quinta-feira, 15 de maio de 2025

“O Lula tomou para si a política externa brasileira” (e com isso escanteia a diplomacia profissional) - Elias Jabour (247)

O que alguns devotos acreditam ser uma grande coisa, pode sinalizar um declínio irremediável da qualidade da diplomacia corporativa do Brasil, independente da política externa (PRA):
“O Lula tomou para si a política externa brasileira”, diz Elias Jabbour
Brasil 247
Para Jabbour avanço nas relações com a China ocorreu apesar do Itamaraty e marca mudança estratégica no governo Lula.
247 - Em entrevista ao programa Boa Noite 247, o economista e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Elias Jabbour, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a conduzir diretamente a política externa do Brasil, deslocando o Itamaraty de um papel tradicionalmente central. “O Lula tomou para si a política externa brasileira”, declarou Jabbour. Segundo ele, esse movimento marca uma inflexão estratégica que reposiciona o Brasil no cenário internacional, especialmente em sua relação com a China e os países do sul global.
Jabbour pontuou que essa mudança vem ocorrendo “desde que o Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos”, e se consolidou com os recentes acordos entre Brasil e China, firmados durante visita oficial do presidente Lula ao país asiático. Para o professor, esses acordos não se restringem a “fogos de artifício”, mas incluem elementos concretos como a entrada da China no mercado de títulos da dívida pública brasileira — o que, em sua avaliação, pode, no futuro, ameaçar o atual monopólio da Faria Lima sobre esse setor.
“Isso já está acontecendo, ainda é residual”, explicou o economista, ao comentar o movimento chinês em direção aos papéis da dívida pública nacional. Ele destacou que não há dados públicos sobre os volumes, mas sublinhou o significado geopolítico da mudança: “o grande golaço do governo Lula na relação com a China não está nos investimentos, está nesse acontecimento aí”.
Durante a entrevista, Jabbour criticou duramente a atuação do Ministério das Relações Exteriores. “Na minha opinião, o Itamaraty é um problema seríssimo dentro desse governo”, disse. Para ele, a diplomacia brasileira mantém uma visão de mundo anacrônica, moldada por uma tradição “atlantista”, centrada nos Estados Unidos e na Europa, que não dialoga com as transformações recentes da ordem internacional. “O Itamaraty se reinventa na década de 90 com uma visão de que o mundo gira em torno dos EUA e da Europa”, afirmou.
A centralização da política externa nas mãos do presidente, segundo Jabbour, foi uma resposta a essa limitação institucional. “O salto qualitativo que o governo Lula deu nos últimos meses em relação à política externa ocorre apesar do Itamaraty”, reforçou. Ele avaliou como acertada a decisão de Lula de priorizar as relações com Rússia e China, mesmo diante de pressões internas e externas. “Se fosse entregar para o chefe do Itamaraty a decisão do Lula ir para a Rússia ou não, certamente não seria para a Rússia.”
Embora tenha reconhecido os limites dos acordos firmados com a China — muitos deles ainda voltados à exportação de commodities —, Jabbour considerou que, dadas as restrições políticas e institucionais atuais, houve um avanço real. “O golaço foi político”, disse, referindo-se à postura mais assertiva do Brasil no cenário global. Para que os acordos se traduzam em transformação produtiva e tecnológica, no entanto, ele apontou a necessidade de uma mudança profunda na forma como o país formula sua estratégia nacional. “Isso demandaria um grau de pensamento e sofisticação estratégico que não existe hoje no Brasil, nem dentro do Estado, nem dentro do governo e nem dentro da própria esquerda.”
Por fim, o professor afirmou que o Brasil começa a embarcar em um “novo mundo”, definido por fluxos comerciais e alianças políticas cada vez mais orientados pelo sul global. No entanto, advertiu que ainda há entraves estruturais, como a fragmentação do pensamento político e a ausência de uma visão estratégica de longo prazo. “Ficamos meio soltos, perdidos no mundo inteiro numa guerra comercial, tecnológica, a gente para onde que nós vamos?”, concluiu.
“O Lula tomou para si a política externa brasileira”, diz Elias Jabbour

Apresentação: Revista Brasileira de Estudos de Defesa (RBED)

Apresentação:

Revista Brasileira de Estudos de Defesa (RBED)

Caros(as) colegas da área de segurança e defesa,
Gostaríamos de apresentar a Revista Brasileira de Estudos de Defesa (RBED), periódico da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED), e contar sobre as novidades recentes nos formatos e requisitos de publicação.
Qual é o escopo da RBED?
Inserida na área das Ciências Humanas, a revista acolhe a diversidade temática e a pluralidade metodológica, teórica e conceitual que caracterizam os Estudos de Defesa no Brasil. Publicamos trabalhos relacionados à defesa nacional, segurança internacional e temas afins, como guerra e violência, estudos de paz e conflitos, relações entre forças armadas e sociedade, ciência e tecnologia no âmbito da defesa e segurança, estudos militares e estratégicos, militarismo e militarização, políticas públicas de segurança e defesa, e geopolítica, entre outros.
A RBED recebe artigos científicos e resenhas em português, espanhol e inglês em fluxo contínuo. Desde abril de 2024, adotamos o modelo de publicação contínua, no qual os trabalhos aprovados após avaliação por pares são diretamente encaminhados para edição e publicação individual, conferindo maior dinamismo e impacto às nossas publicações.
Adicionalmente, recebemos propostas de Seções Especiais em fluxo contínuo, constituídas por conjuntos de 05 a 07 artigos científicos, acompanhados de uma introdução dos(as) proponentes, abordando um problema ou debate acadêmico relevante para o escopo da RBED.
Convidamos docentes e discentes a conhecer a revista e a divulgá-la para outros(as) pesquisadores(as). Não há requisito de titulação para submissão de trabalhos, sendo todos os artigos avaliados unicamente com base no mérito e na adequação às regras previstas.
Estamos à disposição para quaisquer dúvidas!
Cordialmente,
A Equipe Editorial da Revista Brasileira de Estudos de Defesa (RBED)
Maíra Siman (PUC-Rio, Brasil) - Editora Chefe
David Succi Junior (Unesp, Brasil) - Editor Associado
Mariana Janot (Unesp, Brasil) - Editora Associada
Victória Santos (PUC-Rio, Brasil) - Editora Associada
Contato: rbed@abedef.org.br

Ao se juntar a Putin e Xi Jinping, Lula comete erros dentro e fora do País - William Waack O Estado de S. Paulo

 Ao se juntar a Putin e Xi Jinping, Lula comete erros dentro e fora do País

Gestos, palavras e posturas de chefes de Estado de países como o Brasil criam fatos políticos, e os que Lula criou em Moscou e Pequim cabem na famosa categoria de tiro no próprio pé
William Waack
O Estado de S. Paulo, 14/05/2025
https://www.estadao.com.br/politica/william-waack/ao-se-juntar-a-putin-e-xi-jinping-lula-comete-erros-dentro-e-fora-do-pais/?j=1994263&sfmc_sub=761468549&l=8503_HTML&u=61401615&mid=534001280&jb=1004&utm_medium=newsletter&utm_source=salesforce&utm_campaign=conectado&utm_term=20250515&utm_content=

Lula parece ter desenvolvido certa intimidade com os homens fortes que mais corteja no momento, Vladimir Putin e Xi Jinping. Aos quais passou a dar conselhos e pedir ajuda pessoal.
O conselho foi dado por telefone para Vladimir Putin, sobre como deveria se comportar em negociações de paz nas quais o homem forte de Moscou demonstra pouco interesse.
A ajuda foi solicitada a Xi Jinping: mandar alguém da confiança do imperador chinês ao Brasil para tratar da regulação de uma plataforma, o TikTok, à qual a mulher de Lula atribui importante atuação em favor de direitistas. Não há dúvidas de que em matéria de controle de redes sociais os chineses têm enorme expertise.
Em outras palavras, o chefe de Estado de um país democrático vai pedir ao autocrata chefe de Estado de um país que vive sob o regime de partido único o empréstimo de um especialista em controle de plataforma digital. Nesse contexto, é óbvio que “regular” virou sinônimo de “censurar”.
Lula parece ter perdido de fato a noção do seu peso relativo no cenário das relações internacionais e do que significa o pedir ajuda a um especialista chinês em controle de redes sociais. Do ponto de vista internacional Lula supõe ter voz em acontecimentos de grande alcance quando sequer é capaz de influenciar o cenário mais próximo, o da América do Sul.
Gestos, palavras e posturas de chefes de Estado de países como o Brasil criam fatos políticos, e os que Lula criou em Moscou e Pequim cabem na famosa categoria de tiro no próprio pé. Em Moscou e Pequim Lula assumiu um lado no grande confronto geopolítico atual, apesar de dizer o contrário.
Não percebeu que, para o Brasil, a neutralidade pragmática tem mais inteligência estratégica embutida do que assumir, como fez na prática nas duas capitais, que o Brasil tem um “lado” nesse perigoso confronto que acompanha a dissolução da ordem internacional.
Do ponto de vista doméstico, embaralhou uma discussão já bastante complicada envolvendo Legislativo e o STF sobre a regulação de redes sociais. Há exemplos de países democráticos (como a Alemanha, o mais conhecido deles) que contém dispositivos constitucionais cerceando a liberdade de divulgação de determinados símbolos e conteúdos políticos (no caso, nazistas).
Há um considerável esforço internacional, envolvendo algumas das melhores cabeças no campo do direito, para estabelecer quais mecanismos permitiriam garantir o direito fundamental de opinião e bloquear nas redes sociais conteúdos criminosos e repulsivos. A China é um exemplo de censura, não de regulação.
O problema com a perda de noção é o de ser acompanhada pela perda do senso de ridículo.

Opinião por William Waack
Jornalista e apresentador do programa WW, da CNN

O Estado brasileiro é o principal inimigo dos brasileiros (os pequenos), segundo Ricardo Bergamini, Carlos Andreazza

O Estado brasileiro é o principal inimigo dos brasileiros (os pequenos), segundo Ricardo Bergamini:

Prezados Senhores,
No serviço público existe o crescimento vegetativo dos gastos com pessoal, assim sendo mesmo sem qualquer interferência do governante de plantão, os gastos com pessoal crescem com benefícios imorais existentes (promoções automáticas, quinquênios, licença prêmio, dentre centenas de outras aberrações ainda existentes no Brasil). Além do efeito cascata, qual seja: os aumentos no nível federal são automaticamente concedidos nos níveis estaduais e municipais.

Em 2002, os gastos com pessoal consolidado (união, estados e municípios) foi de R$ 198,7 bilhões (13,35% do PIB), representando 41,64% da carga tributária. Em 2023 migrou para R$ 1.576,4 bilhões (14,52% do PIB), representado 43,27% da carga tributária. Crescimento real em relação ao PIB de 8,76% e de 3,91%, em relação à carga tributária.

Um grupo de trabalhadores de primeira classe (servidores públicos) composto por 13,5 milhões de brasileiros (ativos, inativos, civis e militares) que representam apenas 6,65% da população brasileira, sendo 2,2 milhões federais, 4,9 milhões estaduais e 6,4 milhões de municipais custaram R$ 1.576,4 bilhões em 2023, correspondentes a 14,52% do PIB. Esse percentual representou 43,27% da carga tributária.

Na história do Brasil a nação sempre foi refém dos seus servidores públicos (trabalhadores de primeira classe), com os seus direitos adquiridos intocáveis, estabilidade de emprego, longas greves remuneradas, acionamento judicial sem perda de emprego, regime próprio de aposentadoria (não usam o INSS), planos de saúde (não usam o SUS), dentre muitos outros privilégios impensáveis para os trabalhadores de segunda classe (empresas privadas). Com certeza nenhum desses trabalhadores de primeira classe concedem aos seus empregados os mesmos direitos imorais.

A composição da Carga Tributária dos Estados Unidos tem como base 84,11% de sua arrecadação incidindo sobre a Renda, Lucro, Ganho de Capital, Folha Salarial e Propriedade (classes privilegiadas da nação americana), e o Brasil 58,85% e apenas 15,89% incidindo sobre Bens e Serviços (arroz, feijão, remédios, transportes e educação), e o Brasil 41,15%. Com uma Carga Tributária total de apenas 27,7 do PIB, e o Brasil de 33,3% do PIB.


Ilustríssimo privilégio: 'Castigo' a juízes custa R$ 60 milhões por ano e tem distorções em relação à aposentaria do INSS

Estadão Analisa com Carlos Andreazza
10 de mai. de 2025
SIGA O PROGRAMA NAS PLATAFORMAS DE ÁUDIO: https://open.spotify.com/show/20Mxy5Tjju7Sq49AHJ2ESf?si=696f3f929ec84437

A aposentadoria compulsória é a pena mais “dura” que um magistrado ou membro do Ministério Público pode sofrer. Esse punição implica, na verdade, garantir remuneração vitalícia aos servidores que foram afastados do serviço público por darem decisões ou terem atitudes que não condizem com os seus ofícios. No episódio desta semana do Ilustríssimo Privilégio, o repórter Weslley Galzo rememora o caso da primeira aposentadoria compulsória realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e compartilha os dados dos custos dessa “punição” para os cofres públicos. Estima-se que o gasto anual apenas com juízes, desembargadores e ministros seja de R$ 59 milhões. Como mostrou o Estadão, 123 juízes foram aposentados compulsoriamente pelo CNJ ou por seus respectivos tribunais, desde 2006. Levantamento realizado pelo Estadão mostra que apenas o Conselho foi responsável pelo afastamento de 88 magistrados. Outros 35 tiveram punição definida por tribunais regionais ou estaduais. ASSINE O ESTADÃO:Seja assinante por R$1,90/mês e tenha acesso ilimitado ao nosso conteúdo.

Artigo completo clique abaixo:

https://pt.everand.com/podcast/859826395/Ilustrissimo-privilegio-Castigo-a-juizes-custa-R-60-milhoes-por-ano-e-tem-distorcoes-em-relacao-a-aposentaria-do-INSS 

Lições da China para o Brasil - Jorge Arbache (Valor Econômico)

 Lições da China para o Brasil

Vantagens naturais, se combinadas a estratégias, podem ser convertidas em poder produtivo, comercial e até geopolítico

Jorge Arbache

É professor de economia da Universidade de Brasília e foi vice-presidente de Setor Privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF)

Valor Econômico, 15/05/2025


        A elevada dependência da China por importação de energia para tocar o seu crescimento se converteu em um dos seus principais pontos de vulnerabilidade estratégica. No entanto, em vez de tratar essa limitação apenas como um problema a mitigar, a China transformou a sua insegurança energética em um dos motores de industrialização, inovação tecnológica e até liderança global.

        O que poucos anteciparam foi que aquela transição, movida por uma necessidade defensiva, se tornaria uma ofensiva econômica de longo porte e alcance. E é justamente aí que reside uma lição essencial para o Brasil: a de que vantagens naturais, se combinadas a estratégias, podem ser convertidas em poder produtivo, comercial e até geopolítico.

        De fato, a China se tornou o maior importador mundial de petróleo por volta de 2017, boa parte transitando pelo Estreito de Malaca, um gargalo vulnerável a tensões geopolíticas. Mas a China talvez seja ainda mais vulnerável aos efeitos de um eventual conflito internacional que dificulte o trânsito de suprimentos pelo Mar da China. Para um país que persegue soberania estratégica, essa dependência poderia ser considerada inaceitável.

         A China buscou reduzir essa vulnerabilidade não apenas substituindo fontes de energia, mas criando todo um novo ecossistema industrial em torno de tecnologias limpas: energia solar e eólica, baterias, veículos elétricos, hidrogênio, infraestruturas digitais verdes e muito mais. Trata-se de uma mudança de paradigma. A transição energética não foi tratada apenas como uma exigência ambiental, mas como parte de um projeto de autonomia, modernização produtiva e inserção internacional ativa.

        O governo chinês articulou instrumentos de política industrial, inovação e comércio para dar suporte e catalisar aquela transformação: planejamento de longo prazo com metas específicas para fontes renováveis, eficiência energética e tecnologias emergentes; demanda doméstica estruturada, com incentivos para geração solar, aquisição de veículos elétricos, desenvolvimento de redes de carregamento e políticas de compras públicas; formação de campeões nacionais, com apoio financeiro, regulatório e tecnológico a empresas; controle das cadeias críticas, com domínio do refino e processamento de minerais como lítio, cobalto, terras raras e grafite; e financiamento externo como projeção de influência, com exportação de equipamentos e infraestruturas por meio da Iniciativa do Cinturão e Rota. Esta última, parte da resposta chinesa às suas vulnerabilidades estratégicas, não por acaso mirou investimentos logísticos de conectividade para o oeste da Ásia.

        Como resultado, a China está ampliando significativamente a sua matriz renovável e construiu liderança global em cadeias de valor fundamentais para levar adiante a agenda de mudança climática - em 2024, 2/3 dos novos investimentos em renováveis em nível global tiveram lugar na China. Assim que, de importadora líquida de energias, a China passou a ser exportadora de soluções energéticas limpas. Tudo isto ajuda a explicar o presidente Xi estar assumindo protagonismo mundial na agenda climática.

        O superávit comercial e tecnológico gerado por essa industrialização verde passaria, portanto, a financiar, em alguma medida, o próprio projeto de autonomia e segurança energética. Se a agenda do clima fortalece a posição política e econômica da China, é plausível supor que isso ajude a explicar por que os Estados Unidos se afastaram do Acordo de Paris e de outras iniciativas climáticas.

        O Brasil, ao contrário da China, não parte de uma condição de escassez energética. Ao contrário: tem uma das matrizes mais limpas do mundo, com cerca de 90% da eletricidade gerada a partir de fontes renováveis. Além disso, tem vastos capitais e recursos naturais, como sol, vento, água doce, biomassa, florestas, biodiversidade, terras férteis e muitos minerais críticos, incluindo nióbio, cobre, lítio, grafite e minério de ferro de alto teor, além de grandes reservas de terras raras. O país também tem reconhecida capacidade industrial, universidades e empresas com experiência em tecnologia e produção.

         Transição energética e capital natural, quando bem articulados, são mais do que uma mudança de matriz

          A grande diferença está na forma como essas vantagens são mobilizadas. Enquanto a China usou a transição energética como eixo de política de desenvolvimento nacional, o Brasil ainda trata essas vantagens majoritariamente como ativos a serem explorados de forma primária, imediatista e predatória, com baixa agregação de valor, fragmentação institucional e ausência de estratégia coordenada.

         Mas isso pode mudar. A nova lógica de realocação produtiva no mundo, movida pela busca por cadeias mais verdes, seguras e resilientes, abre espaço para a estratégia do powershoring: a tendência de multinacionais e países relocalizarem indústrias intensivas em energia em lugares com abundância de energia limpa, segura e barata.

        O Brasil, com a sua farta energia renovável, pode atrair indústrias eletrointensivas verdes como siderurgia, alumínio, biocombustíveis, fertilizantes, dentre tantos outros setores verdes e respectivas cadeias de valor. Isso, no entanto, exige planejamento, infraestrutura e uma política industrial moderna baseada em sustentabilidade, inovação, tecnologia e agregação de valor. A resposta seria a política de industrialização das vantagens comparativas, que congrega interesses comuns do agro, manufatura, serviços e mineração.

        A lição da China é clara: recursos naturais e energias limpas só se transformam em desenvolvimento se forem articulados a uma estratégia econômica coordenada. Para que o Brasil aproveite essa oportunidade, alguns elementos são fundamentais: visão de longo prazo, fazendo da transição energética e do capital natural eixos estruturantes do desenvolvimento nacional, e não subprodutos; industrialização verde, apoiando cadeias produtivas em torno da energia limpa - do agro sustentável à mobilidade elétrica, passando pela química verde, mineração responsável e digitalização; conversão dos imensos e ricos capitais naturais em asset class; financiamento público e privado direcionado, usando bancos públicos, concessões e marcos regulatórios para destravar investimentos em setores estratégicos; integração internacional inteligente, participando ativamente das novas cadeias globais de valor limpas, usando diplomacia econômica e comercial para atrair parcerias e empresas; e inovação como motor, investindo em ciência, tecnologia e capacitação profissional para garantir que o Brasil seja fornecedor de soluções, e não apenas de commodities. Os Brics e a COP30 poderiam ser plataformas para aquelas agendas.

         O que a China nos mostra é que a transição energética e o capital natural, quando bem articulados, são mais do que uma mudança de matriz: são uma estratégia de desenvolvimento, uma ferramenta de soberania e uma fonte de poder geopolítico. O Brasil tem muitos dos recursos que o mundo busca na era da descarbonização, mas, ao contrário da China, ainda não tem uma estratégia clara para converter essas riquezas em tecnologia, inovação, renda, emprego qualificado e liderança global e, assim, em redução de pobreza e desigualdade e promoção de um desenvolvimento amplo, compartilhado e limpo. Está na hora de o Brasil fazer da abundância uma alavanca estratégica. A janela de oportunidade está aberta, mas talvez não permaneça assim por muito tempo.

 https://valor.globo.com/opiniao/coluna/licoes-da-china-para-o-brasil-1.ghtml

Jorge Arbache é professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) e escreve mensalmente às quintas feiras neste espaço.

The "DeepSeek Moment:" Understanding China’s Technological Leap and America’s Crisis of Confidence - KAISER Y KUO (Sinica)

 

The "DeepSeek Moment:" Understanding China’s Technological Leap and America’s Crisis of Confidence

This is a talk I delivered at Carnegie Mellon University on April 17, 2025. Full text follows!

How many times do we have to be shocked by China's technological achievements before we finally stop being shocked?

This latest trade war we now find ourselves in has focused American attention once again on China. And once again, we’re seeing across broad swaths of American society a sense of astonishment, of disbelief, of, well, shock — and in some quarters a disquieting reckoning with uncomfortable truths about relative power between the U.S. and China, especially regarding technological power.

More and more Americans are coming to grips with the reality that China isn’t just a low-cost manufacturer of shoddy, low-tech goods, leveraging cheap and plentiful labor to make socks, toys, and Christmas ornaments, but rather a global hub of advanced manufacturing that’s churning out the best electric vehicles, the most feature-packed smartphones, the most amazing and affordable humanoid robots, and drones, and some highly disruptive AI Large Language Models to boot.

So why are Americans continually surprised by Chinese technological achievements? Why did the advent of DeepSeek so blindside people in the U.S., especially those who pay close attention to tech and developments in generative AI?

Part of it, I’m forced to conclude, is about the hubristic confidence of so many Americans that certain domains are just ours to lead. These include cultural influence, scientific discovery, turning any location into a drive-through, and having impossibly white teeth — but another one we've just gotten used to dominating is technological innovation.

The sudden emergence of DeepSeek — and I'm using this as shorthand for a whole cluster of realizations about China's technological capabilities — isn't just about "surprise." For many Americans, it strikes at something even more fundamental to the American self-conception. There's something about China's rapid rise to become a near-peer, multidimensional competitor that fundamentally bothers Americans in a way that they often can't fully articulate. Something, as I've often said, just sticks in the American craw about China's rise.

This goes well beyond what the USSR represented during the Cold War, or what Japan represented in the 1980s. While they may have been military peers (the Soviet Union) or serious economic competitors (Japan), neither was both a military and economic competitor. China represents something unprecedented: a true multidimensional peer competitor, one that challenges us not just militarily or economically, but across the full spectrum of national power.

It’s not all that surprising, then, that China’s rapid ascent to technological parity would cause us considerable psychological discomfort — especially in the face of our efforts to starve China of key tech inputs, with strict export controls on things like the latest Nvidia GPUs, or the EUV lithography equipment they would need to manufacture semiconductors at advanced production nodes. The jury is out on how much these efforts actually did slow Chinese development, but what should be clear by now, I hope, is that these policies have lit a fire and created incentives for Chinese engineers — and perhaps just as importantly, financiers — to redouble their efforts. Personally, my bet is that a decade from now we’ll see that, just as with mobile payments, or 5G networks, or high-speed rail, China will have leapfrogged us. We’ll look back at the export controls and realize that this was a feckless policy that forced the frog to leap.

It’s also not at all surprising, given China’s remarkable surge happening at this moment of faltering American confidence, that there’s been an awful lot of copium being generated and consumed in America. DeepSeek, as I recently joked, seems to have touched off a genuine copioid epidemic in America. I’m not going to weigh in on technical matters about the extent to which DeepSeek distilled output from other LLMs in training, but boy it’s clear to me that there are a lot of people telling self-soothing stories to assure themselves that this was a fluke, or the result of IP theft, or unfair, market-distorting government intervention. This is a problem that goes all the way up to the top, and our failure as a nation to reckon with the reality has put us at a huge disadvantage in the current trade imbroglio.

We as a country need to have a good long think about why we’re perpetually surprised by Chinese progress. I should point out that this isn’t just about AI, but also renewable energy (where China has, for two years now, installed more solar and wind in a year than there was total in the rest of the world), in electric vehicles (where China makes and drives more than half the world's EVs, and they're both affordable and amazingly high-quality), and for some time now China’s high-speed rail network, its drones, its crazy tri-folding tablets that turn into phones, its super apps like WeChat/Weixin and Alipay.

How much does racism or orientalism come into play? The stereotype of Chinese people (and East Asians more broadly) as “copycats” or “automatons” lingers. East Asian classical musicians still suffer from this stereotype that while technically competent, they somehow lack “feel,” but blind auditions for orchestras prove that racial prejudice plays a big part in this. The idea that they somehow lack originality blinds us to abundant creativity and ingenuity.

One of the reasons why we’re perpetually surprised has to do with the way that we get our news about China. I don't believe that this is some deliberate smear job that "the Western media" is perpetrating against China. I think that there are really complex structural reasons that boil down mainly to how few on-the-ground reporters there are to cover such a vast and variegated country. But for now, I want to focus just on one aspect of what we get wrong in the way that we report on China, and thus in the way that we read about and understand China. And that is the fact that we have for so very long reported China as mainly a political story.

Think about, for those of you who remember, the way that the pandemic in China was reported: It went from "China screwed up and didn't transparently report the outbreak of this novel coronavirus, and that was because of its regime type — an authoritarian regime, you see, disincentivizes reporting up of bad news" in the early months of 2020, to "China is handling the spread of this virus impressively well while we've dropped the ball in America, and that's because of its regime type — an authoritarian regime, you see, is able to mobilize its massive state capacity for things like contact tracing, mass testing, and draconian measures like localized lockdowns," and then by early 2021 to "China is clinging to this pointless zero-COVID policy, and that's because of its regime type — an authoritarian regime, you see, generates enormous inertia and policies like zero-COVID take on a life of their own and the Party is addicted to the control it exercises," and then in November 2022, "China is on the brink of revolution because all these young people are protesting, and that's because of its regime type — an authoritarian regime, you see, is inherently brittle and all it takes is a few street protests to bring it all crashing down," to almost right away, "China has reversed its zero-COVID policy and lots of people are suddenly dying, and that's because of its regime type — an authoritarian regime, you see, can make sudden, arbitrary and inexplicable policy lurches like this, and hide all these deaths but we know better."

This doesn't even touch on the whole COVID-origins controversy, onto which all sorts of politics has constantly been projected. There was actually merit to some of these claims, and I certainly wouldn't argue that reporting something like the pandemic should have ignored the political angle. But that's basically all we had: There was very little reporting covering it from a purely public health perspective, for instance. But the fact is, our reporters in China are mainly trained to be political reporters.

So when it comes to writing about Chinese technology, too often stories about companies like Tencent, BYD, or Huawei are overshadowed by political narratives. Technological or industrial achievements are framed as outcomes of state policy, not business acumen or innovation.

To understand why this technological rivalry provokes such anxiety, we need to examine how China's ascent has systematically dismantled several of what I would call the “load-bearing pillars” of American exceptionalism. But first, let's talk about exceptionalism itself — both the American and Chinese varieties, because both countries have exceptionalist notions about themselves, similar in some ways but diverging in very, very important ways as well — because they frame our entire understanding of this technological competition.

American exceptionalism: You’ve all heard the phrase, yes?

Anyway, this idea of “exceptionalism” posits that our values and institutions aren't just unique, but universally applicable — valid for all people in all times. It's inherently proselytizing; we feel compelled to spread these values, sometimes with messianic fervor, occasionally at gunpoint. These aren't all necessarily negative impulses: consider the outsize sense of responsibility that Americans often feel (or did until fairly recently) — how we feel compelled to stand up for the oppressed and the wretched of the world. Though, alas, this also shades into our urge to bring the light of reason to the benighted and the sword of justice to those we deem wicked.

Chinese exceptionalism, by contrast, tends toward particularism. While China certainly sees itself as having a unique place and role in human history, it generally views its values and institutions as specific to China, the product of its unique history, geography, and society. Many Chinese take a perverse pride in how supposedly difficult their language is — where else are there TV shows built on the basic idea, "Look! Here are some especially clever foreigners who are actually able to speak passable Chinese!" The "inscrutable Oriental" is a racist archetype we all hoped would be condemned to the dustbin — yet even in the in-group, the idea that "It's a Chinese thing, you wouldn't understand" stubbornly persists.

This difference might seem academic, but it's crucial to understanding the tech rivalry. Because when China started succeeding in ways that violated our assumptions about how the world should work, it didn't just surprise us — it threatened our fundamental worldview.

Consider how many axioms of American exceptionalism China has knocked down in recent years. We believed, almost as an article of faith, that a successful market economy was only possible under a democratic political system. Along came China with its authoritarian capitalism and, as former Ambassador Chas Freeman once said, like that bumblebee that aerodynamic theory says shouldn't be able to fly, somehow it does anyway.

We had two major beliefs about the relationship between technology and politics, and also numbered among the axiomatic pillars of American exceptionalism. First, we believed that the democratization of tech — particularly social media — would sound the death knell for autocracies everywhere. Some of you were too young, but perhaps some of you remember how every uprising got labeled a "Twitter Revolution" or "Facebook Revolution"? That narrative completely inverted around 2016, after the disillusionment of the Arab Spring, the Snowden revelations, and Russian election interference. Suddenly, technology wasn't the great liberator but the faithful handmaiden to authoritarianism.

The second belief was about innovation itself. We were convinced that genuine innovation was only possible under conditions of political freedom — that the free flow of information and unfettered exchange of ideas were necessary prerequisites for technological advancement. As recently as 2013 and 2014, then-Vice President Joe Biden delivered several graduation addresses assuring audiences that because we Americans had freedom, we would always lead in innovation. Political liberty was thus seen not just a necessary condition but a sufficient one.

When we believed these things, we often had China in mind. From Bill Clinton, who laughed at Chinese efforts at internet censorship, joking that trying to censor the internet would be like “trying to nail Jell-O to a wall — good luck with that” to, a decade later, his wife Hilary, then serving as Obama’s Secretary of State, who made the promotion of internet freedom a major goal of American policy, and announced State Department funding for innovative technologies meant to break through China’s Great Firewall. When we spoke of political freedom as a necessary condition for innovation, we were also most often thinking of China. Being unfree, they could only copy, never create.

Until, quite suddenly, they could.

There are other pillars of American exceptionalism that China has weakened or entirely dismantled just by defying the assumptions inherent in those pillars. We were the world’s great champion of free trade, until suddenly China seemed to be outdoing us in that arena, and today pushing the idea of free trade agreements, even modest bilateral ones, is a non-starter with both parties in America. Perhaps the conspicuous folly of the Trump tariffs will shock us back into sense. But note that this was always all about China — the “China Shock” that supposedly suppressed wages, hollowed out American manufacturing, and flooded our shelves with cheap goods.

We were also dead-set against industrial policy — while practicing it often along the way, to be sure, but at least against it officially. The reason we cited was that it supposedly didn’t work: free markets, not governments, were supposed to pick national champions and steer investment into the right industrial sectors. But that, too, changed suddenly, and again this has been due entirely to China. Back in the Biden administration — can you remember that far back? — we were freaking out about China and then before we knew it we were embracing industrial policy, whether the Chips & Science Act or the Inflation Reduction Act — and we were embracing it without having had a national conversation about it. And while some of this may perish under Trump, we should probably note that his administration is allocating $500 billion to “Stargate.”

I’ve argued elsewhere that it’s this combination of sledgehammer blows to these pillars of exceptionalism, all delivered effectively by China, that has so badly weakened our confidence and made us so anxious and panicked over China. This growing pessimism over American exceptionalism is tied to a deep pessimism I’ve seen in America and much of the West toward technology — and that contrasts with the way tech is regarded in China. I would argue that China’s persistent techno-optimism really matters in China’s surging technology prowess.

Not long ago I interviewed one of the leading experts on AI in China, Jeff Ding, who teaches at George Washington, about his excellent book called Technology and the Rise of Great Powers. He puts forward a simple but quite persuasive argument that it isn’t actually the cutting-edge, zero-to-one miraculous innovation of the sort we imagine ourselves as Americans to be uniquely capable that is the true source of national strength. Rather, it’s the ability to diffuse technology throughout different industry sectors, to see it embraced and utilized. This is especially true with the really foundational “General Purpose Technologies” that define different industrial revolutions, from steam power to electricity to the digital revolution and the internet to, today, artificial intelligence. I agree with him. His book looks at how well institutions in different countries function in diffusing technology, and that’s certainly one important factor. But I wish he’d also talked about something else I think is also, and perhaps even equally, important in facilitating diffusion of technologies in a society.

In short, technologies are innovated, developed, deployed, and consumed within a social and cultural context, and I strongly believe that this context differs from nation to nation, and that this really matters. Attitudes toward technology, toward technologists — the stories we tell ourselves, the heroes we hold up, the fears or hopes we invest technology with — all of this matters. Here in the West, I believe for some time we've been in what I like to call our "Black Mirror" phase — deeply suspicious of tech's dark potential, worried about surveillance capitalism, concerned about AI's existential threats. Some of our most prominent technologists, from Bill Gates and Elon Musk to the late Stephen Hawking, have offered dire warnings about letting AI slip the leash. This is not by any means to say that such misgivings and concerns are misplaced. I think it’s important to be thinking about AI ethics and safety. But we have to be honest: our technopessimism does have an effect.

China, meanwhile, is still in its "Star Trek" phase, where technology represents progress, possibility, and improved lives. You just don't hear those dystopian warnings from their leading figures — and not primarily because of censorship, if that’s what you’re thinking. It's much more prosaic: For most Chinese people, technological advancement has correlated directly with improved living standards. The faster and more powerful your networked device became, the better your life got. While we've been wringing our hands about social media's effects on democracy, they've been watching their quality of life improve in lockstep with technological progress.

The societal attitudes toward technology in China are deeply rooted, and the impact of those attitudes is profound. When technologies are valued and technological prowess is seen as the key to national wealth, power, security, and dignity; when technologists enjoy respect, privilege, and handsome remuneration; and when the leadership itself truly prioritizes technology, this can supercharge a nation's tech sector. Such conditions prevailed in the U.S. in the decades after the Second World War, especially after Sputnik. And they've prevailed in China throughout the period of Reform and Opening, and to the present.

Consider education: China is on track to graduate about 12.2 million college students this year, up by a whopping 430,000 from the year before. These are four-year degree programs with a bachelor's degree or equivalent. Of those, yes, only about 16% are in a strictly-defined STEM field. The good news for America is that it actually has a higher percentage of STEM students graduating each year, but the total number of graduates is much smaller: only about two million a year from undergraduate programs, and so even with about 20% in STEM fields, China is graduating close to 2 million STEM students a year to the US’s 400,000. That’s five times as many.

Perhaps even more significant is the percentage of people in government who have four-year degrees in the natural sciences. China remains one of the most thoroughly technocratic countries in the world, with something like 75% of high office holders having bachelor's degrees or above in the natural sciences or engineering.

Another major factor I just can’t emphasize enough is the role of manufacturing in China's innovation ecosystem. One of my favorite thinkers on these things, a guy named Dan Wang, offers a brilliant metaphor: You could put someone in a state-of-the-art kitchen with incredibly detailed recipes, but without actual cooking experience, they'd struggle to make decent scrambled eggs. China today has an awful lot of people with serious kitchen experience, and they're using increasingly sophisticated equipment to create some remarkable new dishes.

This is particularly evident in a city like Shenzhen, where the entire technology value chain exists within a single ecosystem. It's hard to imagine unless you've seen it: Decades and decades of accretion and agglomeration, like a new star's gravity sucking in cosmic dust, have produced a tech supercenter unrivaled by any other geography on the planet. If you've dreamed up a new device, you can prototype and iterate with incredible speed. Your design house, your coders, and your contract manufacturers are all just a quick e-bike ride away. It's a virtually frictionless innovation environment that we simply don't have anymore in the United States.

But rather than learning from this, we've responded with policies aimed at hobbling China's technological advancement. We've convinced ourselves that if we can just keep certain technologies out of their hands — advanced semiconductors, AI-optimized GPUs — our technological supremacy will endure. This strikes me as both short-sighted and likely to backfire.

Remember that China's modern history has taught its leaders one lesson above all others: technological backwardness leaves you vulnerable to predation by more advanced countries. This lesson dates back to China's defeat in the First Opium War in 1842, and it remains deeply embedded in the worldview of China's leadership. So when we seek to hobble China's technological advancement, to kneecap China by preventing the export of advanced semiconductors and other technology products, there is a deeply felt sense of threat that awakens almost atavistic memories.

Consider how China approaches technological development today. While we can't and shouldn't try to replicate their authoritarian technocracy, we might learn from their prioritization of STEM education and their understanding of the crucial link between manufacturing and innovation. President Trump can't wake up one morning and decree that our brightest minds should stop designing crypto tokens and start doing hard science —actually it looks sometimes like he’s doing the exact opposite — but that's essentially what Xi Jinping has done: basically saying, “physicists should be doing physics,” and not working for quant hedge funds. The fact that the founder of DeepSeek, Liang Wenfeng, started off as a quant hedgie and pivoted after Xi Jinping cracked down on his ilk, to go on to create DeepSeek, is telling. By the way, he also shut down cryptocurrency mining and markets, and placed strict limits on online gaming.

The stakes in this contest are enormously high, touching everything from national security to climate change, from human rights to the future of Taiwan. As if perversely contrived by some capricious God of geopolitics, that one single island lying just 100 miles off the southeast coast of mainland China happens to be both the keystone of the global silicon arch and the biggest potential flashpoint in the U.S.-China contest. Last year, Bloomberg Economics estimated the cost of a war over Taiwan at $10 trillion — fully 10% of the global GDP. One of the authors confided to me that they think this grossly underestimates the actual likely cost.

But I worry that our response — born of moral panic rather than strategic thinking — risks creating the very future we fear most. We need what is called "strategic empathy" or “cognitive empathy” — the ability to understand how our actions look from Beijing's perspective, even if we don't accept their viewpoint as entirely valid. Our current approach has largely convinced China's leaders that we intend to keep their country down permanently, which is precisely the kind of conviction that could lead to dangerous miscalculation.

This brings us to some uncomfortable questions we must wrestle with: Can we make space in the world for, and ultimately accommodate or coexist peacefully with, a near-peer competitor with fundamentally different values than ours? How about a China that's actually wealthier, even more technologically advanced, or demonstrably more militarily powerful than the U.S.? What are we willing to sacrifice to maintain our primacy? Are we willing to forego wealth creation? Are we okay with curtailing our own freedoms? The civil rights of Americans who happen to be ethnically Chinese?

Looking ahead, the U.S. and China will remain the world's two tech superpowers for the foreseeable future. We're both so far ahead in the technologies that will determine future competitiveness: AI, quantum computing, advanced robotics, gene editing, new materials. These are precisely the areas where we most need international cooperation to establish standards, safety guidelines, and sensible regulation.

Instead, we're watching a technological divergence unfold that, I think any dispassionate analysis has to conclude, is just worse for everybody. It was already bad enough, with the tech export restrictions, but it’s only getting worse now during this ill-advised, self-harming trade war. There’s no doubt in my mind that China’s better equipped to weather this storm, and I could go off on a long tangent talking about why that’s the case.

The challenge before us isn't just about maintaining technological leadership — it's about finding a way to accommodate the rise of a technological peer whose success challenges some of our most cherished assumptions about how the world works. How we manage this challenge will determine not just the future of U.S.-China relations, but the course of the 21st century itself.

I fear that, to quite an extent, our attitude, our rhetoric, our policies, and our framing of the China challenge has turned China from a manageable problem to something genuinely intractable and far more dangerous than it might otherwise have been. Decades from now, we may look back and realize that we jumped the gun — that we used the leverage we had at a moment when China's threat was still notional, still just potential, and not yet real. That our fears of the possibility that Beijing might mobilize companies like Huawei or TikTok to the detriment of American interests, the possibility that Beijing might overtake us, actually prompted China to pour resources into its tech sector — and actually overtake us.

The irony is that if we did care to further the cause of universal values in China — if the goal really was to make China into a more open, tolerant, participatory, deliberative, and plural place — then there was nothing ever as effective in making progress toward that end than the active entangling of America's tech scene with China's emerging tech ecosystem beginning meaningfully in the 1990s. In the 20 years I was in China, I watched as this amazing cross-pollination took place, with so many of the founders of China's major internet companies drinking in the Gospel of Silicon Valley, creating enterprise culture directly patterned on what they saw in Mountain View, Sunnyvale, and Palo Alto. They built what was China's first meaningful "public sphere," where even with censorship in place, the information horizons of ordinary people expanded exponentially.

Now, more than anything else, I lament the opportunities both countries forsake as they continue down divergent paths. The divergence we're now watching unfold will leave the world a poorer, hotter, tenser, and more dangerous place — unless we all push back on the lazy narratives, reject the fearmongering, and expect more from the decision-makers we elect.

Thank you very much.


Os EUA estão sucumbindo ao fascismo? Rumores a esse respeito são um pouco exagerados…

 Os EUA estão sucumbindo ao fascismo? Rumores a esse respeito são um pouco exagerados. Em todo caso, o debate se instalou:


“Three Yale professors who have studied and written extensively on authoritarianism are leaving America.  Many Americans are “like people on the Titanic saying our ship can’t sink,” Marci Shore says. “And what you know as a historian is that there is no such thing as a ship that can’t sink.”

(NYT Opinion)

“The difference between America and a sinking boat is that you can’t stop the sinking, but you can stop fascism. You can stay and fight. Timothy Snyder (the guy on the left, and one of the first to flee) literally wrote the instruction manual on what to do if fascism takes over, and at no point did it say “run.” Very disappointing.”

Josephinerh

“The willingness of intellectuals who study fascism at Yale to leave the US, voluntarily is foreboding warning of the horrors that might just be ahead for America. America is far too important to our civilisation for her to succumb to fascism. This is not a laughing matter. What do they know that we do not know.”

ggsaxx


Não creio nessa tragédia: os EUA são um país muito diverso e livre para virar fascistas do dia para a noite. Essa enfermidade direitista-aloprada é só o resultado de um bando de imbecis terem chegado ao poder pela via democrática. Vão ser retirados do poder democraticamente, deixando um país muito avariado atrás deles.

Também é um aprendizado. Nós já tivemos a nossa cota de imbecis; mas já voltamos à casta normal de políticos predadores. A vida que segue.

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 15/05/2025

Uma contabilidade macabra: Putin e a sua conquista da Ucrânia - Paulo Roberto de Almeida, NYT

 Uma contabilidade macabra: Putin e a sua conquista da Ucrânia 

Paulo Roberto de Almeida, NYT

Putin sacrificou quase 220 soldados para cada milha quadrada conquistada na Ucrânia no último ano e meio. Mais algumas semanas, Putin terá eliminado, literalmente, UM MILHÃO de soldados que serviram de bucha de canhão.

Não é exatamente o preço da glória, e sim o custo da derrota estratégica.

"Over the past 16 months, as Russian forces seized the initiative, Moscow took 1,827 sq mi of Ukraine, an area smaller than Delaware, according to data from the Institute for the Study of War measuring up to Apr. 1.

"Over that period, the U.S. government estimates, Russia lost more than 400,000 troops to death or injury—a high cost for wresting control of less than 1% of Ukrainian territory."

https://www.nytimes.com/2025/05/14/world/europe/russia-ukraine-ceasefire-putin-zelensky-sanctions.html 

Intérpretes do Brasil: Clássicos, rebeldes e renegados - Luiz Bernardo Pericás e Lincoln Secco (orgs.)

Intérpretes do Brasil: Clássicos, rebeldes e renegados 

Luiz Bernardo Pericás e Lincoln Secco (orgs.)

Boitempo, 2025


Intérpretes do Brasil

Autoria de Haroldo Ceravolo Sereza e Antonio Carlos Mazzeo e Flávio Aguiar e Marcelo Ridenti e Marcos Del Roio e João Quartim de Moraes e Angélica Lovatto e Guillermo Almeyra e Ricardo Bielschowsky e Paulo Ribeiro Da Cunha e Milton Pinheiro


Panorama amplo do pensamento crítico brasileiro dos séculos XX e XXI. Com 27 ensaios de reconhecidos especialistas, explora desde os clássicos como Caio Prado Júnior até figuras muitas vezes esquecidas, proporcionando uma análise inovadora e abrangente da história e cultura no Brasil.

Leia um trecho

Disponível também em

E-book

De R$ 97,00 por

R$ 92,15

 

Clássicos, rebeldes e renegados é o subTítulo de Intérpretes do Brasil, livro que os professores de História da USP Luiz Bernardo Pericás e Lincoln Secco organizaram para traçar um amplo panorama do pensamento crítico político-social brasileiro dos séculos XX e XXI. São ao todo 27 estudos e ensaios escritos por reconhecidos especialistas acadêmicos que se debruçaram sobre a vida e a obra de alguns dos principais intérpretes da história e da cultura no Brasil. “Acreditamos que este livro é um aporte importante sobre vários intelectuais emblemáticos e suas teorias. Para isso, pudemos contar com a generosa colaboração de diversos estudiosos que se dispuseram a escrever sobre esses pensadores do Brasil.”, enfatizam os organizadores.

Para o historiador Herbert S. Klein, professor emérito das universidades de Columbia e Stanford, o volume a ser publicado pela Boitempo constitui um manual básico para os estudos de história intelectual e da história moderna do Brasil. “A coleção de ensaios Intérpretes do Brasil representa um guia fundamental para o entendimento dos mais influentes pensadores brasileiros do século XX”, afirma.

Os autores escolhidos compõem um amplo e rico panorama dos pensamentos social e historiográfico nacional da década de 1920 até o começo dos anos 1990, alguns dos quais muito pouco discutidos em outras obras do gênero. A seleção traz alguns pensadores já clássicos, mas em abordagens inovadoras, como Antonio Candido, Caio Prado Júnior, Celso Furtado, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, entre outros representantes da intelligentsia nacional.

O mérito maior da obra, no entanto, é que os organizadores também trazem para o centro do debate figuras que estavam de certo modo à sombra, a despeito de seu importante papel histórico. Entre os renegados, normalmente esquecidos como pensadores do Brasil, ora por não se enquadrarem nos cânones, ora por serem contrários à abordagem majoritária, estão homens pioneiros como Octávio Brandão, Heitor Ferreira Lima, Astrojildo Pereira, Leôncio Basbaum, Rui Facó, Luís da Câmara Cascudo e Everardo Dias.

Também são contemplados autores mais “novos” e menos compendiados, como os heterodoxos e brilhantes Maurício Tragtenberg, Jacob Gorender, Ruy Mauro Marini, Milton Santos, o laborioso Edgard Carone e ainda personalidades da importância histórica de Paulo Freire e Ignácio Rangel.

Como lembra o historiador Carlos Guilherme Mota, na orelha do livro, cada geração analisa e “redescobre” o Brasil, interpretando o processo de nossa formação dentro das condições e debates de sua época, porém poucos vão além, como fizeram os organizadores Luiz Bernardo Pericás e Lincoln Secco. “Verifica-se nesta obra uma significativa abertura de foco dos estudos sobre o pensamento brasileiro, não apenas em termos geracionais como também na variedade de visões teóricas e abordagens pronunciadamente ideológicas”, afirma Mota. “Este livro, portanto, vem ampliar de modo crítico e significativo os horizontes e o debate histórico-historiográfico nesta quadra difícil de nossa história, tão marcada por ambiguidades, desacertos e, já agora, também por profundas revisões para uma retomada rumo a um futuro melhor.”
 

Autoria de

Luiz Bernardo Pericás

Organização de Lincoln Secco e Luiz Bernardo Pericás
Autoria de Angélica Lovatto, Antonio Carlos Mazzeo, Flávio Aguiar, Guillermo Almeyra, Haroldo Ceravolo Sereza, João Quartim de Moraes, Luiz Bernardo Pericás, Marcelo Ridenti, Marcos Del Roio, Milton Pinheiro, Paulo Ribeiro da Cunha e Ricardo Bielschowsky
Texto de orelha de Carlos Guilherme Mota
Texto de quarta capa de Hebert S. Klein
Número de páginas: 416
Dimensões: 23 x 16 x 2,3 cm
Peso: 586,6 g
ISBN: 9788575593592
Encadernação: Brochura
Ano de publicação: 2014

quarta-feira, 14 de maio de 2025

A turnê de Lula e a bola de cristal de Bannon Maria Cristina Fernandes Valor Econômico

 A turnê de Lula e a bola de cristal de Bannon

Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico, terça-feira, 13 de maio de 2025

O ideólogo do trumpismo colocou Lula, Putin e Xi no mesmo balaio num momento em que o presidente brasileiro faz turnê por Rússia e China

Steve Bannon foi taxativo ao “Financial Times”: “Donald Trump vai se recandidatar e vai ganhar”. A capacidade preditiva do ideólogo do trumpismo escalou quando ele apostou, duas semanas antes do conclave, na escolha de Robert Prevost para papa. O recuo na guerra comercial só viria dois dias depois, mas Bannon, mesmo sem tratar dela, também pareceu premonitório.
A guerra comercial foi, até aqui, um dos fatores mais determinantes para que Trump tenha chegado aos 100 dias com a mais baixa popularidade dos últimos 80 anos. Não tende a ser visto internamente como o provocador de muito barulho por nada, mas como um presidente que, frente às evidências, foi capaz de recuar e devolver otimismo aos agentes econômicos.
Bannon colocou Xi Jiping, Vladimir Putin e Luiz Inácio Lula da Silva no mesmo balaio: “Xi, Lula e Putin são uma aliança ruim. Eles não se cruzam com Trump. Eles não vão ajudar com a Ucrânia. Eles vão fazer o que estiver no interesse deles”. Não é uma visão exclusiva de Bannon. A ideia de que o Brasil seja visto como parte dessa aliança foi o que levou conselheiros deste governo a sugerir que o país voasse baixo para aproveitar oportunidades sem cutucar a onça com a vara curta.
A delegação que veio ao Brasil para discutir com o Ministério da Justiça o enquadramento de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como terroristas é rugido de onça. O carimbo encurtaria caminho para sanções americanas.
Da segunda parte da turnê de Lula entre aliados que desgostam o ideólogo trumpista ainda não se tem o resultado final, visto que a assinatura de acordos acontecerá depois de reunião de Lula com Xi nesta terça. O encontro está sendo acompanhado por toda a imprensa mundial, particularmente a americana.
O “The New York Times” trouxe a declaração de um integrante da chancelaria chinesa sobre as pretensões de Trump junto na região: “O que os povos da América Latina e do Caribe estão buscando é independência e auto-determinação, não a chamada ‘nova doutrina Monroe’”.
O diplomata chinês não se limitou a definir o interesse chinês no encontro mas avançou sobre o que venha a ser o interesse região. Trata-se, porém, de um porta-voz indesejado. Junta-se a declarações da delegação brasileira de que a China, com os acordos desta terça, “vão rasgar o Brasil com estradas”. Compõe o pacote “cutucar a onça”.
Daquilo que foi anunciado nesta segunda, ainda não se identificam investimentos que venham a justificar o risco de tamanha exposição. Depois que, no fim de 2024, 163 operários chineses da BYD na Bahia foram resgatados em condições análogas à escravidão, os novos investimentos automotivos ainda terão que provar que se darão em outras bases. Também terá que se aguardar se o investimento em energia renovável não é desova da superprodução de equipamentos da China. Há um investimento do qual não se pode duvidar que venha a gerar empregos, o da empresa que vai chegar para competir como Ifood, ainda que não seja esse tipo de emprego que vai redimir a juventude nacional.
É a primeira parte da turnê, porém, que abre mais espaço para o carimbo que Bannon quer impor sobre o Brasil. O Palácio do Planalto busca envelopar a ida de Lula a Moscou como parte dos esforços do país pela paz na Ucrânia, a despeito de o presidente brasileiro ter assistido a uma parada em que Vladimir Putin exibiu, juntamente com tropas chinesas, todo seu poderio bélico. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, lá estava, mas o Itamaraty não soltou uma única nota sobre o encontro.
Na mensagem pública dirigida à delegação brasileira durante encontro no Kremlin, Putin não falou de Ucrânia. Na reunião, com 12 de cada lado, Lula incluiu, entre diplomatas e parlamentares, o CEO da Minerva. Valeu-se de explicação tão inusitada quanto a presença de um único empresário: “Temos na nossa delegação um proeminente empresário que se aproximou de mim no Brasil e perguntou: Você vai à Rússia? Gostaria de acompanhá-lo porque sou o principal exportador de carne para a Rússia. Tive o prazer de convidar o sr. Fernando Queiroz para se juntar à nossa delegação e gostaria de aproveitar esta oportunidade para apresentá-lo, presidente”.
É possível que, daqui a um mês, quando Lula for à França para mais um encontro com Macron, possa resgatar o discurso de que o investimento da diplomacia presidencial, na verdade, é pelo multilateralismo. Em seguida, porém, o Brasil sediará o encontro dos Brics, outro caroço de angu para a diplomacia americana.
A paz na Ucrânia ainda desafia Trump, mas o presidente americano embarca nesta terça para o Oriente Médio, onde pode vir a fechar um acordo que leve o Irã a recuar de seu programa nuclear. A hipótese, ainda incerta, de que venha a ser bem-sucedido, abre a possibilidade de um êxito que ecoaria na política doméstica e no mundo, a minimizar a hostilidade que tem despertado.
Bannon define o que está em curso como “a era Trump”, que ainda está muito longe de se acabar e terá pinceladas marcadamente populistas com mais deportação e enfrentamento de corporações. É esta era que a turnê de Lula parece desafiar. Resta a expectativa de que a bola de cristal de Bannon tenha se quebrado depois de Prevost.

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