quarta-feira, 1 de maio de 2024

A coruja de Tocqueville: fatos e opiniões sobre o desmantelamento institucional do Brasil contemporâneo (2010) - Paulo Roberto de Almeida

 A coruja de Tocqueville: fatos e opiniões sobre o desmantelamento institucional do Brasil contemporâneo


Paulo Roberto de Almeida 


Pretendo apresentar, com intuitos assumidamente provocadores, fatos e opiniões de um espectador engajado nas coisas do Brasil e do cenário mundial. Estas afirmações e impressões podem (talvez devam) ser consideradas como teses para uma discussão aberta, na sequencia da publicação de um ensaio que deu início a esse tipo de discussão. Permito-me remeter, para esse propósito, a um texto precedente que pode ser considerado como uma espécie de gatilho a um debate sobre o direito, a política e a economia do desmantelamento institucional a que assistimos atualmente no Brasil: “De la Démocratie au Brésil: Tocqueville de novo em missão”, Espaço Acadêmico (ano 9, n. 103, dezembro 2009, p. 130-138; link: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/8822/4947; também disponível em meu website pessoal: www.pralmeida.org). 

Com efeito, um primeiro diagnóstico em torno dos problemas que pretendo aqui abordar foi tentativamente apresentado por ninguém menos do que Alexis de Tocqueville, oportunamente retirado pelo Banco Mundial de uma aposentadoria tranqüila para realizar uma missão prospectiva no Brasil. Como seu assistente no terreno, sei que Tocqueville retornou a Washington passavelmente horrorizado com o que viu e ouviu no Brasil e, na primeira versão de seu relatório de missão, acima referido, ofereceu críticas responsáveis ao processo de erosão institucional que constatou diretamente. No papel de uma “coruja” sempre atenta às coisas do Brasil, estou organizando minhas notas de para ajudá-lo a concluir seu relatório completo de viagem, e permito-me oferecer aqui a versão preliminar destes subsídios que possivelmente auxiliarão Tocqueville a dar um formato final a um novo livro seu, desta vez sobre o maior país da América do Sul, dando assim continuidade à análise que ele havia iniciado 180 anos atrás pelo exame da situação democrática no maior país da América do Norte. Ele o fará, oportunamente, como um clássico revisitado.

Tendo em conta que se trata de uma abordagem não-convencional sobre aspectos cruciais da conjuntura política no Brasil, o formato adotado restringe-se a observações telegráficas que este assistente de Tocqueville foi registrando no papel, no curso de sua viagem inquisitiva, separando estritamente o que lhe pareceu serem fatos objetivos sobre a situação do grande país sul-americanos, seguidos de comentários opinativos sobre os mesmos dados daquela conjuntura. 

(...)


Ler a íntegra neste link da plataforma Academia.edu: 

https://www.academia.edu/118398473/2116_A_coruja_de_Tocqueville_fatos_e_opinioes_sobre_o_desmantelamento_institucional_do_Brasil_contemporaneo_2010_



Evolução do regionalismo político e comercial na América do Sul: uma breve síntese histórica (2008) - Paulo Roberto de Almeida

Integração regional e inserção internacional dos países da América do Sul: evolução histórica, dilemas atuais e perspectivas futuras

 

Paulo Roberto de Almeida

Doutor em Ciências Sociais, mestre em Planejamento Econômico, diplomata de carreira, professor de Economia Política no Mestrado em Direito do Centro Universitário de Brasília (Uniceub).

Nunca publicado na íntegra.

 

Sumário: 

Introdução: problemática, organização, metodologia, resumo executivo

1. Breve síntese histórica sobre a evolução do regionalismo político e comercial na região

2. Balanço dos experimentos de integração mais importantes realizados na América do Sul

3. Conquistas e limitações dos esquemas existentes: causas e conseqüências dos principais casos

4. Impacto de recentes mudanças globais sobre os processos de integração e nos países da região

5. Estratégias nacionais adotadas em relação à integração econômica e à inserção internacional

6. Problemas do sub-regionalismo e da liberalização hemisférica: o caso frustrado da Alca

7. Dilemas e problemas da integração: consolidação ou fuga para a frente de tipo político?

8. Fragmentação política e econômica dos processos?: os desafios dos países “bolivarianos”

9. Perspectivas da integração sul-americana no atual contexto internacional: para além da crise?

10. Visões e estratégias possíveis: estarão as lideranças à altura dos desafios internos e externos?

11. Conclusões e recomendações: menos retórica, mais engajamento nas reformas

 

Nota: Os argumentos e opiniões expressos no presente trabalho são exclusivamente pessoais e não correspondem a posições ou políticas das entidades às quais se encontra vinculado o autor. 

 

[Brasília, 1821: esquema: 7 de outubro de 2007, 1 p.;

Redação, 1844: novembro-dezembro 2007, 55 páginas;

Revisão: 22 de maio de 2008, 57 páginas.]

 

Le a íntegra neste link da plataforma Academia.edu: 


https://www.academia.edu/118398096/1844_Integracao_regional_e_insercao_internacional_dos_paises_da_America_do_Sul_evolucao_historica_dilemas_atuais_e_perspectivas_futuras_2008_



Regionalismo Sul-Americano: uma visão estratégica a partir do Brasil (2007) - Paulo Roberto de Almeida

 Regionalismo Sul-Americano: uma visão estratégica a partir do Brasil

Paulo Roberto de Almeida*

Pontes entre o comércio e o desenvolvimento sustentável

(ICTSD; Direto FGV; vol. 3, nr. 6, dezembro 2007; ISSN: 1813-4378; p. 10-11)

 

Muitas são as variáveis, internas e externas, que influenciam a integração sul-americana. Todas essas variáveis serão inquestionavelmente influenciadas pela posição e pela estratégia que venham a ser adotadas pelo Brasil. A intenção deste texto é a de refletir sobre algumas dessas opções brasileiras no tocante ao regionalismo sul-americano.

 

Uma visão realista sobre a evolução de médio e longo prazo do continente sul-americano não pode tomar como garantida a constituição de um bloco político-econômico próprio à região, a despeito do forte engajamento político, diplomático e econômico dos principais atores, sobretudo do Brasil, nesse esforço.

 

Por um lado, há um conjunto de fatores internos que influenciam a evolução integracionista. Dentre esses fatores, destacam-se questões de fato como um continente caracterizado pelo distanciamento físico, por desigualdades sociais e por assimetrias estruturais. Adicionalmente, há um conjunto de elementos políticos internos, tais como: a conformação das políticas econômicas nacionais (propensas à interdependência ativa ou mais nacionalistas); a baixa dinâmica do crescimento econômico dos países da região; a dominância de forças políticas de inclinação oposta à integração comercial e econômica, que se relacionam com as descontinuidades no próprio projeto voltado para a América do Sul (ora mais econômico ora mais tendente a discutir integração física e energética). 

 

Existem, por outro lado, os fatores externos, dentre os quais destacam-se os representados por políticas de abertura a acordos comerciais, principalmente os propostos pela principal potência hemisférica (e mundial), os Estados Unidos da América (EUA). A possibilidade de acesso consolidado ao grande mercado estadunidense e a perspectiva de investimentos diretos de tal origem nos países dispostos a assinar os acordos de livre comércio tornam-nos atrativos para quase todos os países da América do Sul. As únicas exceções a essa linha são os grandes países da região, Brasil e Argentina – justamente os que sofrem a maior incidência do protecionismo setorial estadunidense. 

 

Elementos estratégicos no contexto do regionalismo sul-americano

 

Dentre os eventos ou processos que podem influenciar o destino de qualquer projeto de integração mais profunda na América do Sul, os seguintes devem ser ressaltados:

 

      1) Diferenciais de crescimento entre os vários países da região. Isso pode aumentar a distância entre eles e as dificuldades de qualquer projeto de integração uniforme, como já demonstrado pela experiência dos países do Cone Sul. 

 

      2) Amplitude e extensão de uma futura rede de acordos comerciais (em substituição à frustrada Área de Livre Comércio das Américas-ALCA), patrocinada pelos EUA, mas praticamente abandonada, atualmente. 

 

      3) Tensões ou mesmo conflitos entre países vizinhos, por razões de ordem histórica (como nos casos Chile, Bolívia e Peru; Colômbia e Venezuela; Venezuela e Guiana) ou pelo surgimento de pendências ligadas aos eventuais efeitos externos de instabilidades internas (no caso da Colômbia, por exemplo). Isso pode ser igualmente vinculado aos deslocamentos de populações, acesso a recursos estratégicos, como água e fontes de energia.

 

      4) Capacidade brasileira de conceder acesso não recíproco a seu mercado, prestar cooperação em escala ampliada, mediar conflitos entre os países da região ou mesmo ter capacidade para alguma projeção militar. 

 

      5) Disponibilidade de fontes de financiamento para viabilizar a integração da infra-estrutura física e energética da América do Sul.

      

      6) Necessários fortalecimento e consolidação do Mercosul, que deve ser a base de qualquer projeto de integração mais amplo na região.

 

      7) Ampliação da capacidade de exportação de capitais por parte do Brasil, em especial pela via da internacionalização de suas grandes empresas.

 

Ademais, se a orientação for no sentido de uma integração física e energética, deve-se ainda considerar que: um esforço de planejamento estratégico que envolva os atuais processos sub-regionais de integração, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), não parece ser facilmente administrável pela pluralidade de arranjos já existentes; as iniciativas de integração física podem ter dificuldades de financiamento dos projetos e complicações para sua implementação, que passarão agora a ser administrados pela Unasul, com o possível complemento financeiro do novo Banco do Sul; a implementação de projetos nas áreas de transportes, energia e comunicações deve ser vista no médio e no longo prazo, uma vez que a concepção, o desenho e a efetivação de cada um desses projetos envolve não apenas a obra de engenharia em si, mas igualmente uma complexa arquitetura financeira, quando não um delongado processo de decisão política. 

 

A visão brasileira

 

O objetivo básico da integração sul-americana, na visão brasileira, é a conformação de um imenso espaço integrado nos planos econômico-comercial e físico-logístico. Isso comporia as bases indispensáveis para exercícios mais ambiciosos nos terrenos da integração cultural e da “permeabilidade” social e financeira e, até mesmo, em direção de objetivos mais amplos nos terrenos político e diplomático, como a coordenação de posições em matéria de política externa e de segurança estratégica. Não se trata, em princípio, de constituir um “bloco” para contrapor-se a outros poderes, mas tão simplesmente de conformar um espaço integrado para o desenvolvimento integral dos povos da região.

 

O Brasil, por sua dotação favorável de certos fatores, como geografia “estendida” e regime político aparentemente mais estável do que outros países da região, tem todas as condições de exercer a liderança nesse processo. Essa posição, entretanto, precisa emergir naturalmente, como sendo uma demanda dos países interessados em nossa capacidade de iniciativa nos mais diversos setores, não como um oferecimento feito de forma isolada e muito menos como uma imposição unilateral, o que de toda forma não seria aceito pelos vizinhos. 

 

Possíveis componentes de uma visão estratégica brasileira

 

Dentre as metas e linhas de ação que podem sustentar o objetivo estratégico do Brasil estão: (a) a continuidade do processo de acumulação de pequenos avanços institucionais, com a ampliação da rede de acordos de integração no contexto da América do Sul, tanto para completar a cobertura dos acordos econômicos e comerciais como para avançar em novas áreas de interesse social e cultural; e (b) o avanço decisivo no terreno da integração física, para, de fato, dar suporte logístico à integração que se pensa promover no campo dos sistemas produtivos e dos intercâmbios financeiros e tecnológicos.

 

O Brasil não deve proclamar sua vocação de ser o centro desse espaço integrado, pois isso ocorrerá naturalmente. Qualquer intenção anunciada pode gerar movimentos contrários que poderão retardar o processo de conformação desse espaço. 

 

Uma visão estratégica recomendaria, ainda, dispor de ampla flexibilidade organizacional e política na definição e escolha dos objetivos e instrumentos capazes de lograr a consolidação do espaço integrado sul-americano, o que significa não privilegiar, nem descartar, nenhum dos mecanismos existentes e porventura em formação que facilitem a obra de integração. Em algumas tarefas, a cooperação poderá estender-se a parceiros fora do alcance geográfico imediato do espaço em formação, como podem ser o caso dos países caribenhos, dos centro-americanos, do México, do Canadá e, até mesmo, dos EUA. Esses continuarão a ser, no futuro previsível, grandes mercados e provedores de bens e serviços, nas áreas financeira, cultural, educacional e, sobretudo tecnológica, para a região. Um projeto hemisférico não deve necessariamente ser visto como contraditório ou oposto a esses objetivos de integração sul-americana, até porque a maior parte dos países vizinhos tem desse projeto uma visão positiva, tanto em termos de acesso ao mercado dos EUA, como fonte possível de recursos financeiros e de investimentos diretos.

 

Outra modalidade de ação implicaria acelerar de modo decisivo o processo de integração física, econômica e social no contexto sul-americano. Dessa forma, o Brasil teria de assumir os custos iniciais (ou permanentes) desse tipo de investimento, sem que estejam muito claras as condições políticas e financeiras sob as quais o país desempenharia esse papel protagônico (de resto, unilateral e, portanto, sob risco de rejeição por parte dos vizinhos). A “fuga para a frente”, em todo caso, a supor que ela seja aceita pelos vizinhos, teria de comportar, igualmente, uma “solução financeira” para os intercâmbios regionais. Neste caso, a moeda brasileira deve desempenhar um papel complementar ao do dólar nos financiamentos, transferências e créditos dos mais diversos tipos. Em outros termos, o Brasil precisaria estar disposto e em condições de passar a assumir um papel de provedor generoso de ajuda técnica e assistência ao desenvolvimento, de “exportador de capitais” e de “aberturista não-recíproco” aos produtos e serviços dos países vizinhos.  

 

Acelerar, relativamente, e consolidar, absolutamente, o processo de integração física e econômica dos países da América do Sul representa grandes empreendimentos econômicos e diplomáticos do ponto de vista do Brasil. Da mesma forma, implementar e garantir o funcionamento ampliado de uma rede de acordos políticos, econômicos e de outra natureza, que diminuam as barreiras existentes entre os países, constituem outros grandes desafios estratégicos para a diplomacia brasileira. Um outro objetivo de, mais longo prazo, para essa diplomacia, seria tornar a América do Sul um ator, se não global, pelo menos dotado de importância relativa nos cenário hemisférico e nas relações com outros grandes atores do sistema internacional. Adicionalmente, seria importante, no plano setorial, institucionalizar uma rede de acordos plurilaterais relativos à integração física, eventualmente – mas não necessariamente – pelo reforço da Unasul. E recomendável, também, que se conserve um grau relativo de liberdade e de flexibilidade para alcançar metas variadas e objetivos diversificados nos diversos planos da integração regional. No caso do Brasil, essa liberdade tem de ser confrontada às suas obrigações no âmbito do Mercosul.

 

A América do Sul é o “terreno natural” de atuação da diplomacia e da economia do Brasil, tanto quanto o é o Mercosul, ainda que seu processo de consolidação demande bem mais tempo e maiores esforços do que o projeto de plena conformação do mercado comum no âmbito sub-regional. Não se deve, no entanto, fixar metas irrealistas de mercado plenamente unificado em escala sul-americana, no futuro previsível; mas sim um cenário de criação de redes comerciais e de esquemas econômicos complementares, inclusive e principalmente na área financeira, com a utilização de mecanismos e instrumentos crescentemente mais sofisticados, como podem vir a ser os da Unasul.

 

O Brasil deve estar consciente de que as principais iniciativas e os maiores esforços de cooperação devem partir dele mesmo, o que demandará, obviamente, um investimento inicial sem retorno aparente garantido. No plano da organização estatal interna, o objetivo estratégico deveria tornar a área “doméstica” da integração sul-americana não apenas prioritária do ponto de vista diplomático, mas igualmente no que se refere à ação setorial de todos os demais ministérios, que devem passar a encarar os desafios à integração sul-americana como extensão e parte constitutiva de suas próprias políticas setoriais.



* Doutor em Ciências Sociais, diplomata, professor no mestrado em Direito do Uniceub (Brasília).

Tendências do regionalismo comercial: evolução histórica e perspectivas atuais (2007) - Paulo Roberto de Almeida (inédito)

 Tendências do regionalismo comercial: evolução histórica e perspectivas atuais 

Paulo Roberto de Almeida

Capítulo de livro sobre a integração econômica regional,

sob a coordenação de Eduardo Lobo e Frederico Marchiori (SP: Saraiva); nunca publicado. 

 

 

1. Introdução: um pouco de história em torno dos blocos de países

A conformação de blocos, em especial de natureza comercial, não constitui, obviamente, um fenômeno novo, ou recente, na história mundial. Alianças, pactos, ligas e uniões entre países ou Estados vizinhos – ou até separados geograficamente, mas vinculados por interesses comuns – são tão freqüentes quanto os enfrentamentos bélicos e os acordos de amizade e de defesa mútua, que foram concertados ao longo dos séculos por soberanos interessados em promover a segurança e a prosperidade de suas nações ou em defendê-las de inimigos potenciais. No plano estrito da segurança estratégica, desde a Liga Ateniense, na Grécia antiga, até a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), no imediato pós-Segunda Guerra Mundial, passando pela frustrada Comunidade Européia de Defesa, são abundantes os exemplos de coalizões formais ou informais entre estados soberanos, destinadas a estabelecer vínculos mais sólidos de cooperação entre eles ou, mesmo, de caminhar no sentido da integração entre seus respectivos sistemas políticos e econômicos. 

(...) 


Ler a íntegra na plataforma Academia.edu, link: 

https://www.academia.edu/118396598/1786_Tendencias_do_regionalismo_comercial_evolução_histórica_e_perspectivas_atuais_2007_



Suíça convida Brasil para reunião pela paz na Ucrânia; governo Lula só participa se Rússia comparecer - Camila Bomfim O Globo

Suíça convida Brasil para reunião pela paz na Ucrânia; governo Lula só participa se Rússia comparecer
G1 - Globo | Mundo
30 de abril de 2024

 Camila Bomfim


A Suíça fez chegar ao Planalto o interesse de contar com a presença do presidente Lula (PT) na cúpula de alto nível que vai debater a paz entre Rússia e Ucrânia, informou o Itamaraty.

A conferência acontecerá entre os dias 15 e 16 de junho, nos arredores da cidade de Lucerna (Suíça), e deve contar com a participação de chefes de Estado, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Mais de 100 países estão sendo convidados para o evento.

A intenção da Suíça de contar com o Brasil foi manifestada durante agenda do chanceler Mauro Vieira na Suíça, que sediará o evento.

Em um primeiro contato, antes do convite oficial, o Brasil chegou a indicar que só aceita participar do debate com a presença da Rússia, o que não deve ocorrer. O Kremlim já deixou claro que não quer participar da iniciativa, já que considera o evento um projeto dos "democratas americanos".

Desde janeiro, a Suíça tem debatido a organização de uma conferência para debater a criação de uma estrutura que favoreça o debate sobre a paz na Ucrânia, com a participação da Rússia no debate.

O evento foi um pedido do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que discute o evento com a União Europeia, os membros do G7 e países como China e Índia, que tentam convencer os russos.

O Brasil entende que os russos devem participar de qualquer iniciativa internacional que debata a paz e passe por uma negociação com Kiev.

Na avaliação da diplomacia brasileira, não é possível debater o conflito entre dois atores sem a participação de um deles.

Moscou afirma que não é contra as negociações pela paz, mas também diz que não participará dos debates na Suíça porque acredita que o país abandonou a neutralidade em relação à guerra.

Historicamente neutra, a Suíça já agiu como mediadora de outros conflitos no passado e agora pretende buscar uma resolução para esta guerra, que já dura mais de dois anos.

Celso Amorim em Moscou

Na semana passada, o assessor especial da presidência da República, Celso Amorim, viajou à Rússia para participar semana de uma conferência internacional sobre segurança, promovida pelo Kremlin.

Em Moscou, Amorim realizou uma série de reuniões bilaterais. Entre os encontros de Amorim estavam agendas com o chanceler da Rússia, Sergey Lavrov, e com o Secretário do Conselho de Segurança Russo, Nikolai Patrushev.

Segundo fontes da diplomacia brasileira, os encontros trataram, sobretudo, sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia.

"A conversa aconteceu porque se busca a possibilidade de construção de uma paz possível", contou um representante do Planalto.

Durante o evento sobre segurança, Celso Amorim também discutiu outros temas da agenda internacional, como a interação entre os países na ONU e no BRICS. Além de ter feito críticas ao uso da Inteligência Artificial nos ataques israelenses à Faixa de Gaza e a alianças militares entre países, no mundo atual.

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Suíça abandonou a neutralidade. Na visão da diplomacia brasileira, é essencial que ambos os lados envolvidos estejam presentes nas discussões para que ...
... diplomacia brasileira sinalizou que Brasília só aceita participar do debate com a presença da Rússia. ... diplomacia de ambos os Estados, não é possível ...

Na visão da diplomacia brasileira, é essencial que ambos os lados envolvidos estejam presentes nas discussões para que se possa avançar rumo a uma ...

DIPLOMACIA BRASILEIRA. Governo Lula produz parecer que embasa possível ... E a proposta brasileira não me parece beneficiar o caso russo", diz ele.


Extrema-direita e esquerdas no poder : grandes inimigos da democracia no Brasil e no mundo - Paulo R. Almeida, Augusto de Franco

 Um retrato do Brasil e do mundo nos extremos da política 

Introdução por Paulo Roberto de Almeida

Depois de FHC, o Brasil enveredou por três governos (e meio) de esquerda sectária, burra e corrupta, que produziu a MAIOR CRISE ECONÔMICA de nossa história, uma recessão superior à crise de 1930-31, e também organizou, operou e lucrou com a MAIOR CORRUPÇÃO de toda a nossa história, pois que superou a tradicional corrupção artesanal dos politicos por meio de modos variados de extração de recursos públicos sob os mais diversos canais, quase todos eles administrados partidariamente.

O reinado desastroso do petismo levou a uma reação da sociedade e nessa brecha infiltrou-se uma extrema direita burra, ignorante preconceituosa, e também corrupta, pelos seus principais lideres, mediocres, mas apoiados por militares vingativos, mas que também foram estimulados por uma extrema-direita em ascensão no mundo, por motivos bem diferentes dos processos que ocorriam no Brasil.

Está na hora do Brasil retornar a um governo sensato, de forças de centro-esquerda (como já tivemos: JK, FHC) ou de centro-direita, que foram mais frequentes na história (como Temer, por exemplo), o que nunca evitou a corrupção e os desequilíbrios sociais, mas em escala mais moderada. Para que isso aconteça é preciso que o eleitorado REJEITE as lideranças corruptas e ignorantes da extrema-direita e das esquerdas em geral, ambas sectárias e nefastas no plano das políticas públicas.

O texto de Augusto de Franco, abaixo, ajuda a identificar os extremismos presentes no Brasil e no mundo, aqui levando o governo petista a uma identificação e aliança com o que há de pior no mundo, o eixo das ditaduras de esquerda E DE DIREITA, comandados por DUAS GRANDES AUTOCRACIAS, secundadas por beócios de uma coisa inexistente na prática, mas chamado de Sul Global, uma fraude inventada por acadêmicos desmiolados e apropriada por oportunistas e demagogos all over the world.

Cabe ler com atenção e começar a preparar a transição para um governo normal, centrista, inteligente, se possível.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 1/05/2024


UMA ENORME FALSIFICAÇÃO ESTÁ EM CURSO

Augusto de Franco

X, 1/05/2024

O conceito de extrema-direita está sendo usado para promover uma enorme falsificação. Quem for contra Lula, o PT e seu governo, é logo classificado como extrema-direita. Pior, quem for a favor da resistência ucraniana à invasão do ditador Putin e contra o terrorismo do Hamas é suspeito de ser de extrema-direita. Quem for contra o eixo autocrático (a articulação das ditaduras de Rússia, China, Irã e seus braços terroristas, Coréia do Norte, Síria, Cuba, Venezuela e Nicarágua) é olhado como extrema-direita. Quem for contra o BRICS e o Sul Global é acusado de ser de extrema-direita. A extrema-direita está sendo construída como o inimigo universal e único, às vezes chamado de "internacional fascista". Com isso se esconde as ameaças do eixo autocrático às democracias liberais e as alianças espúrias de quem promove essa falsificação com as maiores ditaduras do planeta.

Existe de fato uma ameaça de extrema-direita às democracias, juntando ditadores e populistas-autoritários que se articulavam ou se articulam no The Mouvement e no CPAC. Dela participam ou participaram Putin, Grillo e Casalégio (5 Stelle), Salvini e Meloni, Le Pen, Orbán, Trump e Steve Bannon, o pessoal do Brexit, Wilders, Chrupalla, Weidel e Gauland, Abascal, Ventura, Bukele e Bolsonaro. Mas ela não é a única ameaça, nem a maior forte, às democracias.

Ditadores e neopopulistas de esquerda, articulados no BRICS e no Sul Global, são uma ameaça muito mais premente. Ela reúne ditadores como Putin (novamente), Xi Jinping, Khamenei e a Guarda Revolucionária Iraniana, pelo menos treze grupos terroristas do Oriente Médio (com destaque para o Hamas e o Hezbollah), da Ásia, da África e da América Latina (Canel, Maduro, Ortega). Mas o mais grave é que a esse bloco se alinharam ou estão se alinhando neopopulistas como Kirchner, Funes, Zelaya, Lourenço, Obrador, Petro, Evo e Arce, Correa, Lula, Widodo e Subianto, Ramaphosa. Esse eixo autocrático em ascensão é, objetivamente, o grande interessado na falsificação de dizer que a extrema-direita é o (único) inimigo universal.”


Sobre a desoneração da Folha de Pagamentos e seus efeitos deletérios - Paulo Roberto de Almeida

Sobre a desoneração da Folha de Pagamentos e seus efeitos deletérios 

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre os equívocos da desoneração setorial e seus efeitos errados no plano microeconômico, assim como sobre desoneração para pequenas prefeituras. 

 

A desoneração da Folha de Pagamentos, e sua substituição por uma contribuição previdenciária proporcional ao faturamento da empresa, não é ruim porque simplesmente retira recursos do governo, que é um gastador serial, assim como os congressistas, todos eles em busca de arrecadação para gastar. Ela é ruim porque é apenas setorial, e não geral, o que introduz, em primeiro lugar, um tratamento diferenciado entre setores, o que aliás, e em segundo lugar, beneficia de forma similar empresas muito diferentes entre si, de um mesmo setor, empresas que podem ser muito diferentes entre si quanto au grau respectivo de capitalização ou de labour intensiveness de cada uma delas.

Um dos princípios básicos na relação do Estado com o setor privado, inclusive do ponto de vista constitucional, é o de que todos devem ser tratados de forma isonômica, sem benefícios reservados apenas a uma categoria, ou setor, da economia produtiva. Todos devem ser tratados de forma similar, sem tratamento especial, o que aliás impacta de maneira muito diferente empresas de um mesmo setor, mas que podem ser muito diferentes, se capital intensive ou labour intensive.

Se todas as empresas fossem desoneradas igualmente, aí sim elas estariam sendo tratadas isonomicamente, e as empresas estariam em melhor situação, pois que teriam incentivos iguais para contratar mais mão de obra, ainda que isso pudesse atrasar sua capitalização, que é uma decorrência natural do progresso técnico. 

De toda forma, seria preciso outros recursos para o nosso tipo de regime de repartição (e não de capitalização) da seguridade social. Isso se aplica ao problema da desoneração dos recolhimentos trabalhistas por pequenos municípios, metade dos quais NÃO poderia ter autonomia, pois que carentes de viabilidade própria, vivendo de transferências federais, de LOAS, de aposentadorias ou outros programas redistributivos diferenciados regionalmente ou segundo a renda per capita.

Numa outra vertente, todos os municípios devem pagar sua contribuição social, outro principio isonômico já que todos os seus habitantes se aposentam! Retirando de uns, outros terão de pagar mais.

A desoneração setorial foi um grande erro microeconômico de Dona Dilma, que provocou atraso geral nos setores aparentemente beneficiados, pois impediu a capitalização desses setores, aumentando o descompasso com setores não beneficiados. Como tudo o que ela fez, foi errado. 

Nestes dois casos, tanto o Executivo quanto o Congresso, estão errados. Ambos perseguem objetivos de maximização de renda, o Executivo na oneração (pois que pretende arrecadar mais), os congressistas na desoneração, uma medida puramente demagógica, pois as empresas podem estar financiando suas campanhas. Vão insistir no erro?

Na verdade, não existe resposta fácil a essa questão, pois estamos falando, em última instância, do financiamento da seguridade social, que deve ser UNIVERSAL, não diferenciado por setores ou ramos da economia. Tanto o Executivo, quanto o Congresso, por motivos diferentes, erram no tratamento dos problemas (criados por políticas públicas anteriores, equivocadas) e continuam insistindo nos mesmos erros.

Mais errado ainda, dois anos depois da pandemia, é a política de subsídios a eventos, oportunismo dos mais canhestros e desonestos, na base do “empurre a conta para outras pessoas”. Pode ser uma forma disfarçada de corrupção e de aproveitamento oportunista dos recursos públicos, em torno dos quais sempre circulam políticos.

O Brasil é o país dos puxadinhos, dos penduricalhos, das improvisações e das soluções ad hoc, tudo isso contrário ao princípio igualitário que todos devem merecer numa economia de mercado. A cada problema, a solução encontrada nunca é geral e universal, e sim restrita ao setor mais vocal, mais lobista, mais amigo do rei. 

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4648, 1 maio 2024, 2 p.


terça-feira, 30 de abril de 2024

Israel e Ucrânia: dois países inaceitáveis para o PT: Lula acata a rejeição- Marcelo Godoy (Estadão)

 Exército escolhe empresa isralenese em licitação bilionária e abre nova disputa com o PT

Estadão.com.br 29 de abril de 2024

Marcelo Godoy

Companhia de Israel era uma das quatro finalistas da licitação; para petistas, comprar equipamento do país em guerra na Faixa de Gaza significaria dar apoio indireto à ação condenada pelo governo
O exército brasileiro anunciou nesta segunda-feira que a empresa israelense Elbit Systems, e suas subsidiárias brasileiras Ares Aeroespacial e Defesa e AEL Sistema, venceu a licitação internacional da Força Terrestre para adquirir 36 viaturas blindadas de combate, conhecidas como obuseiros de calibre 155 mm autopropulsados sobre rodas (VBCOAP-SR). A escolha deve criar novo atrito entre a Força Terrestre, o Partido dos Trabalhadores (PT) e integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

O Atmos israelense venceu a disputa entre os veículos blindados de obuseiro de 155 mm autopropulsados sobre rodas que podem ser adquiridos pelo Exército Foto: Reprodução/EstadãoA administração Lula deve levar em consideração o resultado da escolha técnica feita pelo Exército, mas esta deve agora passar por considerações de ordem geopolítica. Israel está em guerra contra os terroristas do Hamas, na Faixa de Gaza, em uma ação cuja intensidade e danos causados à população civil palestina têm sido alvo de críticas ao redor do mundo. Recentemente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas votou uma resolução ordenando um cessar-fogo no conflito, o que foi ignorado por Israel.

Em 18 de fevereiro, durante entrevista em Adis-abeba, na Etiópia, Lula comparou a ação de Israel em Gaza ao Holocausto, o genocício judeu perpetrado pelos nazista durante a 2.ª Guerra Mundial. A reação do governo de Binyamin Netanyahu foi imediata: além de acusar o brasileiro de antissemitismo, o governo de Netanyahu declarou Lula persona non grata em Israel.

Após comparação com Holocausto, presidente Lulafoi declarado persona no grata pelo governo de Israel Foto: Ricardo Stuckert / PRPara além das disputas entre os dois governos, as Forças Armadas e as polícias do Brasil mantêm uma relação antiga com empresas de Israel. A Marinha, por exemplo, depende dos israelenses para a manutenção das turbinas de seus caças A4 Skyhawk, baseados no Rio. Polícias brasileiras compraram armas e até mesmo material de espionagem de empresas de Israel. O Exército fechou a compra recente de mísseis anticarro Spike LR, da israelense Rafael, cuja entrega está atrasada em razão da guerra.

Este é o primeiro senão ao produto da Elbit, o sistema Atmos 2000, vencedor da licitação para o VBCOAP. Trata-se de uma licitação milionária, cujos valores podem chegar perto de R$ 1 bilhão. Os outros três concorrentes eram a empresa Nexter francesa, com seu sistema Caesar, o SH-15 da chinesa Norinco e o viaturas do sistema eslovaco Zuzana, cujo fabricante firmara uma parceria com a brasileira Avibrás, cujos milhões do novo contrato poderiam ajudar a retirar a empresa da recuperação judicial.

No caso do sistema israelense, haveria dúvidas sobre a capacidade da empresa respeitar os prazos de entrega previstos pelo Exército em razão da imprevisibilidade de uma escalada no conflito no Oriente Médio. O mesmo problema afetaria os concorrentes europeus, cujos países estão comprometidos em apoiar a Ucrânia na guerra com a Rússia. As 36 novas viaturas VBCOAP vão equipar as unidades de artilharia divisionária do Exército.

O obuseiro Caesar francês (foto) estava entre os veículos blindados de artilharia de 155 mm autopropulsados que podiam ser adquiridos pelo Exército Foto: NEXTER CAESARA esquerda petista se articula para pressionar o governo Lula contra a possibilidade de a Força Terrestre fechar a compra do equipamento israelense. Petistas históricos, como José Genoino, consideram que adquirir o produto da Elbit System seria financiar indiretamente o esforço de guerra de Israel. Genoino alertou em março que isso traria um enorme desconforto para a base social do governo, que não entenderia a medida, ainda mais diante do atual nível de confrontação com a administração Netanyahu. Não só a esquerda do partido é contra. Na semana passada, o vice-presidente da sigla, o deputado federal Washington Quaquá, também se manifestou contra o negócio com Israel.

Não era segredo para o Exército a animosidade do governo em relação a atual administração de Israel. mesmo assim decidiu seguir adiante com "sua escolha técnica". No ano passado, a Força Terrestre defendeu a venda de 400 unidades do blindado Guarani em versão ambulância para a Ucrânia, mas a operação de R$ 3,5 bilhões recebeu parecer contrário do Ministério das Relações Exteriores e foi vetada pelo presidente Lula. Agora, a Força mais uma vez leva o problema à mesa do presidente a fim de que ele decida.

É possível que critérios geopolíticos prevaleçam no caso, pois as compras da defesa têm regras próprias. Diante das restrições orçamentárias e do surgimento de novas prioridades, como a artilharia antiaérea de médio alcance, ocupem o lugar da compra das viaturas blindadas de obuseiros autopropulsados no Exército. A Força Terrestre começa a trabalhar com um cenário de restrição orçamentária cujo fim ainda não é previsível.


O apelo dramático de Zelensky por mais armas e meios de defesa

 From: Volodymyr Zelensky

Today, NATO Secretary General @jensstoltenberg and I discussed in detail the situation on the battlefield in Ukraine, our capabilities, and the capabilities of our partners to support our soldiers.

The Russian army is now trying to take advantage of the situation while we are waiting for deliveries from our partners, and first of all, from the United States. Therefore, rapid delivery literally means frontline stabilization.

155-mm artillery, long-range weapons, and air defense systems, first and foremost “Patriots”. This is what our partners posses, and this is what should be working now in Ukraine to destroy Russia’s terrorist ambitions. The Russian army is preparing for further offensive actions. Together, we must thwart these plans. Our partners have all the necessary tools for this.

O tirano mais cruel do mundo e o líder do Sul Global : almas gêmeas? - Editorial Estadão

 Toda manhã, Putin confronta seu espelho: “Espelho russo, espelho meu / Haverá no mundo tirano mais cruel do que eu?” Contente, inicia o dia mandando bombardear mais algumas cidades ucranianas, em especial alvos civis e de infraestrutura. Pode então dormir contente. Lula deve admirá-lo!

Paulo Roberto de Almeida 

O Brasil no ‘Eixo da Revolta’

Editorial, O Estado de S. Paulo, 30/04/2024

A deplorável aliança com Irã, China e Coreia do Norte para dar fôlego à Rússia do delinquente Putin só é explicável pela megalomania de Lula, que se arvora em líder do ‘Sul Global’

A despeito das pesadas sanções impostas pelo Ocidente à Rússia por conta de sua guerra criminosa contra a Ucrânia, Vladimir Putin tem obtido êxitos na frente de batalha e no plano econômico. A economia russa está longe da exuberância em meio ao conflito. Ao mesmo tempo, porém, está distante do eventual colapso que, na visão dos países sancionadores, talvez pudesse levar ao fim da guerra e, quiçá, à responsabilização de Putin por seus crimes. A China, claro, é a grande responsável pela vitalidade desse regime delinquente, mas, desafortunadamente, parte considerável do fôlego de Putin tem vindo do Brasil.

O Estadão revelou há poucos dias que, neste terceiro mandato presidencial de Lula da Silva, o Brasil expandiu os laços econômicos com a Rússia. Tal é o grau de cooperação entre os dois países atualmente que, em 2023, a meta de trocas comerciais entre o “B” e o “R” dos Brics originários – US$ 10 bilhões – foi superada pela primeira vez em duas décadas. No ano passado, o volume de negócios com Moscou chegou a US$ 11,3 bilhões. Hoje, o Brasil é o maior comprador de diesel russo (6 milhões de toneladas adquiridas em 2023). Os fertilizantes russos vêm em seguida na agenda comercial do País, respondendo por compras que chegam a quase US$ 4 bilhões ao ano.

Lula, como se vê, não quer saber se há mais de dois anos Putin comete atrocidades em série na Ucrânia e ameaça a paz na Europa como nunca antes alguém o fez desde o final da 2.ª Guerra. Tampouco tem procurado alternativas decentes para a aquisição daqueles produtos. Ao optar por negociar com um pária internacional, Lula decerto aproveita uma vantagem comercial para adquirir insumos essenciais para as próprias atividades econômicas do Brasil. Afinal, com poucos países para transacionar diante do cerco internacional, Putin se vê obrigado a oferecer condições competitivas àqueles que se dispõem a fazer negócios com um criminoso de guerra. Mas o barato sai caro.

Em que pese o apelo comercial, sobretudo no caso dos fertilizantes, matéria-prima para o segmento mais pujante da economia brasileira, o agronegócio, o que Lula busca, na verdade, é o fortalecimento do tal “Sul Global”, aliança antiocidental da qual o petista mal disfarça o desejo de ser proclamado líder. Imbuído desse espírito megalomaníaco, o presidente da República não parece ter perdido um minuto de sono preocupado com o alto preço político que sua escolha impõe ao Brasil. Para dizer o mínimo, sob Lula, o País tem afrouxado cada vez mais os laços que o unem aos valores ocidentais que, historicamente, constituíram a espinha dorsal da política externa brasileira: a defesa da liberdade, dos direitos humanos, do Estado Democrático de Direito, do multilateralismo e da solução pacífica dos conflitos.

Não se sabe se por ignorância, máfé ou péssimo aconselhamento, Lula tem confundido o protagonismo dessa ficção chamada “Sul Global” com a defesa de uma nova governança internacional mais adequada para um mundo “multipolar”. O busílis é que não há multipolaridade alguma em jogo. O que está em curso é a união de um punhado de ferozes ditaduras em busca de ajuda mútua contra os Estados Unidos, a União Europeia e tudo mais que possa ser interpretado pelos autocratas como ameaças a seus desígnios liberticidas. É a esse tipo de aliança que o Brasil deveria pertencer? É a isso que Lula da Silva pretende rebaixar o País?

Do ponto de vista estratégico, ou seja, a longo prazo, o Brasil não tem rigorosamente nada a ganhar alinhando-se ao que a revista Foreign Affairs chamou de o “Eixo da Revolta”. Trata-se da conjunção de esforços da China, do Irã e da Coreia do Norte para fortalecer a Rússia, enfraquecer o Ocidente, em particular os Estados Unidos, e, como se não bastasse, violentar a soberania ucraniana. O Brasil, segundo analistas internacionais, é considerado um país “estratégico” para o triunfo desse clube antiocidental – o que, mais que uma vergonha, representa uma traição aos princípios que nos constituem como nação.

Grato a Augusto de Franco pela transcrição do editorial.

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