sábado, 16 de outubro de 2010

A Economist fala sobre o nada: Republica Surrealista Popular da Coreia do Norte

A revista britânica The Economist (que existe desde 1844 e é certamente a melhor revista do mundo, ainda que muitos discordem disso, mais por prevenção ideológica do que por razões objetivas) raramente traz matérias sem importância nenhuma, ou seja, reportagens sobre o nada.
Ela é mais conhecida por sua fina ironia, por vezes por um sarcasmo sutil.
Pois bem, a matéria abaixo é só ironia, e eu até diria de um sarcasmo atroz.
Falar de flores para se referir à Coréia do Norte é, segundo as mentes mais sensatas, o absurdo dos absurdos.
Mas é a isso que corresponde exatamente a Coréia do Norte, provavelmente o Estado mais absurdo que possa jamais ter existido na face da Terra, o reino mais surrealista que já apareceu em nosso pobre planeta, a situação mais esquizofrênica jamais conhecida na geopolítica mundial, o país do sofrimento absoluto (tirando o Zimbabue, claro).
Enfim, a Economist exagera em falar do nada neste artigo abaixo.
Paulo Roberto de Almeida

Asia view
North Korean iconography
A Kimjongunia would smell as sweet
The Economist, October 14th 2010

PYONGYANG - SOMETIMES there are Kimilsungia exhibitions. Sometimes there are Kimjongilia ones. Citizens of Pyongyang are also treated to combined Kimilsungia and Kimjongilia shows. One such got underway at the beginning of this month, at the Kimilsungia-Kimjongilia Exhibition House: innumerable pots filled with the same two kinds of plant, a monotony alleviated only by a guide’s prediction that North Korea will one day get a third variety.

Kim Jong Il has resisted his late father Kim Il Sung’s predilection for studding North Korea with statues of himself (Pyongyang’s first of Kim Jong Il was reportedly unveiled earlier this year, 16 years after he succeeded his father as North Korea’s leader). Instead, Kim Jong Il says it with flowers. Foreign correspondents invited in for celebrations of the ruling party’s 65th birthday on October 10th saw them everywhere: on billboards, on huge digital screens erected for the festivities on Kim Il Sung Square, in a cascading display in the hotel lobby and in endless profusion at the exhibition (along with huge portraits of the two Kims).

Kim Il Sung officially remains president, against the odds, but the Kimjongilia, a giant red begonia, somehow leaves its visual stamp on Pyongyang even more pervasively than the Kimilsungia, a normal-sized purple orchid. It might be said that the Kimjongilia’s bouffant petals echo the hairstyle of North Korea’s eponymous ruler, but a guide at the exhibition has a more politically correct explanation of the flower’s appearance. Its bright red hue, she says, reflects Kim Jong Il as a “person of passion, with a very strong character”.

A journalist asked whether different temperature requirements made it difficult to keep begonias and orchids together. “We grow them with our hearts”, said the guide. In August North Korea’s Kimilsungia and Kimjongilia Research Centre came up with what might be a more reliable way of getting the best out of the Kimjongilia. After “years of research”, said the state news agency KCNA, it devised a chemical agent that could lengthen the blooming period by a week in summer or by 20 days in winter.

Interspersed among the potted plants were occasional models of items representing the two leaders’ great achievements: “a nuclear weapon” was how the guide described one missile-like object. Another was a model of a rocket supposedly carrying a satellite into space (the actual rocket blew up after launch in April 2009, but North Korean officials resolutely insist that it successfully put a satellite into orbit). Another represented a hand grenade, rifle and rocket launcher. But, no doubt deliberately, it was the Kimjongilia’s redness that struck the eye.

One display was of potted Kimjongilias supposedly donated by foreign diplomatic missions. China’s was uppermost, together with a photograph of Kim Jong Il shaking hands with China’s president, Hu Jintao. Individual European countries were conspicuous by their absence, but there was one pot plant there in the name of the European Union. (The North Koreans had tried to gouge each of the seven European embassies in Pyongyang for flower contributions—though hard currency, it was understood, would do nicely in lieu. The single Kimjongilia was their cost-saving solution.)

Oddly for plants that have acquired such crucial political significance in North Korea—the army has its own huge breeding centre for them—both are actually foreign creations. The Kimilsungia was presented in 1965 by Indonesia’s founding president, Sukarno, and the Kimjongilia arrived in 1988, courtesy a Japanese botanist. Kim Jong Un, Kim Jong Il’s anointed successor, who was seen by foreign journalists for the first time on October 9th and 10th, has yet to acquire a flower. “In future we will have one”, assures the guide.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Banco Nacional de Desenvolvimento das Causas Engajadas

A Revista Piaui traz matéria sobre o BNDES na Era Lula.
Apenas um trecho:

Em quinze dias de banco, Lessa mudou todos os diretores e superintendentes. “Aquilo lá estava coalhado de tucanos e gente favorável à privatização; eu não podia trabalhar com aquelas pessoas”, explicou. Funcionários tarimbados foram isolados em pequenas salas e deixados sem função. Alguns entraram em depressão e outros se aposentaram. Lessa fez um concurso público e aumentou o número de funcionários de 1 600 para os atuais 2 250. Os novos foram treinados no ideário desenvolvimentista e orientados a não conversarem muito com os antigos. “Foi um período de horror”, contou um velho funcionário. “Havia até câmeras nas salas para vigiar os funcionários.”

Republica Otimista Bolivariana e as exigencias para a ONU

Bem, todo mundo conhece minha posicao sobre a dita república, mas confesso que a matéria abaixo me encantou pela "exigência".
Um dia isso vai ser realidade..

Venezuela exige en la ONU la destrucción total y completa de armas nucleares
(nada menos do que isso...)

El representante permanente de Venezuela ante la Organización de Naciones Unidas (ONU), embajador Jorge Valero, exigió ayer jueves en ese foro internacional la destrucción total y completa de las armas nucleares en el mundo.

“Venezuela considera que la única garantía de la paz y la seguridad internacionales es la destrucción total y completa de las armas nucleares. Así lo exigimos”, enfatizó durante un debate temático sobre armas nucleares efectuado en la sede de la ONU en Nueva York, Estados Unidos.

Dijo que desde el inicio de la era de las armas nucleares el mundo vive bajo la amenaza latente de una guerra nuclear, “que significaría el exterminio de la especie humana. La mera existencia de estas armas representa uno de los más graves peligros para la humanidad”.

Subrayó que la delegación venezolana considera “que los países poseedores de armas nucleares tienen la mayor responsabilidad en la aplicación de medidas tendientes a reducir y eliminar sus arsenales nucleares, en consonancia con la letra y espíritu del Tratado de No Proliferación (TNP)".

“El presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez, ha alertado al mundo de que el mayor riesgo de que se desate una guerra nuclear en el mundo proviene de Israel, que tiene bombas atómicas”, expresó.

Destacó la necesidad de continuar “trabajando en el fortalecimiento del plan de acción adoptado para el desarme nuclear, con plazos debidamente establecidos”.

“Mi delegación subraya la necesidad instrumentar el Plan de Acción para el desarme nuclear y se fije el año 2025 como la fecha límite para el logro de un mundo libre de armas nucleares”, agregó.
Agencia Venezolana de Noticias (AVN) (Viernes 15/10/2010)

Mercado "Confuso" do Sul: Argentina continua praticando ilegalidades

A Argentina -- não só ela, por certo -- continua violando, impunemente se ouso dizer, as regras do assim chamado Mercado Comum do Sul, também conhecido como União Aduaneira Surrealista do Cone Sul, ou Zona de Livre Comércio Esquizofrênico, ou qualquer outro nome simpático que vocês possam encontrar.
Menos importante do que o importante (desculpem a contradição, mas o Mercosul também poderia ser conhecido como Mercado Contraditório do Sul) parecer abaixo transcrito desse "abogado" argentino é saber que a empresa que havia começado a causa desistiu dela no meio do caminho.
Não entendo porque uma empresa que contesta uma medida de seu governo, com expectativas reais de ganhar, pois está com o direito a seu favor, desiste da ação. Acredito que tenha sido aquele tipo de pressão truculenta, tipo mafioso, exercida pelo governo em questão.
Paulo Roberto de Almeida

Código Aduanero y derechos de exportación en el Mercosur
Alejandro D. Perotti, miembro del estudio Alais & De Palacios, Abogados

La cuestión de los derechos de exportación (mal llamados retenciones) sobre las operaciones al Mercosur continúa a pesar del nuevo código aduanero regional. El conflicto nace dado que el Tratado de Asunción establece el principio jurídico de la libre circulación de mercaderías, a través, entre otros, de la obligación de eliminar los “gravámenes” definidos por el tratado como “los derechos aduaneros que incidan sobre el comercio exterior”.

Tan evidente es el mandato que un Grupo de Expertos del bloque y también el Tribunal del Mercosur han determinado que tales tributos están prohibidos.

La resolución final del reclamo de devolución de lo abonado por derechos de exportación hacia el Mercosur, presentados por algunas empresas, se encuentra pendiente ante la Corte Suprema, la cual, en octubre de 2009, decidió consultar al Tribunal del Mercosur sobre si el Tratado de Asunción obliga a los Estados a abstenerse de aplicar estos tributos intrazona; sin embargo, esta petición fue abandonada pues la empresa reclamante desistió de la acción.

Según la Constitución, el derecho mercosureño tiene primacía sobre las normas nacionales de rango legislativo e inferiores.

¿En qué influye lo ocurrido en la Cumbre de San Juan?

El 3 de agosto el Consejo del Mercado Común (CMC) aprobó el Código Aduanero del Mercosur (CAM).

Para las autoridades nacionales, el nuevo código implica la aceptación de estos tributos. Sin embargo, un rápido análisis de las disposiciones que se invocan demuestra que el código, en este punto, en nada ha innovado.

En efecto, la norma que se alega es el artículo 157.4, el cual establece que el CAM “no trata sobre derechos de exportación y, por lo tanto, la legislación de los Estados Partes será aplicable en su territorio aduanero preexistente a la sanción de este Código, respetando los derechos de los Estados Partes”.

Ahora bien, los únicos derechos de exportación que el código puede regular (aún cuando sea para decir que ‘no (los) trata‘) son aquellos que se aplican en relación al territorio aduanero, es decir aquellos que repercuten sobre bienes que se extraen del territorio aduanero. El artículo 2 del CAM clarifica que “El territorio aduanero del Mercosur es aquel en el cual se aplica la legislación aduanera común del Mercosur”, y el artículo 1.2 que “La legislación aduanera del Mercosur se aplicará a la totalidad del territorio de los Estados Partes”. Así, el territorio aduanero del Mercosur es la sumatoria del territorio aduanero de los Estados, por lo cual los derechos de exportación a los que hace referencia el código son los que inciden sobre los bienes que se exportan hacia afuera del bloque. Por si existiera alguna duda, la exportación es definida en el código como “la salida de mercadería del territorio aduanero del Mercosur” (artículo 3), por lo que los “derechos” deben repercutir sobre lo que “sale” del Mercosur.

Existe otra norma, no alegada, que es el artículo 178.1 que estatuye que “Durante el proceso de transición hasta la conformación definitiva de la Unión Aduanera: a) la introducción o salida de las mercaderías de un Estado Parte a otro Estado Parte se considerarán como importación o exportación entre distintos territorios aduaneros”. Así, hasta la conformación definitiva (año 2019, según la Decisión 10/10) las ventas desde Argentina a otro Estado Parte son exportaciones desde distintos territorios aduaneros, y en tal sentido recobra vigencia “intrazona” la posibilidad prevista en el artículo 154.7 del código, esto es la aplicación de derechos de exportación.

Sin embargo, ni aún en este caso esta posibilidad es válida, dado que el CAM es una “Decisión” del CMC, que por su jerarquía inferior no puede modificar el Tratado de Asunción, que específicamente prohíbe los derechos de exportación intrazona. La relación entre una Decisión del CMC y el Tratado de Asunción puede equipararse a la que se da entre una ley del Congreso y la Constitución; así como una ley no puede reformar la Constitución, una Decisión del CMC no puede hacer lo propio con el Tratado de Asunción.

Finalmente, a pesar de la trascendencia que ha tenido la aprobación del CAM, éste en nada ha innovado el estado de situación preexistente en torno a la prohibición absoluta de derechos de exportación intrazona, contenida en el Tratado de Asunción, con lo cual toda empresa que exporte al Mercosur tiene la posibilidad de reclamar la devolución de lo que haya abonado.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Para quem estava preocupado com o "monopolio" do Bill Gates...

...esta nota da Economist deve lembrar que "monopolios" na era das tecnologias de informção e comunicação, nunca são eternos:

Microsoft launched Windows Phone 7, its new operating system for mobile phones. The company lags behind its competitors, such as Apple and Research in Motion, and currently accounts for just 5% of the smart-phone market.

Nacionalismo canhestro e irracionalidade economica: por que governos sempre tem de ser esquizofrenicos?

Leio, numa nota qualquer, dessas que a gente percorre displicentemente ao processar materiais que recebe pela internet, uma informação sobre a disposição de um governo do continente que fatalmente dividimos com outros povos -- mas a mesma realidade existe no Brasil também -- de apertar os parafusos em matéria de "nacionalismo fundiário".
Segundo a nota, esse governo pretende solicitar a seus aliados no parlamento...

a tarefa de elaborar projeto de lei para conter processo de aquisição de terras por estrangeiros. A alta produtividade das terras do país teria atraído a atenção do agronegócio internacional, com conseqüente sobrevalorização das propriedades rurais e desestímulo a compras por produtores [nacionais]. [O presidente] tem manifestado preocupação com os riscos à soberania decorrentes da venda de terras a empresas multinacionais e, especialmente, a outros Estados.


Bem, o mesmo já ocorreu no Brasil, como todos sabem, onde o governo, alarmado politicamente com a informação que estrangeiros [bem, se tratava de um povo que era, em princípio, "aliado estratégico" do Brasil] estavam comprando terras "demais", resolveu colocar um limite a essas aquisições, numa típica medida de nacionalismo fundiário, e de simples contravenção ao princípio do tratamento nacional -- que prometemos respeitar no âmbito de nossos compromissos internacionais, especialmente no GATT-OMC -- que promete ser prejudicial aos interesses nacionais, e à economia como um todo.

Eu perguntaria simplesmente o seguinte, a esses presidentes, a esses legisladores e a todos os nacionalistas fundiários:

1) Vocês acham que os estrangeiros vão pegar as terras e sair correndo do país?
2) Vocês acham que eles vão deixar as terras inativas, apenas para fins de especulação, em lugar de produzir e retirar o seu lucro? Eles deixariam de cumprir a famosa "função social da propriedade", esse monumento à boçalidade jurídica e econômica de nossa Constituição?
3) Vocês não acham que é um fato economicamente positivo a valorização das terras nacionais, pois isso traduz, no mundo econômico, a famosa lei, bastante simples, na verdade, da oferta e da procura? Ou seja, a valorização das terras nacionais, procuradas por gregos e goianos, ou melhor, por nacionais e estrangeiros, representa, de fato, uma valorização dos ativos nacionais e constitui, portanto, um fato eminentemente positivo na vida econômica nacional. Isso não é bom?
4) Vocês não acham bom que estrangeiros venham até nosso país, se dediquem a comprar terras, a produzir e a exportar, seja para onde for, e que isso aumente o PIB nacional, as exportações, a riqueza e a renda dos nacionais, do país? O que haveria de fundamentalmente negativo na exploração econômica racional, de acordo com as leis nacionais, de terras produtivas por estrangeiros?
5) Vocês não acham que está na hora de acabar com essa mentalidade canhestra, esse nacionalismo rastaquera, esse protecionismo idiota que consiste em achar que terras nacionais só podem ser exploradas (ou não) pelos nacionais?
6) O que existe de basicamente errado em pretender produzir e exportar no país? Os recursos para isso seriam indesejáveis, o processo todo danoso para o país?
7) Onde vocês colocam a racionalidade econômica em todas essas medidas que vocês concebem e tentam colocar em prática?

Não tenho nenhuma ilusão que a mentalidade desses governantes venha a mudar, any time soon.
Como lembrava alguém, subdesenvolvimento não é apenas uma questão material, é também uma questão de mentalidade.
Atraso intelectual e simples incapacidade de raciocinar corretamente são dois traços distintivos de nosso subdesenvolvimento mental...
Triste...
Paulo Roberto de Almeida
(Beijing, 15.10.2010)

Direita e esquerda no continente: o simplismo atroz de certas "analises" politicas

Recebi, como sempre recebo, consultas de jornalistas sobre a realidade política nacional e internacional do Brasil e de outros países, para fins de elaboração de matérias de imprensa. Respondo, como sempre, objetivamente, dizendo como vejo ou como interpreto tal ou qual fenômeno ou processo político ou social, nacional ou internacional.
Geralmente, são questões objetivas, "matter of fact", como se costuma dizer no jornalismo anglo-saxão, que SEPARA SEMPRE, e de modo claro, o que é reportagem, ou seja, simples exposição de fatos objetivos, que estão ocorrendo no país e no mundo, do que é análise, ou opinião, que são considerações sobre esses mesmos fatos e processos.
Infelizmente, esse não é o caso de jornalistas brasileiros, que parece não terem aprendido nas faculdades de jornalismo do Brasil -- que acho que não mereceriam esse nome, e que a rigor talvez nem deveriam existir -- essa separação elementar entre fato e opinião.
Por isso, recusei-me a participar de um exercício que reputo viciado e deformado desde a origem.
Reproduzo aqui as perguntas do jornalista e minhas respostas:

Direita e esquerda no continente: contra o simplismo
Paulo Roberto de Almeida

Começo pela transcrição da consulta:
On Oct 15, 2010, at 3:46 AM, Xxxxx Xxxxx wrote:

Mensagem enviada pelo formulário de Contato do SITE.

Nome: Xxxxx Xxxxxx
Cidade: Xxxxxxx
Estado: XX
Email: xxxxxxx@xxxxxxxxxxx.com.br
Assunto: Sem assunto

Mensagem: Prezado Paulo Roberto,
Estou fazendo uma matéria sobre a direita na América Latina, tentando estabelecer uma relação entre os recentes indícios de perda de poder da esquerda no continente, e de recuperação de espaço da direita. Gostaria de lhe fazer as seguintes perguntas:

- A eleição de Juan Manuel Santos, na Colômbia, e o recente flerte do candidato à presidência José Serra com a direita, haja vista as declarações do candidato Indio da Costa e a polêmica recente em torno do aborto, podem indicar uma nova onda da direita na América Latina?
- Esses indícios estariam em linha com o crescimento da onda conservadora global, percebida pelo fortalecimento da direita europeia e do Tea Party nos EUA?
- Ao mesmo tempo, é possível dizer que a esquerda bolivariana da latino-americana está enfraquecida? Dado o fortalecimento da oposição na Venezuela? Podemos prever nesses países um retorno da direita ao poder?
- Como essa nova onda afeta a geopolítica latino-americana? Podemos ver, no futuro um fortalecimento dos Estados Unidos na região?
- Como a política externa brasileira poderia mudar, em caso da eleição de José Serra para presidente? O senhor o vê como um líder conservador? Ou mais conservador que Dilma?

Desde já, agradeço,
Xxxxx Xxxxxx

Minha resposta: [PRA]

Xxxxx Xxxxxx,
O que voce me coloca nao são simples questoes, mas uma análise política completa do continente e do Brasil.
Devo dizer, antes de tudo, que sou contra simplificações e maniqueísmos tipicos de certa "ciência social" que olha o mundo sempre pelo prisma da divisão anacrônica e totalmente acadêmica de direita e esquerda. Os votantes, em todos os países, quando fazem suas escolhas, não estao, em sua imensa maioria, decidindo academicamente entre um candidato de direita ou outro de esquerda, mas sim pretendendo escolher aquele que vai melhorar suas vidas. Isto é elementar. Quem classifica os candidatos entre esquerda e direita sao os acadêmicos e os jornalistas, ambos simplisticamente.
Como voce vê, sou contra essas premissas das quais vc parte e que devem guiar sua matéria, por isso não pretendo participar com opiniões ou observações minhas tendo esse diapasão. Aliás, se quiser justamente usar meu argumento acima para introduzir um elemento de caução analítica na sua matéria, por favor, sinta-se à vontade.
Quem vê "flerte de Serra com a direita", numa classificação totalmente esquizofrênica, é você, não eu, e acho esse tipo de análise totalmente equivocada. Só quem vê o mundo por esse prisma, pode identificar oposição ao aborto como um posicionamento à "direita", seja lá o que isso queira dizer. Acho isso inaceitável no plano dos procedimentos corretos de análise política e até de metodologia de trabalho.
"Onda conservadora global": realmente isso é simplismo extremo, e totalmente equivocado. Pessoas, comunidades votam com base nos problemas locais e nacionais, não tendo suporte em ideologias. Mais uma vez o reducionismo desse tipo de análise é atroz.
Achar que a "esquerda bolivariana" está enfraquecida, por causa do avanço dos votos contrários a Chávez na Venezuela, e que a "direita" pode voltar ao poder é de uma miopia que condiz com toda essa visão do mundo, que encontro totalmente equivocada.
Quem diz que Serra seria mais "conservador" em politica externa do que Dilma é você, e acho isso simplesmente patético em termos de abordagem das questões de política externa (e outras, certamente), que acha que Lula, e supostamente Dilma, fez ou faria uma politica de "esquerda" ou "progressista". Esses rótulos são tão canhestros, que prefiro não participar de um exercício de reducionismo analítico e de simplificação política como o que vc pretende fazer.
Por favor, take me out dessa matéria, mantenha-me fora.
Digo isso não por antipatia por você, pelo jornal, ou por qualquer motivo "bilateral", mas por discordar completamente da abordagem e das premissas. É meu direito manter uma postura que considero como de simples honestidade intelectual, não coonestando análises que encontro equivocadas em seus fundamentos analíticos, e não apenas quanto ao fundo da matéria.
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Paulo Roberto Almeida

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Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...