Descoberta fantástica.
Eu sempre me perguntei como fazem certas pessoas ante a monotonia dos formulários padrões, que costumam solicitar o sexo das pessoas, mas só oferecem duas únicas opções:
Masculino - Feminino
ou
Male - Female
Asi no más...
Sempre achei, e me perguntei cá com os meus botões e zíperes, como faziam as pessoas que não se achavam enquadradas por nenhuma das duas opções. Deviam ficar angustiadas, e achando que se cometia uma violência contra suas outras opções sexuais, que, como se sabe, são amplas, gerais e irrestritas.
Afinal, somos seres livres ou não?
Pois bem, acabo de descobrir, pela primeira vez, que existe uma terceira opção, embora decepcionante, como são todas as respostas padrões.
Ao me cadastrar no site de uma revista acadêmica, para acessar seu conteúdo -- com finalidades, portanto, totalmente, inteiramente, essencialmente intelectuais -- fui confrontado com estas três opções:
Masculino
Feminino
Outro
Não vou revelar minha opção, pois isso não é da conta de ninguém, mas achei interessante, embora frustrante.
O sujeito que coloca outro, não sabe como, no final de tudo, vão classificá-lo.
Ei, você aí, você é homem ou mulher?
Eu, hum..., sou "outro"...
Bem, fica um pouco dubitativo, não é mesmo?
Em todo caso, o CNPq, aderindo ao racismo oficial, já nos pré-classificou em apenas cinco raças:
Branco
Preto
Pardo
Amarelo
Indígena (ou Vermelho, ou qualquer outra coisa parecida, não me lembro)
Não quero declarar
Nessa obrigatoriedade racista, indiquei que não pretendia declarar, mas depois me arrependi.
Deveria ter indicado -- e convido todos os acadêmicos Lattianos a fazê-lo -- que sou Negro, assim mesmo.
Já que a intenção é racista, vamos todos pertencer à raça superior, não é mesmo?
Bem, chega de conversa mole.
Quem também quiser conhecer essa nova opção sexual, ainda que tão pobre em face da grande diversidade existente, pode, se tiver interesse, se cadastrar na revista acadêmica em questão.
http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/neiba/user/register
Aposto que eles vão ter uma audiência superior às expectativas, mas não vou cobrar nada por isso.
Enfim, cada um decide o que quer ser...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Uau! Descobri que existe "outro" sexo; apenas nao sei dizer, e nao me dizem, qual e'...
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Um comentário:
Quem tem raça é cachorro, declarou o brilhante baiano João Ubaldo. Cachorro, gato, cavalo, macaco, urso, têm raça. Mas penso que tigre de bengala, por exemplo, é um nome de animal que reflete o preconceito dos jovens contra todos nós que pertencemos à melhor idade.
Sim, eu sei: agora seria hora de apensar aqueles nefandos rss, rss, rss, rss na conclusão da frase. Eu me recuso terminantemente a me valer deste "marcador textual". Um dêitico de ironia, ai, meu pai! Estou acostumada a lidar com gente que pesca ironia até onde não há! Gente que pode até ser acusada de paranoica de vez em quando, mas que jamais será chamada de oligofrênica.
De volta ao tópico. Meus ancestrais filogenéticos são os ursos polares, posso apostar. Meu atual marido é da raça das aves de rapina: uma legítima águia. Mistura de urso com águia, só mesmo no jogo do bicho. Bem que eu disse, quando era pequena, que queria ser filha de bicheiro. Bicheiro pra mim, naquele tempo, era dono de zoológico.
Quanto ao Lattes, agora a gente tem que dizer a que raça pertence. Tem porque tem que dizer. Acabou esse negócio de direito de ficar calado. Não tem raça, mizifio? Inventa uma e se encaixa nela. Se vira nas tinta!
Os terríveis conservadores, os monstros direitistas como você, Paulo, é que querem negar a existência das raças negras oprimidas, dos sexos femininos oprimidos, dos multimiseráveis homens, mulheres e principalmente Outros oprimidos!
Sim, sim, sim!!! Existem várias raças negras, vários sexos femininos, vários outros oprimidos, mas o opressor-rolo-compressor só existe um, só um, um, um e um!!! É o branco, empresário, capitalista, machista e racista!
Amém???!!! Amém???!!!
E eu ouvi dizer que estão exigindo que se declare a raça no Lattes porque vão passar a exigir dos que se declararam brancos que usem - mas só dentro dos campi das universidades federais - uma estrela branca na camisa ou na calça.
Será boato espalhado por gente do mal?
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