Ao postar uma matéria sobre a Petrobras em minha página no Facebook (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/985325654864218), recebi dois comentários do Luiz Fernando Rudge que vale a pena registrar aqui, para demonstrar que a outrora companhia "orgulho do Brasil" foi tão completamente destruída pelos companheiros assaltantes que sequer ela poderia ser considerada para privatização se por acaso aparecesse um estadista com coragem (a palavra é outra) suficiente.
Leiam o primeiro comentário de Rudge:
Já
escrevi aqui, e repito agora, que entendo que a Petrobrás não tem
condições de ser privatizada. Quem adquiriria uma empresa cuja ação vale
R$ 10, enquanto seu valor patrimonial é pouco menos de R$ 24? Quem
aceitaria assumir a dívida de R$ 415 bilhões,
ou IS$ 118 bilhões, a maior dívida privada do mundo? Quem toparia ser
dono de parte de uma empresa que é ré em ações coletivas nos Estados
Unidos, em que a indenização pode atingir a casa das dezenas de bilhões
de dólares? Quem aceitaria que essa empresa tivesse uma golden share,
pela qual a União tivesse poder de veto sobre decisões estratégicas nos
mercados do petróleo e gás? Quem aceitaria esta venda, com a regra
contábil de lançar, como prejuízo, a diferença de preço entre o valor
obtido e o valor patrimonial? Quem aceitaria suportar o ônus de desistir
de unidades de refino com capacidade superior a meio milhão de
barris/dia, apenas porque - como no caso da reportagem acima - o custo é
tão alto que colocá-la em atividade abriria um enorme rombo no cofre?
Quem toparia ser dono de uma empresa cujo produto de extração está no
subsolo, sendo esse produto de propriedade da União, num país onde a
legislação é frequentemente desobedecida pela União? O mercado tem
outras oportunidades de investimento bem mais atraentes.
Agora seu outro pequeno comentário (https://www.facebook.com/luiz.rudge?hc_location=ufi) que remete a seu blog:
Se
você consultar meu blog panoramadorudge.blogspot.com.br, terá nos meses
de fevereiro, março e abril uma cobertura a bem dizer inédita sobre o
drama da companhia. Coisas que os jornais esqueceram de publicar. Veja
se lhe interessa, e volte a mim.
E finalmente, este para terminar:
Para que conste dos anais, Paulo Roberto:
a Petrobrás também não é estatizável. O governo não tem como adquirir a
participação de 800 mil acionistas, dos quais 200 mil ao redor do
mundo.
Portanto, estamos encalacrados, com uma companhia que perdeu bilhões de valor de mercado, que não pode ser privatizada, e que talvez ainda tenha de pagar indenizações milionárias aos investidores estrangeiros, sobretudo americanos, que não deixam barato malversações como as que foram feitas.
Esse é o resultado da GRANDE DESTRUIÇÃO companheira, uma devastação em regras, e não apenas na Petrobras, mas em todos os setores, áreas e domínios da vida brasileira.
Os efeitos do desgoverno petista e da roubalheira petralha, em escala inimaginável -- e ainda não computada em toda a sua dimensão, e que talvez não sejam nunca mensuráveis -- são de tal proporção que foge à nossa capacidade avaliar exatamente todo o estrago produzido.
E isso falando apenas no plano puramente contábil.
No plano das mentalidades, foi como se uma horda de bárbaros tivesse devastado as melhores e mais ricas cidades da Europa, e deixado um rastro de destruição.
A revolução cultural maoista produziu um desastre educacional numa escala gigantesca.
Talvez seja o caso de chamar a desvastação petralha de algo semelhante...
Paulo Roberto de Almeida
Hartford, 10/08/2015
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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