Meus prognósticos para 2026
Paulo Roberto de Almeida
Os grandes dramas nos últimos anos, ainda não resolvidos inteiramente, foram e são as guerras paralelas em Gaza (larvar, persistente) e na Ucrânia (interminável, indefinida). O grande tema em 2026, podendo se arrastar em 2027, deve ser o da “unificação forçada” de Taiwan ao novo Império do Meio, sendo que a ilha de Formosa jamais pertenceu à jurisdição da RPC.
Taiwan pertenceu ao Império do Meio até 1895, quando foi colonizada pelo Japão; passou à esfera da República da China em 1945, e em 1949 começou a representar todo o povo chinês na ONU, até 1971, perdendo então essa condição para a RPC, que a considera apenas uma “província rebelde”, não obstante sua evolução política e econômica desde 1949, sobretudo depois que o Kuomintang foi substituído na governança.
O atual imperador, Xi Jinping, quer reconquistar a última “fronteira” do novo Império do Meio, pela absorção diplomática ou pela conquista militar. Esta será a grande questão geopolítica do futuro imediato, ainda sem um formato definido. A outra grande questão, altamente duvidosa, pode ser um desastre econômico na Rússia, da qual podem resultar enormes turbulências na Eurasia, ou uma difícil democratização desse império disfuncional.
E o Brasil? Entramos num ano eleitoral com enormes dúvidas sobre o resultado da eleição presidencial em outubro, sendo que o Parlamento será provavelmente conservador, como sempre foi, em todas as épocas. Nosso principal desafio “geopolítico” é simplesmente a educação de qualidade para os estratos mais pobres de uma sociedade profundamente desigual. Quando vamos resolver essa questão magna?
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 1/01/2026