sábado, 7 de setembro de 2024

George Gurdjieff e seus 83 conselhos para uma vida melhor - Andre Quintao

Reproduzindo uma postagem de sete anos atrás... 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

George Gurdjieff e seus 83 conselhos para uma vida melhor - Andre Quintao


George Gurdjieff viajou o mundo e deixou 83 conselhos para uma vida mais leve

George Gurdjieff foi um professor, escritor e compositor armênio de grande conhecimento sobre inúmeras questões da vida. Conhecimento esse que ele adquiriu em diversas viagens pela Rússia, Afeganistão, França e outros países. Ensinava filosofia e autoconhecimento profundo. Estes ensinamentos auxilia nossa visão de como se relacionar com o mundo, com as pessoas e internamente com seus próprios desejos. Uma visão clara e sábia sobre viver livremente, mas com responsabilidade sobre si e os outros.
Esses ensinamentos foram reunidos em 83 conselhos dados por Gurdjieff em um livro feito pelo escritor Alejandro Jodorowsky, “O Mestre e os Magos”.
Confira abaixo todos os conselhos do professor Gurdjieff e veja tudo de bom que eles podem trazer e acrescentar à sua vida.
  1. Fixe a atenção em si mesmo, seja consciente em cada instante do que pensa, sente, deseja e faz.
  2. Termine sempre o que começar.
  3. Faça o que estiver fazendo da melhor maneira possível.
  4. Não se prenda a nada que com o tempo venha a te destruir.
  5. Desenvolva sua generosidade sem testemunhas.
  6. Trate cada pessoa como um parente próximo.
  7. Arrume o que desarrumou.
  8. Aprenda a receber, agradeça cada dom.
  9. Pare de se autodefinir.
  10. Não minta, nem roube, pois estarás mentindo e roubando a si mesmo.
  11. Ajuda seu próximo sem deixá-lo dependente.
  12. Não deseje que te imitem.
  13. Faça planos de trabalho e cumpra-os.
  14. Não ocupe muito espaço.
  15. Não faças ruídos nem gestos desnecessários.
  16. Se não têm fé, finja ter.
  17. Não se deixe impressionar por personalidades fortes.
  18. Não te apropries de nada nem de ninguém.
  19. Divida de maneira justa.
  20. Não seduza.
  21. Coma e durma estritamente o necessário.
  22. Não fale de seus problemas pessoais.
  23. Não emita juízos nem críticas quando desconhece a maior parte dos fatos.
  24. Não estabeleça amizades inúteis.
  25. Não siga modas.
  26. Não se venda.
  27. Respeite os contratos que firmaste.
  28. Seja pontual.
  29. Não inveje os bens ou o sucesso do próximo.
  30. Fale só o necessário.
  31. Não pense nos benefícios que virão da tua obra.
  32. Nunca faça ameaças.
  33. Realize suas promessas.
  34. Coloque-se no lugar do outro em uma discussão.
  35. Admita que alguém te supera.
  36. Não elimine, mas transforme.
  37. Vença seus medos, cada um deles é um desejo camuflado.
  38. Ajude o outro a ajudar-se a si mesmo.
  39. Vença suas antipatias e aproxime-se das pessoas que você deseja rejeitar.
  40. Não reaja ao que digam de bom ou mau sobre você.
  41. Transforme seu orgulho em dignidade.
  42. Transforme sua cólera em criatividade.
  43. Transforme sua avareza em respeito pela beleza.
  44. Transforme sua inveja em admiração pelos valores do outro.
  45. Transforme seu ódio em caridade.
  46. Não se vanglorie nem se insulte.
  47. Trate o que não te pertence como se te pertencesse.
  48. Não se queixe.
  49. Desenvolva a sua imaginação.
  50. Não dê ordens só pelo prazer de ser obedecido.
  51. Pague pelos serviços que te prestam.
  52. Não faça propaganda de suas obras ou ideias.
  53. Não tente despertar, nos outros em relação a você, emoções como piedade, admiração, simpatia, cumplicidade.
  54. Não tente chamar a atenção pela sua aparência.
  55. Nunca contradiga, apenas cale-se.
  56. Não contraia dívidas. Compre e pague em seguida.
  57. Se ofender alguém, peça desculpas.
  58. Se ofender alguém publicamente, peça perdão publicamente também.
  59. Se perceber que falou algo errado, não insista no erro por orgulho e desista imediatamente dos seus propósitos.
  60.  Não defenda suas ideias antigas só pelo fato de ter sido você quem as enunciou.
  61. Não conserve objetos inúteis.
  62. Não se enfeite com as ideias alheias.
  63. Não tire fotos com personagens famosos.
  64. Não preste contas a ninguém, seja o seu próprio juiz.
  65. Nunca se defina pelo o que possui.
  66. Nunca fale de você sem conceder-se a possibilidade de mudança.
  67. Aceita que nada é teu.
  68. Quando pedirem a sua opinião sobre alguém, fale somente de suas qualidades.
  69. Quando você ficar doente, em lugar de odiar esse mal, considere-o como seu mestre.
  70. Não olhe dissimuladamente, olhe fixamente.
  71. Não esqueça seus mortos, mas dê a eles um lugar limitado que lhes impeça de invadir a sua vida.
  72. Em sua casa, reserve sempre um espaço ao sagrado.
  73. Quando você realizar um serviço, não ressalte seus esforços.
  74. Se decidir trabalhar para alguém, trate de fazer com prazer.
  75. Se você tem dúvida entre fazer ou não fazer, arrisque-se e faça.
  76. Não queira ser tudo para teu cônjuge; admita que busque em outros o que você não pode dar.
  77. Quando alguém tenha seu público, não tente contradizê-lo e roubar-lhe a audiência.
  78. Viva dos seus próprios ganhos.
  79. Não se vanglorie por aventuras amorosas.
  80. Não exalte as suas fraquezas.
  81. Nunca visite alguém só para preencher o seu tempo.
  82. Obtenha para repartir.
  83. Se você está meditando e um diabo se aproxima, coloque-o para meditar também.
Conheça mais George Gurdjieff no Wikipédia

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

O prazer intelectual como objetivo de vida (2016) - Paulo Roberto de Almeida

 

sábado, 8 de outubro de 2016

Mini-reflexão sobre o significado da satisfação intelectual como objetivo de vida

O prazer intelectual como objetivo de vida

Paulo Roberto de Almeida
 [Mini-reflexão sobre minhas preferências em matéria de hobby e conduta.] 

Eu venho de uma família bem mais pobre do que a condição social de grande parte dos brasileiros da atualidade: meus pais não tinham sequer primário completo, sem qualquer profissão definida, pois meu pai era motorista e minha mãe lavava roupa para fora para o sustento da família. Eu também passei a trabalhar desde muito cedo na vida. A grande diferença em minha vida e formação foi a de que eu residia próximo a uma biblioteca infantil, que comecei a frequentar ainda antes de aprender a ler. Foi o que me permitiu ascender na vida por meus próprios esforços, estudando em escola pública e trabalhando desde criança, e por isso mesmo estudando de noite, lendo no ônibus ou em qualquer lugar. Eu me fiz por minhas leituras e por meu trabalho, mas nunca pensei em ganhar dinheiro ou ficar rico, e sim em ter prazer intelectual pela leitura, e através do estudo, que resumem todos os meus objetivos de vida.
O que se puder fazer para estimular o gosto, e mesmo a necessidade da leitura, constante, regular, intensa, dos bons livros, nos jovens, nos nossos filhos e netos, é um empreendimento meritório em si, e digno de ser levado adiante, em quaisquer circunstâncias, em qualquer tempo e lugar. Não tenho nenhuma outra recomendação a fazer senão esta, muito simples na verdade: o estímulo ao estudo, à leitura, a reflexão própria, a produção intelectual, a promoção do saber, pelo saber em si, não necessariamente por qualquer outro objetivo. 
Ajudou-me, nessa trajetória individual de ascensão social, que pode ser considerada exitosa -- uma vez que hoje faço parte de um grupo considerado de elite dentro do funcionalismo público, o dos diplomatas -- justamente o fato de ter podido, por mérito e esforço próprios, ingressar por concurso, ou por seleção pelo talento, a profissões, na academia e na diplomacia, que me são amplamente gratificantes, no plano puramente intelectual, do ponto de vista do que mais prezo na vida, e que nunca foi o dinheiro, a riqueza ou o conforto material, e sim o prazer intelectual, a satisfação espiritual, a realização pessoal, que é a de viver num mundo de livros, de saber, de conhecimento, para mim, se possível ajudando outros a ter o mesmo tipo de perspectiva na vida.
Contribuiu também enormemente para isso o fato de ter encontrado alguém, Carmen Lícia, minha mulher, que também mantém, e exerce intensamente, o mesmo gosto pela leitura, pelas viagens, pelas descobertas intelectuais, pelo prazer de ter conhecimento das coisas. Fui gratificado por essa circunstância, que se não é excepcional, no sentido de ser exclusiva, constitui pelo menos uma condição essencial para uma vida de satisfação intelectual.

Paulo Roberto de Almeida 
Brasília, 8 de outubro de 2016

PS.: Se, um dia, eu resolver escrever minhas memórias (eu não tenho muito o que contar no plano das atividades públicas), elas serão basicamente intelectuais, ou seja, falando de livros, de ideias, de teorias, de conhecimento, e das ideologias, das falsas ideias e dos equívocos conceituais que muito fizeram por afundar o Brasil (e boa parte da América Latina), nestas décadas e décadas de frustração com a roubalheira, a incompetência, o atraso, a desigualdade, a miséria intelectual de nosso continente.

"Reagan Didn’t Win the Cold War - How a Myth About the Collapse of the Soviet Union Leads Republicans Astray on China" - Max Boot (Foreign Affairs)

 "Reagan Didn’t Win the Cold War - How a Myth About the Collapse of the Soviet Union Leads Republicans Astray on China"

Max Boot

Foreign Affairs, september 2924

 

...To be sure, there is a superficial allure to the thesis that Reagan brought down the Soviet Union and won the Cold War, because Reagan sometimes spoke of doing just that.

... As the journalist Fareed Zakaria has noted, the Soviet economy accounted for roughly 7.5 percent of global GDP at its peak; China today makes up about 20 percent of global GDP. There are no policies that the United States can plausibly implement that will “defeat” China—it is hard to know what “defeating China” even means. It is easy, however, to imagine that unrelentingly hard-line policies from both the United States and China could raise the risk of a nuclear war.

 

 

Reagan Didn’t Win the Cold War

How a Myth About the Collapse of the Soviet Union Leads Republicans Astray on China

By Max Boot

September 6, 2024

 

U.S. President Ronald Reagan addressing a news conference in Washington, D.C., October, 1983

Mal Langsdon / Reuters

 

 

When Republicans strategize about how to deal with China today, many of them point to President Ronald Reagan’s confrontational approach toward the Soviet Union as a model to emulate. H. R. McMaster, who served as national security adviser under President Donald Trump, argued: “Reagan had a clear strategy for victory in the global contest with the Soviet Union. Reagan’s approach—applying intensive economic and military pressure to a superpower adversary—became foundational to American strategic thinking. It hastened the end of Soviet power and promoted a peaceful conclusion to the multi-decade Cold War.” A trio of conservative foreign policy experts—Randy Schriver, Dan Blumenthal, and Josh Young—made the case that the next president “should draw upon the example of former President Ronald Reagan in taking hold of China policy,” citing “the intent to win the Cold War against the Soviet Union” that “permeated” Reagan-era national security documents. And in Foreign Affairs, Trump’s former deputy national security adviser Matt Pottinger and the former Republican representative Mike Gallagher cited Reagan to argue that “the United States shouldn’t manage the competition with China; it should win it.”

I would have been more sympathetic to these prescriptions before I spent a decade researching Reagan’s life and legacy—uncovering a historical record that is sharply at odds with the legends that have come to surround the 40th president. One of the biggest such myths is that Reagan had a plan to bring down the “evil empire” and that it was his pressure that led to U.S. victory in the Cold War. In reality, the end of the Cold War and the fall of the Soviet Union were primarily the work of Soviet leader Mikhail Gorbachev—two consequences of his radically reformist policies (the former intended, the latter unintended). Reagan deserves tremendous credit for understanding that Gorbachev was a different kind of communist leader, someone he could do business with and thereby negotiate a peaceful end to a 40-year conflict. But Reagan did not bring about Gorbachev’s reforms, much less force the collapse of the Soviet Union. To imagine otherwise is to create dangerous and unrealistic expectations for what U.S. policy toward China can achieve today.

WHAT REAGAN REALLY DID

To be sure, there is a superficial allure to the thesis that Reagan brought down the Soviet Union and won the Cold War, because Reagan sometimes spoke of doing just that. Richard Allen, Reagan’s first national security adviser, recounted to me a conversation that he had with the former governor in 1977 as he was preparing for his 1980 presidential campaign. “Do you mind if I tell you my theory of the Cold War?” Reagan said. “My theory is that we win, they lose. What do you think about that?”

Once in office, Reagan raised defense spending—he undertook the largest peacetime military buildup in U.S. history—and launched the Strategic Defense Initiative to create a “space shield” against nuclear missiles. He also provided arms to anticommunist insurgents in Afghanistan, Angola, and Nicaragua, along with secret, nonlethal assistance to the Solidarity movement in Poland. Reagan often talked tough about the Soviet Union and forthrightly called out its egregious human rights abuses. In 1982, he prophesied that “the march of freedom and democracy” would “leave Marxism-Leninism on the ash heap of history.” In a 1983 speech, he labeled the Soviet Union “the focus of evil in the modern world.”

The most compelling evidence to suggest that Reagan had a strategy to defeat the Soviet Union—cited by advocates of a get-tough approach to China today—is a pair of now declassified national security decision directives issued in 1982 and 1983 by Reagan’s national security adviser, William Clark. NSDD 32 called on the United States to “discourage Soviet adventurism” by “forcing the USSR to bear the brunt of its economic shortcomings, and to encourage long-term liberalizing and nationalist tendencies within the Soviet Union and allied countries.” NSDD 75 further elaborated on the need “to promote, within the narrow limits available to us, the process of change in the Soviet Union toward a more pluralistic political and economic system in which the power of the privileged ruling elite is gradually reduced.”

It is easy to draw a direct connection between the policies enunciated in NSDDs 32 and 75 and the epochal events that followed just a few years later and culminated in the end of the Cold War. Indeed, Clark’s admiring biographers, Paul Kengor and Patricia Clark Doerner, called the policies “the directives that won the Cold War.”

THE CONFLICT WITHIN

Reality, however, is a lot messier than this simplistic story line. “It’s tempting to go back and say, ‘You know, we had this great strategy and we had all these things figured out,’ but I don’t think that’s accurate,” Reagan’s secretary of state George Shultz told me. “What is accurate was that there was a general ‘peace through strength’ attitude.”

Indeed, accounts that focus only on Reagan’s get-tough approach to the Soviet Union during his first term miss a big part of the picture. Reagan’s approach toward the Soviet Union was neither consistently tough nor consistently conciliatory. Instead, his foreign policy was an often baffling combination of hawkish and dovish approaches based on his own conflicting instincts and the clashing advice he received from hard-line aides such as Clark, Secretary of Defense Caspar Weinberger, and CIA Director William Casey and more pragmatic advisers such as Shultz and national security advisers Robert McFarlane, Frank Carlucci, and Colin Powell.

In dealing with the Soviets, Reagan was constantly torn between two opposing images. On the one hand, there was the human suffering behind the Iron Curtain: after an emotional Oval Office meeting on May 28, 1981, with Yosef Mendelevich, a recently released political prisoner, and Avital Sharansky, the wife of the imprisoned Soviet dissident Natan Sharansky, Reagan wrote in his diary: “D—n those inhuman monsters. [Sharansky] is said to be down to 100 lbs. & very ill. I promised I’d do everything I could to obtain his release & I will.” On the other hand, there was the specter of nuclear destruction if the U.S.-Soviet confrontation spun out of control. This danger was brought home to Reagan by a nuclear war game, code-named Ivy League, on March 1, 1982. While Reagan watched from the White House Situation Room, the entire map of the United States turned red to simulate the impact of Soviet nuclear strikes. “He looked on in stunned disbelief,” the National Security Council staffer Tom Reed noted. “In less than an hour President Reagan had seen the United States of America disappear. . . . It was a sobering experience.” Reagan’s policy toward the Soviet Union was thus far less consistent than most of his admirers would admit. Although his meetings with Soviet dissidents pushed him toward confrontation, his knowledge of what a nuclear war would entail tempered him toward cooperation.

Reagan did not bring about Gorbachev’s reforms, much less force the collapse of the Soviet Union.

While many Reagan fans have suggested that NSDD 32 and 75 amounted to a declaration of economic warfare against the Soviet Union, Reagan repeatedly acted to reduce economic pressure on Moscow. In early 1981, he lifted the grain embargo that President Jimmy Carter had imposed the previous year in response to the Soviet invasion of Afghanistan. When a Soviet-backed regime declared martial law in Poland in December 1981, Reagan imposed tough sanctions on the construction of a Siberian gas pipeline to Western Europe before lifting them the following November in response to opposition from European allies. Hawks were frustrated by the president’s willingness to renounce one of the United States’ most powerful economic instruments without getting any concessions in return. Writing in The New York Times in May 1982, the editor of Commentary, Norman Podhoretz, aired these frustrations under the headline “The Neo-Conservative Anguish Over Reagan’s Foreign Policy.” Podhoretz complained that Reagan’s reaction to the imposition of martial law in Poland was even weaker than Carter’s reaction to the 1979 invasion of Afghanistan: “One remembers easily enough that Carter instituted a grain embargo and a boycott of the Moscow Olympics, but one is hard-pressed even to remember what the Reagan sanctions were.”

Conservatives would have been even more horrified if they had known that Reagan was secretly reaching out to the Kremlin at the time. In April 1981, Reagan sent a sentimental handwritten note to Soviet leader Leonid Brezhnev professing his desire for “meaningful and constructive dialogue which will assist us in fulfilling our joint obligation to find lasting peace,” and in March 1983, two days after calling the Soviet Union an “evil empire,” the president privately told Shultz to maintain lines of dialogue with the Soviet ambassador, Anatoly Dobrynin. Indeed, Reagan hoped to meet with a Soviet leader from the start of his presidency and lamented during his first term that Soviet leaders “keep dying on me.”

Many admirers now give Reagan credit for a calculated strategy that combined pressure and conciliation, but this approach bore little fruit in his first term, instead baffling Soviet leaders: “In his mind such incompatibilities could coexist in perfect harmony, but Moscow regarded such behavior at that time as a sign of deliberate duplicity and hostility,” Dobrynin wrote in his 1995 memoir.

In 1983, a series of escalating crises—including the Soviet shootdown of a Korean civilian airliner, a false Soviet alert of a U.S. missile launch, and a NATO war game (code-named Able Archer) that some Soviet officials saw as a cover for a preemptive U.S. attack—raised the fears of nuclear war to their highest levels since the 1962 Cuban missile crisis. Realizing that the risk of Armageddon was very real, Reagan consciously dialed back his hawkishness. In January 1984, he delivered a conciliatory speech in which he spoke of how much the typical Soviet citizens “Ivan and Anya” had in common with the typical Americans “Jim and Sally” and promised to work with the Kremlin to “strengthen peace” and “reduce the level of arms.”

The problem was that Reagan had no partner for peace at the time: during his first term, the Soviet Union was successively led by the elderly hard-liners Leonid Brezhnev, Yuri Andropov, and Konstantin Chernenko. Only when Chernenko died in March 1985 did Reagan finally find a Soviet leader he could work with in Gorbachev, a true “black swan” who rose to the top of a totalitarian system only to dismantle it.

THE UNEXPECTED COLLAPSE

Those who argue that Reagan brought down the “evil empire” usually focus on Gorbachev’s ascension as the turning point, crediting the U.S. president and his defense buildup with the selection of a reformer as general secretary of the Soviet Communist Party. The problem with this theory is that no one in early 1985—not even Gorbachev himself—knew how radical a reformer he would turn out to be. If his colleagues on the Politburo had known, they likely would not have selected him. They had no desire for the Soviet empire, or their own power and privileges, to end.

Gorbachev did not want to reform the Soviet system in order to compete more effectively with the Reagan defense buildup. In fact, it was the opposite. He genuinely worried about the dangers of nuclear war, and he was appalled by how much money the Soviet Union was spending on its military-industrial complex: an estimated 20 percent of GDP and 40 percent of the state budget.

This was not a reflection of a Reagan-induced crisis that threatened the bankruptcy of the Soviet Union but rather a product of Gorbachev’s own humane instincts. As the historian Chris Miller has argued, “When Gorbachev became general secretary in 1985, the Soviet economy was wasteful and poorly managed, but it was not in crisis.” The Soviet regime, having survived Stalinist terror, famine, and industrialization, as well as World War II and de-Stalinization, could have survived the stagnation of the mid-1980s as other, poorer communist regimes such as China, Cuba, North Korea, and Vietnam did.

There was nothing inevitable about the Soviet collapse, and it was not the product of Reagan’s efforts to spend more on the military and to curb Soviet expansionism abroad. It was the unanticipated and unintended consequence of the increasingly radical reforms implemented by Gorbachev, namely glasnost and perestroika, over the objections of more conservative comrades who finally tried to overthrow him in 1991. The Soviet Union broke up not because it was economically bankrupt but because Gorbachev recognized that it was morally bankrupt and he refused to hold it together by force. If any other member of the Politburo had taken power in 1985, the Soviet Union might still exist and the Berlin Wall might still stand, just as the demilitarized zone still divides North Korea from South Korea. Although he did not induce Gorbachev’s reforms, Reagan deserves credit for working with the Soviet leader at a time when most conservatives warned that the president was being hoodwinked by a wily communist.

Reagan and Gorbachev hardly saw eye to eye on everything. They clashed over human rights in the Soviet Union and Reagan’s beloved Strategic Defense Initiative. But despite temporary setbacks, the two leaders signed the first arms control accord to abolish an entire class of nuclear weapons, the Intermediate-Range Nuclear Forces Treaty, in Washington in 1987, and in 1988 the Reagans traveled to Moscow. During the visit, as the two leaders strolled through Red Square, Sam Donaldson of ABC News asked Reagan, “Do you still think you’re in an evil empire, Mr. President?” “No,” Reagan replied. “I was talking about another time and another era.”

PRESSURE DOESN’T MAKE PEACE

There is little evidence that pressure on the Soviet Union in Reagan’s first term made the Soviets more willing to negotiate, but there is a good deal of evidence that his pivot toward cooperation with Gorbachev in his second term allowed the new Soviet leader to transform his country and end the Cold War. Yet many conservatives conflate Reagan’s second-term success with his first-term failures, applying the wrong policy lessons to relations with communist China today.

Ramping up confrontation with Beijing regardless of the consequences risks a repeat of the war scares that brought the world to the brink of catastrophe in 1983, and such a strategy has even less of a chance of success today. Even if it was not on the verge of bankruptcy, the Soviet Union’s economy was weak in the 1980s, thanks to communist central planning and a fall in world oil prices. China, on the other hand, has successfully combined free-market economics and political repression to become the world’s second largest economy. As the journalist Fareed Zakaria has noted, the Soviet economy accounted for roughly 7.5 percent of global GDP at its peak; China today makes up about 20 percent of global GDP. There are no policies that the United States can plausibly implement that will “defeat” China—it is hard to know what “defeating China” even means. It is easy, however, to imagine that unrelentingly hard-line policies from both the United States and China could raise the risk of a nuclear war.

The United States should continue to contain and deter Chinese aggression, limit the export of sensitive technology, and support human rights in China while still engaging in dialogue with Chinese leaders to lessen the risk of war. This was the prudent approach to the Soviet Union that U.S. presidents of both parties adopted during the Cold War. But Washingtonshould not imagine that it can transform China. Only the Chinese people can do that. Today’s confrontation with China can only end if Chinese leader Xi Jinping is succeeded by a true reformer in the Gorbachev mold. Unless that long-shot scenario comes to pass, pursuing a one-sided caricature of Reagan’s policy toward the Soviet Union is likely to make the world a more dangerous place.

 

  • MAX BOOT is Jeane J. Kirkpatrick Senior Fellow for National Security Studies at the Council on Foreign Relations and the author of Reagan: His Life and Legend.

A Review of Divino e infame. Las identidades de Rubén Darío, by Luís Cláudio Villafañe - reviewed by Alejandro Quintero Mächler (Harvard LA Studies)

A Review of Divino e infame. Las identidades de Rubén Darío

by  | 

Harvard Review of Latin American Studies, Sep 4, 2024

Fresh insight into seemingly exhausted topics often comes from unexpected places. Luís Cláudio Villafañe’s biographical account of Nicaraguan poet Rubén Darío (1867-1916), one of Latin America’s most influential and well-known artists, may serve as an illuminating case in point.  

Instead of enlarging the already incommensurable literature on the subject with a specialized monograph or yet another mythologizing account, Villafañe chose to gather, digest and put in order all the existing material on the so-called “Prince of Spanish Letters” and produce a concise, much-needed retelling of his extraordinary life and times. This, in itself, is no small feat: while academic insight on the poet continues to grow apace, the most authoritative biography to date, Edelberto Torres Espinoza’s 1952 La dramática vida de Rubén Darío, has undergone eight successive editions and currently surpasses the 800 pages in length. The Nicaraguan’s life story, in short, had become a monstrous, barely legible tale, and so a synthetizing effort seems more urgent than ever.

Divino e infame. Las identidades de Rubén Darío by Luís Cláudio Villafañe G. Santos (Taurus, 2023, 371 pages)

Villafañe’s Divino e infame. Las identidades de Rubén Darío offers exactly that, and much more. A Brazilian diplomat and historian, his “fortuitous” encounter with Darío was made possible by his appointment as ambassador to Nicaragua in 2017. For Villafañe, the experience was nothing short of transformative: apart from discovering Darío’s true stature as a groundbreaking modern artist, responsible for revolutionizing the Spanish language, he was surprised to learn that the poet had visited Brazil not only once, but twice in his lifetime. Such an unanticipated revelation prompted Yo Pan-Americanicé: Rubén Darío en Brasil (2018), in which Villafañe explored a sort of bygone, inverted mirror-image of himself: that of a Nicaraguan arriving in the recently post-imperial republic of the United States of Brazil, first in 1906, afterwards in 1912.  

This is, precisely, the sort of playful foreign gaze that pervades Divino e infame. Written by someone who did not grow under the blinding halo of Darío’s mythos, the book not only manages to bridge the Portuguese-Spanish divide, still prevalent in Latin America, but also to complicate further what has been, perhaps, a too unidimensional image of the poet. 

The first chapter excepted, the book adheres to a strict chronological order. Yet more than a shortcoming, this straightforward structure manages to illuminate what a thematic arrangement cannot: the unpredictable, chaotic, day-to-day unfolding of a life, in itself devoid of any ultimate meaning. And if this is true of any human existence, it is definitely more so with respect to Darío’s, which was particularly restless. From 1867, when he was born in Metapa, Nicaragua, to his premature passing in 1916, at the young age of 49, the poet had few moments of sedentary rest: besides living at one time or another in El Salvador, Chile, Argentina, Guatemala, Spain and France, he traveled widely across America and Europe.  

Far from avoiding the constant interruptions that such a transatlantic, nomad existence can inflict on any semblance of narrative flow, Villafañe seems to revel in its haphazardness, emphasizing Darío’s cosmopolitanism, his globetrotting uprootedness. His life, his many lives, cannot be circumscribed to a single nation, not even to a single continent ¾in this sense, a chronological table and a name index would have been a welcome addition to the book. 

As Villafañe showcases, the extent of Darío’s travels —not uncommon in the wandering careers of many writers then— reflects the peculiar position of the Latin American artist at the turn of the century, an era characterized by encroaching imperialism, accelerating means of transportation and a denser, world-wide circulation of goods. To any aspiring poet such as Darío, hailing from a poor, small country lacking in robust cultural institutions, the intensification of what we now call globalization entailed unheard-of difficulties, on the one hand, but also a whole array of novel opportunities, on the other.  

Faced with the precarity of his vocation, the Nicaraguan quickly understood that his success would depend on his ability to augment and diversify his output, cater to an increasingly international audience and, above all, secure the sponsorship of the powerful. In addition to the sporadic stipends provided by literary magazines and events, he procured a stable income as a contributor to what was, back then, Latin America’s leading newspaper: Buenos Aires’ La Nación. From 1889 to 1915, he sent to the latter close to 700 chronicles (crónicas), a genre assiduously cultivated by foreign-based modernistas and eagerly consumed by the readership at home, hungry for the latest European novelties and fashionable trends. Furthermore, Darío took special care to ensure his audience a constant flow of publications, frequently recycling old material or occasionally turning to ghostwriters.  

The trade also entailed, however, brokering multiple quid pro quo deals, as implicit as they were ubiquitous. More specifically, artists were expected to shrewdly exploit or at the very least navigate the intimate albeit unstable entanglements between art and politics. In Divino e infame, we see the Nicaraguan spend most of his time “looking for a patron,” engaging in “shameless adulation” and acting as a “courtesan poet,” always in search of “the fantasy of diplomatic sinecure.” And although he was repeatedly appointed as consul and chargé d’affaires, well-paid posts in which his overall performance was usually found wanting —Villafañe is unsparing in his evaluation of Darío’s diplomatic capabilities, given his own experience in the field—, they invariably came with strings attached. Political and ideological subservience was one of them, augmenting the patron’s image yet seriously damaging the poet’s public persona: in 1906, for example, Darío caused a continental outrage when he composed “Salutación al águila,” a poem that went against all he had formerly preached against U.S. imperialism. It was not an isolated case, for he was aware that such pleading obsequiousness, paired with a knack for self-promotion, opened many doors and “guaranteed his social position.”  

Questionable as it may seem, this shifting behavior was actually incentivized by the era’s political instability, a volatile mix of abrupt regime changes and growing U.S. interventionism. Villafañe accurately fleshes out how Darío was caught in a dense web of conflicting and often irreconcilable dualisms: in Central America, “nationalism” collided with “unionism”; at the continental stage, “Latinamericanism” resisted “Panamericanism”; and at a higher, transatlantic level, “Hispanism” ballooned in the aftermath of the 1898 Spanish-American War. Darío, there is no doubt about it, was one of the most enthusiastic promoters of “Latin America,” however problematic that essentialist idea may be. But it is no less true that he saw these identitarian themes as rhetorical tools that he could wield to ingratiate himself, if need be, with whomever was in charge.  

In the end, Darío’s opportunism qualified his own notions about art, which he regarded as emancipated and “essentially aristocratic.” This was the same man who confessed that “I was born to be Heliogabalus’ secretary” and once extolled none other than Theodore Roosevelt, of “big stick” fame, for his patronage policies. Few artists encapsulated so well the persistent incongruity between the lofty aspirations of art for art’s sake and its worldly, material conditions of possibility.  

All of the above leads straight to the mystery at the heart of this book: that of Darío’s own identity or, to quote the subtitle, various “identities,” layers upon layers of them. And Villafañe, who bathes the poet in chiaroscuro, does not shirk from delving into his darker side: the incurable alcoholism, which harmed his reputation, hurt his artistic capabilities and sent him with cirrhosis to an early grave; the repetitive mistreatment of women and the indifference towards some of his children; finally, the unending obsession with luxury, money and “pomp and grandeur,” which impelled him to pile up debt after debt in pursuance of “bourgeois prosperity” and a “good social position.” Many witnesses recognized in him the type of the social upstart or what the French called, rather derisively, a “rastaquouère,” the Latin American arriviste par excellence. But he was also shy, susceptible to external influence, pathologically afraid of the dark —he slept with the lights on—, prone to occultism and religious fits, and physically unattractive, being small and somewhat stocky. Ultimately, Villafañe reminds us, “there is no ‘true’ Rubén Darío” (355), only a baffling aggregate of contradictions. 

Famous figures tend to lose sight of themselves as their legend grows and expands. In his final years, Darío felt hopelessly deracinated, consumed by “an overwhelming solitude,” as if he belonged nowhere and to no one in particular: “everyone has a homeland, a family, a relative,” he wrote in 1913, “I have nothing.” And yet all sorts of interests, as so often happens, claimed him as their own after his death. Villafañe’s merit consists in clearing away these cumulative distortions and offering us an unprejudiced, historically informed portrait of the “liberator” of modern Spanish literature, to use Borges’ words. If one misses a more thorough analysis of his poetic oeuvre, it is only because Darío’s personality, and the backdrop against which it unfolded, invite us to re-assess it once again.   

 

Alejandro Quintero Mächler is a Research Scholar and half-time Lecturer in the Department of Romance Languages and Literatures at Harvard University.  He is the author of Perder la cabeza en el siglo XIX. Ensayos sobre historia de Colombia e Hispanoamérica (2023). 

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Relatório de Atividades como Diretor do IPRI de 2016 a 2018 - Paulo Roberto de Almeida

 No final de 2018, após o anúncio do resultado das eleições presidenciais e da escolha do novo chanceler designado pelo futuro chefe de Estado, eu já sabia que seria demitido de meu cargo de Diretor do IPRI do Itamaraty na primeira oportunidade em 2019, preparei um relatório detalhado de todas as atividades realizadas sob minha coordenação entre meados de 2016 e o final de 2018.

Nele eu agradecia em primeiro lugar a meus colaboradores no IPRI, em primeiro lugar o Conselheiro Marco Túlio Scarpelli Cabral, encarregado da coordenação, depois o Ministro Antonio Mesplé, que mesmo não lotado formalmente na Funag, colaborou intensamente em todos os eventos e publicações realizados naquele período.

Eis a ficha do relatório:

3383. “Relatório de Atividades como Diretor do IPRI de 2016 a 2018”, Brasília, 24 dezembro 2018, 27 p. Organizado segundo o modelo próprio, usando dados do modelo adotado no IPRI, eliminando alguns eventos, incluindo outros. Total de eventos: 2016=38; 2017=74; 2018=102; total=214. Disponibilizado na plataforma Research Gate (DOI: 10.13140/RG.2.2.11298.89288; link: https://www.researchgate.net/publication/329905640_Relatorio_de_Atividades_Gestao_do_diretor_do_IPRI_Paulo_Roberto_de_Almeida) e em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/s/e66d6c1639/relatorio-do-ipri-diretor-paulo-roberto-de-almeida-2016-2018); anunciado no blog Diplomatizzando (25/12/2018; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2018/12/ipri-meu-relatorio-de-atividades-2016.html).

Eis a introdução: 

INSTITUTO DE PESQUISA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

http://funag.gov.br/ipri/

Relatório de Atividades

Gestão do diretor Paulo Roberto de Almeida

Coordenador de estudos e pesquisas: Marco Tulio Scarpelli Cabral

3 de agosto de 2016 a 19 de dezembro de 2018


Índice:

 

1. Introdução e sumário das atividades pelo diretor do IPRI 

2. Apresentação do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais – IPRI 

3. Atividades em 2016  

     (A) Diálogos Internacionais; (B) Relações Internacionais em Pauta; (C) Outros eventos

4. Atividades em 2017 

(A) Percursos Diplomáticos; (B) Diálogos Internacionais; (C) Outros eventos

5. Atividades em 2018 

     (A) Percursos Diplomáticos; (B) Diálogos Internacionais; (C) Outros eventos

6. Publicações do IPRI e colaboração a publicações da Funag 

7. Participação do diretor do IPRI em eventos externos, de agosto de 2016 a dezembro de 2018

    Totalização dos eventos  

    Anexo: gráficos selecionados sobre os eventos, inscrições e comparecimento   

 

Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais: página institucional:

http://www.funag.gov.br/ipri/index.php/o-ipri

1. Introdução e sumário das atividades pelo diretor do IPRI

            Minha gestão no IPRI teve início formal em agosto de 2016, a despeito de alguma colaboração informal desde o início desse ano. Cabe registrar, antes de tudo, que o IPRI não possui personalidade jurídica, não detém qualquer autonomia operacional, e não possui orçamento próprio, dependendo para todas as suas atividades do apoio e do provimento de recursos da Funag. Foi minha invariável e constante orientação, mantida ao longo dos últimos dois anos e meio, realizar projetos e eventos ao menor custo possível, se possível sem qualquer custo para a Funag, de forma a poder ampliar o volume e a diversidade de atividades realizadas ao longo do período. Deve-se reconhecer, especialmente, que, ao comparar o relatório das atividades em cada período com os projetos listados ao início de cada ano, o resultado é nitidamente superior ao projetado inicialmente. Ao final deste relatório são apresentados alguns gráficos relativos ao desempenho do IPRI, em volume não necessariamente concordante com sua repartição anual nas primeiras seções deste documento.

Nos cinco meses restantes de 2016, o IPRI realizou nove eventos sob o formato de “Diálogos Internacionais”, sete novos eventos na série “Relações Internacionais em Pauta” (na continuidade de iniciativa criada anteriormente, mas suspensa a partir de 2017, devido a problemas de custos), ademais de atividades diversas, de interesse da Funag. No primeiro semestre do ano, registro a organização de um seminário, de uma exposição e de um livro, comemorativos dos 200 anos de nascimento do patrono da historiografia brasileira, Francisco Adolfo de Varnhagen, e feitos em caráter voluntário, sem qualquer vínculo formal com o Instituto.

            Em 2017, o IPRI organizou seis eventos na série “Percursos Diplomáticos”, em cooperação com o Instituto Rio Branco, 24 eventos da série “Diálogos Internacionais”, 13 seminários e encontros de natureza acadêmica no próprio Itamaraty, não considerando aqui eventos externos, dos quais participei como o diretor do IPRI ou a título individual. No decorrer do ano organizei pessoalmente ou colaborei com um livro sobre Roberto Campos (publicado externamente), de uma antologia de textos de Oswaldo Aranha e de várias outras publicações, inclusive uma sobre o embaixador Souza Dantas. 

            Em 2018, o IPRI organizou oito eventos na série “Percursos Diplomáticos”, em cooperação com o Instituto Rio Branco; 56 eventos da série “Diálogos Internacionais”, em diferentes formatos, sendo alguns de natureza reservada, dada a sensibilidade dos temas tratados. Registre-se, ademais, cerca de onze seminários e outros encontros de natureza acadêmica no próprio Itamaraty, embora alguns eventos externos ao Itamaraty, no Brasil ou no exterior, possam ser enquadrados na categoria institucional, mais do que convites a título individual. 

            Na área de publicações, o IPRI deu continuidade à edição da revista semestral do IPRI, os Cadernos de Política Exterior, bem como prestou sua colaboração no caso de diversas obras editadas pela Funag, quando não elaborou inteiramente por sua iniciativa obras de referência para o campo das relações internacionais, da política externa e da história diplomática brasileira, a exemplo da coletânea em dois volumes de textos de Oswaldo Aranha (2017) e obra similar de Celso Lafer (2018).

            Nos dois anos e meio de minha gestão, em minha qualidade institucional como diretor do IPRI, ou na condição de acadêmico, fui convidado e participei de diferentes atividades externas, sob a forma de palestras, mesas-redondas, seminários ou aulas magnas. Em 2016, foram 4 eventos externos ao Itamaraty, em 2017, 17, no Brasil ou no exterior, em diferentes formatos, aos quais podem ser agregados, em 2018, outros 23 eventos externos ao Itamaraty, no Brasil ou no exterior (em Portugal e no Marrocos). Nem sempre é possível distinguir a motivação dos convites recebidos, se pela direção do IPRI ou pela obra acadêmica conhecida nos meios especializados.

O IPRI organizou ou participou diretamente de diversas outras obras publicadas pela Funag, assim como tem no seu pipeline a 3a edição, ampliada (com acréscimo de seis novos diplomatas intelectuais), da obra publicada originalmente em 2001 O Itamaraty na Cultura Brasileira (atualmente em preparação, para publicação em 2019). Os trabalhos realizados, de todos os tipos, à exclusão da participação externa em eventos de natureza tipicamente acadêmica, não poderiam ter sido conduzidos de maneira satisfatória sem a colaboração inestimável do Coordenador de Estudos e Pesquisas, conselheiro Marco Tulio Cabral, assim como do pesquisador principal, Rogério Souza Farias, e do ministro Antonio de Moraes Mesplé, aos quais sou extremamente grato pelos esforços empenhados na boa consecução de todos os projetos. Sou também grato à coordenadora do IPRI, Valeria Figueiredo Ramos, que manteve perfeito controle operacional de todas as atividades. Assistentes contratados e estagiários, cujos nomes estão registrados a seguir, para o período recente, também envidaram esforços para que todas as atividades fossem realizadas a contento.

A todos eles sou muito grato pela ajuda a mim prestada à frente de uma instituição relevante do ponto de vista da produção de conhecimento, que no entanto poderia ser descrita como um think tank com pouco think – por não possuir pesquisadores próprios – e nenhum tank, ao não dispor de recursos especificamente administrados em função de uma agenda de eventos eventualmente mutável, dadas as oportunidades que surgem irregularmente ao longo do tempo.

            Independentemente das limitações, creio poder dizer que o IPRI soube atender às demandas surgidas da própria Casa ou externamente, assim como foi capaz de corresponder às expectativas criadas por uma clientela crescente de frequentadores de seus eventos, diplomatas e acadêmicos, nacionais e membros do corpo diplomático baseado em Brasília e até em outras capitais.

Paulo Roberto de Almeida, diretor do IPRI

Brasília, 24 de dezembro de 2018.


2. Apresentação do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais - IPRI

O Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) é um órgão da Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), e tem por finalidade:

  • desenvolver e divulgar estudos e pesquisas sobre temas atinentes às relações internacionais;
  • promover a coleta e a sistematização de documentos relativos a seu campo de atuação;
  • fomentar o intercâmbio científico com instituições congêneres nacionais e estrangeiras;
  • realizar cursos, conferências, seminários e congressos na área de relações internacionais.

Através dessas atividades, o IPRI trabalha para a ampliação e o aprofundamento dos canais de diálogo entre o Ministério das Relações Exteriores e a comunidade acadêmica sobre temas de interesse para a política externa brasileira.

(...)

Leitura na íntegra nos seguintes links: 

Research Gate: 

https://www.researchgate.net/publication/329905640_Relatorio_de_Atividades_Gestao_do_diretor_do_IPRI_Paulo_Roberto_de_Almeida

Academia.edu: 

https://www.academia.edu/s/e66d6c1639/relatorio-do-ipri-diretor-paulo-roberto-de-almeida-2016-2018



O Brasil e a proposta de expansão do Brics - Maria Hermínia Tavares

 

Maria Hermínia Tavares - O Brasil e a proposta de expansão do Brics

Folha de S. Paulo

Com a ampliação de 2023, a que o Brasil resistiu, grupo perdeu nitidez de propósitos

Mudanças importantes em curso na cena internacional propõem desafios inéditos para a política externa brasileira e exigem revisão das visões e estratégias que a caracterizaram ao longo de muitas décadas. Um desses desafios é decidir o que fazer com o Brics diante da segunda ampliação do bloco proposta por China e Rússia.

Durante 14 anos, o grupo foi formado pelos quatro países que o fundaram em 2009 e lhe deram o nome —Brasil, Rússia, Índia e China— mais a África do Sul, que a ele se juntou logo depois, daí o S final da sigla.

No ano passado, incorporou cinco novos membros, nenhum conhecido por praticar a democracia.

Com a ampliação, a que o Brasil resistiu, o Brics ganhou em participantes o que perdeu em nitidez de propósitos. A vingar a proposta ora em discussão, seriam admitidas mais 34 nações da Ásia, África, Oriente Médio e América Latina (Venezuela, Honduras, Cuba e Nicarágua) com níveis díspares de desenvolvimento e distintas formas de governo autocrático.

Ora em dieta de engorda, o bloco surgiu da convergência de países emergentes —com ambições globais— em torno do compromisso de buscar uma arquitetura econômica internacional mais aberta e menos dominada pelos países norte-ocidentais. Tratava-se de apoiar os esforços do G20 para lidar com a crise global e reformar as instituições financeiras multilaterais de regulação econômica, em especial o FMI e o Banco Mundial.

Em suma, o Brics seria uma ferramenta para dar vez e voz a seus criadores ali onde são tomadas as decisões que contam para a economia mundial.

Considerado pelo professor Oliver Stuenkel (FGV-SP) como uma das duas mais importantes inovações na governança global neste século —a outra seria o G20—, o Brics, contra muitas previsões pessimistas, logrou se institucionalizar.

Suas vitórias foram escassas no que respeita a reformas das instituições financeiras multilaterais.

Maiores foram os êxitos no interior do bloco: adensamento das relações bilaterais; estabelecimento de diferentes formas de cooperação; criação do Novo Banco do Desenvolvimento —o chamado Banco do Brics. O Brasil se beneficiou de muitas maneiras do intercâmbio adensado com os parceiros.

Por outro lado, a disparidade de nascença em matéria de recursos de poder entre a China e os demais membros do grupo —que só aumentou com o tempo— colocou-o diante de dois cenários possíveis: um, funcionar como uma coalizão de nações que buscam mais protagonismo no âmbito da ordem internacional existente; outro, transformar-se em mais um instrumento da ascensão da China à condição de grande potência.

O aumento do bloco em 2023 e a atual proposta de inclusão de novos membros aponta na direção do segundo cenário. Não há o que explique a escolha dos 34 candidatos a membro, salvo a intenção de promover o Brics a pilar de sustentação de uma ordem internacional pós-ocidental liderada pela China.

Nessa nova ordem, há ganhos comerciais e econômicos para o Brasil e os outros parceiros do bloco. Mas dificilmente —e por razões óbvias— haverá espaço para que floresçam a democracia, a liberdade e os direitos individuais.

Os “progressos” da politica brasileira - Fabiano Lana (Estadão)

 https://www.estadao.com.br/politica/fabiano-lana/qual-e-o-o-brasil-que-emerge-de-pablo-marcal/

Originário da classe C, evangélico, do Centro-Oeste agro, forjado na linguagem das redes sociais, de “direita”, vendedor de livros de autoajuda, Pablo Marçal se tornou expressão de um Brasil que tanta gente gosta de desprezar, mas que cada vez mais dá as cartas. Além de um fenômeno inesperado, o candidato do PRTB hoje é um arquétipo de um contingente de brasileiros que não vê com bons olhos nem a tradicional elite cultural-administrativa, com seus intelectuais, artistas, jornalistas, professores de universidades públicas de “humanas”, e políticos, mas também não se entusiasma com as políticas de Estado para a população mais miserável do País – porque se considera esquecido.

O Brasil é tão pobre que hoje um trabalhador com carteira assinada com dois salários mínimos já está na metade superior da pirâmide social brasileira. Essa pessoa, porém, vê a vida como um desafio diário. Estudou em escolas públicas com péssima qualidade, vive em lugares com alto índice de violência e pode ficar horas diárias em um transporte público sucateado – ou arrisca a vida com sua moto de baixa cilindrada em um trânsito feroz. Se faz faculdade, é cara, e se endivida para pagar seus estudos.

Ou então pode ser um motorista de Uber, um entregador de Ifood, uma atendente de farmácia, uma recepcionista de hotel, uma caixa de supermercado. Que sempre que possível confere seu celular para checar as últimas atualizações do Instagram ou ouvir e responder algum áudio do WhatsApp. Que se sente mais cidadã na igreja evangélica, quando finalmente não está vestindo uniforme, conforme insight do antropólogo Juliano Spyer. Ah, é preciso lembrar-se sempre que o atual presidente Lula só venceu nas faixas de renda de quem ganha até dois salários mínimos. Bolsonaro dominou as demais faixas, para terror de tanta gente bem-pensante.

Este articulista já esteve como observador de uma pesquisa qualitativa para avaliar um programa social destinado à classe D e E de um Estado do Nordeste. Uma espécie de complementação ao Bolsa Família. A proposta de política social foi aprovada nas classes mais altas e, obviamente, pelo público beneficiado. Mas houve razoável resistência entre os avaliados da classe C, que se consideraram mais uma vez esquecidos pelas políticas de Estado. Isso ajuda explicar o sucesso do candidato à prefeitura da maior cidade do continente.

Filho de faxineira, ex-atendente de telemarketing, frequentador de igreja evangélica desde a infância, Pablo Marçal é um integrante desse grupo e se tornou imensamente rico, em tese, mantendo esses valores e modo de ser das classes intermediárias – o que gera identificação. É fruto de certa teologia da prosperidade já bem exemplificada com Max Weber, em “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, em que a riqueza é consequência de uma bênção divina. Porém, Pablo tenta transformar essa ideologia numa linguagem pop e cheia de termos “neuroliguísticos” e de autoajuda, além de certa postura de humorista de stand up, a dar lições em auditório.

É, exemplar, que o autodenominado ex-coach tenha colocado em suas páginas na rede os apoios ao candidato Boulos, do PSOL, de uma série de cantores como Caetano Veloso, Chico César, além de uma série de artistas globais – em que ele próprio é bastante criticado. Sabe muito bem que esses artistas não são admirados pelas pessoas que procura conquistar, muito pelo contrário – estão entre os adversários a derrotar. E podem saber que os cantores sertanejos, muitas vezes originários do Centro-Oeste, com seus milhões de ouvintes nas plataformas de streaming, com orgulho de suas origens ligadas ao agronegócio, estarão do lado do candidato do nanico PRTB nesta e em eventuais campanhas futuras.

Para os jornalistas e debatedores, Marçal é meio um pesadelo, gera um ambiente até mesmo “distópico” conforme definição da apresentadora do Roda Viva, Vera Magalhães. Ao invés de responder perguntas de quem o questiona, simplesmente transforma a falsa interação em cortes nas redes que recebem dezenas de milhares de curtidas. Nesse sentido, utiliza seus oponentes como escada. Até mesmo as graves acusações que recebe, de desviar eletronicamente dinheiro de correntistas, se transformam em vitimização cibernética em seus famigerados cortes, feitos também, em grande medida, por apoiadores anônimos.

Pablo Marçal está seguro na agressividade com que parte contra jornalistas, artistas ou políticos tradicionais. Enquanto arquétipo da mentalidade de uma classe, sabe que não está sozinho nessa batalha contra o “sistema”. É um representante da cultura do ressentimento potencializada pelas redes sociais. E também transforma esse rancor em piada, em vídeos rápidos para o Tik Tok, em material de campanha.

Se Pablo irá vencer as eleições ainda é um chute - bem ou mal embasado. Temos, de qualquer maneira, um fenômeno novo que ainda não sabemos como pode ser neutralizado do ponto de vista político ou da comunicação. A versão atualizada de Jair Bolsonaro, entretanto, pode ser apenas uma evolução natural da espécie. Se não for o Pablo haverá outro, porque tem base popular e representa valores e comportamento comuns a uma gigantesca parcela da população brasileira.

Opinião por Fabiano Lana


Fabiano Lana é formado em Comunicação Social pela UFMG e em Filosofia pela UnB, onde também tem mestrado na área. Foi repórter do Jornal do Brasil, entre outros veículos. Atua como consultor de comunicação. É autor do livro “Riobaldo agarra sua morte”, em que discute interseções entre jornalismo, política e ética.

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