quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Fausto Godoy, o colecionador de civilizações asiáticas - Reinaldo Bessa

 


Fausto Godoy, o colecionador de civilizações que doou seu acervo ao MON; leia seu perfil na coluna de Reinaldo Bessa para a revista Pinó

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Reinaldo Bessa

Fausto Godoy, o colecionador de civilizações que doou sua coleção ao MON; leia seu perfil na coluna de Reinaldo Bessa na revista Pinó

“O senhor que é o Fausto, né?”, pergunta uma jovem turista gaúcha acompanhada da mãe antes de pedir para tirar uma foto, ao que o senhor de inacreditáveis 77 anos consente sorrindo timidamente. Ao agradecer, a garota emenda: “Decidi que quero ser diplomata por sua causa”. Fausto agradece e lhe deseja boa sorte. O breve encontro foi ao final da visita à exposição “Ásia: a Terra, os Homens, os Deuses” que fiz ciceroneado pelo embaixador Fausto Martha Godoy durante sua última vinda a Curitiba, na primeira semana de novembro. 

Sua vida está resumida naquela exposição, em cartaz permanente desde abril de 2018 no Museu Oscar Niemeyer, escolhido por ele para receber o acervo em definitivo. Cada um daqueles objetos – do menor, que cabe no bolso do paletó, ao maior, que só pode ser transportado em contêiner – foi adquirido por ele em quase 40 anos de carreira diplomática, quase toda ela desenvolvida no continente asiático.

A condição de embaixador lhe dava o direito de despachar as peças e obras de arte adquiridas por contêineres para o Brasil. Afinal, como trazer na bagagem um riquixá indiano ou as inúmeras estátuas, esculturas e quadros, além de móveis de grandes dimensões? Fausto sabe a história de cada uma delas. “Quando comprava uma peça, procurava saber sua história. Digo que não criei uma coleção de arte, mas de civilizações”, afirma, para completar: “A Ásia é a cultura do excesso. Excesso de gente, de cheiros”. Diante de cada item da mostra, ele dá uma pequena aula. Ao reparar no interesse do público de todas as idades, exibe um sorriso de orelha a orelha. Nem todos que ali circulam sabem quem ele é.

Não fosse sua determinação em contrariar o desejo paterno, provavelmente hoje ele ainda estaria morando em Bauru, no oeste paulista, onde nasceu, e vivendo confortavelmente como titular do cartório de Registro Civil da cidade. Quando o pai quis passar-lhe o cartório disse que seu futuro estava garantido. “Não quero ser rico, quero viver uma vida bonita”, respondeu sem a menor diplomacia filial. 

Tudo o que Fausto não queria era assumir o negócio familiar, ter um cavalo na Sociedade Hípica Bauruense e tampouco constituir família. “Queria sair da província e uma profissão que não me prendesse a uma vida confortabilíssima, mas sem graça”, diz. O pai aceitou com dificuldade a decisão do primogênito – ele tem uma irmã mais nova – e concordou em bancá-lo por seis meses em Paris. 

Fausto Godoy, o colecionador de civilizações que doou sua coleção ao MON; leia seu perfil na coluna de Reinaldo Bessa na revista Pinó

O acordo era que, se não desse certo, ele voltaria e assumiria o cartório. Os seis meses duraram seis anos e a carreira diplomática foi o caminho que encontrou para ganhar o mundo. Às vezes, quando o dinheiro faltava, ligava para a mãe para pedir uma ajuda. Antes de atender ao pedido ela dizia: “Se você não tivesse jogado fora o cartório não estaria me pedindo agora” relembra divertido. O pai morreu em 1986 a tempo de ver o filho consolidado na carreira.

Já formado em Direito, aproveitou a estada na França para fazer doutorado e cursar História da Arte. Em 1975, prestou concurso para o Itamaraty. Foi o terceiro colocado da turma. “A diplomacia foi uma fuga que virou um achado”, diz. Em 1979, ele assumiu seu primeiro posto, como 3º secretário da embaixada do Brasil em Bruxelas, na Bélgica. Dois anos e meio depois foi deslocado para Buenos Aires com a Argentina sob a baioneta do ditador Jorge Rafael Videla. Pegou toda a Guerra das Malvinas, vencida pela Inglaterra de Margareth Thatcher.

Ao deixar o posto, com o país redemocratizado com a eleição de Raúl Alfonsín, foi convidado a assessorar o embaixador do Brasil na capital indiana, Nova Deli. “A Índia foi um tapa na cara. Um caipirinha de Bauru topando com Ganesha”, recorda-se aos risos. A partir daí, fez seu check-in na civilização hindu e se jogou no país dos marajás. “Virei um rato da Índia”, define-se. Em 16 anos passou por 11 países, o que lhe confere o título de único membro da diplomacia brasileira que serviu no maior número de nações asiáticas. Foi quando começou a formar sua coleção de peças doadas ao museu paranaense, do qual tornou-se curador de assuntos asiáticos. Inicialmente, ela estava destinada à Universidade de Brasília. Enquanto estava na ativa Fausto a mantinha em sua ampla casa no Lago Sul, que construiu quando atuava como embaixador no Paquistão.

Mais tarde, com a venda do imóvel residencial, ele precisava achar um local para as peças. As tratativas com a UnB não prosperaram e Fausto as levou para o MASP, em São Paulo, onde, segundo diz, foi construído um puxadinho para acomodá-las. A ideia era fazer um comodato com o museu paulista. Novamente surgiram entraves burocráticos e a coleção foi devolvida. 

Em 2015, por sugestão de José Teixeira Coelho Netto, então curador geral do MASP e também da Bienal de Curitiba e amigo da diretora-presidente do MON, Juliana de Almeida Vosnika, decidiu doá-la ao museu. Enfim, as milhares de peças acumuladas por Fausto ao longo de quase quatro décadas encontraram um lar definitivo. Ponto para os curitibanos. Ave, Ganesha! Com a vinda da coleção para cá, Fausto sonha em transformar o MON no primeiro museu de arte não europeia do Brasil, com nível de Metropolitan, segundo ele. 

“Quero que Curitiba se torne o centro de pesquisa sobre a Ásia no Brasil e que o MON seja a pedra de toque disso”, diz. Para ele, as pessoas não fazem a menor ideia do que está acontecendo por lá. “Fico fulo da vida quando falam em comunismo chinês. Que comunismo é esse que tem o maior número de milionários?”, questiona. 

Para ajudá-las a compreender as complexidades do continente, ele criou, em 2021, o Centro de Estudos das Civilizações da Ásia na Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo, do qual é coordenador. Fausto diz que o prazer de todo diplomata é falar mal do lugar onde está servindo. Com ele deu-se o contrário, especialmente com a Índia. “Fui conhecendo as pessoas e a Índia me adotou”, fala com entusiasmo. 

Certa vez, um colega o indicou a uma aluna que precisava entrevistar alguém sobre o país para o seu Trabalho de Conclusão de Curso com a seguinte recomendação: “Tem um maluco aí que adora a Índia”. Até hoje seus melhores amigos são indianos e suas férias sempre são lá. Durante a entrevista, contou que estava de viagem marcada para o país em dezembro, onde pretendia ficar um mês e meio. Ele e um grupo de amigos haviam combinado fazer trecking no vizinho Nepal. 

Depois de cumprir dois anos e meio de serviço no país, Fausto voltou para o Brasil para uma reciclagem obrigatória e logo em seguida foi designado para chefiar o setor cultural da embaixada brasileira em Washington a convite do embaixador Rubens Ricupero.

Mas a Ásia estava de olho nele e vice-versa. Após um período na capital norte-americana, seguiu para a China como chefe do setor político da embaixada, já na posição de conselheiro. De lá, foi transferido para Tóquio, onde permaneceu mais tempo, três anos e meio, como ministro-conselheiro. O embaixador era Celso Amorim – que deverá voltar à chefia do Itamaraty no novo governo Lula a partir de janeiro de 2023. Fausto pediu-lhe para assumir a embaixada do Brasil na gélida Islândia. Em 2004, ocupou pela primeira vez o cargo mais alto na hierarquia da carreira. Do pequeno país insular no extremo norte do globo terrestre foi para Cabul, capital do conturbado Afeganistão. Foi o primeiro embaixador brasileiro a apresentar credenciais no país hoje novamente sob o domínio do Talibã. Ao concluir a gestão, regressou ao Brasil e abdicou de outros postos de comando. Optou por atuar apenas como encarregado de negócios em embaixadas para ter mais liberdade. Liberdade que usufruiu mergulhando cada vez mais nas diversas culturas asiáticas. 

O bauruense Fausto fala da Ásia com a intimidade de um nativo. Para ele, a curva da civilização saiu do Ocidente e migrou para o Oriente. “Peguei quatro hegemonias desde 1945: a Inglaterra, a União Soviética, a queda desta em 1991 e agora a hegemonia compartilhada entre China e Estados Unidos”, diz. Daí seu empenho em mostrar a riqueza cultural do continente para que as pessoas entendam porque ele é hegemônico no mundo atual. Segundo Fausto, em 30 anos a China vai superar os Estados Unidos. Quem viver, verá, garante. Enquanto isso, ele continua adquirindo peças asiáticas e diz não fazer ideia do quanto já investiu no hobby desde que iniciou sua coleção. 

A tão sonhada vida bonita que planejou na juventude ao recusar o cargo vitalício de cartorário concretizou-se. Para vivê-la, Fausto Martha Godoy abriu mão da riqueza material que a função lhe traria para acumular uma fortuna incalculável em conhecimento e experiências como cidadão do mundo. A pergunta da jovem turista gaúcha que o abordou mostra o quanto ele estava certo. Ninguém é Fausto Godoy por acaso. Registre-se em cartório.


Nunca foi tão baixo o número de democracias liberais: apenas 34 (Le Monde)

Recesso democrático temporário ou duradouro?

https://www.lemonde.fr/international/article/2022/12/21/le-nombre-de-democraties-liberales-estime-a-seulement-34-n-a-jamais-ete-aussi-bas-depuis-1995_6155234_3210.html

« Le nombre de démocraties libérales, estimé à seulement 34, n’a jamais été aussi bas depuis 1995 »

Chronique
Gilles Paris
Editorialiste
Le Monde, 22/12/2022

Les démocraties libérales sont réduites à faire le dos rond en espérant que s’épuise la vague autoritaire, analyse, dans sa chronique, Gilles Paris, éditorialiste au « Monde ». 
Hier à 05h00, mis à jour hier à 08h16.Lecture 3 min.
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Les défenseurs des normes démocratiques qui se retournent sur l’année écoulée ne peuvent que le constater : cela aurait pu être bien pire. Si l’armée russe s’était révélée aussi modernisée et dominatrice que Vladimir Poutine le professait avec assurance, un pouvoir fantoche serait aujourd’hui installé à Kiev à la place de celui, certes perfectible, qui accompagne l’affermissement dans la guerre d’une nation, et ce pouvoir serait actionné du Kremlin. Il serait aussi légitime que celui d’Alexandre Loukachenko à Minsk, c’est-à-dire qu’il ne représenterait rien des aspirations de son peuple et reposerait exclusivement sur les mêmes ressorts répressifs.

L’Ukraine ne serait plus indépendante, ni souveraine. Il lui serait intimé l’ordre de tourner le dos à l’Europe, alors qu’il s’agit d’une aspiration profonde, à l’origine de la révolution de 2014 à laquelle Vladimir Poutine ne s’est jamais résigné. La contagion autoritaire qui a saisi le monde depuis plus d’une décennie aurait avancé un peu plus. La Géorgie et la Moldavie y seraient plus exposées que jamais. Le discours devenu obsessionnel du Kremlin et de ses épigones d’un déclin irréversible du camp occidental aurait trouvé de nouveaux relais et de nouveaux idiots utiles pour le présenter comme une réalité.

Cela aurait également pu être bien pire, si, aux Etats-Unis, la fièvre de la contestation des résultats électoraux par une partie du camp républicain, lorsque ces derniers lui sont défavorables, n’avait pas reflué lors des élections de mi-mandat, le 8 novembre. Il y avait matière à inquiétude depuis qu’une minorité significative de ce camp justifie désormais le recours à la violence contre le parti adverse.

La mise en garde de Joe Biden à propos de cette dérive, à la veille de ces élections, a cependant rencontré un écho suffisant, y compris de la part d’électeurs républicains modérés. Ces derniers ont en effet refusé de soutenir certains candidats appuyés par Donald Trump, qui prétendaient occuper au niveau des Etats les plus disputés des postes stratégiques dans la perspective de la présidentielle de 2024.

Qual será a postura do governo Lula no tocante à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia? - Paulo Roberto de Almeida

Antecipando a próxima vergonha na frente diplomática: uma escolha consciente de Lula III.

O lado mais escabroso do futuro governo Lula não vai ser sua aliança objetiva com o Centrão e sim sua aliança objetiva com o criminoso de guerra Putin e com os aiatolás assassinos. A diplomacia lulopetista promete retomar o apoio a ditaduras execráveis, mas só às de esquerda.

A tolerância com o Centrão, na frente doméstica, é guiada por critérios incontornáveis de governança: Lula não pode governar apenas com sua base congressual própria. 

A tolerância com a violação da Carta da ONU, com os crimes de guerra continuados sendo perpetrados pelo tirano de Moscou contra a infeliz Ucrânia não é e não será ditada por NENHUMA obrigação externa do Brasil, e seria, como de fato é, contrária ao Direito Internacional e às nossas mais caras tradições de política externa, assim como aos princípios e valores de nossa diplomacia, aliás esculpidos nas cláusulas internacionais da Constituição de 1988. 


Estaremos atentos aos desdobramentos nesse terreno.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 22/12/2022

Five Foreign Policy Stories to Watch in 2023 - Foreign Affairs

Five Foreign Policy Stories to Watch in 2023 

As 2022 comes to a close, here are five foreign policy news stories to follow in the coming year.
Foreign Affairs, December 2022

 Two thousand twenty-two had its fair share of big news stories. The same will be true of 2023. Some of the events that will make the news will surprise. Here are five that won’t. Each of them figures to make headlines in 2023—and to absorb the time and energy of policymakers in the United States and abroad.

1. The War in Ukraine. Many policymakers and experts a year ago dismissed U.S. and British intelligence reports that Russia would invade Ukraine. Almost everyone expected a quick Russian victory if it did. As 2022 ended, Ukraine had not only turned back the Russian military offensive but gained the upper hand in the fighting. Rather than seeking a face-saving diplomatic exit from his grievous miscalculation, Russian President Vladimir doubled down on his brazen aggression by deliberately targeting Ukraine’s civilian infrastructure. The specter of a brutal winter appears not to have shaken Ukrainian resolve. Western support for Ukraine also appears to be holding, even as European publics recoil at the war’s economic fallout. For his part, Putin has suppressed domestic criticism of his war, dashing hopes that his ouster from office might bring peace. So bitter fighting is likely to continue throughout the winter, even if the prospects for significant breakthroughs on the ground seem slim. That could change in the spring, either because Russia launches a new military offensive, perhaps with Belarus’s support, or Ukraine seeks to reclaim Crimea. Major advances on the ground by either side might create space for diplomacy. But such advances could also spur escalation. Putin has not renounced his implicit threat to use nuclear weapons. Meanwhile, fighting in Ukraine will continue to roil global markets, driving up energy prices and heightening food insecurity across the Global South. One sobering possibility is that the world will live under the shadow of the war in Ukraine for years to come.

2. The Axis of the Aggrieved. President Joe Biden came to office insisting that the contest between democracies and autocracies is the defining division in world affairs. Regardless of whether that framing is the best one for U.S. foreign policy, Russia’s invasion of Ukraine has helped solidify what might be called the “axis of the aggrieved”—authoritarian powers that resent U.S. preeminence and Western influence more broadly. On the eve of the 2022 Winter Olympics, Putin and Chinese President Xi Jinping affirmed what they called a “friendship without limits.” While Beijing declined to help Moscow rebuild its depleted weapons stocks as its war in Ukraine faltered, it has failed to criticize the Russian invasion and instead has used its media power to blame the West for the war. North Korea moved closer to both China and Russia, including by selling rockets and artillery to help Moscow sustain its war in Ukraine. Iran similarly deepened its military ties with Russia, first by selling Moscow drones and then by selling other advanced military systems and parts. Whether and how these ties deepen remains an open question. Mutual contempt of the U.S.-dominated world order may not provide the firmest foundation for collaboration. China’s support for Russia’s invasion of Ukraine helps make the Biden administration’s case that U.S. friends and partners should limit China’s rise. Likewise, North Korea’s nuclear weapons program complicates life for Beijing in northeast Asia. And Iran worries that China may find Saudi Arabia a more appealing Middle Eastern partner.

3. Tensions Over Taiwan. President Xi has vowed to reunify what China regards as the wayward province of Taiwan. He has set not forth a timetable for accomplishing this goal, or ruled out using force to achieve it. The U.S. Chief of Naval Operations is among the experts warning that China might invade Taiwan before 2024. On balance, that seems unlikely. Mounting a successful amphibious invasion of an island that sits one hundred miles off the mainland is a daunting task, especially for a military that has not seen significant combat in more than four decades. President Biden has said the United States will defend Taiwan in the event of an attack, even though no treaty obligates it to do so. Washington clearly would prefer not to have make good on that vow. Some war games show the United States losingany fight over Taiwan; others show it winning. Either way, the costs would be ruinous for all involved. But an outright invasion is only one possibility. China could also accelerate “grey-zone activities” that probe Taiwan’s defenses and pressure Taipei. China did just that in retaliation for U.S. House Speaker Nancy Pelosi’s August 2022 visit to Taiwan. The next House Speaker may repeat Pelosi’s visit, which will give Beijing justification to step up pressure on Taiwan. A gradual intensification of Chinese grey-zone activities could present the United States with escalatory dilemmas where the challenge becomes conveying resolve without triggering a clash between Chinese and U.S. forces. A controversy is already brewing in Washington over whether promised military aid is getting to Taiwan fast enough to deter Beijing—or possibly defeat it.

4. Turmoil in Iran. Will the Islamic Republic of Iran still exist on December 31, 2023? The mullahs who have governed Iran for four decades now face the most significant domestic challenge to their rule. The immediate cause of the protests buffeting the regime is the September 2022 death in police custody of Mahsa Amini, a twenty-two-year-old Kurdish-Iranian woman. The reason for her arrest? She wasn’t wearing the required hijab properly. Her death touched a nerve in a country already angry about a stagnant economy, high inequality, government corruption, and growing climate-related challenges. The government has responded to demonstrators chanting “Women, life, freedom!” with more repression. However, shooting some demonstrators in the street and publicly executing others after sham trials has only fueled public opposition. The regime may continue to double down on repression, fearing that conciliatory gestures will just generate more demands. But more repression could also lead the European Union and others to toughen sanctions on Iran. A wild card is the health of eighty-three-year-old Supreme Leader Ali Khamenei. He is rumored to be ill. A leadership change in the midst of nationwide protests could split the regime. The protests have likely extinguished the already dim prospects for reviving the 2015 Iran nuclear deal. Iran blames the United States and Israel for engineering the protests, and the Biden administration isn’t likely to sign any agreements while the regime is shooting protesters in the street. The question preoccupying the White House is whether Iran might try to distract attention from its problems at home by acting more malignly abroad.

5. The Biden Administration’s America First Economic Policy. When 2022 started, geopolitical divisions buffeted the West. European leaders dismissed the Biden administration’s warning that Russia was preparing to invade Ukraine, and experts worried that a Russia attacked limited to the Donbass might split the transatlantic alliance. But Putin ordered a large-scale invasion that united the West in opposition. Despite predictions that Western solidarity would quickly crumble, it held up. But as 2022 ended, a new dividing line emerged between the United States and its closest allies: economic policy. Contrary to the hopes of most U.S. trading partners, President Biden left many of Donald Trump’s tariffs in place. In 2022, the U.S. Congress passed, and Biden signed into law, the Inflation Reduction Act and the CHIPS and Science Act. They subsidized U.S. industries and discriminated against producers outside of North America. French President Emmanuel Macron warned that the two laws might “fragment the West.” Many other U.S. allies were equally scathing in criticizing the U.S. embrace of industrial policy. Biden admitted that the Inflation Reduction Act had “glitches” and spoke of making “tweaks” to the law. However, Congress isn’t likely to revise its handiwork. The Biden administration also banned the export of advanced semiconductor chips and equipment that use U.S. technology to China, forcing U.S. trade partners to choosebetween complying or losing critical export opportunities. The U.S. actions came as the war in Ukraine rocked the European economy. That prompted some leading European officials to complain that Washington was championing the Ukrainian cause only because the U.S. economy was profiting from the fighting.

Sinet Adous and Michelle Kurilla assisted in the preparation of this post.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

O Brasil e a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia - Paulo Roberto de Almeida

 O Brasil e a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia 

Paulo Roberto de Almeida

Sobre a questão mais relevante da atualidade das relações internacionais e suas implicações para o Brasil: a guerra de agressão da Rússia de Putin contra a Ucrânia e os bárbaros crimes de guerra e contra a humanidade que vêm sendo ali cometidos, ademais do crime contra a paz e à segurança internacional, tal como estipulado na Carta da ONU.

Independentemente das relações bilaterais do Brasil com a Ucrânia, enquanto Lula não reconhecer que a Rússia é o ESTADO AGRESSOR e que Putin é um CRIMINOSO DE GUERRA, a diplomacia brasileira não estará à altura de sua alegada fidelidade à Carta da ONU e aos princípios mais elementares do Direito Internacional. 

Este não é um postulado filosófico, mas a expressão mais fundamental dos valores e princípios inscritos nas cláusulas de relações internacionais da Constituição brasileira de 1988, assim como o núcleo essencial das diretrizes seguidas implicitamente pela diplomacia brasileira desde sempre, e explicitamente desde o Barão do Rio Branco pelo menos, passando por Oswaldo Aranha e por San Tiago Dantas.

Não se trata mais de ser falsamente e amoralmente “pragmático”, como na tentativa de justificar a injustificável “solidariedade” com Putin, no passado recente, por algumas toneladas de fertilizantes, ou, numa perspectiva futura, a de defender a parceria no BRICS como base para uma impossível “mediação” ou “bons ofícios” entre as partes (como se elas fossem equivalentes), e sim de defender os mais altos princípios de uma diplomacia comprometida com o Direito, com a Justiça e com o desenvolvimento pacífico das relações internacionais e com a cooperação entre as nações e a solidariedade entre os povos, tal como defendidos explicitamente por Rui Barbosa desde 1916 (e anteriormente em 1907).

Qualquer postura eludindo ou elidindo tais fundamentos morais e políticos da diplomacia brasileira entrará em choque com a prática e a experiência da política externa brasileira, assim como o respeito que ela granjeou na comunidade das nações desde muitas décadas.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 21 de dezembro de 2022

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