O historiador é também um escritor, ou, para ser um bom historiador há que escrever bem, e isso o torna competente e conhecido nos meios literários e na academia. André Heráclio não só é um bom historiador, como um diplomata competente, mas também um fino analista de nosso itinerário político, que deita raízes em Pernambuco, desde o século XVII pelo menos.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quinta-feira, 19 de março de 2026
Trump: Operation Blind Fury - The Economist
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Russian authorities continue efforts to temporarily deport Ukrainian children to Russia for cultural re-education, indoctrination, and forced integration into the Russian sphere of influence - ISW
Russian army suffers highest daily loss of the year | Russia-Ukraine war - The Daily Telegraph
Russian army suffers highest daily loss of the year | Russia-Ukraine war
A triste realidade dos “soldados” de Putin, enviados para morrer nas frentes ucranianas (Descrição real de um soldado sobrevivente)
XIII Encontro de Pós-Graduação em História Econômica & 11ª Conferência Internacional de História Econômica (UFF, setembro-outubro)
Está disponível a 2ª Circular do XIII Encontro de Pós-Graduação em História Econômica & 11ª Conferência Internacional de História Econômica.
Nela divulgamos o lançamento do site do evento, as normas de submissão de textos completos e banners com cronograma, além da nova data para envio de propostas para minicursos.
Não deixem de acessar o site: https://www.abphe.org.br/congresso/xiii-encontro-de-pos-graduacao-em-historia-economica-and-11-conferencia-internacional-de-historia-economica/sede-do-congresso
Permanecemos disponíveis por e-mail para quaisquer dúvidas.
Atenciosamente,
--
Comissão Organizadora
XIII Encontro de Pós-Graduação em História Econômica & 11ª Conferência Internacional de História Econômica
A queda do V-Dem - Augusto De Franco (Revista ID)
O V-Dem vai virando um bunker da esquerda acadêmica, de raiz classista (marxista) ou identitarista, no universo dos institutos que monitoram os regimes políticos no mundo
O V-Dem (Varieties of Democracy), da Universidade Gotemburgo, tão admirado por todos nós, democratas, entrou numa trajetória decadente de perda de credibilidade.
Agora acabou de lançar seu relatório de 2026, intitulado “Unraveling The Democratic Era?”. Felizmente corrigiu, nesse relatório, o erro crasso (cometido no ano passado) de classificar a África do Sul como democracia liberal. Agora ela voltou para seu lugar: de democracia (apenas) eleitoral (quer dizer, não-liberal).
No relatório de 2006, o V-Dem desclassificou os EUA como democracia liberal (o que parece estar correto, considerados os ataques do MAGA e de Donald Trump à democracia americana e às democracias liberais do mundo inteiro - embora a classificação do V-Dem seja de regimes políticos, não de governos). A The Economist Intelligence Unit, mais coerente, já há muitos anos, classifica dos EUA como flawed democracy (quer dizer, não como full democracy).
Há vários problemas com o V-Dem. O principal deles é ter montado uma rede de consultores acadêmicos, espalhados por diversos países, predominantemente simpáticos a uma faixa do espectro político. Isso introduz um viés nas análises e distorce as avaliações. Por exemplo, eles sustentam que a democracia no Brasil está melhorando num ritmo mais acelerado do que o de todos os demais países, talvez porque Bolsonaro, que não era democrata, saiu do governo e está preso - o que é verdade; mas, novamente, regime não é governo.
De fato a democracia brasileira se recuperou de uma tentativa desastrada (e mal-articulada) de golpe, promovida pelo governo anterior, mas pelos próprios critérios metodológicos do V-Dem ela não continuou melhorando depois disso, pelo contrário. Basta ver a crise institucional que se instalou a partir da aliança do governo com a suprema corte para compensar o fato de ser minoria no parlamento.
Considere-se que, de acordo com a pesquisa “Brasil no espelho”, a confiança no Brasil (mais do que uma medida, a própria definição de capital social) anda baixíssima. O brasileiro não confia nem mesmo em seus vizinhos. Apenas 6% dos entrevistados concordaram com a frase segundo a qual se pode confiar na maioria das pessoas, o que colocou o país à frente apenas à frente do Zimbábue em um ranking sobre esse tema. Na Noruega, esse índice era de 72%. Felipe Nunes, coordenador da pesquisa, conclui que esse déficit de confiança não é um mero estado de ânimo conjuntural. Ele interpreta isso como uma manifestação da “infraestrutura invisível da sociedade”. Ele não disse, mas está falando do capital social. Pois bem, com esse nível de capital social como é que o Brasil pode estar melhorando seus índices de democratização (mais intensa e rapidamente do que qualquer outro país do mundo) como se aventura a sustentar o V-Dem)? Entendam que há um erro grave aí.
Por último, para classificar um regime político - como democracia liberal, democracia eleitoral, autocracia eleitoral ou autocracia fechada - o V-Dem não leva em conta a orientação do país em política externa, o que é absurdo. E ainda há aqui uma grave deformação. Se um governo implanta uma política externa de apoio à ditaduras anti-imperialismo norte-americano - como Cuba, Venezuela, Nicarágua, Angola, Rússia, China, Irã - isso não afeta em nada sua classificação como democracia. Mas se um governo apoia Trump, Bukele, Modi, Orbán, Erdogan, Netanyahu, aí, sim, significa: esse governo passa a ser encarado como parte da "internacional fascista" e isso conta, subjetivamente, para fazer decair o regime político do país nos rankings mundiais de democracia.
O alinhamento do V-Dem é tão escandaloso que ele chegou a escrever no seu relatório em tela:
“A autocratização do Brasil começou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff e acelerou após a eleição do populista de direita Jair Bolsonaro em 2018. Ataques à mídia, tentativas de minar as eleições, o legislativo e o judiciário se seguiram. A reviravolta ocorreu quando Luís Inácio “Lula” da Silva, apoiado por uma coalizão de nove partidos, venceu as eleições de 2022. Contudo, a sociedade brasileira permanece profundamente polarizada, e as eleições de 2026 serão decisivas para o futuro”.
Essa é uma narrativa típica da esquerda populista (lulopetista). O V-Dem está insinuando que se Lula não for reeleito mais uma vez (a quarta) o Brasil entrará novamente em processo de autocratização? Vamos falar sério: o Brasil não se autocratizou após o impeachment de Dilma, que foi legítimo - dado o desarranjo que seu governo populista de esquerda instalou no país - e perfeitamente legal.
Os consultores acadêmicos, sempre eles: puxando, retorcendo, distorcendo. Fizemos, com a ajuda da IA, um levantamento dos acadêmicos com vínculos com o V-Dem no Brasil. Não vamos divulgar a lista com os vinte e dois nomes encontrados, é claro. Alguns são bem conhecidos como intelectuais militantes do PT. Vale apenas dizer que se fizermos uma pesquisa de intenção de voto nesse universo, Lula vencerá com um resultado que será muito parecido com o daquelas eleições na Coreia do Norte.
Ainda vamos nos debruçar mais longamente sobre o relatório do V-Dem que colocou Canadá e Reino Unido como democracias apenas eleitorais com tendência de democratização inferior a do Brasil. E que também não incluiu Grécia, Portugal e Suriname como democracias liberais.
Segundo o relatório do V-Dem 2026, temos 31 democracias liberais no mundo atual (1), um número semelhante ao dos seus relatórios anteriores. O problema são as inclusões e exclusões especiosas (e abruptas, como o foi o caso da África do Sul) da lista. Será que alguém disse que a África do Sul deveria entrar porque era do BRICS (pelo menos um dos consultores brasileiros do V-Dem se dedica ao BRICS) e depois outros técnicos viram que manter isso era insustentável? Será que o V-Dem está se preparando para promover o Brasil à condição de democracia liberal no próximo relatório? É o que tudo indica. Se Lula vencer a próxima eleição, é óbvio.
Assim o V-Dem (Varieties of Democracy, da Universidade de Gotemburgo) vai se afastando das mais reconhecidas instituições que monitoram os regimes políticos no mundo, como a Freedom House e a The Economist Intelligence Unit. Vai virando um bunker da esquerda acadêmica, de raiz classista (marxista) ou identitarista, no universo desses institutos.
Nota
(1) Democracias Liberais V-Dem 2026 (note-se que o Reino Unido foi retirado da lista):
1. Australia
2. Belgium
3. Costa Rica
4. Czechia
5. Denmark
6. Estonia
7. Finland
8. Germany
9. Iceland
10. Ireland
11. Japan
12. Latvia
13. Luxembourg
14. Netherlands
15. New Zealand
16. Norway
17. Seychelles
18. South Korea
19. Spain
20. Sweden
21. Switzerland
22. Taiwan
23. Austria
24. Barbados
25. Chile
26. Cyprus
27. France
28. Italy
29. Lithuania
30. Trinidad and Tobago
31. Uruguay
Revista ID é uma publicação apoiada pelos leitores.
quarta-feira, 18 de março de 2026
O maior desestrategista de todos os tempos, desde Sun Tzu...
Vamos reconhecer uma coisa: o POTUS é um grande desestrategista. Ele conseguiu prejudicar o mundo inteiro, tudo ao mesmo tempo, com a sua guerra de mudança de regime, que já mudou de objetivo.
Se existisse, ele mereceria um Prêmio AntiNobel da Guerra, com louvor!O VERDADEIRO FAVORITISMO ESTÁ FORA DA POLARIZAÇÃO (Eduardo Leite)
O VERDADEIRO FAVORITISMO ESTÁ FORA DA POLARIZAÇÃO
a parte do jogo que não está nos pólos
Tem uma coisa que muita gente ainda não se ligou: o favoritismo hoje tá fora da polarização.
E não é opinião, é número.
As pesquisas já mostram que entre 36% e 37% dos brasileiros dizem abertamente que estão cansados dessa briga. E quando você olha melhor, fica ainda mais claro: os nomes dos dois lados têm rejeição lá em cima, entre 45% e 55%. Ou seja, não é só cansaço — é saco cheio mesmo.
E tem mais.
Quando entra nos indecisos, o negócio escancara. O Datafolha de março aponta cerca de 44% de gente que simplesmente não sabe em quem votar. Quase metade do país.
Ou seja: o maior grupo hoje não é nem lulista nem bolsonarista. É o cara que tá cansado, indeciso ou simplesmente não compra mais essa disputa.
E isso muda o jogo.
Eleição não se decide só com quem já tem lado. Decide justamente nesse espaço aberto — que vai de 36% (cansaço declarado) até uns 44% (indecisos). É esse povo que vai decidir o jogo.
É aí que tá o verdadeiro favoritismo.
Quem conseguir canalizar esse sentimento vai pro segundo turno.
É exatamente por isso que existe tanto esforço pra sufocar o debate antipolarização. Porque, se esse eleitor se organiza, ele quebra o roteiro.
Eduardo Leite entra justamente neste ponto.
Ele ocupa um espaço que ninguém preenche de verdade: o de quem rejeita os extremos e quer virar a página. Enquanto Ratinho, Caiado e Zema orbitam o mesmo campo do bolsonarismo — sem romper de fato — acabam não dialogando com esse eleitor que já cansou disso tudo.
Leite não. Ele conversa com esse Brasil que tá no meio.
E tem um detalhe importante: muita gente que ainda aparece como “indecisa” nas pesquisas, na prática já decidiu uma coisa — não quer nem um lado nem o outro. Falta só encontrar quem represente isso.
Se nada mudar, a gente pode chegar numa situação absurda: quase 40% do eleitorado ficando num limbo político, sem representação real.
E isso não acontece por acaso.
O sistema se protege. Existe um interesse claro em manter o jogo travado entre os mesmos polos, evitando que uma alternativa real ganhe força.
O favoritismo não tá nos extremos. Tá em quem consegue representar quem já cansou deles.
E quem representar isso… leva.
#BoraLeite #Eleições2026 #PSD #ForaPolarização #ContraOsExtremos #NemLulaNemBolsonaro #CentroDemocrático #EleitorModerado #ChegaDeÓdio #NovaPolítica #AlternativaReal #BrasilSemExtremos #VotoConsciente #TerceiraViaJá
A submissão ao império: da envergonhada à declarada – Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?)
A submissão ao império: da envergonhada à declarada
Paulo Roberto de Almeida*
*Revista Será? ANOXIV, 13/03/2026
Neste ensaio provocador, o diplomata Paulo Roberto de Almeida revisita episódios históricos e recentes para examinar as ambiguidades da relação entre Brasil e Estados Unidos. Do alinhamento do período militar à submissão ideológica observada no bolsonarismo, o autor alerta para os riscos de uma política externa capturada por interesses alheios e por lideranças personalistas. Em tempos de turbulência global e pressões geopolíticas renovadas, o texto convida a refletir sobre soberania, dignidade diplomática e o lugar do Brasil no mundo.
Segue o link para o artigo.
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