sábado, 13 de novembro de 2010

Pausa para... uma aula de historia medieval - Jacques Le Goff sobre J. Huizinga

O maior medievista europeu vivo fala sobre o maior medievista europeu morto: Le Goff sobre Huizinga.

Outono da Idade Média, obra de Huizinga, chega ao País
Para discuti-la, o 'Estado' reuniu o francês Jacques Le Goff e o brasileiro Hilário Franco Júnior
Andrei Netto
O Estado de S. Paulo, 30 de outubro de 2010

Desde o Renascimento e, mais tarde, o Iluminismo, em línguas europeias como o português, o inglês ou o francês, os vocábulos "medieval" e "moderno", além de definirem duas eras distintas da História, designam uma dicotomia: de um lado, as trevas, o ultrapassado, o atraso; de outro, as luzes, o atual, o progresso. Essa visão de mundo, decretada por humanistas do século 16 e reforçada por filósofos do século 18, trazia embutida a ideia de que, ao deixar a Idade Média, seus valores e seus princípios, a Humanidade alcançava a passarela para um futuro mais justo, democrático e legítimo: a Idade Moderna.

Jacques Le Goff: historiador é reconhecido como o maior medievalista vivo

Essa visão dos "medievalismos", cujos fragmentos de preconceito ainda perduram, começou a ser desconstruída pelas mãos do historiador americano Charles Haskins, autor de The Renaissance of the Twelfth Century, de 1927.

Antes dele, porém, outro especialista em história medieval, o holandês Johan Huizinga (1872-1945), já havia traçado em cores a vida, os valores, os hábitos e as emoções naquele período em seu clássico O Outono da Idade Média, que chega na íntegra às livrarias brasileiras, traduzida diretamente de seu idioma original.

Uma das virtudes tácitas de Huizinga em sua obra-prima é sua habilidade de relativizar as "certezas". Virtuoso de sua disciplina, o autor reconhecia as contradições da História, que ajudam, por exemplo, a entender o dualismo medieval-moderno. "É bem verdade que cada época deixa mais rastros de sofrimento do que de felicidade. Suas desgraças se tornam sua história", ponderou. No mesmo trecho, Huizinga apela à convicção "talvez instintiva" para elaborar uma equação: a soma de paz e felicidade destinadas às pessoas não pode variar muito de uma época à outra. "O brilho do final da Idade Média também não passou despercebido: ele sobreviveu na canção popular, na música, nos horizontes quietos da pintura de paisagem e nos rostos sóbrios dos retratos", escreveu, em seu tom romântico e subjetivo.

Raros são os livros de História que se tornam história, assim como poucos são os historiadores lembrados pela posteridade. Esse é o caso de Huizinga e de sua obra-prima.

Publicado em 1919, O Outono da Idade Média (Herfsttij der Middeleeuwen) derrubou as fronteiras que outros pesquisadores haviam construído entre a Idade Média tardia e o Renascimento. Para o holandês, a transição vivida no século 15, um ponto de virada da civilização ocidental, foi muito mais fluida do que supúnhamos. A Idade Média era, sim, um período de fome, doenças, miséria, ódio, mas não apenas isso. Era também tempo de prazeres, de ideais, de arte e de amor.

Para explorar os meandros, as sutilezas, os erros e acertos da obra de Huizinga, o Sabático – que na quarta-feira, em parceria com a editora do livro, a Cosac Naify, promoveu um debate na Universidade de São Paulo com os professores Lorenzo Mammì, Marcelo Cândido da Silva e Tereza Aline Pereira de Queiroz –, propôs um encontro, por assim dizer, histórico. Em Paris, o caderno reuniu o historiador francês Jacques Le Goff, 86 anos, considerado o maior especialista do mundo sobre o tema, e seu ex-orientando brasileiro, o ex-professor da USP Hilário Franco Júnior, de 61 anos. No encontro, realizado no escritório do acadêmico francês, em sua casa, no 19.º distrito parisiense, Le Goff saudou a adoção do título O Outono..., e não o da primeira versão francesa da obra, denominada O Declínio da Idade Média. "Essa é uma leitura estúpida do livro", ressaltou em diferentes momentos.


Johan Huizinga
Admiradores de Huizinga, Le Goff e Hilário travaram um diálogo fascinante e revelador sobre o autor, morto em De Steeg em 1945, durante a ocupação nazista da Holanda. A seguir, a síntese do encontro, marcado pela amizade – e pelo reconhecimento intelectual mútuo.

Hilário Franco Júnior – O Outono da Idade Média desenhado por Huizinga é tão magnífico que permitiu a Philippe Wolff tentar transformar o outono em primavera. Este é o nome de um livro de 1986: O Outono da Idade Média ou a Primavera de Tempos Novos. O que eu gostaria de saber é: o fim da Idade Média, segundo Huizinga, é realmente um outono ou é uma primavera?

Jacques Le Goff – Você, como historiador, sabe que mesmo que a História só possa ser construída a partir de documentos, baseada em pilares os mais sólidos possíveis, ela é aberta, e à medida que o tempo passa, as interpretações podem variar bastante. O Outono da Idade Média de Huizinga é um livro tão interessante que passado quase um século ele continua a ser lido, traduzido e se presta a novas interpretações. É preciso dizer que o período ao qual o livro se dedica, digamos um longo século 15, talvez também seja um dos mais mal estudados na Europa, e por isso ainda há novas descobertas e interpretações. Há uma exposição em cartaz hoje, no Grand Palais, com o título France Quinze Cent, que mostra como esse período foi uma mistura do apogeu da Idade Média e de afirmação do Renascimento. Eu creio que este seja o caso de uma virada histórica que não se parece com nenhum outro, porque se trata de um belo outono. A tradução francesa antiga era uma tradução estúpida ao se referir ao declínio da Idade Média.

No entanto, Huizinga compartilhava com muitas pessoas cultas da Europa do início do século 20 a ideia de que a Idade Média acabava no fim do século 15, um período marcado pela tomada de Constantinopla pelos turcos, em 1453, com a tomada de Granada e com a reunificação de toda a Península Ibérica pelos reis católicos, que haviam caçado os muçulmanos, e, sobretudo, pela descoberta da América de Cristóvão Colombo, que produziu o que poderíamos chamar de primeira globalização da história. Mas eu me pergunto se o nosso conhecimento desse período e nossas interpretações não mudaram um pouco.

No que me diz respeito, eu fui voluntariamente provocador ao falar de uma longa Idade Média que se prolongou até o século 18. Continuo a pensar que há uma certa verdade na ideia de que a Idade Média vai até o fim do século 18, se observamos aspectos essenciais, como a fome, as pestes, a indústria – a economia capitalista do século 18 é uma grande virada. O que ocorre é que, na verdade, nós voltamos à visão de Huizinga, continuando ou retomando a ideia de que do fim do século 15 ao século 16 acontece um certo número de mudanças profundas, dentre as quais a descoberta da América, a Reforma na Europa. Realmente há algo de novo no século 16. Mas o que me parece novo é que, mesmo que consideremos que o fim da Idade Média acontece no fim do século 15, ela não era decadente, não era triste, mas sim soberba, até exagerada. Vemos isso com os pintores flamengos e com a riqueza econômica das cidades flamengas e italianas, em particular Veneza, antes da descoberta da América, ou na moda da época, às vezes extraordinária.

Vejo hoje um retorno a Huizinga. De outro lado, ele soube no início do século 20 fazer viver a história que ele escrevia com qualidades, dons, procedimentos que não eram nada correntes na História. Em seu livro, Huizinga se mostra o precursor de um novo tipo de História que está em pleno desenvolvimento hoje, a história das emoções, a história das paixões, lançada há cerca de 20 anos pela historiadora americana Barbara Rosenwein. E isso é O Outono da Idade Média.

Franco Júnior – Como o senhor explica a pequena posteridade do livro de Huizinga? Seria em razão de uma certa instintividade que ele explora e que é mal compreendida por certos historiadores, que se consideram grandes cientistas e que veem grandes leis históricas, ou coisas do gênero?

Le Goff – Eu creio que, na realidade, a posteridade de Huizinga foi contida em grande parte pelo nascimento e pelo desenvolvimento de uma forma de fazer a História que alcançou grande posteridade, que é a Escola dos Annales. Mas, ao contrário do que possamos pensar, a história dos Annales é sobretudo uma história econômica e social, diferente do Outono da Idade Média. De qualquer forma, acho que o sucesso dos Annales contribuiu muito para bloquear a influência de Huizinga.

Franco Júnior – Deixe-me perguntar algo mais pessoal: o senhor falava há pouco de uma longa Idade Média. O senhor se sente um pouco tributário de Huizinga, desta visão de longo termo?

Le Goff – Sim, absolutamente. Não apenas de sua visão de longa duração, mas também da ideia de alargar o domínio da História. A meu ver, entre os grandes méritos de Huizinga estava procurar fontes às quais os historiadores não se interessavam muito, seja na arte, na literatura, nos costumes. Além disso, há no Outono da Idade Média uma busca da época no coração dos homens e mulheres e um olhar muito compreensivo sobre o "parecer". Essa combinação da busca do íntimo e da procura do "parecer" me soa avançada em relação ao momento mais ambicioso do início da Escola dos Annales – algo que ela não conseguiu completar porque traçar a história universal é um objetivo utópico.

Franco Júnior – Conceitos como representação, sistema de valores, temas como o corpo, a morte, as emoções, etc., tudo está presente em Huizinga. De certa forma, tudo prenunciava a Antropologia Histórica, que o senhor desenvolveu nos anos 70.

Le Goff – Sim. E isso me permite reconhecer minha dívida em relação a Huizinga, pelas pesquisas que fiz nesse sentido, em particular sobre o corpo e as imagens. No tema das imagens tive uma grande receptividade, porque um grupo de jovens historiadores o retomou e o desenvolveu, em particular sob a direção de Jean-Claude Schmitt, Jean-Claude Bonne, de Jérôme Baschet, na França, e também na Alemanha, com Hanz Belting. (Erwin) Panofsky também pode ser incluído. Houve um esforço, do qual participei, para alargar as fontes e o domínio da História, em particular em direção ao corpo e à exploração da imagem, que são diferentes da História da Arte tradicional.

Franco Júnior – Mas há uma diferença entre a forma com que Huizinga fazia a história das imagens, das representações, e a forma como a Escola dos Annales o fazia. Qual seria essa diferença essencial?

Le Goff – Eu creio que, apesar de seu charme, o livro de Huizinga é subjetivo demais. Podemos fazer uma história dos sentimentos, mas não podemos fazer História com sentimentos. Creio que a história das imagens desenvolvida a partir da Escola dos Annales era mais próxima das fontes, com métodos de análise mais científicos em relação às práticas de Huizinga, que eram mais literárias do que científicas, ao menos em relação ao tipo de ciência que é a História.

Franco Júnior – Sua ressalva sobre a história emocional das emoções me leva a outra questão: no prefácio da primeira edição, Huizinga diz que escrever o livro foi como "observar o profundo de um céu noturno, um céu vermelho como o sangue, pesado e desértico de um cinza chumbo ameaçador. O quadro que eu tracei é mais sombrio e menos sereno do que o que eu entrevi quando comecei a trabalhar". Minha questão é: esse quadro mais sombrio é um reflexo dos séculos 14 e 15, ou da Grande Guerra, que recém-acabava e que estava presente no espírito de Huizinga?

Le Goff – Eu acredito que seja a segunda hipótese, até porque não é assim que vemos o século 14 e o século 15. Eu insisti, talvez até um pouco demais, no lado subjetivo da obra de Huizinga. Mas não se deve esquecer que a subjetividade dos historiadores transparece um pouco frente ao horror, independente de qualquer esforço de se trabalhar cientificamente. Um dos primeiros historiadores, senão o primeiro historiador a ter acentuado a subjetividade de sua obra foi Jules Michelet, que foi uma fonte dos Annales. Muito do que Huizinga pôs em O Outono está em Michelet. Há uma outra tendência da História, da qual O Outono da Idade Média talvez seja uma produção tardia: é a veia romântica. A passagem que você acaba de ler é profundamente romântica.

Franco Júnior – Em um artigo de 1986, reproduzido na edição brasileira, Peter Burke, historiador inglês, diz que O Outono... é penetrado de nostalgia e pode ser considerado um caso de medievalismo romântico à maneira de Walter Scott e Gabriel Rossetti.

Le Goff – Devo admitir que em um momento dessa conversa eu pensei em Walter Scott. Ele é uma das minhas grandes fontes de pesquisa como historiador da Idade Média e é alguém que me aproxima de Huizinga. Mas para diversos historiadores o livro de Huizinga foi um verdadeiro pioneiro em um domínio que precisa continuar a ser explorado: o da História dos valores e dos sistemas de valores. O que satisfaz, faz chorar e viver as pessoas de uma época? Esse é um domínio que ainda não produziu toda a sua riqueza. A meu ver, por muito tempo, entre 1850 e 1930, a História ficou bloqueada pela história das ideias, além, é claro, da história tradicional. Sem os outros domínios, os homens perdem suas carnes. Aliás, eis uma palavra que convém a Huizinga: há carne no Outono da Idade Média.

Franco Júnior – Mas carne viva ou morta? Porque Huizinga revela uma certa obsessão pela morte, pela história da morte...

Le Goff – Há, sem dúvida, uma certa obsessão pela morte em O Outono da Idade Média, o que tem várias fontes. Antes de mais nada, a morte é um dos valores do século 15, que foi, por exemplo, o século das danças macabras. Outra prova da fascinação de Huizinga pela morte é o seu romantismo. E outra fonte de influência é o que você citou, a Guerra de 1914-1918, na qual a Holanda foi uma das vítimas.

Franco Júnior – Por duas vezes em sua entrevista de 1975, o senhor ressaltou a semelhança entre Huizinga e Lucien Febvre. Eu me pergunto se não poderíamos fazer o mesmo em relação a Marc Bloch. Digo isso porque o subtítulo de O Outono da Idade Média é Estudo Sobre as Formas de Vida e de Pensamento, o que me lembra o célebre capítulo de A Sociedade Feudal, A Condição de Vida e a Atmosfera Mental. É possível aproximar Huizinga e Bloch? Huizinga havia lido Bloch?

Le Goff – Estou mais ou menos certo que sim. Não tenho lembranças claras, para ser sincero, mas sei que me preocupei com esse assunto, e cheguei à conclusão de que Bloch teria lido Huizinga. E eu penso que, mesmo que Lucien Febvre tenha sido mais próximo da mentalidade, da sensibilidade de Huizinga, Marc Bloch também pode ter sido influenciado, ainda que com uma certa distância. Por exemplo, esse capítulo da Sociedade Feudal, que citamos frequentemente e que foi um dos grandes trechos deste livro, não era o tema que mais o interessava.

Franco Júnior – Ah, não? Isso me surpreende...

Le Goff – O que interessava a Marc Bloch era antes de mais nada a história econômica, a história social e, eu diria, a história da mitologia. Eu acredito que qualquer que fosse o parentesco e a influência de Huizinga sobre a Escola dos Annales e sobre seus fundadores, Lucien Febvre e Marc Bloch, os Annales deram à pesquisa histórica na Europa e na França direções que os afastavam de Huizinga. E creio que esse tenha sido um fator que bloqueou, em maior ou menor proporção, a difusão do trabalho de Huizinga.

Franco Júnior – Muito interessante... Na sua entrevista, o senhor diz que O Outono da Idade Média é um livro poético e que sua poesia expressa ao mesmo tempo sua grandeza e seu limite. Nós já discutimos esse ponto. Mas, no que diz respeito aos limites de Huizinga, no fim da Idade Média havia uma forte necessidade de dar formas ao sagrado. Mesmo fazer amor era algo sagrado. Ainda assim, Huizinga dá muito pouca atenção às sensibilidades hereges, em um momento em que a Holanda era marcada por esse sentimento. A meu ver é uma das fraquezas deste livro. Qual o porquê desse desprezo?

Le Goff – Para ser franco, é algo que eu nunca me questionei, e por isso vou improvisar. Falamos bastante que é necessário conservar o título original do livro, que é o "outono", e não o "declínio". É um belo outono ensolarado. No entanto, para um protestante, é o fim de um mundo. Talvez Huizinga não tenha querido misturar em seu livro aquilo que seria o fermento de uma modernidade. As heresias, à medida que anunciavam a Reforma, referiam-se ao período posterior àquele que Huizinga queria mostrar. Mesmo que eu não aceite a tradução "declínio", tenho de admitir que Huizinga quer oferecer à Idade Média um bom túmulo. E talvez ele não tenha querido misturar o assunto.

Franco Júnior – É possível. Para encerrar, eu me permitiria fazer uma pequena provocação. O senhor me afirmou certa vez que a obra de um historiador não sobrevive a si próprio mais de 50 anos. Se Huizinga morreu em 1945, a provocação é: O Outono da Idade Média está morto?

Le Goff – Quando disse isso, devo tê-lo feito por duas razões. A primeira, que eu me referia a uma espécie de média. As obras de História, em sua maioria, sobrevivem, têm alguma influência e nos permite interpretar os fatos de outra maneira, o que as diferencia das obras mortas. Os 50 anos, eu diria, é mais ou menos o prazo de validade correto. De outro lado, eu confesso que não suporto os historiadores que evocam um tal limite como uma espécie de conjuração, na esperança de que a própria História lhes desminta. No fundo, eles esperam que ao menos uma parte de suas obras supere esse limite, que aliás não é absoluto.

Veja também:
'A Figura da Morte em Dante', um inédito de Huizinga
'Renascença e Realismo', outro inédito do escritor

Pausa para... uma palestra perfeitamente inutil...

Recebo do:
Ciclo de Debates do Grupo de Estudos sobre Multiculturalismo, da UnB, um convite para uma palestra a ser realizada em 17/11/2010, no Ceppac, que é um Centro de Estudos de políticas para a América Latina e o Caribe (ou seja, algo aparentemente relevante e existente)

A palestra é sobre:

"A dialética global / local para além dos paradigmas de homogeneização e resistência"
Palestrante: Prof. Dr. Xxxxxx Xxxxx Xxxx (suprimo o nome para evitar constrangimentos)


Apenas transcrevo a ementa da palestra, como provavelmente o palestrante a redigiu, he himself, como diriam nos Isteites:

Esse debate tem como objetivo problematizar estudos sobre a disseminação de culturas globais centrados na noção de centro-periferia e homogeneização e resistência, com base em estudo etnográfico comparativo entre países “desenvolvidos” (EUA) e em “desenvolvimento” (Brasil). A reflexão apresentada explora as contradições internas do capitalismo contemporâneo para evidenciar como processos de produção e de impacto de formações culturais globais são componentes de um diálogo da tensão dialética contínua local-global.

Não é edificante?
PS: Eu me pergunto até onde vai o besteirol universitário e quão rapidamente caminhamos para a mediocrização completa da academia no Brasil...
Paulo Roberto de Almeida

Pausa para... uma proposta perfeitamente inutil...

Felicidade Interna Bruta (FIB)
Criado na década de 70 no Butão, o indicador de Felicidade Interna Bruta (FIB) surgiu como uma alternativa ao Produto Interno Bruno (PIB) no cálculo de desenvolvimento de uma nação. O conceito engloba nove pilares: bom padrão de vida econômica, boa governança, educação de qualidade, saúde eficiente, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicológico.

O senador Cristovam Buarque acha que colocando a busca da felicidade entre as normas constitucionais fará com que os brasileiros se sintam mais felizes, sabendo que a Constituição vela por essa conquista importantíssima na vida de cada um de nós.
Não é edificante?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Era do Gelo, 3: politica diplomatica do governo

Não se trata de um esquilo, mas também ficou parado no ar, sem saber exatamente o que havia por baixo. Depois, o que aconteceu? Acho que é só surpresa...

Amorim é desconvidado a acompanhar Lula no G20
Clóvis Rossi
Folha de S.Paulo, 12.11.2010

O ministro Celso Amorim foi desconvidado pelo Palácio do Planalto a participar da cúpula do G20 em Seul. O compromisso estava registrado na agenda do chanceler e sua reserva no Imperial Palace, hotel no qual ficou toda a comitiva, também já estava providenciada, quando um telefonema do cerimonial do Planalto à sua secretaria privada o avisou que ele não precisaria ir. O aviso criou grande mal-estar, ainda mais porque Amorim acompanhou o presidente na primeira etapa da viagem, até Moçambique.

O constrangimento só aumenta quando se compara a agenda de Lula com a do chanceler que o acompanhou nos oito anos de governo, ajudou a dar projeção internacional ao presidente e até filiou-se ao PT. Enquanto Lula despede-se da cena global na Coreia, reunido com os principais governantes mundiais no G20, Amorim está na República Democrática do Congo. A nota em que o Itamaraty anuncia a visita do chanceler ao país africano como “a primeira de um chanceler brasileiro desde 1972″ relata também que o intercâmbio comercial entre os dois países, até setembro, atingia inexpressivos US$ 41,68 milhões.

A lógica indica que o desconvite a Amorim para Seul é também o desconvite para que ele continue no Ministério de Relações Exteriores. A presidente eleita Dilma Rousseff acompanha Lula, e seria natural que, se houvesse intenção de mantê-lo, Amorim estivesse presente na apresentação internacional da futura presidente. O que não fica claro é se o desconvite implica também desgaste para o vice-chanceler Antonio Patriota, o único outro nome até agora mencionado nas especulações sobre o comando do Itamaraty, além do de Amorim. Patriota, secretário-geral do Itamaraty, é intimamente ligado a Amorim, que o promoveu, muito jovem, ao posto mais importante da diplomacia no exterior, a embaixada em Washington.

A Era do Gelo, 2: politica bancaria do governo

Se é verdade que se trata de uma política bancária, ou apenas de uma ação entre amigos e parceiros.
Da coluna diária do jornalista gaúcho Políbio Braga (12.11.2010):

Lula salvou os Ermírio de Moraes e Silvio Santos. Devia ?

O governo Lula vai marcando o seu governo por  um Proes que tem vergonha de usar o nome de Proes.

. Parodiando Dorian Gray, mas em versão brega, local, indecente, o governo Lula fez o Banco do Brasil salvar os Ermírio de Morais, ao mandar o Banco do Brasil comprar 49% do Banco Votorantim, tornando-se sócio dos magnatas de São Paulo. Agora repetiu a dose, ao salvar Silvio Santos, mandando a Caixa Federal comprar 49% do Banco PanAmericano.

. Os dois bancos paulistas estavam bichados. A quebra de nenhum deles produziria risco sistêmico.

. O editor quer saber por que razão o Congresso, o MPF, a CVM e o TCU deixam de investigar o que está acontecendo, sem desprezo pela análise da moralidade e da oportunidade dos negócios.

A Era do Gelo, 1: politica cambial do governo

Voces devem se lembrar daquele esquilo em busca da sua noz, que insiste em cair pelas ribanceiras geladas, e ele mesmo acaba em algum precipício muito fundo.
O que acontece com o esquilo e sua noz, eu não sei. Talvez em algum Era do Gelo 24, o coitado do esquilo consiga comer a sua noz. Até lá permaneceremos na dúvida.
Bem, isso para dizer que o pronunciamento da presidenta eleita sobre a política cambial do governo me parece tão incerto quanto o destino do esquilo e sua noz, ou o destino da noz e o esquilo que vai atraz, ou ambos, whatever...
Se alguém puder me explicar qual é a política cambial do governo a partir dessas palavras da presidenta eleita, entrevista no Jornal Nacional, eu agradeço.
Até hoje estou tentando entender...
Paulo Roberto de Almeida

[Pergunta de William Bonner sobre política cambial]
Dilma: Eu acredito que a gente não pode correr o risco de querer menosprezar… Eu te diria assim: eu acho que o câmbio é flutuante. No entanto, indícios de que há hoje no mundo uma guerra cambial são muito fortes. Acho que tem moedas subvalorizadas. Eu acredito que uma das coisas importantes são as reuniões multilaterais em que fique claro que nós, por exemplo, iremos usar de todas as armas para impedir o dumping, a política de preços que prejudica as indústrias brasileiras, e vou olhar com muito cuidado, porque não acredito que manipular câmbio resolva coisa alguma. Nós temos uma péssima experiência disso.

Confesso que não entendi...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dia 11 de novembro na Historia: armisticio na Grande Guerra...

...que não era conhecida como Primeira Guerra Mundial até vir a Segunda. Ainda estamos esperando a Terceira...

Armistice Day
November 11th was originally called Armistice Day because it was on this day in 1918 that the First World War came to an end. The armistice was signed at 11:00 a.m. on the 11th hour of the 11th day of the 11th month of the year. After four years of brutal trench fighting, 9 million soldiers had died and 21 million were wounded. It was called "The War to End All Wars" because it was the bloodiest war in history up to that point, and it made many people so sick of war that they hoped no war would ever break out again.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Pausa para uma boa musica: Renato Russo - Strani Amori

Strani Amori
Renato Russo
(link to Last FM)

Mi dispiace devo andare via
Ma sapevo che era una bugia
Quanto tempo perso dietro a lui
Che promette e poi non cambia mai
Strani amori mettono nei guai
Ma, in realtà, siamo noi

E lo aspetti ad un telefono
Litigando che sei libero
con il cuore nello stomaco
Un gomitolo nell'angolo
Lì da solo, dentro un brivido
Ma perché lui non c'è

E sono strani amori che
Fanno crescere e sorridere
Tra le lacrime
Quante pagine lì da scrivere
Sogni e lividi da dividere
Sono amori che spesso a questa età
Si confondono dentro a quest'anima
Che si interroga senza decidere
Se è un amore che va per noi

E quante notte perse a piangere
Rileggendo quelle lettere
Che non riesci più a buttare via
Dal labirinto della nostalgia
Grandi amori che finiscono
Ma perché restano nel cuore

Strani amori che vanno e vengono
Nei pensieri che lì nascondono
Storie vere che ci appartengono
Ma si lasciano come noi

Strani amori fragili
Prigionieri, liberi
Strani amori mettono nei guai
Ma, in realtà, siamo noi

Strani amori fragili
Prigionieri, liberi
Strani amori che non sanno vivere
E si perdono dentro noi

Mi dispiace devo andare via
Questa volta l'ho promesso a me
Perché ho voglia di un amore vero
Senza te

Ouro, a reliquia barbara, segundo Keynes... e Roubini

Ninguém, na verdade, tem a solução perfeita para os dilemas monetários: seja ouro, seja "fiat money", como o criado pelos Bancos Centrais, todas essas "soluções" são falhas de uma ou outra forma. Isso ocorre simplesmente porque a economia é muito dinâmica para se acomodar com apenas um meio fixo e um único sistema de pagamentos: qualquer arranjo monetário é ou submetido aos acasos da geografia e aos imponderáveis da tecnologia (como o ouro), ou ele fica sujeito às manipulações políticas dos governantes (esses criadores de papel moeda).
Não existe moeda perfeita, ou estável, ou que reflita o verdadeiro "valor" das coisas. Seria preciso primeiro definir o que seja valor, algo eminentemente subjetivo...
Agrego um último comentário ao que disse Nouriel Roubini, mais abaixo:
"When you had a traditional gold standard, boom and bust with severe swings in economic activity were the norm-really big ones. It was only once we moved to fiat money that central banks were able to smooth the business cycle, and make it less volatile, as we did during the financial economic crisis."
Pois é, o padrão ouro deixa os ciclos mais duros e intratáveis. Mas essa confiança nos "Lords of Finance" -- faço aqui referência ao livro de Liaquat Ahmad, sobre os banqueiros centrais que mandavam no mundo dos anos 1920 -- me parece totalmente sem sentido também: essa coisa de que os bancos centrais podem "amolecer" os ciclos econômicos acaba redundando no que se viu em 1929 e em 2007: uma bolha financeira -- pode ser imobiliária ou de bolsa, também -- estourando e provocando uma crise de proporções monumentais. O Alan Greenspan que era saudado como "salvador do mundo" em 1997-98 foi o mesmo que criou a bolha de 2007, ao deixar os juros lá embaixo durante muito tempo. Nesse sentido, esse "amolecimento" criou as condições para um novo desastre.
Acreditar que banqueiros centrais, dotados do poder de "fiat money", seja pessoas oniscientes e sempre atuando corretamente é de uma ingenuidade gritante para quem é economista (ou simples cidadão).
Fico por aqui.
Paulo Roberto de Almeida

Roubini: Here's Why a Gold Standard Won't Work
CNBC, Tuesday November 9, 2010, 1:23 pm EST

A gold standard would just make business cycles more extreme, according economist Nouriel Roubini.

What's more, a gold standard would make central banks unable to fight inflation or deflation, much less do anything to combat persistent unemployement, Roubini said in an interview with NetNet yesterday.

"A fixed exchange regime, even if it is not a gold standard... That world just doesn't work. Because in that world, monetary policy by definition instead of being countercyclical becomes procyclical," Roubini told NetNet. "Suppose you have a fixed exchange rate regime...It just exacerbates the business cycle."

Roubini asks us to imagine two countries: One that's growing very quickly, and one that's growing very slowly.

The economy that is growing quickly would tend to "overheat"-an economic phenomenon characterized by accelerated growth, inflation, and the potential for asset bubbles. In the economy that is growing more slowly, there would be a tendency toward deflationary pressure and recession. So, instead of having a central bank with the capacity to successfully counter-balance these tendencies, an economy fixed exchange rate regime is to continue to reinforce the existing negative trends in the business cycle, Roubini argues.

Although he is best known as an economist who challenges conventional views, Roubini pretty well lines-up the consensus view of mainstream economics on the gold standard or fixed exchange rate regimes: "You have the opposite of what any optimal rule about monetary policy will tell you."

The ranks of the gold standard advocates, which have long included many Austrian economists and others worried about central bank manipulation of the money supply, were seemingly joined this week by World Bank President Robert Zoellick. Hardcore gold standard folks, however, are skeptical of Zoellick.

Nouriel Roubini agrees with the skeptics. "In fairness to him [Zoellick], he was speaking about a wide variety of issues in the global economy... So it was not a proposal centered around going back to some modified gold standard," Roubini said.

Roubini seems to think a gold standard is a pretty awful idea. "There are many fundamental problems with any variant of a gold standard," he said.

A general summary of Roubini's position on the issue would likely begin by saying that, generally speaking, a fixed exchange rate regime or gold standard limits the flexibility and range of actions that central banks can take to improve a nation's economy in fundamental ways. (For example, in a fixed exchange rate regime, central banks have less ability to maximize employment, stimulate growth, and manage price stability.) And, as Roubini specifically pointed out to me, fixed rate regimes inhibit the ability of banks to provide lender of last resort support to an economy when necessary.

According to Roubini, there are other major feasibility issues with the proposals for a transition to a global gold standard. One of the principal problems with such proposals is the current level of central banks' gold reserves.

Roubini raises the following question: If you are on a gold standard, or modified gold standard, what do you do in the event of a bank run-if you don't have enough gold to fully back the currency? Roubini explains that most central banks in today's economy have far greater financial liabilities than gold in reserve. In fact, according to Roubini, in the case of most central banks today that ratio is about 40 or 50 to 1.

Of course, many who support a gold standard would say that limiting the ability of central banks to increase their leverage would be a benefit of adopting the gold standard.

Aside from the issue of central banks insufficient current gold reserves, there are the issues that historically plagued gold standard economies. One of the most intractable of those issues was the impact that the gold standard had on traditional business cycles.

Historically speaking, Roubini says, during the days of the gold standard economies were constantly imperiled by spasmodic cycles: "When you had a traditional gold standard, boom and bust with severe swings in economic activity were the norm-really big ones. It was only once we moved to fiat money that central banks were able to smooth the business cycle, and make it less volatile, as we did during the financial economic crisis."

Of course, this directly contradicts Austrian business cycle theory, which argues that boom-bust cycles are caused by central banks departing from the gold standard.

In short, Roubini views challenge the Austrian economists where they live: at the intersection of monetary policy and the business cycle.

We eagerly await the response. Over to you Ron Paul and the Mises Institute!

Gold is back, as desired as god...

Não pretendo seguir nenhum conselho de investimento deste corretor interessado em ganhar comissão sobre os negócios feitos por seu intermédio, mas é interessante ler os argumentos, e antes disso, as informações que ele traz sobre o novo papel do ouro nestes tempos de desvalorização deliberada do dólar -- como a solução de facilidade encontrada pelos EUA para resolver seus imensos problemas atuais -- e seu posicionamento como ativo de refúgio, em tempos de inflação e de erosão do poder de compra do velho "green back".
Na verdade,  o ouro não vai emergir como padrão num hipotético futuro reordenamento do sistema monetário internacional -- pois os governos não vão querer renunciar ao seu monopólio monetário e à faculdade de empurrar seus problemas para o distinto público pagador -- mas ele vai continuar a ser uma "defesa" -- deficiente como possa ser -- dos cidadãos em face dessa capacidade extratora e "depressora" de sua poupança por parte de governantes inescrupulosos.
O ouro, como qualquer outra commodity, vai suportar os acasos e incertezas das possibilidades produtivas -- sempre cambiantes, com a geografia e com a tecnologia -- e os bumps and booms dos mercados de futuros, onde vale mais a percepção dos jogadores do que os dados reais de oferta. Ele é, portanto, uma base instável para qualquer sistema monetário digno desse nome. Mas, à falta de outros ativos tangíveis mais credíveis, ele se apresenta como alternativa momentânea aos céticos e aos opositores do poder absoluto dos governos inflacionistas.
 Ou seja, não partilho dessa crença que ele é "A Perfect Hedge", como colocado neste relatório feito para atrair investidores em ouro. Mas, se alguém tiver dinheiro sobrando e quiser especular um pouco, o ouro pode ser a oportunidade do momento.
Acredito, pessoalmente, que ele pode subir ainda até atingir 2 mil dólares. Depois, alguns "espertos" vão descobrir que não se pode fazer nada com o ouro, nem comer, nem ficar sentado em cima muito tempo, pois é duro e frio, e aí vai começar a retirada, ou a debandada, quando a bolha estourar. Alguns vão ganhar dinheiro, e os incautos, como sempre, vão perder.
Assim vai, assim é o mundo.
O ouro, por enquanto, é o novo deus. As good as gold, como dizem os americanos...
Paulo Roberto de Almeida

Gold: Back in the News …
By Bob Bauman JD
The Sovereign Investor, November 9, 2010

Dear Paulo Roberto,

No, I don’t mean because gold hit an all time high price yesterday, as gold futures smashed through the US $1,400 per-troy-ounce mark.
I am referring to the fact that the president of the World Bank, Robert Zoellick, wrote yesterday in a Financial Times article that leading world economies should consider “employing gold as an international reference point of market expectations about inflation, deflation and future currency values.”

Can This Gold Discovery Really Make You 17-Times Your Money?
2,478 miles northwest of Sydney... Buried beneath a remote Australian peninsula... Sits a massive 3.09 million ounce gold deposit...

That’s enough gold to make the junior mining company sitting on this “mother lode” $3.8 billion richer… And enough gold to push its market cap up 1,727%...

Investors who get in before word on this windfall gets out are poised to turn every $1,000 invested into $17,000.

Just go here for a brief presentation with full details…

Zoellick's argument was simple recognition of the current reality. No matter what the U.S. Federal Reserve or other fiat money issuers say, gold is being sought out as an alternative currency right now. Smart people have faith in gold and declining faith, if any at all, in the sinking U.S. dollar.

Gold is the “anti dollar” and that's why it is wildly popular now as a result. As Zoellick put it, “Although textbooks may view gold as the old money, markets are using gold as an alternative monetary asset today.”

If any proof is needed of that statement, gold closed at records last Friday and Thursday but the precious metal has scored 17 record highs in less than five weeks in September and October. The latest string of records came after the Federal Reserve’s decision to start another round of U.S. bond buying, pumping out an inflationary additional $600 billion over eight months.

The Gold Standard
When I served as a member of the U.S. House of Representatives I co-sponsored Rep. Phil Crane’s legislation that would have returned to the U.S. to at least a partial gold standard.

I have made my pro-gold views known in these pages on several occasions. You can go back and review my pro-gold thoughts if you wish.

Martin Wolf of the Financial Times correctly wrote a few days ago, before the new gold price high:

It is not hard to understand the attractions of a gold standard. Money is a social convention. The advantage of a link to gold (or some other commodity) is that the value of money would apparently be free from manipulation by the government. The aim, then, would be to “de-politicize” money. The argument in favor of doing so is that in the long-run governments will always abuse the right to create money at will. Historical experience suggests that this is indeed the case.

A Perfect Hedge
Think about it. Gold cannot be inflated by printing more. It cannot be devalued by government decree — as we have seen once again in the last few days, the free market dictates the price. And, unlike paper currency or investments in stocks and bonds, gold is an asset which doesn’t depend on anybody’s promise to repay.

Although gold has been mined for more than 6,000 years, only about 120,000 metric tons have been produced. Lump that together and it’s just enough for a cube measuring only 18 meters (about 55 feet) along each of its six sides. New gold mined each year totals less than 2,000 metric tons, about the size of the living room in a small modern house. Gold remains one of the scarcest, and most sought after metals on earth.

Time and again, gold has proven the successful hedge against devaluation of an investor’s national currency. It’s one of the few investments that survives, even thrives, during times of economic uncertainty.

Sovereign Society Favorite
For those who in recent years followed Sovereign Society repeated advice to buy gold, the investment has paid off handsomely.

With gold at record high prices and the world facing a prolonged period of economic turmoil, buying gold even now may be a good hedge against the future.

People who have known prolonged prosperity may not fully understand the historic implications of gold and its role when bad times arrive. Once those bad times arrive, (as they have now), gold again is being recognized as the one perennial investment that’s still "good as gold."

Bob Bauman, JD
Legal Counsel, The Sovereign Society

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