Dez anos atrás, dez grandes derrotados de nossa história: vamos continuar enterrando boas ideias e escolher as piores?
Paulo Roberto de Almeida
Pouco mais de dez anos atrás, e pouco antes do último impeachment – talvez não seja o último, último, pois quem detém o poder real atualmente é o Congresso, não o Executivo, e o Congresso não é exatamente um lugar que prima pela excelência – eu escrevia um artigo relativamente pessimista, com o título que refletiu exatamente a história passada, que como todos sabem costuma se repetir mais como farsa do que como tragédia, sendo na verdade uma tragédia que sempre estejamos repetindo o pior do que já fizemos, e não fizemos, num passado ainda muito presente. Eu tenho uma coleção de novos derrotados, entre eles o agravamento de velhos crimes, o surgimento de novos, e a indiferença que parece afetar setores cada vez mais amplos da população. Nunca vi uma eleição presidencial tão desinteressante como a deste ano de 2026. Então vejamos o que eu escrevi dez anos atrás, em 2016. Eu ainda me definia como "sociólogo de formação,
diplomata por ocupação"; já não tenho mais essa ocupação profissional, mas mantenho a permanente, a de professor. Meu site pessoal também desapareceu, por culpa de um provedor. Agora é pralmeida.net, mas ainda tenho de reformá-lo e abastecê-lo. Leiam, mas não fiquem pessimistas. Eu nunca sou: tenho livros, netos e uma esposa maravilhosa, Carmen Lícia...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 27 de agosto de 2026
Dez grandes derrotados da nossa história
(ou, como o Brasil poderia ter dado certo, mas não deu)
Paulo Roberto de Almeida, sociólogo de formação,
diplomata por ocupação
(www.pralmeida.org; http://diplomatizzando.blogspot.com).
O Brasil, já disse alguém, não é para principiantes.
Vamos admitir que a frase expresse a realidade, ainda que ela seja uma mera banalidade
conceitual. A verdade é que nenhuma sociedade urbanizada, industrializada, conectada,
ou seja, complexa, como são quase todas as nações contemporâneas, é de fácil
manejo para amadores da vida política ou para iniciantes no campo da gestão
econômica. Não deveria haver nada de surpreendente, portanto, em que o Brasil, de
fato, não seja para principiantes, como dito nesse slogan tão folcloricamente simpático
quanto sociologicamente inócuo.
Mas atenção: a frase é, sim, relevante pelo lado do seu
exato contrário. O mais surpreendente, no caso do Brasil, está em que o país não
é de rápida explicação ou de fácil interpretação nem mesmo para pensadores
distinguidos e intelectuais de primeira linha (eles o são, de verdade?). Ele tampouco
parece ser de simples manejo mesmo para estadistas da velha guarda (nós os
temos?), para políticos experientes (parece que ainda existem), sem esquecer os
empresários inovadores (quantos são, alguém sabe dizer?) ou para economistas
sensatos (seria uma espécie rara?). O Brasil já destruiu mais de uma reputação
política, como continua desafiando as melhores vocações de “explicadores
sociais” (inclusive brasilianistas), com o seu jeito sui-generis de ser.
Existe, por exemplo, alguma explicação sensata para o fato de que “o país do
futuro”, o “gigante inzoneiro”, a terra dos recursos infinitos, seja ainda uma sociedade
desigual, ricamente dotada pela natureza, mas com muitos pobres, milhões deles,
uma nação até materialmente avançada, mas (aparentemente, pelo menos)
mentalmente atrasada? O que é que nos retém na rota do desenvolvimento social
integrado? Quais são os formidáveis obstáculos, quantas e quais são as
barreiras intransponíveis?
Não foram poucos os espíritos corajosos que tentaram
vencer essas dificuldades e nos colocar num itinerário de progresso sustentado.
A maior parte acabou derrotada por um conjunto variado de circunstâncias cuja
identificação exata requereria um batalhão de sociólogos, dos melhores. Vamos
repassar, ainda que brevemente, o itinerário de dez grandes personalidades que,
em momentos decisivos da história do Brasil, viram seus projetos e propostas de
reformas ou de melhorias para o país totalmente frustrados em função das condições
ambientes, por força da oposição de outros personagens ou de grupos poderosos,
ou pelo fato de que eles mesmos não souberam, ou não puderam, obter apoios
suficientes para que suas propostas de políticas públicas fossem, em primeiro
lugar, aceitas por outros dirigentes, ou pela opinião pública, depois seguidas
pela coalizão dominante a cada momento e, finalmente, implementadas na forma
por eles concebida inicialmente. A maior parte desses homens não foi sequer
consolada, em vida, por aquele famoso dístico de bandeira estadual: “ainda que
tardia”.
1) Hipólito
José da Costa: nascido na Colônia do Sacramento, criado em Rio Grande, espírito
iluminista, liberal econômico, assessor, durante algum tempo, do grande
estadista português da passagem do século 19, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, o
conde de Linhares, para quem investigou as inovações econômicas e melhoramentos
agrícolas da jovem República americana nos anos finais do século 18, e por quem
foi enviado à Inglaterra para adquirir equipamentos gráficos, para modernizar a
imprensa do Reino, e onde se tornou maçom, foi preso e torturado pela
Inquisição ao retornar a Portugal, tendo conseguido fugir após alguns anos de
cárcere. Estabelecido na Inglaterra desde então, Hipólito deu início ao
primeiro jornal independente brasileiro, o Correio
Braziliense, que editou sozinho em Londres desde a transmigração da corte
portuguesa para o Brasil, em 1808, até que fosse confirmada a independência e a
separação do, até então, Reino Unido, no final de 1822. Nomeado cônsul do
Brasil em Londres, por José Bonifácio, Hipólito ainda teve tempo de enviar-lhe,
em fevereiro de 1823, um ofício propondo reformas nos correios, nos transportes
e na colonização, mas não para tomar posse do cargo para o qual estava
preparado como nenhum outro brasileiro.
Seu Correio
Braziliense forneceu, durante exatos quatorze anos e sete meses ininterruptos,
material de informação, de reflexão e de críticas a todos os dirigentes
portugueses (que o liam à sorrelfa) e aos brasileiros ilustrados, constituindo
o maior repositório de dados e análises fiáveis sobre o estado do reino de
Portugal, sobre a situação da Europa napoleônica e pós-napoleônica, sobre as
Américas em geral e sobre o Brasil em particular. Seu “armazém literário”
constitui o mais completo manual de políticas públicas e de economia política –
no sentido de estadismo para a prosperidade dos povos, como a definia Adam
Smith – cujo grande objetivo era o de ajudar o Brasil e os “brazilienses” a enriquecer
rapidamente, como ocorria então na Inglaterra. Muitos ministros do reino, em
Portugal e no Brasil, concordavam com ele, mas às escondidas, pois não o podiam
revelar, ainda que um ou outro mais ousado tentasse convencer o príncipe
regente, depois D. João VI, do acertado daqueles críticas e propostas de
políticas, inclusive no que se referia aos tratados desiguais com a própria
Inglaterra. Infelizmente seus conselhos foram raramente seguidos e ele veio a
morrer antes de poder servir de forma mais efetiva ao país que era o seu, mas
que tinha abandonado ainda muito jovem para nunca mais voltar.
2) José
Bonifácio de Andrada e Silva: as mesmas ideias defendidas por Hipólito, de
monarquia constitucional e de fim da escravidão, foram esposadas por José
Bonifácio, grande intelectual nascido em Santos, SP, homem de ciência e de
grandes luzes, membro de diversas academias europeias, combatente contra as tropas
napoleônicas em Portugal, antes de retornar ao Brasil para servir ao Reino
Unido e se converter no verdadeiro artífice da independência do Brasil. Proclamada
esta, ele pretendia, já na Assembleia Constituinte, libertar o Brasil da mácula
do tráfico escravo e, assim que possível, da nódoa da escravidão, conseguindo
braços para a lavoura e para a formação de uma sólida economia agrícola entre
camponeses imigrados europeus. Como Hipólito, e como tantos outros
abolicionistas, José Bonifácio foi derrotado pela coalizão de mercadores de
escravos e de grandes proprietários de terras, abandonado, aliás, pelo próprio
Imperador, que se aproveitou do recrudescer das turbulências políticas na
Assembleia Constituinte e das divisões políticas entre os maçons para decretar
o encerramento do breve exercício de ordenamento constitucional, “cassar” os
seus membros e exilar ou prender toda a família dos Andradas. Bonifácio foi
mais uma vez para a Europa, e só retornou ao Brasil para ser preceptor, por
breve tempo, do menino Pedro de Alcântara, mas já sem condições de influenciar
a política no período regencial. Foi um dos grandes derrotados de nossa lista
de estadistas-idealistas.
3) Irineu
Evangelista de Souza: o gaúcho de nascimento e self-made man só adquiriu o título nobiliárquico de Barão de Mauá
(depois Visconde, em 1875) na data da inauguração, em 1854, do primeiro trecho
da ferrovia Rio-Petrópolis, entre o porto de Mauá, na baia da Guanabara, e o pé
da serra de Petrópolis. Antes disso ele já tinha amealhado fortuna com seus
empreendimentos industriais (sobretudo estaleiros) e comerciais (em especial
seus bancos, no Brasil e em diversas capitais estrangeiras). Homem possuidor do
mesmo espírito empreendedor e liberal de seus tutores ingleses (primeiro numa
casa de importação no Rio, depois mediante viagem à Inglaterra, em 1840), ele
enfrentou inúmeras dificuldades num país escravocrata e caracterizado pela mão
pesada do Estado em todo e qualquer setor da economia (o governo tinha de
autorizar qualquer novo empreendimento que ele desejasse fazer), e teve vários
atritos com ministros de sucessivos gabinetes do Segundo Império; essas
desavenças o levaram à ruina comercial e financeira, e obstaram a que suas
ideias progressistas pudessem ser reconhecidas como válidas e implementadas num
país em que o status de senhor de escravos ainda era sinal de distinção.
O historiador Nathaniel Leff, heterodoxo entre os
intérpretes de nossa história econômica, afirma que o atraso do Brasil não se
situa tanto na colônia, como afirmam vários historiadores consagrados, mesmo os
da vertente marxista, mas precisamente no período do Segundo Império, quando o
Brasil perde a oportunidade de implementar as reformas preconizadas por Mauá,
seja no terreno da força-de-trabalho, seja na política monetária, ou no
ambiente de negócios e no da infraestrutura. Não há nenhuma dúvida que, ao
final do Império, o Brasil teria sido um país muito diferente se as ideias (não
só econômicas) de Mauá tivessem sido implementadas como políticas públicas. Ele
foi, provavelmente, o primeiro empresário derrotado de nossa história.
4) Joaquim
Nabuco: o “aristocrata” da zona da mata de Pernambuco é mais um derrotado
de nossa lista, não exatamente enquanto publicista – terreno no qual ele foi
brilhante – ou como diplomata do Império e da República, mas enquanto
abolicionista, a despeito de suas raízes nos engenhos de açúcar do Nordeste.
Intelectual blasé, ele bateu-se com
denodo pela causa da emancipação, e seu livro sobre o abolicionismo (publicado
em Londres em 1883) foi decisivo na intensificação da campanha, nessa mesma década.
Mas ele já tinha sido derrotado antes, pois que não conseguiu reeleger-se para
sua primeira cadeira de deputado, conquistada em 1878, assim como viu frustrada
sua campanha pela laicização do Estado Imperial, que tinha a religião católica
como oficial. Mesmo quando da abolição, por decreto imperial, suas propostas para
que a emancipação dos escravos fosse acompanhada de um grande programa de
reforma agrária e da universalização da educação pública, compulsória e
gratuita, com vistas à elevação do padrão educacional de milhões de brasileiros
pobres, e não apenas dos negros libertos, jamais foram seriamente consideradas
pela República oligárquica.
Ele afastou-se da política, como monarquista que era,
e dedicou-se aos livros e à história. Só retornou à vida pública para novamente
dedicar-se à diplomacia, não para defender o regime, mas para servir ao país. O
retorno lhe deu ainda mais desgosto, no caso da arbitragem italiana sobre a
questão da Guiana, fronteira com a colônia britânica: a Grã-Bretanha abocanhou
quase 50% a mais do território disputado do que foi concedido ao Brasil,
nascendo aí seu acentuado monroismo, ou americanismo, ao considerar que das
potências europeias o Brasil não deveria esperar nada. Do nosso ponto de vista,
entretanto, o Nabuco “derrotado” que interessa registrar é o das nunca
implementadas propostas de reforma agrária e de educação pública em favor de negros
libertos e dos brancos pobres, na verdade para todos.
O Brasil republicano, desde o início, e provavelmente
até hoje, continua a pagar muito caro pela ausência de medidas desse tipo, para
elevar a capacidade produtiva do seu povo. A reforma agrária, na verdade, na prática
se tornou inócua pela modernização capitalista da economia rural, mas no campo
da educação continuamos a exibir atrasos, se não quantitativamente (a taxa de
escolarização, no início do primário, alcançou, por fim, a dos países
avançados, mas 150 anos depois), certamente em qualidade do ensino.
5) Rui Barbosa:
conselheiro do Império, primeiro ministro da Fazenda do novo regime, no governo
provisório de Deodoro, quando empreendeu algumas boas reformas e outras menos
boas, o homem mais inteligente do Brasil (segundo os baianos), foi, antes de tudo,
um pensador, um doutrinário e um publicista (e um dos mais prolíficos do
Brasil, que nunca publicou um livro sequer, mas que tem obras completas em
dezenas de volumes). Ele é usualmente definido como um polímata, pois suas
atividades e escritos abrangiam os mais diversos domínios do conhecimento
humano, com especial predileção pelo direito. Logrou sucesso em muitos dos
empreendimentos que lhe foram oferecidos ou para os quais ele se voluntariou,
em virtude de seus vastos conhecimentos jurídicos; voltou da Segunda
Conferência Internacional da Paz da Haia, em 1907, como um herói, o “Águia de
Haia”, como exageradamente seus conterrâneos chamaram-no.
Mas também acumulou vários insucessos, entre eles a
mal concebida reforma bancária do início da República, que acabou resultando
numa violenta especulação, o chamado Encilhamento. Opôs-se a Rio Branco na
compra do Acre à Bolívia, e saiu ruidosamente da delegação negociadora. Sua
maior derrota, porém, não para ele, mas para o Brasil, foi ter perdido o pleito
presidencial de 1910 para o Marechal Hermes da Fonseca, militarista como seria
de se esperar, mas sobretudo prepotente, mandando submeter a golpes de canhão
os governadores recalcitrantes dos estados que não o obedeciam. Por isso mesmo,
o chanceler Rio Branco, angustiado, pensou em se demitir do seu cargo, sucessivamente
renovado em quatro governos: coitado, morreu logo após.
A derrota para Hermes da Fonseca foi uma derrota para
o Brasil, no sentido em que representou a consolidação do arbítrio como norma
de governo, um golpe de Estado permanente contra vários princípios
constitucionais, a ofensa aos adversários políticos (considerados inimigos)
como coisa corriqueira, o despotismo do Executivo sobre os demais poderes. Rui
se exasperava em face do desprezo que o governo exibia contra os mais
comezinhos valores da democracia, entre eles as liberdades individuais e o
pleno vigor do Estado de direito. Seus artigos, conferências e palestras dos
últimos anos revelam justamente sua revolta contra o desrespeito demonstrado
pela maior parte dos políticos – e dos militares – às normas mais elementares
do sistema democrático. Como seu amigo Nabuco, ele faria um excelente ministro
– talvez até primeiro – de um sistema parlamentar ao estilo inglês (se possível
de uma monarquia constitucional, pois a despeito do seu republicanismo, Rui, a
exemplo de Oliveira Lima, se decepcionou rapidamente com aquela república), ou de
um governo congressual ao estilo americano, como preconizado pelo professor de
Princeton Woodrow Wilson, mais tarde presidente. Como os anteriores, Rui também
foi um derrotado, não apenas nos seus princípios e convicções, mas também em
suas tentativas práticas de democratizar plenamente e de enquadrar o Brasil num
Estado de direito efetivo.
6) Monteiro
Lobato: o filho de fazendeiros do Vale do Paraíba se espantou desde cedo
com a inacreditável miséria dos caboclos do interior, que ele imortalizou na
figura emblemática do Jeca Tatu. Ele constatou as condições sanitárias abomináveis
dos matutos do interior e, sobretudo, a ignorância abismal desses homens que
sequer tinham consciência de sua condição ou da existência de um país chamado
Brasil. Seus muitos artigos de imprensa, sua atividade de editor, seus diálogos
imaginários sobre nossos problemas com um inglês da Tijuca – Mister Slang e o Brasil –, todos eles
batem na mesma tecla: o Brasil é um país profundamente atrasado, tão arcaico a
ponto de ser derrotado pelas saúvas e por endemias eternas, e só teria salvação
se empreendesse um vigoroso esforço de modernização, de preferência modelado no
exemplo americano.
O fordismo lhe parecia a solução ideal para nossa
débil industrialização, e o petróleo seria o combustível indispensável à
redenção da nação. Lobato está na origem do “petróleo é nosso”, mas ele não era
um chauvinista, um patriota rústico que queria afastar o capital estrangeiro do
esforço de capacitação industrial e tecnológica. Ele se batia contra os
“trustes estrangeiros” não porque fossem estrangeiros, mas porque via neles uma
conspiração contra a prospecção de poços no Brasil, ao preferirem as jazidas
mais fáceis do Oriente Médio. Achava que o governo não fazia esforços
suficientes nessa direção, e denunciou o “entreguismo” da ditadura Vargas: por
isso foi processado e preso. Mas a sua concepção de progresso era
indiscutivelmente americana: ele foi mais um derrotado pelo nacionalismo
rastaquera e pelo estatismo arraigado nos corações e mentes das elites
políticas e industriais. Só o fato de proclamar o valor dos livros na
construção da nação já lhe valeria a entrada num panteão da pátria. Pena...
7) Oswaldo
Aranha: paradoxalmente, só foi derrotado quando finalmente chegou ao
momento de maior glória, e pelo próprio homem que ajudou a colocar no poder. A
“estrela da revolução liberal” de 1930, foi de fato o homem que “liquidou” a
República Velha, ante as hesitações e dúvidas de Getúlio Vargas quanto às
chances de vitória do movimento contra Washington Luís e seu presidente eleito
do bolso do colete. Não fossem os esforços decididos de Aranha, no sentido de
unir gaúchos e mineiros, e de aliciar forças decisivas no Exército e nas tropas
estaduais militarizadas, a revolução de 1930 não seria o marco da modernização
do Brasil e da construção de um Estado moderno, não mais a “República
carcomida” das oligarquias do café-com-leite. Sucessivamente ministro da
Justiça, da Fazenda (quando ele encaminha os problemas da dívida externa e dos
estoques de café) e embaixador em Washington, Aranha estava no auge de sua
glória quando decide abandonar, por desgosto, seu posto diplomático, na
sequência do Estado Novo, em novembro de 1937, que repudiou imediatamente.
Foi apenas sua amizade com Vargas, e a necessidade que
este tinha de manter as melhores relações possíveis com os americanos – a
despeito de suas notórias simpatias pelos regimes fascistas da Europa – que
explicam seu retorno à política, como chanceler do Estado Novo, de março de
1938 a agosto de 1944. Sua ação à frente do Itamaraty foi decisiva para conter
a inclinação de muitos dos expoentes do regime por uma aliança com as potências
nazifascistas, aparentemente invencíveis no início dos anos 1940, e para ancorar
vigorosamente o Brasil no grupo das Nações Aliadas.
Aranha sempre foi um candidato natural das forças
democráticas à presidência da República: hipoteticamente em 1934, numa eventual
escolha alternativa pela Constituinte (e provavelmente por isso, Vargas decidiu
manda-lo para Washington); talvez em 1938, se as eleições previstas não tivessem
sido cortadas pelo golpe de Estado; possivelmente ao final do Estado Novo,
quando Vargas ainda manobrava para continuar, depois indicando um sucessor de
sua escolha; em 1950, quando foi sondado, mas preferiu deixar o terreno livre
para o ex-ditador; ou ainda, e finalmente, à morte deste, nas eleições de 1955,
disputadas por muitos candidatos bem menos qualificados do que ele. Foi uma
pena que sua falta de ambição, e sua fidelidade irrestrita ao “irmão maior” que
era Vargas, obstaram que ele galgasse o posto mais alto da República.
Para se ter uma ideia de como o Brasil poderia ter
sido diferente, se ele tivesse ascendido ao comando da nação, basta ler a carta
que Aranha enviou a Vargas para que este discutisse os assuntos da guerra e da
paz no encontro que o ditador teria em Natal com Franklin Roosevelt, em janeiro
de 1943. O maquiavélico ditador não só o afastou traiçoeiramente dessas
conversações, mas também impediu um encontro especial que se realizaria em
Washington com o presidente americano no mesmo mês em que Aranha foi humilhado
pela polícia política do regime, no triste episódio da Sociedade das Américas,
em agosto de 1944, o que acabou determinando sua saída da chancelaria.
Naquela carta, Aranha delineou não apenas um esquema
de aliança com os EUA, para ganhar a guerra, mas também uma estreita cooperação
para participar da nova ordem mundial a partir da restauração da paz; ele
incluiu, sobretudo, um programa inteiro de modernização industrial e de
capacitação do Brasil, com ajuda americana, de molde a realmente impulsionar o
grande deslanche do país à condição de potência regional (num esquema não muito
diferente da aliança não escrita defendida por Rio Branco, e mais enfaticamente
por Nabuco, no começo do século). O Brasil teria sido um país muito diferente
do que foi o caso, e certamente melhor, se Oswaldo Aranha tivesse ascendido à
presidência e imprimido um estilo de governança e de políticas econômicas bem
mais abertas e propensas à integração na política e na economia mundiais.
8) Eugênio
Gudin: um personagem nascido no século 19, que quase atravessou todo o
século 20, pregando sempre as mesmas ideias liberais em economia e de simples
sensatez na gestão pública. Formado em engenharia, mas economista por gosto,
Gudin foi um aderente da escola neoclássica, mas de fato um eclético, e o
responsável pela institucionalização dos cursos de economia nas faculdades
brasileiras de humanidades e de ciências sociais em 1944. No mesmo ano, e no
seguinte, foi protagonista do mais importante debate jamais ocorrido na
história intelectual do Brasil; este representou, na verdade, um anticlímax, no
sentido em que sua importância tanto teórica quanto prática foi deixada de lado
pelo “curso natural das coisas”, ou seja, pela continuidade, em nossa
governança, das mesmas inclinações e tendências estatizantes e
intervencionistas que caracterizam o universo conceitual das lideranças
políticas e empresariais do país.
O debate ocorreu quando se discutia abandonar os
mecanismos intervencionistas em vigor durante o período bélico para adotar
novos instrumentos capazes de guiar a ação do Estado no apoio ao processo de
industrialização (sinônimo de desenvolvimento na concepção da época). Gudin,
que naturalmente defendia princípios liberais e mecanismos de mercado para
guiar a ação do Estado no fomento desse processo, teve como contendor no debate
o industrial e intelectual – professor na Escola Paulista de Sociologia e
Política – Roberto Simonsen. Em 1930, fez traduzir e publicar pelo CIESP, o
Centro da Indústria do Estado de São Paulo, que ele tinha criado em oposição à
FIESP, o livro do economista romeno Mihail Manoilescu, Teoria do Intercâmbio Desigual e do Protecionismo, uma atualização
“científica” das ideias de Friedrich List. Simonsen, obviamente, se bateu pelo
planejamento estatal, pelo protecionismo tarifário e pelos subsídios oficiais à
“indústria infante”, enfim, todo o contrário do que pensava e preconizava
Gudin, que era pela adesão do Brasil aos princípios das vantagens comparativas,
que recomendavam incrementar o esforço de modernização agrícola, melhorar a
infraestrutura e o capital humano, e manter uma governança econômica em bases
sólidas e fiscalmente equilibradas.
O resultado do debate foi mais uma vez paradoxal: Gudin
saiu-se como o seu vencedor teórico, ao demonstrar a inconsistência lógica e a
escassa solidez prática dos argumentos de Simonsen. Mas este foi, ao fim e ao
cabo, o vencedor efetivo do debate, uma vez que, no decurso das décadas
seguintes, todos os governos, apoiados pelos industriais e pelos empresários em
geral, seguiram as recomendações dos estatizantes, dos nacionalistas primários,
dos protecionistas declarados, que sempre foram legião em todas as esferas da
administração pública e na vida civil do país. Mais uma vez, o derrotado foi o
Brasil, único país no mundo a ter conhecido oito (OITO) moedas sucessivas no
espaço de pouco mais de meio século: mil-réis, cruzeiro, cruzeiro novo,
cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro real, real. Não é preciso referir-se
aos números astronômicos dos nossos processos inflacionários para constatar os desastres
criados pelos êmulos de Roberto Simonsen, que eliminaram na prática as receitas
mais equilibradas e ponderadas do longevo Gudin. Ele continuou, até o final de
sua vida secular, a preconizar as mesmas receitas, sempre para ser derrotado
pela realidade.
9) Roberto
Campos: o ex-seminarista que se fez diplomata às vésperas da Segunda
Guerra, teve a chance de servir em Washington quando se realizou a célebre
conferência de Bretton Woods, em 1944, na qual ele era um simples assessor, e
não um delegado. O mesmo ocorreu na conferência de Havana, sobre comércio e
emprego, em 1947-48, quando ele continuou a aperfeiçoar seu conhecimento
prático de economia, ao mesmo tempo em que fazia um mestrado nessa área na
George Washington University, quando defendeu uma tese sobre os ciclos
econômicos, de tinturas tanto neoclássicas quanto precocemente keynesianas. Ele
ainda era um partidário do Estado promotor do desenvolvimento econômico, quando
exerceu o cargo de diretor no BNDE, nos anos 1950, quando colaborou na
arrancada dos “cinquenta anos em cinco” do governo JK, que também elevou a
inflação a patamares nunca antes vistos no Brasil, inclusive com a construção
de Brasília (que foi feita sem orçamento, à margem do orçamento e contra o
orçamento, à razão de 1,5% de déficit fiscal durante quatro anos).
Não surpreende, assim, que o Brasil fosse levado a uma
situação de grave desequilíbrio orçamentário e de enormes problemas de balanço
de pagamentos no início dos anos 1960, quando ele foi, durante três anos,
embaixador em Washington. Ele se demitiu do posto, exasperado com a inépcia de
Jango, três meses antes do golpe de 31 de março de 1964, cujos líderes o
guindaram à função de ministro do planejamento, em dobradinha com o ministro da
Fazenda Leopoldo Gouveia de Bulhões. Ambos, entre 1964 e 1967, conduziram o
mais importante processo de reformas econômicas e administrativas jamais
empreendido no Brasil, um conjunto ambicioso de mudanças constitucionais e de
medidas infraconstitucionais que abriram o caminho para o mais vigoroso ciclo
de crescimento de nossa história econômica.
Paradoxalmente, porém, os dois, ainda que liberais em
espírito e em intenção, foram também os responsáveis pelo início da mais
imponente escalada econômica estatal jamais vista nessa mesma história. Não só
eles, pois que seus sucessores, em especial os acadêmicos Delfim Netto e Mário
Henrique Simonsen, impulsionaram, com o apoio entusiasta dos militares
reformistas, esse engrandecimento inédito do ogro estatal, elevando enormemente
a carga fiscal – a pretexto de aumentar o investimento público –, criando
dezenas de estatais em todos os setores considerados “estratégicos”, não apenas
para a economia, mas também para a “segurança nacional”. De certa forma, o
Brasil do regime militar conduziu uma espécie de “stalinismo para os ricos”,
uma industrialização “num só país” que respeitava inteiramente o vezo
nacionalista rústico dos militares e sua preferência pela mais acabada
autarquia produtiva, essa introversão míope que tinha sido a marca dos regimes
fascistas da Europa dos anos 1930 (por acaso, um período no qual muitos dos
líderes da “revolução de 1964” estavam estudando nas academias militares e
aprendendo rudimentos econômicos de “independência e de soberania nacional”).
Roberto Campos detectou desde muito cedo essa deriva
do Estado reformista-modernizador dos militares para um “complexo
industrial-militar” orientado mais pelos princípios da “segurança nacional” do
que pelos saudáveis valores da economia de mercado; passou o resto de sua vida
tentando reverter o intervencionismo exacerbado do regime militar e o
nacionalismo tosco dos políticos da redemocratização. Sem sucesso, porém: como
Raymond Aron, na França, que durante anos lutou contra os instintos socialistas
da intelectualidade parisiense, Campos lutou contra a indigência mental de
nossos políticos e a ignorância econômica da maior parte da intelligentsia
nacional (que Millor Fernandes chamava de “burritsia” acadêmica). Como Aron,
igualmente, só foi reconhecido como visionário ao final da vida, e ainda assim,
nem um, nem outro, conseguiu recolocar os respectivos países no caminho das
reformas liberais e pró-mercado. A despeito de ter acertado em praticamente 90%
do que escreveu durante toda a sua vida, Campos foi ironicamente derrotado por uma
de suas mais conhecidas ironias: “o Brasil é um país que não perde oportunidade
de perder oportunidades”.
10) Gustavo
Franco: um dos mais jovens expoentes da equipe que idealizou, montou e
administrou o lançamento do Plano Real, o mais bem sucedido esforço de
estabilização macroeconômica conhecido em nossa história econômica – hoje,
infelizmente, ameaçado pela Grande Destruição lulopetista –, que exibe a
distinção adicional de ter concebido o regime de transição da antiga e
desvalorizada sétima moeda de nossa história monetária para o Real, mediante a
indexação monetária via URV, cuja inspiração lhe tinha sido dada ao estudar a
experiência alemã de saída da inflação, em 1923. Ele também foi o defensor de
uma política de capitais e de câmbio bem mais livre do que o normalmente
admitido tradicionalmente, não apenas nas faculdades de economia, mas sobretudo
nos escalões governamentais, não obtendo inteiro sucesso nessa área, em razão,
como sempre, dos azares da política.
A primeira versão do Plano Real previa um esforço de
ajuste fiscal bem mais severo do que o efetivamente realizado, não implementado
porque o presidente Itamar Franco queria uma “estabilização sem recessão”. Foi
preciso, assim, manter os juros num patamar bem mais elevado do que o adequado,
pois que a âncora fiscal, que deveria ter sido implantada, foi substituída por
uma âncora cambial, que redundou, contra a vontade de muitos economistas, numa
excessiva valorização do Real (daí os desequilíbrios de transações correntes
acumulados na segunda metade dos anos 1990). O resultado foi a crise de
1998-99, ainda assim provocada por fatores externos: as crises asiáticas de
1997 e a moratória russa de agosto de 1998, que impactou diretamente o Brasil; a
situação foi enfrentada mediante um programa de apoio financeiro das
instituições de Bretton Woods e de países credores, com sucesso relativo até a
década seguinte, quando a crise argentina, o apagão elétrico e as eleições de
2002 (e os efeitos econômicos do PT) agravaram o quadro de turbulências no
Brasil.
Gustavo Franco, que tinha sido secretário de política
econômica na gestão Itamar e depois diretor de assuntos internacionais do Banco
Central, ao iniciar-se a gestão FHC, foi elevado à condição de presidente do BC
em meio às turbulências financeiras da crise asiática; conduziu um meticuloso
programa de ajustes cambiais que, teoricamente pelo menos, permitiriam ao
Brasil compensar a valorização por etapas, para evitar uma grave crise e mais
inflação. A pressão dos mercados, e do próprio jogo político, foi, entretanto,
mais forte, e Gustavo se viu constrangido a sair do BC no auge da
desvalorização cambial do início de 1999, e antes do estabelecimento dos
regimes de metas de inflação e de flutuação cambial, finalmente adotados por
Armínio Fraga, levado à presidência do BC pouco depois. Uma história completa
desses episódios, do ponto de vista da política cambial, ainda está para ser
escrita e o próprio Gustavo é um bom candidato para empreender a tarefa. Mas
esse é apenas um detalhe num itinerário de reformas tentativas que Gustavo
Franco tentou impulsionar e que aguardam ainda hoje para serem continuadas e
completadas.
A importância de Gustavo Franco, como economista e
intelectual, está em sua condição de debatedor, de publicista, ao defender em
seus muitos artigos, entrevistas e palestras, e em diversos livros, o Plano
Real como apenas o início de um processo de reformas e de mudanças estruturais
no Estado e na economia do Brasil que o levariam da condição de adepto eterno
de um keynesianismo de botequim e de um cepalianismo tosco ao status de “país
normal”, ou seja, simplesmente aderente de regras claras, estáveis e
transparentes de gestão econômica, como compete a qualquer país dotado de uma
economia de mercado digna desse nome. Infelizmente, a gestão econômica
companheira fez o Brasil retroceder pelo menos vinte anos economicamente, e
muito mais ainda moralmente falando. Gustavo Franco também foi um derrotado, ainda
que temporariamente, uma vez que as reformas que ele preconizava não foram,
senão minimamente, implementadas nos anos seguintes, e muitas deles revertidas
na gestão irresponsável dos lulopetistas. Seus escritos e declarações indicam o
que está aberto nessa agenda de “work in progress” (na verdade, evoluindo para
trás, atualmente).
Os
“derrotados” do desenvolvimento brasileiro: um balanço frustrante
Todas as personalidades brevemente referidas aqui foram,
em primeiro lugar, pensadores, intelectuais com distintas formações acadêmicas
– ou na vida prática, como Irineu Evangelista de Souza – e com diferentes
situações sociais, de atuação no setor público e de responsabilidade nos
governos aos quais serviram ou com os quais trabalharam – ou não, caso de
Hipólito e Monteiro Lobato. Vários conceberam planos mais ou menos arrojados
para o futuro do Brasil, alguns com projetos ambiciosos de mudanças estruturais,
outros – como Gudin – com um cuidado mais prosaico com uma gestão simplesmente
responsável da coisa pública. Todos eles preconizaram reformas corajosas para eliminar
obstáculos e enfrentar os problemas e desafios que constatavam existir no
itinerário do desenvolvimento brasileiro.
De certa forma, muitos deles foram visionários, mas
sensatos, no sentido em que nenhum deles concebeu qualquer projeto utópico de
reforma integral, revolucionária, da sociedade brasileira. Nenhum deles foi um
“engenheiro social”, no sentido várias vezes criticado por um pensador liberal
como Isaiah Berlin: todos eles preconizaram atuar nos quadros dos regimes
constitucionais em vigor, respeitando as mais amplas liberdades – sobretudo a de
empreender – e os princípios e valores dos regimes democráticos. Não por acaso,
as propostas por eles formuladas se aproximavam do modelo constitucional e de
governança de corte britânico, de amplo sucesso prático nos Estados Unidos e
nos países que institucionalmente e culturalmente pertencem ao mesmo arco
civilizatório.
Nenhum deles teve sucesso – no máximo parcial – nas
reformas e nas medidas preconizadas para levar o Brasil a um patamar mais alto
de desenvolvimento político, econômico e social, num processo de total respeito
às regras elementares do jogo democrático, como diria Norberto Bobbio. Aliás, o
jurista e filósofo italiano, a despeito de seu imenso sucesso intelectual e do
prestígio cívico alcançado, foi outro derrotado em seu próprio país, por acaso
caracterizado por uma governança quase tão corrupta quanto a brasileira.
Todos os brasileiros, se tivessem logrado sucesso na
implementação das medidas propostas – se tivessem sido por acaso guindados a
posições de mais alta responsabilidade governativa, o que ocorreu unicamente
com José Bonifácio, mas ele rapidamente “podado” pelo seu soberano – teriam
provavelmente mudado o Brasil de uma forma mais profunda, mais intensa, e mais
positiva do que efetivamente ocorreu nos dois séculos que levam de Hipólito
José da Costa a Gustavo Franco. Este último continua um batalhador incansável
pelas reformas necessárias, e o único “sobrevivente” (com perdão pela palavra)
nesta nossa seleção: a ele cabe manter a tocha das reformas, em primeiro lugar
como publicista, eventualmente, e novamente, como reformador.
No momento em que o Brasil enfrenta a mais grave crise
de sua história – certamente na esfera econômica, mas também, e sobretudo, no
plano moral – é útil refletir sobre todas essas oportunidades perdidas, sobre a
ação, em grande medida frustrada, de todos esses “derrotados” na prática. Do
meu ponto de vista, eles são vitoriosos morais, gigantes intelectuais da
modernização e do progresso brasileiro, que, por um conjunto variado de
circunstâncias, não puderam conduzir suas propostas a bom termo, ou que não
tiveram a oportunidade, em virtude de um ambiente particularmente negativo para
os reformistas de qualquer quilate, de vê-las implementadas pelos tomadores de decisões
de cada momento. A “agenda conjunta” de reformas modernizadoras – e corretoras
de nossos grandes defeitos sociais –, que todos eles preconizavam, permanece
inconclusa: na verdade, ela só existe no papel, num exercício como este de
levantamento das nossas lacunas e omissões, uma vez que não pudemos contar,
ainda, com estadistas que as implementassem verdadeiramente, com base num
consenso necessário e no respeito das liberdades democráticas.
A pergunta final é inevitável: quando vamos contar com
personalidades que se apoiem nas propostas desses gigantes intelectuais para “arregaçar
as mangas” e “civilizar o Brasil”, na linguagem dos próceres da independência?
Não sabemos ainda. Mas seria útil retomar cada uma das propostas desses
pioneiros, para ver o que ainda falta fazer no Brasil. Mãos à obra,
pesquisadores e ativistas: a agenda já existe. Cabe agora debater os meios de
implementá-la, para passarmos da condição de “derrotados” à de vencedores.
Que tal começar pelo levantamento do que falta fazer?
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7-9 de fevereiro de 2016