domingo, 22 de abril de 2012

Ah, esses museus europeus...

Este post é para deixar encantados os apreciadores da cultura refinada, e também para registrar uns poucos -- foram muitos, dezenas mais do que vão aqui consignados -- museus que frequentamos, eu e Carmen Lícia, neste périplo acadêmico-cultural pela velha Europa. Sim, acadêmico, por um lado, já que estou dando aulas na Sorbonne (mas moderadamente, digamos assim), em de outro lado, aproveitando o tempo livre para percorrer os museus da Europa.
Bem, o post pode também irritar alguns inimigos da cultura, do saber, e dos prazeres culturais -- um já se manifestou aqui, como registrei num post abaixo -- e por isso reincido no crime que cometo de maneira absolutamente consciente, e até provocadora: sou sim amigo da boa cultura, do conhecimento agradável, da sofisticação intelectual. E o faço em pleno trade-off financeiro-intelectual: investir em arte, em livros, em cultura, em novos saberes sempre tem alto grau de retorno, que é o prazer de apreciar um belo quadro, saber um pouco mais de artistas da pluma, do pincel, da pena, do computador, poder degustar um bom prato e um excelente vinho, tudo isso com tempo, sem a pressão do trabalho ou de algum compromisso profissional. 
Bem, mas esse porquinho que vai aí do lado não tem culpa nenhuma nessa história, apenas quis registrar a iguaria num "macelaio" de Bologna, que de certa forma também faz a sua arte, talhando belos pratos que prometem muito e só de contemplar dão água na boca.
Estou sempre pressionado por trabalhos prometidos, com um pipeline mais longo do que seria desejável, o que não impede de largar tudo e percorrer centenas de quilômetros apenas para visitar uma exposição do outro lado do continente. Impossível ficar em apenas um museu, pois as atrações se oferecem a todos e a cada um a cada virada de página de jornais de revistas.
Os museus europeus se completam, obviamente, mas em mais de um sentido. Em vários você tem "buracos", ou seja, obras emprestadas de um a outro, para exposições temáticas ou especializadas num artista. Mais de uma vez visitamos a "casa" de um, transformada em museu, para depois visualizar as obras que "faltavam" em outro museu, a centenas de quilômetros dali. Aliás, já nos aconteceu isso até na China, com peças da Umbria (Museu de Perúgia), que estavam numa exposição em Shanghai sobre os 400 anos da morte de Mateo Ricci (aliás em Beijing, onde ele está enterrado, na Academia Militar, e temos fotos das tumbas dos jesuitas).
Algo do gênero aconteceu, por exemplo, com Van Gogh, depois que visitamos seu ambiente derradeiro de trabalho, em Auvers-Sur-Oise, uma cidadezinha-refúgio de artistas, ao norte de Paris, onde ele pintou o Doutor Gachet, que o tratou e o acolheu muito bem, o albergue onde ele se alojou, e também esta igreja, como sempre interpretada à sua maneira. Soubemos, por esses acasos que acontecem, quando se lê toda a imprensa europeia, que uma grande exposição sobre ele estava quase terminando em Genova. Pronto, bastou isso para desviarmos completamente o roteiro da programada Europa central (Alemanha, Praga, e outras paragens frias por lá), para enveredarmos pela nossa Itália sempre acolhedora e fascinante. 
Valeu a pena, pois não era apenas sobre Van Gogh, e sim sobre vários da mesma época, com Cezanne, Monet, e Renoir (que tínhamos visto, como acima ilustrado, em sua casa de Cagnes-Sur-Mer). Aqui vai o cartaz da mostra, no fabuloso Palazzo Ducale de Genova.
Não foi a única exposição em Genova, obviamente, mas seria impossível relatar tudo o que vimos, inclusive no belo museu marítimo, obra arquitetônica do conhecidíssimo Renzo Piano. O conteúdo é mais do que compensador, aliás absolutamente didático, e quase me sinto um companheiro de Colombo, de Fernão de Magalhães e de outros. Aliás, em Dieppe, fomos ver o Museu La Perouse, que ainda pretendo registrar aqui, quando possível. 

Um excelente exemplo de ubiquidade está e presente em Monet, aqui apenas relembrado pelo seu jardim de Giverny, a oeste de Paris. Sua casa também foi transformada em museu, e o jardim, com as pontes "japonesas" nos étangs floridos, foi preservado quase como se ele estivesse ali, vigiando o trabalho dos jardineiros que cuidaram dessa arte "vegetal", enquanto ele cuidava de telas e pincéis, em sua casa-atelier. Monet está em todas as partes na Europa, e até no Brasil (no museu de Arte de SP, por exemplo).
Hoje tudo pode ser visto pelo Arts Project do Google, que permite "penetrar" na tela de perto, mas sempre é uma surpresa chegar perto do original e tentar descobrir como trabalhava aquele artista, como eram feitos aqueles minúsculos pontinhos de tinta que, no conjunto se convertem em telas fascinantes.

Vamos em frente. Já conhecíamos muitos dos museus que estamos visitando pela segunda ou terceira vez, o Louvre incontáveis vezes, mas sempre aparece um novo, ou uma nova exposição (como a de Artemísia, no Maillol, por exemplo).
Uma surpresa agradável, neste caminho através da Suíça, vindos da Itália, foi descobrir o artista completo que era Herman Hesse, o criador de obras literárias universais, das quais eu li poucas, como Sidharta, O Lobo da Estepe, ou Demian, entre muitas outras. Foram todas as suas obras literárias, ou no papel, que acabaram lhe concedendo o Nobel de Literatura em 1946, como retratado abaixo.
Mas pouco conhecíamos, ou raramente tínhamos ouvido falar, do Hesse pintor, geralmente de seu próprio ambiente. Pois o Herman Hesse estava presente em dois cenários, complementares, com obras intercambiadas ou selecionadas dentre coleções particulares, o que é sempre magnífico, pois raramente se tem a oportunidade de ver de perto o que está fora dos museus oficiais.
Na casa em que ele morou em Montagnola, perto de Lugano, estão muitos livros, manuscritos, objetos pessoais e, também, muitas aquarelas, como esta que ele pintou a partir da vista que tinha de sua casa no alto da "colina de ouro". Ali mesmo, na praça, comemos num restaurante local, a excelente comida suíça de sempre. 
Como fazer, então, para descobrir ainda mais coisas de Herman Hesse? Só descobrindo por acaso, ou indo de um museu a outro.
Por sorte nossa, assim como fomos ao último dia do Van Gogh em Veneza, e ao último dia dos arquivos do Vaticano, no museu Capitolino, em Roma, conseguimos encaixar uma visita ao Herman Hesse pintor no Kunstmuseum de Berna, onde pinturas similares estavam expostas, mas basicamente a partir de coleções particulares (como era o caso também de muitos Brueghel em Como).
A pintura ao lado, retrata o Ticino suíço, mas não poderia estar na sua casa de Montagnola, pois foi adquirida por alguém (nenhum dos proprietários particulares teve seu  nome revelado, provavelmente por razões de segurança, mas talvez também por razões fiscais ou de herança...).
Quando residiu em Berna, Herman Hesse foi acometido de depressão, no curso da primeira guerra mundial, quando começou a pintar. 
Foi lá também que escreveu Demian, publicado com o nom de plume de Emil Sinclair, em 1917, como revela esta capa da primeira edição, pelo seu editor alemão. Hesse ainda era muito inseguro quando escreveu esse romance, quase autobiográfico.
Dá vontade de ler novamente. 
Aliás, para não me deixar sem companhia de "bolso" -- sim, além de meus Moleskines de bolso, um médio e um pequeno, sempre tenho um livrinho de bolso. Antes era um Kant no Paraíso, que deixei em Paris; depois foi o Erasmus, de Stefan Zweig -- acabei adequirindo, na casa de Montagnola, uma edição italiana de vários escritos de Hesse sobre livros e leituras: Una biblioteca della letteratura universale (Milano: Adelphi Edizione, 1979), que já está um pouco amassado de tanto andar no meu bolso, em todas as partes...
O resto fica para outra ocasião...


Paulo Roberto de Almeida 
(Basileia, 23/04/2012)

Flanerie a Bologna...

Carmen Licia passeando sob as arcadas da maravilhosa, culturalmente rica (e comercialmente tentadora) cidade de Bolonha, na Emília Romagna, uma das nossas etapas de turismo cultural (e gastronômico)...
Paulo Roberto de Almeida 



Um fascista ameaça este blogueiro: bem conforme a sua natureza totalitária e policialesca...

Um espírito totalitário e policialesco, que não tem nenhuma vergonha de fazer ameaças fascistas, mas tem vergonha de revelar o seu nome, faz ameaças claras e diretas a este modesto blogueiro, que certamente não tem o poder que ele tem de mobilizar a Receita e outros órgãos de investigação para ameaçar quem escreve, vejam vocês, sobre uma exposição de arte no norte da Itália.
Comentários desse tipo seriam apenas delirantes, se eles não fossem, ao mesmo tempo, reveladores da construção do fascismo no Brasil, do Estado policial que indivíduos de espírito totalitário como esse prometem implantar, se para isso dispusessem de condições.
Só não vivemos, ainda, num Estado fascista porque a sociedade brasileira, em sua vasta maioria recusa esse tipo de fascismo de esquerda, que indivíduos como esse poderiam criar, mas a semente está presente, disso podemos ter certeza.
Nem deveria publicar, ou comentar, não exatamente responder, ameaças totalitárias desse tipo, se não fosse pela oportunidade que me oferecem seres desprezíveis como esse de alertar os leitores que aqui comparecem para os perigos que corremos, caso seus projetos encontrem acolhida na sociedade (o que não está excluído: já vimos esse filme na Europa do entre-guerras e estamos vendo aqui perto de nós).

Vou primeiro transcrever as palavras abjetas feitas em comentários recebidos anonimamente em 22/04/2012 (a mesma mensagem chegou-me duas vezes, aliás), para depois retomar meu alerta sobre a ameaça do fascismo em construção, talvez destacando trechos da mensagem para deixar bem claro o que penso de animais dessa espécie.
Esclareço, por oportuno, que o comentário veio acoplado a meu post sobre a exposição das obras da dinastia Brueghel, em Como, na Itália, daí os questionamentos iniciais do animal fascista. O post original, agora complementado com informação sobre outra exposição, é este aqui:

SÁBADO, 21 DE ABRIL DE 2012

A dinastia Brueghel, em mostra excepcional (em Como, Italia)



Transcrevo agora o que me escreveu o totalitário ainda se preparando para seu Estado policial:

Anônimo disse...
Com dinheiro de quem ?
Como um simples diplomata tem dinheiro assim, se vocês reclamam tanto que ganham mal ? 
Acho que suas reclamações do PT devem ser para desviar o que entra em suas contas, certamente.
O PT e outros partidos de base aliada, bem como, amigos do Itamaraty estão acompanhando seu blog, da mesma forma que nos acompanha, diariamente. 
A Receita Federal irá ver quanto você declara e quanto entra em suas contas bancárias. 
Vamos ver se sua vida é condizente com seus recebíveis...
É dando que se recebe, meu caro Paulo Roberto de Almeida.
Está dado o recado homem "probo".

Um anônimo governamental
(E novamente:)
Anônimo disse...
Com dinheiro de quem ?
Como um simples diplomata tem dinheiro assim, se vocês reclamam tanto que ganham mal ? 
Acho que suas reclamações do PT devem ser para desviar o que entra em suas contas, certamente.
O PT e outros partidos de base aliada, bem como, amigos do Itamaraty estão acompanhando seu blog, da mesma forma que nos acompanha, diariamente. 
A Receita Federal irá ver quanto você declara e quanto entra em suas contas bancárias. 
Vamos ver se sua vida é condizente com seus recebíveis...
É dando que se recebe, meu caro Paulo Roberto de Almeida.
Está dado o recado homem "probo".

Um anônimo governamental
Retomo (PRA):
Não tenho, como disse, obrigação nenhuma de responder a um totalitário declarado, como o fascista acima transcrito, mas, repito, suas ameaças são uma excelente oportunidade para reforçar o sentido deste blog, que é o de expor ideias, debater políticas, defender democracia e a mais total liberdade, tudo o que não tem, não quer ter, e quer impedir-nos de ter indivíduos desse quilate.
Nada melhor do que aproveitar o comentário ameaçador do fascista para alertar meus leitores sobre o perigo que nos ronda, caso o projeto que ele encarna seja implantado no país.

Vamos lá, ponto por ponto:

1) Com dinheiro de quem ?
PRA: Isso ele não terá dificuldade em saber, já que, como indicado acima, tem amigos na Receita, e provavelmente em outros órgãos policialescos e de inteligência (mas acho que este termo não se aplica…).

2) Como um simples diplomata tem dinheiro assim, se vocês reclamam tanto que ganham mal ?
PRA: Grato pelo simples diplomata: é exatamente o que sou. Mas eu me permitiria acrescentar que sou também professor, não porque necessite ser, mas porque gosto de dar aulas, o que faço por prazer e em total compatibilidade com o Serviço Exterior. Talvez ele tenha inveja, por não ter condições de ser professor, sendo apenas um totalitário a serviço de uma causa deplorável. Mas mesmo indivíduos desprezíveis como ele podem ser professores, já que no Brasil há dezenas, talvez milhares, que se pautam pelas mesmas causas derrotadas, mas sempre ameaçadoras, como um fascismo pretensamente de esquerda, totalitário, como é de sua natureza.

3) Acho que suas reclamações do PT devem ser para desviar o que entra em suas contas, certamente.
PRA: “Reclamações”? Eu?! Apenas transcrevo aqui o que leio na imprensa, geralmente de cunho econômico, que é área que me interessa. Quanto ao fascista em questão, ele tem vocação para policial de Estado totalitário, um pequeno Big Brother desprezível que gosta de fazer ameaças e insinuações, mas não tem coragem de fazê-lo abertamente.  Mas sinceramente eu não entendi o que ele quis dizer: seu Português é muito estropiado, como ocorre frequentemente nesses meios.

4) O PT e outros partidos de base aliada, bem como, amigos do Itamaraty estão acompanhando seu blog, da mesma forma que nos acompanha, diariamente.
PRA: Deve ser uma ameaça. “Amigos do Itamaraty”? O único que sei que assinou o cartão de membro do partido a que pertence nosso fascista comentarista é um antigo ministro. Deve ser esse, mas atenção: ele antes era um militante de outras causas e de outros partidos. Convém reexaminar a lista de amigos, para não ter surpresas mais adiante. Que tal exigir autocrítica e vigilância permanente?
Aproveito para agradecer o prestígio que me dá, saber que tantos amigos (e alguns inimigos, também, estou certo disso) estão acompanhando meu blog, o que aumenta a minha responsabilidade na defesa das boas causas, uma das quais é, justamente, alertar sobre o fascismo em construção no Brasil; a outra é sempre lutar pelas liberdades mais amplas, algo que deve causar desconforto em seres desprezíveis como esse fascista ameaçador.
Sinto confessar, porém, que não pretendo reciprocar, ou seja acompanhar o tipo de blog a que ele se refere. Me dá um fastio muito grande ler toda essa linguagem stalinista, mentirosa, totalitária, mistificadora, que aliás eu conheço muito bem. Desde o século passado, se ouso dizer.
Não, esse tipo de lixo eu não acompanho, ou apenas indiretamente, pelo que sai publicado na imprensa livre (que ainda existe no Brasil e causa muito desconforto em espíritos totalitários como ele e seus “amigos”).

5) A Receita Federal irá ver quanto você declara e quanto entra em suas contas bancárias.
PRA: Uau! Nosso fascista é amigo da Receita. Ou talvez não; apenas deve ter militantes da causa totalitária trabalhando no órgão, que de vez em quando podem fazer um trabalho extra, a soldo ou por pura convicção ideológica, a mesma do nosso fascista comentarista, sempre em defesa das causas mais desprezíveis como essa, a de ameaçar cidadãos com devassa e garrote vil. Ele deve ter pensado nesse procedimento inquisitorial no dia 21 de Abril, dia de Tiradentes, o homem que morreu como resultado de uma devassa desse tipo, bem mais séria no caso do herói mítico da Inconfidência.
Bem, pelo menos a única coisa que a Receita pode fazer comigo é me fiscalizar, colocar alguma multa por quaisquer royalties não declarados de meus livros publicados – vocês sabem, as editoras depositam e não me avisam e eu deixo de informar, como já aconteceu, mas a Receita, que tudo vigia, sempre sabe de tudo – e fica acertado assim.
Ou será que o nosso fascista pretende também que eu seja enforcado e esquartejado? Aposto como ele gostaria de me ver supliciado. Combina com o seu espírito totalitário.

6) Vamos ver se sua vida é condizente com seus recebíveis...
PRA: Uau 2! Nova ameaça? Deixa eu ver se posso ajudar nosso fascista. Diferentemente dos companheiros que, sem precisar provar mérito ou fazer concurso – algo que eu já fiz para ser um “não-Anônimo governamental” – ganham salários de marajás, DAS (o que eu não tenho), honorários por participar de conselhos de estatais (deve ser por isso que eles criaram algumas dezenas de novas estatais), e que passam o tempo em restaurantes chiques de Brasília, complotando contra modestos blogueiros como este que aqui escreve, eu gasto meu dinheiro com, pela ordem:
(a) livros; (b) livros; (c) livros; (d) restaurantes, quando possível, desde que não sejam caros, como devem ser os do nosso fascista; (e) viagens (elas ilustram, mas não sei se o fascista gosta de se ilustrar; indivíduos como ele aparentemente preferem emburrecer); (f) livros, viagens... etc., etc., etc.
         Vou até informar onde vou, para dar um gostinho na boca do nosso fascista.
Depois de ter saído de Paris, passado em Genova (exposição Van Gogh); Roma (exposição sobre o arquivo secreto do Vaticano); Macerata (terra do padre Mateo Ricci, mas esse aí o fascista vai ter de buscar no Google); Bolonha (muitas exposições em museus, palácios, restaurantes, livrarias, etc); Lugano (museu Herman Hesse); Como (exposição Brughel); Berna (pinturas do Herman Hesse), e agora em Basel, ou Basiléia, para os puristas (terra do Erasmo, o homem que lutava pela liberdade, simplesmente, e contra a intolerância e o fanatismo, características de que deve ser adepto nosso fascista), eu vou para a terra do Marx, sim o velho barbudo, mas na época ele era apenas um bebê. Ele nasceu em Trier, ou Treves, na Renânia alemã, caso o nosso fascista não saiba e nunca teve a oportunidade de visitar. Se ele me escrever gentilmente, quem sabe eu possa comprar para ele um simpático broche marxista, com a cara do profeta alemão, que aliás ficaria escandalizado com a burrice de seus supostos seguidores. Tudo isso comendo lautamente, claro, e hoteis razoáveis...
Depois da cidade natal de Marx, vou à cidade do Guilherme de Rubrouck, um monge peregrino na China dos mongóis, mas isso eu deixo para o nosso fascista fazer um pouco de googlelização, pois não vou lhe dar o serviço completo. Depois volto a Paris, onde tenho uma conferência a dar, sobre a grande marcha atrás da América Latina (com a ajuda dos companheiros fascistas, claro).

7) É dando que se recebe, meu caro Paulo Roberto de Almeida.
PRA: Aposto como o nosso fascista repete isso de orelha, e nem sabe qual a frase original de quem primeiro falou algo próximo disso, e certamente não com o espírito dos aproveitadores totalitários. Mas não vou contar essa tampouco. Vou deixar ele fazer uma pesquisa primeiro, para não ficar repetindo bobagens desse tipo.

8) Está dado o recado homem "probo".
PRA: Mais uma ameaça policialesca? Esse pessoal deve ser reencarnação do Torquemada, de todos aqueles fanáticos que queimavam primeiro e perguntavam depois (ops, não, essa é contra os ianques, ou estadounidenses, como eles gostam de dizer, o certo é, interrogue torturando, até obter a resposta certa). Nosso fascista estaria bem trabalhando com os camisas negras, com os inquisidores profissionais, com os administradores do Gulag (ainda tem muitos na Coreia do Norte), com seus colegas de tristes ditaduras, que começam primeiro ameaçando, depois eles passam aos atos.
Que futuro exemplar nos aguarda no Brasil, caso esse pessoal realize seus mais ambicionados projetos, que beleza de ditadura...

9) Um anônimo governamental
PRA: Eu deveria dizer “Muito prazer!”?
Acho que não: um imenso desprazer, na verdade. 
Mas, de fato, tenho a agradecer o comentário totalitário, absolutamente desprezível do nosso fascista que se declara um “anônimo governamental”. Suas palavras, que imagino sinceras e verdadeiras, me permitem conhecer um pouco melhor o que vai pela cabeça dessa gente desprezível e, com isso, alertar meus poucos leitores.
Como devo me despedir?
 Um não anônimo governamental ?

Mas não sou governamental, sou apenas do Estado, algo mais permanente do que os totalitários que por ali passam momentaneamente, temporariamente.
No que depender de mim, mesmo que eles ali fiquem muitos anos, como é o seu projeto, as mentiras não passam facilmente, não pelo menos com a minha omissão.
Outras ditaduras do tipo preferido pelo nosso fascista duraram 70 anos, outras menos; um dia tudo isso passa, e a liberdade de pensamento, e de ação, volta a não ter ameaças totalitárias como a desse ser desprezível. 
Estou certo disso. Ele é que deve temer, pois fanatismos e intolerâncias não combinam bem com o Brasil. Ele deveria buscar outras paragens...

Paulo Roberto de Almeida
Basileia, 22 de abril de 2012, 23h53

Mais um pouco de Paulo Freire, por Olavo de Carvalho

Transcrevo apenas. Não compartilho todas as opiniões do autor, mas creio que as transcrições, que ele deve ter retirado seletivamente de instrumento de busca aplicado aos comentários feitos nos EUA são suficientes para se fazer uma vacuidade de ideias do "pedagogo" em questão.
Aliás, vacuidade de ideias é o que combina mesmo com o ambiente atual.



Viva Paulo Freire!
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 19 de abril de 2012 


Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido.
As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhumaredução das taxas de analfabetismo em parte alguma.
Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.
Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:
“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.)
“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.)
“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha daPedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.)
“A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)
“Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It's All About”, New Internationalist, Junho de 1974.)
“A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Associationem Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.)
“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.)
“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed., Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)
Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos (http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I).
Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus própios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.
Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.

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sábado, 21 de abril de 2012

A dinastia Brueghel, em mostra excepcional (em Como, Italia)

A visita deste sábado último que eu e Carmen Licia fizemos, a Como, na Itália, Villa Olmo, uma mansão à beira do lago de Como, uma coleção excepcional de obras de toda a família, muitas de coleções particulares. Depois, um giro por dois lagos e uma montanha, entre a Itália e a Suíça. Agora, de Lugano a Berna, onde há uma exposição das pinturas de Herman Hesse de seu período suíço, justamente.
Paulo Roberto de Almeida
PS.: Adição no final do domingo, 22/04, em Basiléia, terra de um homem livre, um grande intelectual: Erasmo.
Saí de Lugano, parei em Berna, especialmente para ver uma outra exposição das pinturas e documentos do grande escritor alemão-suíço Herman Hesse, no Kunstmuseum de Berna, a capital da Suíça. Grande parte das pinturas também era de coleções particulares, o que realça o caráter excepcional dessa mostra das obras artísticas de Hesse (na verdade, todas elas são, pois o escritor não distinguia entre seus trabalhos escritos, romances, poesias, contos, e suas pinturas). Depois estivemos tomando chá e comendo pão de queijo de uma amiga da Embaixada em Berna, e no final do dia viemos a Basileia, onde outras exposições nos aguardam.
Paulo Roberto de Almeida 

LA DINASTIA BRUEGHEL
A CURA DI SERGIO GADDI E DORON J. LURIE

CENTO OPERE PER RACCONTARE QUATTRO GENERAZIONI DI ARTISTI.

Il nono appuntamento delle Grandi Mostre di Villa Olmo, curato dall’Assessore alla Cultura di Como Sergio Gaddi e da Doron J. Lurie, conservatore dei Dipinti Antichi al Tel Aviv Museum of Art, ripercorre la storia della più importante stirpe di artisti fiamminghi attivi tra il XVI  e il XVII secolo.
La mostra è un grande progetto internazionale mai realizzato prima d’ora in Italia, che presenta in modo organico e strutturato le relazioni e il percorso pittorico di quattro generazioni di artisti attraverso cento opere straordinarie. 
La vita a tratti misteriosa e la scarsità di notizie certe sulla biografia del capostipite Pieter Bruegel il Vecchio, che cambia la grafia del cognome cancellando la “h” forse per nascondere la relazione con la cittadina di provenienza, sono i presupposti narrativi della mostra. Ma non si può cogliere nel dettaglio il percorso artistico del maestro senza partire da Hieronymus Bosch, del quale la mostra di Como presenta in assoluta anteprima il capolavoro I sette peccati capitali.
La relazione tra i due artisti è fondamentale, tanto che il Guicciardini arriva a definire Pieter Bruegel come il “secondo Girolamo Bosco” evidenziando come sia un “grande imitatore delle fantasie” del maestro di ‘s Hertongenbosh. Ed è proprio questo un altro presupposto storico della mostra, che presenta le visioni allegoriche, moralistiche e fantastiche prima d’ora inimmaginabili, ma paradossalmente diventate concrete anche grazie alle conquiste della pittura del cinquecento.  Bruegel sente molto l’influenza di Bosch e ne incarna la capacità di osservazione e di rappresentazione, non limitandosi all’insegnamento morale, ma riuscendo a tratteggiare un vasto universo di tipologie umane.
I registri del comico e del grottesco assumono una valenza educativa che Pieter riesce a trasmettere ai due figli maschi, Pieter il Giovane e Jan il Vecchio.
La dinastia, quindi, comincia ad articolarsi e la mostra ne trasmette fedelmente la corrispondenza tra le vicende familiari, - nel frattempo secondo numerosi studiosi i figli di Pieter rimettono la “h” nel cognome -  e l’evoluzione pittorica dei protagonisti.  La genealogia prosegue e si ramifica con i figli dei figli del capostipite, in una complicata rete di relazioni che la mostra presenta con precisione e rigore, fino agli undici figli di Jan, cinque dei quali anch’essi pittori. Il percorso espositivo si focalizza attorno alle vicende di ciascun artista ma si sviluppa secondo una logica a rete, abbracciando i riferimenti internazionali e i fatti storici del periodo di riferimento, come l’esperienza di Jan van Kessel I, figlio di Paschasia, sorella di Jan Brueghel e di Ambrosius Brueghel, artista di grandissima qualità ma poco conosciuto e studiato. 
Tra le opere celeberrime di Pieter Brueghel il Giovane spiccano la Festa di matrimonio all’aperto e due straordinarie versioni del Paesaggio invernale con cacciatori sulla neve. Il percorso si chiude idealmente con David Teniers il Giovane, legato alla dinastia dei Brueghel per aver sposato Anna, figlia di Ambrosius.

De volta ao problema das "injusticas sociais" em diplomacia: dia do diplomata

O dia do diplomata, no Itamaraty, em 20 de abril de 2012, aos cem anos da morte do Barão do Rio Branco, não foi o dia Barão, que não apenas não foi exatamente homenageado, mas foi especialmente criticado, por ter sido homem, branco, de origem privilegiada, nascido na capital do Império, e todos os outros subentendidos que daí se depreendem. 
Foi pelo menos isso que se pode reter, e assim foi visto por mim e por meu amigo Mario Machado, da cerimônia de formatura da turma que homenageou uma colega diplomata morta em função do cumprimento do dever, homenageada por ser mulher, por ser negra, e por ser do Acre, mais exatamente de Rio Branco, a capital do estado (antigo território) que leva o nome do negociador que incorporou o território então boliviano à jurisdição soberana do Brasil, num processo conduzido por aquele que era, digamos assim, oposto à presença de mulheres e de negros na diplomacia brasileira.
Transcrevo abaixo o post colocado pelo Mario no seu blog Coisas Internacionais, que também traz link para os discursos pronunciados na ocasião.
Se ouso acrescentar um último comentário, seria este: se o Itamaraty só tem um quarto de mulheres em seu corpo diplomático, a culpa é da instituição, dos exames, do processo de seleção. Deveria haver, além da cota para deficientes físicos (constitucional), das bolsas exclusivas para afrodescendentes e da cota para os mesmos, na primeira fase do concurso, uma outra cota para mulheres? Ou uma cota para negros? Para não nascidos na capital? Estranho...
Outros discursos foram pautados pelo tema da justiça social.
Quando ouvimos essa palavra, é inevitável que pensemos em alguém, saint-simoniano, na melhor das hipóteses, fabiano, na média hipótese, ou bolchevique, na pior, que pretende impor um pouco mais de igualdade pelo velho remédio mais rápido: tirar de quem tem muito para dar aos que supostamente não têm nada. No plano internacional, é a velha conversa da transferência de tecnologia e da assistência ao desenvolvimento.
As pessoas não percebem o quanto estão sendo contraditórias: mesmo a oradora da turma falou em aumento da cooperação técnica brasileira para ajudar no desenvolvimento "autônomo" de outros países, menos desenvolvidos. Pois é...
Mas vários equívocos foram cometidos nos pronunciamentos, a começar pela afirmação de que o mundo está cada vez mais desigual, o que é exatamente o contrário da realidade. O Brasil também foi apontado como país diferente, que está retirando pessoas da pobreza, quando diversos outros países estão fazendo isso mais rapidamente e melhor.
Bem, completo aqui o post com esta transcrição.
O Mário, como eu, escreve rápido, na própria janela, daí pequenos erros de redação, digitação, acentuação, por vezes concordância.
Eu ainda cometo erros mais terríveis, ao misturar palavras francesas ou inglesas com o português, aportuguesando alguns conceitos que foram involuntariamente ou inconscientemente pensados em outras línguas, como esse diabo de "frequentação". Assim acontece com quem faz muitas coisas ao mesmo tempo. 
Como não sou candidato à Academia, não me preocupo, mas de vez em quando vem algum purista -- na verdade inimigo -- me condenar por escrever errado. Esses comentaristas devem ser membros de alguma academia, a dos "chatos", como diria Guilherme de Figueiredo.
Basta cosí, como diriam os italianos...
Paulo Roberto de Almeida 

Formatura do Rio Branco ou lá vou eu meter mão em cumbuca

Mario Machado
Coisas Internacionais, 21/04/2012
Alguns dos meus mais íntimos amigos dizem que eu pareço gostar de polêmica ou de ser do contra. Bom, talvez eles estejam certos. Mas, de uma coisa eu tenho certeza há momentos em que não suporto me calar em concordar apenas para ser aceito e querido.
Feita essa introdução um tanto mais pessoal que o que deveria vamos ao assunto. Dia 20 de abril foi realizada a cerimônia de formatura do Instituto Rio Branco, onde estudam e são formados os diplomatas brasileiros. A cerimônia é importante e conta com a cúpula da república os discursos de autoridades feitos nesse evento marcam o tom da atuação diplomática brasileira.
O discurso da secretária Maria Eugênia Zabotto Pulino, oradora da turma, chamou atenção da imprensa (aqui, por exemplo) por ter tocado nos chamados temas sociais e pela defesa que ela faz da escolha do nome da turma, que foi uma merecida homenagem a diplomata Milena Oliveira de Medeiros que faleceu em decorrência da malária contraída em missão na África.
A oradora ao justificar a homenagem a colega caída escolheu enfatizar a origem racial e o gênero da homenageada, enfatizando que era mulher e negra em oposição ao velho Barão que era homem, branco e “nascido na capital do império”. Essa oposição foi a tônica do discurso e arrancou aplausos nas redes sociais e no auditório.
Confesso que estranhei a falta de citações a frases e escritos da homenageada (que com certeza deixou, posto a alta exigência intelectual do CACD e o perfil dos que se interessam pelo campo) é como se a justa homenagem a uma moça que deu – inadvertidamente – a vida pelo seu país, cumprido seu dever fosse somente por que era negra e mulher. Pode não ter sido essa a intenção dos autores do discurso, mas foi isso que se pode depreender do que foi lido.
É esse o problema de transformar pessoas em emblemas de causas, retira-se sua humanidade, o que lhe fazia único e se apega ao genérico. Tendo a achar uma injustiça, ainda que seja uma linda homenagem, sim é paradoxal, mesmo.
Como não poderia ser diferente o discurso é altamente laudatório com o paraninfo da turma o embaixador Samuel Pinheiro, que foi um dos principais articuladores da expansão da carreira diplomática, ou seja, acaba por soar altamente corporativista que os beneficiados pela expansão das vagas homenageiem a visão do homem que é responsável pelo seu benefício. O irônico é que a ênfase sul-sul do paraninfo foi o que acabou levando a diplomata homenageada a África, onde ocorreu a sua fortuita e infeliz contaminação.
A oposição de idéias que me refiro continua ao afirmar que a diplomacia do passado não estaria conectada aos interesses da população e, portanto – não é dito, mas fica implícito, seria a diplomacia das elites ou contrário da atual que seria a diplomacia que verdadeira reflete os valores plurais e democráticos da sociedade brasileira. Essa crítica feita para soar e ressoar aos ouvidos da cúpula do governo é no mínimo controverso quando confrontando com um estudo independente da Política Externa Brasileira.
Sobre o tom racialista do discurso, meu amigo e diplomata de carreira Paulo Roberto de Almeida escreveu (original pode ser lido, aqui):
Curiosas essas constatações que o Itamaraty é majoritariamente branco e masculino. A culpa é da instituição, de alguém em particular? Os exames são sexistas, racistas, discriminatórios?
Essa versão politicamente correta, que busca responsáveis por nossas deficiências e "vias rápidas" para corrigir o que se entende seja uma "deformação do sistema" -- quem sabe até uma das muitas perversidades da sociedade capitalista, elitista, e outros vícios mais -- e que pretende sanar os problemas pela "inclusão dos excluídos", sempre me pareceu uma tremenda demagogia, e um atentado notório ao princípio da igualdade e do mérito. Todas as pessoas, a partir de uma certa idade, têm condições de se preparar para um exame reconhecidamente difícil como o do Itamaraty. 
Ainda que se reconheça que certas pessoas -- pelo background familiar, pela freqüentação das péssimas escolas públicas, por uma série de outros fatores desfavoráveis -- enfrentam dificuldades adicionais nesse tipo de exame extremamente rigoroso, a única recomendação que se poderia fazer seria que as universidades, o próprio Itamaraty, entidades supostamente comprometidas com a "igualdade racial" e a "inclusão social" mantenham cursos preparatórios gratuitos, abertos preferencialmente aos que não dispõem de renda, sob declaração de honra, para pagar os cursos comerciais. 
Bolsas para afrodescendentes são inerentemente discriminatórias e racistas, e não deveriam existir nessa forma, com base na cor.
Mas a voz dos "excluídos" é bem mais forte quando enrolada na bandeira da cor, e da suposta desigualdade da antiga escravidão.
O discurso é exatamente o que se espera de uma diplomata brasileira, ou seja, bem escrito e lido com competência e carisma, como vocês poderão constatar abaixo. Seu conteúdo reflete muito bem o Zeitgeist. Tenho consciência que a essa altura irritei muita gente, mas, meus caros, esse é o preço de ter uma opinião.

Um retrato da universidade brasileira (2): mais um exemplo da excelencia universitaria

Continuando meu hábito de ler trabalhos universitários apresentados em seminários acadêmicos -- um exercício que faço sempre que posso, para me informar sobre o estado da pesquisa nas áreas que me interessam -- deparei com mais um exemplo de como anda a universidade brasileira.
Como no exemplo anterior, apresentado brevemente neste post:
http://diplomatizzando.blogspot.com/2012/04/um-retrato-da-universidade-brasileira.html
seleciono aqui apenas uns trechos de um desses trabalhos feitos por doutores ou mestres da área de humanidades, que foi selecionado para um seminário em realização neste momento.
Não preciso comentar, não é mesmo?
Paulo Roberto de Almeida 


[Título]
[Autores: Mestre, Doutorando, professores universitários]
[trechos]

Para falarmos sobre as políticas de ações afirmativas no Brasil, faz-se necessário fazer uma breve análise de lutas históricas dos grandes ativistas que sempre lutaram para um mundo mais justo e igualitário.
  Não é novidade e, está presente no discurso dos grandes pesquisadores que a “história” do descobrimento do Brasil se confunde com o início da escravidão no Brasil, ou seja, a colonização e a construção deram-se por meio do trabalho escravo. O Brasil foi o último país do ocidente a abolir o “trabalho escravo” e os primeiros a  pregar a igualdade de oportunidade para todos, independente da cor.
(...)

Com o advento da República, em 1889, sendo promulgada a primeira Constituição Republicana em 1891, cujo artigo 72°, parágrafo 2º estabelecia: “Todos são iguais perante a lei”.  De lá para cá esse preceito está  praticamente em todas as Cartas Magnas brasileiras, mesmo nos períodos autoritários, como por exemplo, na Constituição de 1934, que no artigo 113°, capítulo dos Direitos e das Garantias Individuais assegura no parágrafo 1º. “Todos são iguais perante a lei. Deixando claro que não  haveria privilégios, nem distinções, por motivo de nascimento, sexo, raça, “profissões próprias” ou dos pais, classe social, riqueza, crenças religiosas ou ideias políticas”.

Nesse contexto, ou seja, em busca da prometida “igualdade”,  há cerca de 124 anos de “liberdade”  o negro luta pela sua integração no mundo dos brancos. Tema abordado por Florestan Fernandes na obra A Integração do Negro na Sociedade Classes de 1965, uma das análises está relacionada aos impasses vivenciados por  negros e mulatos  e do esforço dos mesmos vislumbrando uma inserção na nova ordem social, construído pelo novo regime de relações de produção. Tendo como cenário a cidade de São Paulo.

Quando se coloca em pauta a inserção do negro no mercado de trabalho, vários percalços são elencados no sentido entender a falta de oportunidade, o primeiro é a escravidão, que perduram mais de três séculos a simples lei solucionou os problemas enfrentados pelos africanos e seus descendentes. Se ao lutarem pela liberdade dos negros, os ativistas mais aguerridos não pensaram na falta de estrutura e planejamento para, e por consequência os libertos foram lançados à própria sorte.
(...)
=========
PRA: Pronto, acho que basta. Independentemente dos argumentos, eu me pergunto em que escola esses professores aprenderam portugueis...

Venezuela: a maneira cubana de fazer filas...

Já que o coronel está construindo o "socialismo do século XXI", com a ajuda dos cubanos, que tal solicitar aos cubanos o know-how para organizar filas, algo que os cubanos aprenderam com o seu próprio "socialismo do século XX", inteiramente baseado na falta de produtos básicos e na escassez permanente dos itens mais comezinhos do consumo corrente?
Creio que vão precisar...
Paulo Roberto de Almeida 

With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls
Meridith Kohut for The New York Times, April 20, 2012

Customers lined up at 6:30 a.m. outside a government-subsidized store in the Santa Rosalía neighborhood for a chance to get whatever groceries were available.

CARACAS, Venezuela — By 6:30 a.m., a full hour and a half before the store would open, about two dozen people were already in line. They waited patiently, not for the latest iPhone, but for something far more basic: groceries.

“Whatever I can get,” said Katherine Huga, 23, a mother of two, describing her shopping list. She gave a shrug of resignation. “You buy what they have.”
Venezuela is one of the world’s top oil producers at a time of soaring energy prices, yet shortages of staples like milk, meat and toilet paper are a chronic part of life here, often turning grocery shopping into a hit or miss proposition.
Some residents arrange their calendars around the once-a-week deliveries made to government-subsidized stores like this one, lining up before dawn to buy a single frozen chicken before the stock runs out. Or a couple of bags of flour. Or a bottle of cooking oil.
The shortages affect both the poor and the well-off, in surprising ways. A supermarket in the upscale La Castellana neighborhood recently had plenty of chicken and cheese — even quail eggs — but not a single roll of toilet paper. Only a few bags of coffee remained on a bottom shelf.
Asked where a shopper could get milk on a day when that, too, was out of stock, a manager said with sarcasm, “At Chávez’s house.”
At the heart of the debate is President Hugo Chávez’s socialist-inspired government, which imposes strict price controls that are intended to make a range of foods and other goods more affordable for the poor. They are often the very products that are the hardest to find.
“Venezuela is too rich a country to have this,” Nery Reyes, 55, a restaurant worker, said outside a government-subsidized store in the working-class Santa Rosalía neighborhood. “I’m wasting my day here standing in line to buy one chicken and some rice.”
Venezuela was long one of the most prosperous countries in the region, with sophisticated manufacturing, vibrant agriculture and strong businesses, making it hard for many residents to accept such widespread scarcities. But amid the prosperity, the gap between rich and poor was extreme, a problem that Mr. Chávez and his ministers say they are trying to eliminate.
They blame unfettered capitalism for the country’s economic ills and argue that controls are needed to keep prices in check in a country where inflation rose to 27.6 percent last year, one of the highest rates in the world. They say companies cause shortages on purpose, holding products off the market to push up prices. This month, the government required price cuts on fruit juice, toothpaste, disposable diapers and more than a dozen other products.
“We are not asking them to lose money, just that they make money in a rational way, that they don’t rob the people,” Mr. Chávez said recently.
But many economists call it a classic case of a government causing a problem rather than solving it. Prices are set so low, they say, that companies and producers cannot make a profit. So farmers grow less food, manufacturers cut back production and retailers stock less inventory. Moreover, some of the shortages are in industries, like dairy and coffee, where the government has seized private companies and is now running them, saying it is in the national interest.
In January, according to a scarcity index compiled by the Central Bank of Venezuela, the difficulty of finding basic goods on store shelves was at its worst level since 2008. While that measure has eased considerably, many products can still be hard to come by.
Datanálisis, a polling firm that regularly tracks scarcities, said that powdered milk, a staple here, could not be found in 42 percent of the stores its researchers visited in early March. Liquid milk can be even harder to find.
Other products in short supply last month, according to Datanálisis, included beef, chicken, vegetable oil and sugar. The polling firm also says that the problem is most extreme in the government-subsidized stores that were created to provide affordable food to the poor.
But with inflation so crippling, many shoppers at those stores said the inconvenience was worth it.
“It’s an enormous help,” said Ana Lozano, 62, a retiree who takes in ironing to supplement her pension, who was waiting outside the Santa Rosalía grocery. “That’s why there’s such a long line.”
The government appears keenly aware of the twin threats of shortages and inflation as it prepares for the October election in which Mr. Chávez is seeking a new six-year term. The price controls have been defended in government advertisements and accompanied by repeated threats from Mr. Chávez to nationalize any company that cannot keep its products on the market.
Vice President Elías Jaua has warned of a media campaign to frighten Venezuelans into hoarding, which would provoke artificial shortages. Government advertisements urge consumers not to succumb to panic buying, using a proverbial admonition: Bread for today is hunger for tomorrow.
Francisco Rodríguez, an economist with Bank of America Merrill Lynch who studies the Venezuelan economy, said the government might score some political points with the new round of price controls. But over time, he argued, they will spell trouble for the economy.
“In the medium to long term, this is going to be a disaster,” Mr. Rodriguez said.
The price controls also mean that products missing from store shelves usually show up on the black market at much higher prices, a source of outrage for many. For government supporters, that is proof of speculation. Others say it is the consequence of a misguided policy.
Emilio Ortiz, 52, a shop owner, said he could buy sugar and powdered milk from his distributors only once last year. He gets cooking oil once a month, but only about half of what he requests. He also said that profits were so low on controlled products that he must raise other prices to compensate.
One of his customers asked if the store had Harina Pan, which is considered the quintessential local brand of flour to use in making arepas, the signature corn cakes that are a staple of the Venezuelan diet.
“There isn’t any,” Mr. Ortiz said. It would be like an American store not having any Coca-Cola.
The customer asked if other stores nearby carried it.
“You can’t find it,” Mr. Ortiz said glumly.
If there is one product that Venezuela should be able to produce in abundance it is coffee, a major crop here for centuries. Until 2009, Venezuela was a coffee exporter, but it began importing large amounts of it three years ago to make up for a decline in production.
Farmers and coffee roasters say the problem is simple: retail price controls keep profits close to or below what it costs farmers to grow and harvest the coffee. As a result, many do not invest in new plantings or fertilizer, or they cut back on the amount of land used to grow coffee. Making matters worse, the recent harvest was poor in many areas.
A group representing small- to medium-size roasters said last month that there was no domestic coffee left on the wholesale market — the earliest time of year that industry leaders could remember such supplies running out. The group announced a deal with the government to buy imported beans to keep coffee on store shelves.
Similar problems have played out with other agricultural products under price controls, like lags in production and rising imports for beef, milk and corn.
Waiting in line to buy chicken and other staples, Jenny Montero, 30, recalled how she could not find cooking oil last fall and had to switch from the fried food she prefers to soups and stews.
“It was good for me,” she said drily, pushing her 14-month-old daughter in a stroller. “I lost several pounds.”

María Eugenia Díaz contributed reporting.

A version of this article appeared in print on April 21, 2012, on page A1 of the New York edition with the headline: Price Controls Keep Venezuela Cupboards Bare.

Itamaraty: machista e misogino? A culpa seria de quem?

Curiosas essas constatações que o Itamaraty é majoritariamente branco e masculino. A culpa é da instituição, de alguém em particular?
Os exames são sexistas, racistas, discriminatórios?
Essa versão politicamente correta, que busca responsáveis por nossas deficiências e "vias rápidas" para corrigir o que se entende seja uma "deformação do sistema" -- quem sabe até uma das muitas perversidades da sociedade capitalista, elitista, e outros vícios mais -- e que pretende sanar os problemas pela "inclusão dos excluídos", sempre me pareceu uma tremenda demagogia, e um atentado notório ao princípio da igualdade e do mérito. Todas as pessoas, a partir de uma certa idade, têm condições de se preparar para um exame reconhecidamente difícil como o do Itamaraty. 
Ainda que se reconheça que certas pessoas -- pelo background familiar, pela frequentação das péssimas escolas públicas, por uma série de outros fatores desfavoráveis -- enfrentam dificuldades adicionais nesse tipo de exame extremamente rigoroso, a única recomendação que se poderia fazer seria que as universidades, o próprio Itamaraty, entidades supostamente comprometidas com a "igualdade racial" e a "inclusão social" mantenham cursos preparatórios gratuitos, abertos preferencialmente aos que não dispõem de renda, sob declaração de honra, para pagar os cursos comerciais. 
Bolsas para afrodescendentes são inerentemente discriminatórias e racistas, e não deveriam existir nessa forma, com base na cor.
Mas a voz dos "excluídos" é bem mais forte quando enrolada na bandeira da cor, e da suposta desigualdade da antiga escravidão.
Paulo Roberto de Almeida 

Diplomata é homenageada no Itamaraty

Aos novos diplomatas, Dilma ensinou que o Brasil só vai ser uma grande potência se tiver educação de qualidade e profissionais qualificados. O foco da política externa, disse, deve ser ciência, tecnologia e inovação.
- Hoje percebemos que o grande motor para mudar é ciência, tecnologia e inovação. Este é o século do conhecimento, da capacidade de se dominar tecnologia, de inventar, de criar, que permitirá que aquele país que tem na sua força de trabalho a sua maior riqueza seja o país mais bem colocado internacionalmente - discursou a presidente.
Dilma arrancou risadas da plateia, formada por amigos e familiares dos diplomatas graduados ao relatar que perguntou ao ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, quantos engenheiros havia entre os formandos. Segundo ela, o mundo está num momento em que o conhecimento é cada vez mais exigido e ensinou aos novos membros do corpo diplomático brasileiro que eles terão de ser generalistas e especialistas.
Oradora da turma de formandos, a diplomata Maria Eugênia Pulino disse em seu discurso que falta diversidade na diplomacia brasileira, majoritariamente branca e de sexo masculino.
- Faltam mulheres, negros, índios e deficientes. Ainda somos um Ministério majoritariamente branco e masculino. Nós mulheres somos um quarto do quadro e apenas 15% dos ministros de primeira classe - apontou a formanda.

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