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terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Abade Raynal, sobre o futuro do Brasil, que ainda não chegou

Esse Raynal era um vidente, só que ainda não aconteceu o que ele desejava...

“O Brasil converter-se-á num dos mais formosos estabelecimentos do globo (nada para isso lhe falta) quando o tiverem libertado dessa multidão de impostos, desse cardume de recebedores que o humilham e oprimem; quando inúmeros monopólios não mais encadearem sua atividade; quando o preço das mercadorias que lhe trazem não mais for duplicado pelas taxas que andam sobrecarregadas; quando os seus produtos não pagarem mais direitos ou não os pagarem mais avultados que os dos seus concorrentes; quando as suas comunicações com as outras possessões nacionais se virem desembaraçadas dos entraves que as restringem...”.

Guillaume-Thomas Raynal, conhecido como Abade Raynal,

Histoire philosophique et politique des établissements et du commerce des européens dans les deux Indes (Amsterdam, 1770);

Apud Manuel de Oliveira Lima, D. João VI no Brasil (3a. ed.; Rio de Janeiro: Topbooks, 1996), p. 58-59. 



segunda-feira, 12 de junho de 2023

O ''negócio'' do futuro e os conselhos de Kissinger - Pedro S. Malan (Estadão)

 O ''negócio'' do futuro e os conselhos de Kissinger

Por Pedro S. Malan
O Estado de S. Paulo11/06/2023

“It is the business of the future to be dangerous” (é o negócio do futuro ser perigoso) escreveu o grande matemático e filósofo Alfred Whitehead em 1926. Tempos atrás, cometi a ousadia de parafrasear o autor na forma “o futuro tem por ofício ser incerto”, porque penso que incerteza engloba não só perigos, como também imprevisibilidades, sonhos, expectativas e oportunidades que o futuro sempre encerra. Este artigo explora certas imprevisibilidades – e possibilidades – do futuro neste sexto e problemático mês do governo Lula 3.

Começo com o conselho de um grande investidor americano, Howard Marks: “Você pode não conhecer o futuro, mas é bom que tenha uma boa ideia sobre onde você se encontra” (you may not know the future, but you would better have a good idea of where you are). Sempre achei que esse conselho se aplica não apenas a pessoas, mas também a empresas, a países e ao mundo.

Em imperdível e longa matéria publicada na The Economist e em português neste jornal (20/5/2023), Henry Kissinger apresenta três lições a “aspirantes a líder”. A primeira: “Identifique onde você está”. E acrescenta a palavra-chave: impiedosamente (pitilessly). O que deveria englobar a compreensão de como e por que se chegou até o momento atual – base para vislumbrar futuros possíveis.

Os conselhos de Marks e Kissinger aplicam-se a Lula e seu “núcleo duro”, que deveriam estar impiedosamente avaliando a situação em que se encontram – e olhando à frente, com foco na governabilidade, para os cruciais 18 meses à frente, até outubro de 2024. Já em 2021, Marcos Mendes concluiu artigo (FSP, 3/12) com sugestões ao presidente da República a ser eleito em outubro de 2022: “Ou Vossa Excia. constrói e controla uma coalizão majoritária no Congresso ou alguém vai construí-la e inviabilizará o seu governo. E Vossa Excia. já terá um ponto de partida ruim, tendo de desfazer os erros que ora se acumulam”. Mendes não precisou lembrar ao futuro presidente que a composição do Congresso Nacional para a legislatura que se iniciaria (2023-2026) já estaria definida desde o primeiro turno. E que os então incumbentes teriam sobre novos candidatos a enorme vantagem decorrente dos bilionários Fundos Eleitoral e Partidário, bem como das crescentes emendas parlamentares transferindo maior poder ao Legislativo em matéria orçamentária.

A propósito, em excelente artigo recente (Governos e coalizões, FSP, 5/6), Marcus André Melo nota uma característica de nosso fragmentado sistema de presidencialismo multipartidário com partidos não programáticos: “Partidos diferentes ocupando o Executivo e Legislativo decorrem de suas bases eleitorais serem diferentes, e a estrutura de incentivos com que se deparam, radicalmente distinta. Para os deputados, a sobrevivência política é função dos recursos que alimentam redes locais via ministérios, cargos no segundo escalão e emendas orçamentárias. Para o presidente, ela é nacional e de outra natureza: ele (a) é punido (a) ou premiado (a) por desempenho econômico e políticas redistributivas”. O alinhamento entre incentivos tão díspares, nota o autor, não é orgânico. “Há espaço para ganhos de troca, embora o resultado social líquido seja marcado por grande ineficiência alocativa.”

Agora, o segundo conselho de Kissinger: defina objetivos capazes de agregar (enlist, no original) as pessoas. “Encontre meios que sejam enunciáveis (describable means, no original) para alcançar esses objetivos.” Esse conselho é particularmente relevante para o Brasil no momento atual. É importante, na expressão, o describable, porque não bastará enunciar uma longa lista de objetivos desejáveis, sem a preocupação de descrever os meios para alcançá-los. É na identificação destes que surgem os difíceis trade-offs.

O terceiro e último conselho de Kissinger para aspirantes a líder com pretensões de protagonismo global é também particularmente significativo para o Brasil de hoje, que tem claras (e legítimas) pretensões na arena global e que exercerá a presidência do G-20 em 2024. O conselho é: “Ligue tudo isto aos seus objetivos domésticos, sejam eles quais forem”. Afinal, o prestígio, a voz, a influência e o protagonismo de um país no mundo dependem fundamentalmente de sua capacidade de mostrar a si próprio, à sua região, e ao mundo que está sendo capaz de equacionar os seus numerosos problemas domésticos nas áreas econômica, social, ambiental e político-institucional.

A frase de Whitehead que citei no início tem uma importante segunda parte: “(...) and it is among the merits of Science that it equips the future for its duties” (e está entre os méritos da Ciência equipar o futuro para seus deveres). Os países mais bem-sucedidos do mundo foram aqueles que entenderam, ainda que em momentos históricos distintos, que seu desenvolvimento de longo prazo dependeria da força propulsora dada por educação de qualidade e facilitação de avanços científicos, tecnológicos e inovações que permitissem aumentos de produtividade e capacidade de inserção internacional. São estes os elementos que, em última análise, asseguram o desenvolvimento econômico social sustentável no longo prazo de qualquer país. O Brasil não é – e não será – exceção.

*

ECONOMISTA, FOI MINISTRO DA FAZENDA NO GOVERNO FHC. E-MAIL: MALAN@ESTADAO.COM


segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Revista Interesse Nacional: número 59: disponível no portal

Caros leitores,

 

A reinvenção do Brasil se faz necessária em 2023. São inúmeras as contingências e desafios. A atual edição faz reflexões sobre o futuro que nos espera frente ao complexo e difícil cenário eleitoral e diante de um mundo em recuperação econômica pós-pandemia e vivendo uma guerra em plena Europa. No Brasil, em razão de medidas inconsequentes, eleitoreiras e sem lastro técnico, as contas públicas preocupam assim como a busca de equilíbrio na relação Executivo/Congresso, consagrando protocolos de governabilidade. Não é tarefa simples, mas possível se guiada por propósitos de grandeza política, como trata a atual edição.

 

Questões que permanecem relevantes por projetarem uma sombra sobre a vida democrática nacional, caso da polarização, autoritarismo e conflito interinstitucional, alimentados pelas disputas no meio digital, são tema da Revista, assim como o futuro verde para o Brasil. Seremos um farol do mundo nessa ordem que ainda se desenha em defesa da economia sustentável? Seremos respeitados após a degradação da imagem do país, hoje associada à devastação ambiental, ao recrudescimento da fome e à violência. Todos assuntos que estarão no centro de qualquer projeto político de recuperação do país na virada do ano.

 

Nas relações internacionais, por onde andará o Brasil? Avançam entendimentos sobre qual seria a ideologia de Putin que indica ver a Rússia como centro da civilização global, como trata um dos artigos aqui publicados. E qual o futuro que se deve esperar do Mercosul que acaba de completar 30 anos e, desde sua criação, desempenha papel de dinamização econômico-comercial, contribuindo para assentar a democracia no subcontinente. A boa notícia está na promissora conclusão do acordo Mercosul-Singapura, em fase de revisão jurídica. Singapura é o 6o destino das exportações brasileiras.

 

O papel em defesa de princípios nas Academias de Letras, diante das transformações da sociedade, e algumas reflexões sobre o contexto do bicentenário da Independência completam a publicação deste trimestre.

 

A edição está disponível no portal IN:  https://interessenacional.com.br/edicoes/edicao-59/

 

 

Boa leitura!

 

os editores.

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