Quando assinar não é preciso
Lúcia Guimarães
O Estado de S.Paulo, 30 de julho de 2011
Em Nom de Plume, a americana Carmela Ciuraru aborda a utilização de pseudônimos e heterônimos no século 19 e seu declínio em nossa época, marcada pela fama, em que o autor é garoto-propaganda
O que pode revelar um nome? Muito ou muito pouco. Virginia Woolf dizia que uma condição da autoria é "nunca ser você mesma, e sempre ser - este é o problema". O poeta Walt Whitman se satisfazia em conter multidões.
Em 1858, Marian Evans e seu companheiro George Lewes receberam, em Londres, a visita do editor John Blackwood. Ele havia acabado de publicar a coleção de contos Scenes From Clerical Life, que começara como uma série de contribuições para sua Blackwood"s Edinburgh Magazine. Lewes perguntou: você gostaria de conhecer George Eliot? Claro, respondeu o editor, que só mantinha contato com sua nova estrela literária através de cartas e estava convencido de que o autor era um membro do clero. O casal saiu da sala e voltou momentos depois. Lewes reapresentou sua mulher a Blackwood. George Eliot e Marian Evans eram a mesma pessoa.
Esta e outras histórias formam Nom de Plume, uma fascinante exploração biográfica de 16 pseudônimos literários ao longo de um século, das irmãs Brontë a Pauline Réage-Anne Desclos, de História de O. A autora Carmela Ciuraru diz que a decisão de entrar na pele de outro eu, além de familiar para qualquer autor de ficção, é quase um impulso erótico.
Na noite da última quarta-feira, Carmela Ciuraru (seu nome real), está diante do microfone no subsolo de uma das bravas livrarias independentes que resistem em Manhattan.
Depois de responder a afiadas perguntas do público, a autora anuncia que vai haver uma seleção dos melhores pseudônimos sugeridos pelos presentes. Pedaços de papel circulam entre a plateia e começa a leitura dos nomes, uma mistura de trocadilhos e uma curiosa incidência de evocações da literatura russa. Os escolhidos vão ganhar prêmios - romances clássicos escritos sob pseudônimo, chaveiros e até um pacote de salame. "Sasha Raskolnikov" se revela uma mulher de meia-idade borbulhante, ao contrário do torturado Raskolnikov de Crime e Castigo. "Will Back" é um jovem que confessa ter se envergonhado com a má qualidade dos artigos que publicara numa revista e quis começar zero quilômetro, sob outro nome.
O clima de programa de auditório ajuda a ilustrar a tese de Carmela Ciuraru sobre o declínio do pseudônimo no século 21: o autor literário hoje é garoto-propaganda, interlocutor obrigatório do leitor e marca à venda. Além disso, ela lembra, com a internet todo mundo quer ter uma voz e aparecer como si mesmo.
Dias antes, num café do bairro de Chelsea, a voz de Carmela Ciuraru é abafada pelo homem que senta na mesa mais próxima, decidido a aparecer com seus brados intermináveis no celular. Pergunto por que ela escolheu retratar apenas autores mortos em Nom de Plume. "Morto não move processo", diz, meio brincalhona, e completa: "Preferi examinar histórias concluídas. E, como ficou claro ao longo da pesquisa, os motivos para esconder a identidade também evoluem".
No século 19 os pseudônimos literários viraram sensações. Além das irmãs Brontë, George Sand-Aurore Dupin, George Eliot-Marian Evans, Lewis Carrol-Charles Dodgson, Mark Twain-Samuel Clemens se tornaram clássicos mas escondiam seus nomes verdadeiros por motivos diferentes. Nom de Plume é rico em autoras mulheres que se emanciparam como figuras literárias graças ao nome masculino. Mas Ciuraru lembra que a profissão de escritor, no século 19, podia ser considerada vulgar e o pseudônimo protegia também a respeitabilidade de homens.
"O pseudônimo pode começar", diz, "como simples estripulia, como Mark Twain (Samuel Clemens) que queria brincar com seu nome. Ou pode ser a única saída, como no caso de James Tiptree Jr.- Alice Bradley Sheldon, para mim, é uma história muito triste." Sheldon, insegura e atormentada, se fez passar por James Tiptree Jr., o confiante e celebrado autor de ficção científica. Como Tiptree Jr, Sheldon escreveu o emblemático The Women Men Don"t See (As Mulheres Que os Homens Não Veem) e confundiu as noções convencionais de identidade sexual na narrativa. Quando tentou publicar sob o próprio nome e escreveu sob outro pseudônimo, a inspiração secou. Sheldon não suportou a perda de seu eu alternativo e se suicidou, em 1987.
O caso de Romain Gary (Émile Ajar) ilustra para Ciuraru o uso do pseudônimo como recomeço. Ele achava a fama restritiva e já era aclamado por uma vasta obra que incluía o romance As Raízes do Céu. Como Émile Ajar, ele se tornou o primeiro autor a ganhar, pela segunda vez, o Prêmio Goncourt com Uma Vida À Sua Frente. Só com o suicídio de Gary, em 1980, foi revelada a identidade de Ajar. "É irônico", diz Ciuraru, "que ele logo tenha se tornado famoso como Ajar. Passou a enfrentar novo conjunto de estereótipos, o que mostra como a fama desafia o autor e como temos a necessidade de rotular pessoas."
Em 1837, aos 21 anos, a jovem Charlotte Brontë, a mais velha do trio de irmãs escritoras, escreveu numa carta ao poeta laureado Robert Southey, que queria ser "conhecida para sempre". Amargou três meses de espera pelo veredicto sobre seus primeiros escritos e a resposta incluía a advertência: "A literatura não pode ser o negócio da vida de uma mulher, nem deve ser". Desafiante, ela disparou a tréplica mordaz: "À noite, eu confesso que penso. Mas nunca incomodo ninguém com meus pensamentos". A futura autora de Jane Eyre prometeu ao velho poeta que, se a ambição literária voltasse, ia reler seus conselhos e suprimir o impulso.
Embora Anne, Charlotte e Emily Brontë tenham se beneficiado do mundo masculino para se emancipar como Acton, Currer e Ellis Bell, na primeira metade do século 19, Ciaruru acha que elas representam, em parte, o uso do pseudônimo como meio de controle do processo: "Charlotte queria controlar a produção de seus livros. Era mais do que uma mulher com um nome de homem. Escolhia um tipo específico de papel, determinava as publicações que podiam resenhar as obras. Ela se apresentava como agente para Currer, Acton e Ellis".
O caso de George Eliot-Marian Evans é, talvez, o mais extraordinário exemplo do pseudônimo masculino de uma mulher que já era admirada por seu intelecto e desafiou convenções literárias e sociais. Nascida Mary Anne, ela ainda se assinava Marian Evans quando se tornou uma rara editora de resenha literária em Londres, aos 31 anos. Ao ler Scenes From a Clerical Life, Charles Dickens escreveu para Eliot: "Observei tal toque feminino nestas ficções comoventes, que o nome sob o título é insuficiente para me convencer".
Depois de ver seu suposto religioso revelado em Marian Evans, o editor John Blackwood manteve o segredo. Como Eliot, a poeta, contista e romancista se tornaria a mais celebrada escritora vitoriana, com romances que incluem Silas Marner, Middlemarch e Daniel Deronda, obras-primas de crítica social e crônicas incomparáveis da vida privada na Inglaterra. Invariavelmente descrita como feia e desenxabida, Marian despertava admiração nos maiores intelectos do seu tempo. Henry James escreveu sobre sua aparência "deliciosamente horrenda": "Nesta vasta feiura reside a beleza mais poderosa que, em poucos minutos, se impõe, seduz a mente e, no fim, você, como eu, está se apaixonando por ela".
Em Nom de Plume, Ciuraru questiona os variados ímpetos para a clandestinidade autoral: "George Orwell-Eric Blair, por exemplo, dizia que não se orgulhava do que escrevia e não queria constranger sua família. Mas ele era também meio paranoico, cheio de manias e não há dúvida de que perseguia a fama".
O caso da poeta Sylvia Plath, que escreveu seu único e semiautobiográfico romance, A Redoma de Vidro, como Victoria Lucas, marca o pseudônimo sacrificado pela morte prematura. Plath se suicidou pouco depois da publicação na Grã-Bretanha, em 1963. A partir de 1967, A Redoma de Vidro saiu com o nome real da autora, cuja vida curta e trágica atraiu enorme atenção para o romance.
Nenhum dos escritores retratados em Nom de Plume fascinou tanto Carmela Ciuraru quanto Fernando Pessoa, com suas dezenas de heterônimos. Ela conta que encontrou uma tradução de O Livro do Desassossego numa livraria de Nova York, há alguns anos, e se apaixonou de imediato. "Fico surpresa com a ignorância do mundo literário americano sobre o Pessoa", reclama. "Toda vez que vou a um evento em livraria peço para o público dizer se já ouviu falar dele e, às vezes, só uma pessoa levanta a mão." Ciuraru explica aos potenciais novos leitores que o caso de Fernando Pessoa-Alberto Caeiro-Ricardo Reis-Álvaro de Campos, entre tantos outros, vai além do pseudônimo porque há uma pluralidade de eus. "Isto me interessa muito. Mas ele não era um ventríloquo, experimentava vozes diferentes, que falavam através dele", diz. "E acredito que ele acreditava nisso."
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
domingo, 31 de julho de 2011
A diferenca entre democracia e ditadura...
En qualquer democracia "normal" do mundo, mesmo as de mais baixa qualidade, esse partido, essa gerontocracia, esse partido, esse senhor, já teriam sido postos porta afora do governo, mediante eleições livres.
O povo pode tolerar incompetência econômica durante certo tempo, estimando que o futuro pode melhorar as coisas. Mas dificilmente tolerará cinquenta anos de penúria, de desastres econômicos, de falta de perspectivas, a não ser que seja submetido a uma ditadura poderosa.
Curioso que tem gente, no Brasil e em outros lugares, que ainda defende um regime desse tipo...
A verdade é que o regime cubano viveu de subsídios soviéticos durante muito tempo, até que acabou. Agora vive de mensalão bolivariano, que um dia vai acabar também. Vão tentar uma via chinesa, ou seja, capitalismo com ditadura do Partido Comunista. Em Cuba não vai dar certo...
Como já disse alguém: o socialismo dura enquanto dura o dinheiro dos outros...
Paulo Roberto de Almeida
Cuba: Raúl Castro cumple 5 años en el poder clamando contra desorden económico
Infolatam/Efe
La Habana, 30 de julio de 2011
Las claves
La "batalla económica" ha sido el empeño de Raúl Castro desde que tomó las riendas de la isla, el 31 de julio de 2006.
El "traspaso de poderes" se ha completado este año, cuando el Partido Comunista designó a Raúl su primer secretario en sustitución de un Fidel que acudió a la clausura del VI Congreso del PCC.
El presidente de Cuba, Raúl Castro, cumple este domingo cinco años al frente del país intentando “actualizar” el socialismo y clamando contra el desorden y los incumplimientos que obstaculizan sus reformas económicas para superar la aguda crisis que arrastra la isla.
Hace unos días ante su Consejo de Ministros, el general Castro volvió a criticar incumplimientos, mala planificación y deficiencias y advirtió que jueces y fiscales tendrán un papel “determinante” ante las faltas que perjudican la economía.
La “batalla económica” ha sido el empeño de Raúl Castro (80 años) desde que tomó las riendas de la isla: fue el 31 de julio de 2006 cuando su hermano Fidel, tras medio siglo en el poder, delegó en él sus responsabilidades por una grave enfermedad.
Raúl asumió primero de forma provisional y en 2008 fue ratificado en la Asamblea Nacional de Cuba como presidente.
El “traspaso de poderes” entre los Castro se ha completado este año, cuando el Partido Comunista designó a Raúl su primer secretario en sustitución de un Fidel que acudió a la clausura del VI Congreso del PCC para levantar el brazo de su hermano menor en una simbólica imagen que tendrá lugar destacado en el abultado álbum de la revolución.
Fue el VI Congreso comunista el que también aprobó su plan de reformas para poner a producir a Cuba, alejarla del precipicio de la crisis e intentar evitar que se hunda una revolución que ha cumplido ya 52 años.
Lo que la retórica oficial llama “actualización” económica supone una apertura a la iniciativa privada: más de 325.000 cubanos ejercen ya el trabajo por cuenta propia con la novedosa posibilidad de contratar asalariados.
Esta es una de las principales medidas puestas en marcha junto a una masiva reducción de las abultadas plantillas del estado cubano.
La “batalla” del general Castro también se libra en el campo con un plan -que no acaba de dar los resultados deseados- de entrega de tierras en usufructo para aumentar la producción de alimentos, cuestión de “seguridad nacional” porque la isla gasta más de 1.500 millones de dólares al año en importar el 80 por ciento de los víveres que consume.
En las últimas semanas se han producido además anuncios de calado social como leyes para permitir la compraventa de viviendas y automóviles entre particulares.
En su primer quinquenio en el poder, Raúl Castro también ha clamado contra el inmovilismo y los dogmas, ha llamado a desterrar la burocracia, quiere desmontar el paternalismo estatal con la supresión de subsidios “innecesarios” y ha emprendido acciones contra la corrupción.
Analistas consultados por Efe coinciden que en el “quinquenio raulista” se han planteado cambios económicos profundos y se ha introducido más racionalidad aunque los más críticos insisten en que se trata de medidas “insuficientes” y “muy lentas”.
El economista disidente Óscar Espinosa atribuye esa lentitud a la resistencia de sectores conservadores y ortodoxos del régimen junto a la falta de audacia y vacilaciones de los “reformistas”.
Para otros disidentes, la situación de los derechos civiles, políticos, económicos y culturales “ha empeorado” durante el mandato del general Castro, según Elizardo Sánchez, activista de derechos humanos.
Pese al proceso de excarcelaciones de presos políticos del último año, Sánchez denuncia un aumento de la represión con un sistema de detenciones de corta duración contra opositores.
En la calle, las impresiones ante las reformas “raulistas” oscilan entre la indiferencia, el escepticismo y tímidas esperanzas.
===========
"Vivemos o fim de uma casta política"
Entrevista: Yoani Sánchez
Correio Braziliense, 31/07/2011
Yoani Sánchez transformou-se em uma espécie de símbolo da oposição cubana. Aos 35 anos, é a responsável pelo blog Generación Y — por meio do site na internet, ela denuncia as mazelas políticas e sociais da ilha. Em entrevista ao Correio, por telefone, de Havana, a ativista admite mudanças importantes em Cuba na direção da abertura político-econômica. No entanto, considera essas transformações lentas e afirma que elas ainda não surtiram efeito na mesa e no bolso dos cubanos. De acordo com Yoani, os cinco anos de governo Raúl Castro são marcados por um "pecado original". "É um presidente que não foi eleito, que chegou ao poder por via sanguínea", explicou. A mulher que em 2008 esteve na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, da revista Time, é otimista em relação ao futuro. "Creio que estamos vivendo o fim de uma casta política e de uma geração no poder", comentou, apesar de reconhecer as inúmeras dificuldades que a população cubana tem enfrentado.
O que mudou em Cuba desde a saída de Fidel Castro, cinco anos atrás?
Evidentemente, Raúl Castro e Fidel Castro têm estilos de governo diferentes. Fidel era um homem que governava da tribuna, com um microfone nas mãos e com quilométricas intervenções públicas. Raúl é muito mais comedido a falar, não? Por exemplo, um detalhe simpático é que, desde que Raúl Castro começou a comandar o país, a programação televisiva passou a ser respeitada. Não há mais as interrupções causadas pelos longos discursos de Fidel Castro. As donas de casa estão felizes porque já não se suspende a transmissão das telenovelas brasileiras. O governo de Raúl Castro está marcado por um pecado original, que ele é incapaz de solucionar. Trata-se de um presidente que não foi eleito, que chegou ao poder por via sanguínea. Funciona como um reino. A população espera que um governante cumpra com um programa, mas Raúl nada teve que prometer para chegar ao poder.
Houve transformação expressiva em relação às liberdades individuais e aos direitos civis?
O tema dos direitos dos cidadãos e civis não registrou avanços evidentes e claros. Com Raúl Castro, continuamos com o monopartidarismo. Com Raúl Castro, seguem em pé as leis que penalizam a opinião em Cuba. Por exemplo, a chamada Lei nº 88, conhecida como Lei da Mordaça, que levou à prisão 75 opositores e dissidentes em 2003, está vigente no Código Penal cubano. Todavia, em Cuba não é possível criar uma associação independente e inscrevê-la legalmente em um cartório. Todavia, em Cuba não é possível entrar nem sair do território nacional livremente para os nascidos neste país. A falta de liberdades está intacta. O que se passa é que a repressão mudou de estilo com Raúl Castro. Com seu irmão, por exemplo, quando Fidel citava os nomes dos opositores e os "satanizava" em público, os dissidentes acabavam condenados a longas penas de prisão. Com Raúl, esse ponto é diferente. A repressão está no aumento da militarização da sociedade cubana. No entanto, os dissidentes já não são mais condenados a longas sentenças. São detidos por algumas horas ou por alguns dias, sem que haja qualquer constância legal ou documento que conste a repressão. Nesse caso, Raúl Castro tem feito uma repressão mais silenciosa, mais calada. A repressão com Fidel era mais evidente.
Durante esses cinco anos, os cubanos tiveram mais prejuízos ou mais benefícios?
Penso que tivemos mudanças importantes, na direção da abertura. O problema é o ritmo dessas reformas. Houve um impacto muito positivo, os cubanos já podem entrar livremente nos hotéis, comprar computadores e obter um contrato de telefonia móvel. São avanços ocorridos no governo de Raúl Castro. No entanto, em relação às expectativas iniciais, com o que as pessoas esperavam que ocorresse a partir de 31 de julho de 2006, as estatísticas oficiais atestam que Raúl decepcionou. No ano passado, 38.165 cubanos emigraram definitivamente de Cuba. Eles não quiseram esperar e se cansaram da lentidão das reformas.
As reformas anunciadas até então surtiram efeito na vida dos cidadãos cubanos?
As reformas econômicas implementadas pelo governo de Raúl Castro estão orientadas na direção correta, no sentido da flexibilização. Lamentavelmente, elas ocorrem a um ritmo muito lento e a uma profundidade bastante superficial. Os efeitos dessas reformas não são vistos no prato, sobre a mesa dos cubanos, ou nos bolsos. Os salários estão totalmente fora da realidade comercial do país. A produção agrícola também não aumentou de modo notável. Inclusive, ela diminuiu nos setores do tabaco, do café e do açúcar.
Que dificuldades um morador de Cuba enfrenta atualmente?
Eu diria que são as dificuldades econômicas e as dificuldades que têm a ver com a falta de liberdade. Entre as dificuldades econômicas, está o colapso do transporte público interprovincial. Vivemos em um país onde o tema dos transportes é um capítulo agonizante. A dualidade monetária é uma espécie de esquizofrenia econômica que vivemos há 17 anos e, no entanto, diminui muito o nível de vida da população cubana. Os salários também estão bastante ínfimos. Um profissional médio tem um salário mensal de cerca de US$ 20. Todavia, há limitações e regulações no tema da propriedade. Ainda que o Congresso do Partido Comunista Cubanao tenha anunciado a abertura do mercado imobiliário e a compra e a venda de carros, na prática isso não funciona. Nos últimos quatro anos, pedi em 17 oportunidades autorização para viajar e, em todas, ela me foi negada. Os cubanos não podem fundar um partido ou uma associação, e nem podem ler outro veículo de imprensa que não seja a oficial. Isso cria uma sensação de asfixia econômica e política, que empurra a maioria das pessoas ao sonho de migrar.
A senhora é otimista ou pessimista em relação ao futuro da ilha?
Sou otimista. Realmente, creio que estamos vivendo o fim de uma casta política e de uma geração no poder. O fim de um discurso do século 20. A apatia, o oportunismo e a falta de fé no sistema estão causando uma corrosão no sistema político. De braços cruzados, os cubanos estão conseguindo fazer o que talvez não pudessem de punhos erguidos.
O povo pode tolerar incompetência econômica durante certo tempo, estimando que o futuro pode melhorar as coisas. Mas dificilmente tolerará cinquenta anos de penúria, de desastres econômicos, de falta de perspectivas, a não ser que seja submetido a uma ditadura poderosa.
Curioso que tem gente, no Brasil e em outros lugares, que ainda defende um regime desse tipo...
A verdade é que o regime cubano viveu de subsídios soviéticos durante muito tempo, até que acabou. Agora vive de mensalão bolivariano, que um dia vai acabar também. Vão tentar uma via chinesa, ou seja, capitalismo com ditadura do Partido Comunista. Em Cuba não vai dar certo...
Como já disse alguém: o socialismo dura enquanto dura o dinheiro dos outros...
Paulo Roberto de Almeida
Cuba: Raúl Castro cumple 5 años en el poder clamando contra desorden económico
Infolatam/Efe
La Habana, 30 de julio de 2011
Las claves
La "batalla económica" ha sido el empeño de Raúl Castro desde que tomó las riendas de la isla, el 31 de julio de 2006.
El "traspaso de poderes" se ha completado este año, cuando el Partido Comunista designó a Raúl su primer secretario en sustitución de un Fidel que acudió a la clausura del VI Congreso del PCC.
El presidente de Cuba, Raúl Castro, cumple este domingo cinco años al frente del país intentando “actualizar” el socialismo y clamando contra el desorden y los incumplimientos que obstaculizan sus reformas económicas para superar la aguda crisis que arrastra la isla.
Hace unos días ante su Consejo de Ministros, el general Castro volvió a criticar incumplimientos, mala planificación y deficiencias y advirtió que jueces y fiscales tendrán un papel “determinante” ante las faltas que perjudican la economía.
La “batalla económica” ha sido el empeño de Raúl Castro (80 años) desde que tomó las riendas de la isla: fue el 31 de julio de 2006 cuando su hermano Fidel, tras medio siglo en el poder, delegó en él sus responsabilidades por una grave enfermedad.
Raúl asumió primero de forma provisional y en 2008 fue ratificado en la Asamblea Nacional de Cuba como presidente.
El “traspaso de poderes” entre los Castro se ha completado este año, cuando el Partido Comunista designó a Raúl su primer secretario en sustitución de un Fidel que acudió a la clausura del VI Congreso del PCC para levantar el brazo de su hermano menor en una simbólica imagen que tendrá lugar destacado en el abultado álbum de la revolución.
Fue el VI Congreso comunista el que también aprobó su plan de reformas para poner a producir a Cuba, alejarla del precipicio de la crisis e intentar evitar que se hunda una revolución que ha cumplido ya 52 años.
Lo que la retórica oficial llama “actualización” económica supone una apertura a la iniciativa privada: más de 325.000 cubanos ejercen ya el trabajo por cuenta propia con la novedosa posibilidad de contratar asalariados.
Esta es una de las principales medidas puestas en marcha junto a una masiva reducción de las abultadas plantillas del estado cubano.
La “batalla” del general Castro también se libra en el campo con un plan -que no acaba de dar los resultados deseados- de entrega de tierras en usufructo para aumentar la producción de alimentos, cuestión de “seguridad nacional” porque la isla gasta más de 1.500 millones de dólares al año en importar el 80 por ciento de los víveres que consume.
En las últimas semanas se han producido además anuncios de calado social como leyes para permitir la compraventa de viviendas y automóviles entre particulares.
En su primer quinquenio en el poder, Raúl Castro también ha clamado contra el inmovilismo y los dogmas, ha llamado a desterrar la burocracia, quiere desmontar el paternalismo estatal con la supresión de subsidios “innecesarios” y ha emprendido acciones contra la corrupción.
Analistas consultados por Efe coinciden que en el “quinquenio raulista” se han planteado cambios económicos profundos y se ha introducido más racionalidad aunque los más críticos insisten en que se trata de medidas “insuficientes” y “muy lentas”.
El economista disidente Óscar Espinosa atribuye esa lentitud a la resistencia de sectores conservadores y ortodoxos del régimen junto a la falta de audacia y vacilaciones de los “reformistas”.
Para otros disidentes, la situación de los derechos civiles, políticos, económicos y culturales “ha empeorado” durante el mandato del general Castro, según Elizardo Sánchez, activista de derechos humanos.
Pese al proceso de excarcelaciones de presos políticos del último año, Sánchez denuncia un aumento de la represión con un sistema de detenciones de corta duración contra opositores.
En la calle, las impresiones ante las reformas “raulistas” oscilan entre la indiferencia, el escepticismo y tímidas esperanzas.
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"Vivemos o fim de uma casta política"
Entrevista: Yoani Sánchez
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Yoani Sánchez transformou-se em uma espécie de símbolo da oposição cubana. Aos 35 anos, é a responsável pelo blog Generación Y — por meio do site na internet, ela denuncia as mazelas políticas e sociais da ilha. Em entrevista ao Correio, por telefone, de Havana, a ativista admite mudanças importantes em Cuba na direção da abertura político-econômica. No entanto, considera essas transformações lentas e afirma que elas ainda não surtiram efeito na mesa e no bolso dos cubanos. De acordo com Yoani, os cinco anos de governo Raúl Castro são marcados por um "pecado original". "É um presidente que não foi eleito, que chegou ao poder por via sanguínea", explicou. A mulher que em 2008 esteve na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, da revista Time, é otimista em relação ao futuro. "Creio que estamos vivendo o fim de uma casta política e de uma geração no poder", comentou, apesar de reconhecer as inúmeras dificuldades que a população cubana tem enfrentado.
O que mudou em Cuba desde a saída de Fidel Castro, cinco anos atrás?
Evidentemente, Raúl Castro e Fidel Castro têm estilos de governo diferentes. Fidel era um homem que governava da tribuna, com um microfone nas mãos e com quilométricas intervenções públicas. Raúl é muito mais comedido a falar, não? Por exemplo, um detalhe simpático é que, desde que Raúl Castro começou a comandar o país, a programação televisiva passou a ser respeitada. Não há mais as interrupções causadas pelos longos discursos de Fidel Castro. As donas de casa estão felizes porque já não se suspende a transmissão das telenovelas brasileiras. O governo de Raúl Castro está marcado por um pecado original, que ele é incapaz de solucionar. Trata-se de um presidente que não foi eleito, que chegou ao poder por via sanguínea. Funciona como um reino. A população espera que um governante cumpra com um programa, mas Raúl nada teve que prometer para chegar ao poder.
Houve transformação expressiva em relação às liberdades individuais e aos direitos civis?
O tema dos direitos dos cidadãos e civis não registrou avanços evidentes e claros. Com Raúl Castro, continuamos com o monopartidarismo. Com Raúl Castro, seguem em pé as leis que penalizam a opinião em Cuba. Por exemplo, a chamada Lei nº 88, conhecida como Lei da Mordaça, que levou à prisão 75 opositores e dissidentes em 2003, está vigente no Código Penal cubano. Todavia, em Cuba não é possível criar uma associação independente e inscrevê-la legalmente em um cartório. Todavia, em Cuba não é possível entrar nem sair do território nacional livremente para os nascidos neste país. A falta de liberdades está intacta. O que se passa é que a repressão mudou de estilo com Raúl Castro. Com seu irmão, por exemplo, quando Fidel citava os nomes dos opositores e os "satanizava" em público, os dissidentes acabavam condenados a longas penas de prisão. Com Raúl, esse ponto é diferente. A repressão está no aumento da militarização da sociedade cubana. No entanto, os dissidentes já não são mais condenados a longas sentenças. São detidos por algumas horas ou por alguns dias, sem que haja qualquer constância legal ou documento que conste a repressão. Nesse caso, Raúl Castro tem feito uma repressão mais silenciosa, mais calada. A repressão com Fidel era mais evidente.
Durante esses cinco anos, os cubanos tiveram mais prejuízos ou mais benefícios?
Penso que tivemos mudanças importantes, na direção da abertura. O problema é o ritmo dessas reformas. Houve um impacto muito positivo, os cubanos já podem entrar livremente nos hotéis, comprar computadores e obter um contrato de telefonia móvel. São avanços ocorridos no governo de Raúl Castro. No entanto, em relação às expectativas iniciais, com o que as pessoas esperavam que ocorresse a partir de 31 de julho de 2006, as estatísticas oficiais atestam que Raúl decepcionou. No ano passado, 38.165 cubanos emigraram definitivamente de Cuba. Eles não quiseram esperar e se cansaram da lentidão das reformas.
As reformas anunciadas até então surtiram efeito na vida dos cidadãos cubanos?
As reformas econômicas implementadas pelo governo de Raúl Castro estão orientadas na direção correta, no sentido da flexibilização. Lamentavelmente, elas ocorrem a um ritmo muito lento e a uma profundidade bastante superficial. Os efeitos dessas reformas não são vistos no prato, sobre a mesa dos cubanos, ou nos bolsos. Os salários estão totalmente fora da realidade comercial do país. A produção agrícola também não aumentou de modo notável. Inclusive, ela diminuiu nos setores do tabaco, do café e do açúcar.
Que dificuldades um morador de Cuba enfrenta atualmente?
Eu diria que são as dificuldades econômicas e as dificuldades que têm a ver com a falta de liberdade. Entre as dificuldades econômicas, está o colapso do transporte público interprovincial. Vivemos em um país onde o tema dos transportes é um capítulo agonizante. A dualidade monetária é uma espécie de esquizofrenia econômica que vivemos há 17 anos e, no entanto, diminui muito o nível de vida da população cubana. Os salários também estão bastante ínfimos. Um profissional médio tem um salário mensal de cerca de US$ 20. Todavia, há limitações e regulações no tema da propriedade. Ainda que o Congresso do Partido Comunista Cubanao tenha anunciado a abertura do mercado imobiliário e a compra e a venda de carros, na prática isso não funciona. Nos últimos quatro anos, pedi em 17 oportunidades autorização para viajar e, em todas, ela me foi negada. Os cubanos não podem fundar um partido ou uma associação, e nem podem ler outro veículo de imprensa que não seja a oficial. Isso cria uma sensação de asfixia econômica e política, que empurra a maioria das pessoas ao sonho de migrar.
A senhora é otimista ou pessimista em relação ao futuro da ilha?
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Pausa para... quase nada, ou apenas Ces petits riens
Ces petits riens
(Paroles/Musique:S. Gainsbourg)
Mieux vaut n'penser à rien
que n'pas penser du tout
rien c'est déjà, rien c'est déjà beaucoup
on se souvient de rien et puisqu'on oublie tout
rien c'est bien mieux, rien c'est bien mieux que tout
mieux vaut n'penser à rien
que de penser à vous
ça n'me vaut rien, ça n'me vaut rien du tout
mais comme si de rien n'était je pense à tous
ces petits riens qui me venaient de vous
si c'était trois fois rien, trois fois rien entre nous
évidemment ça ne fait pas beaucoup
ce sont ces petits riens que j'ai mis bout à bout
ces petits riens qui me venaient de vous, de vous
mieux vaut pleurer de rien
que de rire de tout
pleurer pour un rien, c'est déjà beaucoup
mais vous, vous n'avez rien dans le coeur, et j'avoue
je vous envie, je vous en veux beaucoup
ce sont ces petits riens qui me venaient de vous
les voulez-vous, tenez, que voulez-vous
moi je ne veux pour rien au monde, plus rien de vous
pour être à vous, faut être à moitié fou
========
Plein d'interprétations dans Youtube:
Françoise Hardy - Ces petits riens - 1981
Carla Bruni - Those Little Things (Ces Petits Riens)
Ces petits rien... de Stacey Kent
(Paroles/Musique:S. Gainsbourg)
Mieux vaut n'penser à rien
que n'pas penser du tout
rien c'est déjà, rien c'est déjà beaucoup
on se souvient de rien et puisqu'on oublie tout
rien c'est bien mieux, rien c'est bien mieux que tout
mieux vaut n'penser à rien
que de penser à vous
ça n'me vaut rien, ça n'me vaut rien du tout
mais comme si de rien n'était je pense à tous
ces petits riens qui me venaient de vous
si c'était trois fois rien, trois fois rien entre nous
évidemment ça ne fait pas beaucoup
ce sont ces petits riens que j'ai mis bout à bout
ces petits riens qui me venaient de vous, de vous
mieux vaut pleurer de rien
que de rire de tout
pleurer pour un rien, c'est déjà beaucoup
mais vous, vous n'avez rien dans le coeur, et j'avoue
je vous envie, je vous en veux beaucoup
ce sont ces petits riens qui me venaient de vous
les voulez-vous, tenez, que voulez-vous
moi je ne veux pour rien au monde, plus rien de vous
pour être à vous, faut être à moitié fou
========
Plein d'interprétations dans Youtube:
Françoise Hardy - Ces petits riens - 1981
Carla Bruni - Those Little Things (Ces Petits Riens)
Ces petits rien... de Stacey Kent
Canadian scholarships for Master studies in Brazil
50 scholarships for foreign students who wish to pursue a Master’s Degree in Brazil
Dear Colleagues,
The Organization of American States (OAS) and the Coimbra Group of Brazilian Universities (GCUB), have joined together to announce that they will offer up to 50 scholarships for foreign students who wish to pursue a Master’s Degree in Brazil.
The deadline for applications is August 31. For more information, please visit:
http://www.oas.org/en/scholarships/brazil.asp
Chèr(e)s collègues,
La OAS et le GCUB ont annoncé qu’ils offrent jusqu’à un maximum de 50 bourses aux étudiant(e)s étrangers qui souhaitent poursuivre les études de maîtrise en Brésil. Le date limite pour soumettre une demande est le 31 Août. Pour tous questions, veuillez visiter le site suivant:
http://www.oas.org/en/scholarships/brazil.asp
(Les informations sont disponibles en anglais et espagnol seulement)
Best regards,
Susie Cruess
Manager, Communications and Membership Services / Responsable, communications et services aux membres.
Membership and Scholarships / Services aux membres et bourses
Canadian Bureau for International Education / Bureau canadien de l’éducation internationale
e: scruess@cbie.ca; communications@cbie.ca
t: 613-237-4820 x.212
w: www.cbie.ca
Dear Colleagues,
The Organization of American States (OAS) and the Coimbra Group of Brazilian Universities (GCUB), have joined together to announce that they will offer up to 50 scholarships for foreign students who wish to pursue a Master’s Degree in Brazil.
The deadline for applications is August 31. For more information, please visit:
http://www.oas.org/en/scholarships/brazil.asp
Chèr(e)s collègues,
La OAS et le GCUB ont annoncé qu’ils offrent jusqu’à un maximum de 50 bourses aux étudiant(e)s étrangers qui souhaitent poursuivre les études de maîtrise en Brésil. Le date limite pour soumettre une demande est le 31 Août. Pour tous questions, veuillez visiter le site suivant:
http://www.oas.org/en/scholarships/brazil.asp
(Les informations sont disponibles en anglais et espagnol seulement)
Best regards,
Susie Cruess
Manager, Communications and Membership Services / Responsable, communications et services aux membres.
Membership and Scholarships / Services aux membres et bourses
Canadian Bureau for International Education / Bureau canadien de l’éducation internationale
e: scruess@cbie.ca; communications@cbie.ca
t: 613-237-4820 x.212
w: www.cbie.ca
Islam and Capitalism - Guy Sorman (City Journal)
Is Islam Compatible with Capitalism?
Guy Sorman
The City Journal, vol. 21, n. 3, Summer 2011
The Middle East’s future depends on the answer.
BEBA/IBERFOTO/THE IMAGE WORKS
A sixteenth-century Turkish bazaar. Muslim tradition has long accepted the marketplace, though sharia constrained its efficiency
The moment you arrive at the airport in Cairo, you discover how little Egypt—the heart of Arab civilization—is governed by the rule of law. You line up to show your passport to the customs officer; you wait and wait and wait. Eventually, you reach the officer . . . who sends you to the opposite end of the airport to buy an entry visa. The visa costs 15 U.S. dollars; if you hand the clerk $20, though, don’t expect any change, let alone a receipt. Then you make the long hike back to the customs line, where you notice that some Egyptians—important ones, apparently—have helpers who hustle them through. Others cut to the front. It’s an annoying and disturbing welcome to a chaotic land, one that has grown only more chaotic since the January revolution. It’s also instructive, effectively demonstrating why it’s hard to do business in this country or in other Arab Muslim lands, where personal status so often trumps fair, universally applied rules. Such personalization of the law is incompatible with a truly free-market or modern society and helps explain why the Arab world’s per-capita income is one-tenth America’s or Europe’s.
The airport experience, had he been able to undergo it, would have been drearily familiar to Rifaa al-Tahtawi, a brilliant young imam sent to France in 1829 by the pasha of Egypt. His mission: figure out how Napoleon’s military had so easily crushed Egypt three decades earlier, a defeat that revealed to a shocked Arab world that it was now an economic, military, and scientific laggard. At the outset of the book that he wrote about his journey, The Gold of Paris, Rifaa describes a Marseille café: “How astonished I was that in Marseille, a waiter came to me and asked for my order without my looking for him.” Then the coffee arrives without delay. Finally—most amazing of all—Rifaa gets the bill for it, and the price is the same as the one listed on the menu: “No haggling,” he enthuses. Rifaa concludes: “I look for the day when the Cairo cafés will follow the same predictable rules as the Marseille cafés.” But nearly two centuries later, the only Egyptian cafés that live up to Rifaa’s hopes are the imported Starbucks.
Egypt is, of course, a Muslim nation. Should Islam be indicted for what was in Rifaa’s time, and remains today, a dysfunctional economy? The question becomes all the more important if you extend it to the rest of the Arab Middle East as it is swept by popular revolts against authoritarian rule. Will the nations that emerge from the Arab Spring embrace the rule of law and other crucial institutions that have allowed capitalism to flourish in the West? Or are Islam and economic progress fundamentally at odds?
Muslim economies haven’t always been low achievers. In his seminal work The World Economy, economist Angus Maddison showed that until the twelfth century, per-capita income was much higher in the Muslim Middle East than in Europe. Beginning in the twelfth century, though, what Duke University economist Timur Kuran calls the Long Divergence began, upending this economic hierarchy, so that by Rifaa’s time, Europe had grown far more powerful and prosperous than the Arab Muslim world.
A key factor in the divergence was Italian city-states’ invention of capitalism—a development that rested on certain cultural prerequisites, Stanford University’s Avner Greif observes. In the early twelfth century, two groups of merchants dominated Mediterranean sea trade: the European Genoans and the Cairo-based Maghrebis, who were Jewish but, coming originally from Baghdad, shared the cultural norms of the Arab Middle East. The Genoans outpaced the Maghrebis and eventually won the competition, Greif argues, because they invented various corporate institutions that formed the core of capitalism, including banks, bills of exchange, and joint-stock companies, which allowed them to accumulate enough capital to launch riskier but more profitable ventures. These institutions, in Greif’s account, were an outgrowth of the Genoans’ Western culture, in which people were bound not just by blood but also by contracts, including the fundamental contract of marriage. The Maghrebis’ Arab values, by contrast, meant undertaking nothing outside the family and tribe, which limited commercial expeditions’ resources and hence their reach. The bonds of blood couldn’t compete with fair, reliable institutions (see “Economics Does Not Lie,” Summer 2008).
Greif’s theory suggests that cultural differences explain economic development better than religious beliefs do. Indeed, from a strictly religious perspective, one could view Muslims as having an advantage at creating wealth. After all, Islam is the only religion founded by a trader—one who also, by the way, married a wealthy merchant. The Koran has only good words for successful businessmen. Entrepreneurs must pay a 2.5 percent tax, the zakat, to the community to support the general welfare, but otherwise can make money guilt-free. Private property is sacred, according to the Koran. All this, needless to say, contrasts with the traditional Christian attitude toward wealth, which puts the poor on the fast track to heaven and looks down in particular on merchants (recall Jesus’s driving them from the Temple).
But Duke’s Kuran believes that Islam did play a role in the Long Divergence. It wasn’t the Koran, which the Muslim faithful see as written by God and unalterable, that impeded Muslims economically, he argues, but instead sharia, the religious law developed by scholars after Mohammed’s time. Not that sharia was overtly hostile to economic progress; it established commerce-friendly legal rules that, for instance, allowed for bazaars and for the arbitration of economic disputes. Rather, Kuran maintains, sharia became economically counterproductive because it was less efficient than the Western legal framework.
The most significant of the sharia-rooted economic liabilities was the Islamic partnership, which proved no match for the Western world’s joint-stock company. Partnerships were short-lived, dissolving with the death of any of the partners, and they tended to be small, often formed among family members. Joint-stock companies, which sharia prohibited, had much greater reach and risk-hedging power. Sharia inheritance rules were a second drag on economic development, Kuran explains. Since the Koran sanctions polygamy, sharia required a husband’s wealth, upon his death, to go in equal portions to his widows and children, which worked against capital accumulation. In the Roman law that held sway in Europe until the nineteenth century, by contrast, the eldest son inherited his deceased father’s wealth, creating vast fortunes that could be put to economic work. Some economists point to sharia’s prohibition of interest as another hamper on development, but this is much less significant than it appears. From at least the twelfth century on, sharia lawyers authorized “fees” that could accompany money-lending, getting around the ban.
Muslim welfare foundations to aid the poor, called waqf, also undermined economic competitiveness over time, says Kuran. According to sharia, all money given to these charities was exempt from taxation. But Muslim merchants began to establish waqf as fronts for commercial enterprises, depriving the government of sufficient funds to function properly. This tax evasion contributed to the failure of the Arab kingdoms and the Ottoman Empire to build a competent minimal state, which is essential to the effective rule of law.
For evidence that sharia had negative economic effects, consider the Egyptian city of Alexandria. Beginning in the fifteenth century, non-Muslim merchants in the city could opt out of sharia’s business rules. Those who did and embraced Western capitalist norms quickly grew richer than those who continued to follow sharia, historians have shown.
Over time, however, sharia adapted to capitalism. In the nineteenth century, it finally allowed Muslims to form joint-stock companies and to borrow other key capitalist institutions from the West. Today, Islamic banks follow the same practices that non-Islamic banks do (including the use of derivatives) but describe them differently, so that they conform with sharia. Yet despite this transformation in Islamic law, Muslim economies still lag behind Western ones. Greif and Kuran may help explain the Long Divergence, but what accounts for the fact that there is no “Arab Tiger” comparable with Asia’s remarkable success stories?
Part of the answer may, in fact, be religious: Islam’s apostasy law. Sharia holds that a Muslim who breaks with Islam becomes an apostate, an offense punishable by death. And since, at least for Sunni Muslims, there is no central theological authority—the theocratic regime in Iran establishes such authority for Shiite Muslims—any Sunni imam can define what constitutes breaking with Islam. This power may deter potential innovators, including the entrepreneurial kind, from doing anything that could conceivably get them into trouble.
But a bigger reason for the Arab world’s stagnation is political. In nearly every Arab Muslim country, the prime enemy of entrepreneurship and the free market is an abusive government—and the strong, unaccountable, and usually despotic regimes that have dominated Arab Muslim populations for decades owe neither their origins nor their legitimacy, such as it is, to Islam. All emerged from the decolonization struggles of the 1950s and 1960s, which, since the primary colonizers were Europeans, provoked angry anti-Western and anticapitalist attitudes in Muslim societies. The decolonization of the Arabs did not go well. Violent confrontations were the norm, even when full-blown war didn’t break out, as happened in Algeria. The upheavals brought military regimes to power in most of the decolonized Arab states; even when the military wasn’t officially in charge, it controlled puppet governments, as in Morocco. All these regimes espoused nationalism and resisted any rule of law that might limit state power—or give entrepreneurs a freer hand.
Worse, independence took place at a time when the Soviet Union was influential and many believed that centrally planned socialism was a shortcut to power and prosperity. Arab governments thus found it tempting to confiscate private property, eradicate the existing bourgeoisie, and create massive state monopolies in resources like copper, oil, and phosphate. In the name of national independence and economic modernization, all the wealth could be concentrated in the hands of the ruling militaries and bureaucracies.
After the fall of the Soviet Union showed socialism to be far less efficient than the free market, Arab Muslim governments began to free up markets somewhat, but without surrendering their tyrannical authority. This resulted in an Arab crony capitalism, which is now the dominant economic arrangement in the Muslim Middle East. In today’s pseudo-market Arab economies, it makes little sense to be an independent entrepreneur. If you want to open a business, you’ll need a license, and the only surefire way to obtain it is to belong to (or be close to) someone in the ruling elite; even then, you’ll share your profits with the bureaucrats. It’s far easier to seek a rent—a benefit based on your position in society. Rent-seeking is particularly prevalent in countries overflowing with natural resources like oil and gas, which bring in massive revenues that reduce the incentive to diversify the economy.
Egypt exemplifies the crony-capitalist model. During the 1990s, corrupt privatizations transferred state monopolies in energy, steel, cement, and other industries to private “entrepreneurs,” most of whom were members of President Hosni Mubarak’s family, top military officers, and other well-connected people. Meanwhile, economist Hernando de Soto has calculated, opening a modest bakery in Cairo required two years of slogging through the bureaucracy, at each stage of which the would-be owner would need to grease official palms—and if his bakery finally opened, he would then have to pay ongoing protection money to the local police. Small wonder Egypt suffers from slow growth, massive unemployment, and a large black market.
The authoritarian nature of today’s Muslim governments also generates social norms that harm entrepreneurship. For example, a survey conducted by the Casablanca-based business magazine L’Economiste compared the organizational structures of Moroccan firms with those of Western companies operating in Morocco. It found that the boss of a Moroccan firm tends to have a larger office and more assistants, secretaries, and chauffeurs than his Western counterpart does and that his behavior is more autocratic. The likely reason is that the Moroccan boss, mimicking the king and his entourage, finds power—and the exhibition of power—more compelling than profits.
The prosperity-crushing influence of government on Muslim entrepreneurship has nowhere been more evident than in Turkey. In the early nineteenth century, the Turkish sultan, like the Egyptian pasha, tried to import Western science and military methods without introducing Western rule of law. “The Ottoman Empire fell into poverty because the dominant concern of the sultans was always to avoid the emergence of a competing power,” explains Turkish economist Evket Pamuk. And the possibility that they feared the most was the birth of a Westernized Turkish bourgeoisie, its power based on private ownership.
When the empire became the Turkish Republic in 1921, little changed. The republic’s founder, Mustafa Kemal (later called Atatürk, a name he chose that means “Father of the Turks”), was fascinated by the fashionable Italian fascist ideal. The Turks lacked entrepreneurial spirit, he believed, so it was up to the government to act as a collective entrepreneur and pick those who deserved to start new businesses. Under his regime, which became a military dictatorship after his 1938 death, the Turkish economy made little progress, though a small group of well-connected businessmen grew extremely wealthy.
Islam wasn’t to blame for Turkey’s poor economy. Indeed, the new republic was fiercely secular; for decades, no openly devout Muslim could hold any significant position in public service, in the military, or even in business. Modern Turkey started to grow economically only after it began to free up the market under former World Bank economist Turgut Özal, a devout Muslim whom the military had installed as prime minister in 1987 to bring inflation under control. Özal’s reforms opened the way for the openly Islamic, pro-market Justice and Development Party, or AKP, which has ruled Turkey since 2002. Whatever criticisms one might make of the AKP—it has on occasion sought to impose religious norms on a secular society, among other troubling signs—it has brought about an astounding transformation of Turkey’s economy. The state’s budget is balanced, prices are stable, free trade is enthusiastically embraced, and crony capitalism has been constrained. As a consequence, the Turkish growth rate has been one of the world’s highest: 8 percent annually for several years now. Turkey’s per-capita income is now higher than Saudi Arabia’s—and Turkey has no oil.
Fueling this economic expansion is a new generation of entrepreneurs from Anatolia, in eastern Turkey. These businesspeople are conservative Muslims, but they aren’t extremists. The Anatolians are astonishing; no one can say for sure how they arrived on the scene as the dynamic engine of Turkish modernity. Ask an Anatolian entrepreneur about this success and he may credit a strong work ethic, combined with family values ingrained in the Muslim faith. Or he may mention the business traditions of Anatolia, a crossroads between Asia and Europe under the Ottoman Empire. Pamuk, a secular Turk, points to mundane factors like the Anatolians’ low labor costs and Turkey’s proximity to the vast European market: Turkey now exports 25 percent of its national production, up from 3 percent in 1980. Whatever the reason for the Anatolian breakthrough, Islam has not impeded it.
Will the Turkish model spread to nearby Arab countries? This year’s revolutions in Tunisia and Egypt may answer that question. Remember the man who inspired the revolutions: Mohammed Bouazizi, a young Tunisian who earned a university degree but could find no decent formal employment, a situation all too common for educated young Arabs. Bouazizi sought to make a living from a tiny fruit-and-vegetable stand, but last December, because he hadn’t registered it with the authorities, police confiscated it. Bouazizi then set himself on fire.
Bouazizi’s suicide brought millions of Arabs to the streets because they could identify with him. Human rights leaders didn’t start the revolutions; neither did long-banned Islamic movements like the Muslim Brotherhood. The upheavals weren’t characterized by Islamic banners or by Israeli flags going up in flames (though there were disturbing reports of Muslims attacking Christian churches in Egypt after the police had vanished from the streets). No, the dominant message of the Arab Spring was that the Arabs didn’t want to remain separated from the rest of the world. The Egyptian students in Tahrir Square couldn’t have put it more clearly: they wanted democracy, globalization, and market prosperity, not Islamicization. “We want a normal country, which means free enterprise and democracy,” said one of their leaders, Amr Salah of the Cairo Institute for Human Rights, in Paris this April. Even the notorious Muslim Brotherhood is on board with capitalism: “Our economic program is a free-market society in order to pursue social justice,” says Sameh al-Barqui, an American-educated economics expert with the Brotherhood.
The transition from the Arab world’s authoritarian regimes to democracy, markets, and the rule of law is far from guaranteed, of course. For a reminder of the difficulty of installing successful Western-style capitalism, consider Rifaa, who returned to Egypt after seven years in France and became the pasha’s main advisor—overseeing the translation of French scientific books into Arabic, founding the first Arabic newspapers, and opening schools for girls. Though Rifaa faced the hostility of Muslim conservatives, his reforms, accompanying the era’s shifts in sharia, inaugurated an era of modernization in Egypt. By the late nineteenth century, Cairo was starting to look like a European city, with electricity, sanitation, universities, and an independent press. But the renaissance didn’t last long, because Rifaa repeatedly failed to persuade the pasha to accept a Western-style constitution, which would have limited the ruler’s arbitrary power. What kept Egypt back was its failure to establish the rule-governed institutions familiar in the West.
It should be sobering, therefore, that the military isn’t likely to surrender its political privileges easily in any Arab country. Still, most of the political parties emerging in the ferment are supporters of free markets. (Some socialist parties remain in Morocco and Tunisia, where the French influence left its mark, but they are socialist in name only.) The young men and women behind the Arab Spring will continue to push for more open markets where millions of Bouazizis will be able to become entrepreneurs—where it won’t take two years and countless bribes to open a bakery. And there appears to be no cultural or religious reason that someday, in the not-so-distant future, we won’t find cafés in Cairo that run as efficiently and reasonably as those in Marseille.
Guy Sorman, a City Journal contributing editor, is the author of Children of Rifaa: In Search of a Moderate Islam and many other books.
Guy Sorman
The City Journal, vol. 21, n. 3, Summer 2011
The Middle East’s future depends on the answer.
BEBA/IBERFOTO/THE IMAGE WORKS
A sixteenth-century Turkish bazaar. Muslim tradition has long accepted the marketplace, though sharia constrained its efficiency
The moment you arrive at the airport in Cairo, you discover how little Egypt—the heart of Arab civilization—is governed by the rule of law. You line up to show your passport to the customs officer; you wait and wait and wait. Eventually, you reach the officer . . . who sends you to the opposite end of the airport to buy an entry visa. The visa costs 15 U.S. dollars; if you hand the clerk $20, though, don’t expect any change, let alone a receipt. Then you make the long hike back to the customs line, where you notice that some Egyptians—important ones, apparently—have helpers who hustle them through. Others cut to the front. It’s an annoying and disturbing welcome to a chaotic land, one that has grown only more chaotic since the January revolution. It’s also instructive, effectively demonstrating why it’s hard to do business in this country or in other Arab Muslim lands, where personal status so often trumps fair, universally applied rules. Such personalization of the law is incompatible with a truly free-market or modern society and helps explain why the Arab world’s per-capita income is one-tenth America’s or Europe’s.
The airport experience, had he been able to undergo it, would have been drearily familiar to Rifaa al-Tahtawi, a brilliant young imam sent to France in 1829 by the pasha of Egypt. His mission: figure out how Napoleon’s military had so easily crushed Egypt three decades earlier, a defeat that revealed to a shocked Arab world that it was now an economic, military, and scientific laggard. At the outset of the book that he wrote about his journey, The Gold of Paris, Rifaa describes a Marseille café: “How astonished I was that in Marseille, a waiter came to me and asked for my order without my looking for him.” Then the coffee arrives without delay. Finally—most amazing of all—Rifaa gets the bill for it, and the price is the same as the one listed on the menu: “No haggling,” he enthuses. Rifaa concludes: “I look for the day when the Cairo cafés will follow the same predictable rules as the Marseille cafés.” But nearly two centuries later, the only Egyptian cafés that live up to Rifaa’s hopes are the imported Starbucks.
Egypt is, of course, a Muslim nation. Should Islam be indicted for what was in Rifaa’s time, and remains today, a dysfunctional economy? The question becomes all the more important if you extend it to the rest of the Arab Middle East as it is swept by popular revolts against authoritarian rule. Will the nations that emerge from the Arab Spring embrace the rule of law and other crucial institutions that have allowed capitalism to flourish in the West? Or are Islam and economic progress fundamentally at odds?
Muslim economies haven’t always been low achievers. In his seminal work The World Economy, economist Angus Maddison showed that until the twelfth century, per-capita income was much higher in the Muslim Middle East than in Europe. Beginning in the twelfth century, though, what Duke University economist Timur Kuran calls the Long Divergence began, upending this economic hierarchy, so that by Rifaa’s time, Europe had grown far more powerful and prosperous than the Arab Muslim world.
A key factor in the divergence was Italian city-states’ invention of capitalism—a development that rested on certain cultural prerequisites, Stanford University’s Avner Greif observes. In the early twelfth century, two groups of merchants dominated Mediterranean sea trade: the European Genoans and the Cairo-based Maghrebis, who were Jewish but, coming originally from Baghdad, shared the cultural norms of the Arab Middle East. The Genoans outpaced the Maghrebis and eventually won the competition, Greif argues, because they invented various corporate institutions that formed the core of capitalism, including banks, bills of exchange, and joint-stock companies, which allowed them to accumulate enough capital to launch riskier but more profitable ventures. These institutions, in Greif’s account, were an outgrowth of the Genoans’ Western culture, in which people were bound not just by blood but also by contracts, including the fundamental contract of marriage. The Maghrebis’ Arab values, by contrast, meant undertaking nothing outside the family and tribe, which limited commercial expeditions’ resources and hence their reach. The bonds of blood couldn’t compete with fair, reliable institutions (see “Economics Does Not Lie,” Summer 2008).
Greif’s theory suggests that cultural differences explain economic development better than religious beliefs do. Indeed, from a strictly religious perspective, one could view Muslims as having an advantage at creating wealth. After all, Islam is the only religion founded by a trader—one who also, by the way, married a wealthy merchant. The Koran has only good words for successful businessmen. Entrepreneurs must pay a 2.5 percent tax, the zakat, to the community to support the general welfare, but otherwise can make money guilt-free. Private property is sacred, according to the Koran. All this, needless to say, contrasts with the traditional Christian attitude toward wealth, which puts the poor on the fast track to heaven and looks down in particular on merchants (recall Jesus’s driving them from the Temple).
But Duke’s Kuran believes that Islam did play a role in the Long Divergence. It wasn’t the Koran, which the Muslim faithful see as written by God and unalterable, that impeded Muslims economically, he argues, but instead sharia, the religious law developed by scholars after Mohammed’s time. Not that sharia was overtly hostile to economic progress; it established commerce-friendly legal rules that, for instance, allowed for bazaars and for the arbitration of economic disputes. Rather, Kuran maintains, sharia became economically counterproductive because it was less efficient than the Western legal framework.
The most significant of the sharia-rooted economic liabilities was the Islamic partnership, which proved no match for the Western world’s joint-stock company. Partnerships were short-lived, dissolving with the death of any of the partners, and they tended to be small, often formed among family members. Joint-stock companies, which sharia prohibited, had much greater reach and risk-hedging power. Sharia inheritance rules were a second drag on economic development, Kuran explains. Since the Koran sanctions polygamy, sharia required a husband’s wealth, upon his death, to go in equal portions to his widows and children, which worked against capital accumulation. In the Roman law that held sway in Europe until the nineteenth century, by contrast, the eldest son inherited his deceased father’s wealth, creating vast fortunes that could be put to economic work. Some economists point to sharia’s prohibition of interest as another hamper on development, but this is much less significant than it appears. From at least the twelfth century on, sharia lawyers authorized “fees” that could accompany money-lending, getting around the ban.
Muslim welfare foundations to aid the poor, called waqf, also undermined economic competitiveness over time, says Kuran. According to sharia, all money given to these charities was exempt from taxation. But Muslim merchants began to establish waqf as fronts for commercial enterprises, depriving the government of sufficient funds to function properly. This tax evasion contributed to the failure of the Arab kingdoms and the Ottoman Empire to build a competent minimal state, which is essential to the effective rule of law.
For evidence that sharia had negative economic effects, consider the Egyptian city of Alexandria. Beginning in the fifteenth century, non-Muslim merchants in the city could opt out of sharia’s business rules. Those who did and embraced Western capitalist norms quickly grew richer than those who continued to follow sharia, historians have shown.
Over time, however, sharia adapted to capitalism. In the nineteenth century, it finally allowed Muslims to form joint-stock companies and to borrow other key capitalist institutions from the West. Today, Islamic banks follow the same practices that non-Islamic banks do (including the use of derivatives) but describe them differently, so that they conform with sharia. Yet despite this transformation in Islamic law, Muslim economies still lag behind Western ones. Greif and Kuran may help explain the Long Divergence, but what accounts for the fact that there is no “Arab Tiger” comparable with Asia’s remarkable success stories?
Part of the answer may, in fact, be religious: Islam’s apostasy law. Sharia holds that a Muslim who breaks with Islam becomes an apostate, an offense punishable by death. And since, at least for Sunni Muslims, there is no central theological authority—the theocratic regime in Iran establishes such authority for Shiite Muslims—any Sunni imam can define what constitutes breaking with Islam. This power may deter potential innovators, including the entrepreneurial kind, from doing anything that could conceivably get them into trouble.
But a bigger reason for the Arab world’s stagnation is political. In nearly every Arab Muslim country, the prime enemy of entrepreneurship and the free market is an abusive government—and the strong, unaccountable, and usually despotic regimes that have dominated Arab Muslim populations for decades owe neither their origins nor their legitimacy, such as it is, to Islam. All emerged from the decolonization struggles of the 1950s and 1960s, which, since the primary colonizers were Europeans, provoked angry anti-Western and anticapitalist attitudes in Muslim societies. The decolonization of the Arabs did not go well. Violent confrontations were the norm, even when full-blown war didn’t break out, as happened in Algeria. The upheavals brought military regimes to power in most of the decolonized Arab states; even when the military wasn’t officially in charge, it controlled puppet governments, as in Morocco. All these regimes espoused nationalism and resisted any rule of law that might limit state power—or give entrepreneurs a freer hand.
Worse, independence took place at a time when the Soviet Union was influential and many believed that centrally planned socialism was a shortcut to power and prosperity. Arab governments thus found it tempting to confiscate private property, eradicate the existing bourgeoisie, and create massive state monopolies in resources like copper, oil, and phosphate. In the name of national independence and economic modernization, all the wealth could be concentrated in the hands of the ruling militaries and bureaucracies.
After the fall of the Soviet Union showed socialism to be far less efficient than the free market, Arab Muslim governments began to free up markets somewhat, but without surrendering their tyrannical authority. This resulted in an Arab crony capitalism, which is now the dominant economic arrangement in the Muslim Middle East. In today’s pseudo-market Arab economies, it makes little sense to be an independent entrepreneur. If you want to open a business, you’ll need a license, and the only surefire way to obtain it is to belong to (or be close to) someone in the ruling elite; even then, you’ll share your profits with the bureaucrats. It’s far easier to seek a rent—a benefit based on your position in society. Rent-seeking is particularly prevalent in countries overflowing with natural resources like oil and gas, which bring in massive revenues that reduce the incentive to diversify the economy.
Egypt exemplifies the crony-capitalist model. During the 1990s, corrupt privatizations transferred state monopolies in energy, steel, cement, and other industries to private “entrepreneurs,” most of whom were members of President Hosni Mubarak’s family, top military officers, and other well-connected people. Meanwhile, economist Hernando de Soto has calculated, opening a modest bakery in Cairo required two years of slogging through the bureaucracy, at each stage of which the would-be owner would need to grease official palms—and if his bakery finally opened, he would then have to pay ongoing protection money to the local police. Small wonder Egypt suffers from slow growth, massive unemployment, and a large black market.
The authoritarian nature of today’s Muslim governments also generates social norms that harm entrepreneurship. For example, a survey conducted by the Casablanca-based business magazine L’Economiste compared the organizational structures of Moroccan firms with those of Western companies operating in Morocco. It found that the boss of a Moroccan firm tends to have a larger office and more assistants, secretaries, and chauffeurs than his Western counterpart does and that his behavior is more autocratic. The likely reason is that the Moroccan boss, mimicking the king and his entourage, finds power—and the exhibition of power—more compelling than profits.
The prosperity-crushing influence of government on Muslim entrepreneurship has nowhere been more evident than in Turkey. In the early nineteenth century, the Turkish sultan, like the Egyptian pasha, tried to import Western science and military methods without introducing Western rule of law. “The Ottoman Empire fell into poverty because the dominant concern of the sultans was always to avoid the emergence of a competing power,” explains Turkish economist Evket Pamuk. And the possibility that they feared the most was the birth of a Westernized Turkish bourgeoisie, its power based on private ownership.
When the empire became the Turkish Republic in 1921, little changed. The republic’s founder, Mustafa Kemal (later called Atatürk, a name he chose that means “Father of the Turks”), was fascinated by the fashionable Italian fascist ideal. The Turks lacked entrepreneurial spirit, he believed, so it was up to the government to act as a collective entrepreneur and pick those who deserved to start new businesses. Under his regime, which became a military dictatorship after his 1938 death, the Turkish economy made little progress, though a small group of well-connected businessmen grew extremely wealthy.
Islam wasn’t to blame for Turkey’s poor economy. Indeed, the new republic was fiercely secular; for decades, no openly devout Muslim could hold any significant position in public service, in the military, or even in business. Modern Turkey started to grow economically only after it began to free up the market under former World Bank economist Turgut Özal, a devout Muslim whom the military had installed as prime minister in 1987 to bring inflation under control. Özal’s reforms opened the way for the openly Islamic, pro-market Justice and Development Party, or AKP, which has ruled Turkey since 2002. Whatever criticisms one might make of the AKP—it has on occasion sought to impose religious norms on a secular society, among other troubling signs—it has brought about an astounding transformation of Turkey’s economy. The state’s budget is balanced, prices are stable, free trade is enthusiastically embraced, and crony capitalism has been constrained. As a consequence, the Turkish growth rate has been one of the world’s highest: 8 percent annually for several years now. Turkey’s per-capita income is now higher than Saudi Arabia’s—and Turkey has no oil.
Fueling this economic expansion is a new generation of entrepreneurs from Anatolia, in eastern Turkey. These businesspeople are conservative Muslims, but they aren’t extremists. The Anatolians are astonishing; no one can say for sure how they arrived on the scene as the dynamic engine of Turkish modernity. Ask an Anatolian entrepreneur about this success and he may credit a strong work ethic, combined with family values ingrained in the Muslim faith. Or he may mention the business traditions of Anatolia, a crossroads between Asia and Europe under the Ottoman Empire. Pamuk, a secular Turk, points to mundane factors like the Anatolians’ low labor costs and Turkey’s proximity to the vast European market: Turkey now exports 25 percent of its national production, up from 3 percent in 1980. Whatever the reason for the Anatolian breakthrough, Islam has not impeded it.
Will the Turkish model spread to nearby Arab countries? This year’s revolutions in Tunisia and Egypt may answer that question. Remember the man who inspired the revolutions: Mohammed Bouazizi, a young Tunisian who earned a university degree but could find no decent formal employment, a situation all too common for educated young Arabs. Bouazizi sought to make a living from a tiny fruit-and-vegetable stand, but last December, because he hadn’t registered it with the authorities, police confiscated it. Bouazizi then set himself on fire.
Bouazizi’s suicide brought millions of Arabs to the streets because they could identify with him. Human rights leaders didn’t start the revolutions; neither did long-banned Islamic movements like the Muslim Brotherhood. The upheavals weren’t characterized by Islamic banners or by Israeli flags going up in flames (though there were disturbing reports of Muslims attacking Christian churches in Egypt after the police had vanished from the streets). No, the dominant message of the Arab Spring was that the Arabs didn’t want to remain separated from the rest of the world. The Egyptian students in Tahrir Square couldn’t have put it more clearly: they wanted democracy, globalization, and market prosperity, not Islamicization. “We want a normal country, which means free enterprise and democracy,” said one of their leaders, Amr Salah of the Cairo Institute for Human Rights, in Paris this April. Even the notorious Muslim Brotherhood is on board with capitalism: “Our economic program is a free-market society in order to pursue social justice,” says Sameh al-Barqui, an American-educated economics expert with the Brotherhood.
The transition from the Arab world’s authoritarian regimes to democracy, markets, and the rule of law is far from guaranteed, of course. For a reminder of the difficulty of installing successful Western-style capitalism, consider Rifaa, who returned to Egypt after seven years in France and became the pasha’s main advisor—overseeing the translation of French scientific books into Arabic, founding the first Arabic newspapers, and opening schools for girls. Though Rifaa faced the hostility of Muslim conservatives, his reforms, accompanying the era’s shifts in sharia, inaugurated an era of modernization in Egypt. By the late nineteenth century, Cairo was starting to look like a European city, with electricity, sanitation, universities, and an independent press. But the renaissance didn’t last long, because Rifaa repeatedly failed to persuade the pasha to accept a Western-style constitution, which would have limited the ruler’s arbitrary power. What kept Egypt back was its failure to establish the rule-governed institutions familiar in the West.
It should be sobering, therefore, that the military isn’t likely to surrender its political privileges easily in any Arab country. Still, most of the political parties emerging in the ferment are supporters of free markets. (Some socialist parties remain in Morocco and Tunisia, where the French influence left its mark, but they are socialist in name only.) The young men and women behind the Arab Spring will continue to push for more open markets where millions of Bouazizis will be able to become entrepreneurs—where it won’t take two years and countless bribes to open a bakery. And there appears to be no cultural or religious reason that someday, in the not-so-distant future, we won’t find cafés in Cairo that run as efficiently and reasonably as those in Marseille.
Guy Sorman, a City Journal contributing editor, is the author of Children of Rifaa: In Search of a Moderate Islam and many other books.
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Book: The New Brazil - Riordan Roett
The New Brazil
Roett, Riordan
Published By: Brookings Institution Press
Published Date: 1 July 2011
The New Brazil tells the story of South America’s largest country as it evolved from a remote Portuguese colony into a regional leader; a respected representative for the developing world; and, increasingly, an important partner for the United States and the European Union.In this engaging book, Riordan Roett traces the long road Brazil has traveled to reach its present status, examining the many challenges it has overcome and those that lie ahead. He discusses the country’s development as a colony, empire, and republic; the making of modern Brazil, beginning with the rise to power of Getúlio Vargas; the adventof the military government in 1964; the return to civilian rule two decades later; and the pivotal presidencies of Fernando Henrique Cardoso and Luiz Inácio (Lula) da Silva, leading to the nation’s current world status as one of the BRIC countries.Under newly elected President Dilma Rousseff, much remains to be done to consolidate and expand its global role. Nonetheless, as a player on the world stage, Brazil is here to stay.“In part the [country’s] success is due to external factors such as the high demand for Brazilian exports, particularly in China and the rest of Asia. But it also reflects sophisticated policy choices, including inflation targeting and maintenance of an autonomous central bank.”— from the Introduction
Read online (Amigo Reader)
Roett, Riordan
Published By: Brookings Institution Press
Published Date: 1 July 2011
The New Brazil tells the story of South America’s largest country as it evolved from a remote Portuguese colony into a regional leader; a respected representative for the developing world; and, increasingly, an important partner for the United States and the European Union.In this engaging book, Riordan Roett traces the long road Brazil has traveled to reach its present status, examining the many challenges it has overcome and those that lie ahead. He discusses the country’s development as a colony, empire, and republic; the making of modern Brazil, beginning with the rise to power of Getúlio Vargas; the adventof the military government in 1964; the return to civilian rule two decades later; and the pivotal presidencies of Fernando Henrique Cardoso and Luiz Inácio (Lula) da Silva, leading to the nation’s current world status as one of the BRIC countries.Under newly elected President Dilma Rousseff, much remains to be done to consolidate and expand its global role. Nonetheless, as a player on the world stage, Brazil is here to stay.“In part the [country’s] success is due to external factors such as the high demand for Brazilian exports, particularly in China and the rest of Asia. But it also reflects sophisticated policy choices, including inflation targeting and maintenance of an autonomous central bank.”— from the Introduction
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Propaganda nunca antes vista neste pais: vivendo de ilusoes: o PAC da corrupcao
Nunca antes neste país se gastou tanta propaganda em inutilidades. Nunca antes se vendeu tanta coisa vazia como se tivesse algum conteúdo real. Nunca se roubou tanto, com tanto sofreguidão, na indiferença da sociedade, e com a participação ativa de representantes eleitos.
Nunca antes tivemos tantos motivos para nos envergonharmos deste país...
Paulo Roberto de Almeida
O “PAC” que funciona: Programa de Aceleração da Corrupção
Editorial - O Estado de S.Paulo
Sábado, 30 de julho de 2011
O sistema de vale-tudo nas relações entre a burocracia do Executivo, parlamentares e as empresas que conhecem o caminho das pedras para fazer negócios com a área federal engendrou no governo Lula um outro “PAC”, mais bem-sucedido do que o original. Seria o Programa de Aceleração da Corrupção. Diga-se desde logo que conluios entre servidores venais, políticos de mãos sujas e negociantes desonestos não são uma exclusividade nacional e tampouco surgiram sob o lulismo. Mas tudo indica que a roubalheira na escolha dos fornecedores de bens e prestadores de serviços ao Estado brasileiro e nos contratos que os privilegiaram alcançou amplitude nunca antes atingida na história deste país nos governos petistas, e não apenas em função do patamar de gastos públicos. Mais decisivo para o resultado estarrecedor a que se chegou foi o perverso exemplo de cima para baixo. No regime do mensalão e das relações calorosas entre o presidente da República e a escória da política empoleirada em posições-chave no Parlamento, corruptores e corruptíveis em potencial se sentiram incentivados a assaltar o erário com a desenvoltura dos que nada têm a perder e tudo a ganhar. Nos últimos 30 dias, as histórias escabrosas trazidas à tona pelos escândalos revelados no Ministério dos Transportes tiveram o impacto de uma bomba de fragmentação que lançasse estilhaços em todas as direções da capital do País. Mas elas parecem apenas uma amostra do que vinha (e decerto ainda vem) se passando na máquina federal.
Ao passar o pente-fino em 142 mil licitações e contratos do governo assinados entre 2006 e 2010, referentes a obras e serviços no valor de R$ 104 bilhões, o Tribunal de Contas da União (TCU) topou com escabrosidades que caracterizam um padrão consolidado de delinquência, evidenciado em praticamente todos os aspectos de cada empreendimento (pág. A-4 do Estado de sexta-feira). As licitações se transformaram no proverbial jogo de cartas marcadas. Não apenas o governo fechava negócios com firmas cujos sócios eram servidores públicos aninhados no próprio órgão que encomendava a empreitada, mas em um dos casos esses funcionários integravam a comissão de licitação que acabaria por dar preferência às suas respectivas empresas.
Licitações eram dispensadas sem a apresentação de justa causa. Só uma empresa interessada ganhou 12 mil licitações; desistiu de todas para favorecer “concorrentes” que haviam apresentado lances mais altos. Duas ou mais empresas com os mesmos sócios participaram de 16 mil disputas. Cerca de 1.500 contratos foram assinados com empresas inidôneas ou condenadas por improbidade. Aditivos da ordem de 125% sobre o valor original - o limite legal é de 25% - engordaram 9.400 contratos. As irregularidades, que somam mais de 100 mil, “estão disseminadas entre todos os gestores”, concluiu o relatório de 70 páginas da mega-auditoria realizada pelo tribunal de abril a setembro do ano passado.
Lamentavelmente, o tribunal manteve em sigilo - salvo para as Mesas da Câmara e do Senado, e o Ministério Público Eleitoral - a relação de parlamentares sócios de empresas contratadas pelo governo. A participação dos políticos nesses negócios ajuda a fomentar a corrupção, em razão dos seus íntimos entrelaçamentos com os centros de decisão no aparato administrativo. Além disso, a Constituição proíbe explicitamente que empresas que tenham parlamentares entre os seus sócios sejam contratadas pelo governo. Para contornar essa barreira, os políticos costumam deixar a gestão direta de suas firmas. Em pelo menos um caso, porém, o mandatário não se pejou de assinar ele próprio o contrato com uma repartição pública.
Quanto aos políticos citados no relatório, só dois nomes são conhecidos, graças ao trabalho de reportagem do Estado. São o senador e ex-ministro das Comunicações (afastado por suspeita de ilícitos) Eunício Oliveira e o notório deputado Paulo Maluf. Uma empresa do primeiro venceu uma licitação fraudada de R$ 300 milhões na Petrobrás. Uma empresa do segundo alugou um imóvel para o governo por R$ 1,3 milhão ao ano. Com “dispensa de licitação”.
Vamos aguardar a divulgação da lista em poder dos membros das mesas do Senado e da Câmara dos Deputados.
Nunca antes tivemos tantos motivos para nos envergonharmos deste país...
Paulo Roberto de Almeida
O “PAC” que funciona: Programa de Aceleração da Corrupção
Editorial - O Estado de S.Paulo
Sábado, 30 de julho de 2011
O sistema de vale-tudo nas relações entre a burocracia do Executivo, parlamentares e as empresas que conhecem o caminho das pedras para fazer negócios com a área federal engendrou no governo Lula um outro “PAC”, mais bem-sucedido do que o original. Seria o Programa de Aceleração da Corrupção. Diga-se desde logo que conluios entre servidores venais, políticos de mãos sujas e negociantes desonestos não são uma exclusividade nacional e tampouco surgiram sob o lulismo. Mas tudo indica que a roubalheira na escolha dos fornecedores de bens e prestadores de serviços ao Estado brasileiro e nos contratos que os privilegiaram alcançou amplitude nunca antes atingida na história deste país nos governos petistas, e não apenas em função do patamar de gastos públicos. Mais decisivo para o resultado estarrecedor a que se chegou foi o perverso exemplo de cima para baixo. No regime do mensalão e das relações calorosas entre o presidente da República e a escória da política empoleirada em posições-chave no Parlamento, corruptores e corruptíveis em potencial se sentiram incentivados a assaltar o erário com a desenvoltura dos que nada têm a perder e tudo a ganhar. Nos últimos 30 dias, as histórias escabrosas trazidas à tona pelos escândalos revelados no Ministério dos Transportes tiveram o impacto de uma bomba de fragmentação que lançasse estilhaços em todas as direções da capital do País. Mas elas parecem apenas uma amostra do que vinha (e decerto ainda vem) se passando na máquina federal.
Ao passar o pente-fino em 142 mil licitações e contratos do governo assinados entre 2006 e 2010, referentes a obras e serviços no valor de R$ 104 bilhões, o Tribunal de Contas da União (TCU) topou com escabrosidades que caracterizam um padrão consolidado de delinquência, evidenciado em praticamente todos os aspectos de cada empreendimento (pág. A-4 do Estado de sexta-feira). As licitações se transformaram no proverbial jogo de cartas marcadas. Não apenas o governo fechava negócios com firmas cujos sócios eram servidores públicos aninhados no próprio órgão que encomendava a empreitada, mas em um dos casos esses funcionários integravam a comissão de licitação que acabaria por dar preferência às suas respectivas empresas.
Licitações eram dispensadas sem a apresentação de justa causa. Só uma empresa interessada ganhou 12 mil licitações; desistiu de todas para favorecer “concorrentes” que haviam apresentado lances mais altos. Duas ou mais empresas com os mesmos sócios participaram de 16 mil disputas. Cerca de 1.500 contratos foram assinados com empresas inidôneas ou condenadas por improbidade. Aditivos da ordem de 125% sobre o valor original - o limite legal é de 25% - engordaram 9.400 contratos. As irregularidades, que somam mais de 100 mil, “estão disseminadas entre todos os gestores”, concluiu o relatório de 70 páginas da mega-auditoria realizada pelo tribunal de abril a setembro do ano passado.
Lamentavelmente, o tribunal manteve em sigilo - salvo para as Mesas da Câmara e do Senado, e o Ministério Público Eleitoral - a relação de parlamentares sócios de empresas contratadas pelo governo. A participação dos políticos nesses negócios ajuda a fomentar a corrupção, em razão dos seus íntimos entrelaçamentos com os centros de decisão no aparato administrativo. Além disso, a Constituição proíbe explicitamente que empresas que tenham parlamentares entre os seus sócios sejam contratadas pelo governo. Para contornar essa barreira, os políticos costumam deixar a gestão direta de suas firmas. Em pelo menos um caso, porém, o mandatário não se pejou de assinar ele próprio o contrato com uma repartição pública.
Quanto aos políticos citados no relatório, só dois nomes são conhecidos, graças ao trabalho de reportagem do Estado. São o senador e ex-ministro das Comunicações (afastado por suspeita de ilícitos) Eunício Oliveira e o notório deputado Paulo Maluf. Uma empresa do primeiro venceu uma licitação fraudada de R$ 300 milhões na Petrobrás. Uma empresa do segundo alugou um imóvel para o governo por R$ 1,3 milhão ao ano. Com “dispensa de licitação”.
Vamos aguardar a divulgação da lista em poder dos membros das mesas do Senado e da Câmara dos Deputados.
sábado, 30 de julho de 2011
Desconfie de politicos muito seguros em economia (geralmente eles não sabem nada...)
Cinco Motivos pra você Desconfiar de alguns Políticos e Consultores Econômicos
Blog Mansueto de Almeida
30/07/2011
Sempre que você escutar uma das afirmações abaixo, pergunte em seguida exatamente o que seu interlocutor quer dizer. Escuto muitos políticos e consultores econômicos falarem sobre esse assuntos sem, propositadamente ou não, deixarem claro o que pensam.
Vamos a lista que elaborei de afirmações supostamente inteligentes que não dizem coisa alguma.
(1) “Precisamos reduzir o custeio e aumentar a eficiência do setor público”
Essa é para mim uma das afirmações mais vagas que existe. Uma frase que todos falam para impressionar, mas que não significa coisa alguma. Reduzir exatamente quais contas de custeio? Passagens de avião? Qualquer economia de custeio será minima se não mexermos no crescimento das despesas da seguridade social e na política de valorização do salário mínimo.
O ideal seria perguntar aos partidos políticos se eles estariam dispostos a reduzir o crescimento dos gastos sociais, modificar a política de valorização do salario mínimo e modificar a regra de concessão de pensões no Brasil e acabar com as distorções da previdência pública e privada. Claro que falar sobre esses pontos é mexer em vespeiro eleitoral. Assim é melhor falar em redução do custeio e eficiência da máquina, você faz muitos amigos e nenhum inimigo, embora esteja sendo desonesto intelectualmente com todos.
(2) “O Brasil não deve ser preocupar tanto com a convergência para a meta de inflação de 4,5% em 2012. O custo seria muito alto.”
Uma coisa que é cada vez mais clara para mim é que muita gente de dentro e fora do governo fala a favor do sistema de metas e, simultaneamente, faz análises baseadas em otimismo, como uma queda esperada nos preços da commodities em 10% e uma desaceleração suficiente do nível de atividade para trazer a inflação para a meta. Se retirarmos o ano de 2009, temos um inflação média de 2008, 2010 e 2011 próxima de 6% ao ano. O que me parece é que muita gente critica o Banco Central por aumentar a taxa de juros, fala que esse instrumento não funciona, mas ao mesmo tempo não consegue dar uma única solução para trazer a inflação para a meta de 4,5%.
Na verdade, muitos defendem o sistema de metas e, ao mesmo tempo, acham normal que o Brasil trabalhe próximo do seu limite superior. Por que esses economistas ou políticos simplesmente não defendem abertamente um aumento na meta de inflação? Poderiam dizer que acham tolice uma meta de inflação “tão baixa de 4,5% ao ano”.
(3) “Precisamos fazer uma reforma tributária ampla e reduzir o peso dos impostos que sufocam a economia brasileira”.
OK, mas reduzir peso dos impostos por meio de uma agenda agressiva de desoneração tributária significa ou redução do superávit primário ou corte de gastos. Acho que a tendência do resultado primário do Brasil nos próximos três anos já é de redução para que possamos aumentar o investimento público. Mas se além disso quisermos cortar impostos, seria bom decidir quais gastos serão cortados.Falar em corte de custeio não vale porque voltamos para o problema (1) acima.
Será que algum político ou economista está disposto a defender publicamente corte de despesas sociais ou a modificação da política de valorização do salario mínimo? Será que alguém defende cortes das despesas com o SUS, apesar de quase um terço da população ainda não ter acesso a serviços de saúde? Não confie em alguém que diz que precisarmos reduzir a carga tributária e não fala exatamente quais despesas serão cortadas ou seu crescimento controlado.
(4) “Precisamos de uma política industrial para aumentar a competitividade da indústria brasileira e aumentar as exportações de manufaturados.”
Essa é outra afirmação que todos gostam de falar aos quatro ventos para quem quiser ouvir e as pessoas ainda dirão que você e inteligente. Acontece que desde 2008 com a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) o governo tem sido muito eficiente em ajudar empresas grandes em setores nos quais o Brasil já tem vantagem comparativa. O benefício para essas empresas em ter um sócio como o BNDES é muito bom, mas é questionável o benefício dessa política para o Brasil.
E para aumentar a competitividade da indústria brasileira seriam necessárias medidas em diversas frentes: (i) aumentar investimento público para melhorar a infraestrutura e aumentar a competitividade de todos os setores; (ii) aumentar as concessões de portos e aeroportos para o que setor privado faça os investimentos necessários; (iii) aumentar e melhorar o investimento em educação, modificando inclusive o funcionamento do ensino médio que é muito voltado para o ensino superior; (iv) aumnetar o investimesto na pré-escola; (v) melhorar os incentivos a P&D e inovação; etc.
No caso de incetivos à inovação, estamos falando de poucos recursos que caberiam nas fontes de recursos já existentes. No ano passado, o Banco Mundial emprestou US$ 44 bilhões em 164 operações em 46 países. O BNDES sozinho emprestou US$ 99 bilhões. Sem a ajuda alguma do Tesouro Nacional, a capacidade de empréstimos do BNDES seria ainda de US$ 60 bilhões ao ano, sem contar ainda com a carteira do BNDESPar (por volta de US% 50 bilhões) que poderia mudar sua composição — desinvestir em algumas empresas e ser parceiro de outras menores em atividades de maior retorno social ou em projetos de infraestrutura.
Hoje, no Brasil, as pessoas falam de política industrial colocando no “mesmo prato” incentivos bilionários a frigoríficos com incentivos menores a até mesmo irrelevantes para atividades P&D e inovação. Investimentos bilionários como a construção do Trem Bala, de navios petroleiros do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (PROMEF) e parcerias do BNDESPar com grandes empresas são chamadas de política industrial como também investimentos de R$ 10 milhões para incentivar inovação. O que muitos chamam de política industrial não passa da simples concessão de crédito subsidiado – isso não é nem a velha politica industrial nem a nova voltada ao que os preofessores de Harvard Rodrick e Hausmann (2003) chamam de promover “self-discovery”.
Por exemplo, qual a política industrial na construção de refinarias bilionárias pela Petrobrás? absolutamente nenhuma. Lembro-me que Antônio Barros de Castro uma vez foi taxativo quanto a isso: “não há nada de política industrial em colocar aço e cimento junto e refinar petróleo”. Por outro lado, muito do que fizemos com as pesquisas via Embrapa poderiam ser denominadas de “politica industrial”– foco em inovação e o beneficio da pesquisa não era apropriado por um empresa, mas por todo um setor.
(5) “O Brasil precisa aumentar a sua taxa de investimento para crescer de forma sustentável.”
Pergunte em seguida de que forma o país deve aumentar sua taxa de poupança para financiar o nível maior de investimento sem aumentar de forma excessiva o déficit em conta corrente? A única poupança sobre o controle direto do governo é a sua própria poupança: a pública. Assim, para aumentar essa poupança para investir mais significa aumentar a carga tributária ou cortar gastos. Caso isso não seja feito, o aumento da taxa de investimento na economia brasileira será seguida do crescimento do déficit em conta corrente e mais valorização do real.
“O jeitinho brasileiro de aumantar a taxa de investimento” – emissão de divida pública para emprestar para o BNDES – não cria poupança. Se crescimento da dívida fosse suficiente para aumentar a taxa de poupança e investimento em uma economia, seria suficiente aumentar ainda mais a divida pública para aumentar os empréstimos para o BNDES. Hoje esses empréstimos já passam de R$ 300 bilhões e têm um custo elevado, que nunca é explicitamente divulgado enm tão pouco discutido.
Ponto Chave: muito cuidado com políticos, economistas e consultores que prometem o Céu nas suas análises utilizando chavões que todos nós gostamos de ouvir: eficiência, controle do custeio, reforma tributária, controle da inflação, política industrial e aumento da taxa de investimento.
Alguém é contra essa agenda? Absolutamente ninguém. O problema no entanto surge quando os temas acimas são transformados em propostas de política e, então, se descobre as inconsistências do discurso superficial pró-crescimento. E isso não tem absolutamente nada a ver com teoria neoclássica ou com economistas liberais. Tem a ver com bom senso, o que hoje falta a muita gente no Brasil.
A propósito, não tenho a solução para os pontos levantados acima.Tenho o diagnóstico dos problemas, mas a decisão do modelo de crescimento que queremos é da sociedade, que pode optar por crescer menos e continuar com a mesma politica de valorização do mínimo , sem mudança alguma nas regras da previdência e pensões.
Blog Mansueto de Almeida
30/07/2011
Sempre que você escutar uma das afirmações abaixo, pergunte em seguida exatamente o que seu interlocutor quer dizer. Escuto muitos políticos e consultores econômicos falarem sobre esse assuntos sem, propositadamente ou não, deixarem claro o que pensam.
Vamos a lista que elaborei de afirmações supostamente inteligentes que não dizem coisa alguma.
(1) “Precisamos reduzir o custeio e aumentar a eficiência do setor público”
Essa é para mim uma das afirmações mais vagas que existe. Uma frase que todos falam para impressionar, mas que não significa coisa alguma. Reduzir exatamente quais contas de custeio? Passagens de avião? Qualquer economia de custeio será minima se não mexermos no crescimento das despesas da seguridade social e na política de valorização do salário mínimo.
O ideal seria perguntar aos partidos políticos se eles estariam dispostos a reduzir o crescimento dos gastos sociais, modificar a política de valorização do salario mínimo e modificar a regra de concessão de pensões no Brasil e acabar com as distorções da previdência pública e privada. Claro que falar sobre esses pontos é mexer em vespeiro eleitoral. Assim é melhor falar em redução do custeio e eficiência da máquina, você faz muitos amigos e nenhum inimigo, embora esteja sendo desonesto intelectualmente com todos.
(2) “O Brasil não deve ser preocupar tanto com a convergência para a meta de inflação de 4,5% em 2012. O custo seria muito alto.”
Uma coisa que é cada vez mais clara para mim é que muita gente de dentro e fora do governo fala a favor do sistema de metas e, simultaneamente, faz análises baseadas em otimismo, como uma queda esperada nos preços da commodities em 10% e uma desaceleração suficiente do nível de atividade para trazer a inflação para a meta. Se retirarmos o ano de 2009, temos um inflação média de 2008, 2010 e 2011 próxima de 6% ao ano. O que me parece é que muita gente critica o Banco Central por aumentar a taxa de juros, fala que esse instrumento não funciona, mas ao mesmo tempo não consegue dar uma única solução para trazer a inflação para a meta de 4,5%.
Na verdade, muitos defendem o sistema de metas e, ao mesmo tempo, acham normal que o Brasil trabalhe próximo do seu limite superior. Por que esses economistas ou políticos simplesmente não defendem abertamente um aumento na meta de inflação? Poderiam dizer que acham tolice uma meta de inflação “tão baixa de 4,5% ao ano”.
(3) “Precisamos fazer uma reforma tributária ampla e reduzir o peso dos impostos que sufocam a economia brasileira”.
OK, mas reduzir peso dos impostos por meio de uma agenda agressiva de desoneração tributária significa ou redução do superávit primário ou corte de gastos. Acho que a tendência do resultado primário do Brasil nos próximos três anos já é de redução para que possamos aumentar o investimento público. Mas se além disso quisermos cortar impostos, seria bom decidir quais gastos serão cortados.Falar em corte de custeio não vale porque voltamos para o problema (1) acima.
Será que algum político ou economista está disposto a defender publicamente corte de despesas sociais ou a modificação da política de valorização do salario mínimo? Será que alguém defende cortes das despesas com o SUS, apesar de quase um terço da população ainda não ter acesso a serviços de saúde? Não confie em alguém que diz que precisarmos reduzir a carga tributária e não fala exatamente quais despesas serão cortadas ou seu crescimento controlado.
(4) “Precisamos de uma política industrial para aumentar a competitividade da indústria brasileira e aumentar as exportações de manufaturados.”
Essa é outra afirmação que todos gostam de falar aos quatro ventos para quem quiser ouvir e as pessoas ainda dirão que você e inteligente. Acontece que desde 2008 com a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) o governo tem sido muito eficiente em ajudar empresas grandes em setores nos quais o Brasil já tem vantagem comparativa. O benefício para essas empresas em ter um sócio como o BNDES é muito bom, mas é questionável o benefício dessa política para o Brasil.
E para aumentar a competitividade da indústria brasileira seriam necessárias medidas em diversas frentes: (i) aumentar investimento público para melhorar a infraestrutura e aumentar a competitividade de todos os setores; (ii) aumentar as concessões de portos e aeroportos para o que setor privado faça os investimentos necessários; (iii) aumentar e melhorar o investimento em educação, modificando inclusive o funcionamento do ensino médio que é muito voltado para o ensino superior; (iv) aumnetar o investimesto na pré-escola; (v) melhorar os incentivos a P&D e inovação; etc.
No caso de incetivos à inovação, estamos falando de poucos recursos que caberiam nas fontes de recursos já existentes. No ano passado, o Banco Mundial emprestou US$ 44 bilhões em 164 operações em 46 países. O BNDES sozinho emprestou US$ 99 bilhões. Sem a ajuda alguma do Tesouro Nacional, a capacidade de empréstimos do BNDES seria ainda de US$ 60 bilhões ao ano, sem contar ainda com a carteira do BNDESPar (por volta de US% 50 bilhões) que poderia mudar sua composição — desinvestir em algumas empresas e ser parceiro de outras menores em atividades de maior retorno social ou em projetos de infraestrutura.
Hoje, no Brasil, as pessoas falam de política industrial colocando no “mesmo prato” incentivos bilionários a frigoríficos com incentivos menores a até mesmo irrelevantes para atividades P&D e inovação. Investimentos bilionários como a construção do Trem Bala, de navios petroleiros do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (PROMEF) e parcerias do BNDESPar com grandes empresas são chamadas de política industrial como também investimentos de R$ 10 milhões para incentivar inovação. O que muitos chamam de política industrial não passa da simples concessão de crédito subsidiado – isso não é nem a velha politica industrial nem a nova voltada ao que os preofessores de Harvard Rodrick e Hausmann (2003) chamam de promover “self-discovery”.
Por exemplo, qual a política industrial na construção de refinarias bilionárias pela Petrobrás? absolutamente nenhuma. Lembro-me que Antônio Barros de Castro uma vez foi taxativo quanto a isso: “não há nada de política industrial em colocar aço e cimento junto e refinar petróleo”. Por outro lado, muito do que fizemos com as pesquisas via Embrapa poderiam ser denominadas de “politica industrial”– foco em inovação e o beneficio da pesquisa não era apropriado por um empresa, mas por todo um setor.
(5) “O Brasil precisa aumentar a sua taxa de investimento para crescer de forma sustentável.”
Pergunte em seguida de que forma o país deve aumentar sua taxa de poupança para financiar o nível maior de investimento sem aumentar de forma excessiva o déficit em conta corrente? A única poupança sobre o controle direto do governo é a sua própria poupança: a pública. Assim, para aumentar essa poupança para investir mais significa aumentar a carga tributária ou cortar gastos. Caso isso não seja feito, o aumento da taxa de investimento na economia brasileira será seguida do crescimento do déficit em conta corrente e mais valorização do real.
“O jeitinho brasileiro de aumantar a taxa de investimento” – emissão de divida pública para emprestar para o BNDES – não cria poupança. Se crescimento da dívida fosse suficiente para aumentar a taxa de poupança e investimento em uma economia, seria suficiente aumentar ainda mais a divida pública para aumentar os empréstimos para o BNDES. Hoje esses empréstimos já passam de R$ 300 bilhões e têm um custo elevado, que nunca é explicitamente divulgado enm tão pouco discutido.
Ponto Chave: muito cuidado com políticos, economistas e consultores que prometem o Céu nas suas análises utilizando chavões que todos nós gostamos de ouvir: eficiência, controle do custeio, reforma tributária, controle da inflação, política industrial e aumento da taxa de investimento.
Alguém é contra essa agenda? Absolutamente ninguém. O problema no entanto surge quando os temas acimas são transformados em propostas de política e, então, se descobre as inconsistências do discurso superficial pró-crescimento. E isso não tem absolutamente nada a ver com teoria neoclássica ou com economistas liberais. Tem a ver com bom senso, o que hoje falta a muita gente no Brasil.
A propósito, não tenho a solução para os pontos levantados acima.Tenho o diagnóstico dos problemas, mas a decisão do modelo de crescimento que queremos é da sociedade, que pode optar por crescer menos e continuar com a mesma politica de valorização do mínimo , sem mudança alguma nas regras da previdência e pensões.
E por falar em cambio: O governo e a batalha do câmbio - Luiz Carlos Mendonça de Barros
O governo e a batalha do câmbio
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Folha de S.Paulo, 29/07/2011
No Ministério da Fazenda ninguém tem a menor ideia sobre a caixa de surpresas que foi aberta nesta semana
COM O real chegando a seu momento de maior força em relação ao dólar, o governo Dilma Rousseff cruzou uma nova fronteira em sua confusa e pouco eficiente estratégia de proteger a indústria brasileira.
Pela primeira vez desde que o ministro Guido Mantega cunhou a expressão "guerra cambial", o governo tomou medidas para atingir o mercado futuro de câmbio na BM&F.
Ao taxar essas operações com o IOF e estabelecer um marco legal para fixar --por medidas administrativas do CMN-- o nível de garantias exigidas, o governo --como Cesar-- cruzou o Rubicão.
Não há mais volta, pois, ao interferir em um mercado tão grande e tão interligado com o lado real da economia sem a devida reflexão sobre seus efeitos --e esse é certamente o caso--, o governo criou algo muito perto do caos.
Estou fora do país, mas os relatos que tive sobre a coletiva do ministro Mantega são suficientes para compor esse quadro de desconhecimento profundo das consequências das medidas adotadas.
Posso afirmar isso porque participei em 1986, quando era diretor do Banco Central, de algo muito semelhante. Pressionado para enfrentar a questão das expectativas de inflação embutidas nas taxas de juros dos títulos públicos, o Banco Central mudou a tributação desses papéis sem a necessária avaliação de suas consequências na economia como um todo.
Tudo virou um inferno, e uma sequência de novas medidas foi necessária para tentar enfrentar as maiores distorções que apareceram. E, a cada tentativa de correção, novos problemas se colocavam. No final, tivemos de voltar atrás...
A questão do real forte é ainda mais complexa do que a que o Banco Central enfrentou décadas atrás. E isso ocorre por várias razões.
A mais importante delas está relacionada às complexas relações entre mercados internos e externos que existem hoje na economia brasileira.
E não estou falando apenas de relações financeiras, mas sim da complexa interação entre as cadeias produtivas em setores importantes do tecido produtivo. As importações fazem parte do cotidiano das empresas brasileiras, o que as obrigam a realizar operações de proteção contra a flutuação da taxa cambial.
Também os exportadores, principalmente no setor de produtos primários, precisam de mecanismos de proteção contra as flutuações de grandes proporções que ocorrem hoje nos mercados futuros desses produtos no exterior. E essas operações de proteção trazem, juntas, as flutuações nos mercados de câmbio.
Poderia escrever muito mais sobre as relações econômicas, e, como já disse, não apenas as financeiras, que estão por trás das operações de taxas de câmbio futuro na BM&F.
Mas tenho certeza de que isso não é necessário para mostrar ao leitor da Folha a fragilidade que está por trás das decisões tomadas pelo governo Dilma nos últimos dias.
Quando escrevo esta coluna, os mercados estão paralisados à espera de esclarecimentos do governo sobre as medidas tomadas. Já tenho muito tempo de estrada para acreditar que elas virão. Volto a afirmar que ninguém no Ministério da Fazenda --inclusive o ministro Mantega-- tem a menor ideia sobre a caixa de surpresas que eles abriram agora.
Uma coisa é certa: ao longo dos próximos dias um mercado futuro de taxas de câmbio, tendo o real como uma das pontas das operações, vai aparecer em Chicago ou em outras praças financeiras.
As demandas por operações desse tipo fazem parte hoje do que chamo de metabolismo da economia brasileira. Por isso, elas vão reaparecer em outros lugares. Mas, como sempre ocorre nessas situações, os custos de transação vão aumentar para quem faz negócios no Brasil e com o Brasil.
Um dos pensamentos estratégicos que os chineses, em seus 5.000 anos de história, nos deixaram foi o de nunca usar um canhão para matar uma formiga.
Os efeitos colaterais que ocorrem quando isso acontece são sempre muito maiores do que os eventuais benefícios gerados.
Vamos testar no Brasil de hoje a sabedoria estratégica dos chineses.
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Folha de S.Paulo, 29/07/2011
No Ministério da Fazenda ninguém tem a menor ideia sobre a caixa de surpresas que foi aberta nesta semana
COM O real chegando a seu momento de maior força em relação ao dólar, o governo Dilma Rousseff cruzou uma nova fronteira em sua confusa e pouco eficiente estratégia de proteger a indústria brasileira.
Pela primeira vez desde que o ministro Guido Mantega cunhou a expressão "guerra cambial", o governo tomou medidas para atingir o mercado futuro de câmbio na BM&F.
Ao taxar essas operações com o IOF e estabelecer um marco legal para fixar --por medidas administrativas do CMN-- o nível de garantias exigidas, o governo --como Cesar-- cruzou o Rubicão.
Não há mais volta, pois, ao interferir em um mercado tão grande e tão interligado com o lado real da economia sem a devida reflexão sobre seus efeitos --e esse é certamente o caso--, o governo criou algo muito perto do caos.
Estou fora do país, mas os relatos que tive sobre a coletiva do ministro Mantega são suficientes para compor esse quadro de desconhecimento profundo das consequências das medidas adotadas.
Posso afirmar isso porque participei em 1986, quando era diretor do Banco Central, de algo muito semelhante. Pressionado para enfrentar a questão das expectativas de inflação embutidas nas taxas de juros dos títulos públicos, o Banco Central mudou a tributação desses papéis sem a necessária avaliação de suas consequências na economia como um todo.
Tudo virou um inferno, e uma sequência de novas medidas foi necessária para tentar enfrentar as maiores distorções que apareceram. E, a cada tentativa de correção, novos problemas se colocavam. No final, tivemos de voltar atrás...
A questão do real forte é ainda mais complexa do que a que o Banco Central enfrentou décadas atrás. E isso ocorre por várias razões.
A mais importante delas está relacionada às complexas relações entre mercados internos e externos que existem hoje na economia brasileira.
E não estou falando apenas de relações financeiras, mas sim da complexa interação entre as cadeias produtivas em setores importantes do tecido produtivo. As importações fazem parte do cotidiano das empresas brasileiras, o que as obrigam a realizar operações de proteção contra a flutuação da taxa cambial.
Também os exportadores, principalmente no setor de produtos primários, precisam de mecanismos de proteção contra as flutuações de grandes proporções que ocorrem hoje nos mercados futuros desses produtos no exterior. E essas operações de proteção trazem, juntas, as flutuações nos mercados de câmbio.
Poderia escrever muito mais sobre as relações econômicas, e, como já disse, não apenas as financeiras, que estão por trás das operações de taxas de câmbio futuro na BM&F.
Mas tenho certeza de que isso não é necessário para mostrar ao leitor da Folha a fragilidade que está por trás das decisões tomadas pelo governo Dilma nos últimos dias.
Quando escrevo esta coluna, os mercados estão paralisados à espera de esclarecimentos do governo sobre as medidas tomadas. Já tenho muito tempo de estrada para acreditar que elas virão. Volto a afirmar que ninguém no Ministério da Fazenda --inclusive o ministro Mantega-- tem a menor ideia sobre a caixa de surpresas que eles abriram agora.
Uma coisa é certa: ao longo dos próximos dias um mercado futuro de taxas de câmbio, tendo o real como uma das pontas das operações, vai aparecer em Chicago ou em outras praças financeiras.
As demandas por operações desse tipo fazem parte hoje do que chamo de metabolismo da economia brasileira. Por isso, elas vão reaparecer em outros lugares. Mas, como sempre ocorre nessas situações, os custos de transação vão aumentar para quem faz negócios no Brasil e com o Brasil.
Um dos pensamentos estratégicos que os chineses, em seus 5.000 anos de história, nos deixaram foi o de nunca usar um canhão para matar uma formiga.
Os efeitos colaterais que ocorrem quando isso acontece são sempre muito maiores do que os eventuais benefícios gerados.
Vamos testar no Brasil de hoje a sabedoria estratégica dos chineses.
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