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Frases
Do jornalista Cláudio Humberto, comentando o relacionamento entre o deputado Luiz Moura, do PT de São Paulo, que já cumpriu pena por assalto, fugiu da cadeia até que o crime prescrevesse e pessoas acusadas de pertencer ao PCC:
Não vote em ladrão. Ele pode virar político, e vice-versa.
Do tuiteiro Renzo Mora:
Terroristas desistem de atacar São Paulo na Copa: "A gente não conseguiria provocar um caos maior que as autoridades de lá" diz porta-voz.
Do empresário e escritor Alexandru Solomon:
É possível separar os políticos em três categorias: os que roubam, os que são coniventes e os que não conseguem coibir os roubos.
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Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Frases da semana, coletadas pr Carlos Brickmann
Podem não ser memoráveis, constantes, ou pedagógicas, mas iluminam o, ou correspondem ao que poderia ser chamado de, Zeitgeist:
O lobista no wikileaks: exigencias bisonhas...
O historiador Marco Antonio Villa disse que o governo acabou. Metaforicamente é verdade. Na prática, ainda vai dar certo trabalho até acabar oficialmente. E muitas preocupações bisonhas, como ele reflete neste trecho de seu artigo de ontem no Globo:
"... o sentimento popular de enfado, de cansaço, também o atingiu. O encanto está sendo quebrado, tanto no Brasil como no exterior. Hoje suas viagens internacionais não têm mais o apelo do período presidencial. Viaja como lobista utilizando descaradamente a estrutura governamental e intermediando negócios nebulosos à custa do Erário."
( Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/o-governo-acabou-12697090#ixzz33gBxTa3V )
Tal acusação de utilização da estrutura governamental para seus fins de lobista é indiretamente confirmada por um wikileak da instituição que assegura a representação externa do Brasil:
"... o sentimento popular de enfado, de cansaço, também o atingiu. O encanto está sendo quebrado, tanto no Brasil como no exterior. Hoje suas viagens internacionais não têm mais o apelo do período presidencial. Viaja como lobista utilizando descaradamente a estrutura governamental e intermediando negócios nebulosos à custa do Erário."
( Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/o-governo-acabou-12697090#ixzz33gBxTa3V )
Tal acusação de utilização da estrutura governamental para seus fins de lobista é indiretamente confirmada por um wikileak da instituição que assegura a representação externa do Brasil:
Em um dos supostos documentos secretos, há uma lista das
preferências e pedidos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em suas
viagens internacionais. Entre eles, estão 12 copos de whisky, taças de vinho e
até cinzeiros no banheiro. Essas mensagens são parte do rol de documentos
hackeados do sistema de comunicação do Ministério das Relações Exteriores na
semana passada.
(,…)
No documento “orientação sobre hospedagem”, o Itamaraty lista os
equipamentos para uma viagem internacional do ex-presidente Lula. Além de copos
de uísque e taças de vinho, previa a presença de um barbeiro, de uma manicure e
um massagista. Os cinzeiros também não poderiam faltar no quarto do hotel. A
equipe tinha cuidado em manter a forma do presidente e solicitava sorvete e
gelatina dietéticos.
(O Globo, 2/06/2014)
(O Globo, 2/06/2014)
Revista Foreign Affairs: numero especial sobre o massacre da Praca da Paz Celestial, Beijing, 4 de junho de 1989
25 Anos se passaram depois que a mais longa ditadura do mundo contemporâneo -- só perde para a ditadura da Coreia do Norte, que é ainda mais cruel e assassina -- massacrou centenas, possivelmente mais de um milhar, de estudantes que se mobilizaram por democracia no grande império despótico.
A revista Foreign Affairs -- contra uma modesta assinatura de 19,95 -- oferece documentos e análises sobre esse evento definidor da China contemporânea. Ela vai chegar a democracia, mas esse processo é incompatível com a dominação do partido comunista. Vamos ter de esperar novas crises para isso...
Paulo Roberto de Almeida
Foreign Affairs
A revista Foreign Affairs -- contra uma modesta assinatura de 19,95 -- oferece documentos e análises sobre esse evento definidor da China contemporânea. Ela vai chegar a democracia, mas esse processo é incompatível com a dominação do partido comunista. Vamos ter de esperar novas crises para isso...
Paulo Roberto de Almeida
Foreign Affairs
In June 1989, the Chinese government brutally suppressed masses of peaceful protestors in Beijing's Tiananmen Square. A decade later, Foreign Affairs revolutionized the world's understanding of those events by publishing an exclusive trove of documents showing why China's leaders opted for violence that fateful day. Now, 25 years after the crackdown, we are delighted to bring you Tiananmen and After, a special collection that couples those secret documents with a range of expert commentary on modern China's political evolution.
This collection traces just what happened back in June 1989, what it meant, and what has taken place since then. It opens with a new introduction by Andrew Nathan, one of the key figures behind the publication of the secret documents (that have become known as "The Tiananmen Papers"), and includes pieces on China's rapid economic rise, its sluggish political reforms, and the multitude of challenges that lie ahead.
The rise of China is one of the most important stories of our time, and Tiananmen and After is a wonderful guide to it for history buffs and news junkies alike. Don't miss out— subscribe today!
Best,
Gideon Rose
Editor, Foreign Affairs
Gideon Rose
Editor, Foreign Affairs
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Eleicoes 2014: descontentamento dos eleitores e campanha esquentando
Manifestantes participan en una jornada nacional de protesta contra la organización del Mundial de fútbol de 2014 en Río de Janeiro (Brasil).
Brasil Mundial 2014
Encuesta revela un amplio descontento en Brasil a pocos días del Mundial
Reuters
Sao Paulo, 3 de junio de 2014
Sao Paulo, 3 de junio de 2014
Las claves
- La inflación es considerada el mayor problema económico, según la encuesta. Esto podría ser una mala noticia para la presidenta Dilma Rousseff, que buscará la reelección en octubre.
Brasil: ¿Se puede cambiar el rumbo de la prosa electoral?
(Infolatam).- “El gobierno busca pintar el cuadro electoral como una contienda entre dos “modelos socioeconómicos” radicalmente diferentes: uno comprometido con las causas del pueblo y de Brasil; otro antisocial y sumiso. Cualquier obervador minimamente libre e informado, sabe que ese cuadro no retrata la realidad de los hechos. Ni un eventual futuro mandato de Dilma haría al país abrazar un “modelo bolivariano” ni una victoria de Aécio nos llevaría a la adopción de un “modelo neoliberal”. ”
El nivel general de insatisfacción en Brasil es del 72 por ciento de acuerdo con la encuesta realizada por elPew Research Center, con sede en Washington.
La cifra representa un alza desde el 55 por ciento registrado en la encuesta que Pew realizó en el 2013, justo antes de que estallaran las mayores protestas callejeras en dos décadas en el gigante sudamericano.
Seis de cada 10 encuestados dijeron que ser sede del Mundial, que comienza la próxima semana, es malo para Brasil, ya que los miles de millones de dólares gastados en el torneo serían mejor invertidos en servicios como la salud, escuelas y transporte público.
Los resultados se asemejan a los de otras encuestas recientes realizadas por firmas brasileñas, que también mostraron que el respaldo al Mundial disminuyó durante los últimos dos años debido a que el Gobierno no ha cumplido con las infraestructuras y otras muchas inversiones prometidas.
El torneo de un mes de duración se inicia el 12 de junio en el nuevo estadio de Sao Paulo.
El Pew Center encontró que los brasileños estaban particularmente preocupados por la economía de su país, que se ha desacelerado hasta casi detenerse en los últimos tres años después de un auge de una década.
Las dos terceras partes de los consultados dijeron que la economía está en mal estado, mientras que sólo el 32 por ciento cree que las cosas van bien.
Esto muestra un cambio de actitud con respecto a hace un año, cuando el 59 por ciento creía que el país estaba en buena forma económicamente. Las esperanzas de que la Copa del Mundo proporcionaría un impulso muy necesario también se han desvanecido, ya que datos divulgados el viernes mostraron que el Producto Interno Bruto apenas creció en el primer trimestre.
La inflación es considerada el mayor problema económico, según la encuesta. Esto podría ser una mala noticia para la presidenta Dilma Rousseff, que buscará la reelección en octubre.
La delincuencia, la salud y la corrupción política encabezan la lista de preocupaciones no económicas de la encuesta.
El 48 por ciento de los brasileños dijo que cree que Rousseff está ejerciendo una “buena influencia” en el país y el 52 por ciento describió su influencia como “mala”. Sus cifras fueron particularmente negativas en aspectos como manejo de la corrupción y la delincuencia, aunque son mejores entre los grupos de menores ingresos, su base política.
Aún así, el 51 por ciento de los encuestados dijo que tenía una opinión favorable de Rousseff, una cifra mucho más alta que la obtenida por dos de sus posibles rivales en la elección de octubre. Sólo el 27 por ciento tiene una opinión favorable de Aecio Neves, del Partido Social Demócrata Brasileño, y un 24 por ciento tuvo una opinión favorable sobre Eduardo Campos, del Partido Socialista Brasileño.
La encuesta de Pew, que tiene un margen de error del 3,8 puntos porcentuales, se basó en 1.003 entrevistas realizadas a nivel nacional a mayores de 18 años entre el 10 y el 30 de abril.
A frase do dia, da semana, do mes da Copa: enfim, parece que tem genteque nao gosta do futebol...
Mais direto impossível:
Manifestantes participan en una jornada nacional de protesta contra la organización del Mundial de fútbol de 2014 en Río de Janeiro (Brasil).
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| Encuesta revela un amplio descontento en Brasil a pocos días del Mundial |
Una encuesta publicada el martes mostró un panorama sombrío en Brasil a pocos días de acoger el Mundial de fútbol, en una señal de la frustración generalizada que existe por el estado de la economía y el desempeño de la presidenta Dilma Rousseff.
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Pela falencia da USP, imediata, total, restauradora...
A USP foi a minha alma mater, nos tempos do AI-5. Depois eu a deixei, para estudar no exterior. Quando voltei, sete anos depois, encontrei-a acomodada ao dinheiro fácil que jorrava tanto do governo federal -- para o fomento à pesquisa -- quanto do governo estadual, para sua manutenção.
Ao longo dos anos, fui à USP dezenas de vezes, para seminários, para palestras, para bancas, para diversos tipos de atividades, e a despeito de estar sempre classificada nos primeiros lugares do Brasil e da região, sentia que alguma coisa não andava bem.
Claro, a sua administração. Ela gasta o dobro, por aluno, do que a Universidade Católica do Chile, que acaba de roubar o seu lugar como primeira da região.
Espero que sua decadência seja rápida, e a catástrofe definidora.
Infelizmente, as máfias sindicais de professores e funcionários não permitirão sua recuperação em condições normais.
É apenas por isso que eu desejo a completa falência da universidade.
Para que ela possa ser recuperada em novas bases...
Mas vai demorar...
Paulo Roberto de Almeida
Ao longo dos anos, fui à USP dezenas de vezes, para seminários, para palestras, para bancas, para diversos tipos de atividades, e a despeito de estar sempre classificada nos primeiros lugares do Brasil e da região, sentia que alguma coisa não andava bem.
Claro, a sua administração. Ela gasta o dobro, por aluno, do que a Universidade Católica do Chile, que acaba de roubar o seu lugar como primeira da região.
Espero que sua decadência seja rápida, e a catástrofe definidora.
Infelizmente, as máfias sindicais de professores e funcionários não permitirão sua recuperação em condições normais.
É apenas por isso que eu desejo a completa falência da universidade.
Para que ela possa ser recuperada em novas bases...
Mas vai demorar...
Paulo Roberto de Almeida
A Universidade, por má gestão, gasta 106% dos seus recursos em
salários. Se fosse uma instituição privada, teria falido. O modelo de
governança precisa ser debatido
Editorial O Globo, 3/06/2015
Pela dimensão e
importância estratégica, o ensino público básico monopoliza as atenções de
especialistas e domina os debates sobre Educação. Mas, quando a Universidade de
São Paulo (USP), a melhor instituição de ensino superior do país, mapeada em
rankings internacionais, entra em crise, é como se fosse ligado um estridente
sinal de alerta. Afinal, os centros de excelência no ensino universitário
estão, em maior número, nos estabelecimentos públicos. Qualquer maior problema
em seu modelo, baseado na quase total autonomia, justifica sérias preocupações.
A USP já indicava alguma
perda de substância acadêmica em rankings mundiais. Em 2012, até então única
universidade brasileira a aparecer entre as duzentas melhores do mundo, no
levantamento da Times Higher Education (THE), a USP, ligada à estrutura do
Estado de São Paulo, caiu do 158º lugar para o grupo de escolas que se
distribuem entre a 226ª e a 250a posições, cujos nomes não são divulgados. Já
no ranking dos melhores estabelecimentos latino-americanos, levantado pelo
grupo Quacquerelli Symonds (QS), a USP, este ano, perdeu o posto de melhor
universidade do continente para a Católica do Chile. Esta, por sinal, exige uma
prova de proficiência em inglês. Quem vai mal, precisa estudar a língua. E
assim a universidade chilena consegue produzir metade de seus artigos
científicos em parceria com centros internacionais de estudo e pesquisa. A USP,
apenas de 25% a 30%, um fator negativo nas avaliações internacionais.
A USP enfrenta graves
problemas financeiros: tendo seguido, desde o final da década de 80, uma norma
prudente, mas não escrita, de destinar 80% dos recursos, oriundos do ICMS
paulista, para salários e os 20% restantes para investimentos e outras despesas
de custeio, a universidade, por má administração, gasta hoje 106% em salários.
Ou seja, se fosse uma instituição privada, estaria falida. O atual reitor,
recém-empossado, Marco Antônio Zago, da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto, da USP, propõe medidas administrativas duras. Por exemplo, nenhum
reajuste salarial este ano. O resultado foi a decretação de greve de
professores, funcionários e alunos. A pior solução será se o Palácio dos
Bandeirantes aceitar colocar mais dinheiro na universidade, sem qualquer
contrapartida, ampliando a parcela dos cerca de 5% do ICMS do maior estado da
Federação recebidos pela USP. Se a autonomia foi mal usada — no caso, pelo
reitor anterior, João Grandino Rodas, da Faculdade de Direito (Largo de São
Francisco) —, ela precisa ser exercida agora para a própria universidade fazer
um ajuste.
Será um processo
doloroso, pois o campus, nos últimos anos, foi politizado e partidarizado, com
a atuação de grupos radicais e sindicatos. Entende-se, por este aspecto, a
crise acadêmica da USP. Em ambientes como este, a meritocracia deixa de ter
valor. A questão é saber se a autonomia como tem sido praticada é o melhor
sistema de governança para instituições que vivem do dinheiro da contribuinte,
ao qual precisam dar retorno na forma de conhecimento, pesquisas, e assim por
diante. O momento da USP põe em debate o modelo de gestão das universidades
públicas.
terça-feira, 3 de junho de 2014
Prata da Casa - Boletim ADB: 2ro. trimestre 2014 - livros de diplomatas
Acabo de completar a série para o segundo trimestre do ano:
Prata da Casa
Boletim ADB: 2ro. trimestre 2014
Hartford, 3 Junho 2014, 3 p.
Notas sobre os seguintes livros:
Prata da Casa
Boletim ADB: 2ro. trimestre 2014
Hartford, 3 Junho 2014, 3 p.
Notas sobre os seguintes livros:
Guilherme Frazão Conduru:
O Museu
Histórico e Diplomático do Itamaraty: história e revitalização
(Brasília: FUNAG, 2013, 370 p.; ISBN 978-85-7631-433-2; Coleção CAE)
O diplomata e historiador Guilherme Conduru já
tinha assinado uma bela dissertação sobre o Pacto ABC (original), iniciado pelo
Barão, terminado por seu sucessor. Prosseguindo nos estudos históricos, ele
aproveitou uma estada no escritório do velho palácio Itamaraty, no Rio, para
preparar esta tese de CAE sobre o Museu Histórico e Diplomático, criado por um
estadista, duas vezes ministro das relações exteriores e historiador
diplomático, José Carlos de Macedo Soares. Criado por ele, em 1955, em sua
segunda gestão, o MHD seria reinaugurado outras vezes, como resultado de
revitalizações materiais, que também representam revisões mentais na história
diplomática do Brasil. O livro é inédito em sua categoria, e não apenas sobre o
MHD, como também sobre os museus históricos do Brasil de forma geral.
Fernando Guimarães Reis:
Por uma
academia renovada: formação do diplomata brasileiro
(Brasília: FUNAG, 2013, 398 p.; ISBN 978-85-7631-458-5)
Dizem que o
serviço exterior se caracteriza pela excelência. O que não se sabe é se essa
qualidade se deve a seu concurso de ingresso, notoriamente rigoroso, ou à sua
academia diplomática, o Instituto Rio Branco. Ou seja, o material já era bom
antes do ingresso na carreira, ou se fez melhor ao passar pelos bancos
escolares do Rio Branco? Este livro trata dessa dúvida existencial, já revelada
na frase introdutória de Heidegger, segundo quem todo questionamento é uma
busca. O autor tenta responder, em cinco partes, cobrindo as marcas de
nascença, os contrastes de personalidades, uma volta ao barão, a dúvida entre
academia e instituto e uma proposta para uma academia renovada.
Termina por
uma nota altamente intelectual sobre a filosofia da educação, que talvez
confirme que o Itamaraty é excelente a despeito, ou independentemente, do IRBr.
Fernando Cacciatore de Garcia:
Como Escrever
a História do Brasil: Miséria e Grandeza
(Porto Alegre: Sulina, 2014, 659 p.; ISBN: 978-85-205-0704-2)
O autor já
tinha assinado uma bela pesquisa histórica sobre a formação das fronteiras
sulinas, Fronteira Iluminada: História do
Povoamento, Conquista e Limites do Rio Grande do Sul, a partir do Tratado de
Tordesilhas (1420-1920),
e estava, portanto, perfeitamente habilitado para retomar a pergunta que tinha
sido colocada, no início do IHGB, aos candidatos a um concurso sobre essa dúvida
metodológica, ganho pelo alemão Martius. O resultado é um monumental volume sobre o nosso iluminismo
historiográfico, onde figuram não apenas os grandes nomes da inteligência
nacional, mas muitos outros pensadores universais. A história oficial sempre
precisa de revisões constantes, e Garcia confirma sua preparação para a missão
ao corrigir deformações sempre visíveis. Grandeza e miséria não são apenas
conceitos, mas realidades presentes.
Rafael Souza Campos de Moraes Leme:
Absurdos
e milagres : um estudo sobre a política externa do Lusotropicalismo (1930-1960)
(Brasília: Fundação Alexandre de
Gusmão, 2011, 164 p.; ISBN 978-85-7631-326-7)
Um estudo de caráter histórico-antropológico-diplomático
sobre como o lusotropicalismo, ideologia construída pelo sociólogo brasileiro
Gilberto Freyre, já famoso pelo seu clássico sobre a formação patrimonial do
escravismo brasileiro, foi usado e instrumentalizado pelo Estado Novo português
para defender seu colonialismo tardio, e sobre como o Brasil foi usado nessa
estratégia para manter o império africano. Dos anos 1930, até os anos 1960, o
Brasil se dobrou à política externa portuguesa nesse capítulo pouco glorioso de
nossa diplomacia contemporânea. Ao mesmo tempo, não se pode negar que a teoria
reacionária do genial pernambucano serviu para legitimar algumas das ações e
iniciativas tomadas pela diplomacia brasileira na África, na fase recente. Mais
um exemplo de como a história dá muitas voltas, em torno de si mesma.
João Augusto Costa Vargas
Um
mundo que também é nosso: o pensamento e a trajetória diplomática de Araujo
Castro
(Brasília : FUNAG, 2013, 265 p.;
ISBN: 978-85-7631-470-7; Coleção política externa brasileira)
O Itamaraty possui algumas dinastias
persistentes ou descontinuadas, entre elas a do próprio barão, preservada na
incorporação do título ao nome de família, e a de Araujo Castro, um dos mais
distinguidos diplomatas da geração contemporânea. Um novo João Augusto refaz a
trajetória intelectual e diplomática do anterior, que deixou sua marca na
política externa brasileira e não apenas por ter sido o último chanceler do
caótico governo Jango, derrubado em 1964, e pela “teoria” do “congelamento do
poder mundial”, mas sobretudo por ter oficializado uma nova “teoria” sobre
nossa suposta “condenação à grandeza”, nacional e internacional, talvez por já
ser grande no mapa do mundo. Araujo Castro foi um grande diplomata porque estudava
intensamente o Brasil, pensava de forma lógica e escrevia claramente. Boas
sugestões aos jovens de hoje.
Marcelo P. S. Câmara
A
política externa alemã na República de Berlim: de Gerhard Schröder a Angela
Merkel
(Brasília : FUNAG, 2013, 326 p.;
ISBN: 978-85-7631-447-9; Coleção CAE)
São poucas as teses de CAE que
examinam toda a política externa de um grande país, aliás, importante parceiro
do Brasil no cenário diplomático e econômico mundial. A Alemanha de Berlim
renovou as tradições criadas em Bonn e, tanto na administração socialdemocrata
quanto na conservadora, passou a projetar de modo mais incisivo o país no
cenário mundial. O capítulo sobre as relações bilaterais segue o padrão usual
no Itamaraty para esse tipo de análise, mas o importante, para a historiografia
diplomática brasileira, é o exame minucioso da política externa alemã no
período pós-Guerra Fria, especialmente relevante, na fase atual, sobretudo em
sua vertente econômica, como visto na crise do euro, que foi basicamente uma
crise fiscal de vários membros da UE. A liderança de Angela Merkel restabeleceu
padrões aceitáveis de política econômica.
Paulo
Roberto de Almeida
[Hartford,
3/06/2014]
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