, en horas de la mañana, hizo una presentación ante su juzgado por esta causa, cuando el magistrado ya había librado la orden de allanamiento.
El juez precisó a radio La Red que el jueves y el viernes pasado tomó declaración testimonial a Martín Redrado y Alfonso Prat Gay, expresidentes del Banco Central y actualmente dirigentes de oposición.
Redrado y Prat Gay “expusieron las razones técnicas que sostenían, según ellos, esta denuncia e indicaron determinados sectores del organigrama del Banco Central donde se encontraría documentación que era necesario analizar para determinar los extremos de la denuncia”, sostuvo el juez.
“Si se planteara que en realidad se vendió contratos de manera indiscriminada en un dólar que en realidad se sabía no podía resistir la ecuación económico, podría haber una defraudación a la administración pública”, sostuvo Bonadío, quien subrayó que para ese tipo de delito se prevé una pena de “mínimo de 6 años” de prisión.
El magistrado dijo que requirió a las autoridades del Mercado de Futuros de la ciudad argentina de Rosario, donde se operan los contratos de dólar futuro, para que presten declaración testimonial y aporten documentación.
El juez dijo que no tiene previsto citar a declarar a Vanoli hasta que no concluya con el análisis pericial de la documentación del caso.
La investigación al Banco Central coincide con la campaña en Argentina para la segunda vuelta presidencial del próximo domingo y en la que uno de los principales temas de discusión es qué hará el próximo Gobierno con el complejo mercado cambiario local, en momentos en que las reservas monetarias han tocado su mínimo en nueve años.

Uma conferencia mundial islamica para condenar a jihad? - Omar El Seoud

Gosto sempre de ler cartas e comentários de leitores pois, mais do que os próprios artigos de colunistas, de personalidades, ou os próprios editoriais dos grandes jornais, são extremamente reveladores do que anda pela cabeça do povo.
Trata-se de um exercício necessário para acompanhar a realidade real, se me permitem a redundância, da psicologia coletiva, pois artigos e editoriais só revelam o que pensam seus autores, uma minoria minorantíssima, se me permitem esta outra barbaridade.
Este acadêmico da USP, por exemplo, acha que seria possível reunir uma conferência islâmica mundial para simplesmente condenar a (má) jihad. Haveria uma boa? Ele acha que jihad não significa necessariamente luta armada.
Acho que os desacordos começam por aí, e acredito que essa tal de conferência mundial não seja humanamente, ou islamicamente, possível, e se por acaso for convocada, terminará na acrimônia (sobre a dominação do Ocidente, por exemplo), e sem conclusões factíveis de serem implementadas no mundo a que ela se destinaria, supostamente o mundo muçulmano, tão diverso quanto o mundo do cristianismo (com correntes muito opostas entre si, e que no passado também se massacraram mutuamente).
Em todo caso, reproduzo aqui sua carta, suprimindo seu e-mail, mas antecipo que essa conferência não será feita, e se algum dia for realizada (parcialmente, não universalmente), não trará resultados.
Paulo Roberto de Almeida

Cartas ao jornal O Estado de S.Paulo, 18 Novembro 2015 | 02h 55
MASSACRE EM PARIS
Não basta condenar o terror
Os líderes religiosos muçulmanos, sunitas e xiitas, têm a missão urgente de convocar uma conferência islâmica mundial para definir alguns conceitos religiosos, entre os quais se destaca o de jihad. Em falso nome deste, foram recentemente massacrados civis no Líbano, explodidos turistas em pleno voo no Egito e metralhados inocentes em Paris. A conferência deve dar definição clara de jihad e detalhar, inequivocamente, as condições em que um muçulmano deve participar e como fazer isso, uma vez que jihad não significa, necessariamente, luta armada. Em seguida, deve levar esses esclarecimentos, com vigor, aos quatro cantos do mundo. Tal caminho de combate ao fanatismo pseudorreligioso levará tempo para dar frutos. Mas no fim dará certo, pois a História nos ensinou que a razão, e não a repressão, acaba sempre vencendo. É dessa jihad, sim, que nós precisamos!
OMAR EL SEOUD
xxxxxxxxx@gmail.com
São Paulo

Robert Skidelsky e o retorno de Oswald Spengler sobre o declinio do Ocidente

Sociólogos em geral, e Skidelsky pode ser considerado um, amam essas analogias históricas e esse retorno de interpretações passadas. Independentemente das falsas analogias históricas, sempre se aprende alguma coisa com gente inteligente.
Paulo Roberto de Almeida

The Decline Of The West Revisited

Robert Skidelsky
Robert Skidelsky
The terrorist slaughter in Paris has once again brought into sharp relief the storm clouds gathering over the twenty-first century, dimming the bright promise for Europe and the West that the fall of communism opened up. Given dangers that seemingly grow by the day, it is worth pondering what we may be in for.
Though prophecy is delusive, an agreed point of departure should be falling expectations. As Ipsos MORI’s Social Research Institute reports: “The assumption of an automatically better future for the next generation is gone in much of the West.”
In 1918, Oswald Spengler published The Decline of the West. Today the word “decline” is taboo. Our politicians shun it in favor of “challenges,” while our economists talk of “secular stagnation.” The language changes, but the belief that Western civilization is living on borrowed time (and money) is the same.
Why should this be? Conventional wisdom regards it simply as a reaction to stagnant living standards. But a more compelling reason, which has seeped into the public’s understanding, is the West’s failure, following the fall of the Soviet Union, to establish a secure international environment for the perpetuation of its values and way of life.
The most urgent example of this failure is the eruption of Islamist terrorism. On its own, terrorism is hardly an existential threat. What is catastrophic is the collapse of state structures in many of the countries from which the terrorists come.
The Islamic world contains 1.6 billion people, or 23% of the world’s population. A hundred years ago it was one of the world’s most peaceful regions; today it is the most violent. This is not the “peripheral” trouble that Francis Fukuyama envisioned in his 1989 manifesto “The End of History.” Through the massive influx of refugees, the disorder in the Middle East strikes at the heart of Europe.
This movement of peoples has little to do with the “clash of civilizations” foreseen by Samuel Huntington. The more mundane truth is that there have never been any stable successors to the defunct Ottoman, British, and French empires that used to keep the peace in the Islamic world. This is largely, though not entirely, the fault of the European colonialists who, in the death throes of their own empires, created artificial states ripening for dissolution.
Their American successors have hardly done better. I recently watched the film “Charlie Wilson’s War,” which relates how the United States came to arm the Mujahideen fighting the Soviets in Afghanistan. At the end of the film, as America’s erstwhile clients turn into the Taliban, Wilson, the American politician who got them the money, is quoted as saying “We won a great victory, but fouled up the end game.”
This “fouling up” is a continuous thread running through American military interventions since the Vietnam War. The US deploys overwhelming firepower, either directly or by arming opposition groups, shatters local governmental structures, and then pulls out, leaving the country in shambles.
It is unlikely that US policymaking reflects the grip of some ideal view of the world, in which getting rid of dictators is the same thing as creating democracies. Rather, the belief in ideal outcomes is a necessary myth to cover an unwillingness to use force persistently and intelligently enough to achieve a desired result.
However much military hardware a superpower owns, decay of the will to use it is the same thing as a decay of effective power. After a time, it ceases to overawe.
That’s why Robert Kagan’s 2003 neo-conservative proposition, “Americans are from Mars, Europeans from Venus,” offered such a misleading guide. True enough, the European Union has gone farther down the pacifist road than the US. It is the weak nerve center of a flabby semi-state, with almost defenseless frontiers, where humanitarian rhetoric masks spinelessness. But America’s sporadic, erratic, and largely ineffective deployment of power is hardly of Martian quality.
The decline of the West is juxtaposed with the rise of the East, notably China. (It is hard to tell whether Russia is rising or falling; either way, it is disturbing.) Fitting a rising power into a decaying international system has rarely occurred peacefully. Perhaps superior Western and Chinese statesmanship will avert a major war; but this, in historical terms, would be a bonus.
The increasing fragility of the international political order is diminishing the global economy’s prospects. This is the slowest recovery from a major slump on record. The reasons for this are complex, but part of the explanation must be the weakness of the rebound in international trade. In the past, trade expansion has been the world’s main growth engine. But it now lags behind the recovery of output (which is itself modest), because the kind of global political order hospitable to globalization is disappearing.
One symptom of this has been the failure after 14 years to conclude the Doha Round of trade negotiations. Trade and monetary agreements are still reached, but they increasingly take the form of regional and bilateral deals, rather than multilateral arrangements, thereby serving broader geopolitical goals. The US-led Trans-Pacific Partnership, for example, is directed against China; and China’s New Silk Road initiative is a reaction to its exclusion from the 12-country TPP.
Perhaps these regional bargains will prove to be a step toward wider free trade. But I doubt it. A world divided into political blocs will become a world of trade blocs, sustained by protectionism and currency manipulation.
And yet, even as trade relations become increasingly politicized, our leaders continue to urge us to gear up to meet the “challenges of globalization,” and few question the benefits of cost-cutting through automation. In both cases, politicians are trying to force adaptation on reluctant populations who crave security. This strategy is not only desperate; it is also delusive, for it seems obvious that, if the planet is to remain habitable, competition in economic growth must give way to competition in quality of life.
In short, we are far from having developed a reliable set of precepts and policies to guide us toward a safer future. Small wonder, then, that Western populations look ahead with foreboding.
© Project Syndicate

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