quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

RELAÇÃO DE TRABALHOS, 39 (Brasília, 2025: do nº 4.821 ao nº 5.166) - Paulo Roberto de Almeida

RELAÇÃO DE TRABALHOS, 39

Paulo Roberto de Almeida
(Brasília, 2025: do nº 4.821 ao nº 5.166)

Trabalhos do Ano de 2025 (janeiro-dezembro 2025)
Nºs 4.821 a 5.166 = 345 trabalhos

Atualizada em 31 de dezembro de 2025

4821. “Alocução de um contrarianista a jovens internacionalistas”, Brasília, 1 janeiro 2025, 5 p. Revisão de alocução a formandos de RI, em 2005. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/01/alocucao-de-um-contrarianista-jovens.html).

4822. Trabalhos publicados de Paulo Roberto de Almeida em 2024”, São Paulo, 31 de dezembro de 2024, 5 p. Relação n. 29, de trabalhos publicados no ano de 2024, do n. 1.540 ao n. 1.567. Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/126713062/29_Trabalhos_publicados_de_Paulo_Roberto_de_Almeida_2024_); divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (1/01/2025; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/01/trabalhos-publicados-de-paulo-roberto.html); duplicado no trabalho 4838.
(...)
5165. “Minha visão do mundo na passagem de um ano a outro”, Brasília, 31 dezembro 2025, 1 p. Nota sobre como eu vejo o mundo e o Brasil na atualidade. Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/minha-visao-do-mundo-na-passagem-de-um.html).

5166. “Relação de trabalhos originais realizados em 2025”, Brasília, 31 dezembro 2025, 1 p. Transcrição da relação de trabalhos elaborados no ano de 2025, n. 39, para finalizar a lista completa. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/145687492/5166_RELACAO_DE_TRABALHOS_39_Bras%C3%ADlia_2025_do_no_4_821_ao_no_5_166)

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 31 de dezembro de 2025
Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/145687492/5166_RELACAO_DE_TRABALHOS_39_Bras%C3%ADlia_2025_do_no_4_821_ao_no_5_166

Minha visão do mundo na passagem de um ano a outro - Paulo Roberto de Almeida

Minha visão do mundo na passagem de um ano a outro


        Existem três grandes potências no mundo.

        A maior, supostamente hegemônica, está atualmente sob a condução de um débil mental, subordinado ao líder da segunda maior potência bélica, que é um criminoso de guerra, e um reles tirano querendo imitar Ivan o Terrível, Hitler e Stalin ao mesmo tempo. 

        A terceira grande potência, a caminho de se tornar de novo um império economicamente preeminente, como já o foi no passado, tem à sua frente um imperador tecnocrático que voltou a centralizar o poder excessivamente, o que pode prejudicar o dinamismo inventivo de seu povo, enérgico no trabalho, sob a condução de novos mandarins bem instruídos.

        Tem ainda uma meia potência, formada atualmente por 27 países razoavelmente desenvolvidos, mas que ainda constitui um mosaico de povos nem sempre convergentes em seus propósitos democráticos e compatíveis com a afirmação da força do Direito sobre o direito da Força.

        E temos um grande país que ocupa metade de um continente, dotado de grandes vantagens comparativas, naturais e adquiridas, mas que avança muito lentamente em seu processo de desenvolvimento econômico e social, tolhido, como geralmente sempre foi, por elites medíocres, que preferem acumular riquezas de forma egoísta e mesquinha em lugar de cuidar da educação do povo. Vai demorar, ao que parece, para encontrar sua vocação própria, mantendo a ilusão de que deve escolher alguma grande potência para apoiar, em lugar de construir um espaço de potências médias interessadas em preservar a primazia do Direito Internacional e das liberdades democráticas, numa transição entre novos equilíbrios internacionais. 

        Meus votos para que a racionalidade prevaleça num momento de novas escolhas em eleições democráticas.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 31/12/2025


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Trabalhos publicados de Paulo Roberto de Almeida, 30 (2025) - Do n. 1.569 ao n. 1.613 (44 trabalhos)

 Trabalhos publicados de Paulo Roberto de Almeida, 30 (2025)

2025: Do n. 1.569 ao n. 1.613

Pau1o Roberto de Almeida
Atualizada em 31 de dezembro de 2025

Número de trabalhos publicados: 44 (ou aproximadamente 3,66 por mês)

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1569. “As relações internacionais do Brasil numa era de fragmentação geopolítica”, Interação com o Ateliê das Humanidades (https://ateliedehumanidades.com/o-atelie-de-humanidades/), com a participação de André Magnelli, Lucas Fayal Soneghet e Paulo Martins, em 22/01. Disponível em 27/01/2025 no YouTube (https://youtu.be/wze6Rw3rPyE) e no (Spotify: https://open.spotify.com/episode/553PSG4fE9txXGjI1pHin4?si=15775e7121dd4bc6); disponível no blog Diplomatizzando (27/01/2025; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/01/as-relacoes-internacionais-do-brasil_27.html). Relação de Originais n. 4834.

1570. “80 Anos do Brasil na ONU: a história da diplomacia e de uma vida”. Publicado pelo Ateliê das Humanidades (31/01/2025; link: https://ateliedehumanidades.com/2025/01/31/80-anos-do-brasil-na-onu-a-historia-da-diplomacia-e-de-uma-vida/); disponível em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/127389171/4826_80_Anos_do_Brasil_na_ONU_a_hist%C3%B3ria_da_diplomacia_e_de_uma_vida_2025_). Relação de Originais n. 4826.

1571. “Na origem da atual ordem mundial: a desordem brutal criada por dois ditadores”, Publicado no boletim informativo O Tuiuti (órgão de divulgação da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul (AHIMTB/RS) e do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS), n. 472, janeiro 2025, p. 17-18; link: http://www.ahimtb.org.br/); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/01/na-origem-da-atual-ordem-mundial.html); Republicado no blog Diplomatizzando (5/02/2025; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/02/paulo-r-almeida-na-origem-da-atual.html). Relação de Originais n. 4839.

1572. “Brazil [in the Cold War]”, published online: Encyclopaedia of the Cold War, Routledge Resources Online series, version 1, 30 March 2025, edited by Ruud van Dijk; DOI: https://doi.org/10.4324/9780367199838-RECW87-1 ; Summary: An Early Cold War Warrior and An Early Retreat from the Cold War; 2. In the Beginning was the Comintern; 3. The Americanisation of Brazil; 4. The Years of the Anti-Communist Military Dictatorship; 5. Disentangling Brazil from the Cold War Spirit; References and Further Reading. Relação de Originais n. 4589.

1573. “Permanências imperiais e nova ordem global no teste da história”, Publicada na Revista IHGDF nova série (Rev. Instituto Histórico Geográfico do Distrito Federal ISSN 2325-6653, Brasília, v. 14, n. 1, 2025, p. 135-160; ISSN: 2325-6653; link: https://revistaihgdf.com.br/index.php/ojs/article/view/9/17); disponível: https://www.academia.edu/124519295/4676_Permanencias_imperiais_e_nova_ordem_global_no_teste_da_historia_2024_); anunciado no blog Diplomatizzando: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/10/permanencias-imperiais-e-nova-ordem.html). Relação de Originais n. 4676.
(...)

1611. “O mundo marcha para a direita? Retornamos cem anos no passado?” Publicado na revista Será? (ano xiv, n. 688, 19/12/2025; link: https://revistasera.us2.list-manage.com/track/click?u=411db2b245b4b4625516c92f4&id=5c6dea8af9&e=1647837395). Relação de Originais n. 5138.

1612. “O Brasil em 2025, expectativas para 2026, no país e no mundo”, Brasília, 22 dezembro 2025, 4 p. Síntese das principais ocorrências em 2025 e agenda aberta para 2026. Publicado na revista Será? (ano xiv, n. 689, 26/12/2025; link: https://revistasera.info/2025/12/o-brasil-em-2025-expectativas-para-2026-no-pais-e-no-mundo/). Relação de Originais n. 5153.

1613. “Antônio Augusto Cançado Trindade e o Itamaraty”, in: Carlos H. Perini Miranda, Paulo B. Casella, Sérgio E. Moreira Lima (orgs.). A obra e o legado de Cançado Trindade. Brasília: Funag, 2025, 472 p.; ISBN: 978-65-5209-027-0; p. 271-307. Obra disponível no link: https://funag.gov.br/biblioteca-nova/produto/1-1337. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/145679786/4611_Antonio_Augusto_Can%C3%A7ado_Trindade_e_o_Itamaraty_2024_); informado no blog Diplomatizzando (30/12/2025; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/antonio-augusto-cancado-trindade-e-o.html). Relação de Originais n 4611.

Número de trabalhos publicados em 2025 até 31/12/2025: 44

Relação completa neste link da plataforma Academia.edu:

https://www.academia.edu/145682906/5164_Trabalhos_publicados_de_Paulo_Roberto_de_Almeida_30_2025_


Uma paz não-kantiana?: Sobre a paz e a guerra no contexto da globalização (2008) - Paulo Roberto de Almeida (REST)

 Uma paz não-kantiana?: Sobre a paz e a guerra no contexto da globalização”, São Paulo, 10 julho 2008, 12 p.

Paper preparado para a 1ª Sessão Temática, “Segurança Internacional em Perspectiva Comparada”, do Segundo Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (Niterói: UFF, 16-19 de julho de 2008), com base no trabalho 1867 (proposta). Versão preliminar publicada na Revista Acadêmica Espaço da Sophia (Tomazina, PR; ano II, n. 17, agosto 2008, p. 1-12; ISSN: 1981-318X).

Publicado no livreto do II Encontro Nacional da ABED.

Revisto e ampliado em 5/09/2008 para a Revista Brasileira de Estudos Estratégicos (Niterói: Universidade Federal Fluminense, Núcleo de Estudos Estratégicos (ano 1, n. 1, março 2009, p. 74-87; ISSN: 1984-5642; http://www.rest.uff.br/index.php/rest/article/view/165 ).

Selecionado entre os 18 melhores para publicação em livro pela ABED). Revisto inteiramente e refeito sob n. 1987.

Relação de Originais n. 1910; Publicados n. 896.

Uma paz não-kantiana? Sobre a paz e a guerra no contexto da globalização
A non-Kantian peace? On peace and war in the context of globalization


Paulo Roberto de Almeida
Revista Brasileira de Estudos Estratégicos (Niterói: Universidade Federal Fluminense, Núcleo de Estudos Estratégicos (ano 1, n. 1, março 2009, p. 74-87; ISSN: 1984-5642; link: http://www.rest.uff.br/index.php/rest/article/view/165).


Resumo: Em 1948, Raymond Aron, convencido dos impasses da Guerra Fria, formulou um diagnóstico por ele confirmado três décadas depois: “paz impossível, guerra improvável”. Uma leitura não-kantiana dos problemas da paz e da guerra atualmente – isto é, não condicionada aos sistemas políticos dos contendores, mas situada na tradição aroniana – poderia introduzir novas reflexões sobre a natureza dos conflitos contemporâneos. As possibilidades de conflito aberto entre as grandes potências retrocederam em relação ao panorama de guerras totais, de estilo clausewitziano, que Aron contemplava em sua época. Mas não estamos sequer próximos de qualquer tipo de paz “kantiana”. O cenário estratégico poderia ser resumido numa paráfrase da afirmação aroniana: paz possível, conflitos prováveis.

Palavras-chave: Guerra. Paz. Globalização. Conflitos contemporâneos.


Abstract: Raymond Aron, believing in the irretrievable nature of the Cold War divide between Western powers and Soviet Empire, formulated in 1948 his very well known diagnostics about this conflict: “impossible peace, improbable war”, which he confirmed three decades later, in his posthumous work, “The Last Years of the Century”. A present-day non-Kantian reading of the peace and war problems in the context of globalization – and thus not conditioned by the political system of the contenders, albeit within Aronian tradition – could help in bringing new light to the discussion about possible conflicts in contemporary era. Possibilities of open conflicts between the big powers have receded in comparison with the Clausewitzian scenario, analyzed by Raymond Aron in his time. Yet, we are very far from any kind of a Kantian peace. Strategic scenario could be interpreted by a paraphrase of the Aronian dicto: “possible peace, probable conflicts”.

Key-words: War. Peace. Globalization. Contemporary conflicts.

Texto completo disponível na plataforma Academia.edu - link: https://www.academia.edu/145681415/1910_Uma_paz_nao_kantiana_Sobre_a_paz_e_a_guerra_no_contexto_da_globalizacao

Antônio Augusto Cançado Trindade e o Itamaraty - Paulo Roberto de Almeida (obra coletiva, 2025)



Paulo Roberto de Almeida:
Antônio Augusto Cançado Trindade e o Itamaraty
in: Carlos H. Perini Miranda, Paulo B. Casella, Sérgio E. Moreira Lima (orgs.). A obra e o legado de Cançado Trindade. Brasília: Funag, 2025, 472 p.; ISBN: 978-65-5209-027-0; p. 271-307. Obra disponível no link: https://funag.gov.br/biblioteca-nova/produto/1-1337.
Relação de Originais n 4611; relação Publicados n. 1613.

Texto disponível na plataforma Academia.edu, link:
https://www.academia.edu/145679786/4611_Antonio_Augusto_Can%C3%A7ado_Trindade_e_o_Itamaraty_2024_

An overall assessment of the highly prestigious work done by the Brazilian international jurist Antonio Augusto Cançado Trindade, in its interactions with the Brazilian Ministry of Foreigh Relations (Itamraty), having been the Juridical Consultant between 1985-1990, after judge at the Interamerican Human Rights Court, and finally judge at the International Court of Justice, in Hague. Left an immense work, mainly in Human Rights and International Public Law.

A interação de Antônio Augusto Cançado Trindade com o Ministério das Relações Exteriores e com a diplomacia brasileira foi intensa e constante, desde um exitoso retorno do doutoramento em Cambridge (em 1977, prêmio Yorke, de melhor tese, sobre a exaustão dos recursos internos no direito internacional) e a imediata assunção da cadeira de Direito Internacional Público na UnB e no Instituto Rio Branco, entre 1978 e 2009. Desde que assumiu na UnB, já em 1979, ofereceu um curso completo de introdução ao estudo das relações internacionais, discorrendo, numa apostila recheada de notas e referências bibliográficas, sobre o “domínio reservado dos Estados na prática das Nações Unidas e organizações regionais”.


Brazilian geopolitical thinking ahead of its time: Varnhagen’s Organic Memorial (1849) - Paulo Roberto de Almeida (2025)

Brazilian geopolitical thinking ahead of its time: Varnhagen’s Organic Memorial (1849)

in: Francisco Leandro, Rodrigo Franklin Frogeri, Yichao Li, Francisco Proença Garcia, Antonio Ruy de Almeida Silva (eds.), The Palgrave Handbook on Geopolitics of Brazil and the South Atlantic. Singapore: Palgrave Macmillan Singapore, 2025, p. 3-18; 

DOI: https://doi.org/10.1007/978-981-95-1169-3

ISBNs: Hardcover: 978-981-95-1168-6; e-Book: 978-981-95-1169-3. 

Relação de Originais n. 4741; Relação de Publicados n. 1590.

Disponível na plataforma Academia.edu: 

https://www.academia.edu/145664546/4741_Brazilian_geopolitical_thinking_ahead_of_its_time_Varnhagen_s_Organic_Memorial_1849_




E por falar em Sete Pecados Capitais, eu já tinha coletado 24, mas políticos - Paulo Roberto de Almeida

 Recebi, há pouco, um livro do meu amigo e professor Fernando Dias de Avila Pires, sobre os seus (dele) pecados capitais, muito bem humorados, e me lembrei que eu mesmo havia elaborado uma lista, para desenvolver depois, dos novos pecados capitais aplicados a políticos.

O livro do Fernando Pires está aqui: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/um-livro-genial-os-sete-pecados.html


Reproduzo abaixo meu trabalho pertinente ao mundo político, mas acho que dá para aumentar bastante essa lista pouco exaustiva: 

Dicionário Político dos Novos Pecados Capitais (2006) - Paulo Roberto de Almeida


Um texto ainda mais antigo, da época do Mensalão, que, visto retrospectivamente, parece brincadeira de criança perto do Petrolão e de outras coisas ainda piores, das quais sequer desconfiamos.
Enquanto o castigo não vem, nossa única arma é a denúncia, a demonstração de que estamos conscientes de que eles são patifes, e sempre serão.
Paulo Roberto de Almeida
 
Dicionário Político dos Novos Pecados Capitais

Paulo Roberto de Almeida

Como todos sabem, os sete pecados capitais da tradição cristã são, sem ordem particular de prioridade, os seguintes:
1) inveja
2) avareza
3) cobiça
4) orgulho (ou soberba)
5) preguiça
6) luxúria e
7) gula

Sobre eles não precisamos nos alongar indevidamente, tendo em vista toda a exegese já registrada na história, a começar por São Tomás de Aquino até exemplos mais recentes na literatura. Pode-se questionar, inclusive se esses “pecados” continuam sendo “capitais” ou se a sua presença na vida diária já não vem sendo admitida com alguma tolerância pelos mais diversos personagens da vida pública. Afinal de contas, todos eles, com alguma discrição para a luxúria, vêm sendo exibidos por esses personagens, até mesmo com certa desfaçatez, sem que autoridades morais ou religiosas venham a público condenar atos e atores com a veemência que seria de se esperar.
Deixando de lado esses pecados da velha tradição, proponho-me agora listar alguns novos pecados da moderna vida política, da brasileira em particular. Os políticos, em geral, exibem uma penca deles, não todos os políticos, em bloco, nem todos os pecados, ao mesmo tempo, mas vários desses  personagens da vida pública ostentam alguns de forma cumulativa e, o que é pior, de maneira reincidente.
Não vou deter-me agora sobre casos concretos da vida pública brasileira, tanto porque eles estão sendo expostos de maneira recorrente, nas comissões parlamentares de inquérito e nas páginas da imprensa e em outros meios de comunicação.
Parafraseando uma frase famosa, pode-se dizer que nunca, tantos podres da vida pública foram assumidos de forma tão aberta, para o conhecimento de tantos cidadãos, estupefatos. Assistimos, desde vários meses, a uma enxurrada de denúncias, várias delas já substanciadas por provas contundentes, sem que se tenha visto, até aqui, nenhuma condenação moral, ou qualquer condenação de fato. Resta saber se velhos e novos pecados serão, de alguma forma, julgados e condenados no futuro previsível.
Esperando que chegue o “dia do julgamento final”, proponho-me, assim, a apresentar alguns novos pecados da vida política brasileira que, numa lista não exaustiva, poderiam ser identificados com os seguintes:

1) corrupção
2) hipocrisia
3) fraude
4) desfaçatez
5) volubilidade
6) inconstância
7) mentira
8) mediocridade
9) transferência de encargos para terceiros
10) ignorância deliberada de fatos de sua competência
11) irresponsabilidade quanto ao desempenho de funções
12) pretensão
13) eleitoralismo desenfreado
14) propaganda indireta, com meios públicos
15) uso da máquina estatal para fins particulares
16) populismo (velho e novo)
17) demagogia (aparentemente, uma segunda natureza)
18) arrogância
19) clientelismo
20) fisiologia
21) nepotismo
22) fuga da realidade (autismo político)
23) esquizofrenia (defesa de objetivos conflitantes na vida política)
24) ofensa à inteligência alheia (“eu não sei”, “eu não vi”, “não estou sabendo”...)

Paro provisoriamente por aqui, e não pretendo, no momento, elaborar sobre cada um desses novos pecados, esperando ao menos que eles sejam auto-explicativos. Os fatos que poderiam substanciar cada um desses verbetes do novo dicionário de costumes políticos da vida brasileira são conhecidos de todos e não requerem nova descrição.
Termino parafraseando Dante Alighieri (1265-1321), o poeta italiano autor de “A divina comédia”, que numa de suas frases memoráveis disse o seguinte: “Não menos do que saber, me agrada duvidar.”

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 26 de janeiro de 2006

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Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...