Estou preocupado com o futuro da humanidade.
OK, não vou ser tão dramático.
Digamos que estou preocupado com o futuro do Brasil, embora uma coisa tem a ver com a outra.
Tenho registrado uma evolução preocupante, em professores e estudantes de direito (ou de Direito, se eles desejarem, mas eu não daria um D maiúsculo a quem não sabe a diferença entre coisas essenciais), tendente a ignorar completamente duros fatos econômicos, em troca de uma inconsciência distributiva que expressa, nada mais, nada menos do que pura e simples ignorância econômica (e um igualmente descomunal desconhecimento da História, aqui com H maiúsculo).
Esses "praticantes" do Direito acham que é possível extrair riqueza do ar, tirar recursos no nada, enfim, distribuir o que não foi previamente produzido.
Eles saem por aqui criando novos direitos -- ao emprego, à habitação, enfim a qualquer coisa que requer uma oferta prévia -- sem sequer indagar de onde vão sair os bens e serviços que eles alegremente inscrevem em tratados, em constituições, em protocolos internacionais, enfim em qualquer folha de papel rabiscada com suas ideias inconsistentes com as realidades econômicas.
Existe até um Senador, que passa por pessoa inteligente, que pretende inscrever o direito à "felicidade" na Constituição. Eu me pergunto se ele não estaria melhor escrevendo livros de poesia (e pagando para vê-los editados e publicados).
O mundo vem de uma miséria ancestral de milhares de anos, tendo construído aos poucos (não o mundo, mas as pessoas, se possível inteligentes) sociedades mais eficientes, ou seja, mais produtivas do que outras.
O que se tem hoje é justamente isto: sociedades ricas, afluentes, até exageradamente, ao lado de sociedades pobres, miseráveis, algumas ao extremo.
Não existe nenhuma diferença fundamental, estrutural, entre umas e outras, a não ser a capacidade produtiva de suas respectivas populações. As primeiras têm pessoas educadas, produtivas, as segundas pessoas desprovidas dos rudimentos mínimos do trabalho produtivo.
Curioso é recordar que as pessoas nascem absolutamente iguais, ou seja, totalmente ignorantes, zero de conhecimento, uma página em branco.
Se retirarmos um bebê da Somália e o entregarmos a uma família americana (ou escandinava), ele vai se desenvolver e se tornar uma pessoa tão produtiva quanto a média americana ou escandinava. Inversamente, retire um bebê de uma família de classe média americana e deixe-o com uma família de camponeses da Somália; com menos de 15 anos ele terá feito um curso completo de abordagem e pirataria, e provavelmente morrerá antes dos 20 anos, de uma violência qualquer.
No meio, temos alguns professores de direito (não só do Brasil, claro), mais a ONU, que pretendem dar aos somalianos o "direito ao desenvolvimento" e inscrevem isso em protocolos rapidamente ratificados por todos os Estados dos países em desenvolvimento (em face da recusa, ou da abstenção, claro, dos perversos americanos).
Acredito que deveríamos juntar os professores de direito e os burocratas da ONU, e mandar todos para a Somália, para que eles assegurem o "direito ao desenvolvimento" dos somalianos.
Aposto como eles vão logo reclamar "recursos" (obviamente de países ricos, como os EUA), ou então uma Tobin Tax, que recolha um pouquinho das riquezas canalizadas pelos mercados financeiros (que como todos sabem exploram os pobres somalianos).
Esses professores de direito e esses burocratas da ONU poderiam ser chamados de idiotas, mas não vou fazê-lo, por que isso choca algumas almas sensíveis que frequentam este blog, e que se impressionam com a minha linguagem contundente.
Tenho certa dificuldade em NÃO chamar ideias idiotas de idiotas, mas vou me conter desta vez.
Vou apenas designar esses professores de direito (e seus alunos) e os burocratas da ONU de ignorantes em Economia e de primários em História.
Enfim, nada de muito dramático, como se sabe: basta ler, estudar um pouco e todo esse pessoal será capaz de corrigir deficiências técnicas facilmente superáveis.
As mesmas deficiências técnicas que impedem um somaliano de ser tão produtivo quanto um americano ou escandinavo. Basta estudar, e manter a mente aberta.
Isso é simples, aliás mais simples para estudantes e professores de direito no Brasil do que para simples somalianos miseráveis: basta abrir os livros, consultar a internet (o Google está aí para isso mesmo) e se dispor a mudar ideias emboloradas por argumentos que apresentem um minímo de consistência.
Talvez eles pudessem começar por uma ideia muito simples: NINGUÉM tem o direito (com d minúsculo) de atribuir um Direito a ALGUÉM sem que se tenha também definido QUEM vai ser responsável pela atribuição (ou CONCESSÃO) desse direito (sem qualquer viés).
Ou como já disse alguém, em linguagem mais simples: there is no free lunch...
Paulo Roberto de Almeida
(Shanghai, 2.08.2010)
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Sobre a ignorancia letrada: algumas consideracoes pessoais
A Ignorância Letrada: ensaio sobre a mediocrização do ambiente acadêmico
Paulo Roberto de Almeida
[Antecipo, em absoluta primeira mão, em vista dos recentes "debates" (vale as aspas) neste blog, um texto que está sendo publicado nos próximos dias. Não chamo ninguém de idiota, mas acho que deveria...PRA]
Resumo: Ensaio sobre a crescente deterioração da qualidade da produção acadêmica brasileira na área de humanas, examinando a natureza do problema, suas causas, suas consequências mais evidentes e as evidências disponíveis, de modo indireto. Ademais das pedagogias freireanas, que estão na raiz da tragédia educacional nos dois primeiros ciclos de ensino, o sistema de educação superior padece de viseiras mentais criadas por ideologias supostamente progressistas que deformam a percepção da realidade e contribuem para a erosão de qualidade nos diferentes ciclos de ensino.
Nota preliminar 1: Sempre me lembro de um aforismo de Ferreira Gullar quando vou escrever um texto a partir do zero, sem notas e sem preparação: “A crase não foi feita para humilhar ninguém”. Pois bem: este ensaio não foi feito para humilhar nenhum acadêmico, nem para ofender a categoria, de modo geral. Apenas desejei externar uma reflexão feita inteiramente a partir do que constato nos ritos e nas práticas acadêmicas, com base na interação com outros professores, no exame de artigos submetidos ao meu parecer e também formada na leitura de muitos artigos publicados. O uso do conceito de “mediocrização”, em relação à academia, e não simplesmente em conexão com a televisão aberta, por exemplo, ou, de maneira geral, com a cultura de massas no Brasil, pode parecer exagerado e indevido, mas me pareceu necessário nas circunstâncias atuais. Em qualquer hipótese, a mediocridade reinante não é obra de um ou dois acadêmicos; ela é um empreendimento coletivo de longa duração, que já vem desde algum tempo no passado recente e que promete se estender por um tempo ainda indefinido no futuro da academia brasileira.
Nota preliminar 2: Talvez o adjetivo “letrada” pudesse ser substituído por um equivalente mais culto, “ilustrada” digamos, para caracterizar a ignorância ostentada na “parte alta” da sociedade, isto é, naquela supostamente dedicada ao conhecimento de alto nível. No meu conceito, porém, essa ignorância não merece a caracterização “ilustrada”, pois se trata mesmo, apenas e tão somente, de cultura “letrada”, na sua acepção mais elementar. Com estes “avisos” a toda a comunidade, agora começo.
1. O problema
A universidade brasileira, como todos sabem, é uma construção tardia. Talvez alguma sumidade acadêmica atribua seus evidentes traços negativos ao chamado “capitalismo tardio” em nosso país, qualquer que seja o significado desse conceito histórico naturalmente anacrônico (pois que todo processo complexo e multissecular, como o capitalismo, apresenta defasagens temporais em suas manifestações concretas, em cada situação social determinada); mas a verdade é que a mediocrização também é uma obra tardia, pois o fenômeno só surge depois que a universidade foi inteiramente construída. Formada a partir de escolas e faculdades isoladas na primeira metade do século 20, a universidade brasileira só começou a erigir um sistema de pós-graduação a partir do final dos anos 1960: a “substituição de importações” nessa área foi um processo lento, ainda não de todo acabado, mas já bastante consolidado para os padrões habituais dos países em desenvolvimento. Pode-se dizer que, do ponto de vista dos procedimentos administrativos e das técnicas de formação e de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior, a missão foi razoavelmente bem cumprida, muito embora as “importações” ainda permaneçam como um componente importante em várias áreas do sistema (o que é absolutamente natural e necessário).
Essa construção se deu basicamente sob o regime militar (1964-1985), não ocorrendo depois, na redemocratização e no período recente, nenhuma “revolução” no terceiro ciclo, pelo menos não comparável ao processo de rupturas registrado durante a fase autoritária. Os governos posteriores se limitaram a expandir o sistema, por vezes de forma anárquica, abrindo novos espaços ao setor privado, na ausência de investimentos estatais no setor, ou na incapacidade de governos estaduais e do próprio governo central fazê-lo de modo compatível com as necessidades detectadas. Essa expansão se deu de forma mais “elástica” do que sistêmica, bem mais do lado quantitativo do que qualitativo, embora se possa dizer que a produção ampliada também melhorou sensivelmente de qualidade em muitas áreas.
O que a redemocratização trouxe de diferente foi, justamente, um simulacro de “democratização” das instituições universitárias, sob a bandeira da “autonomia”. Na verdade, um aumento extraordinário e uma forte consolidação do corporativismo e do sindicalismo em todas as faixas profissionais, ambos os fenômenos dominados por partidos e movimentos de esquerda e pelo chamado “baixo clero” (e, portanto, já tendente ao que chamei de mediocrização das instituições). Não existe novidade nesse tipo de “evolução”, mesmo quando não aceitamos a legitimidade de uma cultura de “elite”; o romancista americano James Fenimore Cooper – mais conhecido entre nós por seu romance histórico bem pesquisado O Último dos Moicanos – já tinha detectado a crescente mediocrização da vida intelectual nos Estados Unidos desde o início do século 19, sociedade que não pode ser tida como exemplo de elitismo aristocrático, ao contrário: ele indicava o fenômeno como coetâneo ao processo de democratização social, em forte ascensão naquele país recentemente independente.
Sem ter apoio em pesquisas específicas ou estudos setoriais empiricamente embasados – correndo o risco, nesse particular, de algum subjetivismo – é possível afirmar-se que o crescimento e a expansão do terceiro ciclo ocorreram paralelamente ao enorme crescimento quantitativo e à perda de qualidade dos dois primeiros ciclos de ensino. Existem muitas evidências prima facie de que esses dois processos paralelos e aparentemente contraditórios – embora concordantes no aspecto quantitativo – aconteceram ao longo das quatro últimas décadas e meia, ou seja, nos 21 anos do regime militar e nos 25 anos decorridos desde a redemocratização. Ao longo desse processo de inegável democratização de oportunidades sociais – embora insuficiente e longe de ter sido completada, sobretudo devido ao estrangulamento do secundário – os dois movimentos se reforçaram mutuamente e consolidaram seus traços mais negativos, evidenciados justamente no elemento característico que constitui o elemento central desta análise: a perda de qualidade e a mediocrização geral do ensino no Brasil, em especial em sua vertente “superior”.
2. As causas
Como para todo fenômeno complexo, a perda de qualidade do ensino público em geral, no Brasil, possui múltiplas causas, diversas variáveis intervenientes e diferentes tipos de condicionantes, que foram se alterando ao longo do tempo. Pode-se, no entanto, tentar isolar algumas causas aparentes que foram interagindo entre si desde os anos 1960 e que se reforçaram conjuntamente no final do período, ou seja, atualmente, e que prometem continuar agindo no futuro previsível.
Tudo tem início na geração precedente e no movimento pela reforma do ensino e de reforço da escola pública, começado na sequência da Revolução de 1930, continuado na implantação do Estado autoritário no Brasil, em 1937, e em sua consolidação nos anos seguintes, movimento que se prolongou na República de 1946. Os líderes militares e civis que comandaram esses processos nos trinta anos seguintes à Revolução de 1930 foram bem sucedidos em criar um sistema de escolas públicas de qualidade, ainda que bastante seletivo em sua capacidade de recrutamento – basicamente a classe média urbana – e tendente a um mínimo denominador comum – horários reduzidos e reforço limitado de mecanismos extra-escolares – mais do que à ampliação progressiva dos conteúdos e metodologias.
Essa escola “republicana” funcionava razoavelmente bem, ainda que de modo restrito, quando os militares tomaram o poder e decidiram fazer uma revolução nas carências educacionais mais sentidas no Brasil dessa época: criar uma universidade compatível com as necessidades industrializantes e, sobretudo, operar a implantação de programas de pós-graduação. Os militares provavelmente partiram do pressuposto de que a escola pública já estava montada e funcionando adequadamente, e que os esforços mais importantes deveriam ser dirigidos, portanto, para a graduação universitária, em especial para a pós-graduação. Recursos foram maciçamente direcionados a esses dois sistemas, ao mesmo tempo em que os dois primeiros ciclos recebiam os influxos de milhões de novas crianças e adolescentes, sob o impacto do crescimento demográfico e da urbanização, bastante rápidos no Brasil dos anos 60 aos 80. As entidades de fomento cresceram, as bolsas se multiplicaram, os salários dos professores universitários eram relativamente elevados.
Paradoxalmente, um dos principais fatores da perda progressiva de qualidade do ensino público nos dois primeiros ciclos foi a concentração – e a centralização e a reconcentração – dos recursos públicos no terceiro ciclo, este ultra-privilegiado pelas autoridades em relação aos dois primeiros ciclos e, por isso mesmo, capaz de “produzir” universidades relativamente dinâmicas ao longo das últimas três décadas (sem prejulgar aqui e agora quanto à sua capacidade de produzir boa ciência). O Brasil representa verdadeira anomalia internacional, provavelmente universal, sob a forma de uma pirâmide invertida de gastos entre os ciclos. É absolutamente único na desproporção inusitada, e aberrante, com que são alocados os recursos no topo da educação (na verdade transformado em base superior da pirâmide), em detrimento dos “primos pobres” dos dois ciclos de base (e da educação técnico-profissional, também). Isso em flagrante contraste com o que acontece na maior parte dos países (notadamente naqueles de melhor performance educacional e de maior produtividade no sistema econômico de maneira geral).
Essa desigualdade distributiva não explica tudo, porém, sendo necessário completar o quadro mediante um fator causal de natureza mais qualitativa, representado pelas orientações políticas e pedagógicas adotadas nos cursos de formação de professores, especialmente nas faculdades de pedagogia (que formam formadores, eventualmente também formadores de formadores). Não é segredo para ninguém que o ensino no Brasil, em geral, e os cursos de pedagogia, em particular, são tremendamente influenciados – se não dominados – pelas ideologias tidas por “progressistas” (as aspas indicam obviamente o subjetivismo da expressão), com ênfase naquelas aproximadas ao marxismo; bem como pelas correntes pedagógicas identificadas de perto ou de longe com modismos da área (entre eles o chamado “construtivismo”) e com um amálgama já difuso a partir da cepa original “freireana”, ou seja, a chamada “pedagogia do oprimido” produzida por Paulo Freire.
Dito assim, com essa simplicidade redutora, parece que se trata de um aspecto desimportante no mar de problemas – materiais, curriculares, humanos – da educação brasileira, embora ele seja, do ponto de vista da abordagem adotada neste ensaio, um dos problemas mais sérios envolvidos nos processos gerais e específicos da deterioração da qualidade do ensino no Brasil (em vários níveis). As pedagogias freireanas estão no centro da tragédia educacional brasileira. Ponto, parágrafo.
Estou plenamente consciente de que as próprias corporações engajadas no ofício (e no comércio) educacional no Brasil – em qualquer ciclo – tendem a enfatizar os fatores pecuniários – insuficiência dos orçamentos públicos, no plano institucional, modéstia ou mesmo depressão salarial dos professores, no plano individual – como estando na origem de todas as mazelas da educação brasileira. Não descarto, obviamente, essa linha explicativa – embora eu prefira enfatizar o escândalo da pirâmide invertida da distribuição de gastos educacionais; mas os fatores políticos e ideológicos são para mim bem mais relevantes, e mesmo determinantes, na erosão qualitativa de todos os níveis da educação e de todo o ensino (público ou particular) no Brasil.
3. As consequências
A tese principal deste ensaio provocador – deliberadamente focado nas áreas de humanidades – é a de que, depois de ter se beneficiado – e beneficiado a sociedade – com a construção de um sistema universitário relativamente completo, e aparentemente eficiente, com a formação de recursos humanos de melhor qualidade que aqueles previamente existentes, a universidade brasileira deu início a um processo de introversão autosustentada, o que a levou a se isolar da sociedade e a desenvolver comportamentos entrópicos e autistas que, ao fim e ao cabo, redundaram no referido processo de mediocrização atual (aliás, em crescimento e expansão).
De fato, esse processo apresenta, pelo lado das humanidades, um aspecto de ignorância letrada que surpreende pela sua extensão e profundidade. Ele não é, exclusivamente, o resultado das ditas pedagogias freireanas – que explicam mais diretamente a perda de qualidade dos ciclos iniciais de ensino; mas ele é a consequência de anos, mais exatamente décadas, de ideologias “educativas” marcadas pelo que existe de mais atrasado na teoria social contemporânea. Ademais da ausência de controles de qualidade, da falta de sistemas de metas fixadas e resultados cobrados – que explicam sua falta de produtividade – o que mais distingue a área de humanidades, no Brasil, é uma adesão acrítica a correntes e movimentos típicos do capitalismo atrasado que aqui vigora. (Parêntese rápido: obviamente meu comentário não vale para os que professam a fé religiosa nas alternativas socialistas ao capitalismo, mas estes já pararam de ler este meu ensaio desde o começo, se é que começaram; quanto a mim, estou certo de que o Brasil é um país capitalista, ainda que atrasado, mas “condenado” a se desenvolver no âmbito do capitalismo, ponto.). As concepções dessas correntes de “pensamento” são as de um anticapitalismo instintivo, as de um forte sentimento antimercado, um estatismo exacerbado, enfim, uma crença ingênua nas virtudes da “engenharia social”, características, aliás, bastante disseminadas em diversas universidades da região; e, até, em muitas universidades de países perfeitamente capitalistas (como exemplo a França, por isso mesmo em declínio intelectual e com baixa produtividade geral nos terrenos aqui focados).
Aqui existe uma correlação circular e cumulativa de fatores causais: os ignorantes letrados e as corporações sindicais se multiplicam e se reforçam mutuamente, disseminando tentáculos por todos os poros universitários. Os que alcançam funções “pedagógicas” formam as pedagogas freireanas que, por sua vez, vão formar os professores do primário e do secundário – qualquer que seja a estrutura e os títulos desses cursos –, que se tornam, no momento devido, seus pupilos e orientandos, uma audiência cativa (muitas vezes passiva) dos novos mandarins universitários. Nos vários componentes dessa complexa equação, pedagogas freireanas, sinecuras acadêmicas, sindicalismo de baixa extração e ideologias anticapitalistas e antimercado se combinam e se reforçam para destruir a educação brasileira, pelo menos naquelas funções iluministas que ela deveria exibir, colocando em seu lugar esses elementos característicos da ignorância letrada.
No curto prazo, o resultado global é o aprofundamento da mediocridade que já vinha marcando as áreas de humanidades do sistema universitário – tanto público quanto privado – nos últimos anos (possivelmente nas duas últimas décadas), contribuindo, no médio e no longo prazo, para reforçar as tendências brasileiras à estagnação ou ao atraso relativo. Essas características não são percebidas, obviamente, pelos que integram o próprio sistema, sobretudo por aqueles que vivem exclusivamente a vida universitária brasileira, em tudo o que ela apresenta de autista e de entrópico. Os acadêmicos que já viajaram, que já conviveram com universidades estrangeiras – refiro-me, obviamente, às boas universidades americanas, e algumas boas europeias – e que já se utilizaram de serviços e mercados nesses países, devem ter perfeita consciência, se tiverem as mentes abertas, para o verdadeiro atraso em que vive o Brasil, mesmo com todos os seus sinais de aparente modernidade. O Brasil é um país que caminha lentamente, que praticamente se arrasta, penosamente, em direção à modernidade.
Esse lento caminhar no sentido dos avanços científicos e tecnológicos mais dinâmicos da contemporaneidade é evidente, mesmo comparando o Brasil a outros países emergentes que se integram aos mercados globais da atualidade, sobretudo na Ásia. Não se trata apenas ou exatamente de dificuldades em aceitar os requerimentos do progresso em suas diversas expressões materiais e culturais; afinal de contas, como já dizia Mário de Andrade mais de setenta anos atrás, “progredir, progredimos um tiquinho, que o progresso também é uma fatalidade”. Trata-se, sobretudo, de bloqueios burocráticos e materiais a um progresso mais rápido: qual é o país emergente que possui uma carga fiscal típica de país rico: 38% do PIB? (Atenção: essa é a taxa média nos países da OCDE, sendo que alguns estão abaixo de 30% e que sua renda per capita ultrapassa 40 mil dólares, mais de seis vezes a brasileira.) Qual é o país no qual a atividade empreendedora é tão cercada de entraves e dificuldades? (No que o Brasil empata, talvez, com a Índia, outro país capitalista atrasado. Atualmente, mesmo aquele outro grande país burocrático, que é a China, é mais capitalista que o Brasil.)
4. As evidências
Independentemente dos lentos progressos materiais que o Brasil consiga realizar nos terrenos vinculados a mercados capitalistas – no que ele vem sendo superado por países de crescimento e de modernização mais rápidos – o fato é que o panorama acadêmico vem experimentando nítido declínio de qualidade no âmbito das humanidades, o que é revelado, por exemplo, pela forma e substância dos artigos publicados ou apresentados para publicação nos veículos da área (muitos deles existindo apenas e tão somente para cumprir requisitos de pontuação estabelecidos de forma puramente quantitativista pelos organismos de fomento acadêmico).
O problema vai muito além do que já tinha constatado, desde 1985, Edmundo Campos Coelho, em seu aclamado (e pouco lido) A sinecura acadêmica: a ética universitária em questão (São Paulo: Vértice, 1985), já que atingindo bem mais do que bancas de seleção de professores, cargos comissionados, apoios financeiros e prebendas institucionais de modo geral. Ele transformou-se num problema sine cura, alcançando o próprio núcleo do sistema de produção acadêmica, ou seja, sua própria substância, que é a capacidade de produzir obras originais, em linguagem acessível a um público mais vasto, mas dentro de rigorosos padrões acadêmicos de qualidade.
Com efeito, um dos aspectos mais preocupantes dessa involução no período recente, aliás, estimulada em grande medida pelas próprias autoridades da área, é a tendência ao enclausuramento acadêmico, à diminuição dos esforços de cooperação com o Norte e, no sentido contrário, o reforço de intercâmbios variados com países do Sul, numa discriminação política que não faz sentido no plano científico; dificilmente se poderá sustentar que entidades de pesquisa da América Latina ou de continentes assemelhados possuam maior e melhor substância científica do que seus equivalentes do Norte. Não existe maior demonstração da vontade de autocondenar-se a viseiras mentais do que a frase sumamente imbecil, bastante repetida em certos meios, que proclama que o “Sul é o nosso Norte”. Toda e qualquer ciência, toda e qualquer abordagem acadêmica que se autodireciona para um lado, ignorando todos os outros, é por definição estúpida e autolimitativa em termos estritamente científicos.
Acadêmicos defensores dessa postura se orgulham de exibir uma proclamada “latinoamericanidad” que não faz o menor sentido no plano das metodologias e das pesquisas de ponta, como se o fato de pertencer ao mesmo arco cultural ou a uma mesma zona geográfica representasse qualquer garantia de qualidade acadêmica. O “indigenismo” ingênuo e canhestro presente em algumas dessas novas experiências de cooperação introduz um elemento totalmente estranho nas tradições de pesquisa brasileira, já que referidos a um universo civilizatório que não tem nada a ver com os componentes antropológicos ou culturais da formação histórica e social do Brasil.
A busca sôfrega por identidades nessas áreas, certamente forçada, mas intensamente praticada nos últimos anos, representa um atraso e uma dispersão de esforços que vão, inevitavelmente, cobrar um preço na produção acadêmica brasileira. As interpretações classistas e “campesinas” da história social e do desenvolvimento econômico na região, a adesão pouco refletida a supostas causas de “oprimidos” e de “injustiçados” reforçam os componentes do atraso acadêmico; interpretações, aliás, que vêm acompanhadas de um inacreditável apoio a uma das experiências políticas mais nefastas já assistidas em todo o mundo, que é a construção progressiva de um fascismo tido supostamente por ser de esquerda, apenas porque o caudilho promotor emite invectivas “anti-imperialistas”. Uma falsa noção de segurança e de soberania alimentar condena a atividade primário-exportadora como sendo negativa do ponto de vista do desenvolvimento econômico e social, quando ela é o sustentáculo da modernidade no campo, independentemente de considerações ad hoc sobre as dimensões regionais das propriedades ou seus vínculos com o mercado externo.
São muitos os exemplos de posturas anacrônicas no plano das humanidades, assim como são muitos os componentes da mediocridade universitária, entre eles um “gramscianismo” instintivo e até ignaro (já que não corresponde a uma verdadeira leitura aberta da obra original). Esses exemplos podem até corresponder a uma atitude militante compatível com preferências manifestas na vida civil; mas jamais aos requisitos do trabalho acadêmico tal como reconhecido pelos padrões normais da pesquisa científica. Todos eles vão reforçar as deficiências metodológicas, a ignorância letrada e o atraso substantivo nas pesquisas relevantes para o progresso e o desenvolvimento do Brasil. Em algum momento, o ambiente acadêmico vai emergir das camisas de força ideológicas e buscar a atmosfera mais arejada da pesquisa de boa qualidade. Mas esse processo promete ser longo e custoso, tendo em vista os equívocos e desvios já incorridos no cenário universitário brasileiro.
Quero crer, também com base em evidências subjetivas, que o atraso é apenas relativo, e não absoluto, pois em algumas áreas ou situações específicas a racionalidade tem condições de se impor contra as ideologias ingênuas. No cômputo geral, contudo, a situação atual nas humanidades da academia brasileira aparece como quase desesperadora, necessitando, praticamente, o estabelecimento de um quilombo de resistência intelectual contra os assaltos à racionalidade mais elementar por parte de tribos crescentes de ignorantes letrados. Gostaria de estar errado, e de ser apenas um pessimista elitista (não: não tenho nenhuma vergonha em buscar a elite do saber). Gostaria de registrar uma rápida correção da academia brasileira em direção de padrões de comportamento institucional mais consentâneos com sua vocação humanista e, sobretudo, constatar uma produção intelectual à altura dos requisitos de modernidade e progresso que estamos no direito de esperar de um país inserido na globalização do conhecimento. Não é o que tenho observado até aqui.
Esperemos que seja um fenômeno passageiro, embora meu pessimismo realista tenha sólidas razões para existir: afinal de contas, o otimismo da vontade, ou da prática, não consegue prevalecer num ambiente de mentes fechadas, o que só alimenta o pessimismo da razão, ou do intelecto. O problema parece estar em que os acadêmicos gramscianos só pretendem ler Gramsci, jamais as críticas que lhe são feitas, mesmo as de um intelectual socialista (embora liberal) como Norberto Bobbio, por exemplo. As viseiras mentais daqueles mesmos que posam de sumidades acadêmicas de relevo, e que são lidos e repetidos nas universidades brasileiras, chegam a ser assustadoras, inclusive e sobretudo porque parecem ter assegurado o seu próprio sucesso continuado, a julgar pela bibliografia distribuída e pelos trabalhos produzidos nessas esferas.
Não é preciso, aqui, citar nomes e ensaios publicados, pois é muito fácil deduzir quem, ou quais são as “vacas sagradas” do processo de mediocrização da universidade brasileira. Talvez dois pequenos trechos retirados de texto de um dos gurus da nova ignorância sejam representativos do que estou analisando: “Entra governo, sai governo, as leis do mercado parecem dominar irreversivelmente o mundo, o estilo de vida norte-americano devasta espaços nunca antes alcançados – seja na China ou na periferia das grandes metrópoles do sul do mundo...”; “A crise da URSS não deu lugar a um socialismo superador dos problemas desse modelo e, ao contrário, disseminou o neoliberalismo nas terras de Lênin. O capitalismo abandonou seu modelo keynesiano por um modelo de extensão inaudita da mercantilização de todos os rincões do mundo.” Um acadêmico capaz de escrever tamanha bobagem é capaz de qualquer impostura intelectual, que ele aliás não cessa de praticar.
Os quilombos de resistência intelectual a esses processos de indigência acadêmica e de desonestidade no plano das ideias – o que ocorre sempre quando os argumentos exibidos estão longe de corresponder à realidade mais evidente – são ainda muito tênues e pouco numerosos. A esperança é que eles se multipliquem nos anos à frente e possam superar os imensos pântanos de mediocridade que se espalham de modo preocupante pela universidade brasileira. Estou sendo muito pessimista?
[Dubai-SãoPaulo, 17/07/2010; Shanghai, 30/07/2010]
Paulo Roberto de Almeida
[Antecipo, em absoluta primeira mão, em vista dos recentes "debates" (vale as aspas) neste blog, um texto que está sendo publicado nos próximos dias. Não chamo ninguém de idiota, mas acho que deveria...PRA]
Resumo: Ensaio sobre a crescente deterioração da qualidade da produção acadêmica brasileira na área de humanas, examinando a natureza do problema, suas causas, suas consequências mais evidentes e as evidências disponíveis, de modo indireto. Ademais das pedagogias freireanas, que estão na raiz da tragédia educacional nos dois primeiros ciclos de ensino, o sistema de educação superior padece de viseiras mentais criadas por ideologias supostamente progressistas que deformam a percepção da realidade e contribuem para a erosão de qualidade nos diferentes ciclos de ensino.
Nota preliminar 1: Sempre me lembro de um aforismo de Ferreira Gullar quando vou escrever um texto a partir do zero, sem notas e sem preparação: “A crase não foi feita para humilhar ninguém”. Pois bem: este ensaio não foi feito para humilhar nenhum acadêmico, nem para ofender a categoria, de modo geral. Apenas desejei externar uma reflexão feita inteiramente a partir do que constato nos ritos e nas práticas acadêmicas, com base na interação com outros professores, no exame de artigos submetidos ao meu parecer e também formada na leitura de muitos artigos publicados. O uso do conceito de “mediocrização”, em relação à academia, e não simplesmente em conexão com a televisão aberta, por exemplo, ou, de maneira geral, com a cultura de massas no Brasil, pode parecer exagerado e indevido, mas me pareceu necessário nas circunstâncias atuais. Em qualquer hipótese, a mediocridade reinante não é obra de um ou dois acadêmicos; ela é um empreendimento coletivo de longa duração, que já vem desde algum tempo no passado recente e que promete se estender por um tempo ainda indefinido no futuro da academia brasileira.
Nota preliminar 2: Talvez o adjetivo “letrada” pudesse ser substituído por um equivalente mais culto, “ilustrada” digamos, para caracterizar a ignorância ostentada na “parte alta” da sociedade, isto é, naquela supostamente dedicada ao conhecimento de alto nível. No meu conceito, porém, essa ignorância não merece a caracterização “ilustrada”, pois se trata mesmo, apenas e tão somente, de cultura “letrada”, na sua acepção mais elementar. Com estes “avisos” a toda a comunidade, agora começo.
1. O problema
A universidade brasileira, como todos sabem, é uma construção tardia. Talvez alguma sumidade acadêmica atribua seus evidentes traços negativos ao chamado “capitalismo tardio” em nosso país, qualquer que seja o significado desse conceito histórico naturalmente anacrônico (pois que todo processo complexo e multissecular, como o capitalismo, apresenta defasagens temporais em suas manifestações concretas, em cada situação social determinada); mas a verdade é que a mediocrização também é uma obra tardia, pois o fenômeno só surge depois que a universidade foi inteiramente construída. Formada a partir de escolas e faculdades isoladas na primeira metade do século 20, a universidade brasileira só começou a erigir um sistema de pós-graduação a partir do final dos anos 1960: a “substituição de importações” nessa área foi um processo lento, ainda não de todo acabado, mas já bastante consolidado para os padrões habituais dos países em desenvolvimento. Pode-se dizer que, do ponto de vista dos procedimentos administrativos e das técnicas de formação e de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior, a missão foi razoavelmente bem cumprida, muito embora as “importações” ainda permaneçam como um componente importante em várias áreas do sistema (o que é absolutamente natural e necessário).
Essa construção se deu basicamente sob o regime militar (1964-1985), não ocorrendo depois, na redemocratização e no período recente, nenhuma “revolução” no terceiro ciclo, pelo menos não comparável ao processo de rupturas registrado durante a fase autoritária. Os governos posteriores se limitaram a expandir o sistema, por vezes de forma anárquica, abrindo novos espaços ao setor privado, na ausência de investimentos estatais no setor, ou na incapacidade de governos estaduais e do próprio governo central fazê-lo de modo compatível com as necessidades detectadas. Essa expansão se deu de forma mais “elástica” do que sistêmica, bem mais do lado quantitativo do que qualitativo, embora se possa dizer que a produção ampliada também melhorou sensivelmente de qualidade em muitas áreas.
O que a redemocratização trouxe de diferente foi, justamente, um simulacro de “democratização” das instituições universitárias, sob a bandeira da “autonomia”. Na verdade, um aumento extraordinário e uma forte consolidação do corporativismo e do sindicalismo em todas as faixas profissionais, ambos os fenômenos dominados por partidos e movimentos de esquerda e pelo chamado “baixo clero” (e, portanto, já tendente ao que chamei de mediocrização das instituições). Não existe novidade nesse tipo de “evolução”, mesmo quando não aceitamos a legitimidade de uma cultura de “elite”; o romancista americano James Fenimore Cooper – mais conhecido entre nós por seu romance histórico bem pesquisado O Último dos Moicanos – já tinha detectado a crescente mediocrização da vida intelectual nos Estados Unidos desde o início do século 19, sociedade que não pode ser tida como exemplo de elitismo aristocrático, ao contrário: ele indicava o fenômeno como coetâneo ao processo de democratização social, em forte ascensão naquele país recentemente independente.
Sem ter apoio em pesquisas específicas ou estudos setoriais empiricamente embasados – correndo o risco, nesse particular, de algum subjetivismo – é possível afirmar-se que o crescimento e a expansão do terceiro ciclo ocorreram paralelamente ao enorme crescimento quantitativo e à perda de qualidade dos dois primeiros ciclos de ensino. Existem muitas evidências prima facie de que esses dois processos paralelos e aparentemente contraditórios – embora concordantes no aspecto quantitativo – aconteceram ao longo das quatro últimas décadas e meia, ou seja, nos 21 anos do regime militar e nos 25 anos decorridos desde a redemocratização. Ao longo desse processo de inegável democratização de oportunidades sociais – embora insuficiente e longe de ter sido completada, sobretudo devido ao estrangulamento do secundário – os dois movimentos se reforçaram mutuamente e consolidaram seus traços mais negativos, evidenciados justamente no elemento característico que constitui o elemento central desta análise: a perda de qualidade e a mediocrização geral do ensino no Brasil, em especial em sua vertente “superior”.
2. As causas
Como para todo fenômeno complexo, a perda de qualidade do ensino público em geral, no Brasil, possui múltiplas causas, diversas variáveis intervenientes e diferentes tipos de condicionantes, que foram se alterando ao longo do tempo. Pode-se, no entanto, tentar isolar algumas causas aparentes que foram interagindo entre si desde os anos 1960 e que se reforçaram conjuntamente no final do período, ou seja, atualmente, e que prometem continuar agindo no futuro previsível.
Tudo tem início na geração precedente e no movimento pela reforma do ensino e de reforço da escola pública, começado na sequência da Revolução de 1930, continuado na implantação do Estado autoritário no Brasil, em 1937, e em sua consolidação nos anos seguintes, movimento que se prolongou na República de 1946. Os líderes militares e civis que comandaram esses processos nos trinta anos seguintes à Revolução de 1930 foram bem sucedidos em criar um sistema de escolas públicas de qualidade, ainda que bastante seletivo em sua capacidade de recrutamento – basicamente a classe média urbana – e tendente a um mínimo denominador comum – horários reduzidos e reforço limitado de mecanismos extra-escolares – mais do que à ampliação progressiva dos conteúdos e metodologias.
Essa escola “republicana” funcionava razoavelmente bem, ainda que de modo restrito, quando os militares tomaram o poder e decidiram fazer uma revolução nas carências educacionais mais sentidas no Brasil dessa época: criar uma universidade compatível com as necessidades industrializantes e, sobretudo, operar a implantação de programas de pós-graduação. Os militares provavelmente partiram do pressuposto de que a escola pública já estava montada e funcionando adequadamente, e que os esforços mais importantes deveriam ser dirigidos, portanto, para a graduação universitária, em especial para a pós-graduação. Recursos foram maciçamente direcionados a esses dois sistemas, ao mesmo tempo em que os dois primeiros ciclos recebiam os influxos de milhões de novas crianças e adolescentes, sob o impacto do crescimento demográfico e da urbanização, bastante rápidos no Brasil dos anos 60 aos 80. As entidades de fomento cresceram, as bolsas se multiplicaram, os salários dos professores universitários eram relativamente elevados.
Paradoxalmente, um dos principais fatores da perda progressiva de qualidade do ensino público nos dois primeiros ciclos foi a concentração – e a centralização e a reconcentração – dos recursos públicos no terceiro ciclo, este ultra-privilegiado pelas autoridades em relação aos dois primeiros ciclos e, por isso mesmo, capaz de “produzir” universidades relativamente dinâmicas ao longo das últimas três décadas (sem prejulgar aqui e agora quanto à sua capacidade de produzir boa ciência). O Brasil representa verdadeira anomalia internacional, provavelmente universal, sob a forma de uma pirâmide invertida de gastos entre os ciclos. É absolutamente único na desproporção inusitada, e aberrante, com que são alocados os recursos no topo da educação (na verdade transformado em base superior da pirâmide), em detrimento dos “primos pobres” dos dois ciclos de base (e da educação técnico-profissional, também). Isso em flagrante contraste com o que acontece na maior parte dos países (notadamente naqueles de melhor performance educacional e de maior produtividade no sistema econômico de maneira geral).
Essa desigualdade distributiva não explica tudo, porém, sendo necessário completar o quadro mediante um fator causal de natureza mais qualitativa, representado pelas orientações políticas e pedagógicas adotadas nos cursos de formação de professores, especialmente nas faculdades de pedagogia (que formam formadores, eventualmente também formadores de formadores). Não é segredo para ninguém que o ensino no Brasil, em geral, e os cursos de pedagogia, em particular, são tremendamente influenciados – se não dominados – pelas ideologias tidas por “progressistas” (as aspas indicam obviamente o subjetivismo da expressão), com ênfase naquelas aproximadas ao marxismo; bem como pelas correntes pedagógicas identificadas de perto ou de longe com modismos da área (entre eles o chamado “construtivismo”) e com um amálgama já difuso a partir da cepa original “freireana”, ou seja, a chamada “pedagogia do oprimido” produzida por Paulo Freire.
Dito assim, com essa simplicidade redutora, parece que se trata de um aspecto desimportante no mar de problemas – materiais, curriculares, humanos – da educação brasileira, embora ele seja, do ponto de vista da abordagem adotada neste ensaio, um dos problemas mais sérios envolvidos nos processos gerais e específicos da deterioração da qualidade do ensino no Brasil (em vários níveis). As pedagogias freireanas estão no centro da tragédia educacional brasileira. Ponto, parágrafo.
Estou plenamente consciente de que as próprias corporações engajadas no ofício (e no comércio) educacional no Brasil – em qualquer ciclo – tendem a enfatizar os fatores pecuniários – insuficiência dos orçamentos públicos, no plano institucional, modéstia ou mesmo depressão salarial dos professores, no plano individual – como estando na origem de todas as mazelas da educação brasileira. Não descarto, obviamente, essa linha explicativa – embora eu prefira enfatizar o escândalo da pirâmide invertida da distribuição de gastos educacionais; mas os fatores políticos e ideológicos são para mim bem mais relevantes, e mesmo determinantes, na erosão qualitativa de todos os níveis da educação e de todo o ensino (público ou particular) no Brasil.
3. As consequências
A tese principal deste ensaio provocador – deliberadamente focado nas áreas de humanidades – é a de que, depois de ter se beneficiado – e beneficiado a sociedade – com a construção de um sistema universitário relativamente completo, e aparentemente eficiente, com a formação de recursos humanos de melhor qualidade que aqueles previamente existentes, a universidade brasileira deu início a um processo de introversão autosustentada, o que a levou a se isolar da sociedade e a desenvolver comportamentos entrópicos e autistas que, ao fim e ao cabo, redundaram no referido processo de mediocrização atual (aliás, em crescimento e expansão).
De fato, esse processo apresenta, pelo lado das humanidades, um aspecto de ignorância letrada que surpreende pela sua extensão e profundidade. Ele não é, exclusivamente, o resultado das ditas pedagogias freireanas – que explicam mais diretamente a perda de qualidade dos ciclos iniciais de ensino; mas ele é a consequência de anos, mais exatamente décadas, de ideologias “educativas” marcadas pelo que existe de mais atrasado na teoria social contemporânea. Ademais da ausência de controles de qualidade, da falta de sistemas de metas fixadas e resultados cobrados – que explicam sua falta de produtividade – o que mais distingue a área de humanidades, no Brasil, é uma adesão acrítica a correntes e movimentos típicos do capitalismo atrasado que aqui vigora. (Parêntese rápido: obviamente meu comentário não vale para os que professam a fé religiosa nas alternativas socialistas ao capitalismo, mas estes já pararam de ler este meu ensaio desde o começo, se é que começaram; quanto a mim, estou certo de que o Brasil é um país capitalista, ainda que atrasado, mas “condenado” a se desenvolver no âmbito do capitalismo, ponto.). As concepções dessas correntes de “pensamento” são as de um anticapitalismo instintivo, as de um forte sentimento antimercado, um estatismo exacerbado, enfim, uma crença ingênua nas virtudes da “engenharia social”, características, aliás, bastante disseminadas em diversas universidades da região; e, até, em muitas universidades de países perfeitamente capitalistas (como exemplo a França, por isso mesmo em declínio intelectual e com baixa produtividade geral nos terrenos aqui focados).
Aqui existe uma correlação circular e cumulativa de fatores causais: os ignorantes letrados e as corporações sindicais se multiplicam e se reforçam mutuamente, disseminando tentáculos por todos os poros universitários. Os que alcançam funções “pedagógicas” formam as pedagogas freireanas que, por sua vez, vão formar os professores do primário e do secundário – qualquer que seja a estrutura e os títulos desses cursos –, que se tornam, no momento devido, seus pupilos e orientandos, uma audiência cativa (muitas vezes passiva) dos novos mandarins universitários. Nos vários componentes dessa complexa equação, pedagogas freireanas, sinecuras acadêmicas, sindicalismo de baixa extração e ideologias anticapitalistas e antimercado se combinam e se reforçam para destruir a educação brasileira, pelo menos naquelas funções iluministas que ela deveria exibir, colocando em seu lugar esses elementos característicos da ignorância letrada.
No curto prazo, o resultado global é o aprofundamento da mediocridade que já vinha marcando as áreas de humanidades do sistema universitário – tanto público quanto privado – nos últimos anos (possivelmente nas duas últimas décadas), contribuindo, no médio e no longo prazo, para reforçar as tendências brasileiras à estagnação ou ao atraso relativo. Essas características não são percebidas, obviamente, pelos que integram o próprio sistema, sobretudo por aqueles que vivem exclusivamente a vida universitária brasileira, em tudo o que ela apresenta de autista e de entrópico. Os acadêmicos que já viajaram, que já conviveram com universidades estrangeiras – refiro-me, obviamente, às boas universidades americanas, e algumas boas europeias – e que já se utilizaram de serviços e mercados nesses países, devem ter perfeita consciência, se tiverem as mentes abertas, para o verdadeiro atraso em que vive o Brasil, mesmo com todos os seus sinais de aparente modernidade. O Brasil é um país que caminha lentamente, que praticamente se arrasta, penosamente, em direção à modernidade.
Esse lento caminhar no sentido dos avanços científicos e tecnológicos mais dinâmicos da contemporaneidade é evidente, mesmo comparando o Brasil a outros países emergentes que se integram aos mercados globais da atualidade, sobretudo na Ásia. Não se trata apenas ou exatamente de dificuldades em aceitar os requerimentos do progresso em suas diversas expressões materiais e culturais; afinal de contas, como já dizia Mário de Andrade mais de setenta anos atrás, “progredir, progredimos um tiquinho, que o progresso também é uma fatalidade”. Trata-se, sobretudo, de bloqueios burocráticos e materiais a um progresso mais rápido: qual é o país emergente que possui uma carga fiscal típica de país rico: 38% do PIB? (Atenção: essa é a taxa média nos países da OCDE, sendo que alguns estão abaixo de 30% e que sua renda per capita ultrapassa 40 mil dólares, mais de seis vezes a brasileira.) Qual é o país no qual a atividade empreendedora é tão cercada de entraves e dificuldades? (No que o Brasil empata, talvez, com a Índia, outro país capitalista atrasado. Atualmente, mesmo aquele outro grande país burocrático, que é a China, é mais capitalista que o Brasil.)
4. As evidências
Independentemente dos lentos progressos materiais que o Brasil consiga realizar nos terrenos vinculados a mercados capitalistas – no que ele vem sendo superado por países de crescimento e de modernização mais rápidos – o fato é que o panorama acadêmico vem experimentando nítido declínio de qualidade no âmbito das humanidades, o que é revelado, por exemplo, pela forma e substância dos artigos publicados ou apresentados para publicação nos veículos da área (muitos deles existindo apenas e tão somente para cumprir requisitos de pontuação estabelecidos de forma puramente quantitativista pelos organismos de fomento acadêmico).
O problema vai muito além do que já tinha constatado, desde 1985, Edmundo Campos Coelho, em seu aclamado (e pouco lido) A sinecura acadêmica: a ética universitária em questão (São Paulo: Vértice, 1985), já que atingindo bem mais do que bancas de seleção de professores, cargos comissionados, apoios financeiros e prebendas institucionais de modo geral. Ele transformou-se num problema sine cura, alcançando o próprio núcleo do sistema de produção acadêmica, ou seja, sua própria substância, que é a capacidade de produzir obras originais, em linguagem acessível a um público mais vasto, mas dentro de rigorosos padrões acadêmicos de qualidade.
Com efeito, um dos aspectos mais preocupantes dessa involução no período recente, aliás, estimulada em grande medida pelas próprias autoridades da área, é a tendência ao enclausuramento acadêmico, à diminuição dos esforços de cooperação com o Norte e, no sentido contrário, o reforço de intercâmbios variados com países do Sul, numa discriminação política que não faz sentido no plano científico; dificilmente se poderá sustentar que entidades de pesquisa da América Latina ou de continentes assemelhados possuam maior e melhor substância científica do que seus equivalentes do Norte. Não existe maior demonstração da vontade de autocondenar-se a viseiras mentais do que a frase sumamente imbecil, bastante repetida em certos meios, que proclama que o “Sul é o nosso Norte”. Toda e qualquer ciência, toda e qualquer abordagem acadêmica que se autodireciona para um lado, ignorando todos os outros, é por definição estúpida e autolimitativa em termos estritamente científicos.
Acadêmicos defensores dessa postura se orgulham de exibir uma proclamada “latinoamericanidad” que não faz o menor sentido no plano das metodologias e das pesquisas de ponta, como se o fato de pertencer ao mesmo arco cultural ou a uma mesma zona geográfica representasse qualquer garantia de qualidade acadêmica. O “indigenismo” ingênuo e canhestro presente em algumas dessas novas experiências de cooperação introduz um elemento totalmente estranho nas tradições de pesquisa brasileira, já que referidos a um universo civilizatório que não tem nada a ver com os componentes antropológicos ou culturais da formação histórica e social do Brasil.
A busca sôfrega por identidades nessas áreas, certamente forçada, mas intensamente praticada nos últimos anos, representa um atraso e uma dispersão de esforços que vão, inevitavelmente, cobrar um preço na produção acadêmica brasileira. As interpretações classistas e “campesinas” da história social e do desenvolvimento econômico na região, a adesão pouco refletida a supostas causas de “oprimidos” e de “injustiçados” reforçam os componentes do atraso acadêmico; interpretações, aliás, que vêm acompanhadas de um inacreditável apoio a uma das experiências políticas mais nefastas já assistidas em todo o mundo, que é a construção progressiva de um fascismo tido supostamente por ser de esquerda, apenas porque o caudilho promotor emite invectivas “anti-imperialistas”. Uma falsa noção de segurança e de soberania alimentar condena a atividade primário-exportadora como sendo negativa do ponto de vista do desenvolvimento econômico e social, quando ela é o sustentáculo da modernidade no campo, independentemente de considerações ad hoc sobre as dimensões regionais das propriedades ou seus vínculos com o mercado externo.
São muitos os exemplos de posturas anacrônicas no plano das humanidades, assim como são muitos os componentes da mediocridade universitária, entre eles um “gramscianismo” instintivo e até ignaro (já que não corresponde a uma verdadeira leitura aberta da obra original). Esses exemplos podem até corresponder a uma atitude militante compatível com preferências manifestas na vida civil; mas jamais aos requisitos do trabalho acadêmico tal como reconhecido pelos padrões normais da pesquisa científica. Todos eles vão reforçar as deficiências metodológicas, a ignorância letrada e o atraso substantivo nas pesquisas relevantes para o progresso e o desenvolvimento do Brasil. Em algum momento, o ambiente acadêmico vai emergir das camisas de força ideológicas e buscar a atmosfera mais arejada da pesquisa de boa qualidade. Mas esse processo promete ser longo e custoso, tendo em vista os equívocos e desvios já incorridos no cenário universitário brasileiro.
Quero crer, também com base em evidências subjetivas, que o atraso é apenas relativo, e não absoluto, pois em algumas áreas ou situações específicas a racionalidade tem condições de se impor contra as ideologias ingênuas. No cômputo geral, contudo, a situação atual nas humanidades da academia brasileira aparece como quase desesperadora, necessitando, praticamente, o estabelecimento de um quilombo de resistência intelectual contra os assaltos à racionalidade mais elementar por parte de tribos crescentes de ignorantes letrados. Gostaria de estar errado, e de ser apenas um pessimista elitista (não: não tenho nenhuma vergonha em buscar a elite do saber). Gostaria de registrar uma rápida correção da academia brasileira em direção de padrões de comportamento institucional mais consentâneos com sua vocação humanista e, sobretudo, constatar uma produção intelectual à altura dos requisitos de modernidade e progresso que estamos no direito de esperar de um país inserido na globalização do conhecimento. Não é o que tenho observado até aqui.
Esperemos que seja um fenômeno passageiro, embora meu pessimismo realista tenha sólidas razões para existir: afinal de contas, o otimismo da vontade, ou da prática, não consegue prevalecer num ambiente de mentes fechadas, o que só alimenta o pessimismo da razão, ou do intelecto. O problema parece estar em que os acadêmicos gramscianos só pretendem ler Gramsci, jamais as críticas que lhe são feitas, mesmo as de um intelectual socialista (embora liberal) como Norberto Bobbio, por exemplo. As viseiras mentais daqueles mesmos que posam de sumidades acadêmicas de relevo, e que são lidos e repetidos nas universidades brasileiras, chegam a ser assustadoras, inclusive e sobretudo porque parecem ter assegurado o seu próprio sucesso continuado, a julgar pela bibliografia distribuída e pelos trabalhos produzidos nessas esferas.
Não é preciso, aqui, citar nomes e ensaios publicados, pois é muito fácil deduzir quem, ou quais são as “vacas sagradas” do processo de mediocrização da universidade brasileira. Talvez dois pequenos trechos retirados de texto de um dos gurus da nova ignorância sejam representativos do que estou analisando: “Entra governo, sai governo, as leis do mercado parecem dominar irreversivelmente o mundo, o estilo de vida norte-americano devasta espaços nunca antes alcançados – seja na China ou na periferia das grandes metrópoles do sul do mundo...”; “A crise da URSS não deu lugar a um socialismo superador dos problemas desse modelo e, ao contrário, disseminou o neoliberalismo nas terras de Lênin. O capitalismo abandonou seu modelo keynesiano por um modelo de extensão inaudita da mercantilização de todos os rincões do mundo.” Um acadêmico capaz de escrever tamanha bobagem é capaz de qualquer impostura intelectual, que ele aliás não cessa de praticar.
Os quilombos de resistência intelectual a esses processos de indigência acadêmica e de desonestidade no plano das ideias – o que ocorre sempre quando os argumentos exibidos estão longe de corresponder à realidade mais evidente – são ainda muito tênues e pouco numerosos. A esperança é que eles se multipliquem nos anos à frente e possam superar os imensos pântanos de mediocridade que se espalham de modo preocupante pela universidade brasileira. Estou sendo muito pessimista?
[Dubai-SãoPaulo, 17/07/2010; Shanghai, 30/07/2010]
Sobre ideias inteligentes, Thomas Sowell, por exemplo
A proposito de recente debate acrimonioso neste blog (isso costuma acontecer com frequencia, revelando que certas verdades chocam pessoas...), meu leitor Rubens enviou em comentário um trecho do intelectual americano (não preciso chamá-lo de negro, pois este seria um qualificativo totalmente dispensável no caso dele) Thomas Sowell, que cabe destacar devidamente:
Rubens disse...
Caro Professor, recomendo que não se ocupe de responder longamente os ataques ad hominem. Basta denunciar a falácia argumentativa usada pelo interlocutor.
Aproveito o tema da ignorância letrada, um dos meus favoritos, para deixar algumas frases avulsas do Thomas Sowell:
"Socialism in general has a record of failure so blatant that only an intellectual could ignore or evade it."
"The problem isn't that Johnny can't read. The problem isn't even that Johnny can't think. The problem is that Johnny doesn't know what thinking is; he confuses it with feeling."
"Nothing as mundane as mere evidence can be allowed to threaten a vision so deeply satisfying."
"This must be the golden age of presumptuous ignorance."
"There are few talents more richly rewarded with both wealth and power, in countries around the world, than the ability to convince backward people that their problems are caused by other people who are more advanced."
"What “multiculturalism” boils down to is that you can praise any culture in the world except Western culture—and you cannot blame any culture in the world except Western culture."
E uma outra que li em uma resenha de Intellectuals and Society, do mesmo Sowell:
"An intellectual is a self-inflated, self-congratulatory, lover of self; a person so in thrall to beautiful theories that he is incapable of correction and impervious to evidence. Superman had kryptonite, but an intellectual’s shield of self-assurance cannot be breached by any known substance, especially fact."
PRA: Não tenho mais nada a agregar, apenas agradecer ao Rubens, e recomendar que outras pessoas leiam Sowell. Ele tem site, tem blog, tem dezenas de artigos livremente disponíveis na internet, e também tem muitos livros publicados, sendo esse, sobre os "intelectuais" (valem as aspas), um dos melhores...
Paulo Roberto de Almeida
Rubens disse...
Caro Professor, recomendo que não se ocupe de responder longamente os ataques ad hominem. Basta denunciar a falácia argumentativa usada pelo interlocutor.
Aproveito o tema da ignorância letrada, um dos meus favoritos, para deixar algumas frases avulsas do Thomas Sowell:
"Socialism in general has a record of failure so blatant that only an intellectual could ignore or evade it."
"The problem isn't that Johnny can't read. The problem isn't even that Johnny can't think. The problem is that Johnny doesn't know what thinking is; he confuses it with feeling."
"Nothing as mundane as mere evidence can be allowed to threaten a vision so deeply satisfying."
"This must be the golden age of presumptuous ignorance."
"There are few talents more richly rewarded with both wealth and power, in countries around the world, than the ability to convince backward people that their problems are caused by other people who are more advanced."
"What “multiculturalism” boils down to is that you can praise any culture in the world except Western culture—and you cannot blame any culture in the world except Western culture."
E uma outra que li em uma resenha de Intellectuals and Society, do mesmo Sowell:
"An intellectual is a self-inflated, self-congratulatory, lover of self; a person so in thrall to beautiful theories that he is incapable of correction and impervious to evidence. Superman had kryptonite, but an intellectual’s shield of self-assurance cannot be breached by any known substance, especially fact."
PRA: Não tenho mais nada a agregar, apenas agradecer ao Rubens, e recomendar que outras pessoas leiam Sowell. Ele tem site, tem blog, tem dezenas de artigos livremente disponíveis na internet, e também tem muitos livros publicados, sendo esse, sobre os "intelectuais" (valem as aspas), um dos melhores...
Paulo Roberto de Almeida
Sobre blogs, sobre conteudo e sobre formas: o meio nao é a mensagem
Um blog não é exatamente uma revista de divulgação científica. Ele é um instrumento de divulgação e debate de ideias, eventualmente de informações também.
Boa parte dos blogs são anônimos, o que para mim denota um sério desvio de personalidade.
Em todo caso, este blog debate ideias, e acredito que o faz de modo honesto, expondo primeiro as posições de quem quer que seja e depois emitindo uma opinião, geralmente fundamentada, por vezes, reconheço, em linguagem contundente, pois sua função é exatamente esta: chamar a atenção para certas ideias, boas ou más, e acredito que ele consegue, tanto é verdade que recebo muitos comentários, nem todos publicáveis.
Também publico informações, simples matérias de imprensa, geralmente precedidas de poucos comentários pessoais meus, emitindo minha opinião sobre o assunto.
Surpreende-me, portanto, que a MAIOR PARTE dos comentários se dirija não às ideias expressas, mas à forma usada nessa expressão, quando não à personalidade ou à situação do emitente, no caso eu mesmo.
Creio que as pessoas tem alguma obsessão com a personalidade do emitente, e se esquecem, ou não conseguem, debater as ideias em si.
Considero que esse tipo de atitude é também, de certa forma, um desvio de personalidade. As pessoas se revelam incapazes de se concentrar no objeto central, e se contentam em focar no periférico.
Seria como se, num concurso de tiro, as pessoas se esforçassem para escapar do alvo, atirando a esmo, apenas para justificar uma eventual incapacidade de acertar no centro do alvo.
Surpreende-me também que as pessoas pretendam vincular este meu blog, expressão de uma personalidade livre, absolutamente independente, a uma qualquer condição pessoal ou profissional, o que revela uma incapacidade de separar ideias de situações de vida. Alguns sociólogos, ou psicólogos, chamariam isso de "personalidade autoritária", ou seja, achar que um cidadão qualquer não tem direito a ter ideias proprias, independente de sua condição social ou profissional. Ser livre, justamente, é poder emitir uma opinião, sem estar cingido por qualquer autoridade que seja. Que os outros se sintam obrigados a defender ideias de outros, de seu patrão, eventualmente, isso é problema deles, uma servidão voluntária que eu não considero aceitável num mundo de liberdade. Não costumo ser escravo de ninguém, vivo ou morto, autoridade ou não. Ponto.
A despeito de uma forma por vezes contudente, meu blog está destinado, como expresso no banner de entrada, a discutir IDEIAS.
Minha seção de comentários também traz a mesma advertência: focar no tema do post, apenas isso. Acho que não é pedir muito.
Acho que as pessoas esquecem, ou não conseguem...
Não adianta atirar no mensageiro, pois a mensagem está lá, e continua lá.
Apreciaria que as pessoas retivessem estas pequenas recomendações...
Paulo Roberto de Almeida
Boa parte dos blogs são anônimos, o que para mim denota um sério desvio de personalidade.
Em todo caso, este blog debate ideias, e acredito que o faz de modo honesto, expondo primeiro as posições de quem quer que seja e depois emitindo uma opinião, geralmente fundamentada, por vezes, reconheço, em linguagem contundente, pois sua função é exatamente esta: chamar a atenção para certas ideias, boas ou más, e acredito que ele consegue, tanto é verdade que recebo muitos comentários, nem todos publicáveis.
Também publico informações, simples matérias de imprensa, geralmente precedidas de poucos comentários pessoais meus, emitindo minha opinião sobre o assunto.
Surpreende-me, portanto, que a MAIOR PARTE dos comentários se dirija não às ideias expressas, mas à forma usada nessa expressão, quando não à personalidade ou à situação do emitente, no caso eu mesmo.
Creio que as pessoas tem alguma obsessão com a personalidade do emitente, e se esquecem, ou não conseguem, debater as ideias em si.
Considero que esse tipo de atitude é também, de certa forma, um desvio de personalidade. As pessoas se revelam incapazes de se concentrar no objeto central, e se contentam em focar no periférico.
Seria como se, num concurso de tiro, as pessoas se esforçassem para escapar do alvo, atirando a esmo, apenas para justificar uma eventual incapacidade de acertar no centro do alvo.
Surpreende-me também que as pessoas pretendam vincular este meu blog, expressão de uma personalidade livre, absolutamente independente, a uma qualquer condição pessoal ou profissional, o que revela uma incapacidade de separar ideias de situações de vida. Alguns sociólogos, ou psicólogos, chamariam isso de "personalidade autoritária", ou seja, achar que um cidadão qualquer não tem direito a ter ideias proprias, independente de sua condição social ou profissional. Ser livre, justamente, é poder emitir uma opinião, sem estar cingido por qualquer autoridade que seja. Que os outros se sintam obrigados a defender ideias de outros, de seu patrão, eventualmente, isso é problema deles, uma servidão voluntária que eu não considero aceitável num mundo de liberdade. Não costumo ser escravo de ninguém, vivo ou morto, autoridade ou não. Ponto.
A despeito de uma forma por vezes contudente, meu blog está destinado, como expresso no banner de entrada, a discutir IDEIAS.
Minha seção de comentários também traz a mesma advertência: focar no tema do post, apenas isso. Acho que não é pedir muito.
Acho que as pessoas esquecem, ou não conseguem...
Não adianta atirar no mensageiro, pois a mensagem está lá, e continua lá.
Apreciaria que as pessoas retivessem estas pequenas recomendações...
Paulo Roberto de Almeida
Diplomacia da demagogia: revisando posicoes em funcao do publico...
O demagogo é aquele que pretende estar sempre junto do povo, ou da opinião pública (numa versão mais seletiva). Ele não hesita em renegar a si próprio, em mudar de posição, se isso lhe favorece politicamente.
Demagogia existe em todas as esferas, interna e externa.
Eu, por exemplo, teria ojeriza a expressar "carinho" por outro demagogo (entre outras qualidades).
Acho que é isso...
Paulo Roberto de Almeida
Lula oferece abrigo a iraniana que pode ser apedrejada
Agência Estado, 31/07/2010
Mulher de 43 anos está presa acusada de um suposto adultério. Em evento ao lado de
Dilma Rousseff, Lula aproveitou para atacar seus adversários políticos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu neste sábado (31), durante comício em prol da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, em Curitiba, abrigo político para a iraniana Mohammedi Ashitiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento em razão de suposto adultério.
"Eu tenho que respeitar a lei de um país, mas se vale minha amizade e o carinho que tenho pelo presidente do Irã (Mahmoud Ahmadinejad) e pelo povo iraniano, se esta mulher está causando incômodo, nós a receberíamos no Brasil", afirmou.
O presidente tocou no assunto quase ao final do discurso, após criticar os Estados Unidos por repudiar sua tentativa de negociar a paz no Oriente Médio. "Parece que tem mais gente trabalhando contra a paz do que trabalhando pela paz", destacou.
"Já que minha candidata é uma mulher, eu queria fazer um apelo a meu amigo Ahmadinejad, ao líder supremo do Irã e ao governo do Irã." Logo depois, explicou a centenas de pessoas que se postaram na Boca Maldita, no centro de Curitiba, para ouvi-lo, que no Irã o adultério é punido com a morte por apedrejamento. Ele reconheceu que estava em
situação difícil porque se tratava de falar da soberania de um país.
Quarta-feira passada, Lula havia dito que não tomaria nenhuma atitude em relação à decisão do Irã, justificando que as leis de cada país precisam ser respeitada sob risco de virar "avacalhação". "Acho que é coisa muito grave o que está acontecendo", disse. "Nada justifica o Estado tirar a vida de alguém, só Deus dá a vida e só Ele é que
deveria tirar a vida."
Lula disse que já tinha feito outros apelos a favor de brasileiros condenados à morte, em favor de uma francesa também no Irã e em favor de americanos. "Mas os americanos também tem que liberar companheiros do Irã", ponderou. Em entrevista, mais tarde, Dilma elogiou o presidente por sua "sensibilidade".
Demagogia existe em todas as esferas, interna e externa.
Eu, por exemplo, teria ojeriza a expressar "carinho" por outro demagogo (entre outras qualidades).
Acho que é isso...
Paulo Roberto de Almeida
Lula oferece abrigo a iraniana que pode ser apedrejada
Agência Estado, 31/07/2010
Mulher de 43 anos está presa acusada de um suposto adultério. Em evento ao lado de
Dilma Rousseff, Lula aproveitou para atacar seus adversários políticos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu neste sábado (31), durante comício em prol da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, em Curitiba, abrigo político para a iraniana Mohammedi Ashitiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento em razão de suposto adultério.
"Eu tenho que respeitar a lei de um país, mas se vale minha amizade e o carinho que tenho pelo presidente do Irã (Mahmoud Ahmadinejad) e pelo povo iraniano, se esta mulher está causando incômodo, nós a receberíamos no Brasil", afirmou.
O presidente tocou no assunto quase ao final do discurso, após criticar os Estados Unidos por repudiar sua tentativa de negociar a paz no Oriente Médio. "Parece que tem mais gente trabalhando contra a paz do que trabalhando pela paz", destacou.
"Já que minha candidata é uma mulher, eu queria fazer um apelo a meu amigo Ahmadinejad, ao líder supremo do Irã e ao governo do Irã." Logo depois, explicou a centenas de pessoas que se postaram na Boca Maldita, no centro de Curitiba, para ouvi-lo, que no Irã o adultério é punido com a morte por apedrejamento. Ele reconheceu que estava em
situação difícil porque se tratava de falar da soberania de um país.
Quarta-feira passada, Lula havia dito que não tomaria nenhuma atitude em relação à decisão do Irã, justificando que as leis de cada país precisam ser respeitada sob risco de virar "avacalhação". "Acho que é coisa muito grave o que está acontecendo", disse. "Nada justifica o Estado tirar a vida de alguém, só Deus dá a vida e só Ele é que
deveria tirar a vida."
Lula disse que já tinha feito outros apelos a favor de brasileiros condenados à morte, em favor de uma francesa também no Irã e em favor de americanos. "Mas os americanos também tem que liberar companheiros do Irã", ponderou. Em entrevista, mais tarde, Dilma elogiou o presidente por sua "sensibilidade".
Sobre propostas idiotas e comentários perifericos: à falta de argumentos, atire no mensageiro...
Certos posts meus, pelo chocante dos temas ou pelo inusitado da minha linguagem, contundente ao ponto de parecer grosseira, chamam mais a atenção do que outros posts, o que é normal.
O que eu não acho normal é o fato de que as pessoas tenham de se esconder no anonimato para poder comentar sobre esses posts, como se elas tivessem medo de que eu vá agredi-las fisicamente, ou quem sabe fuzilá-las com alguma arma virtual.
Um espaço público como este chama naturalmente a controvérsias, e é natural que assim seja. Tanto não temo críticas a respeito de minhas posições que, nos casos mais relevantes, eu as retiro de sua semi-obscuridade em que elas repousariam, enquanto notas de rodapé que efetivamente são, para lhes trazer à luz de um novo post, ainda que seus autores se resguardem sob um confortável anonimato, que em outras circunstâncias poderia ser classificado como covardia, ou incapacidade de se expor para defender ideias proprias.
Digo isto a proposito do mesmo assunto, abordado em dois posts meus (ambos de sexta-feira, 30 de julho de 2010), como referido a seguir:
Como ser um(a) debiloide pos-doutoral, sem sequer perceber isso...
e
Novas consideracoes sobre a ignorancia letrada (a propósito de algumas ideias idiotas)
Pois bem, uma Anônima indignada escreveu o que segue:
Anônimo disse...
Prezado Paulo Roberto de Almeida, suas ponderações são pertinentes e até certo ponto inteligíveis, mas o seu grande problema é a falta de ética e o demérito ao trabalho da tal pós-doutora.
Ou talvez seja até uma certa inveja dela estar na ONU e você não.
Criticar é uma coisa ! Falta de ética é outra. Insultar e injuriar uma profissional como fez neste post não leva à acadêmia a pensar melhor, mas tão somente a uma produção intelecto-educacional nefanda para muitos jovens que aqui frequentam e que não precisam deste tipo de discurso.
Mas como o senhor já está em fim de carreira e frustrado por não pertencer a ONU, levaremos seu discurso como a materialização de uma pessoa idosa que já não sabe mais o que diz e que talvez já esteja até caducando.
Além disso, insisto estude DIREITO direito, para entender o âmago do conceito utilizado pela pós doutora, para após sim, crítica-la com embasamento científico e não COM ACHISMOS....
Muito triste de ver um profissional de sua estirpe acabar deste jeito...
OBS: Antes que inicie sua metralhadora cheia de mágoas, eu não me identifiquei para não ter que ser insultada como o faz quando tem suas idéias contrariadas, pois apesar de dizer que este blog é democrático, talvez esta seja a sua maior FALÁCIA...apenas por isso.
Retomo (PRA):
A Anônima em questão não parece ter lido a matéria com atenção, pois seu comentário permanece completamente alheio ao tema em debate.
Incapaz de rebater argumentos substantivos com outros argumentos substantivos, ela perpetra o mais comum dos atos típicos dos que se sentem carentes disso mesmo: atirar sobre o mensageiro, em lugar de discutir suas ideias.
A despeito de eu ter chamado a pós-doutora em questão de idiota, eu me dirigi sobretudo a seus argumentos em favor de um direito à "não-pobreza", como sendo especialmente nefasto ao futuro comum da humanidade.
A Anônima em questão não consegue discutir esse problema e se vinga ao acusar-me de falta de ética (!!!???). Como?, se eu fui aberto e totalmente transparente ao classificar as ideias de sua autora,e a própria, de idiotas?
Isso é sinceridade, e pode até ser chamado de agressividade, mas ética é outra coisa: seria falta de, se eu, por exemplo, atacasse essa autora de maneira anônima, como faz essa comentarista que não parece ter lido os materiais com atenção.
Nem a pós-doutora em questão está na ONU, como ela considera equivocadamente, nem eu jamais cogitei trabalhar num dinossauro perdulário, repleto de ideias malucas como essas expostas no post.
Só posso recomendar a Anônima em questão que leia com atenção os posts, para não sair por aí atirando no que pensa que viu e que não existe.
Também recomendo que estude um pouco de economia, para não incorrer nas mesmas bobagens que a "onusiana" que ela vislumbrou equivocadamente.
Bons argumentos independem de idade, posição social, condição profissional, status acadêmico.
Dependem apenas de raciocínio lógico, fundamentação empírica e honestidade intelectual.
Eu tenho por hábito expor claramente o que penso. E assinar embaixo. Assumo responsabilidade pelo que digo, pelo que escrevo e pelo que publico. E me submeto ao escrutínio público, sem qualquer outro instrumento de defesa do que a escrita.
Pena que nem todos possam ou pretendam fazer o mesmo, assinando embaixo do que escrevem.
Mas cada um é ético à sua maneira...
Paulo Roberto de Almeida
(1.08.2010)
O que eu não acho normal é o fato de que as pessoas tenham de se esconder no anonimato para poder comentar sobre esses posts, como se elas tivessem medo de que eu vá agredi-las fisicamente, ou quem sabe fuzilá-las com alguma arma virtual.
Um espaço público como este chama naturalmente a controvérsias, e é natural que assim seja. Tanto não temo críticas a respeito de minhas posições que, nos casos mais relevantes, eu as retiro de sua semi-obscuridade em que elas repousariam, enquanto notas de rodapé que efetivamente são, para lhes trazer à luz de um novo post, ainda que seus autores se resguardem sob um confortável anonimato, que em outras circunstâncias poderia ser classificado como covardia, ou incapacidade de se expor para defender ideias proprias.
Digo isto a proposito do mesmo assunto, abordado em dois posts meus (ambos de sexta-feira, 30 de julho de 2010), como referido a seguir:
Como ser um(a) debiloide pos-doutoral, sem sequer perceber isso...
e
Novas consideracoes sobre a ignorancia letrada (a propósito de algumas ideias idiotas)
Pois bem, uma Anônima indignada escreveu o que segue:
Anônimo disse...
Prezado Paulo Roberto de Almeida, suas ponderações são pertinentes e até certo ponto inteligíveis, mas o seu grande problema é a falta de ética e o demérito ao trabalho da tal pós-doutora.
Ou talvez seja até uma certa inveja dela estar na ONU e você não.
Criticar é uma coisa ! Falta de ética é outra. Insultar e injuriar uma profissional como fez neste post não leva à acadêmia a pensar melhor, mas tão somente a uma produção intelecto-educacional nefanda para muitos jovens que aqui frequentam e que não precisam deste tipo de discurso.
Mas como o senhor já está em fim de carreira e frustrado por não pertencer a ONU, levaremos seu discurso como a materialização de uma pessoa idosa que já não sabe mais o que diz e que talvez já esteja até caducando.
Além disso, insisto estude DIREITO direito, para entender o âmago do conceito utilizado pela pós doutora, para após sim, crítica-la com embasamento científico e não COM ACHISMOS....
Muito triste de ver um profissional de sua estirpe acabar deste jeito...
OBS: Antes que inicie sua metralhadora cheia de mágoas, eu não me identifiquei para não ter que ser insultada como o faz quando tem suas idéias contrariadas, pois apesar de dizer que este blog é democrático, talvez esta seja a sua maior FALÁCIA...apenas por isso.
Retomo (PRA):
A Anônima em questão não parece ter lido a matéria com atenção, pois seu comentário permanece completamente alheio ao tema em debate.
Incapaz de rebater argumentos substantivos com outros argumentos substantivos, ela perpetra o mais comum dos atos típicos dos que se sentem carentes disso mesmo: atirar sobre o mensageiro, em lugar de discutir suas ideias.
A despeito de eu ter chamado a pós-doutora em questão de idiota, eu me dirigi sobretudo a seus argumentos em favor de um direito à "não-pobreza", como sendo especialmente nefasto ao futuro comum da humanidade.
A Anônima em questão não consegue discutir esse problema e se vinga ao acusar-me de falta de ética (!!!???). Como?, se eu fui aberto e totalmente transparente ao classificar as ideias de sua autora,e a própria, de idiotas?
Isso é sinceridade, e pode até ser chamado de agressividade, mas ética é outra coisa: seria falta de, se eu, por exemplo, atacasse essa autora de maneira anônima, como faz essa comentarista que não parece ter lido os materiais com atenção.
Nem a pós-doutora em questão está na ONU, como ela considera equivocadamente, nem eu jamais cogitei trabalhar num dinossauro perdulário, repleto de ideias malucas como essas expostas no post.
Só posso recomendar a Anônima em questão que leia com atenção os posts, para não sair por aí atirando no que pensa que viu e que não existe.
Também recomendo que estude um pouco de economia, para não incorrer nas mesmas bobagens que a "onusiana" que ela vislumbrou equivocadamente.
Bons argumentos independem de idade, posição social, condição profissional, status acadêmico.
Dependem apenas de raciocínio lógico, fundamentação empírica e honestidade intelectual.
Eu tenho por hábito expor claramente o que penso. E assinar embaixo. Assumo responsabilidade pelo que digo, pelo que escrevo e pelo que publico. E me submeto ao escrutínio público, sem qualquer outro instrumento de defesa do que a escrita.
Pena que nem todos possam ou pretendam fazer o mesmo, assinando embaixo do que escrevem.
Mas cada um é ético à sua maneira...
Paulo Roberto de Almeida
(1.08.2010)
Cotas: polarizacao em torno do racismo oficial
O debate, já por si acrimonioso, promete continuar dividindo o país, criando aliás duas nações opostas: os defensores de cotas e seus opositores.
Triste destino para um país que se pretendia misturado, o fato de ter agora de dividir artificialmente sua população em "negros" e todo o resto, ou seja, os "não-negros", sendo que os primeiros, supostamente, totalizam mais da metade da população do país (isto segundo os dados da PNAD, já que 53% da população se auto-declararou "afro-descendente", pessoas que, obviamente, estão de olho nas cotas e outras facilidades oficiais, mesmo sem que anteriormente elas se considerassem negras ou afro-descendentes a qualquer título; agora elas o são, por oportunismo).
Caminhamos para o Apartheid, o que estimulará ainda mais o racismo, ainda que invertido.
Paulo Roberto de Almeida
Cotas: polarização continua
Marcelo Medeiros
Jornal da Ciência, 30.07.2010
O sistema de cotas deve ou não ser adotado nas universidades públicas do país? E por quê? As perguntas deram a tônica da sessão "Ciência em Ebulição" desta quinta-feira, penúltimo dia da 62ª Reunião Anual da SBPC
A favor da reserva de vagas estava o antropólogo José Jorge de Carvalho, da Universidade de Brasília (UnB), idealizador do sistema daquela instituição. De outro, Daltro José Nunes, do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Enquanto o professor da universidade gaúcha embasava-se em afirmações de igualdade de competição entre indivíduos, apontando ser injusto oferecer condições favoráveis a uns e não a outros em um concurso público, Carvalho apontava a necessidade de reparação da opressão histórica à qual os negros brasileiros foram submetidos.
Para Nunes, o problema da desigualdade no acesso às universidades públicas é estrutural e não racial. Segundo ele, a diferença na qualidade da educação nas escolas públicas e privadas afeta a entrada no ensino superior. Caso ignorada, esta diferença poderia representar ameaças à excelência das universidades públicas. "Com as cotas, as universidades tendem, em média, a perder qualidade, pois alunos menos preparados tiram lugar de mais preparados", afirmou.
Logo, segundo ele, a questão deve ser debatida como provocador de política pública de melhoria da educação como um todo. "As cotas atacam o efeito [dessa falta de política] e não a causa. Os governos são os verdadeiros culpados, mas as universidades repassam a culpa para os indivíduos", argumentou.
Para o professor de informática, a função da universidade não deve ser reparar injustiças, mas formar bons profissionais, independente de classe social ou cor. "Não me interessa se meu médico é negro, branco ou índio, desde que ele seja bom", provocou.
Nunes não se furtou a apresentar uma solução para resolver o problema da entrada na universidade enquanto o acesso se torna universal. Para ele, o vestibular deveria dar lugar a um sistema de seleção baseado não no conhecimento de disciplinas básicas, mas na capacidade cognitiva do estudante. "Avaliaríamos o raciocínio para ver o quanto ele é capaz de apreender novos conteúdos e superar deficiências", explicou.
Carvalho, por sua vez, lembrou da importância da discussão do sistema de cotas para levantar a questão do acesso à universidade. "Os primeiros debates aconteceram em 1999, na UnB. As cotas geraram um forte debate sobre a inserção dos pobres no ensino superior, onde está a camada dirigente do país", afirmou.
O antropólogo se mostrou contrário a soluções uniformes e defendeu a pluralidade de sistemas, desde que voltados para a garantia de um mínimo de vagas para negros. "A questão é complexa, mas o foco da discussão deve ser o debate", ressaltou. Isso porque, em sua análise, argumentos favoráveis à inserção por níveis de renda e origem escolar apenas esconderiam o racismo estrutural existente na sociedade brasileira e, principalmente, nas universidades.
Apresentando dados que mostram que em nenhuma instituição de ensino superior pública a quantidade de professores negros ultrapassa 1% do total, o professor foi além do tradicional discurso em prol de ações afirmativas na graduação. "Precisamos de cotas na pós. Ou por acaso os negros não chegam à pós-graduação?", questionou. "Temos um passivo muito grande a compensar".
Mostrando que o tema ainda está distante de ser consensual no país, a plateia se dividiu em críticas e elogios. Alguns presentes contaram histórias pessoais para ilustrar a complexidade do tema. As principais questões faziam referências a definições de cor, reparação histórica e injustiça, mas os professores reafirmaram seus argumentos.
Triste destino para um país que se pretendia misturado, o fato de ter agora de dividir artificialmente sua população em "negros" e todo o resto, ou seja, os "não-negros", sendo que os primeiros, supostamente, totalizam mais da metade da população do país (isto segundo os dados da PNAD, já que 53% da população se auto-declararou "afro-descendente", pessoas que, obviamente, estão de olho nas cotas e outras facilidades oficiais, mesmo sem que anteriormente elas se considerassem negras ou afro-descendentes a qualquer título; agora elas o são, por oportunismo).
Caminhamos para o Apartheid, o que estimulará ainda mais o racismo, ainda que invertido.
Paulo Roberto de Almeida
Cotas: polarização continua
Marcelo Medeiros
Jornal da Ciência, 30.07.2010
O sistema de cotas deve ou não ser adotado nas universidades públicas do país? E por quê? As perguntas deram a tônica da sessão "Ciência em Ebulição" desta quinta-feira, penúltimo dia da 62ª Reunião Anual da SBPC
A favor da reserva de vagas estava o antropólogo José Jorge de Carvalho, da Universidade de Brasília (UnB), idealizador do sistema daquela instituição. De outro, Daltro José Nunes, do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Enquanto o professor da universidade gaúcha embasava-se em afirmações de igualdade de competição entre indivíduos, apontando ser injusto oferecer condições favoráveis a uns e não a outros em um concurso público, Carvalho apontava a necessidade de reparação da opressão histórica à qual os negros brasileiros foram submetidos.
Para Nunes, o problema da desigualdade no acesso às universidades públicas é estrutural e não racial. Segundo ele, a diferença na qualidade da educação nas escolas públicas e privadas afeta a entrada no ensino superior. Caso ignorada, esta diferença poderia representar ameaças à excelência das universidades públicas. "Com as cotas, as universidades tendem, em média, a perder qualidade, pois alunos menos preparados tiram lugar de mais preparados", afirmou.
Logo, segundo ele, a questão deve ser debatida como provocador de política pública de melhoria da educação como um todo. "As cotas atacam o efeito [dessa falta de política] e não a causa. Os governos são os verdadeiros culpados, mas as universidades repassam a culpa para os indivíduos", argumentou.
Para o professor de informática, a função da universidade não deve ser reparar injustiças, mas formar bons profissionais, independente de classe social ou cor. "Não me interessa se meu médico é negro, branco ou índio, desde que ele seja bom", provocou.
Nunes não se furtou a apresentar uma solução para resolver o problema da entrada na universidade enquanto o acesso se torna universal. Para ele, o vestibular deveria dar lugar a um sistema de seleção baseado não no conhecimento de disciplinas básicas, mas na capacidade cognitiva do estudante. "Avaliaríamos o raciocínio para ver o quanto ele é capaz de apreender novos conteúdos e superar deficiências", explicou.
Carvalho, por sua vez, lembrou da importância da discussão do sistema de cotas para levantar a questão do acesso à universidade. "Os primeiros debates aconteceram em 1999, na UnB. As cotas geraram um forte debate sobre a inserção dos pobres no ensino superior, onde está a camada dirigente do país", afirmou.
O antropólogo se mostrou contrário a soluções uniformes e defendeu a pluralidade de sistemas, desde que voltados para a garantia de um mínimo de vagas para negros. "A questão é complexa, mas o foco da discussão deve ser o debate", ressaltou. Isso porque, em sua análise, argumentos favoráveis à inserção por níveis de renda e origem escolar apenas esconderiam o racismo estrutural existente na sociedade brasileira e, principalmente, nas universidades.
Apresentando dados que mostram que em nenhuma instituição de ensino superior pública a quantidade de professores negros ultrapassa 1% do total, o professor foi além do tradicional discurso em prol de ações afirmativas na graduação. "Precisamos de cotas na pós. Ou por acaso os negros não chegam à pós-graduação?", questionou. "Temos um passivo muito grande a compensar".
Mostrando que o tema ainda está distante de ser consensual no país, a plateia se dividiu em críticas e elogios. Alguns presentes contaram histórias pessoais para ilustrar a complexidade do tema. As principais questões faziam referências a definições de cor, reparação histórica e injustiça, mas os professores reafirmaram seus argumentos.
EUA: plano de recuperacao funcionou, segundo economistas
Two economists say in new paper that TARP worked
By Ezra Klein
The Washington Post, Sunday, August 1, 2010; G01
TARP is horribly unpopular. The stimulus is pretty unpopular. But does that mean they were bad policies? Not according to a new paper by Mark Zandi, Moody's chief economist and a former adviser to both the McCain and Obama campaigns, and Alan Blinder, a Princeton economist who has served as vice chairman of the Federal Reserve's Board of Governors.
Zandi and Blinder offer the first comprehensive estimate of our full response to the crisis: Absent the financial rescue and the stimulus, "GDP in 2010 would be about 6 ½ percent lower, payroll employment would be less by some 8 ½ million jobs, and the nation would now be experiencing deflation." I spoke to both men last week about how they got to their estimates, why the economy is so bad if the response was so good, and where we go from here. What follows are edited excerpts from the two interviews.
Q. This paper is heavily based on the model Moody's uses for economic forecasting. But these models have come under some criticism: Some say that they're just abstract equations and that you can get whatever answer you want by tweaking the numbers. So what is this thing? Who uses it?
Mark Zandi: I developed the model almost 20 years ago. I'm an economic consultant. I've got clients in many large, private-sector institutions. And we provide macroeconomic forecasts for them. The model has been used by banks to stress test themselves. Bank of America, J.P. Morgan, SunTrust and others used it to run scenarios on their solvency under different conditions. The business community uses it to figure out how to account for macroeconomic changes in their own budgeting and planning.
And how is it built? What are the numbers based on?
Zandi: I've gone back to every recession and depression and looked at the policy efforts to address the downturn, and try to at least capture the different ways in which policymakers have tried to generate a recovery. And what we've done in the Great Recession, some of it is unique, but most of it has been done many times before. Tax cuts, emergency unemployment benefits, aid to state government: These are things we've done every single time.
Alan Blinder: Different models do give different answers. That's why we say we welcome others to try and estimate this. But you can't make anything come out that you want. These models are fitted to real data. They're not just made up. They describe how the U.S. economy worked in the past.
And the model says that what we did this time broadly worked. In particular, it says the financial rescue worked. In other words, George W. Bush, Hank Paulson and Ben Bernanke deserve some credit for what they did in the immediate aftermath of the crisis.
Zandi: Absolutely! I think TARP was incredibly important. The mistake was for Congress to vote it down initially. That eviscerated confidence and took the equity market down to a whole other level and exacerbated our problems. By that time, the damage was so serious that the intent of TARP had to shift. Originally, it was about buying bad assets, which would've been more graceful. But because of the "no" vote and the damage it did, they had to make TARP a source of capital for the financial system. The capital purchase program was ultimately the one key thing that was necessary for stabilizing the financial system and the economy.
So why is TARP so horribly unpopular then?
Blinder: People feel it was successful in ways they're not happy with: That is, the bankers are making a lot of money now. That part of the bailout cost the government less than nothing, as the government is turning a profit on it. But in some moral sense, these bankers did not deserve to be saved. The problem was that if they went down with the ship, we were going down, too. The right way to think about the banker benefits was collateral damage in a war to save the economy. Had we not done that, things would've been horribly worse for everybody. So I don't hesitate. To me, it's not close.
Do you think it was well-designed?
Blinder: TARP should've come with more strings attached -- a lending requirement, for instance. If banks were going to get this money, they should've had to lend with it. I would've put restrictions on banks' ability to pay dividends, and tougher restrictions on executive pay. I also think it was a very big mistake for Secretary Paulson to force this money on banks that didn't want it. I can hardly say his theory without laughing: He wanted to reduce the stigma of taking it. The market knew who was strong, and the strong banks, like JP Morgan, went to the media and loudly said that the government is forcing this down our throats.
And what about the stimulus? Famously, the Obama administration predicted it would keep us beneath 8 percent unemployment. That obviously didn't happen. Does that mean it was a failure?
Zandi: The original forecast was just a bad forecast. The unemployment rate was already at 8 percent by the time stimulus passed. We just didn't know it because the data lags. What really matters is what the unemployment rate would've been if we didn't do stimulus, and in my view, it would clearly have been higher.
If the response to the crisis was effective, then why do we seem to have stalled out in recent months? Since May, the recovery has been lagging, hiring hasn't been very strong, and there's a general sense that the economic momentum we saw earlier in the year has dissipated a bit.
Blinder: Well, I know why it is, though it pushes the question back one level: Given the growth of GDP and the amount of spending that's come online, the number of jobs created has been puny. That's mitigating the usual virtuous circle where spending creates jobs and those people spend and that creates jobs and so on. That process is going on, but not at the level we expected. That pushes the question back to how come there's not more hiring. My speculation is that it's doubts about the durability of the recovery and firms not wanting to hire more permanent workers until they're more confident this is for real.
So what would you do going forward?
Blinder: I would do two things, both aimed at jobs. I would do the so-called new jobs tax credit on a much bigger and better scale than the HIRE Act, which was a baby step. The second thing I would do is a WPA-like program of temporary, direct, public hiring. People could work in parks, in maintenance, the many paper-shuffling jobs there are in government. You could save a lot of state and local jobs that would otherwise be terminated.
Zandi: If the unemployment rate was peaking at 7 percent, I'd say no worries, no need for more stimulus. But I'm nervous about 9.5 percent unemployment when you have a zero percent interest rate and a huge deficit. If we're all wrong and we go into recession, we've got no policy response. So I think it's prudent to err on the side of doing too much rather than too little. And we can do that. We're not Greece or Britain or Germany. We have a 3 percent 10-year Treasury yield. We have always solved our fiscal problems, and the world has faith we will solve our future ones. So we have the resources.
By Ezra Klein
The Washington Post, Sunday, August 1, 2010; G01
TARP is horribly unpopular. The stimulus is pretty unpopular. But does that mean they were bad policies? Not according to a new paper by Mark Zandi, Moody's chief economist and a former adviser to both the McCain and Obama campaigns, and Alan Blinder, a Princeton economist who has served as vice chairman of the Federal Reserve's Board of Governors.
Zandi and Blinder offer the first comprehensive estimate of our full response to the crisis: Absent the financial rescue and the stimulus, "GDP in 2010 would be about 6 ½ percent lower, payroll employment would be less by some 8 ½ million jobs, and the nation would now be experiencing deflation." I spoke to both men last week about how they got to their estimates, why the economy is so bad if the response was so good, and where we go from here. What follows are edited excerpts from the two interviews.
Q. This paper is heavily based on the model Moody's uses for economic forecasting. But these models have come under some criticism: Some say that they're just abstract equations and that you can get whatever answer you want by tweaking the numbers. So what is this thing? Who uses it?
Mark Zandi: I developed the model almost 20 years ago. I'm an economic consultant. I've got clients in many large, private-sector institutions. And we provide macroeconomic forecasts for them. The model has been used by banks to stress test themselves. Bank of America, J.P. Morgan, SunTrust and others used it to run scenarios on their solvency under different conditions. The business community uses it to figure out how to account for macroeconomic changes in their own budgeting and planning.
And how is it built? What are the numbers based on?
Zandi: I've gone back to every recession and depression and looked at the policy efforts to address the downturn, and try to at least capture the different ways in which policymakers have tried to generate a recovery. And what we've done in the Great Recession, some of it is unique, but most of it has been done many times before. Tax cuts, emergency unemployment benefits, aid to state government: These are things we've done every single time.
Alan Blinder: Different models do give different answers. That's why we say we welcome others to try and estimate this. But you can't make anything come out that you want. These models are fitted to real data. They're not just made up. They describe how the U.S. economy worked in the past.
And the model says that what we did this time broadly worked. In particular, it says the financial rescue worked. In other words, George W. Bush, Hank Paulson and Ben Bernanke deserve some credit for what they did in the immediate aftermath of the crisis.
Zandi: Absolutely! I think TARP was incredibly important. The mistake was for Congress to vote it down initially. That eviscerated confidence and took the equity market down to a whole other level and exacerbated our problems. By that time, the damage was so serious that the intent of TARP had to shift. Originally, it was about buying bad assets, which would've been more graceful. But because of the "no" vote and the damage it did, they had to make TARP a source of capital for the financial system. The capital purchase program was ultimately the one key thing that was necessary for stabilizing the financial system and the economy.
So why is TARP so horribly unpopular then?
Blinder: People feel it was successful in ways they're not happy with: That is, the bankers are making a lot of money now. That part of the bailout cost the government less than nothing, as the government is turning a profit on it. But in some moral sense, these bankers did not deserve to be saved. The problem was that if they went down with the ship, we were going down, too. The right way to think about the banker benefits was collateral damage in a war to save the economy. Had we not done that, things would've been horribly worse for everybody. So I don't hesitate. To me, it's not close.
Do you think it was well-designed?
Blinder: TARP should've come with more strings attached -- a lending requirement, for instance. If banks were going to get this money, they should've had to lend with it. I would've put restrictions on banks' ability to pay dividends, and tougher restrictions on executive pay. I also think it was a very big mistake for Secretary Paulson to force this money on banks that didn't want it. I can hardly say his theory without laughing: He wanted to reduce the stigma of taking it. The market knew who was strong, and the strong banks, like JP Morgan, went to the media and loudly said that the government is forcing this down our throats.
And what about the stimulus? Famously, the Obama administration predicted it would keep us beneath 8 percent unemployment. That obviously didn't happen. Does that mean it was a failure?
Zandi: The original forecast was just a bad forecast. The unemployment rate was already at 8 percent by the time stimulus passed. We just didn't know it because the data lags. What really matters is what the unemployment rate would've been if we didn't do stimulus, and in my view, it would clearly have been higher.
If the response to the crisis was effective, then why do we seem to have stalled out in recent months? Since May, the recovery has been lagging, hiring hasn't been very strong, and there's a general sense that the economic momentum we saw earlier in the year has dissipated a bit.
Blinder: Well, I know why it is, though it pushes the question back one level: Given the growth of GDP and the amount of spending that's come online, the number of jobs created has been puny. That's mitigating the usual virtuous circle where spending creates jobs and those people spend and that creates jobs and so on. That process is going on, but not at the level we expected. That pushes the question back to how come there's not more hiring. My speculation is that it's doubts about the durability of the recovery and firms not wanting to hire more permanent workers until they're more confident this is for real.
So what would you do going forward?
Blinder: I would do two things, both aimed at jobs. I would do the so-called new jobs tax credit on a much bigger and better scale than the HIRE Act, which was a baby step. The second thing I would do is a WPA-like program of temporary, direct, public hiring. People could work in parks, in maintenance, the many paper-shuffling jobs there are in government. You could save a lot of state and local jobs that would otherwise be terminated.
Zandi: If the unemployment rate was peaking at 7 percent, I'd say no worries, no need for more stimulus. But I'm nervous about 9.5 percent unemployment when you have a zero percent interest rate and a huge deficit. If we're all wrong and we go into recession, we've got no policy response. So I think it's prudent to err on the side of doing too much rather than too little. And we can do that. We're not Greece or Britain or Germany. We have a 3 percent 10-year Treasury yield. We have always solved our fiscal problems, and the world has faith we will solve our future ones. So we have the resources.
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Uma lagrima para... um grande economista
UM SENHOR ECONOMISTA.
Direto do obituário da FOLHA DE S. PAULO, com pesar, postamos a morte nesta semana do excepcional DIONÍSIO DIAS CARNEIRO(1945-2010) - Mentor de grandes economistas
Por 30 anos Dionísio Dias Carneiro deu aulas no Departamento de Economia da PUC-Rio, que ajudou a criar.
Formou alunos que hoje fazem parte do primeiro time da economia brasileira, como Gustavo Franco, Eduardo Loyo e Ilan Goldfajn.
Nas palavras do ex-aluno e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga: " Foi um grande mentor, um brasileiro com visão pública capaz de pensar os temas mais importantes para o país ".
Formado em economia pela UFRJ e considerado um dos grandes macroeconomistas do Brasil, Carneiro era conhecido por análises competentes e equilibradas.
Era sócio-diretor da Galanto Consultoria e um dos fundadores do Instituto de Estudos em Política Econômicada Casa das Garças.
O instituto é um centro de estudos formado por economistas da PUC-Rio destinado ao debate de temas da política econômica nacional e internacional.
Para Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, era um dos principais membros da geração de economistas que revolucionou o ensino de pós-graduação em economia no Brasil.
Além da PUC-Rio, foi professor também da UnB e da FGV e vice-presidente da Finep, Financiadora de Estudos e Projetos do governo federal.
Atuou como conselheiro e consultor de empresas e era membro do Conselho de Administração da Companhia Siderúrgica Nacional.
Morreu ontem, aos 64, no Rio de Janeiro, após sofrer um derrame e ter descoberto um tumor no cérebro. Era viúvo e deixa três filhos e uma neta.
Direto do obituário da FOLHA DE S. PAULO, com pesar, postamos a morte nesta semana do excepcional DIONÍSIO DIAS CARNEIRO(1945-2010) - Mentor de grandes economistas
Por 30 anos Dionísio Dias Carneiro deu aulas no Departamento de Economia da PUC-Rio, que ajudou a criar.
Formou alunos que hoje fazem parte do primeiro time da economia brasileira, como Gustavo Franco, Eduardo Loyo e Ilan Goldfajn.
Nas palavras do ex-aluno e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga: " Foi um grande mentor, um brasileiro com visão pública capaz de pensar os temas mais importantes para o país ".
Formado em economia pela UFRJ e considerado um dos grandes macroeconomistas do Brasil, Carneiro era conhecido por análises competentes e equilibradas.
Era sócio-diretor da Galanto Consultoria e um dos fundadores do Instituto de Estudos em Política Econômicada Casa das Garças.
O instituto é um centro de estudos formado por economistas da PUC-Rio destinado ao debate de temas da política econômica nacional e internacional.
Para Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, era um dos principais membros da geração de economistas que revolucionou o ensino de pós-graduação em economia no Brasil.
Além da PUC-Rio, foi professor também da UnB e da FGV e vice-presidente da Finep, Financiadora de Estudos e Projetos do governo federal.
Atuou como conselheiro e consultor de empresas e era membro do Conselho de Administração da Companhia Siderúrgica Nacional.
Morreu ontem, aos 64, no Rio de Janeiro, após sofrer um derrame e ter descoberto um tumor no cérebro. Era viúvo e deixa três filhos e uma neta.
Economia da droga: o lado da demanda
O grande, enorme, consumidor de drogas no mundo, os Estados Unidos, tem conduzido, desde os anos 1970, basicamente uma luta de retaguarda contra esse mal que consome o país: a chamada supply-side drug economy, ou seja, o combate aos centros produtores. Ora, como reconheceria qualquer economista iniciante, enquanto houver demanda, ricamente abastecida, haverá centros produtores, qualquer que seja o nível de esforço militar para suprimir essa oferta.
O livro abaixo retraça alguns aspectos da economia da droga nos EUA.
Paulo Roberto de Almeida
Drug of Choice
By ROBERT PERKINSON
The New York Times Review of Books, July 30, 2010
COCAINE NATION: How the White Trade Took Over the World
By Tom Feiling
351 pp. Pegasus Books. $27.95
The Drug Enforcement Administration Museum and Visitors Center may be America’s most uninspiring attempt at war commemoration. Its low-budget displays, stuffed into a sterile building near the Pentagon, strive for a good-versus-evil story line but exude uncertainty. Snapshots of officers atop piles of impounded narcotics fail to convey the urgency of battle. Confiscated drug paraphernalia showcase wily ingenuity as much as social menace. But across the Potomac, next to Congressional Cemetery, rises a more fitting tribute to the “war on drugs”: Washington’s city jail, through which 18,000 inmates pass each year, 89 percent of them black and three-quarters of them incarcerated for nonviolent offenses. With its X-shaped towers surrounded by razor wire, the sprawling complex devours resources but, most criminologists agree, does comparably little to protect the public. It stands as a monument to punitive government bloat.
Now four decades old, America’s drug war, initiated in its modern form by Richard Nixon, has burned through $1 trillion and helped make the United States the most locked-down country on earth. Yet victory still recedes from view. In 1970, some 20 million Americans had experimented with illegal drugs; by 2007, 138 million had. While drug purity has increased, street prices over the long term have dropped — precisely the opposite trajectory promised by drug warriors. Small wonder that a growing number of skeptics, from George Will to George Soros, have called for a serious change of course.
With a new regime in Washington, led by a president who admits to having used cocaine in his youth and a drug czar who rejects martial metaphors, this is a good time to look back on America’s first “war without end” and its pre-eminent target, as the documentary filmmaker Tom Feiling does in “Cocaine Nation.”
An impassioned and wide-ranging if occasionally jumbled survey of “the white trade” and its enemies, Feiling’s book (published last year in Britain as “The Candy Machine”) begins with the extraction of the ancient coca leaf’s most potent alkaloid, cocaine, in the mid-19th century. Possessing wondrous qualities — a pharmaceutical company boasted that cocaine could “make the coward brave, the silent eloquent, and render the sufferer insensitive to pain” — the product swept the globe as an additive to medicine, wine (Ulysses S. Grant was an early quaffer) and, of course, Coca-Cola, whose red and white colors, Feiling writes, pay homage to the Peruvian flag.
This initial cocaine craze petered out in the first half of the 20th century, in the wake of pharmacy regulation, drug control protocols and consumers’ second thoughts. But another, larger wave rose in the 1970s, as hedonists from Hollywood to Wall Street turned cocaine into “the Champagne of drugs,” as The New York Times declared in 1974. Because most users of the stimulant never became addicted, and because they had “upper-class cachet,” Feiling notes, its resurgence was at first greeted with a shrug by government. Gerald Ford’s White House observed that cocaine “does not usually result in serious social consequences, such as crime, hospital emergency room admissions or death.”
But when suppliers introduced a down-market product, crack cocaine, in the 1980s — “cocaine for poor people,” as one dealer described it to Feiling — social panic ensued. Crack is pharmacologically identical to powder cocaine, but its smokable rocks produce quicker, more intense highs (and harder falls). Attracting legions of users in decaying urban centers, it contributed to property crime, child neglect, homicidal turf battles and, not least, political reaction. Brandishing a bag of crack in the Oval Office, the first President Bush called illegal drugs “the gravest domestic threat facing our nation.” No-knock police raids and mandatory minimum sentencing followed. The drug war became total war, overstuffing jails and exacerbating racial inequality but failing to create a “drug-free America.”
This domestic tale of destruction has been well chronicled by journalists, social scientists and addicts-turned-memoirists. What sets Feiling’s book apart is his analysis of how America’s insatiable appetite for narcotics and its zealous determination to quash those cravings have spread misery and violence across the globe.
During cocaine’s postwar renaissance, mafiosi based in Cuba met demand in the United States, the world’s largest cocaine market. But after the revolution, coca capitalists dispersed, chartering new organizations, establishing new labs and supply lines, and demonstrating remarkable adaptability in response to law-enforcement pressure. Production shifted from Peru to Bolivia to Colombia, and is now shifting back to Peru. Snuffed out in one area, cocaine surges in another.
Feiling vividly describes the supply side of the cocaine business, which, he argues, “thrives on the poverty not just of individuals and communities, but of governments.” In Colombia, which remains the world’s leading producer of cocaine despite the $5 billion in anti-narcotics and counterinsurgency aid the United States has fed into the country since 2000, Feiling profiles campesinos in the rural Putumayo district whose primary source of income is coca, although they receive relatively little for their crops. In a region where markets are distant, roads are poor and the prices for legal produce like yucca and plantains are low, the coca farmers “become slaves of the mafia,” a Colombian congressman tells Feiling — the rural correlates of low-level street dealers in America who risk death and imprisonment to earn “roughly the federal minimum wage.” At the top of the cocaine hierarchy, drug barons make millions, but their careers tend to be short, their fortunes soaked with blood. Because of the violence perpetrated by traffickers and insurgents, and the more pervasive violence committed by right-wing paramilitaries and the government, Colombia’s population of internally displaced people ranks second only to Sudan’s.
As radar surveillance has pushed smuggling routes from the sky and sea to the land, the drug war’s front lines have moved to Mexico, where trafficking-related violence has claimed more than 22,000 lives since 2007. Although the Mexican government’s latest offensive may yet constrict supply, curtail corruption and reduce rather than provoke carnage, the length and complexity of the United States-Mexico border (and the money to be made breaching it) presents a daunting challenge. “Americans consume roughly 290 metric tons of cocaine a year,” Feiling writes, a load that “could be carried across the U.S.-Mexican border in just 13 trucks. Instead, it seeps in in thousands of ingenious disguises.”
Although Feiling doesn’t soft-pedal the harm of drug dependence — to addicts, mainly, but also to their families and communities — he argues convincingly that the remedy promoted most aggressively by the United States has proved far worse than the disease. As an alternative, he develops a lengthy brief for a solution he admits stands little chance of implementation: legalization. There would be costs, he acknowledges, including, perhaps, wider experimentation and addiction, but he contends that restrictions on marketing, elevated vice taxes and a proliferation of treatment beds instead of jail cells could hardly fail more spectacularly than has prohibition. Hard as it is to imagine, the least ruinous solution to the white scourge may be the white flag of surrender.
Robert Perkinson is the author of “Texas Tough: The Rise of America’s Prison Empire.”
A version of this review appeared in print on August 1, 2010, on page BR21 of the Sunday Book Review.
O livro abaixo retraça alguns aspectos da economia da droga nos EUA.
Paulo Roberto de Almeida
Drug of Choice
By ROBERT PERKINSON
The New York Times Review of Books, July 30, 2010
COCAINE NATION: How the White Trade Took Over the World
By Tom Feiling
351 pp. Pegasus Books. $27.95
The Drug Enforcement Administration Museum and Visitors Center may be America’s most uninspiring attempt at war commemoration. Its low-budget displays, stuffed into a sterile building near the Pentagon, strive for a good-versus-evil story line but exude uncertainty. Snapshots of officers atop piles of impounded narcotics fail to convey the urgency of battle. Confiscated drug paraphernalia showcase wily ingenuity as much as social menace. But across the Potomac, next to Congressional Cemetery, rises a more fitting tribute to the “war on drugs”: Washington’s city jail, through which 18,000 inmates pass each year, 89 percent of them black and three-quarters of them incarcerated for nonviolent offenses. With its X-shaped towers surrounded by razor wire, the sprawling complex devours resources but, most criminologists agree, does comparably little to protect the public. It stands as a monument to punitive government bloat.
Now four decades old, America’s drug war, initiated in its modern form by Richard Nixon, has burned through $1 trillion and helped make the United States the most locked-down country on earth. Yet victory still recedes from view. In 1970, some 20 million Americans had experimented with illegal drugs; by 2007, 138 million had. While drug purity has increased, street prices over the long term have dropped — precisely the opposite trajectory promised by drug warriors. Small wonder that a growing number of skeptics, from George Will to George Soros, have called for a serious change of course.
With a new regime in Washington, led by a president who admits to having used cocaine in his youth and a drug czar who rejects martial metaphors, this is a good time to look back on America’s first “war without end” and its pre-eminent target, as the documentary filmmaker Tom Feiling does in “Cocaine Nation.”
An impassioned and wide-ranging if occasionally jumbled survey of “the white trade” and its enemies, Feiling’s book (published last year in Britain as “The Candy Machine”) begins with the extraction of the ancient coca leaf’s most potent alkaloid, cocaine, in the mid-19th century. Possessing wondrous qualities — a pharmaceutical company boasted that cocaine could “make the coward brave, the silent eloquent, and render the sufferer insensitive to pain” — the product swept the globe as an additive to medicine, wine (Ulysses S. Grant was an early quaffer) and, of course, Coca-Cola, whose red and white colors, Feiling writes, pay homage to the Peruvian flag.
This initial cocaine craze petered out in the first half of the 20th century, in the wake of pharmacy regulation, drug control protocols and consumers’ second thoughts. But another, larger wave rose in the 1970s, as hedonists from Hollywood to Wall Street turned cocaine into “the Champagne of drugs,” as The New York Times declared in 1974. Because most users of the stimulant never became addicted, and because they had “upper-class cachet,” Feiling notes, its resurgence was at first greeted with a shrug by government. Gerald Ford’s White House observed that cocaine “does not usually result in serious social consequences, such as crime, hospital emergency room admissions or death.”
But when suppliers introduced a down-market product, crack cocaine, in the 1980s — “cocaine for poor people,” as one dealer described it to Feiling — social panic ensued. Crack is pharmacologically identical to powder cocaine, but its smokable rocks produce quicker, more intense highs (and harder falls). Attracting legions of users in decaying urban centers, it contributed to property crime, child neglect, homicidal turf battles and, not least, political reaction. Brandishing a bag of crack in the Oval Office, the first President Bush called illegal drugs “the gravest domestic threat facing our nation.” No-knock police raids and mandatory minimum sentencing followed. The drug war became total war, overstuffing jails and exacerbating racial inequality but failing to create a “drug-free America.”
This domestic tale of destruction has been well chronicled by journalists, social scientists and addicts-turned-memoirists. What sets Feiling’s book apart is his analysis of how America’s insatiable appetite for narcotics and its zealous determination to quash those cravings have spread misery and violence across the globe.
During cocaine’s postwar renaissance, mafiosi based in Cuba met demand in the United States, the world’s largest cocaine market. But after the revolution, coca capitalists dispersed, chartering new organizations, establishing new labs and supply lines, and demonstrating remarkable adaptability in response to law-enforcement pressure. Production shifted from Peru to Bolivia to Colombia, and is now shifting back to Peru. Snuffed out in one area, cocaine surges in another.
Feiling vividly describes the supply side of the cocaine business, which, he argues, “thrives on the poverty not just of individuals and communities, but of governments.” In Colombia, which remains the world’s leading producer of cocaine despite the $5 billion in anti-narcotics and counterinsurgency aid the United States has fed into the country since 2000, Feiling profiles campesinos in the rural Putumayo district whose primary source of income is coca, although they receive relatively little for their crops. In a region where markets are distant, roads are poor and the prices for legal produce like yucca and plantains are low, the coca farmers “become slaves of the mafia,” a Colombian congressman tells Feiling — the rural correlates of low-level street dealers in America who risk death and imprisonment to earn “roughly the federal minimum wage.” At the top of the cocaine hierarchy, drug barons make millions, but their careers tend to be short, their fortunes soaked with blood. Because of the violence perpetrated by traffickers and insurgents, and the more pervasive violence committed by right-wing paramilitaries and the government, Colombia’s population of internally displaced people ranks second only to Sudan’s.
As radar surveillance has pushed smuggling routes from the sky and sea to the land, the drug war’s front lines have moved to Mexico, where trafficking-related violence has claimed more than 22,000 lives since 2007. Although the Mexican government’s latest offensive may yet constrict supply, curtail corruption and reduce rather than provoke carnage, the length and complexity of the United States-Mexico border (and the money to be made breaching it) presents a daunting challenge. “Americans consume roughly 290 metric tons of cocaine a year,” Feiling writes, a load that “could be carried across the U.S.-Mexican border in just 13 trucks. Instead, it seeps in in thousands of ingenious disguises.”
Although Feiling doesn’t soft-pedal the harm of drug dependence — to addicts, mainly, but also to their families and communities — he argues convincingly that the remedy promoted most aggressively by the United States has proved far worse than the disease. As an alternative, he develops a lengthy brief for a solution he admits stands little chance of implementation: legalization. There would be costs, he acknowledges, including, perhaps, wider experimentation and addiction, but he contends that restrictions on marketing, elevated vice taxes and a proliferation of treatment beds instead of jail cells could hardly fail more spectacularly than has prohibition. Hard as it is to imagine, the least ruinous solution to the white scourge may be the white flag of surrender.
Robert Perkinson is the author of “Texas Tough: The Rise of America’s Prison Empire.”
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