Estou achando pouco. O padrão PC Farias, da era Collor (hoje um aliado e amicíssimo dos companheiros) foi o de precisamente elevar a taxa de extração, de 5 para 10, 12 ou mesmo 15% das operações em curso.
Não posso acreditar que tenha sido só isso.
Em todo caso, mesmo sendo, considerando-se os contratos milionários, ou mesmo bilionários, da Petrobras, trata-se de somas enormes a cada vez...
Ou seja: os companheiros estão nadando em dinheiro, como Tio Patinhas.
Aqui a frase de um dos bandidos (mas tem vários outros):
...os contratos da Petrobras pagavam 3% de propina para partidos políticos da coligação do governo...
Acredite quem quiser.
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Eleicoes 2014: uma analise economica do voto de uma consultoria demonizada
Como já não disse, não apoio nenhum partido em especial. Apenas manifesto minha preferência por esta ou aquela causa, ou proposta, partidária, dependendo de uma análise estritamente objetiva de sua racionalidade, eficiência e adequação às nossas necessidades, tais como eu as percebo.
Agora mesmo, por exemplo, já não estou nem mesmo considerando a racionalidade de tais e tais medidas econômicas, pois esta é uma consideração absolutamente secundária ante a realidade política com que nos defrontamos.
Minha única preocupação, neste momento, é esta: estamos sendo governados por uma máfia que tomou de assalto o poder, e que usa e abusa de todos os meios para se perpetuar no poder, não porque sejam neobolcheviques mafiosos (o que eles são) que por acaso pretendam implantar o socialismo no Brasil. Não, isso eles não pretendem: eles são burros, ignorantes, mas não são estúpidos, e não querem matar a galinha (ou seja lá o que for) dos ovos de ouro de quem eles extraem recursos. Ou seja, eles não pretendem matar os capitalistas, senão de onde arrancariam o dinheiro de que necessitam para: (a) consolidar seu poder criminoso; (b) viver bem, muito bem...
Por isso, antes de qualquer outra consideração de política econômica, meu principal objetivo é afastar a máfia do poder.
Segunda coisa: não me pronuncio por candidatos, e sim por políticas. O fato de que esta consultoria faz campanha por um candidato tem menos importância para mim, ao colocar este post, do que sua análise econômica do Brasil, para ficar num terreno objetivo.
Dito isto, fiquem com a análise econômica da consultoria que deixou os companheiros nervosos com o seu livro "O Fim do Brasil". Bem, seria o fim, mesmo, se os mafiosos continuassem no poder. Ainda que o perigo não esteja de todo afastado -- e os neobolcheviques criaram vários expedientes para continuarem exercendo dominação sobre largos extratos da sociedade, inclusive com o seu decreto bolivariano dos sovietes petistas -- creio que estamos caminhando para uma inversão nas tendências dos últimos doze anos. Oxalá.
A razão, na verdade, é muito simples, e pode dispensar longas análises econômicas ou sociológicas: os companheiros roubaram demais, e foram muito cínicos com a sociedade. A sociedade cansou. E cansou também da ineficiência, da incompetência deles...
Já deu PT. Nem a pau, Juvenal!
Agora, fiquem com a análise econômica.
Paulo Roberto de Almeida
Votaremos em Aécio Neves
Boletim diário Empiricus, 9/10/2014
Dadas as críticas públicas já proferidas contra o atual governo, talvez não seja novidade. Não importa. Dadas as circunstâncias, a formalização nos parece necessária.
Fundamentamos a escolha em dois grandes elementos, de raízes distintas: a primeira, muito menos relevante, ligada a uma espécie de dever fiduciário; a segunda, cívica.
Comecemos do menos importante. A Empiricus é uma consultoria de investimentos, cujo foco das recomendações está em ativos brasileiros. Conforme narrado em verso e prosa pela cruel realidade, aumentos da probabilidade de eleição de Dilma Rousseff têm se traduzido em perda de valor para os ativos brasileiros (renda fixa, moeda e ações). Analogamente, vale o inverso para o caso de maior chance da oposição.
De forma óbvia, a maior parte de nossos clientes detém fatia relevante (em muitas vezes, a totalidade) de seu patrimônio em ativos domésticos. Portanto, se é da obrigação de uma firma qualquer atuar no interesse de seus clientes, a Empiricus precisa manifestar-se em favor daquele candidato capaz de valorizar os investimentos no Brasil. Essa é a retribuição mínima que temos com nossos assinantes.
Trata-se, porém, de algo secundário no momento. O outro elemento é bem mais profundo e significativo, feito não por empresários, mas por brasileiros, com formação (e vocação) em Economia, a saber: achamos que a candidatura de Aécio Neves seria capaz de conferir um futuro melhor ao País, na comparação com o prognóstico oferecido pela recandidatura da atual presidente.
A assertiva decorre da interpretação de que a nova matriz econômica - nome dado à série de medidas adotada em resposta à crise de 2008 - marcada por uma espécie de ensaio nacional-desenvolvimentista, de fechamento da economia e aumento do intervencionismo do Governo, representa uma inadequação à política econômica brasileira.
Desde a saída do ministro Palocci, abandonamos a ortodoxia, com o clássico tripé macroeconômico sendo vilipendiado em prol da tal nova matriz. As medidas heterodoxas têm suas consequências devidamente catalogadas: desemprego e inflação, com direito a risco de crise cambial.
A Economia é uma ciência voltada a três preceitos, cuja coexistência simultânea e na mesma intensidade pode ser impossível. Dadas a escassez de recursos, as dotações iniciais e a impossibilidade de alguém simplesmente impor uma determinada alocação aos agentes, havemos de fazer escolhas (trade offs) entre as três coisas.
Aos poucos familiarizados, os preceitos da Economia são:
Eficiência, tradicionalmente ligada à ótica paretiana, de que uma situação é eficiente se não é possível melhorar a posição de alguém sem piorar a de outrem. De forma mais simples, normalmente se relaciona eficiência ao ritmo de crescimento do bolo, ou seja, à velocidade em que o PIB aumenta e/ou a indicadores de produtividade.
Equidade, que poderia ser quebrada em subitens. Equidade horizontal, a necessidade de se tratar os iguais como iguais. E equidade vertical: diferentes merecem tratamento diferente. Usualmente, o conceito é ligado a uma alocação de recursos mais justa. Como o bolo é dividido entre os diversos convidados do aniversário, sendo desejável, obviamente, tamanhos semelhantes entre cada um dos cidadãos.
Liberdade, sem muita necessidade de explicação. A defesa das liberdades individuais parece ser um valor indisputável.
O ideal, claro, seria ter os três, em sua plenitude. Ocorre que, na prática - e também na própria teoria -, precisamos normalmente escolher entre as coisas.
O que o Governo Dilma tem a nos dizer sobre cada um dos preceitos?
Comecemos pelo crescimento. Embora não tenhamos fechado o ciclo de governo, as projeções de consenso sugerem um crescimento médio anual do PIB de apenas 1,7%. Esse é o segundo pior resultado de toda a República, à frente apenas do percentual obtido por Floriano Peixoto, de 1891 a 1894, com o País basicamente em guerra.
Seria culpa da crise externa?
O discurso oficial é de que o baixo crescimento decorre dos efeitos da crise internacional. Mentira. A desonestidade intelectual tem sido marca da administração Dilma - e essa afirmação é exemplo canônico.
Em que pese, de fato, algum efeito dos problemas externos, a desaceleração brasileira é muito mais destacada. Grosso modo, a economia mundial desacelera seu crescimento nos últimos anos de 4% para 3% ao ano, enquanto nós caímos para 1,7%.
Em reforço, nos governos FHC e Lula, o crescimento econômico brasileiro fora semelhante ao da América Latina. Agora, estamos cerca de dois pontos percentuais abaixo.
Para este ano, em particular, as projeções são emblemáticas. A economia mundial deve crescer 3,3% e os mercados emergentes 4,4%. Por aqui, teremos menos de 0,3% - conforme as estimativas contidas no relatório Focus do Banco Central.
Estaremos atrás até mesmo da Zona do Euro, contrariando a fase contundente da presidente Dilma no programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, em resposta (incorreta) à jornalista Miriam Leitão: “a maior barriga é da Europa.”
Infelizmente, a realidade insiste em favorecer a dieta europeia. A tabela abaixo do FMI serve, com precisão cirúrgica, à argumentação:
A partir dos dados, não há sequer como considerar a hipótese de que a crise vem de fora. A culpa de estarmos bem abaixo da média não pode ser da média. Essa culpa é intransferível e pertence ao Governo, mais especificamente à nova matriz econômica.
Como a candidatura de Aécio Neves, se vitoriosa, abandonaria essa matriz e retomaria a ortodoxia, a opção nos parece superior para a eficiência da Economia - falaremos mais sobre isso adiante.
Tratemos, agora, da liberdade. Se o governo Dilma não endereçou adequadamente questões ligadas à eficiência, teria ele sido capaz de conferir mais liberdade?
Claramente, não.
O governo foi marcado por tentativas sucessivas de cercear a liberdade de expressão. Aqui, citamos três movimentações fortes no sentido de calar vozes dissonantes: i) a publicação no site oficial do PT de uma lista negra de jornalistas a serem perseguidos; ii) o pedido de demissão de funcionária do Santander que relacionou queda dos ativos brasileiros ao eventual ganho de espaço de Dilma Rousseff nas pesquisas; e iii) a acusação à Empiricus de fazermos terrorismo eleitoral, com direito a reclamação - negada por um placar bastante eloquente de 5 x 2 - sobre nossas campanhas no Google.
Ademais, o maior intervencionismo governamental - e aqui evitamos o termo “estatal” propositadamente, pois havemos de grifar as diferenças entre Estado e Governo -, um dos pilares da nova matriz econômica, implica impor ao mercado regras e condições (além de surpresas), reduzindo, portanto, a liberdade dos agentes econômicos.
É como se o Governo, de forma discricionária, pegasse certos empresários pela mão e tentasse impor suas vontades. Foi assim na MP 579 (responsável pela destruição do setor elétrico), no novo marco regulatório do setor petróleo, nas leis de conteúdo nacional, no controle de preços (energia elétrica, tarifas públicas, combustíveis e câmbio) e no spread bancário menor, conseguido, temporariamente, a fórceps.
A perda de liberdade empresarial implica inibição do espírito animal, das forças dionisíacas, da transgressão de padrões inerente à inovação. É um desincentivo à tomada de risco, força-motriz da sociedade capitalista. Se o empresário teme mudanças nas regras do jogo e a não-remuneração pela assunção de risco, não investe. Simples assim.
Dito de forma direta, o maior intervencionismo do Governo na Economia é sinônimo da perda de liberdade dos agentes econômicos.
Por fim, resta a equidade, bandeira clássica da atual administração petista, os “únicos que colocaram os pobres no orçamento.” A briga do nós contra eles, a senzala contra a casa-grande, os petistas contra a elite branca faz sentido?
Estudos mais recentes indicam que, depois de 10 anos consecutivos em queda, a desigualdade de renda no Brasil parou de cair de forma estatisticamente significativa em 2012. Documento IPEA n 159 é categórico em dizer que a concentração de renda no Brasil cai sistematicamente do final do governo FHC até 2012. A partir daí, há dúvidas.
O índice de Gini apresenta queda marginal entre 2011 e 2012, enquanto as curvas de Lorenz dos dois anos estão sobrepostas, indicando, grosso modo, estagnação na melhora. (Índice de Gini e Curva de Lorenz são indicadores que mensuram a distribuição de renda).
De forma semelhante, a Pnad de 2013, recém-divulgada em meio a uma grande polêmica, mostra, em linhas gerais, paralisia na queda do índice de Gini, que passa de 0,496 em 2012 para 0,495 em 2013, novamente indicando interrupção do processo de melhoria da distribuição de renda no Brasil.
Ainda mais problemático, estudo encomendado pelo IPEA a partir de dados do Imposto de Renda (semelhante àquela do famoso Piketty) mostra concentração de renda entre 2006 e 2012 - em 2012, os 5% mais ricos do País detinham 44% da renda; em 2006, o percentual era de 40%.
Ou seja, o Governo Dilma trouxe uma piora enorme em eficiência e em liberdade; na melhor das hipóteses, foi acompanhado de melhoras modestas para a distribuição de renda.
O importante aqui é mencionar que a melhora na distribuição de renda não é exclusividade do PT. Ela começa no Governo Fernando Henrique, conforme supracitado.
Os gastos sociais aumentam sistematicamente como proporção do PIB desde FHC, sem pestanejar. Mais do que isso, o maior programa social já feito na história deste país se chama Plano Real - registre-se: rejeitado, à época, pelo Partido dos Trabalhadores.
A inflação é o mecanismo mais tradicional de concentração de renda, afetando muito mais o pobre, pois o rico tem dinheiro aplicado, protegido da escalada dos preços. Também sobre o quesito inflação, o Governo Dilma vai mal - o IPCA de setembro, divulgado ontem, aponta inflação de 6,75% em 12 meses, acima do teto da meta de 6,50%, mesmo com preços represados.
Mas o passado não se muda. Poderíamos votar em Dilma se o futuro prometesse ser melhor frente ao passado. Se houvesse alguma sinalização de que a nova matriz econômica seria abandonada, esse texto talvez nem existisse.
Há erros claros no governo que impedem qualquer suposição de melhoria à frente. Ao contrário, as evidências sugerem dobrar a mão na heterodoxia. Conforme afirmado pelo ministro Mantega, a presidente Dilma levará essa política econômica "às últimas consequências". E o discurso de campanha recrudesceu no discurso contra a ortodoxia, ao demonizar os bancos, o Banco Central independente e a ortodoxia de Armínio Fraga.
Por que insistirão na nova matriz econômica? Em nossa visão, por quatros razões, sendo duas delas associadas a equívocos de diagnóstico e as outras ligadas a fatores ideológicos.
Primeiro, se a interpretação é de que a crise vem de fora, não há porque mudar a política doméstica.
Segundo, ainda dentro do erro de diagnóstico, a interpretação da administração Dilma é de que o problema da economia brasileira é de demanda. Para tal doença, prescreve-se a receita de mais crédito, mais subsídio ao consumo e impulso dos gastos públicos.
Ocorre, porém, que o problema é de oferta agregada - e não de demanda. E se você estimula a demanda agregada quando o problema é de oferta, o livro-texto alerta: aparecerão inflação e déficit em conta corrente. Bingo!
O terceiro ponto é a raiz ideológica, também dividido em dois subpontos:
3a) a crença de que “um pouquinho de inflação tudo bem pois gera mais emprego”, num debate que parece pertencer a década de 70, ignorante à crítica de Lucas, que atesta como o trade-off existe apenas no curtíssimo prazo;
3b) a visão de que o Estado é melhor do que o mercado para resolver os problemas da Economia, desafiando o Primeiro Teorema do Bem-estar da Microeconomia.
Sem um bom diagnóstico, distorcido por uma ideologia atrasada, não há como haver um bom prognóstico.
Assim, depois de tantas ameaças e tentativas de censura, declaramos nosso único, e exclusivo, vínculo com a candidatura de Aécio Neves: o voto.
Agora mesmo, por exemplo, já não estou nem mesmo considerando a racionalidade de tais e tais medidas econômicas, pois esta é uma consideração absolutamente secundária ante a realidade política com que nos defrontamos.
Minha única preocupação, neste momento, é esta: estamos sendo governados por uma máfia que tomou de assalto o poder, e que usa e abusa de todos os meios para se perpetuar no poder, não porque sejam neobolcheviques mafiosos (o que eles são) que por acaso pretendam implantar o socialismo no Brasil. Não, isso eles não pretendem: eles são burros, ignorantes, mas não são estúpidos, e não querem matar a galinha (ou seja lá o que for) dos ovos de ouro de quem eles extraem recursos. Ou seja, eles não pretendem matar os capitalistas, senão de onde arrancariam o dinheiro de que necessitam para: (a) consolidar seu poder criminoso; (b) viver bem, muito bem...
Por isso, antes de qualquer outra consideração de política econômica, meu principal objetivo é afastar a máfia do poder.
Segunda coisa: não me pronuncio por candidatos, e sim por políticas. O fato de que esta consultoria faz campanha por um candidato tem menos importância para mim, ao colocar este post, do que sua análise econômica do Brasil, para ficar num terreno objetivo.
Dito isto, fiquem com a análise econômica da consultoria que deixou os companheiros nervosos com o seu livro "O Fim do Brasil". Bem, seria o fim, mesmo, se os mafiosos continuassem no poder. Ainda que o perigo não esteja de todo afastado -- e os neobolcheviques criaram vários expedientes para continuarem exercendo dominação sobre largos extratos da sociedade, inclusive com o seu decreto bolivariano dos sovietes petistas -- creio que estamos caminhando para uma inversão nas tendências dos últimos doze anos. Oxalá.
A razão, na verdade, é muito simples, e pode dispensar longas análises econômicas ou sociológicas: os companheiros roubaram demais, e foram muito cínicos com a sociedade. A sociedade cansou. E cansou também da ineficiência, da incompetência deles...
Já deu PT. Nem a pau, Juvenal!
Agora, fiquem com a análise econômica.
Paulo Roberto de Almeida
Boletim diário Empiricus, 9/10/2014
Dadas as críticas públicas já proferidas contra o atual governo, talvez não seja novidade. Não importa. Dadas as circunstâncias, a formalização nos parece necessária.
Fundamentamos a escolha em dois grandes elementos, de raízes distintas: a primeira, muito menos relevante, ligada a uma espécie de dever fiduciário; a segunda, cívica.
Comecemos do menos importante. A Empiricus é uma consultoria de investimentos, cujo foco das recomendações está em ativos brasileiros. Conforme narrado em verso e prosa pela cruel realidade, aumentos da probabilidade de eleição de Dilma Rousseff têm se traduzido em perda de valor para os ativos brasileiros (renda fixa, moeda e ações). Analogamente, vale o inverso para o caso de maior chance da oposição.
De forma óbvia, a maior parte de nossos clientes detém fatia relevante (em muitas vezes, a totalidade) de seu patrimônio em ativos domésticos. Portanto, se é da obrigação de uma firma qualquer atuar no interesse de seus clientes, a Empiricus precisa manifestar-se em favor daquele candidato capaz de valorizar os investimentos no Brasil. Essa é a retribuição mínima que temos com nossos assinantes.
Trata-se, porém, de algo secundário no momento. O outro elemento é bem mais profundo e significativo, feito não por empresários, mas por brasileiros, com formação (e vocação) em Economia, a saber: achamos que a candidatura de Aécio Neves seria capaz de conferir um futuro melhor ao País, na comparação com o prognóstico oferecido pela recandidatura da atual presidente.
A assertiva decorre da interpretação de que a nova matriz econômica - nome dado à série de medidas adotada em resposta à crise de 2008 - marcada por uma espécie de ensaio nacional-desenvolvimentista, de fechamento da economia e aumento do intervencionismo do Governo, representa uma inadequação à política econômica brasileira.
Desde a saída do ministro Palocci, abandonamos a ortodoxia, com o clássico tripé macroeconômico sendo vilipendiado em prol da tal nova matriz. As medidas heterodoxas têm suas consequências devidamente catalogadas: desemprego e inflação, com direito a risco de crise cambial.
A Economia é uma ciência voltada a três preceitos, cuja coexistência simultânea e na mesma intensidade pode ser impossível. Dadas a escassez de recursos, as dotações iniciais e a impossibilidade de alguém simplesmente impor uma determinada alocação aos agentes, havemos de fazer escolhas (trade offs) entre as três coisas.
Aos poucos familiarizados, os preceitos da Economia são:
Eficiência, tradicionalmente ligada à ótica paretiana, de que uma situação é eficiente se não é possível melhorar a posição de alguém sem piorar a de outrem. De forma mais simples, normalmente se relaciona eficiência ao ritmo de crescimento do bolo, ou seja, à velocidade em que o PIB aumenta e/ou a indicadores de produtividade.
Equidade, que poderia ser quebrada em subitens. Equidade horizontal, a necessidade de se tratar os iguais como iguais. E equidade vertical: diferentes merecem tratamento diferente. Usualmente, o conceito é ligado a uma alocação de recursos mais justa. Como o bolo é dividido entre os diversos convidados do aniversário, sendo desejável, obviamente, tamanhos semelhantes entre cada um dos cidadãos.
Liberdade, sem muita necessidade de explicação. A defesa das liberdades individuais parece ser um valor indisputável.
O ideal, claro, seria ter os três, em sua plenitude. Ocorre que, na prática - e também na própria teoria -, precisamos normalmente escolher entre as coisas.
O que o Governo Dilma tem a nos dizer sobre cada um dos preceitos?
Comecemos pelo crescimento. Embora não tenhamos fechado o ciclo de governo, as projeções de consenso sugerem um crescimento médio anual do PIB de apenas 1,7%. Esse é o segundo pior resultado de toda a República, à frente apenas do percentual obtido por Floriano Peixoto, de 1891 a 1894, com o País basicamente em guerra.
Seria culpa da crise externa?
O discurso oficial é de que o baixo crescimento decorre dos efeitos da crise internacional. Mentira. A desonestidade intelectual tem sido marca da administração Dilma - e essa afirmação é exemplo canônico.
Em que pese, de fato, algum efeito dos problemas externos, a desaceleração brasileira é muito mais destacada. Grosso modo, a economia mundial desacelera seu crescimento nos últimos anos de 4% para 3% ao ano, enquanto nós caímos para 1,7%.
Em reforço, nos governos FHC e Lula, o crescimento econômico brasileiro fora semelhante ao da América Latina. Agora, estamos cerca de dois pontos percentuais abaixo.
Para este ano, em particular, as projeções são emblemáticas. A economia mundial deve crescer 3,3% e os mercados emergentes 4,4%. Por aqui, teremos menos de 0,3% - conforme as estimativas contidas no relatório Focus do Banco Central.
Estaremos atrás até mesmo da Zona do Euro, contrariando a fase contundente da presidente Dilma no programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, em resposta (incorreta) à jornalista Miriam Leitão: “a maior barriga é da Europa.”
Infelizmente, a realidade insiste em favorecer a dieta europeia. A tabela abaixo do FMI serve, com precisão cirúrgica, à argumentação:
Como a candidatura de Aécio Neves, se vitoriosa, abandonaria essa matriz e retomaria a ortodoxia, a opção nos parece superior para a eficiência da Economia - falaremos mais sobre isso adiante.
Tratemos, agora, da liberdade. Se o governo Dilma não endereçou adequadamente questões ligadas à eficiência, teria ele sido capaz de conferir mais liberdade?
Claramente, não.
O governo foi marcado por tentativas sucessivas de cercear a liberdade de expressão. Aqui, citamos três movimentações fortes no sentido de calar vozes dissonantes: i) a publicação no site oficial do PT de uma lista negra de jornalistas a serem perseguidos; ii) o pedido de demissão de funcionária do Santander que relacionou queda dos ativos brasileiros ao eventual ganho de espaço de Dilma Rousseff nas pesquisas; e iii) a acusação à Empiricus de fazermos terrorismo eleitoral, com direito a reclamação - negada por um placar bastante eloquente de 5 x 2 - sobre nossas campanhas no Google.
Ademais, o maior intervencionismo governamental - e aqui evitamos o termo “estatal” propositadamente, pois havemos de grifar as diferenças entre Estado e Governo -, um dos pilares da nova matriz econômica, implica impor ao mercado regras e condições (além de surpresas), reduzindo, portanto, a liberdade dos agentes econômicos.
É como se o Governo, de forma discricionária, pegasse certos empresários pela mão e tentasse impor suas vontades. Foi assim na MP 579 (responsável pela destruição do setor elétrico), no novo marco regulatório do setor petróleo, nas leis de conteúdo nacional, no controle de preços (energia elétrica, tarifas públicas, combustíveis e câmbio) e no spread bancário menor, conseguido, temporariamente, a fórceps.
A perda de liberdade empresarial implica inibição do espírito animal, das forças dionisíacas, da transgressão de padrões inerente à inovação. É um desincentivo à tomada de risco, força-motriz da sociedade capitalista. Se o empresário teme mudanças nas regras do jogo e a não-remuneração pela assunção de risco, não investe. Simples assim.
Dito de forma direta, o maior intervencionismo do Governo na Economia é sinônimo da perda de liberdade dos agentes econômicos.
Por fim, resta a equidade, bandeira clássica da atual administração petista, os “únicos que colocaram os pobres no orçamento.” A briga do nós contra eles, a senzala contra a casa-grande, os petistas contra a elite branca faz sentido?
Estudos mais recentes indicam que, depois de 10 anos consecutivos em queda, a desigualdade de renda no Brasil parou de cair de forma estatisticamente significativa em 2012. Documento IPEA n 159 é categórico em dizer que a concentração de renda no Brasil cai sistematicamente do final do governo FHC até 2012. A partir daí, há dúvidas.
O índice de Gini apresenta queda marginal entre 2011 e 2012, enquanto as curvas de Lorenz dos dois anos estão sobrepostas, indicando, grosso modo, estagnação na melhora. (Índice de Gini e Curva de Lorenz são indicadores que mensuram a distribuição de renda).
De forma semelhante, a Pnad de 2013, recém-divulgada em meio a uma grande polêmica, mostra, em linhas gerais, paralisia na queda do índice de Gini, que passa de 0,496 em 2012 para 0,495 em 2013, novamente indicando interrupção do processo de melhoria da distribuição de renda no Brasil.
Ainda mais problemático, estudo encomendado pelo IPEA a partir de dados do Imposto de Renda (semelhante àquela do famoso Piketty) mostra concentração de renda entre 2006 e 2012 - em 2012, os 5% mais ricos do País detinham 44% da renda; em 2006, o percentual era de 40%.
Ou seja, o Governo Dilma trouxe uma piora enorme em eficiência e em liberdade; na melhor das hipóteses, foi acompanhado de melhoras modestas para a distribuição de renda.
O importante aqui é mencionar que a melhora na distribuição de renda não é exclusividade do PT. Ela começa no Governo Fernando Henrique, conforme supracitado.
Os gastos sociais aumentam sistematicamente como proporção do PIB desde FHC, sem pestanejar. Mais do que isso, o maior programa social já feito na história deste país se chama Plano Real - registre-se: rejeitado, à época, pelo Partido dos Trabalhadores.
A inflação é o mecanismo mais tradicional de concentração de renda, afetando muito mais o pobre, pois o rico tem dinheiro aplicado, protegido da escalada dos preços. Também sobre o quesito inflação, o Governo Dilma vai mal - o IPCA de setembro, divulgado ontem, aponta inflação de 6,75% em 12 meses, acima do teto da meta de 6,50%, mesmo com preços represados.
Mas o passado não se muda. Poderíamos votar em Dilma se o futuro prometesse ser melhor frente ao passado. Se houvesse alguma sinalização de que a nova matriz econômica seria abandonada, esse texto talvez nem existisse.
Há erros claros no governo que impedem qualquer suposição de melhoria à frente. Ao contrário, as evidências sugerem dobrar a mão na heterodoxia. Conforme afirmado pelo ministro Mantega, a presidente Dilma levará essa política econômica "às últimas consequências". E o discurso de campanha recrudesceu no discurso contra a ortodoxia, ao demonizar os bancos, o Banco Central independente e a ortodoxia de Armínio Fraga.
Por que insistirão na nova matriz econômica? Em nossa visão, por quatros razões, sendo duas delas associadas a equívocos de diagnóstico e as outras ligadas a fatores ideológicos.
Primeiro, se a interpretação é de que a crise vem de fora, não há porque mudar a política doméstica.
Segundo, ainda dentro do erro de diagnóstico, a interpretação da administração Dilma é de que o problema da economia brasileira é de demanda. Para tal doença, prescreve-se a receita de mais crédito, mais subsídio ao consumo e impulso dos gastos públicos.
Ocorre, porém, que o problema é de oferta agregada - e não de demanda. E se você estimula a demanda agregada quando o problema é de oferta, o livro-texto alerta: aparecerão inflação e déficit em conta corrente. Bingo!
O terceiro ponto é a raiz ideológica, também dividido em dois subpontos:
3a) a crença de que “um pouquinho de inflação tudo bem pois gera mais emprego”, num debate que parece pertencer a década de 70, ignorante à crítica de Lucas, que atesta como o trade-off existe apenas no curtíssimo prazo;
3b) a visão de que o Estado é melhor do que o mercado para resolver os problemas da Economia, desafiando o Primeiro Teorema do Bem-estar da Microeconomia.
Sem um bom diagnóstico, distorcido por uma ideologia atrasada, não há como haver um bom prognóstico.
Assim, depois de tantas ameaças e tentativas de censura, declaramos nosso único, e exclusivo, vínculo com a candidatura de Aécio Neves: o voto.
O mito do governo gratis - Paulo Rabello de Castro (livro)
O mito do governo grátis
- Autor: Comunicação Millenium
- em Divulgação, Livros Indicados
- 07/10/2014
- 2 comentários.
O mito do governo grátis é um fenômeno político que promete distribuir vantagens e ganhos para todos, sem custos para ninguém. Está na raiz do declínio do vigor da economia brasileira e na estagnação do seu processo produtivo. O governo grátis, como expressão de controle social, é o ápice do ilusionismo político e, no Brasil, tem sido prática corrente por sucessivos governantes, deixando um rastro de atraso, decadência e injustiça social. Podemos considerá-lo o grande adversário da prosperidade e o inimigo número um da ascensão social e patrimonial dos brasileiros.
“O mito do governo grátis – o mal das políticas econômicas ilusórias e as lições de 13 países para o Brasil mudar” (Edições de Janeiro, 2014) oferece denúncia, antídotos e meios de superação desse fenômeno. Paulo Rabello de Castro propõe uma reflexão aguda, apresenta dados consistentes e exemplos em todo o mundo, mostrando os efeitos nocivos desse regime e uma proposta para o Brasil se libertar.
Vaticano: a mais importante discussao do Sinodo dos bispos: o que diria um papa argentino?
Bispos e teólogos das mais diversas vertentes do cristianismo estão reunidos neste mesmo momento no Vaticano, para tentar descobrir qual
era a verdadeira nacionalidade de Jesus.
Vamos as conclusões (provisórias) deles.
A) Três provas de que Jesus era judeu:
1 - Assumiu os negócios do pai;
2 - Viveu em casa até os 33 anos;
3 - Tinha certeza de que a mãe era virgem, e a mãe tinha certeza de que ele era Deus.
ENTRETANTO...
B) Três provas de que Jesus era irlandês:
1 - Nunca foi casado;
2 - Nunca teve emprego fixo;
3 - O último pedido dele foi uma bebida.
C) Três provas de que Jesus era italiano:
1 - Falava com as mãos;
2 - Tomava vinho em todas as refeições;
3 - A mulher mais importante da sua vida era a mamma.
D) Três provas de que Jesus era americano (mais precisamente da California):
1 - Nunca cortou o cabelo (hippie)
2 - Andava descalço (hippie)
3 - Inventou uma nova religião (hippie)
E) Três provas de que Jesus era francês:
1 - Nunca trocava de roupa;
2 - Não lavava os pés;
3 - Não falava inglês.
F) Três provas de que Jesus era brasileiro:
1 - Nunca tinha dinheiro;
2 - Vivia fazendo milagres;
3 - Se ferrou nas mãos do governo...
CONCLUSÃO:
Não foi possível chegar a um consenso sobre a nacionalidade de Jesus.
Quanto a Judas, todos concordaram: era Argentino!
Vamos as conclusões (provisórias) deles.
A) Três provas de que Jesus era judeu:
1 - Assumiu os negócios do pai;
2 - Viveu em casa até os 33 anos;
3 - Tinha certeza de que a mãe era virgem, e a mãe tinha certeza de que ele era Deus.
ENTRETANTO...
B) Três provas de que Jesus era irlandês:
1 - Nunca foi casado;
2 - Nunca teve emprego fixo;
3 - O último pedido dele foi uma bebida.
C) Três provas de que Jesus era italiano:
1 - Falava com as mãos;
2 - Tomava vinho em todas as refeições;
3 - A mulher mais importante da sua vida era a mamma.
D) Três provas de que Jesus era americano (mais precisamente da California):
1 - Nunca cortou o cabelo (hippie)
2 - Andava descalço (hippie)
3 - Inventou uma nova religião (hippie)
E) Três provas de que Jesus era francês:
1 - Nunca trocava de roupa;
2 - Não lavava os pés;
3 - Não falava inglês.
F) Três provas de que Jesus era brasileiro:
1 - Nunca tinha dinheiro;
2 - Vivia fazendo milagres;
3 - Se ferrou nas mãos do governo...
CONCLUSÃO:
Não foi possível chegar a um consenso sobre a nacionalidade de Jesus.
Quanto a Judas, todos concordaram: era Argentino!
Eleicoes 2014: uma reflexao inocente, e uma lembranca para a Policia Federal
Para terminar o dia (no caso a noite):
Primeiro a reflexão:
Acho que podemos deixar de lado todo o debate econômico, de políticas públicas, de programas sofisticados de governo, saber quantos kms de estrada vamos construir, empregos, escolas, hospitais, e ficar numa mensagem muito simples para o grande público, usando inclusive uma frase que já foi dita antes por um candidato.
Apenas isto:
O problema dos companheiros é que eles roubaram demais, e o povo brasileiro cansou do cinismo.
A frase é esta: "Já deu, PT !", ou então: "Nem a pau Juvenal !"
Agora a lembrança:
Alô, alô, Polícia Federal, acabou aquela jabuticaba brasileira, da trégua eleitoral, de não poder prender ninguem durante o período de votação. Já podem prender todos os companheiros ladrões.
Apenas isto:
Ao trabalho pessoal, embarquem os suspeitos de sempre, os companheiros mafiosos...
Aliás, eu acho que estamos quase ficando parecidos com a Chicago do Al Capone: só faltam aquelas metralhadoras de tambor redondo, e algum metidinho a Eliott Ness...
Paulo Roberto de Almeida
Primeiro a reflexão:
Acho que podemos deixar de lado todo o debate econômico, de políticas públicas, de programas sofisticados de governo, saber quantos kms de estrada vamos construir, empregos, escolas, hospitais, e ficar numa mensagem muito simples para o grande público, usando inclusive uma frase que já foi dita antes por um candidato.
Apenas isto:
O problema dos companheiros é que eles roubaram demais, e o povo brasileiro cansou do cinismo.
A frase é esta: "Já deu, PT !", ou então: "Nem a pau Juvenal !"
Agora a lembrança:
Alô, alô, Polícia Federal, acabou aquela jabuticaba brasileira, da trégua eleitoral, de não poder prender ninguem durante o período de votação. Já podem prender todos os companheiros ladrões.
Apenas isto:
Ao trabalho pessoal, embarquem os suspeitos de sempre, os companheiros mafiosos...
Aliás, eu acho que estamos quase ficando parecidos com a Chicago do Al Capone: só faltam aquelas metralhadoras de tambor redondo, e algum metidinho a Eliott Ness...
Paulo Roberto de Almeida
Pausa para... humor involuntario: UFC econômico entre Armínio Fraga e... Mercadante!!!
Gentes, não pude evitar um riso enorme quando li a primeira manchete do dia (neste caso da noite) no jornaleco vicioso do Stalin Sem Gulag, o chamado Correio do Brasil.
Primeiro achei motivo para riso, depois eu me preocupei bastante.
Falei comigo mesmo:
Mas vai ser um massacre! Isso é injusto com o pobre Mercadante, o "doutor pela UniCamp". O que os companheiros o obrigaram a fazer???!!!
Enfim, vejam vocês mesmos a manchete:
Mercadante fará contraponto a Armínio Fraga no segundo turno
No tabuleiro das eleições, neste segundo turno, a presidenta Dilma Rousseff, que concorre a um novo mandato, definiu que caberá ao atual ministro-chefe da Casa Civil,... 2014-10-08 12:55:58 /
Leia mais
Enfim, não quero ser injusto com os companheiros, nem com os meus 18 leitores (essa eu emprestei ao meu colega Alexandre Schwartsman, um economista quase processado pelo Banco Central, por dizer coisas inconvenientes), e por isso vou postar toda a matéria aqui, para não obrigar ninguém a ir no jornaleco do Stalin Sem Gulag.
Mas, vejam todos como tem muito material para humor involuntário, malgré eux, quero dizer, a despeito deles, metade do que eles colocam ali se presta a momentos desopilantes...
Paulo Roberto de Almeida
PS: Recomendo um plantão do SAMU por ocasião desse encontro, se é que vai haver um...
No tabuleiro das eleições, neste segundo turno, a presidenta Dilma Rousseff, que concorre a um novo mandato, definiu que caberá ao atual ministro-chefe da Casa Civil, o senador e economista Aloizio Mercadante, contrapor argumentos contra as teses neoliberais do financista Armínio Fraga, neto, ex-presidente do Banco Central (BC) no governo de Fernando Henrique Cardoso, provável ministro da Fazenda em caso de uma vitória dos tucanos. Nesta quarta-feira, Fraga reduziu o tom adotado no primeiro turno da campanha e, agora, afirma não ser necessário um “ajuste fiscal brusco” para reequilibrar a economia.
– O ajuste macroeconômico precisa ser gradual, mas tem que ter credibilidade. Não acho razoável tentar chegar à meta (de inflação) em um ano. Seria muito sacrifício à toa. Se esperarmos um pouco, a economia estará investindo mais e isso cria um ambiente melhor para reduzir essa expectativa – disse Fraga, neto, a jornalistas.
Caberá, no embate, a Mercadante, defender o atual modelo econômico, que PSDB classifica de híbrido, com a introdução de um viés intervencionista do Estado que, segundo afirma o tucano, não produziu resultados. Arminio diz que, em caso de vitória nas urnas, governaria com o diapasão de Antonio Palocci, ministro da Fazenda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Sem Mantega
Na reunião entre a presidenta Dilma e dezenas de líderes petistas e de partidos aliados para delinear a estratégia do segundo turno, na noite passada, Mercandante foi anunciado como coordenador da campanha e provável ministro da Fazenda, em um possível segundo mandato. Na posição que almejava desde a eleição do presidente Lula, 12 anos atrás, Mercadante será também o porta-voz para assuntos econômicos e, para isso, disse nesta quarta-feira que se licenciará do cargo.
Presidente nacional do PT, o jornalista Rui Falcão desconversou quando questionado por jornalistas se Mercadante assumirá o posto do ministro Guido Mantega. Falcão adiantou apenas que Mercadante será uma espécie de contraponto a Arminio Fraga.
Na coordenação da campanha, Mercadante diz que realizará um levantamento das “pendências” deixadas por Aécio durante sua passagem pelo governo de Minas Gerais, especialmente as promessas não cumpridas, como forma de apresentar, corretamente, o candidato adversário à opinião pública. Dilma pretende que a missão seja cumprida em “alto nível”, com o que concorda o chefe do marketing político petista, João Santana.
– Será uma campanha a favor da Dilma, e não contra o Aécio – adiantou Santana.
Campanha humilde
O PT também pretende revisar a tendência dos votos que seguiram à candidata do PSB, Marina Silva, em São Paulo. Segundo Rui Falcão, o perfil do eleitores da ex-senadora é similar ao de 2010, quando Marina obteve votação ligeiramente menor do que a deste ano. Quanto a um possível apoio do PSB à candidatura tucana, o líder petista preferiu não comentar. Falcão preferiu destacar a opinião de líderes do PSB contrários ao acordo, como a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, a senadora Lídice da Mata (BA) e o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho.
Governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel prefere não fazer projeções, mas disse que também tentará ampliar a vantagem obtida por Dilma em seu Estado. A presidenta recebeu 43% dos votos, contra 39% de Aécio e 14% de Marina. Pimentel promete andar pelo Estado na campanha, mas ponderou que expandir a vantagem “vai depender dos mineiros”.
– Vai depender das estratégias que vamos adotar, mas não vou falar em números. Eles (PSDB) que falaram em 4 milhões de votos de frente e acabaram derrotados. Vai ser, novamente, a campanha da humildade contra a arrogância – pontuou Pimentel.
Congresso hostil
Caso vença as eleições, como preveem as pesquisas de intenção de votos para o segundo turno, a presidenta Dilma encontrará um Congresso mais conservador do que na última legislatura. Hostil a causas como o casamento gay, o direito ao aborto e a liberação da maconha, os deputados e senadores eleitos por segmentos retrógrados da sociedade serão mais uma pedra no sapato da provável mandatária.
Pesquisas preliminares realizadas pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) sobre o perfil dos parlamentares eleitos no último domingo apontam que o Congresso Nacional, que passará a legislar em 2015, é o mais conservador desde a redemocratização do país, no final da década de 1980.
– São sérios os riscos de retrocessos em relação aos direitos civis e à legislação trabalhista – alerta o diretor de Documentação do Diap, Antônio Augusto Queiroz.
Segundo afirmou a jornalistas, esse conservadorismo está expresso, por exemplo, no vigor da chamada “Bancada da Segurança”, formada por mais de 30 policiais, militares e apresentadores de programas populares.
– Embora pequena numericamente, essa bancada chega ao Congresso com sangue nos olhos para discutir temas que afrontam os direitos sociais, como, por exemplo, a redução da maioridade penal. E, além disso, têm grande acesso à mídia – afirma.
A maior preocupação do Departamento, de qualquer forma, é com a envergadura da “Bancada Empresarial” que, pelos levantamentos preliminares, já soma 190 deputados, sendo 30 novatos e 160 reeleitos. Em 2010, eles eram 246, mas a “Bancada Sindical”, que lhes fazia contraponto, também era mais robusta, com 83 cadeiras. Agora, os representantes dos trabalhadores caíram para apenas 46. Um baque que, segundo o analista, poderá ser verificado em discussões como, por exemplo, a das terceirizações.
– Nos últimos 12 anos, os empresários não afrontaram os governos do PT porque tinham expectativa de conseguirem alguns benefícios fiscais, como as desonerações que de fato tiveram. Mas agora o isso acabou. O governo não terá mais o que negociar e eles irão investir com tudo para reduzir o que ainda não conseguiram: o custo do trabalho – avalia Queiroz.
Para ele, é grande o risco do parlamento aprovar pautas como a terceirização da mão-de-obra ou uma reforma tributária que penalize os trabalhadores. O Diap ainda não finalizou os estudos sobre o perfil da nova “Bancada Ruralista”.
Primeiro achei motivo para riso, depois eu me preocupei bastante.
Falei comigo mesmo:
Mas vai ser um massacre! Isso é injusto com o pobre Mercadante, o "doutor pela UniCamp". O que os companheiros o obrigaram a fazer???!!!
Enfim, vejam vocês mesmos a manchete:
Mercadante fará contraponto a Armínio Fraga no segundo turno
No tabuleiro das eleições, neste segundo turno, a presidenta Dilma Rousseff, que concorre a um novo mandato, definiu que caberá ao atual ministro-chefe da Casa Civil,... 2014-10-08 12:55:58 /
Leia mais
Enfim, não quero ser injusto com os companheiros, nem com os meus 18 leitores (essa eu emprestei ao meu colega Alexandre Schwartsman, um economista quase processado pelo Banco Central, por dizer coisas inconvenientes), e por isso vou postar toda a matéria aqui, para não obrigar ninguém a ir no jornaleco do Stalin Sem Gulag.
Mas, vejam todos como tem muito material para humor involuntário, malgré eux, quero dizer, a despeito deles, metade do que eles colocam ali se presta a momentos desopilantes...
Paulo Roberto de Almeida
PS: Recomendo um plantão do SAMU por ocasião desse encontro, se é que vai haver um...
Mercadante fará contraponto a Armínio Fraga no segundo turno
Correio do Brasil, 8/10/2014 12:55
Por Redação - de Brasília e São Paulo
Por Redação - de Brasília e São Paulo
No tabuleiro das eleições, neste segundo turno, a presidenta Dilma Rousseff, que concorre a um novo mandato, definiu que caberá ao atual ministro-chefe da Casa Civil, o senador e economista Aloizio Mercadante, contrapor argumentos contra as teses neoliberais do financista Armínio Fraga, neto, ex-presidente do Banco Central (BC) no governo de Fernando Henrique Cardoso, provável ministro da Fazenda em caso de uma vitória dos tucanos. Nesta quarta-feira, Fraga reduziu o tom adotado no primeiro turno da campanha e, agora, afirma não ser necessário um “ajuste fiscal brusco” para reequilibrar a economia.
– O ajuste macroeconômico precisa ser gradual, mas tem que ter credibilidade. Não acho razoável tentar chegar à meta (de inflação) em um ano. Seria muito sacrifício à toa. Se esperarmos um pouco, a economia estará investindo mais e isso cria um ambiente melhor para reduzir essa expectativa – disse Fraga, neto, a jornalistas.
Caberá, no embate, a Mercadante, defender o atual modelo econômico, que PSDB classifica de híbrido, com a introdução de um viés intervencionista do Estado que, segundo afirma o tucano, não produziu resultados. Arminio diz que, em caso de vitória nas urnas, governaria com o diapasão de Antonio Palocci, ministro da Fazenda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Sem Mantega
Na reunião entre a presidenta Dilma e dezenas de líderes petistas e de partidos aliados para delinear a estratégia do segundo turno, na noite passada, Mercandante foi anunciado como coordenador da campanha e provável ministro da Fazenda, em um possível segundo mandato. Na posição que almejava desde a eleição do presidente Lula, 12 anos atrás, Mercadante será também o porta-voz para assuntos econômicos e, para isso, disse nesta quarta-feira que se licenciará do cargo.
Presidente nacional do PT, o jornalista Rui Falcão desconversou quando questionado por jornalistas se Mercadante assumirá o posto do ministro Guido Mantega. Falcão adiantou apenas que Mercadante será uma espécie de contraponto a Arminio Fraga.
Na coordenação da campanha, Mercadante diz que realizará um levantamento das “pendências” deixadas por Aécio durante sua passagem pelo governo de Minas Gerais, especialmente as promessas não cumpridas, como forma de apresentar, corretamente, o candidato adversário à opinião pública. Dilma pretende que a missão seja cumprida em “alto nível”, com o que concorda o chefe do marketing político petista, João Santana.
– Será uma campanha a favor da Dilma, e não contra o Aécio – adiantou Santana.
Campanha humilde
O PT também pretende revisar a tendência dos votos que seguiram à candidata do PSB, Marina Silva, em São Paulo. Segundo Rui Falcão, o perfil do eleitores da ex-senadora é similar ao de 2010, quando Marina obteve votação ligeiramente menor do que a deste ano. Quanto a um possível apoio do PSB à candidatura tucana, o líder petista preferiu não comentar. Falcão preferiu destacar a opinião de líderes do PSB contrários ao acordo, como a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, a senadora Lídice da Mata (BA) e o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho.
Governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel prefere não fazer projeções, mas disse que também tentará ampliar a vantagem obtida por Dilma em seu Estado. A presidenta recebeu 43% dos votos, contra 39% de Aécio e 14% de Marina. Pimentel promete andar pelo Estado na campanha, mas ponderou que expandir a vantagem “vai depender dos mineiros”.
– Vai depender das estratégias que vamos adotar, mas não vou falar em números. Eles (PSDB) que falaram em 4 milhões de votos de frente e acabaram derrotados. Vai ser, novamente, a campanha da humildade contra a arrogância – pontuou Pimentel.
Congresso hostil
Caso vença as eleições, como preveem as pesquisas de intenção de votos para o segundo turno, a presidenta Dilma encontrará um Congresso mais conservador do que na última legislatura. Hostil a causas como o casamento gay, o direito ao aborto e a liberação da maconha, os deputados e senadores eleitos por segmentos retrógrados da sociedade serão mais uma pedra no sapato da provável mandatária.
Pesquisas preliminares realizadas pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) sobre o perfil dos parlamentares eleitos no último domingo apontam que o Congresso Nacional, que passará a legislar em 2015, é o mais conservador desde a redemocratização do país, no final da década de 1980.
– São sérios os riscos de retrocessos em relação aos direitos civis e à legislação trabalhista – alerta o diretor de Documentação do Diap, Antônio Augusto Queiroz.
Segundo afirmou a jornalistas, esse conservadorismo está expresso, por exemplo, no vigor da chamada “Bancada da Segurança”, formada por mais de 30 policiais, militares e apresentadores de programas populares.
– Embora pequena numericamente, essa bancada chega ao Congresso com sangue nos olhos para discutir temas que afrontam os direitos sociais, como, por exemplo, a redução da maioridade penal. E, além disso, têm grande acesso à mídia – afirma.
A maior preocupação do Departamento, de qualquer forma, é com a envergadura da “Bancada Empresarial” que, pelos levantamentos preliminares, já soma 190 deputados, sendo 30 novatos e 160 reeleitos. Em 2010, eles eram 246, mas a “Bancada Sindical”, que lhes fazia contraponto, também era mais robusta, com 83 cadeiras. Agora, os representantes dos trabalhadores caíram para apenas 46. Um baque que, segundo o analista, poderá ser verificado em discussões como, por exemplo, a das terceirizações.
– Nos últimos 12 anos, os empresários não afrontaram os governos do PT porque tinham expectativa de conseguirem alguns benefícios fiscais, como as desonerações que de fato tiveram. Mas agora o isso acabou. O governo não terá mais o que negociar e eles irão investir com tudo para reduzir o que ainda não conseguiram: o custo do trabalho – avalia Queiroz.
Para ele, é grande o risco do parlamento aprovar pautas como a terceirização da mão-de-obra ou uma reforma tributária que penalize os trabalhadores. O Diap ainda não finalizou os estudos sobre o perfil da nova “Bancada Ruralista”.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Itamaraty e eleicoes 2014: as postagens mais acessadas no Diplomatizzando
Eu sempre me pergunto o que é que as pessoas veem ler aqui no meu blog. Não que eu me paute pelas preferências de terceiros, sejam eles amigos ou "inimigos" (devo ter muitos, sobretudo entre os companheiros), ou até "invejosos".
Mas é que é importante saber, pois se trata de um indicador de interesses momentâneos, ou até sistêmicos, que podem guiar a confecção de novas matérias, abordando os mesmos assuntos sob ângulos diferentes. Um pouco como acontece nas redações de jornais.
Não que eu tenha de seguir preferências de consumidores, como os publicitários ou marketólogos.
Mas é que se as pessoas vieram aqui é porque havia algo de interesse, e quem define o interesse em primeiro lugar sou eu mesmo, exclusivamente, essencialmente, sempre.
No período recente, por exemplo, o que atraiu mais gente neste blog improvisado, e algo confuso, foi o Itamaraty, por um lado, e as eleições, por outro.
Normal para este tema, menos normal para o outro, se não fosse por certas trapalhadas do lado do Itamaraty nos últimos tempos, não por culpa dele, obviamente, mas sempre por culpa dos companheiros. Os companheiros são patéticos, sobretudo em política externa.
Bem, patéticos não é bem o termo, mas vocês vão entender porque eu não uso outra expressão, não é mesmo?
Aqui estão as postagens mais visitadas:
No total aparece isto. Parece que estou chegando numa bela contagem redonda...
Mas é que é importante saber, pois se trata de um indicador de interesses momentâneos, ou até sistêmicos, que podem guiar a confecção de novas matérias, abordando os mesmos assuntos sob ângulos diferentes. Um pouco como acontece nas redações de jornais.
Não que eu tenha de seguir preferências de consumidores, como os publicitários ou marketólogos.
Mas é que se as pessoas vieram aqui é porque havia algo de interesse, e quem define o interesse em primeiro lugar sou eu mesmo, exclusivamente, essencialmente, sempre.
No período recente, por exemplo, o que atraiu mais gente neste blog improvisado, e algo confuso, foi o Itamaraty, por um lado, e as eleições, por outro.
Normal para este tema, menos normal para o outro, se não fosse por certas trapalhadas do lado do Itamaraty nos últimos tempos, não por culpa dele, obviamente, mas sempre por culpa dos companheiros. Os companheiros são patéticos, sobretudo em política externa.
Bem, patéticos não é bem o termo, mas vocês vão entender porque eu não uso outra expressão, não é mesmo?
Aqui estão as postagens mais visitadas:
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Paulo Roberto de Almeida
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Eleicoes 2014: primeira pesquisa para o 2. turno: inversao das tendencias
Sem comentários, pois tudo é preliminar, e muitas surpresas vão ainda aparecer (sobretudo as mais desagradáveis, sabe-se lá de onde virão, não é mesmo?).
Paulo Roberto de Almeida
SÃO PAULO - Pesquisa do Instituto Paraná, encomendada
pela revista Época, divulgada na tarde desta quarta-feira (8) mostrou o
candidato do PSDB, Aécio Neves, à frente nas intenções de voto com 54%,
enquanto Dilma Rousseff (PT) apresenta 46% dos votos válidos.
Considerando os eleitores indecisos e votos em branco - que somaram 10%
-, Aécio tem 49% e Dilma 41%.
Na pesquisa espontânea, em que não são citados os nomes de cada candidato, Aécio tem 45%, e Dilma, 39%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto Paraná Pesquisas entrevistou, entre a segunda-feira (6) e esta quarta-feira (8), 2.080 eleitores. Foram feitas entrevistas pessoais com eleitores maiores de 16 anos em 19 Estados e 152 municípios.
“Podemos afirmar que Aécio Neves inicia o segundo turno com uma boa vantagem, porque herdou mais votos de Marina Silva (a terceira colocada). Vamos ver como o eleitor se comportará após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão”, afirmou o economista Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas, para a revista Época.
Paulo Roberto de Almeida
Primeira pesquisa de segundo turno mostra Aécio com 54% e Dilma com 46%
InfoMoney. 8/10/2014
Pesquisa foi feita pelo Instituto Paraná, encomendada pela revista Época; em relação a rejeição, Dilma tem 41%, enquanto outros 32% afirmaram que não votariam em Aécio “de jeito nenhum”
Na pesquisa espontânea, em que não são citados os nomes de cada candidato, Aécio tem 45%, e Dilma, 39%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto Paraná Pesquisas entrevistou, entre a segunda-feira (6) e esta quarta-feira (8), 2.080 eleitores. Foram feitas entrevistas pessoais com eleitores maiores de 16 anos em 19 Estados e 152 municípios.
“Podemos afirmar que Aécio Neves inicia o segundo turno com uma boa vantagem, porque herdou mais votos de Marina Silva (a terceira colocada). Vamos ver como o eleitor se comportará após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão”, afirmou o economista Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas, para a revista Época.
Nazismo bolivariano: uma "noite dos longos punhais" no fascismo chavista? - The Guardian
The Guardian, um jornal que sempre foi simpático à causa bolivariana, relata um episódio que pode ser o prenúncio de uma "noite dos longos punhais" no bolivarianismo esquizofrênico em que se transformou o país vizinho.
Como no início do partido nazista na Alemanha, seria preciso definir quem manda, e quem aproveita das benesses do partido. Na Alemanha, a coisa foi resolvida numa noite só, com esbirros da SS, a serviço de Hitler, liquidando eventuais competidores no partido nazista.
Talvez seja a isso que estamos vendo agora na Venezuela...
Paulo Roberto de Almeida
Venezuela militia members killed by police as violence escalates
The Guardian, 8/10/2014
José Odreman, leader of Shield of the Revolution group, shot dead after raid on HQ – which he said was politically motivated
Five people have been killed and four injured in a clash between Venezuelan police and members of a pro-government militia, raising fears of a surge in political violence.
The incident began on Tuesday when a police special forces unit raided the headquarters of the Shield of the Revolution colectivo in downtown Caracas. The initial confrontation – in which one colectivo member was killed – led to an eight-hour standoff during which police and militia members exchanged shots around the high-rise building while helicopters hovered overhead. Three policemen were taken hostage by the group.
During a lull in the shooting, another militia leader, José Odreman, told reporters that his comrade had been shot dead in his sleep. Odreman, a former policeman, also warned that if anything were to happen to him, the responsibility would be in the hands of the justice minister, Miguel Rodríguez Torres.
“I lay full responsibility on you of what might happen to me. Enough comrades have been sacrificed”, Odreman said on camera addressing Rodriguez Torres.
Shortly afterwards, Odreman was shot dead. Photographs posted on social networks showed Odreman being held captive by security officers followed by videos where his dead body can be seen lying in a pool of blood.
The clash comes a week after the murder of a rising star in the country’s ruling United Socialist party (PSUV). Robert Serra, 27, became the youngest member of the country’s national assembly when he was elected in 2010, after gaining prominence organising counter-demonstrations against student protests in 2007. He and his partner, Maria Herrera, were found stabbed to death in their home on 1 September.
Speaking with reporters before his death, Odreman hinted that there was a link between the two incidents. Asked by journalists if the raid was somehow related to Serra’s death, Odreman replied: “mathematics doesn’t fail”.
José Gregorio Sierralta, the commander of the judicial police, and Rodriguez Torres both denied any link between the two incidents, describing Odreman as the leader of a gang which had been under investigation for mulitple murders.
Venezuela’s colectivos are civilian militia groups established to defend the Bolivarian revolution of the late president Hugo Chávez. They have been accused of harrassing opposition activists and played a prominent role in street fighting during a wave of anti-government protests earlier this year.
After Odreman’s death, a series of pictures appeared on social media showing the militia leader alongside high-ranking officials including the late Chavez, former vice-president José Vicente Rangel and President Nicolás Maduro’s wife, Cilia Flores.
Analysts fear confrontations between pro-government groups herald a fresh round of political violence in the highly polarised nation.
“Chavismo is a big de-centered movement that emphasises participation and defence of the revolution. That in itself would be difficult to control. But in the current situation the government does not have a clear monopoly of the means of lethal force and that makes this very dangerous”, said Prof David Smylde, a senior fellow at the Washington Office on Latin America.
Maduro and other high-ranking government officials have blamed Serra’s death on members of the opposition. Earlier this month, Rodriguez Torres accused the former Colombian president, Álvaro Uribe, of having links with Venezuelan opposition militants he alleged were planning a series of political assassinations, to create political turmoil.
Como no início do partido nazista na Alemanha, seria preciso definir quem manda, e quem aproveita das benesses do partido. Na Alemanha, a coisa foi resolvida numa noite só, com esbirros da SS, a serviço de Hitler, liquidando eventuais competidores no partido nazista.
Talvez seja a isso que estamos vendo agora na Venezuela...
Paulo Roberto de Almeida
Venezuela militia members killed by police as violence escalates
The Guardian, 8/10/2014
José Odreman, leader of Shield of the Revolution group, shot dead after raid on HQ – which he said was politically motivated
Five people have been killed and four injured in a clash between Venezuelan police and members of a pro-government militia, raising fears of a surge in political violence.
The incident began on Tuesday when a police special forces unit raided the headquarters of the Shield of the Revolution colectivo in downtown Caracas. The initial confrontation – in which one colectivo member was killed – led to an eight-hour standoff during which police and militia members exchanged shots around the high-rise building while helicopters hovered overhead. Three policemen were taken hostage by the group.
During a lull in the shooting, another militia leader, José Odreman, told reporters that his comrade had been shot dead in his sleep. Odreman, a former policeman, also warned that if anything were to happen to him, the responsibility would be in the hands of the justice minister, Miguel Rodríguez Torres.
“I lay full responsibility on you of what might happen to me. Enough comrades have been sacrificed”, Odreman said on camera addressing Rodriguez Torres.
Shortly afterwards, Odreman was shot dead. Photographs posted on social networks showed Odreman being held captive by security officers followed by videos where his dead body can be seen lying in a pool of blood.
The clash comes a week after the murder of a rising star in the country’s ruling United Socialist party (PSUV). Robert Serra, 27, became the youngest member of the country’s national assembly when he was elected in 2010, after gaining prominence organising counter-demonstrations against student protests in 2007. He and his partner, Maria Herrera, were found stabbed to death in their home on 1 September.
Speaking with reporters before his death, Odreman hinted that there was a link between the two incidents. Asked by journalists if the raid was somehow related to Serra’s death, Odreman replied: “mathematics doesn’t fail”.
José Gregorio Sierralta, the commander of the judicial police, and Rodriguez Torres both denied any link between the two incidents, describing Odreman as the leader of a gang which had been under investigation for mulitple murders.
Venezuela’s colectivos are civilian militia groups established to defend the Bolivarian revolution of the late president Hugo Chávez. They have been accused of harrassing opposition activists and played a prominent role in street fighting during a wave of anti-government protests earlier this year.
After Odreman’s death, a series of pictures appeared on social media showing the militia leader alongside high-ranking officials including the late Chavez, former vice-president José Vicente Rangel and President Nicolás Maduro’s wife, Cilia Flores.
Analysts fear confrontations between pro-government groups herald a fresh round of political violence in the highly polarised nation.
“Chavismo is a big de-centered movement that emphasises participation and defence of the revolution. That in itself would be difficult to control. But in the current situation the government does not have a clear monopoly of the means of lethal force and that makes this very dangerous”, said Prof David Smylde, a senior fellow at the Washington Office on Latin America.
Maduro and other high-ranking government officials have blamed Serra’s death on members of the opposition. Earlier this month, Rodriguez Torres accused the former Colombian president, Álvaro Uribe, of having links with Venezuelan opposition militants he alleged were planning a series of political assassinations, to create political turmoil.
A politica e os partidos: participar, assistir, cooperar? - Um debate importante
Um leitor deste blog destacou um trecho de um comentário meu para formular uma crítica legítima, que reproduzo imediatamente a seguir:
Paulo Roberto afirma: "acredito que a atividade política, numa democracia representativa, passa necessariamente pelos partidos". Entretanto garante que nunca se filiará a nenhum partido. Em outras palavras, sabe que precisa dos partidos, mas espera que outros assumam essa tarefa chata por ele. É mais confortável "preservar a independência" mas lembro Platão: o preço de não participar na política é ser governado por pessoas menos qualificadas. De pé, democratas!
Minha resposta a ele, que reproduzo aqui:
Paulo Roberto afirma: "acredito que a atividade política, numa democracia representativa, passa necessariamente pelos partidos". Entretanto garante que nunca se filiará a nenhum partido. Em outras palavras, sabe que precisa dos partidos, mas espera que outros assumam essa tarefa chata por ele. É mais confortável "preservar a independência" mas lembro Platão: o preço de não participar na política é ser governado por pessoas menos qualificadas. De pé, democratas!
Minha resposta a ele, que reproduzo aqui:
Mxxxx Sxxxxx, dependendo de
sua profissão, orientação pessoal, preferências, você vai escolher uma
ou outra carreira, ou até abandonar a sua profissão, para se dedicar a
artes, educação, o que for.
O que não deveria impedir, você, como
cidadão, de reconhecer o que um país precisa, para se desenvolver,
prosperar, avançar na escala civilizatória. Como democrata, acredito que
é exatamente isso que eu escrevi: a administração do Estado se faz por
burocratas de carreira guiados por políticos com visão de estadistas,
que emergem naturamente dos Partidos, a forma histórica assumida pela
evolução das democracias modernas.
Reconheço plenamente isto, mas não
tenho pessoalmente, vocação para isso, sendo que eu trabalho segundo a
teoria das vantagens comparativas: as minhas estão na educação, na
escrita, na assessoria do príncipe, como se diz. Tenho total liberdade
para assumir isso numa sociedade livre, e não sou obrigado a me
converter em político para reconhecer a importância dessa função.
E NADA
me impede de fazer escolhas políticas e apoiar as causas dos partidos e
das personalidades políticas que melhor se ajustem ao que eu penso.
Qual é o problema disso? Volto a repetir: a política passa pelos
partidos, mas eu NUNCA vou me filiar a algum, o que não me impede de
apoiar CAUSAS de partidos.
Alguma outra objeção quanto a isso?
Paulo Roberto de Almeida
Esta é uma questão importante, e quem desejar se manifestar a respeito é bem vindo neste espaço.
Apenas volto a confirmar: não vou me filiar a nenhum partido existente, ou qualquer outro que se apresente, o que me exclui, obviamente, de qualquer carreira política que passe pela representação de interesses.
Mas não acredito que essa seja a única forma possível de participar politicamente numa democracia moderna.
Liberdade vocacional é algo que devemos respeitar, tanto quanto quaisquer outras liberdades individuais...
Paulo Roberto de Almeida
Hartford, 8 de outubro de 2014
(parece que hoje é dia do nordestino; os companheiros comemoram o dia do "guerrilheiro heroico", que corresponde ao dia da morte de Ché Guevara na Bolívia, em 1967)
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