quarta-feira, 12 de maio de 2021

Por que o capitão tem tantos apoiadores? Uma resposta tentativa - Paulo Roberto de Almeida

Por que o capitão tem tantos apoiadores? Uma resposta tentativa

 

 

Paulo Roberto de Almeida

(www.pralmeida.orghttp://diplomatizzando.blogspot.com)

[Objetivo: Comentários e explicação tentativa, de natureza psicológica, a respeito do amplo apoio de que ainda desfruta o presidente; finalidadedebate público]

 

 

A pergunta é uma das mais cruciais de nossa conjuntura política: por que, a despeito da evidente desgovernança, o capitão ainda desfruta de certo apoio na sociedade?

Eu poderia tentar uma resposta sociológica, ou de ciência política, vinculada à própria conjuntura na qual vivemos desde 2013 e da qual ainda não saímos, dados os efeitos delongados da recessão, atualmente prolongados pelos da pandemia.

Quais são as características básicas dessa realidade sociológica? Resumo apenas: frustração com a Grande Destruição econômica da última fase dos mandatos petistas, choque brutal da realidade que veio à tona com a Imensa Corrupção petista, a reação moralista contra a miséria ética da maior parte do estamento político, a hábil exploração dos recursos das tecnologias de informação e comunicação (TICs) para a manipulação esperta do eleitorado, enfim, o conjunto de circunstâncias que nos levaram ao “ponto ótimo” da crise e que redundou no resultado eleitoral de outubro de 2018, não apenas no nível presidencial, mas também nas dezenas de oportunistas eleitos no mesmo ambiente de falcatruas programadas na ocasião.

Tudo isso é válido para o pleito e o entusiasmo imediato com as promessas de “grande limpeza” ética da Nova Politica, de retomada do crescimento via um liberalismo que nunca existiu, de conexão direta com o “povo”, além e acima dos partidos e da classe política, coisas que jamais existiram ou existiriam, pois que tudo não passou de uma imensa fraude (que enganou não só a classe média, mas também o Grande Capital, o conjunto dos ruralistas e pequenos agricultores, e também a cúpula das FFAA, sem mencionar as bases dos corpos de segurança naturalmente propensos a seguir o discurso fascista do “bandido bom é bandido morto”).

Mas isso não explica a natureza do apoio de que ainda desfruta o capitão em vários estratos da população, mas que não tem nada a ver com o apoio ingênuo daqueles muito dependentes da ajuda estatal, que sempre vão apoiar quem lhes dispensa essa ajuda, seja ele de esquerda, de direita ou de centro, liberal ou fascista, democrata ou autoritário. Não são os humildes que fazem marchas ou manifestações de moto ou de carro em apoio ao capitão nos feriados e fins de semana. Estes são basicamente de classe média, até eventualmente bem informados, o que não quer dizer que sejam cultos ou inteligentes.  

Depois de dois anos e meio de desgoverno, de falcatruas reveladas, de rendição à corrupção política (inclusive em causa própria), de total incompetência não só no trato da pandemia, mas na simples gestão administrativa, com o desmazelo mais que visível do capitão e sua família, com o desprezo pela vida já amplamente demonstrado, com a grosseria rude que se lhe conhece, a ignorância estatelada na face, os prejuízos já evidentes trazidos ao Brasil no plano interno e externo (armamentismo, ataques à democracia e aos DH, meio ambiente, diplomacia, etc.), nada disso, ou tudo isso poderia augurar um apoio continuado ao capitão, e sim uma legítima rejeição por parte de cidadãos aparentemente normais, ou seja, pessoas de classe média que não sofrem ou enfrentam as agruras materiais cotidianas da classe E e dos estratos mais baixos da classe D.

Não nos enganemos, aqueles que saem às ruas são majoritariamente das classes B e C, com certo número da classe D e muito poucos da classe A (só os muito canalhas, os oportunistas e os muito burros, ou naturalmente “fascistas”, pois também os há).

Existiriam muitas razões “sociológicas” para explicar o resiliente apoio ao capitão em outras faixas da população que não os “bolsonaristas raiz” – que são em número limitado – ou entre os evangélicos de maneira geral, que são “naturalmente” levados a apoiar aqueles indicados pelos pastores-funcionários de um establishment vinculado mais aos negócios do que propriamente à religião.

Minha explicação é mais de natureza psicológica do que sociológica, pois que acredito que  a maior parte dos que manifestam sua concordância com palavras e gestos do capitão realmente não ganha absolutamente nada, não tira nenhuma vantagem pessoal em apoiar o seu desgoverno; eles o fazem espontaneamente, livremente, alguns até de forma entusiasta: se enrolam na bandeira, repetem slogans imbecis e acham sinceramente que viveriam melhor com uma “intervenção militar constitucional”, “com Bolsonaro no poder”. É nisso basicamente que se traduz o seu apoio.

Não me custa nada dar minha explicação psicológica: creio que esse apoio tem a ver com o fato de que, finalmente, a maior parte dessas pessoas seja basicamente como ele, ignorantes crassos (independentemente da faixa de renda), gente frustrada, preconceituosa, direitista ingênua, enfim, todos os vícios do capitão, gente que antes vivia dispersa pelo imenso país e que de repente descobriu um boçal que as representasse perfeitamente, já que idiotas também precisam ser representados. 

Sem medo de ofender os bolsonaristas, mas ofendendo, acredito ser esta uma explicação válida: recalcados ignorantes viviam antes sem ter quem os representasse: acabaram encontrando. E isso é uma massa considerável de gente, sem falar em evangélicos também ignorantes e que se deixam enganar por um falastrão oportunista.

É mais ou menos o que ocorre, em menor escala, com o famoso guru presidencial, um oportunista esperto que descobriu uma maneira de viver às custas de algumas dezenas de milhares de pessoas, sedentas de alguma explicação, e de algum “conhecimento”, sobre as razões de nossas mazelas, que estão no “comunismo” sempre solerte, no Foro de S. Paulo “do PT”, no globalismo dos ultra ricos esquerdistas, dos burocratas da ONU e dos acadêmicos gramscianos, tudo isso servido com leves tinturas filosóficas, o que dá a impressão aos ingênuos de que eles estão ficando inteligentes ao se filiar ao subsofista espertalhão. 

Num e noutro caso, o capitão e o guru, eles conseguiram juntar os frustrados (por razões legitimas ou não) que viviam dispersos e perdidos no seio de uma população espalhada pelo Brasil inteiro, pessoas que ansiavam por encontrar um semelhante, ou um salvador providencial, ou guia espiritual, ou simplesmente um conselheiro para enfrentar a dureza que é viver num país que manifestamente perdeu o rumo de algum consenso em torno de políticas razoáveis para retomar o caminho da construção da prosperidade, da segurança pública ou da simples civilidade. É duro ter de reconhecer, mas o Brasil perdeu o rumo, dadas suas elites medíocres, desonestas, e a baixa educação política (quando não educação tout court) da maior parte da população. Somos um país que se perdeu na anomia geral do establishment político, no oportunismo das corporações de Estado, no patrimonialismo geral dos donos do poder, que não são todos representantes do Grande Capital, pois eles podem ir do mais modesto vereador de província ao mais poderoso senador da República ou governador de importante estado da (des)federação.

Esse é o estado a que chegamos, como Estado, como governo, como sociedade e como nação, às vésperas de completar duzentos anos de independência e ainda sem um rumo determinado, sem sequer algum programa oficial (já nem falo de “projeto nacional”, pois isto se revela impossível nas circunstâncias presentes) que nos possa tirar do lodo material, do pântano institucional, das frustrações pessoais, pois que continuamos a “vagar cegos pelo continente”.

Esta é a minha “explicação” para o fenômeno do apoio continuado ao PIOR dirigente que o Brasil jamais conheceu desde D. Tomé de Souza, aqui desembarcado em 1549, um homem (e um esquema familiar) que eu não hesitaria em classificar como um DEGENERADO com traços de psicopatia esquizoide, dado o comportamento esquizofrênico do personagem em questão (sem recusar-lhe alguma esperteza oportunista, dada a propensão a explorar os antagonismos e as frustrações de sua clientela).

Sinto, mais uma vez, expressar pessimismo em face da situação atual, mas é a maneira que encontro para suscitar reações, despertar consciências e animar, talvez, alguns espíritos irresolutos, dispostos a enfrentar as dificuldades do momento, na busca de alguma via de escape (nem estou pensando em “solução”) às misérias da presente conjuntura.

 

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 3909, 12 de maio de 2021

 

 

PS: transcrevo uma mini postagem de dois dias atrás:

“O Brasil vai persistir, por decisão do nosso estamento político altamente corrupto, na manutenção do governo do degenerado até o final de 2022, com imensas perdas, prejuízos e retrocessos ao país, nada de muito diferente do que tivemos no Império e na República, de modo contínuo.

Difícil acreditar que no ano do bicentenário, 2022, possa emergir um estadista nacional que proponha um inversão radical de nossos equívocos fundamentais. E que ele tenha votos suficientes para guindá-lo ao poder. Continuaremos afundando. Sorry pelo pessimismo. Sou um realista!”

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 10/05/2021

 

Algum bolsonarista amigo poderia me comentar isto aqui, por favor? - Carlos Brickmann

 Juro que eu gostaria de ter um bolsonarista amigo do coração para comentar estas maldades que o jornalista Carlos Brickmann está assacando contra o mito: 


 

PAGUE, PAGUE MAIS CARO

COLUNA CARLOS BRICKMANN

EDIÇÃO DOS JORNAIS DE QUARTA-FEIRA, 12 DE MAIO DE 202

 

Encher o seu prato já custa 52% a mais do que há um ano. Vai subir mais: os produtos agropecuários se valorizaram no mercado mundial e a China está importando mais do que nunca. Como o Governo não providenciou nenhum estoque estratégico, os preços sobem e talvez faltem derivados de milho e de soja. Pode piorar: de janeiro para cá, os fretes do Centro Oeste aumentaram 25% em média. Parte dos aumentos parece temporária; porém até lá vai doer.

Mas há custos que o caro leitor está pagando e que são imorais. Neste Dia das Mães, o presidente Bolsonaro festejou com um churrasco todo especial: a picanha que foi servida custa R$ 1.799,99 o quilo. É carne wagyu, uma variedade de gado japonês, vendida em peças de 350 gramas, a R$ 599,00 cada, pelo Frigorífico Goiás. Coisa chique: na embalagem, uma caricatura de Bolsonaro, um slogan da campanha presidencial e a marca Picanha Mito.

No site do Frigorífico Goiás (https://friggoias.com/produto/picanha-wagyu/), não há Picanha Mito; mas há picanha de gado Wagyu, a R$ 599,00 a peça de 350 gramas – preço promocional, informam, já que o preço normal do bife de 350 gramas é de R$ 1.200,99. Tchê, “O Churrasqueiro dos Artistas”, foi importado de Belém do Pará, a quase 2 mil km do Alvorada.

Entre os convidados, só gente chique – nenhum daqueles que gritam Mito a cada palavra de seu ídolo. Neste churrasco todo selecionado, estava por exemplo o cirurgião plástico de Michele Bolsonaro.

Pague e não bufe.

O dia adequado

Foi uma festa digna do dia a ser festejado. Pena que a mãe sejamos nós.

 

A hora dos problemas

Dois jornais revelaram fatos que vão incomodar o presidente Bolsonaro por alguns dias. A Folha de S.Paulo descobriu os bifes milionários que Sua Excelência serve aos bons amigos. O Estado de S.Paulo pegou um escândalo de R$ 3 bilhões de reais – que, dissimulados no Orçamento, serviram para convencer parlamentares mais flexíveis a votar nos candidatos de Bolsonaro à presidência da Câmara e do Senado.

Um escândalo interessante: o dinheiro foi destinado aos gastos solicitados pelas Excelências mais colaborativas. E há indícios de compras altamente superfaturadas, como tratores com preços 259% superiores aos habituais. Um equipamento de R$ 100 mil pode ter custado R$ 359 mil, tudo discreto, na moita. Bolsonaro disse que é mentira e que foi tudo criado “pelos canalhas” do Estadão. O problema é que o jornal apresenta toda a documentação oficial, incluindo os ofícios de parlamentares indicando onde gastar o dinheiro. Será curioso seguir os desmentidos.

Lembranças

Até agora, as rachadinhas, as compras milionárias de bebidas alcoólicas e os 700 mil kg de picanha para as Forças Armadas, o caso Queiroz, a dúvida a respeito do motivo pelo qual Queiroz e senhora depositaram R$ 89 mil na conta da primeira-dama, os R$ 2,5 milhões gastos em férias só neste ano, as ordens de compra de insumos de cloroquina a preços bem superiores aos habituais, a estranha insistência em cloroquina, tudo isso quase não atingiu Bolsonaro.

Em outras épocas, saraivadas de acusações foram feitas contra o governador paulista Orestes Quércia, apelidado de Teflon porque nada grudava nele. Mas, quando grudou, custou-lhe tanto voto que seu partido, o PMDB, sempre forte em São Paulo, perdeu o poder político no Estado.

As pedras no caminho...

Na CPI da Covid, a semana é quente: devem ser ouvidos antigos pilares do governo Bolsonaro, como Fábio Wajngarten e Ernesto Araújo, o antigo chanceler. Wajngarten, em entrevista, deixou claro que considera o general Pazuello, ex-ministro da Saúde, no mínimo pouco competente. E devem ser ouvidos também dirigentes da Pfizer. Segundo Wajngarten, a Pfizer ofereceu vacinas ao Brasil e nem recebeu resposta; isso atrasou o início da vacinação.

...e um problemaço

Lembra-se de Felipe Martins, assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, que foi filmado no Senado fazendo um gesto que, para alguns, significa aquilo que o público de um estádio costuma gritar para o juiz e, para outros, copia um gesto americano de supremacia branca?

A Procuradoria da República em Brasília deu prazo até o dia 13 para que Felipe Martins explique seu gesto. Se ele disser que foi um sinal obsceno para os senadores e o público, é ruim. Se disser que é supremacia branca, é crime.

Se disser, como até agora, que estava arrumando o terno, é ridículo.

 

Os donos do cargo

O normal seria que ele pedisse demissão “para que a má interpretação de seu gesto” não prejudicasse o Governo. Ou que o Governo o afastasse “para poupá-lo”. Mas demissão ele não pede. E seus padrinhos são Olavo de Carvalho e Carluxo, o filho 02, gurus de Bolsonaro. Quando Carluxo se irrita com o pai e se afasta, o pai sente sua falta. Quando Olavo se irrita, manda Bolsonaro enfiar uma condecoração no pazuello.

Ser presidente é dolorido.

 

 

terça-feira, 11 de maio de 2021

Crônicas da China, um livro de Carmen Licia Palazzo (livremente disponível)

 Carmen Lícia Palazzo: 

Crônicas da China 

(Brasília: Edição da Autora, 2021; 160 p.);

 link: 

https://www.academia.edu/48887593/Cronicas_da_China_05mai2021_1_?fbclid=IwAR2ewulRfmOlO9fsI0QvxE8lW-60UNHj0o0fs6sYfsEEe21tmBc5haXkJvI



Um livro excepcional, como não existe nenhum outro na literatura, e no Brasil, sobre as viagens que Carmen Lícia Palazzo organizou durante nossa estada na China, em 2010, quando eu fui uma espécie de “turista aprendiz”, guiado em todas as etapas por seu imenso conhecimento da história e da cultura da China imperial e da China contemporânea. 

Prazer indescritível rememorar todas as nossas visitas, num livro que também pode servir de guia de viagens aos que apreciam turismo inteligente e bem informado.


Paulo Roberto de Almeida


Covid: Governos ignoraram alertas e OMS não tinha como agir, diz auditoria - Jamil Chade (UOL)

 O mundo falhou, os países falharam, a OMS não tinha poderes ou alavancas suficientes para cumprir as medidas necessárias para combater a pior pandemia em um século.


Covid: Governos ignoraram alertas e OMS não tinha como agir, diz auditoria

Jamil Chade
Colunista do UOL
11/05/2021 04h00

No início do século 21, a humanidade fazia transplantes considerados até pouco tempo atrás como impossíveis, tinha a cura de doenças que assolaram o mundo por séculos e havia promovido uma revolução tecnológica. Mas, quando foi confrontada por um novo vírus, fracassou.

O obstáculo não foi exatamente a ciência. Mas a incapacidade de líderes e instituições em dar uma resposta política à crise e o fato de terem colocado considerações econômicas sobre a prioridade de proteger vidas.

Auditorias realizadas ao longo de quase um ano constataram que, de forma deliberada ou não, "a grande maioria dos governos" ignorou os alertas e recomendações internacionais, impedindo que o vírus da covid-19 fosse controlado a tempo e abrindo caminho para a pior pandemia em cem anos.

As conclusões fazem parte de uma série de documentos que será submetida aos governos, no fim de maio, durante a reunião dos ministros de Saúde de todo o mundo, na OMS (Organização Mundial da Saúde).

As investigações, porém, também revelam que a agência mundial da Saúde não tinha os instrumentos necessários, poder ou dinheiro para dar uma resposta à crise e não agiu de forma rápida o suficiente.

Medidas de controle de viagens, por exemplo, poderiam ter freado a disseminação do vírus, assim como uma maior pressão sobre a China para compartilhar dados.

Países não seguiram medidas criadas por eles próprios
Três processos de avaliação foram iniciados em 2020 com o objetivo de examinar e até refundar o sistema sanitário internacional.

Ao mergulhar nas entranhas de governos e entidades, dois desses esforços já indicaram suas conclusões em documentos enviados aos governos, enquanto um terceiro documento elaborado por um painel independente será publicado na quarta-feira (12), em Genebra, sob a liderança de ,Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia.

Numa das auditorias internas na OMS distribuída aos diplomatas e realizada por 20 especialistas convocados pela agência, já se constata alguns pontos fundamentais que explicam o fracasso coletivo. Liderado por Lothar Wieler, o Comitê de Revisão sobre a Resposta à covid-19 concluiu que países não seguiram as orientações que eles mesmos criaram para lidar com pandemias e que perderam mais de um mês ignorando a gravidade da crise.

O mundo tinha uma arma: o Regulamento Sanitário Internacional, criado depois das epidemias na Ásia no começo do século, e que tinha como objetivo identificar surtos e preparar os demais países a reagir a tempo.

Depois de mais de cem entrevistas e dezenas de reuniões, os auditores constataram que houve uma "falta de cumprimento por parte dos estados de certas obrigações, em especial no que se refere à preparação" e concluíram que isso foi fundamental para que "a pandemia se transformasse em uma emergência global".

Os textos das auditorias insistem que não visam culpar um país ou outro e, portanto, optaram por não dar nomes aos casos mais graves. Mas a coluna apurou que o Brasil foi um dos países examinados "com lupa", segundo uma das fontes envolvidas no processo.

''Milhões de vidas foram perdidas, incontáveis outras pessoas estão sofrendo de complicações a longo prazo da doença aguda e muitas outras lutam com a saúde mental precária resultante de meses de ansiedade, depressão, privação e isolamento social. Crianças perderam meses de educação na escola, adultos perderam meses de trabalho, e as desigualdades existentes foram exacerbadas. As viagens têm sido gravemente interrompidas. As economias da maioria dos países experimentaram declínios significativos em 2020, e os governos acumularam níveis de dívida não vistos desde a Segunda Guerra Mundial''.
Trecho de documento da OMS

Proteger economias e poder; saúde pode esperar
Num dos trechos das conclusões, a auditoria revela que "a tensão inerente entre o objetivo do Regulamento Sanitário Internacional de proteger a saúde e a necessidade de proteger as economias, evitando restrições de viagens e comércio, foi apontada pelo Comitê (de auditores) como o fator mais importante limitando o cumprimento dos Regulamentos".

Ainda que governos adotem discursos de apoio às medidas de controle, "esse apoio contrasta fortemente com a realidade".

Ou seja, não havia tradução dos discursos em medidas reais, principalmente diante de uma competição geopolítica por influência e diante de líderes políticos domésticos mais preocupados em se manter no poder ou ganhar as próximas eleições.

Além da tensão entre economia e saúde, o que a pesquisa revelou é que houve uma falha coletiva em termos de reação, principalmente diante da dificuldade em se ter acesso aos dados da China.

''A OMS poderia ter usado suas próprias avaliações de risco, sem esperar pela aprovação dos países afetados ou pelo conselho do Comitê de Emergência. Outro fator importante foi a incapacidade coletiva de prever, logo no início da evolução da pandemia, o impacto sanitário, social e econômico, na ausência de intervenções farmacológicas eficazes. O mundo não estava preparado para este tipo de ameaça''.
Trecho de documento da OMS

Os auditores sugeriram que, no futuro, um "mecanismo robusto de responsabilização" seja estabelecido para avaliar quem não cumpriu as regras e que governos sejam alvos de uma espécie de sabatina regular para avaliar como estão se preparando para futuras pandemias.

Alertas ignorados de forma deliberada e falta de investimentos
Ao avaliar os motivos pelos quais o mundo caiu de joelhos diante do vírus, os especialistas apontam que, antes de 2019, "muitos países ainda não dispunham das capacidades de saúde pública necessárias para proteger suas próprias populações e para dar avisos oportunos a outros países e à OMS".

Mas não foi apenas uma falta de recursos. De acordo com a apuração, governos optaram por "deliberadamente ignorar" o regulamento sanitário internacional.

"A máxima romana, ignorantia juris non excusat (o desconhecimento da lei não é desculpa), pode conter alguma verdade neste contexto", alertou o documento, numa sugestão de que governos poderiam ser responsabilizados por não agir.

Se a origem da crise é reveladora de um fracasso coletivo, os auditores perguntam: "Mais de um ano depois, por que o mundo ainda está lutando para conter a Sars-CoV-2?" A resposta é dura: "A capacidade nacional de prevenir, detectar e responder aos riscos à saúde pública é fraca".

''A grande maioria dos países tem atualmente níveis baixos ou moderados de preparação nacional. Além disso, foram relatadas capacidades fracas de preparação e resposta a emergências nos pontos de entrada. Por exemplo, a falta de flexibilidade na gestão das finanças públicas e nas leis de compras impediu o rastreamento rápido da aquisição de medicamentos e produtos médicos''.
Trecho de documento da OMS

Mecanismos insuficientes e OMS sem poder
Também ficou explícito que o mundo não contava com mecanismos internacionais adequados ou suficientes para lidar com uma pandemia.

Ao abrir documentos internos da OMS e questionar departamentos, a constatação foi de que a agência não contava com poderes para ter acesso a informação e fazer alertas globais. Isso teria sido fundamental para explicar a demora numa reação inicial, ainda em dezembro de 2019 e janeiro de 2020.

Pequim não colaborou como se esperava e dias considerados como "preciosos" foram perdidos. No entanto, segundo a investigação, a agência poderia ter sido "mais proativa para compartilhar informações, mesmo não verificadas, com outros países".

Seria então apenas em 30 de janeiro de 2020 que se declararia uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. Mas, ainda assim, os critérios usados deixaram muito espaço para interpretação. Não estava claro o que era um "evento extraordinário", a gravidade, o risco potencial de propagação e o que significava a necessidade de "uma resposta internacional coordenada".

Pandemia poderia ter sido declarada antes
Os auditores ainda se dedicaram a avaliar um outro aspecto: o que teria ocorrido se a OMS tivesse usado, já naquele momento, o termo "pandemia"?

De acordo com o informe, a realidade é que a palavra não faz parte das regras internacionais de saúde. Mas a investigação notou que "a maioria dos países começou a implementar medidas de resposta, em particular restrições de viagens, bem como coordenação de esforços para o desenvolvimento e distribuição de vacinas, somente após o evento ter sido caracterizado pela OMS como pandêmico em 11 de março de 2020".

Mais de um mês foi perdido, enquanto o vírus percorria o mundo.

"Isso foi percebido por muitos países como um nível mais alto de alerta e resposta do que a emergência de saúde pública de preocupação internacional", constata o documento.

No fundo, esse foi o "gatilho mais importante" para iniciar uma resposta global, com abastecimento de equipamentos e outros materiais que apenas puderam ser demandados quando a pandemia tivesse sido declarada.

Sistema precisa mudar
Diante de um enredo que relata uma sequência de fracassos, as auditorias indicam a necessidade de que haja uma mudança radical na estrutura global de saúde. Uma das propostas apresentadas aos governos é de que se crie, no sistema de alerta mundial, um nível intermediário de emergência, com recomendações claras sobre ações de preparação.

Outra recomendação é para que a OMS, diante de um evento de risco, possa compartilhar com os demais países informações sobre um surto, mesmo que o país onde a crise ocorra não esteja disposto ou capaz de fornecer os dados.

A proposta é ainda de que a OMS desenvolva "um mecanismo para que os países compartilhem automaticamente informações de emergência em tempo real, incluindo sequenciamento genômico".

Mas uma das grandes mudanças propostas seria o reconhecimento de que restrições de viagens e bloqueios de movimentação são legítimos, em caso de um risco global. Pelo atual sistema, a OMS desaconselha a suspensão de viagens, uma medida considerada como atendendo apenas aos interesses econômicos.

''Os países que implementaram restrições antecipadas de viagens para reduzir a importação, como parte de um pacote abrangente de medidas sociais e de saúde pública, mantiveram a incidência do vírus a um nível baixo''.
Trecho de documento da OMS

Pandemia expôs falhas
Ao concluir o processo de avaliação, os peritos constataram que o fracasso foi coletivo. A pandemia de covid-19 expôs "falhas na preparação e resposta a pandemias em todo o mundo e um déficit de segurança e igualdade na saúde".

Os resultados, portanto, foram catastróficos, com milhões jogados à pobreza e a previsão de uma década perdida para muitas regiões do mundo.

O que ainda preocupa os investigadores é que "a pandemia ainda não foi controlada e a maioria dos países ainda tem restrições de viagem em vigor".

Para os auditores, a pandemia testou a OMS como nunca antes. E alertam que um controle da crise não ocorrerá no curto prazo.

''Vacinas altamente eficazes, cuja velocidade de desenvolvimento tem sido notável, oferecem razões para o otimismo. Entretanto, o lançamento desigual de vacinas em todo o mundo e o reconhecimento de raras preocupações de segurança, a dificuldade de sustentar a implementação efetiva de outras medidas de saúde pública e o surgimento de novas variantes de vírus significam que o controle da pandemia levará algum tempo''.
Trecho de documento da OMS

https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2021/05/11/covid-19-governos-ignoraram-alertas-e-oms-nao-tinha-poder-para-frear-virus.htm


Índia, Brasil e UE: um triângulo pouco amoroso - Leonardo Trevisan (Sputniks)

Aproximação de UE com Índia, e não com Brasil, se deve a vários fatores', diz analista

BRASIL
Sputniks, 11/05/2021

UE e Índia realizaram negociações para acordos de livre comércio, proteção de investimentos e indicações de proveniência geográfica em encontro virtual entre líderes do bloco e do país asiático no final de semana passado.

Segundo analistas internacionais ilustra, em paralelo, o declínio das relações do Brasil com a União Europeia e na cena internacional. Sobre esse assunto, a Sputnik Brasil conversou com Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo.

Segundo ele, sem dúvida a questão das vacinas é um fator de explicação importante, mas não o único, nessa aproximação entre UE e Índia que a reunião entre as partes revelou. "De algum modo, o que os europeus percebem é a importância da Índia como um grande fornecedor dos insumos farmacêuticos ativos, mas isso não seria um fator suficiente para um tamanho giro nos interesses europeus voltado quase que exclusivamente para a Índia e não mais para uma relação com o Brasil".

Trevisan disse que houve uma reação muito forte dos agricultores europeus à reunião, que perceberam uma oportunidade nessas negociações depois da reação brasileira de crítica que favoreceu, que facilitou, a vida dos agricultores europeus com a nossa péssima atenção em relação à questão ambiental.

"Os produtos brasileiros ganharam um carimbo ruim em torno da questão ambiental, e isto fez governantes europeus pensarem duas vezes. Neste momento, no contexto europeu, nenhum país pode desprezar a posição política dos chamados Verdes, especialmente os dois maiores, França e Alemanha", onde esse bloco pode sair vitorioso ou ser decisivo nas eleições que se aproximam, disse o especialista.
Nesse caso, explicou Trevisan, não era conveniente para a Comissão Europeia "cutucar a onça com vara curta", provocando os Verdes mantendo um acordo comercial com o Brasil seria absolutamente desnecessário. Essa razão explica mais essa proximidade com a Índia em detrimento da relação com o Brasil.

"Não há dúvida que havia um custo muito grande em empreender essa aproximação com o Brasil e foi exatamente esse o sentido do alerta dado por uma moção assinada por mais de 500 empresários brasileiros, os mais significativos em todos os setores, chamando a atenção para o ponto de que nós não podíamos permanecer nessa posição em relação à questão ambiental. Infelizmente esta posição dos empresários não foi ouvida e muito menos apoiada nem pelo Itamaraty nem pelo Palácio do Planalto", lamentou Trevisan.

Tamanho da população pode ter sido um fator para interesse europeu? 
A densidade populacional sem dúvida nenhuma teve seu peso, de acordo com o professor. Para ele, a Índia com 1,3 bilhão de habitantes contra os 212 milhões do Brasil tem uma maior relevância, mas não é uma questão decisiva. A questão central para a atenção que o país asiático recebeu no contexto europeu é pela percepção de que o Brasil, neste momento, se transformou em um competidor problemático.

"Temos que entender que a Europa procurava uma parceria estratégica em termos econômicos. No Brasil, nos últimos oito anos, não houve comportamento do ponto de vista econômico que facilitasse essa visão estratégica. Hoje, o que os europeus estão interessados é em uma revolução 4.0, em uma perspectiva de um mundo industrializado, em uma revolução essencialmente digital, em que um parceiro evolua junto", explicou.
E Trevisan diz que não é isto o que o Brasil está oferecendo ao mundo. É preciso lembrar, segundo ele, que o país nos últimos quatro anos em relação ao seu PIB industrial de alta e média tecnologia perdeu metade do seu peso, Na referência 2015/2019, no PIB industrial brasileiro, alta e média tecnologia representavam 10,8 em 2015 e representaram 5,1 em 2019.

"Quando nós olhamos para esse fato, comunicamos ao mundo um certo distanciamento em relação a uma revolução tecnológica. Não é gratuito que várias empresas de média e alta tecnologia estão deixando o Brasil. É este sentimento, é esta relação de atraso como alternativa estratégica que fez os europeus pensarem duas vezes e se aproximarem do contexto indiano, que é visivelmente um prestador de serviço estratégico, industrializado, digital, muito mais evoluído e com muito maiores perspectivas. As vacinas, a relação com densidade populacional tem seu peso, mas não foi definitivo neste julgamento da União Europeia de uma aproximação com a Índia", avaliou o especialista.

Relação Europa-Brasil
O presidente Jair Bolsonaro se tornou uma ideia fixa para os europeus, segundo Trevisan. Ela define uma posição que se construiu ao longo dos dois últimos anos em relação ao governo brasileiro nas principais capitais europeias, que determinam a construção de imagens das relações internacionais.

"A posição brasileira não é das mais confortáveis. Nós não podemos esquecer que o Brasil em tempos bem recentes fez uma espécie de escolha, por uma condição de pária internacional após a derrota do presidente [Donald] Trump. Nós não recebemos nenhuma visita de um comissário europeu desde 2014. Há uma distância cautelosa das principais lideranças mundiais em relação à política no Brasil", continuou o professor de relações internacionais.
Emissários do Departamento de Estado dos Estados Unidos cautelosamente agora em abril evitaram passagem pelo Brasil ao visitarem vários países da América Latina, disse o especialista, chamando muita atenção da imprensa europeia à posição brasileira de apoio ao golpe em El Salvador.

"É curioso que o Brasil ficou numa posição de total isolamento quando a ONU, a União Europeia, os Estados Unidos e a própria OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] condenaram o golpe ocorrido em El Salvador e isso nos dá uma espécie de sinal desse isolamento, desta construção de uma ideia fixa. Na verdade cabe-nos perguntar com quem o Brasil quer negociar, quem o Brasil prefere: a União Europeia, os Estados Unidos e a OCDE ou termos a companhia de El Salvador, Filipinas de [Rodrigo] Duterte, ou Hungria", finalizou o especialista.

https://br.sputniknews.com/brasil/2021051117495901-aproximacao-de-ue-com-india-e-nao-com-brasil-se-deve-a-varios-fatores-diz-analista/

O dificil jogo das patentes de vacinas - Financial Times

 Excelente matéria do Financial Times que demonstra a complexidade da questão, que não será resolvida por uma simples medida populista de suspensão de patentes. Minha proposta era a de uma coordenação mundial, que também é complexa , pois como vimos existe a prevenção contra “transmitir tecnologia de RNA para China e Russia”, o que é velha geopolitica. 

Ou seja, não vamos sair do atoleiro rapidamente. Temos o mundo como ele é: desigual, pouco cooperativo, lento a se ocupar de necessidades dramáticas de populações pobres por considerações de ordem econômica que são, na verdade, de natureza microeconômica (patentes, know-how, trade secrets, lucratividade, etc.).
Paulo Roberto de Almeida



Will a suspension of Covid vaccine patents lead to more jabs?

Washington’s backing for waiver plan is welcomed by WHO but challenges lie ahead

 


India and South Africa are leading a group of mainly low-income countries urging intellectual property rights on Covid-19 vaccines to be waived to boost worldwide production 

 

Hannah Kuchler in London 

May 06, 2021

 


The US has surprised the pharmaceutical industry by backing a plan to waive Covid-19 vaccine patents, in an attempt to boost production of shots needed to inoculate more of the world. Katherine Tai, Joe Biden’s top trade adviser, said the US would support a waiver, while stressing that it “believes strongly” in intellectual property protections. 

 

The move was welcomed by the World Health Organization and activists for greater access to medicines who hope that if the World Trade Organization waives a longstanding agreement designed to protect intellectual property, known as the Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights, or Trips, more manufacturers could make the vaccines. But even if the US move pushes other western countries to do the same, it will not necessarily lead to more shots in arms any time soon. 

 

Who wants intellectual property rights on vaccines suspended? India and South Africa led the push for a Trips waiver, with many other low-income countries having also signed up, arguing it is the only way to ensure “fair, equitable and affordable access” to Covid-19 products, including vaccines and drugs. The proposal comes after a World Health Organization attempt to encourage the pooling of intellectual property — the Covid-19 Technology Access Pool — received limited interest last year from countries and companies holding the IP rights.

 

James Love, director of the non-profit Knowledge Ecology International, said the industry could do more to increase production. “We are definitely going slower than we need to. Companies are hoarding both the knowhow and the intellectual property that could be protecting us not only from the current virus, but also the variants.” Some manufacturers said they could produce more vaccines if they had the intellectual property, according to Ellen t’ Hoen, director of Medicines Law & Policy. She said western governments that had helped fund the development of vaccines should have ensured their distribution would be more equitable. At present, 1.1bn Covid-19 vaccinations have been administered worldwide but fewer than 18m doses have been given in Africa. “Governments have possibly given in too much, and given away these vast amounts of money without securing a commitment for the sharing of IP,” she added. 

 

Who is against waiving rights and why?

 

The UK and the EU have so far opposed the waiver, although the European Commission president Ursula von der Leyen said on Thursday that the EU was “ready to discuss” how the proposal could help address the current crisis “in an effective and pragmatic manner”. The US plan to back the waiver has worried the pharmaceutical industry, including some vaccine makers that have warned officials in the Biden administration that such a change could hand novel technologies — such as messenger RNA platforms — to China and Russia. They hope to use the platforms for new vaccines and even therapeutics in the future. However, the drugmakers’ main argument is that waiving intellectual property is not the solution. Vaccine makers have already pulled out all the stops to supply billions of doses at an unprecedented speed, including signing unusual partnerships with rivals to expand production. 

 

Moderna put its patents online last summer but they are not useful alone. Covid-19 and the business of vaccines Thomas Cueni, director-general of the International Federation of Pharmaceutical Manufacturers & Associations, said vaccines were far more complicated than most medicines so there had never been a compulsory licence for shots. He said the patent was “just the icing on the cake”. “You could get the recipe from Mary Berry for the loveliest cake you can imagine. But if you try to replicate that cake, good luck,” he added. 

 

 

Could new suppliers expand production if they had access to the IP? 

 

Sir Robin Jacob, chair of intellectual property law at University College London, said there was “no evidence” that other companies would suddenly be able to make the vaccines if the patented intellectual property was released.

 

Vaccines often have far fewer patents than drugs — but they are trickier to manufacture, he said, so it is the availability of expertise that is holding back production. Johnson & Johnson said it examined 100 potential partners but concluded only 10 were capable of making its shot. “There’s almost nobody you could license to. They couldn’t do it — you need a huge plant, huge skills, patent or not, it doesn’t matter,” Jacob said. Vaccine makers could send experts to new plants to manage the tech transfer process but that could damage the production already under way, he warned. “If they take people off manufacturing the vaccine now to teach someone in Bangladesh to build a factory that takes three to four years, they won’t be around to make the vaccine now.”

 

(FOTO: Public health officials argue that waiving intellectual property rights would help vaccines such as the BioNTech/Pfizer shot produced at this facility in Germany [fotografia mostrada no text original do FT] be manufactured at more sites around the world.) 

 

Are there enough raw materials? 

 

Efforts to mass produce Covid-19 vaccines on an unprecedented scale have been constrained by various bottlenecks, including limited supplies of materials such as lipid nanoparticles and equipment such as bioreactor bags. New factories would face the same constraints, including export controls that have slowed down the movement of some key parts. Prashant Yadav, a supply chain expert at the Center for Global Development, said patents were unlikely to help in the next six months because of tight supplies but they could be useful to help set up a manufacturing network that could come online in 12 to 18 months. “Activists are asking governments to support the proposal using the immediate opportunity — the time-sensitive burning platform — for what may be helpful in the medium to long term,” he said. He added that while vaccines are challenging to make, a waiver could spur greater equity in the distribution of an antiviral pill for Covid-19, such as the one that Merck is developing.

 

What else could help global access to vaccines?

 

Western countries have prioritised vaccinating their own populations rather than seeking to protect the most vulnerable around the world. Now that the US has enough vaccines for every American, it has bowed to pressure to give away spare shots, starting with its stockpile of the Oxford/AstraZeneca vaccine, which has not been approved in the USOther countries could do the same with surplus shots. Another short-term help would be to ease export controls, so vaccine makers are not restricted in where they send their shots, or ingredients to make them. The WHO is also trying to encourage companies with mRNA vaccines to share their patents and technical knowhow with regional hubs in poorer countries. The scheme, launched recently, could give pharma companies more control over where their intellectual property ends up, while still expanding production. But none of these proposals will dramatically increase the availability of vaccines this year. 

 

Additional reporting by Donato Paolo Mancini in Rome


O MREdoB do ex-chanceler acidental, que busca manter influência ideológica no Itamaraty (Último Segundo)

 O chanceler acidental apresentou, a contragosto e contra a vontade do "querido chefe", sua carta de demissão no final da tarde do dia 29 de março. Na manhã do dia 30/03 já tinha sido publicada uma portaria da SG-MRE lotando-o na Subsecretaria de Administração, a mais poderosa, depois da própria SG (para a qual ele tentou emular o nome de seu chefe de Gabinete, mas que acabou assumindo, justamente, coincidentemente, a SGAD.

Naquela ocasião eu já postei aqui que eles estavam tentando criar um MREdoB, ou seja, um poder paralelo ao do novo chanceler.
Parece que ainda continuam no empreendimento...
Paulo Roberto de Almeida

Ex-ministro Ernesto Araújo busca manter influência ideológica no Itamaraty
Comentário realizados nas redes sociais procuram 'minar' trabalho de novo chanceler à frente do ministério das Relações Exteriores
Último Segundo, 9/05/2021

O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo , publicou nas suas redes sociais uma série de comentários a respeito do trabalho de Carlos França, atual chanceler no comando do Itamaraty. Segundo interlocutores, o posicionamento de Ernesto têm criado constrangimentos no órgão. As informações são do jornal A Folha de S.Paulo.

De acordo com fontes próximas ao governo de Jair Bolsonaro, o posicionamento do ex-ministro revela uma ambição política e impede uma 'guinada' ao pragmatismo que França busca implementar no Ministério.

Em 17 de abril, Ernesto publicou uma série de mensagens se defendendo as acusações de que ele era um empecilho para que o Brasil contratasse uma quantidade maior de vacinas contra a covid-19. Segundo Araújo, o país "não mudou" em relação a este tema desde que saiu do Itamaraty.

"Ou mesmo em alguns casos sofreu adiamentos depois disso. Dificuldades seguem no mundo todo. Minha atuação não foi empecilho para nada", disse Ernesto , após destacar que o Brasil não avançou na tratativa de adquirir novas vacinas desde que ele deixou o cargo. O ex-ministro, inclusive, pede ao presidente Jair Bolsonaro para que seu discurso se radicalize.

Pessoas próximas ao ministério de Relações Exteriores relatam que Carlos França demonstra certo incômodo com a situação, mas que não há condição política ao chanceler de repreender seu antecessor. Isso porque Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado federal e filho do presidente da República, apoia Ernesto nesta 'queda de braço'.

Entre os diplomatas brasileiros, a avaliação é de que Araújo não deveria se posicionar em relação ao trabalho de França , e o faz porque busca se posicionar para disputar um cargo eletivo no Legislativo brasileiro nas eleições do ano que vem.


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