quinta-feira, 20 de março de 2014

Escandalo Petrobras: corrigindo um editorial do Estadao

Não é todos os dias que é possível corrigir um editorial do venerável jornal reacionário, um dos grandes integrantes, e ativos militantes, do PIG, ou seja, do Partido da Imprensa Golpista, segundo os veneráveis militantes do partido totalitário, os mais ativos mentirosos nunca antes vistos nestas bandas do Atlântico.
Sinto muito, mas é preciso corrigir os termos desse título, enganoso a todos os títulos, se ouso dizer.
Primeiro, porque não se trata exatamente de uma confissão. Confissão a gente faz em tom constrangido, com ares de culpabilidade, quase se desculpando pelo que aconteceu, o que não parece ter sido o caso em nenhuma passagem, em nenhum momento da capenga "nota esclarecedora", que não esclarece e não justifica absolutamente nada.
Estarrecedora, tampouco parece ser, pois os companheiros estão acostumados com esse tipo de coisa, e nós com eles: nos doze anos que vai o seu reinado, nunca antes tínhamos visto tantos escândalos, tantas falcatruas, tantos "mal feitos", cada um na casa dos milhões, OK, este aqui ultrapassou as medidas, e já devem ser mais de 2 bilhões de reais, repito, MAIS DE DOIS BILHÕES DE REAIS.
Acho que dá uma boa grana.
Garanto que dá para pagar toda a Bolsa Família durante alguns anos...
Mas eles devem ter uso melhor para essa grana toda. Afinal, são companheiros nunca antes vistos neste país.
Paulo Roberto de Almeida

Confissão estarrecedora

20 de março de 2014 | 2h 07
Editorial O Estado de S.Paulo

Pelo menos uma vez na sua vida pública, cinco anos antes de se tornar presidente, Dilma Rousseff não foi a administradora detalhista de que tanto se queixam, naturalmente em surdina, os seus subordinados - e o resultado foi calamitoso para as finanças e a aura de seriedade de que se vangloriava a 20.ª maior empresa do mundo, a Petrobrás. Às vezes, governantes alegam ter assinado sem ler, em meio à papelada na fila para o seu autógrafo, textos de atos oficiais que, de outro modo, rejeitariam. No caso de Dilma, foi pior: contentando-se com o pouco que leu, autorizou irresponsavelmente a estatal a fazer um negócio temerário que lhe traria um prejuízo de mais de US$ 1 bilhão e uma inédita investigação da Polícia Federal, Tribunal de Contas da União e Ministério Público por suspeita de superfaturamento e evasão de divisas.
À época, fevereiro de 2006, Dilma ocupava a Casa Civil do governo Lula. A ex-ministra de Minas e Energia chegara ao posto em junho do ano anterior, depois que o ministro José Dirceu caiu em desgraça, acusado de chefiar o mensalão. As funções da nova ministra incluíam presidir o Conselho de Administração da Petrobrás. E nessa condição ela participou da decisão do colegiado de autorizar a empresa a comprar 50% de uma refinaria em Pasadena, no Texas, por US$ 360 milhões. A refinaria tinha sido vendida um ano antes a uma empresa belga, a Astra Oil, por US$ 42,5 milhões. Por falta de informação ou por indiferença, nem Dilma nem qualquer dos conselheiros - entre eles o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o das Relações Institucionais, Jaques Wagner - chamaram a atenção para o fato de que, para ficar com metade do empreendimento, a Petrobrás desembolsaria 8,5 vezes mais do que a Astra gastou pouco antes pela destilaria inteira.
Foi o começo da degringolada. Quando, em 2007, o Conselho negou à Petrobrás autorização para aceitar a proposta de compra dos demais 50%, a vendedora acionou a estatal na Justiça americana para obrigá-la a isso, invocando a cláusula contratual Put Option. Segundo ela, em caso de desavença entre os sócios, um deve ficar com a parte do outro.
Em 2008, a Petrobrás recorreu, pagando, diga-se de passagem, US$ 7,9 milhões a uma banca de advocacia ligada a ex-dirigentes da própria empresa. Derrotada na Justiça, ela acabaria pagando aos belgas US$ 820,5 milhões - US$ 639 milhões pela metade com que não queria ficar, mais honorários e custas processuais. O caso escabroso foi divulgado em 2012 pelo Broadcast, o serviço em tempo real da Agência Estado. O mais estarrecedor, porém, ainda estava por vir.
Na segunda-feira, confrontada por documentos inéditos atestando o voto favorável da então conselheira Dilma Rousseff à compra da refinaria, na fatídica reunião de 2006, ela confessou, em nota da Presidência da República a este jornal, que se baseara em um mero resumo executivo, "técnica e juridicamente falho", dos termos da transação. O seu autor era o diretor da área internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, indicado pelo ainda ministro José Dirceu. Espantosamente, ele é hoje diretor financeiro de serviços da BR Distribuidora. O texto não fazia menção à Put Option, tampouco à cláusula Merlin, que garantia à parceira da estatal um lucro de 6,9% ao ano, qualquer que fosse a situação do mercado de derivados de petróleo. Tais condições, diz a nota do Planalto, "seguramente não seriam aprovadas pelo Conselho" se delas tivesse ciência.
Mas esse é o escândalo - pior até, para a gestão pública, que os presumíveis atos de corrupção no bojo do negócio. Simplesmente não é concebível que uma operação daquele porte, em outro país, envolvendo a maior empresa brasileira e símbolo do progresso nacional, tenha recebido o sinal verde de seu órgão máximo de controle apenas com base em um sumário que ocultava aspectos cruciais do futuro acerto entre as partes. Só dois anos depois, com o litígio instalado, o Conselho tomaria conhecimento das cláusulas omitidas. Como é possível que nenhum dos seus integrantes tenha pedido para ver a minuta do contrato? E por que Dilma Rousseff esperou os fatos virem à tona para se explicar?

Venezuela: perguntas e duvidas terminologicas...

Como se chama um país no qual pessoas são presas por indivíduos armados, encapuzados, não identificados, sem ordens judiciais de prisão, e que levam os detidos para lugares não reconhecidos, sem quaisquer possibilidades de assistência legal, sem quaisquer garantias?
Como se chama um país no qual prefeitos legitimamente eleitos são presos apenas por pertencer a um partido de oposição ao governo?
Como se chama um país que tolera, estimula, alimenta, financia e protege gangues de mercenários armados, com licença para matar (sem ser James Bond), e que se dedicam a espalhar o terror entre manifestantes pacíficos, ou não armados?
Como se chamam países e dirigentes políticos que assistem a tudo isso absolutamente indiferentes, ou até apoiando quem comete os atos descritos acima?
Como deveríamos chamar todos eles?
Eu sempre tenho dúvidas terminológicas, pois não quero me equivocar nas próximas postagens.
Sugestões para este blog.
Paulo Roberto de Almeida 

31 morreram em protestos na Venezuela, diz procuradora-geral

Há também 461 feridos e 121 pessoas presas, segundo números do governo

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, afirmou nesta quinta-feira que 31 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas desde que começaram os protestos contra o governode Nicolás Maduro, em 12 de fevereiro. Entre os mortos, “25 são civis e seis policiais, militares e funcionários públicos”, disse a procuradora em um programa de rádio.
O número de feridos é de 461 pessoas, divididos entre 318 civis e 143 agentes policiais e militares, enquanto a quantidade de pessoas que permanecem detidas atualmente em conexão com protestos chega a 121, acrescentou Ortega. No total, já foram detidas 1.854 pessoas pelos incidentes ocorridos nos protestos que há um mês se sucedem no país, das quais 1.529 foram liberadas com penas substitutivas de liberdade.
Prefeitos presos – A oposição na Venezuela reagiu com indignação à nova ofensiva do chavismo contra prefeitos opositores, que resultou na prisão de dois políticos nesta quarta. “Isto tem apenas um nome: ditadura. Esse regime que estamos vivendo na Venezuela, onde não se respeitam os direitos de ninguém, simplesmente chegam alguns sujeitos armados e encapuzados e levam uma pessoa sem ordem de captura e depois ninguém fornece explicações”, disse o deputado Juan Guaidó. (Continue lendo o texto)

As vítimas dos protestos na Venezuela


Um dos principais incentivadores da onda de protestos contra Nicolás Maduro, o prefeito de San Cristóbal e dirigente do partido oposicionista Vontade Popular (VP) Daniel Ceballos foi preso na quarta-feira acusado de fomentar uma “rebelião civil”. Segundo membros do VP, Ceballos foi detido por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional que não apresentaram nenhum mandado de prisão.
Também nesta quarta, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela julgou a favor da prisão e da destituição de outro prefeito opositor, Enzo Scarano, do município de San Diego. Ele foi condenado a 10 meses e 15 dias de detenção por desrespeitar uma medida cautelar que o obrigava a evitar o bloqueio de ruas durante as manifestações contra Maduro. As prisões se somam a de Leopoldo López, outro importante membro da oposição, que está há um mês em uma prisão militar.

Desde que, em 12 de fevereiro, uma marcha em Caracas terminou em incidentes que deixaram três mortos e danos a instituições públicas, a Venezuela vem sendo palco de manifestações diárias contra o governo, algumas pacíficas e outras com finais violentos. Os manifestantes protestam contra a altíssima inflação, a violência no país e por mais liberdade de imprensa. O governo denuncia que por trás dos protestos há uma tentativa de golpe, enquanto a oposição defende o direito de expressar seu descontentamento pacificamente e acusa a polícia de abusos.

O petroleo e' nosso? Talvez! Mas e a Petrobras? Pertence aos companheiros?

E os companheiros? Eles podem fazer o que desejam da Petrobras?
Vender, comprar, lucrar, sem restrições?
Sem precisar ler os documentos?
Inclusive para financiar o partido? Ou outras coisas?
Gostaria de ver a cara dos companheiros agora.
Provavelmente continuarão a mentir sem vergonha...
Paulo Roberto de Almeida 

1964, politica e economia - Marcelo de Paiva Abreu


1964 - política e economia
Marcelo de Paiva Abreu *
O Estado de S.Paulo, 19/03/2014

Com o cinquentenário do golpe militar de abril de 1964, multiplicam-se as reminiscências e análises na mídia. Algumas têm interesse marginal e mesmo o depoimento de protagonistas tende à trivialidade. Em casos extremos, as manifestações parecem inspiradas no doutor Pangloss ou mesmo no barão de Münchhausen. Banzo do janguismo e ranço golpista contribuem para deformar memórias. O balanço de lembranças e análises mostra que, coletivamente, estamos ainda em busca de reflexão equilibrada e minimamente consensual sobre a crise da Terceira República e o golpe que a enterrou.
No plano político, não há espaço para divergência quanto à ruptura da legalidade. Algumas análises, entretanto, exageram no otimismo quanto à evolução do processo de consolidação da democracia no País antes do golpe, com base na simples realização de eleições entre 1945 e 1962, de acordo com o calendário eleitoral. De fato, o golpe de 1964 culminou uma sequência de tentativas frustradas de virar a mesa. Em meados de 1954, na esteira do atentado da Rua Tonelero, culminando no suicídio de Vargas. Em novembro de 1955, com a tentativa de bloquear a posse de Juscelino Kubitschek, vitorioso por pequena margem na eleição de outubro. Em agosto-setembro de 1961, com o veto militar à posse do vice-presidente da República, João Goulart. O desenlace dos três episódios golpistas envolveu "soluções" pouco convencionais: suicídio de Vargas em 1954, "contragolpe legalista" em 1955 e reforma constitucional que levou ao parlamentarismo em 1961. É difícil de detectar na história política da Terceira República tendência inequívoca de consolidação da democracia no Brasil.
Tentativas de embelezar a biografia do presidente Goulart também não facilitam uma avaliação razoável do que ocorreu no início dos anos 60. Jango foi político hábil, como mostram suas vitórias eleitorais, mas teve desempenho fraco entre 1961 e 1964, mesmo quando se levam em conta os limites de seu raio de manobra até o final de 1962. De olho na provável vitória do presidencialismo em futuro plebiscito, criou condições para que fosse preparado o Plano Trienal, bastante ortodoxo, cuja implementação supostamente permitiria conter a aceleração inflacionária e reverter a queda do ritmo de crescimento da economia. Mas, após pouco mais de um trimestre, no início de 1963, Jango capitulou e apoiou a "esquerda negativa", em oposição a San Tiago Dantas e Celso Furtado, seus ministros da área econômica. Prevaleceu a ênfase tradicional em modelo econômico autárquico com forte intervenção estatal, sem privilegiar a estabilidade macroeconômica. A economia parou de crescer, a inflação se acelerou, a crise política se aprofundou, o golpe prosperou. Mesmo um líder político de maior envergadura teria dificuldade de sobreviver à conjunção de tais fatores.
É verdade que o programa econômico Campos-Bulhões, adotado pelo primeiro governo militar, guardava semelhança com o que se propunha no Plano Trienal. A diferença é que o Plano de Ação Econômica do Governo (Paeg), mal ou bem, foi implementado e estabilizou a economia. Foi um Plano Trienal que vingou. Mas há alguma ironia no fato de que, após o triênio inicial de "imaginação reformista", o modelo econômico do regime militar tenha revertido à fórmula de autarquia e mais Estado, com o problema da inflação sendo temporariamente mitigado pela generalização da correção monetária. Após a débâcle dos 1980, só na década seguinte foi possível a busca de estratégia alternativa com ênfase em estabilidade macroeconômica, privatização e abertura da economia.

É irônico que, depois de meio século, um dos aspectos preocupantes do atual quadro econômico seja o vigoroso retorno da ênfase na autarquia e na intervenção estatal, acompanhada de leniência quanto aos desajustes macroeconômicos. Injustificada volta a fórmulas do passado cujo esgotamento é evidente à luz da história.

*Marcelo de Paiva Abreu é doutor em economia pela Universidade de Cambridge e professor titular no departamento de Economia da PUC-RIO

Brasil desarrumado? Chame o batalhao dos "chatos" - Mansueto Almeida

Há um grupo de economistas no Brasil que, tradicionalmente, são apontados por muitos como chatos porque gostam de lembrar uma lei máxima da economia: “não existe almoço grátis”. Eu conheço todos eles por circunstâncias diferentes.
Um desses economistas é o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore. Quando fui estudante na USP eu era louco para conhecê-lo, mas tinha medo de me aproximar dele. A clareza de pensamento do Pastore e sua critica, quase sempre correta, intimida um estudante de 23 anos de economia. O meu trauma foi solucionado quando nos conhecemos, em 2011, graças ao blog, e desde então temos mantido contato. Pastore é um dos economistas mais técnico e brilhante do Brasil e, apesar de seu vasto conhecimento, deixa à vontade o seu interlocutor no debate. Os seus relatórios são agradáveis de ler e baseados em análises econométricas rigorosas. Pode-se até discordar dele, mas duvido que alguém tenha coragem de insinuar algo sobre a qualidade de suas análises.
Outro do grupo dos “chatos” é o Alexandre Schwartzman. Fomos contemporâneos de USP e, para infelicidade dos estudantes, a sala do Alexandre era vizinho ao local do café, o que significa que todos nós levávamos bronca dele que queria estudar e ficávamos fazendo barulho na porta da sala. Só voltei a encontra-lo, em 2009, por circunstância do Blog. Trocamos alguns e-mails e de vez em quando nos encontramos. Perdi o medo das broncas do cafezinho!
O terceiro do meu grupo de economista chatos é o Fábio Giambiagi. Já escutei muita gente criticá-lo pelas suas posições em relação à reforma da previdência e pelo fato dele escrever sobre tudo em economia. Fábio escreve sobre tudo por dois motivos. Primeiro, ele lê sobre  tudo. Segundo, eles conversa com os melhores especialistas em todas as áreas. Tem um talento natural de descobrir pessoas jovens competentes e é, sem dúvida, o melhor editor de economia. Dada a sua imensa facilidade e disciplina para escrever é uma das pessoas que mais contribuem para o debate econômico no Brasil. Nos conhecemos, em 2004, quando ele estava no IPEA e desde então matemos contato.
O quarto economista chato é o Armando Castelar. Apesar de ambos sermos do IPEA, há um mundo entre o IPEA Rio e o IPEA Brasilia. Eu devo conhecer no máximo 5 ou 6 pessoas do IPEA Rio. Nos encontramos em 2011 em uma reunião da FIESP, em São Paulo. Armando é outro economista que gosta de olhar cuidadosamente para os dados e faz suas análises de forma desapaixonada. Faz aquelas perguntas lógicas que “acabam com a festa”. Antes de começar o ciclo atual de concessões, advertiu que os empréstimos subsidiados do BNDES deveriam ter como indexador um índice de preço porque, em algum momento, o governo teria que aumentar a TJLP que se deslocou fortemente da Selic e isso alteraria os subsídios das empresas que apostaram em uma tarifa menor, contando com subsídios elevados dos empréstimos do BNDES. Esse problema já chegou e está sem solução. Uma diferença de mais de 5 pontos de percentagem entre TJLP e Selic é insustentável.
Mas por que estou falando desses quatro economistas? Porque nas últimas discussões que tivemos e baseado no que eles escrevem este grupo sempre esteve mais pessimista do que eu em relação ao comportamento da economia para os próximos anos. Nesses últimos dias, confesso que comecei a “comprar” o cenário deles. O Brasil, a partir do próximo ano, vai precisar conciliar o aumento do superávit primário para algo como 2,5% a 3% do PIB; e fazer frente ao inevitável crescimento do gasto público não financeiro ligado às áreas de educação e saúde e passivos a serem reconhecidos – subsídios do PSI via BNDES, conta de energia, etc.
O que tudo isso significa? Uma busca desesperada por receita cuja primeira tentativa foi justamente a MP 627/2013 que trata da tributação do lucro de empresas no exterior (o economista Marcos Jank da brf fez um bom resumo do problema – clique aqui). Qual será o tamanho da mordida do Leão dependerá do sucesso no controle no crescimento do gasto, que por enquanto é incerto.
O meu cientista político preferido, Marcus André Melo da UFPe, acredita que não dá mais para tentar equilibrar o desejo de maior gasto com a necessidade de aumentar o primário via carga tributária e o ajuste vem pelo lado da despesa – clique aqui. Acho que ele subestima a capacidade da Receita de extrair impostos da sociedade, o uso da contabilidade criativa e superestima a real convicção da sociedade por um ajuste da despesa.
Há meses falo que o meu cenário para o Brasil é moderadamente otimista. Não é mais. " Senhor, eu tenho dúvidas". O próximo governo, seja ele quem for, tem uma agenda difícil pela frente. Será preciso muita convicção para arrumar a casa como foi feito em 1994/95, 1999 e 2003. Assim, os nomes da nova equipe econômica serão essenciais. Não é só questão de nomes bons, mas de nomes de economistas com independência (como Armínio Fraga e Henrique Meirelles) para até discordar de quem seja o presidente, que precisará de um esforço redobrado para se comunicar com a sociedade e viabilizar (i) aumento de carga tributária; e/ou (ii) controle do gasto. Nos dois casos, muita gente vai ficar com raiva.
Infelizmente, os economistas “chatos” parecem estar corretos. O Brasil está quebrado? Claro que não e o grupo acima não fala isso. Não era preciso o Krugman falar isso por dezenas (ou centenas) de milhares de dólares. Eu e outros falaríamos de graça. Mas os economistas que falam que tudo está bem não dizem absolutamente nada de concreto sobre como resolver a situação de conciliar aumento do primário com o desejo da sociedade por maiores gasto em educação, saúde e transferências. Acho até que muito deles adorariam ver a reencarnação dos seus ídolos que já se foram (como Keynes por exemplo) para solucionar os problemas. Sim, se você não sabe fique sabendo que há um grupo de economistas que tentam adivinhar o que Keynes pensaria, o que  Milton Friedman faria, se duvidar até o que Marx hoje falaria sobre o problema da renda dos 1% nos EUA. Não seria melhor simplesmente olhar para evidência empírica?
O próximo governo precisará escutar com mais cuidado os economistas "chatos". E claro que esses economistas não têm nada de chatos, apenas um grande defeito para alguns: eles gostam de falar a verdade e têm convicção do que falam. Em geral, eles mais acertam do que erram e, por isso, são respeitados. Eles têm a solução para os problemas do Brasil? claro que não e nem se propõe a isso. Mas eles sabem apontar na área macro o que está errado e alertar para o duvidoso sucesso de planos mirabolantes. Muita gente reclama deles, mas ninguém deixa de ler o que eles escrevem ou de conversar com eles.
De quem eu gosto mais? claramente do grupo mais espírita que quer convocar o espírito de Keynes (e o espírito animal) para resolver os nossos problemas e que sempre nos enche de otimismo e não falam de custo algum. Mas aprendo mais com os "chatos".
Sentiu falta de alguns nomes na lista dos chatos? é porque esses outros nomes não participam muito do debate de conjuntura apesar da presença maior que passaram a ter pelo seus artigos (Pedro Cavalcanti e Renato Fragelli) ou porque estão no meu grupo dos quase chatos: Samuel Pessoa, Marcos Lisboa, Ricardo Paes de Barros, Edmar Bacha, etc.
PS: vem ai um livro de dois dos economistas aqui mencionados. Vou comprar. ler, criticar e fazer propaganda.


quarta-feira, 19 de março de 2014

A Russia ameaca a seguranca e a estabilidade da Europa? Editorial Washington Post

The Post’s View

Obama doesn’t grasp Putin’s Eurasian ambitions

IT’S EASY to conclude that Vladi­mir Putin’s passionate defense of Russia’s takeover of Crimea “just didn’t jibe with reality,” as Secretary of State John F. Kerry put it. In a speech on Tuesday, the Russian ruler repeated mendacious charges that the Ukrainian government had been hijacked by “nationalists, neo-Nazis, Russophobes and anti-Semites”; voiced his paranoid conspiracy theory about supposed Western sponsorship of popular revolutions, including the Arab Spring; and brazenly compared Russia’s abrupt annexation of Ukraine with the reunification of Germany.
It’s necessary, however, to take some of what Mr. Putin said seriously, because of the implicit threat it poses to European and global security. Mr. Putin advanced a radical and dangerous argument: that the collapse of the Soviet Union left “the Russian nation” as “one of the biggest, if not the biggest ethnic group in the world to be divided by borders.” That, he suggested, gave Moscow the right to intervene in Crimea, and, by extension, anywhere it considers ethnic Russians or their culture to be threatened.
Mr. Putin’s doctrine would justify Russian meddling not just in other parts of Ukraine — he claimed that “large sections of the historical south of Russia” now “form the southeast of Ukraine” — but also in other former Soviet republics with substantial populations of ethnic Russians.
Western officials seem to be betting that Mr. Putin won’t dare to extend his aggression beyond Crimea. But then, just last week they were saying they did not expect Moscow to move quickly on Crimean annexation. The Obama administration and its European allies have been too slow to grasp that Mr. Putin is bent on upending the post-Cold War order in Europe and reversing Russia’s loss of dominion over Eastern Europe, the Caucasus and Central Asia.
Worse, some in and outside of Western governments may be feeding Mr. Putin’s imperialism by rushing to concede “Russian interests” in Eurasia. President Obama and Mr. Kerry are among those who have said they recognize such “interests” in Ukraine. But the fact that there are ethnic Russians in a country should not give Mr. Putin’s regime a privileged say in its affairs. The idea that areas populated by Russians must be ruled or protected by Moscow is less the ideology of the 19th century, as Mr. Kerry would have it, than of the 1930s.
Mr. Putin’s claim that Russia should have a say in the political orientation of its neighbors, and whether they join alliances such as the European Union or NATO, is equally unacceptable. (Mr. Kerry recently renounced, gratuitously, any such U.S. claim on Latin American states, several of which have close military ties with Russia.) Perversely, some in the West are echoing Mr. Putin’s argument that his aggression is an understandable response to Western encouragement of the former Soviet Bloc states that embraced democracy and free markets and sought NATO and European Union membership.
The two countries that Mr. Putin has invaded since 2008, Ukraine and Georgia, were rejected for NATO membership action plans that year. Can it be argued seriously that Estonia and Latvia, with their large Russian minorities, now would be less vulnerable to Russian aggression had they had not joined NATO? The crisis in Europe has come about not because Western institutions expanded, but because they did not fulfill their post-Cold War promise of “a Europe whole and free.”

Espionagem eletronica: a paranoia gigantesca da NSA (Washington Post, Edward Snowden)

Comment la NSA a mis sur écoute un pays entier

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Extrait des documents confidentiels de la NSA sur le programme Mystic.

Jusqu'ici, on savait la NSA capable d'intercepter ou de collecter des métadonnées (qui appelle qui, quand, où) téléphoniques. Mais le Washington Post révèle, mardi 18 mars, que l'agence américaine est également dotée de gigantesques capacités d'interception du contenu de ces appels téléphoniques.

Selon le quotidien américain, qui s'appuie à nouveau sur des documents d'Edward Snowden, la NSA a même, à partir de 2011, mis sur écoute un pays entier à l'aided'un programme appelé Mystic, testé dès 2009. En concertation avec de hauts responsables américains, le quotidien a décidé de ne pas nommer ce pays.
REMONTER DANS LE TEMPS
Les conversations interceptées sont dans un premier temps stockés sur une période de 30 jours. Mystic se double ainsi d'un autre programme, Retro, qui permet de fouiller dans cette masse de données et, éventuellement, de remonterdans le temps en retrouvant des conversations interceptées précédemment.
En 2013, des documents évoquaient la possibilité de mettre sur écoute d'autres pays. Le détail du budget du renseignement américain, précédemment publié par le quotidien, évoque quant à lui cinq à six pays dont tout ou partie des conversations téléphoniques sont collectées par la NSA.
Même si les analystes de l'agence n'écoutent pas l'intégralité de ce qui est intercepté par l'agence, le Post précise que chaque mois, des millions de ces écoutes sont extraites du stock de 30 jours pour une conservation de plus long terme.
INTERCEPTION DE MASSE
Un porte-parole de l'administration américaine a défendu ce type d'interception de masse, où tout est englouti par l'agence sans aucune forme de ciblage, expliquant que certaines menaces sont « souvent cachées dans le vaste et complexe ensemble des communications mondiales ».
Comme le note le Washington Post, cette révélation bat en brèche ce qu'avait affirmé le président Obama lors de son discours de janvier. « Les Etats-Unis n'espionnent pas les gens ordinaires qui ne menaçent pas la sécurité nationale », avait-il dit.
Voir ci-dessous nos explications : « Comment la NSA vous surveille »

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...