A note about the author and his other works
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
BRAZIL IN THE INTERNATIONAL ARENA: STUDIES IN 20TH CENTURY DIPLOMACY AND NATIONAL SECURITY POLICY - Stanley E. Hilton (forthcoming book)
Os EUA estão em declínio, já são decadentes, ou o quê? Um debate entre amigos
Um exchange entre amigos sobre questões de atualidade
Na semana passada, expressei, num exchange entre amigos, opiniões muito fortes contra o atual mandatário desequilibrado do Norte do hemisfério, e recebi comentários muito judiciosos de um desses amigos queridos.
Como eu tenho uma massa gigantesca de e-mails e outros materiais que me chegsm todos os dias, a qualquer hora, e isso vai submerginfo o estoque já presente para ler e responder (o que ainda não consigo fazer) resolvi postar esses argumentos recebidos nesta minha “biblioteca”, para ler e depois responder, o que vou fazer em algum momento. Só não identifico o amigo pois não pedi sua autorização para postar seus questionamentos e argumentos, mas a razão é que não quero ver esse texto soterrado nas dezenas de mensagens diárias. PRA
Minha mensagem se referia a uma pesquisa americana revelando bastante apoio a Trump e a suas políticas, mas isso foi, obviamente, antes da mortes, assassinatos, em Minneapolis. Vou postar primeiro meus argumentos, depois os comentários de meu amigo, que pretendo retomar.
Primeiro, meu texto:
"Nota preliminar PRA a esta matéria:
Assunto: Aprovação americana do Trump segundo IA americano da Microsoft.
Benjamin Ernani Diaz
Tenho, por mim e para mim, uma imagem bastante negativa, atualmente, do pensamento médio dos eleitores americanos, considerando-os excessivamente ingênuos, desinformados, ou mesmo ignorantes no sentido mais rústico da palavra.
Os EUA foram grandes, de fato, durante sua fase ascensional, após a guerra civil, quando atraíram milhões de imigrantes europeus, muitos dotados de uma cultura superior à média então prevalecente nos EUA ainda pouco "civilizado" (refiro-me à fase da "conquista do Oeste"). Muitos dos europeus eram imigrantes pobres, de cultura rural, mas grande parte também eram cidadãos urbanos, educados e dotados de títulos universitários. Continuaram a vir, em massa, desde o final do século XIX, até os anos 1920-30, quando restrições nacionalistas começaram a ser aplicadas. Ainda assim, as guerras europeias, o nazifascismo sobretudo, produziu um afluxo de pessoas altamente educadas, tangidas da Europa por perseguição política ou racial. Foi o momento de maior preeminência econômica americana – com a Europa e parte da Ásia destruídas – e de dominação absoluta na produção científica e tecnológica, justamente com a integração dessas massas e cidadãos educados e com a penetração americana no resto do mundo.
Esse impulso esgotou-se no final do século XX, o momento de maior dominação (mas apenas aparente) americana, com o fim da alternativa socialista e a intensificação da globalização.
Mas, os fatores de declínio e mesmo de mediocrização já estavam presentes, e continuaram a produzir efeitos nas primeiras duas décadas do século XXI.
A política americana tornou-se nacionalista, a cultura tacanha, os preconceitos se avolumaram (sobretudo com o crescimento do evangelismo ignorante, anticientífico), a qualidade da educação de massa declinou, e uma massa ignorante de eleitores da "caipirolândia" e dos trabalhadores industriais deslocados com o esgotamento da indústria criada na segunda revolução industrial (1870-1930) e sua disseminação pelo mundo, o que aumentou a concorrência com oferta mais barata, geralmente da Ásia Pacífico.
Em síntese, o nacionalismo ignorante dos caipiras do interior e dos novos pobres urbanos produziu políticos medíocres, que fizeram todas as más escolhas internas e externas, até chegar na irrupção de um personagem medíocre – provavelmente por influência direta do neoczar expansionista, plenamente soviético em toda a sua expressão –, que acelerou o declínio, a ignorância e a arrogância desvairada. Os brilhantes acadêmicos da costa Leste e da Califórnia foram desprezados pelos frustrados do declínio, que agora dominam o país do alto da sua estupidez.
Esta é a razão principal que vejo para a aprovação das políticas trumpistas que vão continuar acelerando a decadência americana.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5198, 24/01/2026
============
Agora, os comentários de meu amigo:
“ 1-Querido Paulo, tua visão sobre a decadência dos EEUU e da sociedade americana é muito preocupantes e sombria, principalmente quando, além disso, olhamos para os candidatos à sucessão dos EEUU como potência ou potências hegemônicas, no tabuleiro internacional.
Xi e seus problemas com os mais altos generais : Bill Bishop (Sinocism)
Xi e seus problemas com os mais altos generais: caso de simples corrupção ou oposição a uma conquista militar de Taiwan, como Xi Jinping pretenderia fazer até 2027?
Talvez o general apenas não queria sacrificar seus soldados, sabendo que no médio ou longo prazo Formosa voltaria ao Império do Meio. Xi parece querer uma “solução” mais rápida, antes do final do seu terceiro mandato.
Copio de Bill Bishop em Sinocism
26/01/2025:
“We still have no more concrete information than we had Saturday about the Zhang Youxia and Liu Zhenli case. The Wall Street Journal reports that in the official internal briefing he was accused of leaking nuclear weapons secrets to the US. As I wrote Saturday, the official, internal story is not always the truth about what happened, so just because they may be telling other officials he leaked nuclear secrets does not mean he actually did, and as much as I would live to believe the US government is that good at getting intelligence, I am skeptical Zhang was leaking to the US. But it might make for a useful charge internally, as it shows him to be an even greater villain than if he were simply corrupt, as he was working for the main enemy.
There are lots of other rumors going around. I advise skepticism.
The best article on Zhang I have seen so far is by Drew Thompson, who writes about his interactions with Zhang in 2012, when he was Director for China, Taiwan and Mongolia in the Office of the Secretary of Defense. In The demise of Zhang Youxia hits different he writes:
General Zhang Youxia spent a week in the United States in May 2012 as part of a delegation led by Defense Minister General Liang Guanglie, hosted by then Secretary of Defense Leon Panetta. Zhang was Shenyang Military Region Commander at the time, one of over ten general officers on the delegation with Defense Minister Liang. In 2012, I was the Director for China, Taiwan and Mongolia in the Office of the Secretary of Defense, responsible for planning and organizing the delegation’s visit to the United States. I accompanied them on the trip including meetings in the Pentagon and tours of military bases on the East and West coasts.
I got to know Zhang Youxia on that trip, and I liked him...
My hope – for the sake of stable US-China military-to-military relations and cross-Strait stability - was that Zhang Youxia would stay at the top of the CMC and remain Xi Jinping’s closest military advisor. I think he was the one active duty PLA officer who could give Xi the best, most objective advice about PLA military capabilities including the PLA’s shortcomings, and crucially the human cost of military conflict. I think he could assess US and Taiwan military capabilities objectively and explain to Xi Jinping what the military risks and costs of an operation to take Taiwan would be. A sycophant with no combat experience has to tell Xi what Xi wants to hear. Zhang’s intellect, experience and his relationship with Xi made honesty and objectivity possible, and that makes him an exception among PLA generals.
For a US deterrence strategy to be effective we need Xi Jinping to be surrounded by competent generals who will give him objective advice. The sole remaining general on the CMC is Zhang Shenmin [Bill: He means Shengmin], a career political commissar. Leaving aside the governance and operational risks of Xi being advised by and trying to command a million-man army through a one-man committee, I worry about the consequences of someone other than Zhang Youxia providing Xi Jinping with military advice.
Without Zhang Youxia on the CMC, the risk of miscalculation goes up...
Thompson also drops a bit of a bomb at the end, telling us that according to Minnie Chan, then a reporter for South China Morning Post who has disappeared since late 2023, both Zhang Youxia and Zhang Shengmin were being investigated:
In October 2023, South China Morning Post reporter Minnie Chan was visiting Beijing for the Xiangshan Forum when she disappeared. She was researching rumors that Zhang Youxia and Zhang Shenmin were being investigated at the time...
We would sometimes speak on the phone, and sometimes text. Soon after she disappeared, all but one of her texts to me were deleted. I don’t know if she deleted them or if it was whoever is holding her and took control of her phone.
A month before her disappearance we were discussing whether or not Zhang Youxia and Zhang Shenmin were being investigated. She was certain. In September 2023 when I asked, “Do you think Zhang Youxia and Zhang Shenmin are in trouble and being investigated?” She responded succinctly, “Yes”.
That one word text is the only one in the string that was not deleted.
If Chan was right, that makes the case even more interesting. ...”
Liquidação do Banco Master expõe vínculos com políticos e juízes -The Economist
Não é que a promiscuidade na corrupção de quase todos os integrantes dos chamados círculos dirigentes de Brasília, e do Brasil, me choque. O que me choca é que isso não tenha vindo à tona antes, tantas eram as evidências de que o ambiente era muito podre, mais podre do que pessoas de classe média, como eu e a maioria dos brasileiros bem informados, pudéssemos imaginar que fosse assim tão evidente, tão claro, tão transparente. Nas ditaduras tudo se passa nas sombras. Nas democracias, como a do Brasil, mesmo de baixa qualidade, as coisas acabam aparecendo...
Paulo Roberto de AlmeidaLiquidação do Banco Master expõe vínculos com políticos e juízes
The Economist, 26 jan 26
Daniel Vorcaro começou a viver luxuosamente depois de se tornar o chefe do Banco Master, um banco brasileiro de médio porte, em 2019. Nos anos seguintes, gastou extravagantemente em propriedades, jatos particulares, um hotel de luxo e um time de futebol. Desembolsou mais de US$ 3 milhões na festa de 15 anos de sua filha. Enquanto o champanhe corria e os jatos acumulavam milhas, alguns questionavam como o Banco Master estava crescendo tão rapidamente. O modelo de negócios do banco era baseado na venda de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), um produto de renda fixa popular no Brasil, com taxas incomumente altas.
As rachaduras começaram a surgir em setembro, quando Vorcaro tentou vender a empresa repentinamente. Ele encontrou um comprador disposto no BRB (Banco de Brasília), uma instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. No entanto, quando o Banco Central investigou os detalhes da fusão, descobriu que o Banco Master não tinha liquidez. Investigadores descobriram que o banco havia vendido carteiras de crédito sem valor ao BRB por mais de US$ 2 bilhões.
Logo depois, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jato particular para Dubai. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) desembolsará entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões para reembolsar os investidores, a maior compensação desse tipo na história do Brasil.
A saga poderia ter terminado aí. Mas os efeitos do colapso do Banco Master vão além do setor bancário. Isso porque Vorcaro passou anos cultivando laços com a elite brasileira. O caso expôs ligações entre políticos, figurões financeiros e o judiciário em Brasília, a capital, prejudicando a reputação do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Congresso.
O enredo começou a se complicar logo após o Banco Central ordenar a liquidação do Banco Master em novembro. Jhonatan de Jesus, membro do TCU (Tribunal de Contas da União), um órgão fiscalizador cujos membros são indicados pelo Congresso, alegou que o Banco Central havia agido com muita pressa. Ele ordenou uma investigação para verificar se o BC poderia ter escolhido alternativas à liquidação. "Esse tipo de interferência na autoridade do Banco Central é incomum e preocupante", diz um procurador sênior que trabalha no caso. Jesus tem ligações estreitas com o Centrão, um grupo de partidos ideologicamente fluidos que controlam o Congresso e têm um longo histórico de corrupção.
Políticos do Centrão tentaram proteger o Banco Master antes de sua falência. O senador Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), um populista de direita e ex-presidente, tentou bloquear uma investigação parlamentar sobre as negociações do Banco Master e pressionou por um projeto de lei que daria ao Congresso o poder de demitir o chefe do Banco Central.
Enquanto isso, Ibaneis Rocha, o governador bolsonarista de Brasília, defendeu vigorosamente a aquisição do Banco Master pelo BRB, mesmo quando muitos analistas alertaram fortemente contra isso. (Um juiz desde então removeu o diretor-executivo do BRB devido a possível interferência política.) O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também está sob investigação, foi o maior doador individual para a campanha de Bolsonaro em 2022, e para a campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador de direita de São Paulo.
ABRE-TE SÉSAMO
Quando os investigadores acessaram o telefone de Vorcaro, encontraram ainda mais ligações com o poder. O banco havia assinado um contrato no valor de US$ 24 milhões por três anos com um escritório de advocacia administrado pela esposa de Alexandre de Moraes, um influente ministro do STF. A imprecisão do contrato e as grandes somas envolvidas "não são normais" pelos padrões brasileiros, diz um especialista jurídico. Logo depois, um jornal revelou que Moraes havia telefonado ou se reunido com Gabriel Galípolo, o presidente do Banco Central, várias vezes na preparação para a liquidação do Banco Master.
Moraes e sua esposa negaram qualquer irregularidade. Paulo Gonet, procurador-geral da República arquivou uma investigação sobre o casal, citando evidências insuficientes de má conduta. Moraes diz que ele e Galípolo se reuniram para discutir assuntos não relacionados ao Banco Master. No entanto, seu comportamento levantou suspeitas. Em 14 de janeiro, ele abriu uma investigação sobre a unidade de inteligência financeira do Brasil e a Receita Federal para descobrir se eles haviam vazado informações sobre o contrato.
A aparência não é melhor para o colega de Moraes, Dias Toffoli, um ministro que encerrou outras investigações anticorrupção contra a elite de Brasília. Toffoli viajou em um jato particular com um advogado do Banco Master aproximadamente na mesma época em que o sistema de sorteio do Supremo o designou para liderar o caso contra a empresa. Depois, descobriu-se que Zettel havia investido mais de US$ 1 milhão em um resort que pertencia aos irmãos de Toffoli. Não há evidências de que Toffoli soubesse do assunto, e ele não se pronunciou publicamente sobre isso.
No entanto, esses vínculos reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que o tribunal superior do país carece de imparcialidade. Para combater tais suspeitas, o novo presidente do tribunal, Edson Fachin, um juiz que evita os holofotes, propôs que o plenário adotasse um código de ética modelado no da corte constitucional alemã. Os colegas de Fachin zombaram da ideia.
O único claro vencedor dessa saga sórdida é Galípolo, o chefe do Banco Central, que se manteve firme contra as pressões para salvar o Banco Master. Jesus foi forçado a retirar sua investigação. Desde então, Galípolo pediu aos legisladores que concedam ao banco autonomia administrativa, orçamentária e financeira, além da autonomia operacional que já possui. Isso daria ao banco poderes mais robustos de supervisão sobre instituições financeiras e um alívio das duvidosas maquinações de Brasília.
A Rússia de Putin já perdeu a guerra: o cachorrinho da casa ao lado era mais bravo do que. parecia...
Ukraine executed a calculated tactical withdrawal in SIVERSK—and turned Russia’s claimed victory into a deadly trap. As Russian forces pushed in, Ukrainian drones, artillery, and precision strikes transformed the city into one of the most lethal kill zones of the war. This video breaks down how Ukraine outmaneuvered Russia in SIVERSK, why Putin’s forces are suffering massive losses, and how this strategy could echo for 100 years across the conflict.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
A ilusão das “regras” e o risco estratégico para o Brasil - DefesaNet
A ilusão das “regras” e o risco estratégico para o Brasil
Editor DefesaNet, 22 de janeiro de 2026A ilusão das regras nos artigos de Lula e Celso Amorim e o risco estratégico para o Brasil
Nota DefesaNet
https://www.defesanet.com.br/gh/a-ilusao-das-regras-e-o-risco-estrategico-para-o-brasil/
O Presidente Lula publicou um artigo no jornal The New York Times , edição de18 de janeiro de 2026. O texto original em inglês e tradução em português.
Tanto o artigo de Lula, no dia 18JAN2026, no The New York Times como o de Celso Amorim na revita The Economist seguem uma linha que merece ser analisada,
Claramente texto saidos da pena de Celso Amorim que ao longo de 25 anos, tantop no comando da Diplomacia, Defessa ou eminência parda sempre obteve resultados ou confrontos contestáveis.
1 – The New York Times – 18 Janeiro 2026, edição web, e 20 Janeiro edição impressa
Lula: Este Hemisfério Pertence a Todos Nós
Lula: This Hemisphere Belongs to All of Us
2 – The Economist – 19 Janeiro 2026 edição online
Celso Amorim – Como podemos viver em um mundo sem regras?
Celso Amorim – How can we live in a world without rules?
A ilusão das “regras” e o risco estratégico para o Brasil
Observador DefesaNet
O artigo “How can we live in a world without rules”, assinado por Celso Amorim, não é apenas um exercício acadêmico ou diplomático. Ele expressa uma visão de mundo que, aplicada como política de Estado, representa risco concreto à segurança nacional brasileira. Ao insistir em uma leitura normativista das relações internacionais, o texto ignora a realidade do poder e empurra o Brasil para uma posição de ambiguidade estratégica perigosa, especialmente diante dos Estados Unidos sob Donald Trump.
O problema não é defender regras. O problema é acreditar que regras sobrevivem sem poder — e, pior, moldar a política externa brasileira como se o mundo ainda operasse sob consensos que já não existem.
Regras não protegem países fracos — poder protege.
A tese central de Amorim parte de uma premissa falsa: a de que a crise internacional decorre do abandono de normas multilaterais. Não decorre. A crise decorre da ruptura do equilíbrio de poder que sustentava essas normas.
China e Rússia e – agora os Estados Unidos – não desafiam a ordem internacional porque ela é “imperfeita”, mas porque não lhes interessa. E não há nenhum indício de que aceitarão regras que limitem seus objetivos estratégicos. Defender regras universais nesse contexto não é idealismo — é desarmamento intelectual.
Ao adotar essa visão, o Brasil:
• substitui estratégia por retórica;
• confunde desejo com realidade;
• e abdica da lógica do poder em um ambiente internacional brutalmente competitivo.
Neutralidade moral é sinônimo de irrelevância estratégica
A diplomacia defendida por Amorim insiste na ideia de que o Brasil pode ocupar o papel de mediador moral, equidistante entre grandes potências. Esse espaço não existe mais.
No mundo atual:
• quem não se alinha claramente é visto como não confiável;
• quem evita nomear ameaças é tratado como ambíguo;
• quem prega equilíbrio sem poder vira arena, não ator.
A neutralidade defendida no artigo não preserva autonomia. Ela a corrói, pois retira do Brasil capacidade de barganha, previsibilidade estratégica e credibilidade como parceiro de segurança.
Conflito direto com os EUA sob Donald Trump
A visão de Amorim colide frontalmente com a lógica estratégica dos Estados Unidos sob Donald Trump. Washington opera de forma simples e dura: interesses primeiro, alinhamentos claros, reciprocidade concreta.
Nesse contexto, o discurso do “multilateralismo como fim em si mesmo” é interpretado como:
• resistência aos interesses americanos;
• relativização das ameaças centrais (China e Rússia);
• falta de compromisso estratégico.
Para Trump, ambiguidade equivale a oposição potencial. Um Brasil que insiste nessa postura se coloca, voluntariamente, sob suspeita.
Os custos não são teóricos — são práticos
A adoção dessa visão como política de Estado tem consequências diretas:
• restrições ao acesso a tecnologias sensíveis, sobretudo em defesa, aeroespacial, cibernética e inteligência;
• redução da cooperação militar e industrial, com impactos diretos na Base Industrial de Defesa;
• pressões econômicas indiretas, travestidas de exigências regulatórias ou comerciais;
• perda de credibilidade como parceiro estratégico no hemisfério ocidental.
Nenhuma grande potência confia sua segurança a um país que se recusa a definir prioridades estratégicas.
O erro conceitual fatal: confundir ordem com justiça
Amorim confunde ordem internacional com justiça normativa. Ordem não nasce de consenso moral; nasce da capacidade de impor custos a quem a viola. Regras vêm depois — e apenas quando sustentadas por poder.
Ao insistir nessa inversão, o Brasil:
• defende uma ordem que já colapsou;
• antagoniza parceiros estratégicos reais;
• e se aproxima retoricamente de potências revisionistas que não oferecem garantias de segurança, tecnologia ou desenvolvimento autônomo.
Isso não é política externa independente. É exposição estratégica
Conclusão: diplomacia sem poder é risco à soberania
O artigo de Celso Amorim pode soar elegante, coerente e moralmente confortável. Mas, no mundo real, é estrategicamente inadequado e potencialmente danoso.
Persistir nessa linha:
• enfraquece a posição do Brasil diante dos Estados Unidos;
• aumenta desconfiança em Washington, especialmente sob Trump;
• reduz margem de negociação dura;
• e transforma o país em variável passiva da disputa entre grandes potências.
No século XXI, quem não escolhe claramente seus interesses tem seus interesses escolhidos por outros.
Diplomacia sem poder não protege soberania.
E soberania não se sustenta com retórica.
DefesaNet
Grato Academia.edu, mas não precisa me lembrar todos os dias meus próprios trabalhos...
Embora, vários eu já tinha esquecido completamente:
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4199) Antiglobalismo (inédito, 2022) - Paulo Roberto de Almeida |
1717) Pequeno manual pratico da decadencia (recomendavel em carater preventivo) (2007) - Paulo Roberto de Almeida |
Livros sobre temas da diplomacia brasileira - Paulo Roberto de Almeida - Paulo Roberto de Almeida |
Velhos e Novos Manifestos: o socialismo na era da globalizacao (1999) - Paulo Roberto de Almeida |
Capitalismo e liberdade nos Estados Unidos e no Brasil (2025) - Paulo Roberto de Almeida |
4786) Planejando o futuro do Brasil: uma mania recorrente (2024) - Paulo Roberto de Almeida |
Trabalhos recentes, publicados, de Paulo Roberto de Almeida, 2025-2026
Trabalhos recentes de Paulo Roberto de Almeida, 2025-2026
Compilação seletiva em 26/01/2026
Textos curtos, geralmente 4 páginas cada um.
1618. “Da Geopolítica da Desordem à Opção pelo Caos: um ano de destruição da ordem mundial”. Comentando o primeiro aniversário do segundo mandato de um dos destruidores da ordem global. Revista Será? (ano xv, n. 693, 23/01/2026; link: https://revistasera.info/2026/01/da-geopolitica-da-desordem-a-opcao-pelo-caos-um-ano-de-destruicao-da-ordem-mundial/); reproduzido no blog Diplomatizzando (23/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/da-geopolitica-da-desordem-opcao-pelo.html). Relação de Originais n. 5195.
1617. “O Brasil e a morte do multilateralismo, tal como o conhecíamos”, revista Será? (ano xiv, n. 692, 16/01/2026; link: https://revistasera.info/2026/01/o-brasil-e-a-morte-do-multilateralismo-tal-como-o-conheciamos/); reproduzido no blog Diplomatizzando(16/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/a-morte-do-multilateralismo-como-o.html ). Relação de Originais n. 5183.
1616. “O que muda para o Brasil na geopolítica da desordem de Trump?”, Revista Será? (ano xiv, n. 691, 09/01/2026; link: https://revistasera.info/2026/01/o-que-muda-para-o-brasil-na-geopolitica-da-desordem-de-trump/); reproduzido no blog Diplomatizzando(9/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/o-que-muda-para-o-brasil-na-geopolitica.html). Relação de Originais n. 5175.
1615. “O Brasil num mundo turbulento, em 2026 e mais além”, revista Será? (ano xiv, n. 690, 02/01/2026; link: https://revistasera.info/2026/01/o-brasil-num-mundo-turbulento-em-2026-e-mais-alem/); reproduzido no blog Diplomatizzando (2//01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/o-brasil-num-mundo-turbulento-em-2026-e.html ). Relação de Originais n. 5155.
1612. “O Brasil em 2025, expectativas para 2026, no país e no mundo”, Brasília, 22 dezembro 2025, 4 p. Síntese das principais ocorrências em 2025 e agenda aberta para 2026. Publicado na revista Será? (ano xiv, n. 689, 26/12/2025; link: https://revistasera.info/2025/12/o-brasil-em-2025-expectativas-para-2026-no-pais-e-no-mundo/). Relação de Originais n. 5153.
1611. “O mundo marcha para a direita? Retornamos cem anos no passado?” Publicado na revista Será? (ano xiv, n. 688, 19/12/2025; link: https://revistasera.us2.list-manage.com/track/click?u=411db2b245b4b4625516c92f4&id=5c6dea8af9&e=1647837395). Relação de Originais n. 5138.
1608. “A estratégia de Trump para o “quintal” do Hemisfério Ocidental”, Publicado na revista Será? Ano xiv, n. 687, Recife, 12 de dezembro de 2025; link:https://revistasera.info/2025/12/a-estrategia-de-trump-para-o-quintal-do-hemisferio-ocidental/); divulgado no blog Diplomatizzando (link:https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/a-estrategia-de-trump-para-o-quintal-do.html). Relação de Originais n. 5133.
1607. “O mundo em três tempos: 1925, 1945, 2025”, revista Será? (ano xiv, n. 686, Recife, 5 de dezembro de 2025; link: https://revistasera.us2.list-manage.com/track/click?u=411db2b245b4b4625516c92f4&id=c311615905&e=1647837395); divulgado no blog Diplomatizzando(link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/o-mundo-em-tres-tempos-1925-1945-2025.html). Relação de Originais n. 5128.
1600. “Trump, ou a diplomacia pelo método confuso”, revista digital Será? (ano xiv, n. 682, 31/10/2025, link: https://revistasera.info/2025/10/trump-ou-a-diplomacia-pelo-metodo-confuso/); divulgado no blog Diplomatizzando (31/10/2025, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/10/trump-ou-diplomacia-pelo-metodo-confuso.html). Relação de Originais n 5098.
1601. “Rupturas nas relações internacionais no contexto do triunvirato imperial”, Revista Será? (ano XIV, n. 683, 7/11/2025, link: https://revistasera.info/2025/11/rupturas-nas-relacoes-internacionais-no-contexto-do-triunvirato-imperial/; divulgado no blog Diplomatizzando (9/11/2025, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/11/rupturas-nas-relacoes-internacionais-no.html). Relação de Originais n. 5104.
1599. “Opções da diplomacia brasileira num mundo em desordem”, artigo publicado na revista digital Será?(ano xiv, n. 681, 24/10/2025, link: https://revistasera.info/2025/10/opcoes-da-diplomacia-brasileira-num-mundo-em-desordem/); divulgado no blog Diplomatizzando (24/10/2025, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/10/opcoes-da-diplomacia-brasileira-num.html). Relação de Originais n. 5097.
1573. “Permanências imperiais e nova ordem global no teste da história”, Publicada na Revista IHGDF nova série (Rev. Instituto Histórico Geográfico do Distrito Federal ISSN 2325-6653, Brasília, v. 14, n. 1, 2025, p. 135-160; ISSN: 2325-6653; link: https://revistaihgdf.com.br/index.php/ojs/article/view/9/17); disponível: https://www.academia.edu/124519295/4676_Permanencias_imperiais_e_nova_ordem_global_no_teste_da_historia_2024_); anunciado no blog Diplomatizzando: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/10/permanencias-imperiais-e-nova-ordem.html). Relação de Originais n. 4676.
1571. “Na origem da atual ordem mundial: a desordem brutal criada por dois ditadores”, Publicado no boletim informativo O Tuiuti (órgão de divulgação da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul (AHIMTB/RS) e do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS), n. 472, janeiro 2025, p. 17-18; link: http://www.ahimtb.org.br/); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/01/na-origem-da-atual-ordem-mundial.html); Republicado no blog Diplomatizzando (5/02/2025; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/02/paulo-r-almeida-na-origem-da-atual.html). Relação de Originais n. 4839.
1569. “As relações internacionais do Brasil numa era de fragmentação geopolítica”, Interação com o Ateliê das Humanidades (https://ateliedehumanidades.com/o-atelie-de-humanidades/), com a participação de André Magnelli, Lucas Fayal Soneghet e Paulo Martins, em 22/01. Disponível em 27/01/2025 no YouTube (https://youtu.be/wze6Rw3rPyE) e no (Spotify: https://open.spotify.com/episode/553PSG4fE9txXGjI1pHin4?si=15775e7121dd4bc6); disponível no blog Diplomatizzando (27/01/2025; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/01/as-relacoes-internacionais-do-brasil_27.html). Relação de Originais n. 4834.
Russia Isn't Collapsing. It's Worse - Jason Jay Smart (The Kyiv Independent)
Jason Jay Smart, Jan 26, 2026
https://www.youtube.com/live/FFORJT5x0Nk
Russia’s war has shifted from a military campaign with a clear end state into a financial countdown driven by money, interest rates, and internal cohesion. As borrowing costs remain dangerously high and inflation continues to bite, the state loses its ability to absorb shocks or hide systemic failures. A persistent 16% policy rate tightens credit and makes refinancing prohibitively expensive while pushing immense stress into payrolls, small firms, and regional budgets. Because defense and security spending remain protected, everything else faces immediate cuts, including repairs, wages, infrastructure, and basic services. This brutal tradeoff accelerates decay and transforms financial pressure into volatile political pressure.
Inside the Kremlin, shrinking cash reserves turn former allies into dangerous rivals. Security elites now compete for control of dwindling resources, and this internal infighting becomes increasingly difficult to conceal. This economic fragility provides the context for expanding sabotage and intimidation operations abroad as the regime widens risk to buy time. The frontline grind delivers compounding costs without a victory to reset elite loyalty. As capacity shrinks in 2026, the regime shifts from strategy to damage control, and the clock becomes visible to everyone.
CHAPTERS:
00:00 - Intro: Putin’s Three-Day War Becomes a Four-Year Trap
01:05 - Russia’s Economic Rot: The Kremlin’s Ticking Clock
03:52 - Russia’s Banking Crisis: High Interest Rates & Toxic Loans
04:31 - Putin’s Military Budget: Can Russia Finance the War?
08:00 - Abandoned by Allies: Why Iran & Syria Can't Help Putin
09:14 - China’s Exit Strategy: Beijing is Not a Lifeboat
10:37 - The Kremlin's Fatal Error: Putin’s Strategic Dead End
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