quinta-feira, 24 de abril de 2025

Simpósio Stefan Zweig na Biblioteca Nacional, 25/04/2025 - Programação

 Simpósio Stefan Zweig na Biblioteca Nacional

25/04/2025 - Programação:


Minha saudação aos participantes: 

Mensagem ao Simpósio Stefan Zweig na Biblioteca Nacional

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota de saudação aos participantes do Simpósio Stefan Zweig, na Biblioteca Nacional, em 25/04/2025/, via Kristina Michahelles.

  

Saudação a todos os participantes e assistentes ao Simpósio Stefan Zweig na Biblioteca:

 

        Leitor de Stefan Zweig desde a juventude, apreciador de suas muitas biografias, com destaque especial de imenso deleite intelectual para o seu Erasmo, de prazer nômade com o périplo de Fernão de Magalhães, e de um olhar crítico para a política sombria com Fouché (que considero sua melhor biografia, a despeito do personagem execrável), gostaria de saudar todos os organizadores, palestrantes e assistentes deste simpósio, ao qual teria apreciado imensamente participar, como autor de um dos capítulos do livro sobre o Caleidoscópio de Zweig – mas retido em Brasília por outros afazeres –, tenho pelo menos o prazer de enviar minhas saudações a todos, assumindo, ao mesmo tempo um compromisso que pretendo cumprir tão pronto possível: 

        Mantenho, há muitos anos, o hábito de “abusar” de grandes autores do passado, usando suas obras seminais numa série de “clássicos revisitados”, ou seja, retomar essas obras marcantes da aventura humana, reter suas estruturas e estilo, mas reescrever o texto com base nas surpresas da contemporaneidade, refazendo sempre que possível com nossos problemas da atualidade, em especial a brasileira. Tomei essas liberdades com Marx, com Maquiavel, com Tocqueville, com Sun Tzu e, mais recentemente, com Milton Friedman.

        Pois assumo o compromisso de entregar, a curiosos leitores, dentro de alguns meses, minha releitura do “Brasil país de futuro”, que vai rever a visão e as promessas generosas feitas por Stefan Zweig a nosso respeito em 1941. Promessa feita, já está inscrita na minha lista de “trabalhos futuros”. Até lá, saudações a todos e feliz simpósio.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4905, 24 abril 2025, 1 p.

 


A inaceitável viagem de Lula a Moscou, a convite de Putin - Paulo Roberto de Almeida

A inaceitável viagem de Lula a Moscou, a convite de Putin  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre a projetada viagem de Lula a Moscou em 9 de maio de 2025

  

        O Presidente Lula aceitou, desde o primeiro minuto, o convite do presidente russo Vladimir Putin para participar em Moscou, no próximo dia 9 de maio das comemorações pelos 80 anos da vitória da antiga União Soviética na chamada “Grande Guerra Patriótica” – nome dado por Stalin – contra as forças da Alemanha nazista, no dia seguinte à assinatura da rendição da Wehrmacht em Berlim (as forças ocidentais o fizeram na cidade francesa de Reims, no mesmo dia 8 de maio). 

           Tanto a comemoração quanto a sinalização desse dia como marcando o final da Segunda Guerra Mundial no teatro europeu passam por cima de um outro fato histórico muito significativo. A guerra deslanchada por Hitler em setembro de 1939, ao invadir a Polônia, não teria sido possível sem a assinatura prévia, em Moscou, no dia 26 de agosto daquele ano, do Pacto Ribbentrop-Molotov, de não agressão entre a Alemanha nazista e a União Soviética stalinista, sem o qual Hitler não teria iniciado a sua guerra de agressão. Relembre-se ainda que, um protocolo secreto anexo ao Pacto, dividia a Polônia entre os dois poderes totalitários, tendo a URSS invadido a Polônia pela sua fronteira oriental poucas semanas depois. 

        Durante dois anos, de setembro de 1939 a junho de 1941, a União Soviética forneceu à Alemanha nazista alimentos, minerais, combustíveis e equipamentos, os quais foram usados por Hitler para subjugar as democracias da Europa ocidental, em novas guerras de agressão devastadoras. A União Soviética já abastecia amplamente a Alemanha da República de Weimar desde os anos 1920, dois países à margem dos sistemas de segurança da Liga das Nações, e continuou o fazendo sob a Alemanha dominada por Hitler, mesmo quando a doutrina oficial da nação comunista era a luta antifascista. A cooperação mútua, bem mais proveitosa à Alemanha nazista do que à URSS, teria continuado, se Hitler não tivesse traído o Pacto de Não Agressão e lançasse a Operação Barbarossa, em junho de 1941. 

        A “pátria do socialismo” não teria sobrevivido aos terríveis ataques da Wehrmacht se não fosse pela maciça ajuda das duas grandes democracias unidas nas Nações Aliadas, Estados Unidos e Reino Unido, que vieram em socorro da URSS nos momentos de maior perigo e durante toda a contraofensiva a partir de 1943. Em outros termos, não se pode esquecer que foram as democracias ocidentais que permitiram à União Soviética fazer frente ao poderio da Alemanha nazista em sua “Grande Guerra Patriótica”.

        Registre-se que a doutrina jurídica da diplomacia brasileira, mesmo durante a vigência do Estado Novo, de notórias simpatias pelos fascismos europeus (até pelo menos 1942), repudiou a invasão armada da Alemanha nazista contra a Polônia em 1939, e instruiu seu ministro (embaixador) na legação em Varsóvia a seguir o governo polonês no exílio. Da mesma forma, o Estado Novo, e depois a República de 1946, nunca aceitou a usurpação territorial soviética contra os três estados bálticos, Estônia, Lituânia e Letônia (com os quais mantínhamos relações diplomáticas desde 1921), e continuou não aceitando a usurpação de suas soberanias até 1961, quando o Presidente Jânio Quadros restabelece relações diplomáticas com a URSS. 

        O Brasil votou na ONU contra a usurpação territorial do Kuwait, invadido pelo ditador Saddam Hussein em 1990, e sua diplomacia sempre acatou os princípios fundamentais do Direito Internacional durante toda a vigência do sistema da ONU desde 1945. O primeiro distanciamento dessa doutrina jurídica da diplomacia brasileira ocorreu sob o governo Dilma Rousseff, quando forças não identificadas, mas distintamente russas, invadiram e anexaram ilegalmente a península ucraniana da Crimeia, em fevereiro de 2014; vários países membros, de acordo a dispositivos da Carta da ONU, condenaram a usurpação russa do território de um país soberano, mas o governo Dilma Rousseff mostrou-se totalmente indiferente ao assunto. Até o governo Donald Trump, no seu primeiro mandato, repudiou a invasão e confirmou, pela voz do seu Secretário de Estado, que os Estados Unidos não reconheciam a Crimeia como sendo pertencente à Federação Russa.

        Em 2022, pouco antes da invasão da Ucrânia por tropas das Forças Armadas da Rússia, o Presidente Jair Bolsonaro, contra as recomendações do Itamaraty, efetuou uma visita a Putin, durante a qual se declarou “solidário” ao país, tendo ao mesmo tempo mantido e aumentado as importações brasileiras de fertilizantes e de combustíveis russos, a despeito de depois condenar, mas apenas formalmente, a guerra de agressão iniciada em 24 de fevereiro daquele ano, por meio do acatamento a uma resolução da Assembleia Geral, na qual não discriminava o país agressor e apenas recomendava uma solução pacífico ao conflito “entre as partes”, como se elas fossem equivalentes. O governo Lula agravou o desrespeito pelo Brasil das normas mais elementares do Direito Internacional, e da própria Carta da ONU, e não vir em socorro a parte agredida, tendo, ao contrário, elevado extraordinariamente as importações brasileiras de fornecimentos russos, demonstrando objetivamente o seu apoio ao agressor. 

        Durante os três anos de guerra, o governo Lula não demonstrou qualquer solidariedade à parte agredida, tendo acatado diversas das teses russas sobre as origens do conflito e possíveis soluções propostas a um cessar fogo, todas elas contrariando disposições da Carta da ONU e diferentes instrumentos do direito internacional humanitário. Ao contrário, tendo já sido expedido mandado de busca e apreensão contra o presidente Vladimir Putin, pelo Tribunal Penal Internacional, do qual o Brasil é membro fundador, o presidente Lula manifestou abertamente sua contrariedade pelo fato de não poder acolher o presidente russo na reunião de cúpula do G20 realizada no Brasil em novembro de 2024, tendo mesmo efetuado tentativas de acolhê-lo no Brasil sem ter de acatar as obrigações estabelecidas no Estatuto de Roma.

        Uma eventual viagem do presidente a Lula a Moscou, num dos momentos mais cruéis da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, confirmaria, para vergonha da doutrina jurídica da diplomacia brasileira, um apoio confirmadamente objetivo à potência agressora, contrariando até mesmo as cláusulas de relações internacionais constantes do artigo 4º da Constituição brasileira de 1988.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4904, 24 abril 2025, 3 p.

 



Simpósio Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo: Biblioteca Nacional

Simpósio Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo

Biblioteca Nacional, 25/04/2025
Stefan Zweig é mais atual do que nunca e sua universalidade é comprovada pelas reedições e adaptações das suas obras para telas e palcos ao redor do globo.
O simpósio Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo, realizado pela Casa Stefan Zweig de Petrópolis, pela embaixada da Áustria em Brasília e pela Fundação Biblioteca Nacional, joga luz sobre o escritor austríaco que se exilou no Brasil em duas mesas redondas e com a exibição do episódio sobre Zweig da série Canto dos Exilados.
O evento é gratuito, ocorre sexta-feira, 25 de abril, das 10h às 17h no Auditório Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e contará com transmissão ao vivo pelos canais do YouTube do Casa Stefan Zweig (@casastefanzweigdigital) e da FBN (@FundacaoBibliotecaNacional). Estudantes universitários podem solicitar certificado de presença pelo e-mail casastefanzweig@gmail.com
Até hoje, Stefan Zweig (1881-1942) é um dos autores de língua alemã mais publicados e lidos no mundo. Mais de 25 mil pessoas viram a exposição Stefan Zweig, autor universal no saguão da Biblioteca Nacional de meados de dezembro de 2024 a meados de fevereiro deste ano. O simpósio será aberto às 10h30 pelo presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, pelo embaixador austríaco Stefan Scholz e pelo presidente da Casa Stefan Zweig de Petrópolis, Israel Beloch e explora os motivos do sucesso e da força da obra e das ideias humanistas de Zweig.
As duas mesas-redondas reúnem alguns dos autores da primeira coletânea de textos de autores brasileiros sobre o escritor que escolheu Petrópolis para passar seus últimos meses de vida.
“Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo” é o título do livro lançado em junho de 2024 pela Casa Stefan Zweig de Petrópolis em parceria com o Laboratório de Estudos Judaicos da Universidade de Uberlândia em Minas Gerais.
Na primeira mesa-redonda, das 11h às 12h30, os historiadores Israel Beloch e Fábio Koifman falarão respectivamente sobre Zweig e seu “fígado negro” e “Brasil, país do futuro” antes de Stefan Zweig.
O tema do editor José Luiz Alquéres, conselheiro da Casa Stefan Zweig e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, é Stefan Zweig e a visão da realidade.
Tradutora de 12 títulos do autor austríaco, a jornalista e diretora executiva da Casa Stefan Zweig, Kristina Michahelles, tem como tema Luminoso e trágico, atual e universal.
A mesa-redonda da tarde será composta pelos professores Maria das Graças Salgado, da UFRRJ (Problemas no paraíso: língua, gênero e emoção no país do futuro), Geovane Souza Melo, da Universidade Federal de Uberlândia (A unidade espiritual do mundo, ou do legado intempestivo de Stefan Zweig) e Rainer Guggenberger, da UFRJ (O drama da voz oprimida e do bom conselho ignorado: o Tersites alternativo de Stefan Zweig no fim do império austro-húngaro).
Depois do coffee-break, exibiremos o episódio Stefan Zweig (Telenews, 2016, 15’38’’), da série Canto dos Exilados, dirigido por Leonardo Dourado.
O evento se encerra às 17h.

terça-feira, 22 de abril de 2025

O processo de reconhecimento da independência da ótica do Brasil - Paulo Roberto de Almeida

 Este trabalho aqui, sobre a bibliografia do reconhecimento da independência do Brasil foi feito para um seminário na USP:

4319. “O processo de reconhecimento da independência da ótica do Brasil”, Brasília, 12 fevereiro 2023, 37 slides. Apresentação feita para participação em seminário USP-Fapesp, no quadro da Escola São Paulo de Ciência Avançada Bicentenário da Independência do Brasil, no dia 13/02/2023, no auditório da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da USP (Avenida Professor Luciano Gualberto, 315). Divulgado na plataforma Academia.edu (22/04/2025; link: https://www.academia.edu/128953191/4319_O_processo_de_reconhecimento_da_independ%C3%AAncia_do_Brasil_203_

President Donald Trump has violated his constitutional oath - USA Threads

President Donald Trump has violated his constitutional oath 

USA Threads, April 21, 2025

Today, U.S. President Donald Trump violated his constitutional oath by publicly declaring on Truth Social: "We cannot give everyone a trial, because to do so would take, without exaggeration, 200 years." This statement explicitly rejects the constitutional right to due process, guaranteed to every individual within U.S. jurisdiction by both the Fifth and Fourteenth Amendments. 

By openly dismissing a foundational constitutional protection, President Trump has directly betrayed his oath of office, outlined clearly in Article II, Section 1 of the Constitution: to "preserve, protect, and defend the Constitution of the United States." The President’s role explicitly requires upholding constitutional principles, not disregarding or circumventing them for expediency or political convenience. 

This violation is not merely a policy disagreement or partisan conflict; it is an intentional breach of the fundamental constitutional obligations entrusted to the Presidency. Trump's statement represents an unprecedented threat to the rule of law and undermines the very structure of American democracy. Allowing a President to openly reject constitutional rights sets a dangerous precedent that weakens the foundation of American constitutional governance. 

Given the gravity and clarity of this breach, the Constitution itself provides a remedy: removal from office through impeachment. President Trump's explicit rejection of due process rights demonstrates unequivocally that he is unwilling or unable to uphold the Constitution. For the preservation of constitutional integrity, the rule of law, and the fundamental principles upon which the United States is founded, President Trump must be removed from office. 

Como seria uma crise do dólar? - The Economist

 Como seria uma crise do dólar?

Se os investidores continuarem vendendo ativos americanos, um destino sombrio aguarda a economia mundial
The Economist, 19/04/2025

O dólar deveria ser uma fonte de segurança. Mas, ultimamente, tem sido motivo de medo. Desde seu pico em meados de janeiro, o dólar americano caiu mais de 9% em relação a uma cesta de moedas importantes. Dois quintos dessa queda ocorreram desde 1º de abril, mesmo com o rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro americano subindo 0,2 ponto porcentual. Essa combinação de rendimentos em alta e moeda em queda é um sinal de alerta: se os investidores estão fugindo mesmo com os retornos em alta, deve ser porque acham que os Estados Unidos ficaram mais arriscados. Há rumores de que grandes gestores de ativos estrangeiros estão se desfazendo de dólares.
Ao longo de décadas, os investidores contaram com a estabilidade dos ativos americanos, transformando-os em pilares das finanças globais. A profundidade de um mercado de US$ 27 trilhões ajuda a fazer com que os títulos do Tesouro americano sejam um refúgio; o dólar domina o comércio em tudo, desde bens e commodities até derivativos. O sistema é sustentado pelo Federal Reserve (Fed), que promete inflação baixa, e pela robusta governança dos Estados Unidos, sob a qual estrangeiros e seu dinheiro sempre se sentiram seguros e bem-vindos. Em poucas semanas, o presidente Donald Trump trocou essas premissas inabaláveis por dúvidas de revirar o estômago.
Esta crise foi criada pela Casa Branca. A imprudente guerra comercial de Trump elevou as tarifas em quase dez vezes e gerou incerteza econômica. Antes invejada pelo mundo, a economia americana agora está à beira da recessão, com as tarifas quebrando as cadeias de suprimentos, impulsionando a inflação e prejudicando os consumidores.
Isso ocorre no momento em que a posição fiscal historicamente ruim dos Estados Unidos está se agravando ainda mais. As dívidas líquidas estão em cerca de 100% do PIB; o déficit orçamentário do último ano (7%) foi surpreendentemente alto para uma economia saudável. Mesmo assim, em sua busca para renovar e estender os cortes de impostos do primeiro mandato de Trump, o Congresso quer tomar ainda mais empréstimos: em 10 de abril, aprovou um projeto orçamentário que pode adicionar US$ 5,8 trilhões em déficits na próxima década, de acordo com o “think tank” Committee for a Responsible Federal Budget. Isso aumentaria o déficit em mais 2 pontos porcentuais e excederia o valor total combinado dos cortes de impostos do primeiro mandato de Trump, os gastos extras da pandemia de covid-19 e os projetos de estímulo e infraestrutura de Joe Biden. E poderia dobrar o ritmo de aumento da relação dívida/PIB nos próximos anos.
O que faz com que esta crise econômica e a perda de disciplina fiscal sejam tão explosivas é o fato de que os mercados estão começando a duvidar da capacidade de Trump de governar os Estados Unidos com competência e coerência. A maneira caótica e desconexa como as tarifas foram calculadas, divulgadas e adiadas pareceu uma paródia do que deveria ser a formulação de políticas. Isenções intermitentes e tarifas setoriais promovem o lobby. Durante décadas, os Estados Unidos sinalizaram cuidadosamente sua dedicação a um dólar forte. Hoje, alguns assessores da Casa Branca falam sobre a moeda de reserva como se fosse um fardo a ser compartilhado – sob coerção, se necessário.
Inevitavelmente, isso deixa o Federal Reserve em dificuldade. Trump está pressionando o banco central a reduzir as taxas de juros. É provável que os tribunais o impeçam de demitir os diretores do Fed como bem quiser, mas ele poderá nomear um novo presidente mais complacente em 2026. Enquanto isso, as outras políticas de Trump – como o envio de migrantes para El Salvador sem audiência ou a perseguição a escritórios de advocacia que o desagradam – fazem pensar que os direitos dos credores estrangeiros podem ser prejudicados.
Tudo isso criou um prêmio de risco para os ativos americanos. O mais chocante é que também está fácil imaginar uma crise total no mercado de títulos. Os estrangeiros possuem US$ 8,5 trilhões da dívida pública, um pouco menos de um terço do total; mais da metade desse valor está nas mãos de investidores privados, que não podem ser persuadidos pela diplomacia ou ameaçados com tarifas. Os Estados Unidos precisam refinanciar US$ 9 trilhões de dívidas no ano que vem. Se a demanda por títulos do Tesouro enfraquecer, o impacto será rapidamente transmitido ao Orçamento, que, devido à dívida alta e aos vencimentos curtos, é sensível às taxas de juros.
O que o Congresso faria, então? Quando os mercados entraram em colapso durante a crise financeira global e a pandemia, a Casa agiu com firmeza. Mas essas crises exigiam que gastasse, não que impusesse cortes. Desta vez, o Congresso precisaria cortar os direitos previdenciários e aumentar os impostos rapidamente. Basta conferir a composição do Congresso e da Casa Branca para perceber que os mercados talvez precisassem fazer muita pressão para que enfim o governo chegasse a um consenso sobre o que fazer. Durante esse momento de hesitação, o choque poderia se espalhar dos títulos do Tesouro americano para o restante do sistema financeiro, provocando calotes e estouros de fundos de hedge. É o tipo de comportamento que se esperaria de um mercado emergente.
O Fed, por sua vez, enfrentaria um dilema doloroso. Poderia comprar ativos para estabilizar o navio. Mas evitaria dar a impressão de estar monetizando a dívida de um governo sem credibilidade – medida especialmente arriscada quando a inflação está alta. Conseguiria encontrar o equilíbrio entre empréstimos emergenciais e financiamento monetário? E se o Fed não estivesse socorrendo Trump, o presidente aprovaria que o banco central emprestasse dólares a bancos centrais estrangeiros sem liquidez, como costuma fazer em momentos de crise?
Uma moeda é tão boa quanto o governo que a respalda. Quanto mais tempo o sistema político americano passasse fracassando no enfrentamento de seus déficits ou flertando com regras caóticas ou discriminatórias, maior a probabilidade de uma reviravolta sem precedentes empurrando o sistema financeiro global para território desconhecido. Mesmo que as coisas se acalmassem, a redução do papel do dólar seria uma tragédia para os Estados Unidos. É verdade que alguns exportadores se beneficiariam de uma moeda mais fraca. Mas a primazia do dólar reduz o custo de capital para todos, desde famílias que querem comprar seu primeiro imóvel até empresas de ponta.
Mordendo a mão que financia
O mundo sofreria porque não existe nada igual ao dólar – apenas imitações baratas. O euro é lastreado por uma vasta economia, mas a Zona do Euro não produz ativos seguros o suficiente. A Suíça é segura, mas pequena. O Japão é grande, mas tem dívidas gigantescas. Ouro e criptomoedas carecem de respaldo estatal. À medida que os investidores experimentassem um ativo e depois outro, a busca por segurança poderia gerar altos e baixos desestabilizadores.
O sistema dólar não é perfeito, mas fornece a base estável sobre a qual se ergue a economia globalizada de hoje. Quando os investidores duvidam da credibilidade dos Estados Unidos, essas fundações correm o risco de ruir.

Putin e Lula conversam por telefone e reforçam aproximação entre Brasil e Rússia (Diário da Guanabara)

 Lula não vê nenhum problema em que Putin seja um criminoso de guerra; se pudesse o traria ao Brasil (já quis fazê-lo no G20 de 2024). A diplomacia de Lula possui algum sentido moral? Aparentemente nenhum:

Putin e Lula conversam por telefone e reforçam aproximação entre Brasil e Rússia

Diário da Guanabara, 16/04/2025

Neste cenário, o Brasil busca manter uma política externa multilateral, voltada ao diálogo com diferentes blocos.


Ou seja, para Lula não há nenhum problema em “estreitar relações” com um procurado pelo TPI.  PRA


Continuidade da matéria:

“O presidente da Rússia, Vladimir Putin, informou nesta segunda-feira (15) que conversou por telefone com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita durante uma reunião com chefes municipais russos, na qual Putin destacou a importância de expandir os laços diplomáticos com diferentes parceiros ao redor do mundo.

“Acabei de falar com o presidente do Brasil. Temos contatos muito próximos, e nossos amigos e parceiros são sempre a favor de expandir esses contatos”, afirmou o líder russo, demonstrando disposição para intensificar a cooperação bilateral com o Brasil.

A conversa ocorre em um momento de reforço nas relações diplomáticas entre os dois países. No fim de março, o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, confirmou que Lula deve visitar a Rússia em maio para se reunir pessoalmente com Vladimir Putin. A visita é aguardada com expectativa, especialmente diante do cenário geopolítico atual e do papel do Brasil como articulador em fóruns internacionais como os BRICS.

Além da pauta diplomática, a viagem poderá envolver discussões sobre comércio, segurança alimentar, energia e parcerias estratégicas, temas de interesse mútuo que vêm ganhando destaque nas trocas entre Brasília e Moscou.

A aproximação entre Brasil e Rússia ocorre num contexto global marcado por tensões entre potências ocidentais e o Kremlin. Neste cenário, o Brasil busca manter uma política externa multilateral, voltada ao diálogo com diferentes blocos.

A Presidência brasileira ainda não divulgou detalhes oficiais da agenda da viagem de Lula à Rússia, mas a expectativa é de que o encontro reforce os laços estratégicos entre os dois países e fortaleça a atuação conjunta no cenário internacional.”

Pope Francis was a globalist in an age of nationalists - Ishaan Tharoor (WP)

 

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Duda Teixeira transcreve artigo de Mario Vargas Llosa, de 2007, sobre a relação Lula-Chávez (Revista Veja)

 

07/10/2010 15h02 - Atualizado em 07/10/2010 15h03

Em artigo de 2007, Vargas Llosa critica apoio de Lula a Chávez; leia a íntegra

'Sabres e utopias', do peruano Nobel de literatura, reúne textos políticos.
Artigo de junho de 2007 é inspirado em leitura de revista e jornais brasileiros.

Capa de 'Sabres e utopias', de Vargas LlosaCapa de 'Sabres e utopias', de Vargas Llosa (Foto:
Divulgação)

Em seu livro mais recente, "Sabres e utopias", (editora Objetiva) o peruano Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel,  escreve artigos sobre política, direitos humanos, história e literatura. Ele também aborda o Brasil, como no texto abaixo, de junho de 2007, em que critica a relação do governo Lula com Chávez. Confira o artigo na íntegra:

O SOCIALISMO DO SÉCULO XXI

Diferentemente do que ocorre em outros países, onde a imprensa escrita perde leitores e publicidade e, em consequência, empobrece, no Brasil ela parece gozar de ótima saúde. É a impressão que me fica de uma semana intensa passada nesse país, entre o Rio de Janeiro e São Paulo (com direito a uma rápida escapada até o pequeno paraíso de Búzios), durante a qual,
fiel à minha vocação de leitor inveterado de jornais, tomei café da manhã todos os dias mergulhado nas abundantes páginas de "O Globo", "O Estado de S.Paulo" e "Folha de S.Paulo", os três principais jornais do país. Excelentes, os três. Bem escritos e otimamente diagramados, com rica informação local e internacional, bons colunistas, pouco sensacionalismo e quase nenhuma fofocagem. A única coisa a lamentar é o pouco espaço dedicado à cultura, algo de que os três padecem — mas já sabemos que isso é, hoje, uma doença mundial.

A imprensa brasileira, escrita e televisiva, reagiu com muita força e condenou de maneira severa o fechamento da Radio Caracas Televisión pelo aprendiz de ditador venezuelano Hugo Chávez. Até o Senado brasileiro fez a mesma coisa, numa atitude que o enobrece, sobretudo considerando os escrúpulos e silêncios covardes de outros parlamentos latino-americanos
diante da violação cometida por Chávez com a intenção de acabar com o pluralismo da informação e com a liberdade de expressão na Venezuela. Lamentável, isso sim, é o apoio que Chávez recebeu do presidente Lula, que justificou o fechamento da RCTV, para não despertar a ira do caudilho venezuelano, numa atitude que felizmente recebeu muitas e justas críticas da imprensa brasileira. De resto, não existe o menor risco de que Lula imite Hugo Chávez: embora lhe mande beijinhos escancarados e simule, por vezes, apoiá-lo, sua política vai no sentido exatamente oposto ao da estatização e do coletivismo econômico que o destemperado comandante aplica em seu país, decidido, pelo visto, a produzir na Venezuela uma catástrofe econômica e institucional semelhante à gerada no Peru pelo general Juan Velasco Alvarado, mais um dos mentores e modelos de Hugo Chávez, além de Fidel Castro.

Lula optou por um socialismo moderno, à moda europeia, ou seja, por um socialismo que dele só mantém mesmo o nome, pois apoia o investimento estrangeiro e o mercado, a abertura econômica e a empresa privada. E é por isso que os empresários brasileiros estão satisfeitos com ele: sabem que suas declarações esporádicas de simpatia em relação a Chávez são meras concessões retóricas à esquerda radical com vistas a aplacá-la — sem nenhum sucesso nesse sentido, aliás, pois ela já o ataca por considerá-lo um traidor da revolução. São os paradoxos do tempo em que vivemos: Lula, campeão do capitalismo para uma direita econômica brasileira que vê no ex-sindicalista a melhor defesa contra o “socialismo do século XXI” proposto por Hugo Chávez.

O último número da revista "Veja" — com uma tiragem de um milhão e duzentos mil exemplares por semana — contém uma excelente reportagem investigativa sobre esse “socialismo do século XXI” inventado pelo comandante Hugo Chávez e que ele, a golpe de petrodólares, empenha-se em disseminar por toda a região. O texto, assinado pelo jornalista Duda Teixeira, que averiguou os dados in loco, é preciso. Alguns exemplos ali expostos demonstram a velocidade e a obscenidade com que os colaboradores políticos mais próximos do caudilho-paraquedista enriqueceram no poder. O psiquiatra Jorge Rodríguez, vice-presidente nomeado por Chávez, é dono de um luxuoso hotel na ilha Margarita, principal balneário do país. Adán Chávez, irmão do presidente e ministro da Educação, é dono de uma empresa proprietária de 1.600 caminhões e barcos de pesca, e o senhor Eudomario Carrujo, diretor financeiro da poderosa PDVSA, a companhia petrolífera estatal, possui uma frota particular de quinze automóveis de luxo, entre eles um Hummer H2, que vale cem mil dólares. Este último veículo é o preferido entre os altos funcionários chavistas, segundo admitiram à "Veja" as concessionárias de automóveis de Caracas. Luis Acosta Carlez, governador chavista de Carabobo e um dos principais arautos do “socialismo do século XXI”, perguntou sem o menor escrúpulo: “Por que
nós, revolucionários, não teríamos o direito de ter uma caminhonete Hummer H2?” Com efeito, por que não? Por acaso o presidente Brejnev, da URSS, não tinha como hobby colecionar Mercedes-Benz? Mas não são apenas os carros que estão entre as fraquezas da atual nomenclatura venezuelana. Outra delas é Miami, com seus shopping centers, boates e hotéis de luxo. Nesse quesito, registra o jornalista da "Veja", com humor, Hugo Chávez já conseguiu igualar seu herói epônimo Fidel Castro: como os cubanos, todos os venezuelanos, agora, sonham em fugir para os Estados Unidos. A diferença está em que os altos funcionários chavistas podem, sim, fazê-lo. Mas como não fica bem gastarem seus petrodólares no império contra o qual seu chefe e caudilho se destempera dia e noite, valem-se de pequenos golpes ou malandragens que o relato de "Veja" narra com inúmeros detalhes. Como o de terem dois passaportes — um
deles apenas para viagens aos Estados Unidos — ou então arrancar as páginas que contenham carimbos de entrada no inferno imperialista.

O “socialismo do século XXI” consiste, também, em um mercantilismo desavergonhado. Na Venezuela de hoje, ainda é possível ser um capitalista bem-sucedido, desde que se seja, também, um chavista servil. Como a transparência desapareceu completamente com a instalação do regime, as concessões, licitações e contratos estatais são outorgados a dedo, e, às vezes, mediante editais ou concursos manipulados. Prevalece, sempre, o critério político, conforme a velha lei de ferro das ditaduras terceiro-mundistas: “Para os amigos, todos os favores; para os inimigos, a lei.” Como, graças à política chavista, a produção industrial do país despencou, a importação de mercadorias de primeira necessidade constitui, hoje, excelente negócio. No entanto, para obter os dólares necessários, o importador precisa manter ótimas relações com o governo, já que, visando exatamente isso, estabeleceu-se o controle do câmbio, tradicional instrumento de coerção e de suborno adotado pelos governos “nacionalistas” latino-americanos.

Apesar da pavorosa realidade de corrupção, favorecimentos pessoais, demagogia e autoritarismo que relata, a reportagem da "Veja" não é totalmente pessimista. Por outro lado, confirma algo de que eu já suspeitava depois de ver a maneira corajosa com que a oposição venezuelana se mobilizou contra o fechamento da Radio Caracas Televisión: que, dessa vez, o
caudilho venezuelano deu um passo em falso e o povo venezuelano começou a abrir os olhos para o monstro que criou ao depositar sua confiança e seus votos em um demagogo que pode levar o país à ruína e a uma ditadura totalitária. As pesquisas feitas pelo Instituto Hinterlaces, de Caracas, e publicadas pela "Veja", falam por si: 78% dos venezuelanos desaprovam o antiamericanismo de Chávez; 85% condenam o financiamento político a outros países; 86% não querem um socialismo à cubana; e 86% são contra o confisco de propriedades privadas. Mais: 40% dos venezuelanos que votaram em Chávez nas eleições de dezembro passado declaram que hoje votariam contra ele.

Ainda há esperança, portanto, para a Venezuela. E podemos garantir, sem medo de errar, que o “socialismo do século XXI”, criatura típica do espadachim rasteiro, logo se esvaziará, como mais um engodo criado por essas ditaduras grotescas de que está repleta a história latino-americana.
O que levou milhões de venezuelanos a votarem a favor de Hugo Chávez em diferentes ocasiões nos últimos anos? A corrupção que corroía a democracia e a incapacidade desta última para diminuir a pobreza e as vergonhosas desigualdades sociais. Mas, em vez de optar por uma alternativa libertadora, enfiaram uma corda no pescoço apoiando uma política que, em cinco anos, triplicou a criminalidade no país, fez a inflação disparar, esbanja recursos públicos financiando o extremismo marxista em todo o continente e mantém vivo o semicadáver cubano. Mas, sobretudo, um regime que acrescentou novas e mais perniciosas formas de corrupção às
muitas que o país já trazia de antes. Neste momento, o presidente Chávez sabe que sua impopularidade cresce a cada dia. Por isso, apressa-se em fechar os poucos espaços que ainda restam, na Venezuela, para a denúncia de seus desmandos. O que aconteceu com a RCTV é apenas o começo de um processo que, como em Cuba, acabará por colocar todos os meios de comunicação venezuelanos sob o controle do Estado, à exceção, talvez, de duas ou três empresas supostamente independentes — parece ser esse, por exemplo, o caso da Venevisión, a julgar por seu abominável silêncio diante do fechamento da RCTV —, para manter a farsa do pluralismo na informação. Mas, a julgar pela valente reação que essa medida provocou no meio estudantil e popular que antes apoiava o regime, esse episódio poderia
ser, também, o início do fim da revolução chavista.

São Paulo, 14 de junho de 2007


Le Pouvoir de Dire Non - Dominique De Villepin (Le Grand Continent)

O ex-chanceler francês Dominique De Villepin elaborou um grande ensaio conjuntural e conceitual, sobre o “poder de dizer Não”, da Europa para o mundo. Louvo seu esforço, empenho e clarividência, mas, infelizmente, a França, a Europa e o mundo racional não possuem poder suficiente para dizer Não e barrar a atual prepotência dos gtandes e poderosos. Não vejo estadistas suficientes, como ele, para se juntar não só ao coro, mas aos esforços concretos para dizer não, a Putin, a Trump, a Netanyahu, a todos os déspotas que trazem morte, desgraça e sofrimento ao mundo.

https://legrandcontinent.eu/fr/2025/04/07/doctrine-villepin-le-pouvoir-de-dire-non/ 


Postagem em destaque

Nota do Instituto Diplomacia sobre o ataque americano ao Irã, que também menciona o da Rússia contra a Ucrânia

Uma nota sobre mais uma violação do Direito Internacional pelos EUA, ao atacar o Irã, que seguiu a da Rússia contra a Ucrânia...